Espiritismo e adultério

Espiritismo e adultério

Artigo publicado originalmente em 26/09/2012

O Espiritismo, tomando por base a questão 701 do Livro dos Espíritos, afirma que o casamento deve se fundar na afeição dos dois seres que se unem. Mas não podemos ignorar que o adultério é prática comum, tolerada pela sociedade.

Você já parou pra pensar a respeito do poder que há no sexo? O sexo sempre esteve por trás das grandes conquistas e das grandes tragédias da História. Talvez um dos desequilíbrios mais comuns na trajetória do espírito imortal seja justamente o sexo. Se você se alimenta pouco, enfraquece; se come demais, adquire doenças. Se você dorme pouco, não recupera totalmente as energias; se dorme muito, perde o dinamismo. Com o sexo ocorre o mesmo. É preciso equilíbrio.

O desejo sexual represado representa um grande perigo, pois poucas pessoas são elevadas a ponto de canalizar a energia sexual para o processo criativo. O represamento do desejo sexual pode levar ao descontrole e é causa de muitos crimes. Pessoas sexualmente equilibradas convivem melhor em sociedade e são mais felizes.

Nosso senso moral e nossa cultura cristã nos legaram a monogamia como relação ideal mais propensa a incentivar o amor. Mas não podemos ignorar que o adultério é prática comum, tolerada pela sociedade. Você tem ideia das consequências espirituais do adultério? A relação sexual é o momento de maior intimidade e troca de energias que se pode experimentar na Terra. Isso não fica restrito ao plano físico, mas também ao plano astral.

Ao nos unirmos sexualmente com alguém, formamos ligações com as companhias espirituais da outra pessoa. Você sabe que nunca estamos sozinhos, estamos sempre acompanhados de espíritos que se afinizam conosco, com os nossos gostos, com nossas atividades, pensamentos, atitudes, emoções. Numa relação adúltera é inevitável que sejam atraídos por nós espíritos que se afinizam com este tipo de ato clandestino, furtivo, baixo. Em situações assim reatamos antigas ligações espirituais conflituosas ou encetamos novos comprometimentos.

O mesmo ocorre com o sexo pago. Você acha que quem recorre à prostituição pratica o ato sozinho? Na verdade quem costuma comandar a situação são os espíritos desencarnados viciados em sexo. Os lugares ligados à prostituição são habitados por inúmeros espíritos nessas condições, que vivem da energia dos encarnados que os frequentam. São verdadeiras parcerias que se formam entre os dois planos. Os dois lados em busca do prazer desenfreado oferecido pelo sexo.

Há muitos que não consumam a traição. Não se atrevem a levar o adultério às últimas consequências. Mas o fazem em pensamento. Jesus falou sobre isso, ao dizer que desejar a mulher do próximo em pensamento já é cometer adultério. Nada ativa tão bem a imaginação como o desejo sexual. O poder mental é capaz de atrair espiritualmente a pessoa desejada se for fortemente imaginada. Se houver reciprocidade de intenções, pode haver uma espécie de vida paralela em que os adúlteros em pensamento passam a encontrar-se no astral para saciar seus desejos. De qualquer maneira, sendo ou não sendo correspondido o desejo, outros espíritos sedentos por sensações prazerosas do sexo são atraídos. Qualquer pessoa que tenha seu pensamento dominado pela ideia do sexo atrai para si companhias espirituais das quais se torna muito difícil de se livrar.

Durante o período de sono físico, nada atrai tanto o espírito encarnado quanto o sexo. Muitos são habituados a se relacionar com desencarnados ou com outros encarnados desdobrados pelo sono. Às vezes são pessoas de conduta exemplar, que racionalmente não procurariam essa situação. Mas, parcialmente livres do corpo físico durante o sono, se deixam dominar pelo subconsciente. No subconsciente está armazenada a bagagem de todas as vidas anteriores do espírito imortal; é a soma de tudo o que ele é.

Quem vive essas experiências geralmente não tem vida sexual satisfatória; vive sem esperança amorosa. Geralmente essas pessoas roubam a energia das pessoas próximas; familiares, amigos, colegas. A energia que retiram de seus próximos é gasta em seus encontros no astral.

O sexo é energia sagrada, é criação de Deus que nos concedeu o poder de criar, pois somos Sua imagem e semelhança. O sexo equilibrado é manifestação de amor, e eleva o espírito a Deus. Mas o sexo em desequilíbrio pode ser motivo de queda e destruição. Deus não nos castiga, não há crime ou pecado. Há desgaste espiritual, há desperdício de forças criadoras, há desrespeito com o amor. E tudo isso tem um preço.

Antes de comentar, leia este artigo: Espiritismo e os relacionamentos amorosos

A cura do cego de nascença e a reencarnação

- Quem pecou, este ou os seus pais, para que nascesse cego? – Essa pergunta feita a Jesus pelos seus discípulos demonstra que eles acreditavam na reencarnação. Pois, se o homem não estava pagando pelos pecados dos seus pais – o que seria uma imensa injustiça da parte de Deus – quem havia pecado teria sido ele mesmo. Mas, se ele era cego de nascença, como poderia ter pecado? Evidentemente, numa existência passada. Aliás, o historiador Flávio Josefo, que era contemporâneo de Jesus, atesta que a crença na reencarnação era comum na época, embora de maneira confusa.

