Evangelho

Quando você julga o outro você mede a si mesmo

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Morel Felipe Wilkon

Artigo publicado originalmente em 27/06/2012

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É incrível a facilidade com que julgamos os outros. Como disse Jesus, vemos o cisco no olho do próximo, mas não enxergamos a trave em nosso olho… “Não julgueis, para não serdes julgados”. Você já ouviu isso em algum lugar? É uma advertência clara de que toda má ação que você comete gera prejuízo para você mesmo, porque quando você julga o outro você mede a si mesmo.

Você não é capaz de perceber um defeito que não conhece. Se lhe mostrarem o motor quebrado de uma nave espacial e lhe perguntarem onde está o defeito, você não vai saber dizer. Ou vai? Suponho que não. Enfim, você só nota aquilo que conhece. Os defeitos, os erros, as falhas que você vê nos outros são falhas que você tem, em maior ou menor grau. Como é que você nota quando alguém está sendo malicioso? Porque você conhece malícia. Se não conhecesse, não perceberia.

Quando você julga o outro você mede a si mesmo

Como é que você cuida os erros alheios e não cuida os seus próprios?  Como é que você é tão severo com as falhas do outro e sempre arruma uma desculpa pras suas? Como é que você fica tão indignado ao perceber os defeitos do próximo e se sente tão injustiçado quando apontam os seus defeitos? Dois pesos e duas medidas.

Apontamos os defeitos dos outros numa tentativa ridícula de nos destacarmos, pois nos elevamos a nossos próprios olhos e diminuímos o próximo com nossas conclusões tortas e nossos julgamentos fraudulentos. Não se esqueça de que aqueles defeitos e erros que você, espírito imortal, não apresenta neste atual passeio terrestre, provavelmente já teve e cometeu em outras experiências. Sem falar que ninguém está livre de errar ainda pro futuro…

Não vamos virar santos da noite para o dia. Não há fórmula mágica para a reforma íntima. Mas será que não podemos nos tornar desde já um pouquinho mais tolerantes? Não é por bondade que falo. Ao ser severo com alguém, você está sendo severo com você mesmo. Você entende isso?

Quem você acha que nos julga? Deus? Deus nos deu a consciência. A consciência se encarrega de observar, analisar e julgar. Sim, somos nós que nos julgamos. Quando você sente remorso por um erro cometido, quem é que está julgando você? Não é você mesmo? Não é a sua própria consciência que fica martelando na sua cabeça, lembrando a todo instante que você errou e precisa corrigir-se?

Pois é assim que funciona. Nós somos nossos juízes. E nos julgamos com a medida que usamos para julgar os outros. Por isso, quanto mais severo você for com as falhas do próximo, mais severo você será com as suas próprias falhas. A vida em sociedade é um espelho em que você se vê refletido naqueles que o cercam. Por isso eu disse que não estava falando por bondade. Você é bom? Ótimo, pare de julgar por sua bondade. Você não é bom? Então não seja burro, não prejudique a si mesmo sendo tão severo condenador!

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23 Comentários

  1. Concordo em gênero, número e grau.

    “Quando vires um homem bom, tenta imitá-lo; quando vires um homem mau, examina-te a ti mesmo.”
    Confúcio Os Anacletos, Livro IV, Capítulo XVII.

  2. Jéssica, o que devemos evitar é o aborto. Ter filhos ou não ter é uma escolha. Essa escolha só será prejudicial se fizermos isso por puro egoísmo – uma mulher que gostaria de ter filhos mas não quer estragar o corpo, por exemplo.

  3. Olá Morel, tenho algumas questões a respeito do espiritismo, sempre que posso tento me informar, mas às vezes tenho dúvidas sobre o assunto que não consigo simplesmente pesquisar. Uma delas é sobre ser mãe, tenho dúvidas se terei filhos, pois minha família tem alguns problemas genéticos, mas o espiritismo diz que se nos recusarmos a ter filhos, não vamos cumprir a evolução necessária, como saber mais a respeito? Ficarei feliz com a sua resposta e mesmo que não seja esclarecedora, ficarei grata.

  4. Palavras, palavras e palavras, só que falam muito no amor e em Jesus Cristo, mas o principal nunca é copiado dele, PERDOAR, PERDOAR E PERDOAR.

