Sexo astral: sexo com espíritos, sexo dormindo

sexo com espírito

Sexo astral

Um dos artigos que escrevi que mais geram perguntas é Espiritismo e sonhos eróticos. Todos os dias há novos comentários no site, que nem sempre publico por trazerem descrições muito explícitas de sexo. Devo lembrar que qualquer criança pode ter acesso a este site. Por se tratar de um tema-tabu, muitas pessoas preferem enviar suas perguntas por e-mail. Recebo centenas de e-mails por dia. Eu gostaria de responder a todos, mas o tempo não permite. E muitas das perguntas são sempre as mesmas, como é o caso das perguntas relacionadas ao artigo Espiritismo e sonhos eróticos.

Por isso escrevo este artigo: para dirimir as principais dúvidas e esclarecer que não tenho poderes para ajudar ninguém que experimente essa situação. Minha tarefa é esclarecer. A partir daí, quem estiver realmente interessado em solução deve buscar a solução.

Não existe uma nomenclatura específica para isso: no outro artigo, chamei de sonhos eróticos. Não que se trate de sonhos, mas porque essa é a impressão para quem não conhece a realidade espiritual e não tem ideia do que se trata. Mas o nome mais adequado talvez seja sexo astral. Poderíamos chamar de sexo com espíritos, mas nós também somos espíritos. Somos espíritos encarnados, estamos temporariamente animando um corpo físico, mas somos espíritos. Quando morrermos, deixaremos este corpo, mas permaneceremos sendo exatamente quem somos. Teremos os mesmos gostos, os mesmos costumes, as mesmas opiniões, as mesmas tendências, e, quase sempre, a mesma aparência.

Poderíamos chamar de sexo durante o sono, mas em algumas pessoas o nível de consciência é tão alto, e a sensação física tão evidente, que falar de sono não transmite o que essa experiência significa.

O sexo astral a que nos referimos é a experiência sexual, completa ou não, entre um espírito desencarnado e um espírito encarnado. Também é possível haver relação sexual entre dois encarnados desdobrados, mas não consideraremos essa hipótese por ela ser menos provável e por gerar inevitáveis fantasias. Muitas pessoas “viajam na maionese” e podem tentar encontrar o alvo dos seus desejos durante o sono.

Falamos em espírito encarnado desdobrado. Nós somos espíritos encarnados. Durante o período de sono físico, enquanto o corpo físico repousa, o espírito permanece ativo. O que precisa descansar é o corpo, não o espírito. O corpo é uma máquina usada pelo espírito para se manifestar, mas nós somos espíritos. Quando o corpo repousa, então, por ocasião do sono, ficamos parcialmente libertos e vamos em busca daquilo que mais nos interessa. Isso é quase sempre automático, impensado. Saímos do corpo físico com o corpo astral. O corpo astral, também chamado de perispírito ou corpo espiritual, é semelhante ao corpo físico, mas de um outro tipo de matéria que não conseguimos perceber. Não conseguimos perceber o corpo astral através dos nossos cinco sentidos físicos. Mas, quando estamos no plano astral, que é para onde vamos quando dormimos ou quando morremos, este corpo é tão real quanto o nosso corpo físico. O corpo físico é o nosso corpo para o plano físico. O corpo astral é o nosso corpo para o plano astral. Quando morrermos, ficaremos só com o corpo astral, pois o corpo físico terá estragado e irá apodrecer. Quando dormimos, nos libertamos parcialmente do corpo físico, ficando presos a ele apenas por uma espécie de cordão energético, o chamado “cordão de prata”, e mantemos atividade no plano astral com o nosso corpo astral.

O que fazemos? Há pessoas que não fazem nada. Há pessoas que fazem as mesmas coisas que fazem enquanto estão acordadas – isso é comum em quem tem atividades muito repetitivas. Como fazem a mesma coisa o dia todo, automaticamente, durante o sono continuam fazendo a mesma coisa, repetindo os mesmos gestos.

Há pessoas que trabalham em benefício do próximo. Há espíritos trabalhadores esperando por eles que os guiam até outros espíritos, encarnados ou desencarnados, que estejam precisando de ajuda. A energia dos encarnados é importante para os desencarnados. Alguém que morreu doente ou num acidente, por exemplo, pode permanecer com a impressão da doença ou com as sequelas do acidente, e a energia dos encarnados pode restituir a sua saúde.

Há pessoas que passeiam por qualquer lugar, do presente ou do passado. Mas a maioria vai em busca de prazeres. Procuram, no plano astral, aquilo que não podem procurar no plano físico. No plano físico nós desenvolvemos uma determinada personalidade. Você nasceu em uma determinada família, teve uma certa criação, conviveu com pessoas, viu e ouviu coisas, entrou em contato com cultura, religião, valores, opiniões, e foi se moldando conforme foi crescendo.

Você não é no dia-a-dia como você é de verdade. Mesmo que você seja uma pessoa boa, autêntica, sincera, leal, correta. Isso é o papel que você representa, como numa peça de teatro. É claro que, se você interpreta um papel bom assim, é porque você já desenvolveu, ao longo de inúmeras existências, condições para dar conta deste papel. Um espírito menos experiente que você, ou menos esforçado, menos esclarecido, não teria condições de desenvolver uma personalidade como a sua, mesmo que tivesse sido criado com os melhores cuidados e com muito amor.

Nós aprendemos a nos comportar neste mundo, neste plano, nesta sociedade. Reprimimos nossos desejos, nossos sentimentos primitivos, nossas emoções mais negativas, nossos pensamentos mais sombrios. E essa repressão, no caso de um espírito já um pouquinho adiantado, não custa muito esforço. Ele naturalmente sabe o que pode e o que não pode fazer, o que convém e o que não convém desenvolver. Mas a maior parte de nós usa máscaras. Podemos ser honestos, bons maridos ou boas esposas, boas mães, bons pais, cidadãos exemplares, podemos fazer orações, compartilharmos belas mensagens no Facebook, criticarmos os erros dos outros, e, no entanto, cometermos esses mesmos atos que consideramos erros e que criticamos nos outros quando estamos no astral, desdobrados.