Este é o tema do capítulo 9 do Evangelho de João, de que trata este vídeo. Este é o 18º vídeo desta série de estudos sobre o Evangelho de João.

O que você vai levar desta vida?

malas e bagagens

O que você vai levar desta vida?

Nossa passagem pela matéria é curta. O que você vai levar desta vida?

As Leis de Deus estão gravadas em nossa consciência. Precisamos ter isso sempre em mente para eliminarmos definitivamente a ideia arcaica e ultrapassada de um Deus exterior, fora de nós, alheio a nós. O que conhecemos de Deus é a Lei. E a Lei está em nós; portanto, Deus está em nós.

Por desconhecermos essa verdade por tanto tempo, nos acostumamos a agir como eternas crianças, na base de castigo e recompensa. Buscamos recompensa pelas nossas frouxas bondades e fugimos do castigo pelas nossas teimosas maldades.

Em sociedade, procuramos ser corretos para não sermos punidos pela lei. Todos os dias tramitam projetos de lei para tudo. Quanto mais leis são criadas, mais a criatividade burladora dos homens inventa meios de infringir sorrateiramente a lei. De um modo geral, não somos corretos porque sabemos que devemos ser corretos – se cumprimos a lei é apenas por medo da punição.

Somos assim também em nossa relação com Deus e a espiritualidade. Geralmente as poucas coisas boas que fazemos não são feitas naturalmente, como uma decorrência natural do fato de estar vivo, de existir. Há coisas que fazemos naturalmente, como comer, dormir, procurar diversão. Não costumamos fazer o bem com essa mesma naturalidade. Fazemos algumas migalhas de bem para escaparmos do fogo do inferno, ou, no caso dos espíritas, para evitarmos o umbral.

Imagine-se no fim da vida, a uns poucos passos de desencarnar. Já há bastante tempo sem poder comer e beber o que tem vontade; sem poder praticar esportes, ou caminhar ao ar livre, ou correr; sem concentração e visão suficientes para ler; sem tesão há muitos anos; sem nada de prazer material nem de satisfação barata. O humor comum já não faz rir, as notícias já não fazem diferença, as novas descobertas não empolgam, ninguém precisa de você e o que você precisa dos outros é ajuda para a sobrevivência do seu corpo, nada mais que isso.

O que você carrega como sua bagagem nessa situação? O que é capaz de lhe dar alguma satisfação íntima? O que sobra, afinal de contas? O espírito. Você. Não este você provisório, esta personagem que você interpretou por algumas décadas, identificada com um nome, animando um corpo físico velho e decadente. Mas você de fato, de verdade, você espírito imortal, individualidade divina.

Tudo o que nos dá prazer material, sensório, mesmo que seja legítimo, é apenas provisório, passageiro, fugaz. Nada contra os prazeres, de jeito nenhum. Não há nada de errado com eles. Mas temos que ter consciência de que eles não são reais. Se fossem reais, perdurariam, permaneceriam conosco, mas não: desaparecem completamente, mal fica uma vaga lembrança da sua inutilidade.

Só o que nos preenche de verdade são as coisas do espírito, e nisto está inserido o fazer o bem, o ser útil ao próximo, a contribuição, pequena mas legítima, que podemos deixar a outros espíritos como nós. É isso o que levamos desta existência, é isso o que carregamos em nossa bagagem espiritual. Sermos bons, então, é o sentido de nossas vidas.

Não estou falando isso por ser um dos poucos espíritos encarnados na Terra que são bons naturalmente. Não; estou ainda muito longe disso. Estou tão longe disso como um homem no sopé de uma montanha está longe do seu topo. Mas, esticando o pescoço, consigo vislumbrar o topo da montanha, e o que vejo é isso: só o que pode nos preencher de verdade, de maneira duradoura e sólida, é ser bom, ser bom de verdade, naturalmente. Não por medo de castigo ou à espera de recompensa. Mas como uma decorrência natural do fato de existir.

Pelo amor ou pela dor

 

criança caindo da bicicleta

Aprendemos pelo amor ou pela dor…

Artigo publicado originalmente em 25/09/2012

Ouça este artigo na voz do autor

Você já ouviu falar que aprendemos pelo amor ou pela dor? Acredita que podemos aprender tudo pelo amor? Eu, particularmente, acho que ainda não. A experiência de cada um de nós demonstra que costumamos aprender muito mais pela dor do que pelo amor.

Desde crianças temos a oportunidade de aprender através do amor. São os conselhos e ensinamentos exaustivos do pai e da mãe, os exemplos, as lições que recebemos dos mais velhos. Alguns nós seguimos. Muitos outros nós não seguimos. E aprendemos com nossas próprias experiências. Às vezes repetimos as mesmas experiências de nossos pais, sendo que seria fácil para nós ter aprendido com a experiência deles.

Mas não dá pra negar a capacidade que a dor tem de nos ensinar. É que a dor, pelo menos neste nosso planeta, é mais experiente que o amor. A dor pega você de jeito, como quem não quer nada, e quando você vê está pronto para refletir.

