A negação de Pedro – uma visão espírita

A negação de Pedro, a prisão e a condenação de Jesus são temas tratados, numa visão espírita, neste vídeo que aborda o capítulo 22 do Evangelho de Lucas, a partir do versículo 40. Este é o 28º vídeo de uma série de 30 vídeos em que analisamos e interpretamos o Evangelho de Lucas a partir do entendimento proporcionado pelo Espiritismo.

Como ser feliz sem culpa

 

menina dançando na poça d'água

Seja feliz sem culpa!

Artigo publicado originalmente em 19/07/2012

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Você acha que consegue ser feliz sem culpa? Como fazer isso? O fato é que o sentimento de culpa adia indefinidamente qualquer possibilidade de ser feliz.

O que você tem feito pela sua felicidade? Você acha que merece ser feliz? Que bom se a resposta a essa última pergunta é um “sim” óbvio. Você deve saber que ainda há muita gente que sente culpa por se sentir feliz. Com isso, seus momentos de felicidade nunca são completos.

Eu afirmo que existem momentos de felicidade completa. Não me venha argumentar com a felicidade dos anjos, que é incomparável com a nossa. Não estou falando em anjos (ou espíritos puros, para o espiritismo), estou falando em nós; em mim, em você, em nossos próximos. Eu mesmo, de vez em quando, vivo momentos em que não falta nada para que os chame de felizes. Você também, provavelmente.

As pessoas têm me perguntado frequentemente se eu pratico tudo o que escrevo. É claro! Se fosse para escrever algo que não sigo, ou que não acredito, escreveria ficção! Se me perguntarem se tudo está sempre ótimo pra mim, se estou sempre sorridente e tranquilo, a resposta será diferente… Somos aprendizes, todos nós. O que nos diferencia uns dos outros é a persistência em praticar o que se sabe ser verdadeiro.

O que é inegável é que há algumas condições propiciadoras da felicidade. Condições que nos predispõe mais facilmente à felicidade. O trabalho, a sensação do dever cumprido, fazer o que se sabe que deve ser feito. Sem o preenchimento desses itens, você pode passar a vida no topo de uma montanha em posição de lótus e dizendo “om” que não vai adiantar nada.

Por outro lado, mesmo que se cumpra com esses requisitos básicos, há alguns impedimentos. O maior deles, sem dúvida alguma, é a culpa. E a culpa merece alguns parágrafos à parte.

O sentimento de culpa adia indefinidamente qualquer possibilidade de ser feliz. Sentir culpa é não aprender com os próprios erros, não tirar lições dos equívocos cometidos. Todos erram, faz parte do processo de aprendizado. Fico muito contente quando encosto a cabeça no travesseiro e constato que não cometi nenhum erro grave durante o dia. É motivo de comemoração íntima. Mas os erros, assim como os acertos, tem a função de nos ensinar. Tudo, na passagem pela matéria, é oportunidade de aprendizado. Quando não conseguimos aprender com os erros surge o sentimento de culpa.

Não adianta nada ficar lamentando pelo erro cometido. Ficar choramingando e se lamuriando só agrava a situação. Errou? Que pena! Vai chorar por isso? Espere pra chorar quando conseguir reparar ou compensar o erro cometido. Chore de alegria, chore de gratidão pela infinita misericórdia de Deus, que sempre lhe oferece novas oportunidades na vida. O que é a reencarnação senão uma nova oportunidade? Não é a culpa que vai resolver seus conflitos internos. Só o que você consegue com a culpa é a paralisação e a perda de energias.

A busca é incessante. Se deixarmos de buscar, se pararmos de nos esforçar, tudo pára, tudo fica estagnado. Você não pode parar, você é espírito imortal perfectível, você é muito mais do que consegue imaginar. Nesse processo de busca é preciso estar sempre aberto para novos conhecimentos, novas possibilidades. Quantas vezes você já constatou que as coisas não são exatamente como você pensava?

Ame! Ame aos outros, mas ame primeiro a você mesmo! Você é digno de todo o amor do mundo! Seja mais tolerante com você, reconheça suas limitações. Nenhum de nós vai virar São Francisco da noite para o dia. Não podemos deixar de tentar a reforma íntima nunca, em nenhum momento, mas a cobrança interna tem que estar de acordo com nossas possibilidades. De que adianta se sentir culpado pelo que você fez ou deixou de fazer? Tudo o que você planta, você colhe. Mas a colheita dos erros não quer dizer castigo. Ninguém está aqui pra sofrer. O sofrimento é a última alternativa de aprendizado. Não é a norma. A norma é aprender com tranquilidade.

Se você eliminar a culpa e se propor a aprender com os erros, verá que o universo conspira a seu favor. Você já ouviu isso em algum lugar, né? Eu já ouvi e li isso muitas e muitas vezes. Custei a acreditar que a verdade fosse tão simples… Tudo bem, tive uma ou duas décadas mais trabalhosas que o necessário, mas tudo bem. Está em tempo de ser feliz.

Mensagem de Emmanuel – Igreja livre

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 Mensagem em áudio

Mensagem de Emmanuel no livro Vinha de Luz, psicografado por Chico Xavier: IGREJA LIVRE

“Mas a Jerusalém que é de cima, é livre, a qual é mãe de todos nós.” – Paulo. (GÁLATAS, 4:26.)

O exame isolado deste versículo sugere um tema de infinita grandeza para os discípulos religiosos do Cristianismo.

A palavra do apóstolo aos gentios recorda-nos a igreja liberta do Cristo, não na esfera estreita dos homens, mas no ilimitado pensamento divino.

O espírito orgulhoso e sectário, há tanto tempo dominante nas atividades da fé, encontra na afirmativa de Paulo de Tarso um antídoto para as suas venenosas preocupações.

Em todas as épocas, têm vivido na Terra os nobres excomungados, os incompreendidos valorosos e os caluniados sublimes.

Passaram, nos círculos das criaturas, qual acontece ainda hoje, perseguidos e desprezados, entre o sarcasmo e a indiferença.

