Eu sou o pão da vida – uma visão espírita

O discurso de Jesus conhecido com “o pão da vida” é um dos mais famosos do Evangelho. Essa afirmação de Jesus não há como ser compreendida ao pé da letra. Sem as “chaves” que proporcionam o entendimento adequado, são apenas palavras fortes de sentido obscuro. 

Este é o 13º vídeo desta série de estudos sobre o Evangelho de João, em que ofereço minha interpretação pautada pelo conhecimento dos Evangelhos, inclusive do original grego, e do Espiritismo.

Obsessão de encarnado para encarnado

Obsessão de encarnado para encarnado

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A palavra obsessão dá a ideia de perseguição, mania, ideia fixa. Pois ela pode acontecer de encarnado para encarnado.

Quando se ouve falar em obsessão, imediatamente associamos essa ideia a espíritos desencarnados perseguindo espíritos encarnados. Não é assim com você? Você não pensa logo numa pobre vítima encarnada sendo prejudicada por um obsessor malvado?

Muitas vezes a intenção do espírito desencarnado é proteger sua suposta vítima. Não percebe que sua ação, que sua proximidade, é prejudicial. Há também os que se aproximam por simpatia, em busca de companhia, de algum conforto. Na verdade somos nós que os atraímos com nossos pensamentos, palavras e ações.

Mas quem disse que para haver obsessão precisa ter algum espírito desencarnado participando? Aliás, a palavra obsessão dá a ideia de perseguição, mania, ideia fixa. Pois ela pode acontecer entre encarnados. Não só pode acontecer como acontece frequentemente.

O que a diferencia da obsessão de desencarnado para encarnado, que é o que estamos acostumados a ouvir? A diferença é a maior facilidade de acesso de obsessor para obsediado, já que ambos estão no mesmo plano físico. Isso não impede que essa obsessão aconteça também no astral. Durante o período de sono físico, livre das convenções sociais impostas aos encarnados, o obsessor pode trabalhar mais livremente, mostrando sua verdadeira cara.

Você acha isso assustador? Não se assuste; talvez você passe ou já tenha passado por isso. Um filho que esperneia quando quer alguma coisa, que se joga no chão e grita, ou que faz chantagem emocional, manipulando a mãe: Isso não é um obsessor? Claro que é. Influencia, manipula e domina. Um marido possessivo, que nutre um ciúme doentio pela mulher; que a impede de qualquer proximidade com outros homens, que tem ciúme e faz cenas por causa de artistas, de homens famosos, que tem ciúme do computador e das amizades virtuais: Isso não é um obsessor? Claro que é. Abafa a personalidade da esposa, interfere na sua liberdade, acaba com sua autoestima.

Mas é bom lembrar novamente que nem sempre o que desencadeia o processo obsessivo é mal intencionado. Pelo contrário. Uma característica bastante comum neste tipo de obsessão é o propósito de proteger. E essa “proteção” é exercida de duas maneiras, como Rei ou como Escravo. Observe e veja que provavelmente você conhece pelo menos uma situação assim.

O primeiro tipo é o Rei. É o dominador, a autoridade absoluta em seus domínios, que geralmente é apenas a sua casa. Na sua cabeça, o que ele quer é o melhor para os seus Súditos, que são os seus familiares. Tudo tem que ser como ele quer. É autoritário e acredita que só ele pode tomar decisões acertadas. Às vezes é subserviente no trabalho e desconta suas frustrações de liderança em casa, nos seus Súditos. Seu cônjuge e filhos vivem sufocados sob o seu comando, e ele acha que faz uma grande coisa por eles, interferindo em suas escolhas, atitudes e relacionamentos. É comum que seus familiares sintam-se mal em sua presença. Se muito sensíveis, passam a experimentar conflitos e complexos de culpa por desejarem vê-lo longe.

O segundo tipo é o Escravo. Faz todas as vontades da pessoa a quem escolheu para servir. Tem cuidados extremados, é capaz de fazer todo tipo de sacrifício e até de cometer insanidades pelo bem do seu Senhor. Quase sempre se trata de pessoa só e carente, espécie de “patinho feio” com histórico de rejeição. Precisa de um alvo para direcionar o seu amor e os seus desvelos, procurando, mesmo que inconscientemente, ser reconhecido por alguém no mundo, já que ninguém antes lhe deu atenção. Quer o seu Senhor só pra si, monopolizando seu tempo e sua atenção. Acaba afastando de seu Senhor qualquer pessoa que represente uma ameaça à sua devoção. Com o tempo, seu Senhor termina isolado, dependente do Escravo, sua única e exclusiva companhia.

Você conhece algum desses tipos? Como em todas as relações próximas que mantemos, é preciso buscar suas origens no passado remoto do espírito imortal. Essas relações doentias podem ser fruto de muitas reencarnações, pedindo urgente reajuste.

Observe a si mesmo, observe sua própria vida, verifique se já não ocupou uma dessas posições. Isso pode comprometer irremediavelmente uma passagem pela Terra. Temos que estar atentos e ter coragem de enxergar as coisas com um olhar mais largo, sem nos atermos apenas no instante presente.

A multiplicação dos pães existiu ou é um simbolismo?

A multiplicação dos pães e peixes é considerado um dos principais milagres de Jesus. Embora sabendo que a revogação das Leis de Deus é impossível, aceitamos que Jesus possa ter realizado um fato desconhecido para nós e aparentemente milagroso. Mas será que tudo não passa de um símbolo? Este é o principal tema deste vídeo, o 12º vídeo da série de estudos sobre o Evangelho de João.

