Comportamento, Reforma íntima

Por que nós só amamos a quem nos ama

meninas amigas

Morel Felipe Wilkon

Artigo publicado originalmente em 20/07/2012

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Você se interessa pelo seu semelhante? Você se importa com as pessoas à sua volta? Por que nós só amamos a quem nos ama? Não posso falar de um assunto que desconheço, então nem vou falar dos moradores de rua, dos pedintes, dos necessitados que perambulam pelas ruas mendigando qualquer coisa. Minha boa vontade e desprendimento ainda não vão tão longe, minha reforma íntima não alcançou esse estágio por enquanto.

Me refiro às pessoas próximas, àquelas com quem convivemos cotidianamente. Você se interessa por elas? Você presta atenção quando um colega menos agradável lhe conta como foi seu fim de semana? Você ouve um irmão, um parente, um amigo, quando este fala de si, de seus projetos, de seus anseios, de seus problemas?

menina crespa com o cachorrinho
Você gosta de quem se interessa por você…

Há pessoas boas, de bons sentimentos, de boa índole, que, no entanto, não se interessam pelos seus semelhantes. Não têm o menor interesse em saber o que se passa nas cabeças alheias, não fazem questão de descobrir o que pensam e sentem os outros. Para estas pessoas, a vida dos outros não oferece nada de interessante, as histórias dos outros não lhes dizem nada, os interesses alheios não despertam sua atenção.

Não haveria mal algum nisso se não fôssemos humanos, gregários e sociais. E não há como fugir dessas características do espírito imortal. Necessitamos do convívio uns com os outros para aprendermos, para nos desenvolvermos, para crescermos material e espiritualmente. É da troca de experiências que tiramos exemplos importantes, é da observação da experiência do próximo que muitas vezes aprendemos sem precisar passar pela mesma situação.

Quem enfrenta as maiores dificuldades pela vida afora são justamente essas pessoas desligadas, que não se interessam pelos outros. São essas pessoas, que não têm seu interesse despertado por ninguém, as que provocam os maiores danos ao próximo, propositadamente ou não. São essas pessoas, a quem as experiências alheias não têm valor algum, as que mais fracassam na vida, as que enfrentam os maiores dissabores, as que levam os maiores tombos, às vezes desperdiçando uma reencarnação.

A descrição deste site, como você pode ler ali em cima, é “cinco minutos de espiritismo”. É o tempo que você leva pra ler este artigo. Mas se você puder, interrompa a leitura por um ou dois minutos e reflita sobre a questão acima. Pense nas pessoas que você conhece que não ouvem o que você diz; que contam algo de si e quando chega a vez do outro, não prestam a menor atenção. Pessoas que não acham graça nos gostos, nos divertimentos, na maneira de falar, no modo de se portar em sociedade, em nada, absolutamente nada que se refira aos outros.

Certamente você conhece alguém assim. Talvez alguém muito próximo de você. Não é triste? Não é lamentável como essas pessoas se isolam por colher o que plantam? Por não se interessarem por ninguém, ninguém se interessa por elas. Por não gostarem de ninguém como pessoa, como ser humano, ninguém gosta delas por elas serem como são. Por não admirarem nada em ninguém, ninguém admira nada nelas.

Você gosta das pessoas que lhe admiram, você gosta das pessoas que se interessam por sua vida, por algum talento seu, por alguma coisa que você faz. Você pode até amar alguém que não liga a mínima pra você, mas gostar, não. Você sabe, há uma grande diferença entre amar e gostar.

Se você quer ser admirado, admire. Se você quer ser respeitado, respeite. Se quer que as pessoas se interessem por você, interesse-se por elas. Se você quer ser amado, ame. Simples assim.

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7 Comentários

  1. Karla, você não está necessariamente errada. Temos que ter consciência de que reencarnamos no meio mais apropriado ao nosso próprio crescimento. A futilidade alheia faz você valorizar outros valores. Mas o papel de quem sabe mais é instruir quem sabe menos, desde que haja receptividade para isso. E, no mais, devemos desenvolver a tolerância.