Por vezes, sofrem o degredo social por não se aviltarem ante as explorações delituosas do fanatismo; em outras ocasiões, são categorizados à conta de ateus pelas suas idéias mal interpretadas.

É que, de quando em quando, rajadas de ódios e dúvidas sopram nas igrejas desprevenidas da Terra. Os crentes olvidam o “não julgueis” e confiam-se a lutas angustiosas.

Semelhantes atritos, contudo, não alteram a consciência tranqüila dos anatematizados que se sentem sob a tutela do Divino Poder. Instintivamente, reconhecem que além da esfera obscura da ação física resplandece o templo soberano e invisível em que Jesus recolhe os servidores fiéis, sem deter-se na cor ou no feitio de suas vestimentas.

Benfeitores e servos excomungados dos caminhos humanos, se tendes uma consciência sem mácula, não vos magoe a pedrada dos homens que se distanciam uns dos outros pelo separatismo infeliz! Há uma Igreja augusta e livre, na vida espiritual, que é acolhedora mãe de todos nós! …

Judas traiu Jesus?

Será que Judas traiu Jesus ou tudo fazia parte de algo que não conseguimos compreender ainda? Este tema, junto com a última ceia de Jesus, são os assuntos abordados neste vídeo que aborda a primeira parte do capítulo 22 de Lucas. Este é o 27º vídeo de uma série de 30 vídeos em que analiso e interpreto o Evangelho de Lucas baseado na visão espírita.

Criar expectativas acerca das pessoas

 

menina chorando na praia

Expectativa é imaginação, é da sua cabeça

Artigo publicado originalmente em 18/07/2012

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Você costuma criar expectativas acerca das pessoas? Espera alguma coisa delas? Acho que devemos partir do princípio de que todas as pessoas são boas. É o que são, em sua essência. Isso não é ingenuidade, nem tentativa de ser bonzinho. As pessoas costumam ser do modo que as vemos. Se nós as vemos boas, elas são boas.

Mas isso não quer dizer que devemos criar qualquer expectativa em relação a quem quer que seja. Você é um universo. Acha que o seu universo continuaria existindo sem você? Claro que não! Sem você, o universo não existiria pra você. O universo como você o vê existe só para você, ele é só seu, é criação sua. Não há duas pessoas iguais, não há dois pensamentos iguais. Então como esperar que alguém pense como você? Ninguém fala exatamente as mesmas coisas, ninguém se expressa de maneira idêntica. Então como esperar que haja plena compreensão de parte a parte?

O que esperar das pessoas, então? Nada. Não podemos contar com nada. Temos que aprender a amar desinteressadamente, nos interessarmos pelas pessoas sem a menor intenção de retorno. Isso parece muito frio? Não é essa a intenção. Pelo contrário. Faz parte da reforma íntima. Quanto menos você espera do próximo, mais você aprende a valorizar pequenos esforços, seus e dos outros. Se você não esperar nada de quem o cerca, das pessoas próximas de você, a possibilidade de se surpreender positivamente aumenta…

Sabemos que a cada reencarnação o espírito imortal promove alguns ajustes com seus semelhantes. Há relações especialmente difíceis por se tratar de processos cármicos às vezes antiquíssimos, buscando reparação através da compreensão mútua. Essas relações, quase sempre, ocorrem dentro da própria família. Como criar expectativas sobre alguém com quem estamos tentando um reajuste?

Quando você se decepcionou com alguém, o que fez com que isso acontecesse? Não foi o fato de você ter criado expectativas acerca da pessoa? Isso é muito comum na vida conjugal. Um dos cônjuges, ou os dois, jogam sobre o outro todos os seus sonhos e fantasias. Toneladas de carência são arremessadas sobre os ombros da pessoa amada. Amada? Será que é realmente amada ou é a vítima escolhida para acabar com as frustrações do outro?

Nenhum relacionamento pode ser sólido se é alicerçado sobre expectativas. Amor é desinteresse. Como esperar dos filhos que eles gostem do que gostamos, façam o que fazemos, se interessem pelo que nos interessamos? Eles são eles, cada qual um universo rico e complexo. Como esperar dos pais o que eles talvez não estivessem preparados para oferecer? Como esperar de um colega, de um vizinho, de um amigo, que ele concorde conosco, que pense, fale, faça qualquer coisa que queiramos que ele faça?

Expectativa é imaginação, é coisa sua, da sua cabeça, ninguém tem nada a ver com isso. Ninguém tem culpa se você idealizou um monte de coisas na sua cabeça. Quando você acha que as pessoas deveriam ser de outro modo, quando você quer que alguém seja de determinado jeito, é certo que você irá se decepcionar, se frustrar, sofrer.

Aprenda a não esperar nada de ninguém. Saiba que as pessoas são boas; o que parece maldade é apenas ignorância da verdade. Mas elas são do jeito delas, não do jeito que você gostaria que elas fossem. Pare de sofrer, pare de depender de suas fantasias a respeito dos outros. Seja você mesmo. Permita que eles sejam eles mesmos.

Mensagem de Emmanuel – Fariseus

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Mensagem de Emmanuel no livro Vinha de Luz, psicografado por Chico Xavier: FARISEUS

“Acautelai-vos, primeiramente, do fermento dos fariseus” – Jesus. (LUCAS, 12:1.)

Fariseu ainda é todo presunçoso, dogmático, exclusivo, pretenso privilegiado das Forças Divinas.

O orgulhoso descendente dos doutores de Jerusalém ainda vive. Atravessa todas as organizações humanas. Respira em todos os templos terrestres. Acredita-se o herdeiro único da Divina Bondade. Nada aprecia senão pelo prisma do orgulho pessoal. Traça programas caprichosos e intenta torcer as próprias leis universais, submetendo-as ao ponto de vista que esposou na sua escola ou no seu argumento sectarista.

Jamais comparece, ante a bênção do Senhor, na condição de alguém que se converteu em instrumento de seus amorosos desígnios, mas como crente orgulhoso, cheio de propósitos individualistas, declarando-se detentor de considerações especiais.