O que o amor levaria meses para explicar, a dor demonstra em alguns minutos. O que o amor levaria várias reencarnações para ensinar, a dor ensina em alguns anos. A dor chama para si, obriga a sentar e ouvir. Com a dor física, você percebe que está abusando do corpo. Com a dor da saudade, você valoriza quem está longe. Com a dor do arrependimento, você reconhece o erro e se propõe a consertá-lo. Com a dor da solidão, você se dá conta de que não é uma ilha, de que não se basta sozinho. Com a dor do coração você nota que não é como gostaria de ser, que é bem mais falível, suscetível e sensível do que costuma pensar.

A dor arranca o seu disfarce. E você se vê como é de verdade. E, não importa como você seja, o fato é que você é único. E só. Sozinho num imenso universo. O único responsável por você mesmo. Autor, ator e crítico do próprio espetáculo. Você é responsável pelo seu corpo, é você que deve cuidar dele. Você é responsável por seus sentimentos, e deve aprender a lidar com situações conflituosas como solidão, saudade ou abandono. Você é responsável por seus pensamentos, palavras e ações, e está sujeito a fazer coisas de que se arrependerá.

E ao perceber que você é o único responsável por sua própria vida, você então permite ao outro que ele seja como ele é. Porque o outro também é o único responsável pela vida dele. O outro não tem o poder de influenciar a sua vida, a não ser que você permita. Do mesmo modo, você só vai influenciar a vida do outro se ele permitir.

E se você quer ser livre precisa saber que só existe liberdade onde houver tolerância. Se você não permite que o outro seja como ele é, se você não aceita que o outro seja diferente de você, você está preso ao outro. Está preso porque há uma questão mal resolvida que exige solução. A liberdade em relação aos demais só é alcançada se houver tolerância.

A dor é um mecanismo que serve para orientar, como uma bússola. Sempre que houver um desvio da rota, a dor alerta. Você pode ignorá-la por um bom tempo. E quanto mais você a ignora, mais forte ela fica, mais potencial de ensinamento ela adquire.

É claro que um dia aprenderemos mais com o amor. Aprenderemos mais facilmente, mais docilmente. Mas em nosso estágio evolutivo a dor ainda é de extrema utilidade. Sem ela, levaríamos muito mais tempo para aprender qualquer coisa. Não sentiríamos necessidade alguma de refletir. Não reclame da dor, aprenda com ela.

Vós tendes por pai ao diabo!

- Vós tendes por pai ao diabo! – são palavras de Jesus, no capítulo 8 do Evangelho de João. A visão estreita dos religiosos tradicionais, aliada aos preconceitos que em todos os tempos imperaram na humanidade terrena, fizeram dessa frase de Jesus uma prova da existência do diabo como um ser individual, o eterno rival de Deus, que, na sua visãozinha torta, mais parece um homem mesquinho, vingativo e ciumento. Além disso, por causa dessa frase fora de contexto os judeus foram perseguidos durante séculos. Afinal, se o próprio Jesus está dizendo que eles são filhos do diabo…

Esses são os riscos de uma leitura ao pé da letra, sem estudo, sem contextualização. Este é um dos temas abordados neste vídeo. Outro tema muito importante é a afirmação de Jesus: – Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará! – que verdade é essa? 

Este é o 17º vídeo desta série de estudos sobre o Evangelho de João. Uma visão inédita, interpretada diretamente a partir do original grego.

Espiritismo – Deus castiga?

Deus pune?

Deus castiga?

Você já ouviu dizer que Deus castiga? Você não acha essa abordagem um pouco equivocada? É verdade que no tempo de Jesus, onde predominava a ignorância, era necessário servir-se de imagens fortes para impressionar as mentes rebeldes. Por isso Jesus usou expressões como “pranto e ranger de dentes” ou o “fogo da Geena”, que é geralmente traduzido como “fogo do inferno”.

A Geena ou o Vale dos Gemidos é mencionado já no Antigo Testamento, desde Josué. Era um vale onde foi construído um altar ao deus Moloch, onde eram feitos sacrifícios de crianças. Até reis dos judeus, como Manassés e Acaz, queimaram os seus próprios filhos em adoração a Moloch. O profeta Jeremias protestou contra essa monstruosidade, e o Rei Josias destruiu o local do culto fazendo daquele vale o depósito de lixo de Jerusalém, onde lançavam os cadáveres de animais e de criminosos. O gás, provavelmente metano, produzido pela deterioração do lixo, é que fazia o fogo manter-se aceso permanentemente. Assim surgiu o simbolismo do fogo que nunca se apaga, que foi utilizado para a figuração do inferno.

Quando Allan Kardec codificou o Espiritismo ainda imperavam os conceitos defendidos pela Igreja, e as expressões utilizadas por Kardec refletem isso. Muitos espíritas sustentam, até hoje, que Deus castiga. Quando tentamos argumentar que Deus, Pai amoroso e bom, infinitamente misericordioso, não pune os seus filhos, elas dão o golpe que julgam fatal: – Mas está no Evangelho segundo o Espiritismo!

Sim, é verdade que nesta obra está escrito com todas as letras que “Deus pune”. Para falar de Kardec, então, nos servimos do próprio Kardec. A questão 621 d’O Livro dos Espíritos diz que as Leis de Deus estão gravadas em nossa consciência. Quem pune, então, é a nossa consciência; quem castiga é a nossa própria consciência. A nossa consciência é o nosso juiz particular. Testemunha, promotor e juiz. E não há instância superior a apelar. A consciência não falha. Afinal, a consciência é Deus em nós.