Nossa personalidade atual é apenas um nível de consciência que desenvolvemos, mas está longe, muito longe, de ser o nosso verdadeiro “eu”. Somos muito melhores e piores do que isso. Melhores pelo nosso potencial e por toda a bagagem que já temos e que não demonstramos atualmente. Mostramos, na reencarnação atual, apenas uma pequena parte do que já aprendemos e adquirimos em nossa trajetória espiritual.

Mas somos piores no sentido de que aquilo que reprimimos no plano físico ainda não está superado. Podemos ser honestos aqui porque nos propusemos firmemente a isso, mas, no fundo, ainda não superamos essa fraqueza, e, quando desdobrados, revelamos a nossa desonestidade. Podemos ser pacatos no estado de vigília (quando estamos acordados), mas, quando nos desdobramos, saímos atacando todos que nos disseram desaforos ou que contrariaram nossos interesses.

Isso é muito comum com o sexo. Uma pessoa pode ser fiel no casamento e sexualmente bem comportada, mas, no astral, onde não temos as barreiras que nos impomos aqui no plano físico, cai a máscara. Não que isso seja algo pecaminoso ou que deva ser veementemente combatido. Não. Quando tratamos de autoconhecimento, não há espaço para pudores ou puritanismo. Mas isso é fato que muitos conhecem por experiência própria. Já recebi mais de dois mil relatos neste sentido. Uns muito vagos, de pessoas que não sabem explicar o que lhes aconteceu, mas outros claríssimos, com detalhes vívidos como se se tratasse de experiências físicas. Se considerarmos que este é um tema delicado, que gera medo e vergonha, podemos fazer ideia de que muitas outras pessoas passam por isso e não se manifestam a respeito.

O sexo astral pode ocorrer com ou sem consentimento por parte do encarnado. Quase sempre isso ocorre imediatamente depois de dormir ou imediatamente antes de acordar. Nesses dois períodos estamos num estado de consciência ligeiramente alterado, num estado intermediário entre a vigília e o sono; entre o físico e o astral. Muitas pessoas sentem a aproximação do espírito, ou veem o espírito claramente, sentem o seu toque, o seu cheiro, tudo, como se fosse físico, e tentam acordar. Percebem que estão dormindo, num estado que não sabem explicar, querem acordar, tentam se soltar do espírito e não conseguem. Este estado de não conseguir acordar, de não conseguir voltar para o corpo físico, chama-se “paralisia do sono”, ou “catalepsia do sono”, e é bastante comum.

O espírito pode ser conhecido ou desconhecido. Pode ser conhecido de existências anteriores, ou conhecido apenas do plano astral. É importante considerar que essas experiências podem acontecer por muitos anos até que a pessoa perceba o que está se passando.

Nos casos em que o encarnado consente, forma-se uma verdadeira parceria: o espírito desencarnado (ou espíritos; pode ser mais de um) já fica à espera do encarnado quando ele se deita para dormir. Assim que ele pega no sono, o próprio espírito o ajuda a desdobrar-se. No caso de o encarnado manter a consciência, ele vê o espírito no seu quarto, ou já na sua cama.

Se o encarnado não consente, a experiência pode ser bem desagradável. Principalmente se o seu grau de consciência for avançado. Cada pessoa tem um determinado grau de consciência quando se desdobra. A maioria é zero, não lembra de absolutamente nada. Outros têm lembranças vagas; outros sabem que estão dormindo e pensam que estão sonhando. Outros, por fim, têm plena consciência, ficam tão lúcidos quanto você está, neste momento, lendo este artigo.

Por que isso acontece? Porque somos espíritos ainda muito atrasados, e a maior parte de nós permanece presa a desejos carnais. Uma pessoa que é viciada em sexo não vai se livrar do seu vício em sexo só porque morreu. Vai continuar procurando sexo de todas as formas. Além disso, o sexo envolve muita energia. E os espíritos desencarnados ainda muito apegados às sensações da matéria, aos prazeres do corpo físico, sentem falta da energia dos encarnados. Aproveitam-se, então, do sexo, para vampirizar as energias dos encarnados.

Muitos atraem esses espíritos com o seu pensamento permanentemente voltado para o sexo. Em tempos de internet, a pornografia está na cabeça de grande parte da população e se tornou um vício vil e ridículo, que atrai companhias espirituais com o mesmo teor vibratório. Aí embaixo está o meu vídeo “Pornografia numa visão espírita”.

O que fazer para se livrar disso? Para muitas pessoas essas experiências são um verdadeiro tormento. É comum que essas pessoas percam o interesse pelo sexo convencional, deixando, até, de ter relações com os seus cônjuges. Ficam esgotadas sexualmente e energeticamente, sempre cansadas, desanimadas, sem vontade pra nada.

Não há solução mágica, não há truque, não há facilidades para resolver isso. Todos os dias pessoas me pedem ajuda para acabar com isso em suas vidas. Todos os dias eu tenho que dizer que não posso resolver esse problema. Também não tenho como saber quem é o espírito que as persegue sexualmente, se ele é conhecido ou não, ou o que causa isso. Não pergunte; não sei.

É preciso entender que você não tem controle direto sobre o seu nível de consciência no astral. Você se controla aqui, se quiser se controlar. Lá você é como você é de verdade, mesmo que não pareça você como você pensa que você é. Você pode ter essa personalidade certinha hoje, mas nem sempre foi assim. O sexo sempre foi um dos maiores desejos do ser humano. Em algum momento do seu passado você desenvolveu exageradamente o seu lado sexual, e isso pode não estar totalmente resolvido em você.