Os aprendizes fiéis necessitam acautelar-se contra o lêvedo de tais enfermos do espírito.

Toda idéia opera fermentações mentais.

Certamente que o Mestre não determinou a morte dos fariseus, mas recomendou cautela em se tratando da influenciação deles.

Exigências farisaicas constituem perigosas moléstias da alma. Urge auxiliar o doente e extinguir a enfermidade. Todavia, não conseguiremos a realização, provocando tumultos, e sim usando a cautela na antiga recomendação de vigilância.

Ajuda-te que o céu te ajudará

Morel Felipe Wilkon

ajuda dos céus

É preciso fazer a sua parte…

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Este tema foi iniciado na semana passada. Se quiser conferir, clique aqui: Ajuda-te e o céu te ajudará

É preciso fazer a nossa parte. Isso tanto vale para conquistas materiais quanto para a resolução de problemas íntimos. Muitas pessoas me pedem orientação, conselho, oração. Elas gostariam que eu resolvesse os seus problemas, ou que tivesse a orientação segura, ou que tomasse uma decisão de cunho absolutamente individual. Quando, algumas vezes, algum tempo depois, pergunto a uma delas se seguiu as sugestões que ofereci, recebo uma desculpa qualquer…

Não se dão ao trabalho de ler meia dúzia de páginas de um livro, porque “é difícil”, porque “cansa”. Me pedem para orar por elas, mas elas não oram por si mesmas, com a desculpa de que “não sabem orar”.

Reforma íntima e a preguiça

Todos devem fazer o que estiver ao seu alcance para melhorarem a si mesmos. Para recebermos ajuda espiritual é preciso estarmos receptivos, e este estado de receptividade nós só alcançamos com esforço no autoaperfeiçoamento e com boa vontade, que é o gérmen da fé.

Somos minúsculos e insignificantes como seres, mas somos gigantescos por nossa natureza divina, por sermos filhos de Deus. Temos que contrabalançar estes dois conceitos o tempo todo. Por nossa pequeneza espiritual, temos que ser humildes e reconhecermos nossas fraquezas, nossas falhas de caráter e os inúmeros erros cometidos que nos legaram, temporariamente, a situação em que nos encontramos. Por nossa natureza divina, temos que ter consciência de que o nosso limite é o limite que nos impomos, nós nem imaginamos do que somos capazes, pois o próprio Jesus nos disse que somos capazes de fazer tudo o que ele fazia e ainda mais.

Você é o que você pensa que você é

Somos espíritos imortais, com uma eternidade a nosso favor. Mas ainda estamos na infância espiritual. Diante da grandeza incomensurável do Universo, pequenos seres que precisam sofrer para retomar o caminho reto só podem ser crianças espirituais. Contamos com o Amor e a Misericórdia de Deus, que sempre nos oferece novas oportunidades de reajuste e aprendizado, mas não podemos derrogar a Justiça de Deus. O que plantamos, temos que colher. Isso não pode ser confundido, de forma alguma, com castigo. O Amor de Deus nos deixa livres para optar pelos mais diversos caminhos; a Misericórdia de Deus nos permite sempre recomeçar; a Justiça de Deus nos devolve o resultado de nossos pensamentos, palavras e ações.

Quando minha filha Sofia tinha três ou quatro dias de vida, levei-a ao hospital para fazer o teste do pezinho. Tive que imobilizá-la, ouvindo seus gritos estridentes de bebê recém-nascido enquanto a enfermeira coletava o seu sangue com a seringa. Ela certamente não tinha condições de compreender que a aparente crueldade do pai que a segurava com tanta força era para o seu bem.

De nada adianta a revolta. Se não compreendemos o porquê de nossa situação atual, temos que buscar esclarecimento e aceitar que não há efeito sem causa. Se estamos dentro do buraco, sem sabermos como fomos parar aí, tratemos de sair do buraco. Em vez de revolta e lamentação, tratemos de adquirir forças para sairmos do buraco. Se a saída, atualmente, não é possível, por limitações físicas ou psíquicas, podemos fazer o buraco ser o mais confortável possível. Mantendo a certeza de que tudo é passageiro, que as dificuldades superadas de hoje são as vitórias de amanhã.

Isso também passa…

A transição planetária no Evangelho

A transição planetária é anunciada por Jesus no Evangelho. Confundido com o fim do mundo ou o “juízo final”, é o tema principal do capítulo 21 do Evangelho de Lucas. Este é o 26º vídeo de uma série de 30 vídeos em que analiso e interpreto o Evangelho de Lucas.

Preocupação e espiritismo

Morel Felipe Wilkon

Preocupação é uma gigantesca burrice!

Artigo publicado originalmente em 17/07/2012

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Espiritismo e preocupação não combinam…

Você costuma se preocupar? Você já se deu conta de quanta energia você despende se preocupando? A preocupação é uma pré-ocupação, ou seja, ocupar-se antecipadamente com alguma coisa. Você já percebeu que a maioria das coisas com que se preocupa nunca acontece? 

Quando você se preocupa você está duvidando da sua capacidade de resolver eventuais problemas; quando você se preocupa você demonstra que não confia em si mesmo; quando você se preocupa você impede que Deus aja em você. Ficou claro essa última parte? Deus age em você, Deus age por você, Deus age através de você. Você é manifestação de Deus. Não parece?

Pra quem se acostumou com uma visão de Deus como um ser externo, como o velho barbudo Jeová, pode ser difícil conceber a ideia de que Ele esteja em nós, em todos nós. Nós somos manifestações divinas, e quando confiamos na Vida, na Providência, em nós mesmos, estamos confiando em Deus. O estado de confiança, o sentir-se seguro de si mesmo e das coisas que nos acontecem é a confiança em Deus, sem a qual nos tornamos neuróticos ansiosos e preocupados.

Ficar se preocupando com o que está por vir é uma enorme perda de tempo e energia. Se você está se preparando para um acontecimento qualquer: um encontro, uma festa, uma entrevista de emprego, a prestação que vai vencer, você precisa guardar sua energia para resolver o problema, para fazer o que deve ser feito, no momento em que for preciso. Mas quando você se preocupa você gasta esta energia antes, e na hora em que o fato acontece, você já esta exausto, sem forças, sem disposição e sem inspiração para resolver o que quer que seja.