Dissemos que é a consciência que pune ou castiga. Essas palavras, “punir” e “castigar”, como tantas outras, perderam o seu sentido original com o tempo.

Punir vem do latim “punire”, que significa “aplicar pena em alguém”. Aplicar “pena”. Pena, do latim “poena”, que, por sua vez, vem do grego “poine”, que quer dizer “puro”, “limpo”. Castigar vem do latim “castus”, que também quer dizer “puro”, “limpo”.

Quando lemos, então, que Deus pune ou que Deus castiga, devemos entender que a nossa consciência adota automaticamente os meios mais adequados para a nossa purificação. Cometemos erros, contrariamos a harmonia do Universo, poluímos o nosso pequeno mundo, e a consciência adota providências para que limpemos a sujeira que fizemos, para que purifiquemos o que foi poluído por nós. É só isso.

Deus não castiga nem pune. Deus é a Lei. A Lei é inflexível. Sujamos, temos que limpar. Bagunçamos, temos que arrumar. Quebramos, temos que consertar. Não como castigo, mas como oportunidade de aprendizado. A Vida nos oferece lições todos os dias. Se as aproveitamos, vamos passando para níveis mais adiantados. Se não as aproveitamos, temos que repetir lições cada vez mais duras, que tenham poder de fixar o aprendizado.

Para os raciocínios mais apressados, isso pode parecer apenas questão de palavras. Mas o nosso pensamento é construído com palavras. Conforme os conceitos que atribuímos às palavras, então, formulamos pensamentos mais ou menos ajustados à verdade que conseguimos apreender. Construímos a nossa realidade a partir do pensamento. É o pensamento que determina a nossa realidade. Percebemos, então, a importância de pensar adequadamente, utilizando-nos dos conceitos corretos.

Quando lemos, então, que Deus pune, temos que ter em mente que Deus está dentro de nós, e que é a partícula de Deus presente em cada um de nós que nos julga. E precisamos ter bem claro que não existe castigo ou punição da maneira como costumamos entender essas palavras hoje. Não é “olho por olho e dente por dente”, são mecanismos de harmonização que conspiram a nosso favor, proporcionando-nos as oportunidades mais adequadas ao nosso processo evolutivo. O que vemos como “castigo”, no sentido vulgar da palavra, é, na verdade, purificação espiritual, limpeza da mente através de novos aprendizados. 

Somos obrigados a crer em Jesus? – Espiritismo

Será que somos obrigados a crer em Jesus? Será que Jesus nos julga?

Formamos, ao longo do tempo, uma série de conceitos absolutamente deturpados a respeito do ensinamento de Jesus, que é válido para todos os tempos e para todos os lugares. Esse problema se deve às teologias e às traduções tendenciosas, principalmente.

Mas a maior parte do ensino de Jesus exige um conhecimento um pouco mais avançado para a sua compreensão. O Espiritismo colabora, e, muito, para esse entendimento. Este é o 16º vídeo desta série de estudos sobre o Evangelho de João. Me acompanhe nesta jornada!

Relacionamentos cármicos – Espiritismo

carma casamento

O carma e os relacionamentos

A leitora Paloma fez uma pergunta recorrente em relação à Lei de ação e reação, dentro do que vulgarmente chamamos de “relacionamentos cármicos”. 

Olá.Tenho uma dúvida sobre espiritismo. Muito se fala sobre ação e reação. Ok, mas penso que se sempre for assim, será uma cadeia sem fim. Quando será estancada a cadeia de ação e reação? Outra coisa: haveria realmente necessidade de colocar o algoz na situação que ele gerou em outra vida? não caberia um perdão sincero da vítima? Tenho dificuldade em entender isto, pois geraria uma cadeia sem fim… tenho dúvida se a prova não é justamente reagir e se afastar de quem nos faz o mal… ao contrário do que já ouvi que, se for uma prova, pedimos por ela e devemos suportar… Obrigada. Agradeço, se puder esclarecer.

- Paloma, a Lei de ação e reação não é invenção do Espiritismo, é um princípio conhecido em todas as grandes religiões, principalmente no Oriente. A palavra carma, às vezes usada com um sentido negativo, vem do sânscrito e quer dizer ação. Toda ação gera uma reação. Com o Espiritismo esta Lei ficou mais conhecida porque o Espiritismo  trata da reencarnação, o que torna mais visível e compreensível o conceito de semeadura e colheita. Ação e reação é uma lei universal, demonstrada pela física. 

Imagine que você tem uma bola de borracha que caiba na sua mão. Se você atirá-la contra o chão, ela irá subir e descer algumas vezes, não vai? Mas a sua subida vai ser cada vez menor. Pelo princípio da inércia ou 1º lei de Newton, desde o momento em que você deu movimento à bola, ela permaneceria permanentemente em movimento. A bola só vai diminuindo a sua velocidade por causa do atrito e da força contrária. Ela sofre a ação de uma força contrária ao encostar no chão e entra em atrito com o ar ao subir e descer. A ação e reação é Lei, e como tal, funciona sempre.