Orar e pedir ajuda ao espírito protetor sempre é bom. Mas é preciso lembrar que fazemos isso quando ainda estamos acordados. Assim que pegamos no sono, já não temos essa mesma personalidade; cai a máscara, e fazemos o que realmente gostaríamos de fazer se não tivesse ninguém olhando, nem nós mesmos. O espírito protetor não vai nos segurar à força para nos impedir de fazermos o que queremos fazer.

Pela minha experiência e pela observação, vejo duas soluções, as duas bastante trabalhosas. A primeira só vale para aqueles que sentem realmente os sintomas que citei, ou seja, aqueles que se mantém conscientes, que se mantém lúcidos, que sabem o que está acontecendo. Se este é o seu caso, informe-se sobre projeção astral (ou projeção consciente, ou viagem astral; é a mesma coisa). Estudando a projeção astral e desenvolvendo a capacidade de dominar a si mesmo durante a projeção, o problema pode ser solucionado. Dá trabalho; é preciso querer de verdade. Procure vídeos no Youtube do Saulo Calderon e do Wagner Borges. São os melhores especialistas no assunto. Não perca tempo com outros.

A outra solução, válida para todos (aliás, para todo mundo), é a pessoa dedicar-se resolutamente, com muita vontade e decisão, a fazer o bem ao próximo. Seja num centro espírita, numa igreja, numa ONG, ou em qualquer lugar. Mas que se dedique a uma ou mais tarefas específicas, metódicas, que passem a fazer parte do seu dia-a-dia. Nós demoramos algum tempo (semanas ou meses) para que os hábitos que incorporamos aqui no plano físico passem a nos acompanhar no astral. Quando parei de fumar, por exemplo, continuei fumando, por algum tempo, no astral. Até que um dia parei de fumar lá também.

Ao abraçarmos uma atividade útil em benefício do próximo, principalmente de pessoas que não conhecemos, que não fazem parte do nossos grupo familiar, nós nos envolvemos com espíritos trabalhadores que também se dedicam a isso. Formamos novas parcerias espirituais, e, com o tempo, levamos esses hábitos também para o astral.

Essa capacidade de desdobrar-se conscientemente, associada, muitas vezes, à capacidade de ver espíritos, é sintoma de mediunidade. Para saber lidar com a mediunidade é preciso conhecê-la. Para isso há bons livros e há os cursos nos centros espíritas. A mediunidade pode ser uma valiosa ferramenta de trabalho em benefício do próximo.

A solução definitiva para todos os nossos males é a prática do Evangelho de Jesus. Se praticarmos o Evangelho com todas as nossas forças, não teremos esse tipo de problemas. O estudo é necessário. Precisamos de esclarecimento, precisamos saber o que se passa conosco. E para sabermos o que acontece com nós mesmos temos que saber mais sobre a nossa verdadeira natureza espiritual. Sem esclarecimento não vamos para a frente.

Você é um universo

Você é um universo

Artigo publicado originalmente em 13/09/2012

Ouça este artigo na voz do autor

Você é um universo. A sua realidade é só sua, de mais ninguém. Quando você anda por uma rua movimentada, no meio de um monte de gente, você não se confunde com a multidão. Intimamente você sabe que você é você e os outros são os outros. No entanto, cada uma dessas pessoas por quem você passa, cada mulher ou homem com quem você cruza pela rua, é também um universo.

Se você observar cada rosto, sério ou sorridente; cada semblante, distraído ou preocupado; você pode fazer um esforço de imaginação, um exercício de empatia e se colocar no lugar dessa pessoa. Ela também tem todo um mundo dentro de si. Um mundo de desejos e descontentamentos, um mundo complexo como o seu.

Ninguém sabe nada de você. Os outros não conhecem suas motivações, seus sentimentos, sua esperança, seus sonhos e ideais, seus anseios e aspirações, sua fé e sua infinita força interior. O seu mundo interior, o seu universo individual, só é compreendido por você mesmo. Só você sabe o que quer e só você pode conquistar o que quer. Ninguém tem acesso ao seu poder de pensamento a não ser você mesmo, e isso faz de você um ser invulnerável.

Ninguém pode atingi-lo se você não permitir. Não há raiva, rancor, mágoa ou inveja que atinja você se você não der abertura para isso, pois o seu universo é seu e de ninguém mais. Você é espírito imortal encarnado, vivenciando mais uma experiência na carne, sujeito às limitações que a matéria impõe e sujeito às necessidades e desejos que a carne solicita.

Mas você não é escravo das circunstâncias. Você tem plena liberdade, dentro de seu universo individual, para escolher o que convém e o que não convém para a concretização da reforma íntima que você se propôs a realizar.

Se cada um de nós é um universo e se somos tão fechados e invioláveis, o que nos une? Que força irresistível é essa que nos liga uns aos outros? Deus! Deus nos une, Deus nos faz perceber intimamente que o outro é uma outra versão de nós mesmos. O outro é você num contexto diferente. Você vive mergulhado em Deus. Deus se manifesta através de você.

Por isso todo mal é ilusão. O mal é transitório como a ignorância, pois se confunde com ela. O mal é a não manifestação de Deus. A bondade e a grandeza de Deus está toda dentro de você. Para vivê-la plenamente e manifestá-la, basta você aceitar e acreditar. Tudo o que você acredita de verdade acaba por se manifestar.

Esse conhecimento é tão antigo quanto a civilização, talvez mais. E esteve presente em todos os grandes povos da História. Jesus fala abertamente sobre o poder irresistível do pensamento e da oração. Por que custamos tanto a acreditar nisso? Por que para aprender a dominar o pensamento é preciso persistência, vontade férrea.