Quando somos crianças aprendemos que preocupação é coisa de adulto, coisa de gente grande, de gente séria. Crescemos achando que se preocupar com alguém é demonstrar carinho, cuidado e afeição. Crescemos achando que se preocupar com as coisas é ser previdente, é sinal de responsabilidade e prudência. Preocupação é burrice!

Preocupação é uma gigantesca burrice! Quantas vezes você já ficou imaginando possibilidades tenebrosas que nunca se concretizaram? Quantas oportunidades você deixou escapar por se preocupar com possíveis consequências? Quantas coisas boas você deixou de aproveitar por causa dos “e se…”, “mas e se…”?

Hoje em dia há tantos fanáticos religiosos e aproveitadores da credulidade alheia que não levamos muito a sério frases como “se entregar a Deus”, “deixar Deus agir”. Talvez você fique um pouco desconfiado com uma frase dessas. Mas se entregar a Deus é fazer o que é certo, fazer o que precisa ser feito, sem se preocupar com o resto, sem ficar ansioso com o dia de amanhã.

Nosso estado mental de confiança permite que coisas boas aconteçam, porque não criamos barreiras à ação de Deus. Não gostou da frase? Podemos refazê-la: Nosso estado mental de confiança permite que coisas boas aconteçam, porque não criamos barreiras ao fluxo do universo.

Tudo no universo é equilíbrio, tudo funciona perfeitamente. Só deixa de funcionar perfeitamente quando há um obstáculo. No nosso caso, o obstáculo é a preocupação, essa energia pesada gerada pela ansiedade. Nós somos o que pensamos. Nossa imaginação tem o poder de criar e modificar realidades. Quando acionamos os mecanismos da imaginação pela preocupação, estamos dando ensejo à manifestação de nossos temores. Além de atrair mentes enfermiças com pensamentos semelhantes, de encarnados e desencarnados…

Mude seus hábitos, faça a sua parte e confie em Deus. É difícil? Tente! Persista! Você consegue!

Mensagem de Emmanuel – Sementeiras e ceifas

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Mensagem de Emmanuel no livro Vinha de Luz, psicografado por Chico Xavier: SEMENTEIRAS E CEIFAS

“Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção.” – Paulo. (GÁLATAS, 6:8.)

Plantaremos todos os dias.

É da lei.

Até os inativos e ociosos estão cultivando o joio da imprevidência.

É necessário reconhecer, porém, que diariamente colheremos.

Há vegetais que produzem no curso de breves semanas, outros, no entanto, só revelam frutos na passagem laboriosa de muito tempo.

Em todas as épocas, a turba cria complicações de natureza material, acentuando o labirinto das reencarnações dolorosas, demorando-se nas dificuldades da decadência.

Ainda hoje, surgem os que pretendem curar a honra com o sangue alheio e lavar a injustiça com as represálias do crime. Daí, o ódio de ontem gerando as guerras de hoje, a ambição pessoal formando a miséria que há de vir, os prazeres fáceis reclamando as retificações de amanhã.

Até hoje, decorridos mais de dezenove séculos sobre o Cristianismo, apenas alguns discípulos, de quando em quando, compreendem a necessidade da sementeira da luz espiritual em si mesmos, diferente de quantas se conhecem no mundo, e avançam a caminho do Mestre dos Mestres.

Se desejas, pois, meu amigo, plantar na Lavoura Divina, foge ao velho sistema de semeaduras na corrupção e ceifas na decadência.

Cultiva o bem para a vida eterna.

Repara as multidões, encarceradas no antigo processo de se levantarem para o erro e caírem para a corrigenda, e segue rumo ao Senhor, organizando as próprias aquisições de dons imortais.

Ajuda-te e o céu te ajudará

Morel Felipe Wilkon

ajuda de deus

Esperando que Deus venha salvá-lo…

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Tudo o que temos é empréstimo, tudo pertence a Deus. Não existem favores, o que existe é merecimento. Ajuda-te e o céu te ajudará.

Somos creaturas divinas, fomos feitos para progredir e destinados à felicidade. Por mais dificultosa que nos pareça a vida, sempre há ajuda à nossa disposição. Quando o auxílio material nos falta, o apoio de amigos espirituais permanece. Não haveria lógica alguma se estivéssemos fadados a padecer sem chance de melhora, sem a oferta de assistência divina.

O espírito protetor

Nem sempre temos tudo o que desejamos. Mesmo que nossos desejos, às vezes, sejam mais necessidades do que desejos propriamente ditos, nem sempre essas necessidades são atendidas. Não nos cabe revolta ou desespero. Tudo o que nos acontece é resultado de situações que provocamos no passado. Se não encontramos as causas aqui, elas estão em outras existências. A privação, as dificuldades que se nos apresentam são provas que devemos superar para alcançarmos um estágio mais elevado. São lições que devemos aprender. A Vida nos oferece boas oportunidades de aprendizado. Se não as aproveitamos, se desperdiçamos as chances de progredirmos pelo Amor da Vida, aprenderemos pela dor. A estrada evolutiva é uma reta. Se nos desviamos, sofremos as consequências e temos que voltar ao caminho.

Pelo amor ou pela dor

Muitos não se conformam com a vida que tem. Acham injusto, descreem de Deus, veem apenas uma fresta da realidade e julgam como se fossem donos da verdade. Alguns desses são os intelectuais vaidosos do seu pouco saber; outros, muitos outros, são apenas revoltados que não se dão ao trabalho de ler, de estudar, de se instruir, de se esclarecer, de procurar saber mais, de buscar as causas do seu próprio sofrimento e do sofrimento alheio.