Você fala em cadeia sem fim. O movimento da bola entraria numa cadeia sem fim, se não fosse a força contrária exercida pelo chão e o atrito com o ar, que faz com que o impulso diminua. Do mesmo modo, a cadeia de ação e reação entre espíritos perde impulso graças às “forças contrárias” e aos “atritos”. É através das contrariedades e dos atritos que nos polimos. Somos como diamantes que precisam ser burilados e polidos em contato uns com os outros, através de longos milênios, até que a nossa natureza divina, que temos em nosso interior, venha à tona.

Perceba que, ao longo da História, as relações entre as pessoas vêm melhorando, e muito. Como você fez o seu comentário num artigo sobre traição, vou utilizar-me deste assunto como exemplo. Hoje falamos sobre “traição”. Algumas décadas atrás ainda era normal que o homem frequentasse bordeis, muitas vezes com o conhecimento e mesmo o consentimento da esposa, pois eram “coisas de homens”. Hoje isso já não é admissível. O homem podia matar a mulher que o traísse e ser inocentado, pois teria matado “em legítima defesa da honra”.

A cada reencarnação vamos nos aperfeiçoando um pouco, até que já não haja nada a ser reparado. A cadeia de ação e reação “estanca” quando houver a compreensão, o perdão, o amor. Amor é harmonia.

- Haveria realmente necessidade de colocar o algoz na situação que ele gerou em outra vida? não caberia um perdão sincero da vítima?

Quem você acha que coloca o algoz na situação que ele gerou? Deus? As Leis de Deus estão gravadas em nossa consciência. Neste sentido, podemos dizer que é Deus que faz isso. Mas deve ficar claro que é a própria consciência culpada que se autocondiciona a experimentar o mal que causou. O mal gerado fica impresso na consciência culpada. A experimentação na própria pele do mal causado a outrem é a exteriorização natural da impressão do mal que ele praticou.

Entenda que o mal que nós praticamos é um veneno que nós mesmos ingerimos. Assim como o corpo físico se protege de um veneno ingerido provocando vômito ou diarreia, para expelir, para exteriorizar o veneno, assim também o espírito exterioriza o mal que está nele a fim de purificar-se. Um religioso tradicional, ao observar o sofrimento de uma pessoa nessas condições, se desconfiar que há uma causa para que este sofrimento exista, vai concluir que se trata de castigo de Deus. O próprio Livro dos Espíritos se utiliza da expressão “castigo de Deus”, retratando os conceitos vigentes na época em foi escrito. Mas se analisarmos a origem da palavra “castigo”, fica mais fácil de compreender como age a Lei. Castigo vem do latim castus, que quer dizer “puro”. Castigar, do latim castificare, é purificar, tornar puro. Castigar, então, é purificar.

Deus age através das Suas Leis, perfeitas e imutáveis. As Leis de Deus estão gravadas em nossa consciência. Tudo o que sentimos, pensamos, falamos e fazemos fica gravado em nosso subconsciente. Como disse Jesus, “até os fios de cabelo de vossa cabeça estão contados” (Mateus 10:30). Podemos nos esconder da lei, da justiça, dos homens, mas não podemos nos esconder da nossa própria consciência. As Leis de Deus, que estão gravadas em nossa consciência, nos conduzem, mais cedo ou mais tarde, à reparação do mal que causamos. A vida nos oferece a oportunidade de reparação dos nossos erros através da reencarnação ao nos proporcionar o convívio com as nossas vítimas do passado. Vivendo em si mesmo a experiência do mal que praticou no passado, ao mesmo tempo
em que purga o mal que está dentro de si, o espírito encontra condições de consolidar o aprendizado relacionado com este mal, podendo transformar o que era mal num bem.

- Não caberia um perdão sincero da vítima? 

Isso é outra questão. Vítima e algoz são seres independentes, cada um tem a sua própria experiência. A vítima deve perdoar, sem dúvida alguma. Mas o seu perdão não apaga o mal que foi praticado. Só o que apaga o mal é a sua reparação. Se a vítima for um espírito mais esclarecido, aceitará de boa vontade a sua prova, que lhe proporcionará boas condições de progresso e aprendizado. Se a vítima não for muito esclarecida espiritualmente, o que é o mais comum, aproveitará essa prova para burilar-se a si mesma ao mesmo tempo em que tem a chance de fazer o bem ao seu antigo algoz, acabando, assim, com o que você chamou de “cadeia de ação e reação”.

- Tenho dúvidas se a prova não é justamente reagir e se afastar de quem nos faz o mal… ao contrário do que já ouvi que se for uma prova, pedimos por ela e devemos suportar…

Não podemos afirmar que escolhemos nossas provas. Pelo menos não conscientemente. Não temos condições para isso. Só espíritos mais adiantados, mais conscientizados, têm condições de escolher suas provas. Nós, no máximo, passamos por um planejamento elaborado por espíritos superiores a nós. É verdade que escolhemos nossas provas se considerarmos que fazemos essa escolha todos os dias através das nossas atitudes. Todos os dias estamos plantando o nosso futuro, desta e de outras reencarnações.

É possível, sim, afastarmo-nos de quem nos fez mal. Mas isso depende de nossas ligações psíquicas, que em muitos casos podem se reportar a vários séculos e milênios, não sendo, então, tão fácil nos desvencilharmos.