Não podemos esquecer que estamos na matéria, e algumas situações necessitam tempo para se manifestarem. E uma reencarnação é pouco para fazermos, testarmos e estudarmos tudo o que gostaríamos.

Deus vê o que você faz, ouve o que você diz, sabe o que você pensa, entende o que você sente. Peça e receba. Busque e ache. Bata e a porta se abrirá para você.

Jesus e a cura à distância

As curas à distância, bastante conhecidas no meio espírita, dentre as quais se destacam as chamadas “cirurgias pelo espaço”, são um fenômeno de todos os tempos. Jesus, no Evangelho de João, promove a cura do filho do funcionário real, sem contato com o doente. Este é o tema deste vídeo, o 9° vídeo desta série de estudos sobre o Evangelho de João.

Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus

Mahatma Gandhi espírita

Mahatma Gandhi

Esta é a sétima bem-aventurança ensinada por Jesus de acordo com o Evangelho de Mateus. 

Esse texto é parte integrante do nosso livro Evangelho sem Mistérios, que você pode ler clicando sobre o título.

“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”. Mateus 5:9

Rohden nos lembra que ninguém pode ser pacificador de outros se não for pacificador de si mesmo.

A paz individual produz a paz social. Sociólogos e especialistas das mais diversas áreas oferecem teorias e mais teorias visando a melhora da sociedade. 

Por mais bem-intencionados que sejam, e por mais verdadeiras que sejam as bases dos seus estudos, a sociedade não pode ser mudada em bloco. A sociedade é formada pelos indivíduos, é a soma dos indivíduos, e só a melhora dos indivíduos pode melhorar a sociedade.

Embora todos os esforços em benefício da coletividade sejam louváveis, as únicas conquistas sólidas são as que se dão em nosso íntimo, individualmente. Pode-se alterar legislações e costumes, mas seu efeito será apenas paliativo se os indivíduos não se conscientizarem.

Há uma frase que está na moda: “Quando você muda, o mundo muda”. E é verdade. Quando mudamos, passamos a ver o mundo de outro modo, e a maneira como o vemos determina a influência que passamos a exercer sobre o meio e sobre os seres.

O ambiente psíquico da coletividade é a soma dos ambientes psíquicos individuais. Sempre que melhoramos a nós mesmos estamos melhorando a coletividade. 

Pacificando a nós mesmos é que pacificamos os outros. A paz é tão transmissível quanto um vírus. 

Para ler nosso comentário sobre a bem-aventurança anterior, clique sobre o título: Bem-aventurados os limpos de coração.

Aceitar a vida

 

Mãos se tocando

É preciso aceitar mais…

Artigo publicado originalmente em 12/09/2012

Ouça este artigo na voz do autor

Tudo o que você sente é só você que sente. Parece óbvio, né? Mas nem sempre nos damos conta disso. Quando você tem uma reação qualquer, a emoção é vivenciada por você. Numa situação em que você fica aborrecido ou decepcionado com alguém, é você quem está sofrendo. É você quem fica se corroendo de raiva, ou mágoa, ou tristeza. É preciso aceitar a vida.

A reação que você tem não se dirige à pessoa que lhe prejudicou, ou à situação que lhe atrapalhou. A sua reação se dirige a você mesmo; você é responsável pelas suas reações, pelas suas emoções, pelos seus sentimentos.

Alguém lhe diz um desaforo. Você reage com raiva. Quem lhe deu a raiva? De onde vem a raiva? Quem é o responsável por controlar, desenvolver ou eliminar a raiva? Alguém pode obrigá-lo a sentir raiva?

Tudo o que você sente é responsabilidade sua. Só quem pode exercer controle sobre o que você sente é você mesmo. Claro que temos reações instintivas, e muitas. Não somos espíritos superiores, ainda temos muito de animalesco dentro de nós, e esta reencarnação não será suficiente pra eliminar tudo. Mas se não sabemos evitar a reação instintiva, podemos controlá-la assim que ela seja desencadeada. Esse é um processo consciente, racional. É fácil? Não, mas pode ser treinado, faz parte da reforma íntima. Depende de estarmos conscientes de nós mesmos.

A maioria das nossas ações e reações é automatizada. É bom que seja assim, pois economizamos tempo. Neste momento você está lendo estas palavras. Mas não está lendo letra por letra, como aprendeu na escola. Você está lendo palavras e pequenos grupos de palavras, que seu cérebro decodifica instantaneamente.

O problema é quando automatizamos ações que não são corriqueiras como ler, lavar a louça, dirigir, caminhar. Precisamos ser conscientes da maneira como reagimos às mais diversas situações. Temos que ser observadores de nós mesmos. Senão, como nos conheceremos? E sem nos conhecermos, como controlar nossos instintos?

Precisamos urgentemente resistir menos e aceitar mais. Você percebe como resiste a quase tudo? Quando você resiste às opiniões divergentes da sua, aos pontos de vista diferentes dos seus, você cria uma barreira. E as opiniões, a sua e a do outro, ficam se debatendo contra essa barreira. Quanto mais resistimos, mais a vida se torna um embate, mais nos digladiamos.

Precisamos disso? Claro que não! Temos que ter flexibilidade para aceitar opiniões diferentes das nossas. E temos que ter coragem para adotar algumas dessas opiniões quando percebermos que elas são mais completas, mais acertadas, mais harmoniosas que as nossas. Para isso é preciso ser consciente, é preciso ter as emoções sob controle.

Para quê nos prendermos a uma opinião ultrapassada? Para quê insistirmos em uma opinião avançada demais, supostamente futurista? Vivemos o presente, e o presente é o que deve ser. Não pode ser mudado. Independe de opiniões, independe de gostos, de vontades, de aceitação ou não. O futuro é que pode ser mudado. Quer que as coisas sejam diferentes? Comece a modificá-las; mas aceite o hoje. Aceite os problemas de hoje, as diferenças de hoje, os pontos de vista que os outros têm hoje.