A verdade vos libertará

Todos temos que fazer a nossa parte. Um grande músico, tocando o seu instrumento com perfeição, emociona quem tem sensibilidade musical. Mas ele não aprendeu isso em uma semana ou em um mês. São anos e anos de esforço, determinação, persistência, dedicação e amor. Um craque do futebol, driblando metade do time adversário e marcando um gol decisivo emociona multidões. Até seus adversários o admiram. Mas ele não aprendeu a dominar a bola através de uma milagre. Desde a infância que ele se dedica incansavelmente à bola.

Superar-se a si mesmo dá trabalho. Na hora de colher os aplausos da plateia ou da torcida tudo é lindo e maravilhoso. Mas foi necessário trabalho duro para chegar a esse ponto.

Todos somos filhos de Deus, creados à sua imagem e semelhança, portanto, somos perfectíveis. Todos precisamos da ajuda de Deus que nos é oferecida através dos espíritos trabalhadores e amigos. Mas não podemos esperar que Deus ou o espírito protetor ou algum santo ou anjo faça por nós o que compete a nós mesmos fazer.

Milhões de pessoas participam de concursos públicos. A esmagadora maioria não estuda. Eles acham que podem passar “na sorte”. Enquanto eles contam com a sorte, alguns milhares estudam incessantemente, arduamente, e passam. Não adianta contar com a sorte sem estudar, não adianta rezar pra santo, fazer promessa, pedir ajuda pro espírito protetor. A parte do estudo compete ao estudante, não ao espírito protetor. A ajuda está sempre ao nosso dispôr, mas temos que fazer a nossa parte. Podemos pedir ao espírito protetor, todos os dias, que nos mantenha em bom ânimo, para que estejamos atentos e nossa memória não falhe por nervosismo. Há canditatos que perdem o ônibus, que esquecem o comprovante de inscrição ou a caneta, que têm falhas na memória, que têm dor de barriga. O auxílio espiritual nos ajuda a ficarmos em paz e tranquilidade e evitarmos essas situações. Mas estudar compete exclusivamente ao candidato.

Há quem atribua tudo a Deus, aos santos, ao anjo da guarda. Passou no concurso porque o espírito protetor o ajudou. Foi promovido porque Jesus interferiu. Recebeu uma herança graças ao seu santo preferido. Tudo o que temos é empréstimo, tudo pertence a Deus. Devemos ser sempre gratos a Deus, em todas as circunstâncias. Mas as coisas não acontecem graças a este ou àquele. Não existem favores, o que existe é merecimento. Ajuda-te e o céu te ajudará.

Continua …

A César o que é de César e a Deus o que é de Deus

 A César o que é de César, a Deus o que é de Deus; à matéria o que é da matéria, ao espírito o que é do espírito. Este é um dos temas do capítulo 20 do Evangelho de Lucas, que estudamos neste vídeo. Outros assuntos tratados neste capítulo são a parábola dos lavradores maus, a ressurreição, e a diferenciação entre o homem Jesus, chamado filho de Davi, e o Cristo. Este é o 25º vídeo de uma série de 30 vídeos em que analisamos e interpretamos o Evangelho de Lucas a partir de um entendimento espírita.

Por que reencarnamos

Morel Felipe Wilkon

Tome posse do seu poder!

Artigo publicado originalmente em 16/07/2012

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Por que será que reencarnamos tantas vezes? Pela dificuldade que temos em obter o controle sobre nós mesmos, sobre nossa mente, sobre nossas ideias.

Você acredita que é bom o suficiente para fazer o que você faz? Você acredita que pode fazer mais do que você está fazendo? Nós sempre podemos fazer mais e melhor do que estamos fazendo. Todos nós. Eu, você, todo mundo.

Por que não fazemos? Por causa das limitações que nos impomos. Desde crianças construímos algumas imagens distorcidas da realidade, em que dizemos a nós mesmos que não somos bons o suficiente. Eu disse desde crianças, né? Mas há quantos milênios estamos alimentando essa crença na limitação de nosso poder? Há quantas reencarnações trazemos conosco o conceito errôneo de que não somos capazes de realizar determinadas coisas?

Pelo ângulo do espírito imortal que somos, não sabemos exatamente o que é o melhor para nós. Não temos conhecimento e experiência suficientes para calcular os prós e contras de cada oportunidade que nos aparece, de cada situação com que nos deparamos. Mas temos em nossa natureza a noção do que é o melhor. Tudo o que fazemos pensamos ser o melhor. Mesmo quando agimos mal, mesmo quando cometemos erros brutais, sempre o fazemos pensando ser o melhor para a ocasião.

É preciso muito tempo e experiência para aprendermos a calcular os resultados de nossas ações, para elaborarmos uma noção mais desenvolvida do que é o melhor. Por que será que temos que reencarnar tantas vezes? Justamente pela dificuldade que temos em obter o controle sobre nós mesmos, sobre nossa mente, sobre nossas ideias. Nosso aprendizado é lento, mas sólido. Depois que apreendemos conceitos morais importantes, não voltamos atrás. A reforma íntima alcançada é patrimônio seu. A elevação moral é um caminho sem volta.

Mas o fato é que sempre queremos o melhor. Sempre queremos ser melhores, sempre queremos fazer melhor do que estamos fazendo. Você não? Espere um pouco. Seja sincero com você mesmo. Não tem ninguém observando, é só você e sua consciência: Você acha que o que você faz é o seu melhor? Em todas as áreas de sua vida: pessoal, familiar, profissional, enfim; você dá o melhor de si?

Se você lembrar que você é imagem e semelhança de Deus, portanto perfectível, é claro que tem muito o que melhorar, em todos os setores da sua vida. Mas é preciso ter cuidado para não confundir essa cobrança interna com sentimento de culpa. Tudo o que você faz é tentativa de acerto. Não deixe de tentar. Não desista nunca. Mas aceite a verdade: você é imagem e semelhança de Deus, e tudo o que você faz de errado, são tentativas frustradas de assumir sua perfeição.

Você tende à perfeição, você será perfeito um dia, a perfeição existe dentro de você. É isso mesmo. Toda a perfeição já está dentro de você, e tudo o que você pensa, fala e faz são tentativas de assumir, de tomar posse dessa perfeição que já é sua, que já lhe pertence.