  5. Fantástico este artigo, me ajudou muito. Parece que há certas épocas em que a gente fica um juiz severo, bem como há outros que as pessoas ao nosso redor nos condenam, e as duas são péssimas, muito ruins. A primeira nos desgasta, e a segunda nos magoa. O certo mesmo é tomarmos conta da nossa vida, procurar acertar no que for possível e sermos tolerantes conosco, bem como com os erros alheios (pelo menos não se envolver, deixar quieto). De fato a consciência não perdoa mesmo, e ela sim é um juiz exato. Obrigada pelo texto, ajuda bastante.

  6. Deborah, entendo que o assunto pode gerar dúvida, mas o seu primeiro exemplo não se enquadra muito bem na questão: no exemplo você está tratando do uso do raciocínio, não de um julgamento.
    No seu segundo exemplo, deve ser evidenciado que o artigo começa e se baseia numa citação de Jesus. Jesus manda corrigirmos primeiro a nós mesmo, para depois corrigirmos os outros. A severidade a que me refiro diz respeito ao autojulgamento realizado pela nossa consciência. A Lei de causa e efeito tem sua aplicação em nós a partir dos mecanismos da nossa consciência. É a nossa consciência que “atrai” a resposta às nossas ações. E o grau de severidade com que nossa consciência nos julga é o grau de severidade que cultivamos em relação aos outros. Temos que ser compreensivos para com os outros. Compreensivos, não complacentes.

  7. Olá! Sempre leio seus artigos e eles me ajudam bastante, assim como a muitas pessoas, acredito. No caso desse, em particular, alguns pontos me chamaram a atenção e me deu vontade de expor a você, para que me ajude a entender algumas questões.
    1) Dizer que julgamos nos outros os nossos próprios defeitos. NEM SEMPRE. Vou dar um exemplo. Presencio ou fico sabendo que uma pessoa foi abordada e assaltada quando chegava em casa. A partir disso, começo a JULGAR que qualquer pessoa ou grupo de pessoas que estejam paradas próximas ao meu portão possam ser ladrões. Não porque se eu estivesse parada próximo a um portão iria assaltar alguém, mas porque sou fruto não só de minhas experiências individuais e sim do coletivo onde estou inserida. E assim são várias outras situações, onde, por questões de sobrevivência, aprendemos a desconfiar, a julgar.
    2) Se formos severos com nossas falhas, não teremos maior êxito em nossa reforma íntima? Sendo severos conosco, infelizmente acabaremos sendo severos com os outros. No entanto, se não julgarmos ninguém e formos bondosos conosco também, quem nos corrigirá? Porque é graças, muitas vezes, a essa severidade nossa e dos outros conosco, que progredimos.
    Quero só ressaltar que não discordo da essência de seu artigo, muito pelo contrário. São apenas raciocínios meus, que podem estar equivocados, mas que eu quis dividir com você, para que, se pudesse, me esclarecesse. Há momentos em que tudo faz sentido, outros, em que nos enchemos de incertezas. Estou passando por esse último, no momento.
    Muito obrigada pela atenção e por nos ajudar com os ensinamentos contidos em seus artigos. Gosto muito de lê-los.

  8. Marcia, a aparência que temos faz parte dos nossos desafios. Não somos um corpo, estamos temporariamente ligados a um corpo. Pessoas muito bonitas têm mais facilidades na vida, o que quase sempre é prejudicial para elas, pois todos aprendemos com as dificuldades. Por outro lado, pessoas que não são bonitas segundo os padrões vigentes, se não se revoltarem contra a vida, têm mais propensão a desenvolver a humildade e a empatia. Só quem conhece a dor é capaz de compreender a dor alheia.

  9. Lindo contexto, mas na prática a cultura hoje prioriza a beleza física. Passo por humilhações e zombarias por não ter um estereótipo de mulher brasileira. Fico muito triste em ver o que as pessoas estão fazendo com outras, não escolhemos nascer com traços e medidas que sejam padrões. A maioria conhece você pela sua aparência, a rejeição tornou-se fato relevante.