Não se desgaste à toa. Enquanto você fica se contorcendo de raiva, o alvo da sua raiva às vezes nem toma conhecimento dela. É você que sente os efeitos destrutivos dela. Assim com a mágoa, com o inconformismo, com a não aceitação. Economize energia para usá-la construtivamente.

O que é a vida eterna?

O que é a vida eterna a que se refere o Evangelho de João? Será que vida eterna é simplesmente viver para sempre? Na verdade, a expressão “vida eterna”, no contexto do Evangelho de João, é muito mais abrangente do que apenas viver para sempre. Afinal, todos nós somos espíritos imortais, e, como tal, todos viveremos para sempre. A promessa de vida eterna, então, não pode se referir tão-somente a viver eternamente.

Este é um dos temas abordados neste vídeo que é o 7° vídeo da série de estudos sobre o Evangelho de João. Outro tema relevante, que causa polêmica entre cristãos e não-cristãos, é a passagem conhecida como o versículo mais famoso da Bíblia: João 3:16 – “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Quem é o filho unigênito de Deus? Quase todos pensam tratar-se de Jesus. Será mesmo?

Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus

puros de coração

Os limpos de coração verão a Deus

Esta é a sexta bem-aventurança ensinada por Jesus de acordo com o Evangelho de Mateus. 

Esse texto é parte integrante do nosso livro Evangelho sem Mistérios, que você pode ler clicando sobre o título.

“Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus”. Mateus 5:8

O limpo de coração (ou puro de coração) já não é dominado pela matéria, tornou-se pobre pelo espírito, possui sem ser possuído; 

- já governa a si mesmo, superou as falsas alegrias mundanas e só lamenta pelos que ainda sentem necessidade de prazeres descontrolados; 

- libertou-se das emoções, que são transitórias, e desenvolveu os sentimentos, que são permanentes, ao conquistar a mansidão; 

- ajustou-se às Leis de Deus, percorrendo o caminho reto que leva a Deus, não mais cometendo o erro de buscar desvios e atalhos e, como conseqüência, experimentar a dor; 

- por haver experimentado as fraquezas humanas ao longo de inúmeras reencarnações, tornou-se misericordioso. 

Nada material lhe pertence, nenhuma pessoa lhe pertence. 

Não tendo posses, não sendo escravizado a afetos egoísticos, nada nem ninguém tem poder sobre ele. Sente que é parte de Deus e manifesta o poder de Deus nas suas relações interpessoais. 

Não podemos confundir essa pureza de coração com questões sexuais. Algumas mentes sujas acham que o limpo de coração é a pessoa casta, a pessoa que não tem contato sexual. 

Sexo não é sujo nem impuro. Sexo é energia divina e quando é praticado com afeto é manifestação e vivência do amor de Deus. 

Deus creou o sexo e o sexo é bom. Sexo com afeto é divino. Sexo apenas por desejo é instinto animal. 

Os puros de coração talvez não sintam mais necessidade da prática sexual devido à sua elevação espiritual. Mas esse abandono da prática sexual é apenas uma consequência da sua pureza conquistada, não é causa ou motivo de pureza.

Para ler nosso comentário sobre a bem-aventurança anterior, clique sobre o título: Bem-aventurados os misericordiosos.

Queimar o carma

Você acredita que pode queimar o seu carma?

Artigo publicado originalmente em 11/09/2012

Ouça este artigo na voz do autor

O instrumento mais poderoso de que você dispõe para consertar seus erros é o perdão. Hoje há exercícios que prometem queimar o carma…

Você acredita que seus problemas podem acabar algum dia? Você acha que existe alguma solução mágica para os seus problemas? Você sabe que não; eu só perguntei por perguntar. Os problemas não acabam nunca. E isso é bom. São os problemas que impulsionam o espírito imortal para o progresso. Se acabassem os problemas, tudo ficaria como está; o processo evolutivo ficaria estagnado.

Se os problemas não acabam temos que aprender a resolvê-los da melhor maneira possível. E aprender com eles. A simples aceitação do fato de que nunca deixará de haver problemas já nos dá mais força para lidar com eles. O que nos enfraquece é a ilusão de que eles podem ter fim, de que há alguma maneira secreta de eliminar todos os problemas.

É por causa desse tipo de ilusão que muitas pessoas buscam atalhos evolutivos. Querem um caminho mais fácil, uma porta mais larga para passar. E vão tropeçando de pedra em pedra, experimentando as mais variadas terapias alternativas e outras práticas na esperança de resolverem tudo definitivamente.

Hoje se fala muito nos chacras. Já ouvi promessas de que o alinhamento dos chacras devolve a paz e a harmonia à pessoa. Não duvido. Também ouço e já li muito sobre o despertar da Kundalini. Além de reiki, cromoterapia, cristais, rituais xamânicos, e até uns exercícios que prometem “queimar o carma”. Você acredita que pode “queimar o seu carma”? Eu acredito na reforma íntima.

Não duvido da eficácia desses métodos para determinados fins. Ainda mais se feitos com amor e seriedade. Mas nada substitui ou altera a Lei de causa e efeito. Imagina se você apronta barbaridades séculos após séculos, causando mal a um monte de gente, e num certo dia faz aí um ritual pra “queimar o carma” e fica tudo por isso mesmo!

Ninguém escapa às consequências de seus atos. É da própria lógica do universo, é da física. A Lei de causa e efeito. O Princípio de Newton ou lei de ação e reação, que diz mais ou menos o seguinte: “uma força não pode exercer uma ação sem, no mesmo instante, gerar uma reação igual e diretamente oposta”. Ou seja, toda causa gera um efeito correspondente. Jogue uma bola contra a parede e ela voltará contra você, com a mesma força.