Pense melhor de você! Queira melhorar, sim. Mas, antes de mais nada, queira melhor a você mesmo! Aceite a ideia de que você pode muito, muito mais. Você tem o poder infinito de Deus dentro de você. Assuma o seu cargo de filho de Deus, tome posse do seu poder. Ele é seu.

Mensagem de Emmanuel – Avareza

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 Mensagem em áudio

Mensagem de Emmanuel no livro Vinha de Luz, psicografado por Chico Xavier: AVAREZA

“E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a vida de cada um não consiste na abundância das coisas que possui.” – (LUCAS, 12:15.)

Fujamos à retenção de qualquer possibilidade sem espírito de serviço.

Avareza não consiste apenas em amealhar o dinheiro nos cofres da mesquinhez.

As próprias águas benfeitoras da Natureza, quando encarceradas sem preocupação de benefício, costumam formar zonas infecciosas. Quem vive à cata de compensações, englobando-as ao redor de si, não passa igualmente de avaro infeliz.

Toda avareza é centralização doentia, preparando metas de sofrimento.

Não basta saber pedir, nem basta a habilidade e a eficiência em conquistar. É preciso adquirir no clima do Cristo, espalhando os benefícios da posse temporária, para que a própria existência não constitua obstáculo à paz e à alegria dos outros.

Inúmeros homens, atacados pelo vírus da avareza, muito ganharam em fortuna, autoridade e inteligência, mas apenas conseguiram, ao termo da experiência, a perversão dos que mais amavam e o ódio dos que lhes eram vizinhos.

Amontoaram vantagens para a própria perda. Arruinaram-se, envenenando, igualmente, os que lhes partilharam as tarefas no mundo.

Recordemos a palavra do Mestre Divino, gravando-a no espírito.

A vida do homem não consiste na abundância daquilo que possui, mas na abundância dos benefícios que esparge e semeia, atendendo aos desígnios do Supremo Senhor.

Dez perguntas sobre sexo na visão espírita

Morel Felipe Wilkon

uma visão espírita do sexo

O leitor Marcio enviou dez perguntas sobre sexo na visão espírita. Como tantos outros, quer saber o posicionamento do Espiritismo em relação a assuntos que envolvam o sexo.

Todos os dias recebo perguntas a respeito. Nem sempre posso responder, então aproveito as questões bem formuladas pelo Marcio para esclarecer dúvidas que atingem muitas pessoas e que nem sempre são abordadas com clareza.

Deixo claro que o Espiritismo não se pronuncia sobre essas questões especificamente. Minhas respostas, evidentemente, refletem a minha opinião. Mas esta opinião é pautada na Doutrina, na literatura espírita e através dos conhecimentos e experiências adquiridos pela observação. Por estar seguro de minha interpretação doutrinária, dispenso longas e incômodas citações de autores consagrados.

As palavras em azul contém links que levam a outros artigos sobre os temas abordados.

1 – Como o Espiritismo analisa a questão da castidade e virgindade pregada pela Igreja Católica como lei divina e virtude moral gloriosa,  símbolo de pureza e santidade que deve ser praticada até o casamento?

- A ideia de manter-se casto surge em primeiro lugar com o apóstolo Paulo. Paulo ensinava que tudo é lícito, mas nem tudo convém. Aconselhava às pessoas que se mantivessem no mesmo estado em que estavam quando entraram em contato com o Cristianismo. Quem fosse casado que permanecesse casado; quem fosse solteiro deveria permanecer solteiro. Paulo achava que, abrindo mão do sexo e do casamento, os homens poderiam dedicar-se de corpo e alma à causa cristã.

Mais tarde, com Santo Agostinho, a ideia de castidade ganha força. Agostinho, pelo que deixa entrever nas suas “Confissões”, era obcecado por sexo. Tinha muito desejo e sofria por isso. Mais tarde, quando a idade o ajudou a libertar-se do desejo, teve a má ideia de acusar o sexo como uma coisa totalmente negativa, como se o sexo, em si, fosse o culpado pelo desejo desenfreado das pessoas. Para Agostinho, sexo só para procriação. Mesmo dentro do casamento, para ele, o sexo era sujo e feio.

Isso são opiniões destes dois homens. Opiniões, apenas isso. Jesus não se manifestou a respeito.

Sexo não é sujo, nem feio, nem errado. Sexo é troca de energias, e energias divinas, pois através delas as pessoas são atraídas umas às outras e nós temos a oportunidade de reencarnar. Sexo deve ser feito com afeto e responsabilidade, pois somos corresponsáveis pelo que despertarmos no outro.

Pelas energias que movimenta e pelas emoções que desperta, a prática sexual requer maturidade. Somos responsáveis pelos nossos pensamentos, palavras e ações, sempre. Com o sexo não é diferente. Se há afeto e responsabilidade, o sexo é troca de energias divinas. Se o que há é só desejo carnal, a prática sexual é manifestação de instintos animais que ainda sobrevivem em nosso íntimo.

 2 – Como a Doutrina analisa a sentença da Igreja Católica que fala que a Justiça Divina poderá corrigir com duros revezes as pessoas que exercerem o sexo desvinculado e fora do casamento, mesmo que essas pessoas justifiquem o ato dizendo que o fizeram com amor e com respeito ao parceiro? Do ponto de vista espírita não haveria algum carma negativo no ato sexual pelo prazer, simplesmente, sem o compromisso de namoro sério?

 - O posicionamento da Igreja a esse respeito reflete a opinião dos teólogos, não a orientação de Jesus. Se Jesus julgasse importante que o sexo só fosse praticado estritamente dentro do casamento, ele teria se pronunciado a respeito. No tempo de Jesus a mulher era um objeto do marido, era um bem como qualquer outro. O adultério era proibido para a mulher, não para o homem. Os costumes mudaram, a mulher tem direitos iguais e, consequentemente, responsabilidades iguais.