  2. Olá karla, observe meu texto abaixo do seu. “Certa vez, achei que viver em paz seria estar sozinho, mas acabei chegando à conclusão que eu estava sendo egoísta e ao mesmo tempo estagnando a minha evolução.” Eu também me comportava como você e ao longo do tempo percebi que as outras pessoas são instrumentos pra nossa evolução. Cada pessoa está no seu momento evolutivo. Se você se acha mais evoluída em determinado aspecto do que o outro, aproxima-se mais dele e com seu exemplo e candura ele logo perceberá que tem algo a ensiná-lo. Hoje eu percebo que todos somos diamantes e todos ainda estamos sendo trabalhados, lapidados, mas a parte bruta ainda é a maior, em todos. Jesus disse que os sãos não precisam de médico e Ele só ficava no meio da multidão, falando e exemplificando. Teremos que ser assim também, como o Mestre, temos que estar perto da multidão, ela se faz necessário para o nosso burilamento, mas não esqueça da mensagem do Mestre: Orai e Vigiai. Isso é fundamental para não cairmos na tentação e também para enxergarmos nossa subida. Este é meu pensamento, bem subjetivo. Luz e força.

  3. Eu até me interesso pelos mais próximos (família, amigos). Mas tenho um sério problema em relação às outras pessoas. Na maioria das vezes, julgo-as fúteis, chatas, desinteressantes. Acho que só sabem falar em assuntos vazios ou entediantes.
    Ex: meus sogros, só sabem falar em doenças.
    Ou aquelas pessoas que vivem falando em futilidades nas redes sociais.
    Será que estou tão errada assim em não me identificar com essas pessoas?
    Sei que é horrível dizer isso, mas na maioria das vezes eu acho que o nível intelectual das outras pessoas é inferior (ou então, eu tenho o azar de conviver com pessoas assim). Sei que deveria ser mais humilde e aceitar as pessoas como são, mas pra mim é dificílimo dialogar com pessoas que eu considero “ignorantes”, ou que só conversam sobre temas chatos (doenças, crimes, etc).

  4. Morel, este texto nos trás a maior importância de nossa reencarnação: “a de vivermos em sociedade”. Certa vez, achei que viver em paz seria estar sozinho, mas acabei chegando à conclusão que eu estava sendo egoísta e ao mesmo tempo estagnando a minha evolução. Compartilhar os conhecimentos é algo fantástico e você tem exercido isso de forma brilhante ao responder de forma clara todos os meus e-mails. Como sou pequeno e ainda muito ignorante nas coisas das vidas, tenho feito a minha reforma íntima e com certeza as suas palavras são forças para evolução. Muito Obrigado e que Deus continue a lhe iluminar para nos ajudar, sempre.

  5. Verdadeiramente sofro por não possuir próximo a mim mais pessoas, que assim como você Márcia se preocupam com o que penso ou sinto sobre determinado assunto.
    Ainda bem que nos dias em que mais anseio a compreensão, sou abençoado com a sua ajuda.
    Muito obrigado mesmo minha grande amiga.

  6. Linda reflexão, Márcia. Merece ser lida e relida. Você tocou num ponto importante que comprovo sempre no meu dia-a-dia. A necessidade que as pessoas têm de serem ouvidas. Alguém que ouça seus anseios e questionamentos. Tenho pedido a Deus que me fortaleça sempre mais no sentido de saber ouvir com amor. Obrigado!

  7. Lendo esse artigo me peguei a pensar em quantas pessoas passam pela vida no anonimato. Quantos talentos não vistos, quanta indiferença com as ideias de outrem. Tantas vezes se almeja ser ouvido e compreendido, tantas vezes deseja-se ouvir uma palavra de carinho das pessoas que partilham da mesma história, segue o mesmo percurso na vida. A indiferença parece um hábito, o acrisolamento em seus mundos egoísticos anula o outro e o coloca como apenas mais um nesse mundo. Na verdade a humanidade é carente de atenção, de alguém que liga à procura de notícias, de amigos que se interessam pelos seus dilemas e que ouvem seus anseios e seus questionamentos. Atenção é vital à tragetória humana. Esse é ponto a ser pensado por todas as criaturas, afinal a lei de sociedade é um parâmetro ao nosso aprendizado, estacionaremos diante de nós mesmos, caso continuemos olhando apenas para o nosso umbigo, mesmo que não nos é possivel nos doar á família universal, englobando todas as criaturas, aos mais próximos, àqueles que estão ao nosso alcance, uma atenção especial tem valor inestimável, e claro a recíproca é uma necessidade, afinal todos estamos caminhando para o entendimento de nossos sentimentos e de nós mesmos e diante de instabilidades tão gritantes, ainda não somos autossuficientes, precisamos de mão amiga, de sorriso franco, de palavras de conforto e claro nos sentir importantes aos que caminham conosco.

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