O que podemos e devemos fazer para amenizar as consequências de nossos erros é produzir acertos. Se não podemos escapar ao retorno do mal que praticamos, podemos contrabalançar o efeito do mal com a prática do bem. Como diz meu amigo Marco Antônio, nossos bons e maus atos formam como que uma conta corrente. Devemos nos esforçar para que o saldo seja positivo.

Você é o construtor do seu destino, e nesta reencarnação, agora mesmo, você tem o poder e a oportunidade de mudá-lo. O instrumento mais poderoso de que você dispõe para consertar seus erros é o perdão. O perdão liberta, reconforta e alivia. O perdão exige não apenas mudança de atitude como reparação do mal praticado. Se você consegue reparar os danos que causou, você se reconcilia com a Lei de causa e efeito. A maior parte das coisas que você faz, você pode também desfazer. Sua consciência manda que você desfaça os erros que você cometeu.

Não há atalho, não há passe de mágica, não há truque, não há fórmula milagrosa que exima você de colher o que você plantou. Só muito trabalho e amor. Trabalhe. Ame. Mantenha o seu saldo positivo. E se não concorda, se manifeste; posso estar errado. Mas acho que estou certo.

Jesus e Nicodemos – Reencarnação

A conversa de Jesus com Nicodemos girou em torno de um assunto que o próprio Nicodemos, como fariseu que era, ensinava na sinagoga. A reencarnação, conforme nos afirma o historiador Flavio Josefo, judeu contemporâneo de Jesus, era conhecida e pregada pelos fariseus. Mas seus conhecimentos eram superficiais e imprecisos, e Nicodemos procurou Jesus durante a noite para tentar tirar suas dúvidas.

Este é o tema deste vídeo, 6º vídeos desta série de vídeos sobre o Evangelho de João.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia

Misericórdia

Misericórdia

Esta é a quarta bem-aventurança ensinada por Jesus de acordo com o Evangelho de Mateus. 

Esse texto é parte integrante do nosso livro Evangelho sem Mistérios, que você pode ler clicando sobre o título.

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”. Mateus 5:7

Esta bem-aventurança é resultado prático e imediato da Lei de causa e efeito. A lei de causa e efeito é seguidamente lembrada por Jesus, para que a registremos e tenhamos sempre em mente que a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.

Lembremos alguns ensinamentos de Jesus neste sentido:

  • “Todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão”. Mateus 26:52;
  • “Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e soltar-vos-ão”. Lucas 6:37
  • “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Mateus 6:12;
  • “Com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo”. Lucas 6:38

E, aqui, “os misericordiosos obterão misericórdia”. Existem outras; estas são algumas.

Emmanuel nos aconselha a lembrar da misericórdia dos outros em relação a nós. Quase sempre somos incentivados, nos meios religiosos – no meio espírita em particular – a sermos misericordiosos, a praticarmos a misericórdia, quase sempre com a promessa de recebermos a misericórdia de Deus.

Mas não costumamos lembrar as inúmeras vezes em que nós recebemos a misericórdia dos outros. Quando os outros suportam a nossa antipatia, o nosso mau humor, a nossa má vontade, as nossas eventuais falhas de caráter, às vezes algum erro grosseiro, uma falta de educação ou atitude covarde. Quantos erros nós cometemos sem que tenhamos a consciência suficientemente acesa para percebermos estes erros, e, no entanto, outros os percebem e são misericordiosos conosco, sem que nós ao menos tomemos conhecimento disso.

A misericórdia é uma característica que leva à caridade. Quem age com misericórdia releva os erros alheios por compreender que esses erros são fruto da ignorância.

Rohden explica a Lei de causa e efeito afirmando que quanto mais se dá horizontalmente, mais se recebe verticalmente, ou seja, quanto mais se contribui com o desenvolvimento do próximo, que é o que está à nossa volta, encarnado ou desencarnado, mais se recebe do alto, pois ao darmos de nós mesmos nós nos elevamos vibracionalmente e ficamos mais próximos da espiritualidade superior.

Deus manifesta a sua infinita misericórdia nos concedendo novas oportunidades através da reencarnação, que é um ciclo de experiências, e através de ciclos menores como os dias e as noites.

Cada novo dia é uma nova chance que Deus nos concede para progredirmos. Por isso temos que aproveitar cada dia de nossas vidas tentando nos tornar melhores do que fomos na véspera.

Exercendo a misericórdia para consigo mesmo e para com o próximo, o espírito está se alinhando com Deus, está se tornando digno da misericórdia divina.

Para ler nosso comentário sobre a bem-aventurança anterior, clique sobre o título: Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos.

Lei de atração e obsessão

 

cavalos do xadrez

O mundo não divide entre carrascos e vítimas

Artigo publicado originalmente em 10/09/2012

Ouça este artigo na voz do autor

Um tema que todo mundo conhece no espiritismo é obsessão. Mesmo os que conhecem o espiritismo apenas superficialmente estão por dentro do assunto. O mesmo não ocorre com a Lei da afinidade, hoje mais conhecida como Lei de atração. Ouço pessoas praguejarem contra os obsessores, como se eles fossem os causadores de todo o mal que atinge essas pessoas.

O mundo não se divide entre bons e maus, carrascos e vítimas, perseguidores e perseguidos. Todos nós já estagiamos em todas essas denominações. Alguns de nós ainda jogamos nos dois times, quarenta e cinco minutos em cada lado. Isso quando não exercemos os dois papéis em relação a nós mesmos. Sim, é mais comum do que se pensa. Alguém pode ser o obsessor de si mesmo.