Temos que suportar as nossas provas, sim. As provas que a Vida nos apresenta são oportunidades para o nosso progresso. Se percebermos, no entanto, que não estamos fazendo proveito, e que há outras possibilidades claras de termos uma vida mais produtiva e útil, para nós e para o próximo, compete a nós mesmos decidirmos se insistimos ou não com esta prova. É importante frisar que nem todas as nossas provas foram programadas. Nos envolvemos com espíritos encarnados e desencarnados com quem simpatizamos em períodos específicos da vida e acabamos criando vínculos afetivos. Não temos como saber se os laços que nos prendem a esses espíritos são de agora ou se já vêm de mais tempo. Por isso temos que desenvolver a capacidade de discernir; para analisarmos friamente os prós e contras de nossas possíveis decisões.

Reencarnar – Opinião espírita

Reencarnar é um privilégio! A Vida é uma maravilha!

Ouça este artigo na voz do autor

Artigo publicado originalmente em 24/09/2012

Você não se lembra, eu também não, mas, na minha opinião de espírita, nós demos graças a Deus quando tivemos a oportunidade de reencarnar mais essa vez. Vemos pessoas se queixando da vida, que é muito trabalho, que é muita injustiça, que a vida é muito dura, que isso é um vale de lágrimas, que é muito quente, ou muito frio, ou muito chuvoso.

Mas nós ansiamos muito por esta oportunidade. Oportunidade de estarmos de novo na matéria, momentaneamente esquecidos de nosso passado, com novo corpo, novo nome, nova configuração familiar, num novo tempo, numa nova chance.

Você faz ideia de como a fila é grande para reencarnar? Você já parou pra pensar na dificuldade que é para nossos superiores espirituais arranjar tudo de modo que vários membros endividados uns com os outros renasçam mais ou menos entrelaçados? Você percebe que tudo tem que ser planejado e executado de modo a permitir encontros e reparações?

Reencarnar é um privilégio! A Vida é uma maravilha! Não duvide nenhum momento da sua vida de que este fenômeno chamado Vida é uma verdadeira maravilha!

Por favor, não pense que sou excepcionalmente afortunado, que desconheço problemas. Todos temos problemas. Não há vida sem problemas. Uma vida sem problemas seria qualquer coisa, mas não seria Vida. Não é por falta de problemas que convido você a celebrar e agradecer à Vida. É por reconhecer a grandiosidade da existência, o poder que eu tenho, que você tem, de progredir consideravelmente nesta reencarnação.

Chegamos aqui cheios de entusiasmo. Não se lembra de quando você era criança? Se não lembra bem, olhe para uma criança, lembre de uma, qualquer uma, brincando, feliz. É assim que chegamos. Alguma pessoa mais ranzinza pode alegar que elas são assim porque desconhecem a realidade, porque não sabem o que as espera.

Qual realidade elas desconhecem? O negativismo, o medo, a desconfiança, a dúvida? Mas isso não é realidade. Isso é mentira! Nós vivemos cercados de mentiras. Mentiras que se consagraram em tempos de ignorância e superstições e que foram passando de geração em geração. Criança nenhuma tem culpa das mentiras seculares que nos rodeiam. Você não tem culpa, eu não tenho culpa.

A Vida é maravilhosa, independente das calúnias que giram em torno dela. Mesmo nos momentos de grandes dissabores e contrariedades a Vida é uma maravilha. Porque ela nos dá a certeza de que tudo passa. Tudo isso vai passar. Você está lendo isso agora; daqui a dois minutos estará fazendo outra coisa, talvez meditando sobre este assunto. Mas a leitura deste artigo já será passado, e nunca mais irá voltar. É assim com os melhores momentos da sua vida. É assim também com os momentos mais críticos e difíceis da sua vida.

Você lembra da passagem do evangelho em que Jesus disse para que deixassem que as crianças fossem a ele, pois delas é o reino dos céus? É que as crianças têm amor à Vida, e confiança na Vida, e o coração aberto para aprender, e aceitam, e perdoam, e são felizes com pouco, muito pouco.

Não podemos viver como crianças. Temos responsabilidades de adultos. Lembre-se que você também ansiou muito por isso. Queria porque queria ficar adulto: Ficou, não ficou? Então não somos crianças, temos um monte de obrigações, e coisas sérias para fazer. Mas podemos desenvolver aquelas qualidades que agora a pouco eu atribuí às crianças.

Podemos lembrar todas as manhãs, quando acordamos, de sermos gratos à Vida, e amar estar vivos. Podemos e devemos, até como prova de inteligência, confiar na Vida, pois sabemos que no final tudo dá certo. Podemos abrir nossos corações para novos aprendizados, novas ideias, novos modos de encarar o mundo, as coisas, as pessoas. Podemos aceitar mais e resistir menos, podemos desenvolver a capacidade de perdoar, a nós mesmos e aos outros, sempre, incondicionalmente. E podemos ser felizes com o que temos, e com o que ainda podemos alcançar. Temos um universo à nossa disposição, e tanta coisa para conhecer e conquistar!

Jesus e a mulher adúltera – visão espírita

A passagem que narra o episódio da mulher adúltera é uma das mais famosas dos Evangelhos. A frase de Jesus dita à mulher adúltera é muito repetida: “Vá e não peques mais”. No entanto, esta passagem não faz parte do texto original do Evangelho de João, onde ela é tradicionalmente encontrada.