  10. “Pelas suas palavras serás condenado”, disse Jesus. O julgamento que você faz dos outros e das suas atitudes é o mesmo julgamento que a vida irá aplicar a você.
    Para considerar a Lei de causa e efeito é preciso considerar a reencarnação. A existência presente é apenas um pequeno ponto na eternidade.
    Através da reencarnação colhemos o que plantamos.
    Mas a solução para o problema não compete aos outros e ao que eles fazem ou deixam de fazer. Compete a você não se deixar atingir por uma atitude que você considera equivocada.

  11. Oi Morel

    Será que a causa e efeito atua mesmo? Poxa, tem pessoas que só sabem julgar e policiar a vida dos outros. Aconteceu que outro dia eu fui convidada para uma festa de aniversário e não pude ir, eu comprei um presente e entreguei pessoalmente à pessoa. Mais tarde, essa pessoa apareceu e tinha outras por perto e eu não cumprimentei mais uma vez porque eu já tinha cumprimentado. Não é que essa pessoa começou a comentar com as outras que eu era mal educada, grosseira? Eu não tenho muita paciência para lidar com gente assim. A pessoa continua desse jeito cheia de ser a dona da verdade e não acontece nada com ela. Poxa, viver é cansativo por causa dessas pessoas fofoqueiras, fiscais da vida alheia, que vivem medindo seu jeito, o que você faz, o que você não faz, o que você sente, o que você não sente. Quando que esses diabos vão experimentar o julgamento alheio?

  12. Morel, desculpa, a minha intenção era colocar uma linha diferente no raciocínio sobre a questão, pensar de forma diferente é complicado, quem pensa diferente é sempre tachado de bandido, maluco, obsidiado, burro, idiota, repito, a minha intenção era colocar um pensamento novo e diferente, desculpa, valeu, um abraço.

  13. Wilson, seu conceito de livre-arbítrio está prejudicando a sua análise. Não confunda livre-arbítrio com liberdade de ação. O livre-arbítrio se prende essencialmente ao pensamento e às escolhas que advém da faculdade de pensar. Jesus tinha moral, nem todos nós temos.

  14. Wilson, “quem cala consente” é uma meia-verdade. Não se adapta à generalidade das questões. O sentido do artigo é intimista, não tem nada a ver com atitudes perante a sociedade. A grande maioria das coisas que criticamos nos outros nós já as fizemos ou faríamos se estivéssemos nas mesmas circunstâncias. Ao não ser “omisso”, como você diz, cometemos análises precipitadas e carentes de conhecimento como é o seu julgamento acerca da Umbanda, feito em outro comentário. Acho, assim como você, que devemos nos posicionar. Acho, assim como você, que Jesus não era omisso. Mas Jesus tinha moral para conhecer a tudo e a todos com profundidade; nós não temos. Em parte alguma você lê que Jesus usou o chicote ou que expulsou alguém a pontapés. Você confunde livre-arbítrio, deliberação íntima do espírito, com liberdade de ação. Ao expulsar os vendilhões do templo Jesus não desrespeitou o livre-arbítrio de ninguém. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Concordo em que nem sempre devemos respeitar o livre-arbítrio do próximo, mas isso se refere a questões espirituais.

  15. No livro dos médiuns o mentor espiritual Erasto fala que toda pessoa de bem deve procurar DESMASCARAR os impostores. Como que eu vou Desmascarar os impostores se eu tenho que respeitar o livre arbítrio deles? Tenho que ser indulgente, não podemos respeitar sempre o livre arbítrio, existe muitas pessoas maldosas, hipócritas, mentirosas, corruptas, que têm que ser criticadas e condenadas. Se eu sou um Espírito de baixa evolução, eu não posso condenar ninguém, porque estou cheio de erros e vícios, e um espírito imperfeito não pode julgar outro espírito imperfeito, esse é o raciocínio mais usado, vejamos, um erro justifica outro erro?
    Um crime justifica outro crime?
    Um vício justifica outro vicio?
    Onde fica a Justiça e os princípios Morais elevados?
    Por que Jesus criticou os fariseus e os escribas, chamando eles de Hipócritas e Raça de Víboras?
    Estou apenas colocando uma linha de raciocínio.
    Um abraço, valeu.