Carma é uma palavra do sânscrito que quer dizer ação. A toda ação corresponde uma reação. Ao nos envolvermos sexualmente com alguém, somos responsáveis pelo que este envolvimento possa gerar, fisicamente, emocionalmente, moralmente. Por isso a necessidade de respeito e afeto. O sexo só por prazer, mesmo que praticado com o consentimento dos envolvidos, pode ocasionar sequelas emocionais, como sensação de culpa, arrependimento ou a paixão sem reciprocidade. Responderemos pela eventual dor ou desequilíbrio que causarmos em quaisquer pessoas, isso inclui o sexo.

 3 – Como a doutrina enxerga a liberdade sexual da mulher? Como algo positivo ou como algo degradante nos dias atuais?

 - Homens e mulheres são espíritos, portanto, têm direitos e deveres iguais. Nos espíritos reencarnados como homens predomina a atividade, nos espíritos reencarnados como mulheres predomina a passividade. Mulheres são mais delicadas e sensíveis que os homens, e devem fazer valer a liberdade recentemente conquistada para tornarem os relacionamentos afetivo-sexuais mais delicados e sensíveis, mais humanos e menos animais.

A liberdade feminina tem cerca de cinquenta anos. É, portanto, ainda uma novidade, ainda não alcançou o necessário equilíbrio social. Se a mulher usa a sua liberdade para imitar os homens, para fazer o que os homens fazem há séculos, ela está subutilizando a sua potencialidade e abusando dos direitos conquistados. Os homens se aproveitaram durante séculos e milênios da sua liberdade sexual para satisfazerem seus instintos sem se importarem com as consequências, sem se lembrarem que a sua parceira sexual, seu objeto de desejo, é um ser com sentimentos, anseios e ideais.

A mulher deve usar a sua liberdade para tornar os envolvimentos afetivo-sexuais mais amorosos e elevados, exigindo essa mesma postura dos homens.

4 – Como o Espiritismo vê os casais amasiados? Eles estariam vivendo em desacordo com a Lei Divina ou não? Várias religiões condenam duramente os amasiados. Justifique a sua resposta.

- A palavra “amasiado” deriva do latim “amare”, amar. Se é realmente o amor que prevalece, não há nada a ser reprovado. A Lei Divina não estabeleceu normas para a união de duas pessoas que se querem bem. O casamento civil e religioso é invenção dos homens. Somos espíritos, e para o espírito não faz diferença uma folha de papel ou as palavras sacramentais decoradas por um religioso, por mais respeitável que seja.

As religiões tradicionais têm sua origem num tempo em que imperava o regime patriarcal, em que quem dava as regras do jogo era o homem. O homem, para preservar os seus direitos, criou normas que favorecessem a manutenção destes direitos. Os povos eram mais rudes e ignorantes, necessitavam de regras bem estabelecidas que regessem as suas relações. A mulher era propriedade do homem, e o casamento legal era como um contrato que estabelecia a posse do homem sobre a mulher.

O amor é do espírito, não da matéria. Os espíritos unem-se por afeto, não por práticas legais ou sacramentais.

5 – O beijo na boca é proibido por várias religiões porque representa, na visão deles,  uma intimidade pertencente somente aos casados. Portanto, o casal somente poderia se beijar no altar depois do casamento, o contrário disso seria um ato egoísta e pecaminoso de exploração sexual de ambos os namorados. Como a Doutrina esclarece essa questão?

- É bom lembrar que a Doutrina Espírita não é um código de certo X errado, de pode X não pode. A Doutrina Espírita enfatiza, sempre, a consciência livre. Não há proibições, o que há é a proposta de conscientização de nossas responsabilidades.

Alguns povos antigos viam no beijo na boca uma comunhão entre dois seres, pois ao beijar na boca estamos “provando o gosto de alguém”, e absorvendo parte da substância deste alguém. O mesmo sentido de comunhão era visto na refeição em comum. Quando duas ou mais pessoas se reúnem para fazer uma refeição, comendo os mesmos alimentos, elas estão ingerindo uma mesma substância, todas passam a ter, dentro de si, algo em comum. Este, aliás, é o sentido da “santa ceia”, em que Jesus compartilhou o pão e o vinho com os seus discípulos. Ao compartilharem todos do mesmo alimento, todos estão em comunhão, estão comungando de alguma coisa.

Isso acontece com o beijo, até mesmo energeticamente. O beijo também é troca de energias, e ao beijar alguém estamos comunicando a este alguém os nossos sentimentos e emoções mais íntimos. Tudo envolve intenção e responsabilidade.

6 – O pensamento religioso dogmático cristão prega que o único lugar para o ser humano manifestar o seu impulso sexual que agrada a Deus é dentro do matrimônio, fora dele tudo é pecado… tipo: sexo solitário, masturbação a dois, toques em partes íntimas, pornografia, olhares ardentes, visualização de pessoas nuas ou seminuas, fantasias sexuais com alguém não casado, fetiches e intensos desejos de prazeres. Como a Doutrina Espírita esclarece essa questão?

- A questão sexual exige muito cuidado pelo grau de energia que envolve o sexo. Sempre sintonizamos com os espíritos, encarnados ou desencarnados, que mantêm os mesmos desejos, ideias, sentimentos e ideais que nós. Focando-nos no sexo, real ou imaginário, com ou sem o estímulo de imagens, estamos sintonizando com milhares de mentes que alimentam esses mesmos desejos. Nosso desejo inicial, então, é potencializado pela soma dos mesmos desejos externalizados por milhares de mentes sedentas de sexo. Por isso nascem os vícios, as fixações mentais; por isso o aumento incessante da pornografia e do sexo banalizado. A prática sexual, seja ela qual for, requer afeto e responsabilidade. Fantasias que envolvam outras pessoas devem ser evitadas. Fantasias sexuais, mesmo entre casados, formam imagens mentais que são vistas ou sentidas por espíritos que sentem-se atraídos pelo seu conteúdo. Essas imagens são, na verdade, convites para que outros espíritos participem da relação. Não modificamos nossos interesses, gostos e tendências só porque desencarnamos. Quem era viciado quando encarnado permanece viciado depois de desencarnar. Poder-se-ia dizer que o espírito viciado morre mas não desencarna, pois continua ligado aos interesses e desejos materiais. Para satisfazerem os seus desejos, espíritos viciados e sem escrúpulos aproximam-se dos encarnados que sentem e desejam o mesmo que eles. A linguagem primordial do espírito é o pensamento. Pelo pensamento entramos em sintonia com os nossos semelhantes, inevitavelmente. O sexo, ou mesmo a masturbação, só deve ser praticado se houver desejo suficiente que dispense quaisquer artifícios mentais. Se há necessidade de fantasias é porque o desejo não é suficiente para alcançar a satisfação. Logo, não havendo desejo premente, não há porque haver prática sexual. Sexo é energia. Não convém conter essa energia forçadamente nem liberá-la sem critério. A palavra-chave, como em tudo, é equilíbrio.