Este é o tema deste vídeo, o 15º desta série de estudos sobre o Evangelho de João. Minha visão é predominantemente espírita, mas esta série de estudos transcende quaisquer sectarismos.

Lei de causa e efeito e o pensamento criador

Lei de causa e efeito e o pensamento criador

Artigo publicado originalmente em 21/09/2012

Ouça este artigo na voz do autor

Você conhece a Lei de causa e efeito? Claro que você já ouviu falar, mas entende suas consequências práticas? Talvez o entendimento dessa Lei seja o maior benefício prático que o espiritismo nos oferece. Mas para esse conhecimento ter valor real é preciso compreender que o pensamento é criador.

Compreendendo a Lei de causa e efeito, percebemos que somos os autores de nossas próprias novelas pessoais. Sim, você é o responsável único e direto por toda a sua vida. Não adianta culpar o ambiente, o país, o governo, a política, a família, as más influências, os espíritos obsessores.

Você está no ambiente que merece, nasceu no país apropriado a você, o governo e a política são resultado da sociedade da qual você é um dos membros, sua família é um emaranhado de ligações de muitas reencarnações, más influências e obsessores só têm acesso ao que lhes for semelhante. Você não tem desculpa. Nem eu. Nem ninguém.

Todas as circunstâncias da sua existência de espírito imortal foram provocadas por você. Todas as suas reencarnações, com suas experiências e aprendizados, tudo foi construído por você. Muitas pessoas lamentam não lembrar de suas vidas passadas. Outras acham uma pena não termos contato direto com outras dimensões. Essa impossibilidade é que nos mantém conscientes da vida presente.

Se já é tão difícil termos consciência de nossos atos vivendo apenas essa realidade atual no corpo físico, como seria se tivéssemos milênios de memória e acesso a outros planos?

Você é espírito imortal, mas o seu foco é apenas o presente. Você precisa ter toda a sua atenção voltada para a sua existência atual. O grande problema, o maior entrave às nossas realizações é justamente a dispersão da consciência. Quanto mais tivermos consciência do momento presente, mais fácil será controlar o processo criativo.

Toda a sua realidade é criada a partir do seu pensamento. O seu pensamento é criador. Isso não é segredo. É fato conhecido há milênios, por todas as grandes civilizações do passado. E esse conhecimento vem se propagando e se popularizando cada vez mais. É hora de prestar atenção a essa verdade.

Você cria tudo o que você quer e tudo o que você não quer. Sua mente subconsciente não diferencia verdade e mentira, verdadeiro e falso, sim e não. Sua mente subconsciente trabalha com imagens, dados e emoções. Se algo que você deseja ardentemente se tornar um padrão de pensamento positivo, inevitavelmente isso irá se concretizar. Da mesma forma, se algo que você teme profundamente se torna um padrão de pensamento negativo, certamente isso irá se realizar.

Por que não acontece tudo o que você deseja e tudo o que você teme? Porque a maior parte dos pensamentos positivos e negativos se combatem uns aos outros. Você quer muito alguma coisa, mas ao mesmo tempo tem muito medo de não conseguir. Um pensamento aniquila o outro. Para que haja realização, é preciso que o pensamento seja contínuo, firme e cheio de emoção. A emoção é que desencadeia a conquista.

Um medo pavoroso, uma dúvida cruel, uma história terrível que você cria em sua cabeça, tem muita chance de se concretizar graças à emoção que você experimenta como se fosse verdade. Uma alegria imensa aliada a uma fé inabalável na conquista de algo que você quer de verdade, tem toda a chance de se realizar, graças à emoção que você experimenta como se fosse verdade.

Tudo começa pelo pensamento. E o maior descontrole sobre nossos pensamentos acontece quando fazemos as coisas automaticamente, sem prestar atenção. Nessas horas o pensamento fica livre, sem dono, sem freios, vagando e criando um monte de asneiras. O pensamento é criador. Isso não é modo de dizer; é fato. Quanto antes aprendermos a controlá-lo e direcioná-lo positivamente, melhor pra nós. Estaremos fazendo valer a pena essa passagem pela Terra, nesse momento histórico de disseminação de informações e antigos segredos.

Jesus mentiu? Jesus se contradisse?

Dependendo do olhar que tivermos sobre o conteúdo do Evangelho, é possível, sim, concluir que há contradições no ensino de Jesus. Mas essas contradições são apenas aparentes, não sobrevivem a uma análise mais profunda.

Neste vídeo estudamos o capítulo 7 do Evangelho de João. Neste capítulo Jesus diz que não iria à festa, mas depois vai à festa “em segredo”. Este é apenas um dos vários temas tratados neste capítulo. Este é o 14º vídeo em que interpretamos o Evangelho de João. Consultamos os textos originais gregos, mais de uma dezena de traduções, além das obras de biblistas e estudiosos dos Evangelhos, espíritas e não espíritas. Também temos que mencionar a inspiração que recebemos do Alto durante os meses em que este trabalho foi realizado.

Eu sou o pão da vida – uma visão espírita

O discurso de Jesus conhecido com “o pão da vida” é um dos mais famosos do Evangelho. Essa afirmação de Jesus não há como ser compreendida ao pé da letra. Sem as “chaves” que proporcionam o entendimento adequado, são apenas palavras fortes de sentido obscuro. 