  16. A questão do julgamento, devemos julgar, devemos criticar, devemos condenar??? O mal cresce na sociedade, pela omissão e passividade de muitas pessoas, não podemos ficar Calados, porque, quem Cala consente. O Mestre Jesus não ficou calado diante dos Vendilhões do Templo, pelo contrário, Ele usou um CHICOTE e expulsou esses picaretas a ponta pé, e chamou eles de ladrões, vemos que Jesus não era omisso e nem passivo diante das coisas erradas e falsas. O Mestre Jesus também criticou os fariseus, escribas e os sacerdotes judaicos, chamando eles de Hipócritas e raça de víboras, isso mostra um Jesus Moralizador e criticista, que as Religiões procuram esconder. O mal deve ser julgado e condenado sempre, não podemos ser cegos e mudos perante as coisas falsas e erradas, um exemplo, um político corrupto e mentiroso deve ser criticado e condenado, para o bem da sociedade. Não criticar, não condenar, não julgar, é ser Omisso e passivo e quem cala consente, muitos embusteiros, picaretas e malandros usam essa frase “não devemos julgar para não sermos julgados”, eles usam tal frase de forma maliciosa para evitar a Crítica construtiva e a Justiça, eles querem levar as pessoas a um estado de inércia e omissão, favorecendo assim o crescimento do mal. Uma outra questão, devemos respeitar sempre o livre arbítrio de uma pessoa, CLARO QUE NÃO. Devemos respeitar o livre arbítrio de um criminoso? Devemos respeitar o livre arbítrio de um político corrupto e malandro? Devemos respeitar o livre arbítrio de um traficante? Devemos respeitar o livre arbítrio de um suicida e deixar ele se matar? Devemos respeitar o livre arbítrio dos exploradores? Devemos respeitar o livre arbítrio das pessoas que maltratam os animais? Devemos respeitar o livre arbítrio das pessoas que praticam o Mal? Por que o Mestre Jesus não respeitou o livre arbítrio dos fariseus, escribas e dos sacerdotes judeus? Por que Jesus não respeitou o livre arbítrio dos Vendilhões do Templo? O que deve ser Respeitado é a Moral, a Justiça, as Virtudes, deu para entender. As forças do mal querem levar as pessoas para a Omissão e passividade, por que, assim o terreno fica livre. Quem cala Consente. Um abraço meus amigos.
    Estou colocando essa questão de forma conceitual e não pessoal. O livre arbítrio é dado para o ser humano praticar o bem e as virtudes, quem utiliza seu libre arbítrio para fazer o mal, crimes, corrupções políticas, mentir, roubar, explorar, enganar, deve ser travado para o bem da sociedade, o Jesus omisso e passivo nunca existiu.

  17. ao ler este comentário me lembro quantas vezes fico em frente ao espelho fazendo observações e orientando aquele que estou vendo, pois julgá-lo ficaria dificil, porque nao tenho este poder. Apenas peço que procure seguir até onde for possível as palavras do Mestre Jesus.
    Abraços.

  18. É como você disse, Terezinha: precisamos sempre estar de vigia. Depois que adquirimos o conhecimento dessas verdades, não podemos nos dar ao luxo de relaxarmos, de esquecermos de nós mesmos. Precisamos estar sempre com o controle, nos vigiando. Obrigado, amiga.

  19. Felipe, boa tarde !!!! Vou refletir essa mensagem dizendo as palavras de Jesus: com a mesma medida com que julgardes …sereis julgados vós. Como você tão bem colocou quando julgamos os outros estamos julgando a nós mesmos… É como um espelho que vemos refletido no outro aquilo que somos…Infelizmente, quando percebemos muitas vezes já estamos julgando…e aí vai…condenamos, absorvemos…depende daquilo que nós mesmos trazemos no coração…às vezes somos indulgentes com os outros e somos nosso próprio carrasco…outras vezes somos o carrasco do outro e muito indulgentes conosco… Precisamos mesmo sempre estar de vigia …para não cairmos na tentação de julgar os outros e a nós próprios com severidade em demasia ou muita indulgência. Agora não nos cabe aqui julgar ninguém a não ser a nós próprios…e assim mesmo como diz S.Paulo: nem a mim eu me julgo…pois isso cabe ÀQUELE que me conhece mais que eu. Grande abraço, meu amigo!

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