7 – Como a Doutrina Espírita analisa o discurso de Paulo de Tarso nas suas epístolas referente à questão sexual? Vários filósofos e teólogos acusam Paulo de ser o principal precursor do pensamento neurótico sexual  da Igreja pelos seus escritos em que ele enfatiza uma intensa pureza sexual com jejuns, penitências e martírios.

- Novamente lembramos que a Doutrina não se pronuncia sobre todas as questões especificamente. A Doutrina orienta ao uso da razão, e pelo uso da razão temos condições de analisar que a intenção de Paulo era boa, e suas recomendações não eram assim tão severas.

O desejo sexual exacerbado nos prende à matéria. É impossível conciliar desejo carnal e elevação espiritual. Estamos encarnados, temos corpos físicos sensíveis ao prazer e à dor, e faz parte do uso do livre-arbítrio optar pelo prazer. O prazer é necessário em nosso estágio evolutivo. A busca por prazer nos estimula ao progresso. Mas nesta busca nos movimentamos praticamente apenas nos aspectos materiais da vida, quando nosso grande objetivo é o progresso do espírito. Paulo, então, propunha a superação do desejo para facilitar a elevação moral e espiritual.

Sabemos que forçar a natureza tem as suas consequências. Se represarmos um rio sem lhe dar vazão, a represa pode se romper e causar grandes danos. Por outro lado, a civilização só foi possível porque o homem conseguiu usar a natureza a seu favor, construindo diques, canais e barreiras de modo a aproveitar racionalmente os recursos dos rios, em torno dos quais se formaram as primeiras cidades.

O mesmo cuidado devemos ter com o sexo. Não impedir o seu fluxo normal com barreiras estanques, mas controlar o seu fluxo para tirar dele o melhor proveito para o corpo e o espírito.

8 – Qual o significado da passagem bíblica em que Jesus fala que aquele que olhar para uma mulher cobiçando ela estará em seu coração já adulterando com ela? Seria uma condenação ao desejo sexual ou atração física pelo sexo oposto?

- Não há nada de errado em apreciar a beleza de alguém. Uma das características da evolução é a apreciação do belo. Mas desejar sexualmente alguém, se um ou os dois forem comprometidos, é, sim, adultério em pensamento. A relação só não é concretizada por falta de coragem ou oportunidade.

A monogamia é necessária para disciplinar os desejos, as intenções, as emoções, os sentimentos e os pensamentos. Convém, então, que as pessoas já comprometidas eduquem seus próprios desejos, canalizando-os para o parceiro. Também é aconselhável evitar que o alvo do desejo seja uma pessoa já comprometida. Não nos esqueçamos de que não existe segredo. Vivemos imersos num oceano de pensamentos, em que somos reconhecidos pelas imagens que externalizamos com nossos desejos, emoções e intenções.

Mas este ensinamento de Jesus não se limita a essa questão. Jesus está nos demonstrando, com isso, que o nosso pensamento é a origem de tudo, que tudo nasce com o nosso pensamento, e que, controlando os pensamentos, teremos condições de controlar nossas palavras e ações.

9 – Qual seria o “raio x” do Espiritismo acerca do uso da camisinha? Seria positivo ou seria um estímulo ao sexo descartável?

- Pode ser as duas coisas, dependendo da intenção. É prática responsável por manter o planejamento familiar, para evitar filhos em relacionamentos que não comportam essa responsabilidade em comum ou para proteger-se de doenças.

A decisão sobre ter ou não ter filhos compete a cada um. A consciência de cada um sabe os motivos pelos quais resolve ter filhos ou evitá-los, e, como em todas as decisões, arca com a responsabilidade.

O sexo descartável existiria com ou sem camisinha.

10 – Como o Espiritismo encara o drama da AIDS? As pessoas deveriam se abster do sexo para evitar uma trágica e mortal infecção ou elas só poderiam realizar o ato sexual depois de submeter o parceiro ao teste de HIV, evitando, assim, o sexo de risco, já que hoje qualquer pessoa pode ter a doença?

- O cuidado que todos devemos ter é em relação aos sentimentos do próximo. O ideal, mais do que exigir exames, é examinar os sentimentos antes de envolver-se sexualmente com alguém. Guardadas as devidas proporções, exigir teste de HIV para realizar o ato sexual é o mesmo que pedir teste de gripe ou virose para dar beijo na boca.

O Espiritismo orienta que sigamos a moral do Cristo. Se fizermos isso, naturalmente seremos responsáveis a ponto de cuidarmos da própria saúde e de zelarmos pela saúde do próximo. Enquanto não chegamos todos neste estágio ideal, o uso da camisinha, como mencionado na resposta anterior, cumpre a sua função nesses casos.

O Espiritismo não é dogmático, então não oferece uma lista de “certo” e “errado”. O Espiritismo ensina que as Leis de Deus estão em nossa consciência, e, de acordo com elas, sabemos intimamente o que convém e o que não convém.

Todas as questões acima giram em torno da responsabilidade. Quem fica com alguém sem compromisso, só pelo prazer momentâneo, pode fazer isso várias vezes sem prejudicar nem a si mesmo nem ao outro. Mas não há como saber o que pode resultar de um encontro íntimo aparentemente sem compromisso. Uma lei de trânsito cabe aqui: “Na dúvida, não ultrapasse”.