Sabemos que há casos de perseguições violentas que têm suas origens lá no passado remoto. São compromissos não resolvidos que o espírito imortal carrega em sua bagagem milenar, à espera de reajuste. Mas grande parte dos casos de obsessão, provavelmente a maioria, deve sua origem ao nosso descontrole mental e emocional.

O nosso pensamento é a origem de tudo. Tudo começa com o pensamento. Toda criação, toda tecnologia, todo progresso, tudo deve sua existência ao pensamento que os idealizou. Assim como idealizamos, de maneira planejada e harmônica, também imaginamos (imaginar: criar imagem, formar imagem) coisas sem disciplina. Deixamos a imaginação à solta, como um cavalo no campo. Ela vai para onde bem entender, sem ninguém que o comande, sem ninguém que lhe segure as rédeas.

E o nosso padrão de pensamento e imaginação tem o poder irresistível de atrair aquilo que lhe for semelhante. É a tão famosa Lei de atração. Tudo o que você já viu, ouviu ou leu a respeito da Lei de atração é correto, é verdadeiro. Mas sua abordagem geralmente trata dos aspectos materiais.

A Lei de atração existe, sim. Qualquer um é capaz de provar isso, com um pouco de prática. Mas ela serve também (e principalmente) para a atração entre espíritos semelhantes. O Espiritismo trata disso na questão 484 do Livro dos Espíritos, ao falar das afinidades. Atraímos constantemente, o tempo todo, espíritos com padrões de pensamento que se afinizam com os nossos.

O melhor exemplo que conheço para descrever como se dá essa afinização é o rádio. A sintonia com determinada estação de rádio acontece quando você gira o botão do dial. Para cada emissora há uma sintonia determinada. Da mesma forma é a sintonia com os espíritos. De acordo com o tipo de pensamento que você tem, são atraídos pra você determinados espíritos que se afinizam com esse tipo de pensamento.

Se aproximam por simpatia, ou em busca de conforto, ou em busca de prazer, ou de algum sentimento mais baixo, ou de sensações grosseiras. Uma oração elevada irá atrair espíritos que se identifiquem com essa vibração. Sentimentos de alegria, de paz, de amor, atrairão espíritos que se afinizem com essas qualidades. Pensamentos de ódio, vingança, inveja, atraem os que lhes são afins.

Pensamentos doentios acabam gerando condutas doentias, e esse quadro é agravado pela ação dos espíritos que se associam ao encarnado nessas condições. Sensações materiais grosseiras como abuso de álcool, drogas, ideia fixa em sexo, formam parcerias entre encarnados e desencarnados que se convencionou chamar de obsessão. Mas cabe lembrar que são nossos pensamentos que atraem esses espíritos que serão tratados como obsessores.

Não seremos nós os seus obsessores, muitas vezes? Afinal, eles se sentem atraídos por nós, por nossos pensamentos e condutas.

Por isso a urgência em mudarmos nosso padrão de pensamentos através da reforma íntima. Conforme o padrão de nossos pensamentos serão as companhias espirituais que atrairemos.

Jesus e a polêmica expulsão dos mercadores do templo

Talvez a maior polêmica a respeito da trajetória de Jesus narrada nos Evangelhos seja a expulsão dos mercadores do templo. Católicos e protestantes, de um modo geral, não se incomodam muito com esta passagem. Mas os espíritas têm dificuldade para admitir que Jesus, o espírito mais elevado que conhecemos, tenha cometido este ato que consideram como uma violência.

O fato é narrado nos 4 Evangelhos, então não há como alegar que essa passagem tenha sido acrescentada posteriormente. Aliás, não convém escolhermos o que serve e o que não serve para nós nos Evangelhos. Ou o aceitamos ou não o aceitamos. Em o aceitando, as dificuldades encontradas são dificuldades de interpretação, já que a linguagem evangélica é essencialmente simbólica.

Neste vídeo, o 5º da série de estudos sobre o Evangelho de João, abordamos brevemente essa polêmica. 

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos

Morel Felipe Wilkon

Fome e sede de justiça

Fome e sede de justiça

Esta é a terceira bem-aventurança ensinada por Jesus de acordo com o Evangelho de Mateus. 

Esse texto é parte integrante do nosso livro Evangelho sem Mistérios, que você pode ler clicando sobre o título.

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos”. Mateus 5:6

Jesus se utiliza do principal e primeiro instinto animal para dar uma ideia da ânsia que alguém deve nutrir para conquistar essa justiça. A fome e sede é o instinto mais primário e o primeiro a dever ser satisfeito.

Quem tiver fome e sede de justiça será farto (ou saciado). Pastorino nos oferece em sua tradução a palavra justeza em vez de justiça. Ele afirma que o sentido da palavra é o de ajustamento às leis divinas, então é a fome e sede de ajustamento, ou melhor, de justeza, de ajustar-se, alinhar-se com as leis divinas.

Quem desejar ardentemente esse ajustamento com as leis divinas será saciado, será satisfeito no seu desejo, andará lado a lado com as leis de Deus.

Lembramos, aqui, que a quinta bem-aventurança é a misericórdia, e Pastorino acha que justiça e misericórdia não combinam. Acha que haveria contradição em ser justo e ser misericordioso.

Acreditamos que isso se aplica ao nosso dia-a-dia, ao nosso cotidiano material, mas não às leis de Deus.

A lei dos homens tem que ser justa, não misericordiosa. Quem comete um crime deve ser submetido à justiça; se for aplicada a misericórdia ao criminoso, não será feita a justiça.

Mas a misericórdia faz parte das leis de Deus. Talvez a característica de Deus de que nós mais nos beneficiemos seja exatamente a misericórdia.

Deus é justo e misericordioso ao mesmo tempo e não há contradição em Deus. Deus é justo através da Lei de causa e efeito, segundo a qual nós sempre colhemos o que nós plantamos, e Deus é misericordioso ao sempre nos oferecer novas oportunidades de recomeço.