Este é o 13º vídeo desta série de estudos sobre o Evangelho de João, em que ofereço minha interpretação pautada pelo conhecimento dos Evangelhos, inclusive do original grego, e do Espiritismo.

Obsessão de encarnado para encarnado

Obsessão de encarnado para encarnado

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A palavra obsessão dá a ideia de perseguição, mania, ideia fixa. Pois ela pode acontecer de encarnado para encarnado.

Quando se ouve falar em obsessão, imediatamente associamos essa ideia a espíritos desencarnados perseguindo espíritos encarnados. Não é assim com você? Você não pensa logo numa pobre vítima encarnada sendo prejudicada por um obsessor malvado?

Muitas vezes a intenção do espírito desencarnado é proteger sua suposta vítima. Não percebe que sua ação, que sua proximidade, é prejudicial. Há também os que se aproximam por simpatia, em busca de companhia, de algum conforto. Na verdade somos nós que os atraímos com nossos pensamentos, palavras e ações.

Mas quem disse que para haver obsessão precisa ter algum espírito desencarnado participando? Aliás, a palavra obsessão dá a ideia de perseguição, mania, ideia fixa. Pois ela pode acontecer entre encarnados. Não só pode acontecer como acontece frequentemente.

O que a diferencia da obsessão de desencarnado para encarnado, que é o que estamos acostumados a ouvir? A diferença é a maior facilidade de acesso de obsessor para obsediado, já que ambos estão no mesmo plano físico. Isso não impede que essa obsessão aconteça também no astral. Durante o período de sono físico, livre das convenções sociais impostas aos encarnados, o obsessor pode trabalhar mais livremente, mostrando sua verdadeira cara.

Você acha isso assustador? Não se assuste; talvez você passe ou já tenha passado por isso. Um filho que esperneia quando quer alguma coisa, que se joga no chão e grita, ou que faz chantagem emocional, manipulando a mãe: Isso não é um obsessor? Claro que é. Influencia, manipula e domina. Um marido possessivo, que nutre um ciúme doentio pela mulher; que a impede de qualquer proximidade com outros homens, que tem ciúme e faz cenas por causa de artistas, de homens famosos, que tem ciúme do computador e das amizades virtuais: Isso não é um obsessor? Claro que é. Abafa a personalidade da esposa, interfere na sua liberdade, acaba com sua autoestima.

Mas é bom lembrar novamente que nem sempre o que desencadeia o processo obsessivo é mal intencionado. Pelo contrário. Uma característica bastante comum neste tipo de obsessão é o propósito de proteger. E essa “proteção” é exercida de duas maneiras, como Rei ou como Escravo. Observe e veja que provavelmente você conhece pelo menos uma situação assim.

O primeiro tipo é o Rei. É o dominador, a autoridade absoluta em seus domínios, que geralmente é apenas a sua casa. Na sua cabeça, o que ele quer é o melhor para os seus Súditos, que são os seus familiares. Tudo tem que ser como ele quer. É autoritário e acredita que só ele pode tomar decisões acertadas. Às vezes é subserviente no trabalho e desconta suas frustrações de liderança em casa, nos seus Súditos. Seu cônjuge e filhos vivem sufocados sob o seu comando, e ele acha que faz uma grande coisa por eles, interferindo em suas escolhas, atitudes e relacionamentos. É comum que seus familiares sintam-se mal em sua presença. Se muito sensíveis, passam a experimentar conflitos e complexos de culpa por desejarem vê-lo longe.

O segundo tipo é o Escravo. Faz todas as vontades da pessoa a quem escolheu para servir. Tem cuidados extremados, é capaz de fazer todo tipo de sacrifício e até de cometer insanidades pelo bem do seu Senhor. Quase sempre se trata de pessoa só e carente, espécie de “patinho feio” com histórico de rejeição. Precisa de um alvo para direcionar o seu amor e os seus desvelos, procurando, mesmo que inconscientemente, ser reconhecido por alguém no mundo, já que ninguém antes lhe deu atenção. Quer o seu Senhor só pra si, monopolizando seu tempo e sua atenção. Acaba afastando de seu Senhor qualquer pessoa que represente uma ameaça à sua devoção. Com o tempo, seu Senhor termina isolado, dependente do Escravo, sua única e exclusiva companhia.

Você conhece algum desses tipos? Como em todas as relações próximas que mantemos, é preciso buscar suas origens no passado remoto do espírito imortal. Essas relações doentias podem ser fruto de muitas reencarnações, pedindo urgente reajuste.

Observe a si mesmo, observe sua própria vida, verifique se já não ocupou uma dessas posições. Isso pode comprometer irremediavelmente uma passagem pela Terra. Temos que estar atentos e ter coragem de enxergar as coisas com um olhar mais largo, sem nos atermos apenas no instante presente.

A multiplicação dos pães existiu ou é um simbolismo?

A multiplicação dos pães e peixes é considerado um dos principais milagres de Jesus. Embora sabendo que a revogação das Leis de Deus é impossível, aceitamos que Jesus possa ter realizado um fato desconhecido para nós e aparentemente milagroso. Mas será que tudo não passa de um símbolo? Este é o principal tema deste vídeo, o 12º vídeo da série de estudos sobre o Evangelho de João.