A cada reencarnação, por exemplo, colhemos o que plantamos no passado, e nisso está a aplicação da Justiça de Deus.

Mas a chance de recomeçar num novo corpo, num novo meio, com o esquecimento do passado é a manifestação da misericórdia de Deus.

Essa fome e sede de justiça, para Huberto Rohden, é a atitude justa e reta perante Deus.

Devemos lembrar que a dor é um mecanismo de reajuste para com as leis de Deus. O caminho que leva a Deus é uma reta. Sempre que nos desviamos da estrada reta, enveredando em desvios e atalhos, experimentamos a dor. Mas assim que retomamos o caminho reto que leva a Deus nós nos livramos da dor.

Este ajustamento com as leis de Deus, esta fome e sede de justeza é a cura para as dores do espírito.

Para ler nosso comentário sobre a bem-aventurança anterior, clique sobre o título: Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra.

O espiritismo e o orgulho

Morel Felipe Wilkon

O espiritismo e o orgulho

Artigo publicado originalmente em 05/09/2012

Ouça este artigo na voz do autor

Para o espiritismo, o orgulho é o pai de todos os males, é ele que desencadeia todos os outros defeitos. Não é difícil constatar essa verdade. É por orgulho que discutimos, é por orgulho que brigamos, é por orgulho ferido que nos magoamos, é o orgulho que dificulta o perdão.

É interessante notar que o orgulho é um exagero do amor-próprio, e o amor-próprio é necessário; você deve amar a si mesmo. Mas o orgulho exagera esse sentimento, que deixa de ser amor para se transformar numa coisa doentia. Alziro Zarur, fundador da LBV, diferenciava o bom do mau orgulho. É que a linguagem humana não tem palavras suficientes para expressar tudo. O bom orgulho seria o orgulho que se tem dos filhos, o orgulho do lugar onde se nasceu, a satisfação consigo mesmo.

O problema é saber os limites desses sentimentos. Eu tenho orgulho dos meus filhos. Mas não posso achar que eles são melhores que os outros. Eu sou patriótico, mas não posso transformar isso em nacionalismo. Fico muito satisfeito comigo mesmo quando consigo realizar o que me proponho. Mas tenho que tomar cuidado para não me achar mais do que sou na verdade.

Talvez a manifestação mais comum do orgulho no dia-a-dia seja o não saber perder. Isso nos acontece todos os dias. Não queremos perder nada pra ninguém, não aceitamos ser preteridos em nada. Você não é assim? Você não quer perder uma discussão, você não quer que o outro carro ultrapasse o seu, você não quer perder a promoção na empresa, você não quer perder o namorado, você não quer que o seu time perca, você não quer perder nem par ou ímpar.

É claro que devemos ser competitivos. É bom querer ser sempre mais e melhor. Mas para isso não precisamos esmagar quem está por perto. E não podemos competir por competir. Por que dói tanto ficar para trás? Por que é tão amargo o gosto da derrota? Porque na maioria das vezes perdemos pra nós mesmos, e é extremamente difícil reconhecer nossas falhas, nossas fraquezas, nossa incompetência. Por causa do orgulho.

Quer uma demonstração disso? Lembre-se da última vez em que você discutiu com alguém. Lembra que você revidou as críticas? Você já parou pra pensar porque sempre se revida a crítica num bate-boca? Para evitar que ela se repita. Revidamos imediatamente a crítica para não termos que ouvi-la de novo. Porque se prestarmos atenção à crítica, teremos que olhar pra dentro de nós mesmos. E nada fere tão profundamente o orgulho como olhar pra dentro de si mesmo.

Se você olha pra dentro de si mesmo, se você se vasculha interiormente, descobre montes de lixo que o orgulho não aceita como sendo seus. É o orgulho que nos impede de olhar pra dentro de nós mesmos. Pelo orgulho, nos achamos grande coisa, nos achamos muito mais do que somos na verdade.

Não é de um dia pro outro que vamos nos livrar de um defeito que nos acompanha há milênios. O orgulho é uma verdadeira chaga na tragetória do espírito imortal. Mas não podemos mais ser condescendentes com nós mesmos. Não temos, na atual reencarnação, a desculpa da ignorância, do desconhecimento. Então já passou o tempo de dizer, simplesmente, “eu sou assim”. Você é assim? Pois deixe de ser! (Não se aborreça; essa última frase eu disse pra mim mesmo, me olhando no espelho que tenho à minha frente).

Não há fórmula mágica para se livrar de um defeito tão entranhado em nosso espírito. É um exercício diário. Analise mais a si mesmo, faça boas leituras, seja mais tolerante. Aceite perder, de vez em quando. Você é especial, não há dúvida em relação a isso. Mas todos são especiais. Todos somos filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança; portanto, perfectíveis. Reforma íntima é um hábito. É a escolha de uma vida. Eu fiz a minha escolha. E você?

Jesus transformou água em vinho – visão espírita

A transformação de água em vinho é o primeiro chamado “milagre” de Jesus narrado no Evangelho de João. Os materialistas negam a possibilidade de que isso tenha acontecido. Religiosos, digamos, “ortodoxos”, sustentam que o vinho produzido por Jesus não tinha álcool – pois, se tivesse, Jesus estaria sendo conivente o uso do álcool. 

Essas discussões são inócuas e, quase sempre, ridículas. O Evangelho não é um amontoado de fatos supostamente extraordinários. O Evangelho foi escrito e pensado através de símbolos. O que nos importa, realmente, nos Evangelhos, são os simbolismos oferecidos por Jesus para o nosso aprendizado espiritual.

Neste vídeo tratamos do simbolismo oculto por trás da transformação de água em vinho.