A paixão e a Lei de atração

A paixão e a Lei de atração

Artigo publicado originalmente em 18/09/2012

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Quando a paixão começa a esfriar, você vai conhecendo a outra pessoa. E começa, lentamente, a prestar atenção ao que você não quer no outro.Você conhece a Lei de atração. Nosso pensamento é creador. Antes você creava o que queria, agora crea o que não quer…

Você já se apaixonou? Claro que sim, né? Pois então você sabe que durante esse período, que costuma durar de alguns meses até dois ou três anos, você idealiza o objeto da sua paixão. Durante essa fase, você transfere para o outro todos os seus anseios, todas as suas fantasias, todos os seus sonhos de amor. Realiza na pessoa amada uma verdade que só existia na sua cabeça.

Mas não é de paixão que quero falar, mas do período que sucede à paixão. Porque durante a paixão não é pela pessoa amada, exatamente, que você se enfeitiça. É por você mesmo. O outro, durante esse tempo, não é um ser real. É sua criação. Logo que a paixão começa a esfriar, você vai conhecendo a outra pessoa. E isso é ótimo, pelo menos no começo. Pois no começo você só vê no outro o que você quer ver. Ou seja, só vê coisas boas. Nesse estágio, o outro já é o outro. Já não é fantasia, já não é uma idealização da sua cabeça. É um ser real. Mas um ser só com virtudes, cheio de boas qualidades.

Com o tempo, você se dá o direito de perceber e se focar em uma ou outra qualidade menos recomendável. Antes você prestava atenção ao que queria no outro. Agora começa, lentamente, a prestar atenção ao que você não quer no outro. Você via tudo de bom. Era o que você queria ver, então via. O mundo, incluindo as pessoas, lhe apresenta exatamente o que você quer.

Alguém chama a sua atenção para algum defeito dele, você nota que ele não é tão habilidoso em determinadas coisas, ele se confessa incapaz de fazer isso ou aquilo. Pronto. Você estava procurando alguém perfeito e tinha encontrado. Agora, procura por imperfeições, e nota que elas são praticamente infinitas.

Ao procurar defeitos em quem até há pouco tempo lhe parecia perfeito, você está cedendo à influência de pessoas infelizes e à influência do hábito nefasto de achar defeitos nas coisas. É claro que se você se focar nos defeitos, vai encontrar defeitos. Cada um de nós é um universo. Cheio de possibilidades. E estamos na Terra, lembra? Somos todos perfectíveis, mas não perfeitos. Onde você havia encontrado tudo o que procurava em alguém, agora você é capaz de encontrar tantos defeitos e imperfeições! Você sempre vê o que quer ver. Ele é como sempre foi. Com todas as virtudes e com todos os defeitos que você achou nele. O que mudou foi o seu foco. Você deixou de procurar só coisas boas e passou a concentrar sua atenção ao que você não quer nele.

Tudo no universo é assim. Você conhece a Lei de atração. Nosso pensamento é criador. Onde está o foco de nosso pensamento, está nosso poder criador. Tudo o que ocupa espaço em nosso pensamento, com força e emoção, acaba se manifestando. Se você quer muito uma coisa, ela se realiza. Se você teme muito uma coisa, ela se realiza. O princípio é o mesmo.

Assim é em relação às pessoas. Escrevi sobre isso recentemente neste artigo: “As pessoas lhe apresentam o que você escolher delas. Você se relaciona bem com as pessoas? Se a resposta for positiva, é porque você é capaz de se concentrar naquilo que você quer nas pessoas. Tenho sido um aluno repetente neste quesito. Mas ainda quero passar por média.

Você tem a tendência de culpar o outro por seus defeitos e falhas (não se aborreça; não estou acusando você de nada. A cada frase que escrevo, me olho no espelho). Mas o verdadeiro responsável pelos defeitos e falhas no outro é você mesmo. Sim, você mesmo. É você que está fazendo questão de enxergá-los. É você que procura argumentos negativos no outro.

Enquanto você se focar no lado negativo, é ele que vai vigorar. Você sempre encontra o que procura. Buscai e achareis, disse Jesus.

Quando a paixão vai perdendo o fôlego, você anseia por recuperar a liberdade. Você acha que não é mais livre, e quer recobrar as rédeas de sua vida. No entanto, talvez você já saiba que só há verdadeira liberdade quando você permitir que o outro seja como ele é, exatamente como ele é. Se você aceita o outro do jeito que ele é, independente de ele aceitá-lo ou não, você está livre, você já não tem amarras. O que lhe rouba a liberdade? É o enfoque negativo, é culpar o outro pelas coisas erradas na sua vida e se sentir responsável por ele. Você só é responsável por você mesmo. E você é totalmente responsável por você mesmo. O que estiver errado em sua vida é responsabilidade sua. Só você pode resolver. Deixe o outro de fora disso. Ele é o que você quiser que ele seja para você. 

Quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna

“Quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna”: como entender essa declaração de Jesus? Será que devemos compreendê-la ao pé da letra? Mas, neste caso, temos que nos perguntar o que seja a vida eterna. Os que acreditam no inferno, na condenação eterna, acreditam na vida eterna, pois a condenação eterna não deixa de ser uma espécie de vida. Além disso, dois terços da humanidade é composta por não-cristãos, pessoas de outras religiões, que nunca tiveram e talvez jamais tenham contato com a “palavra de Jesus”. Será que eles não terão a tão falada vida eterna?

Não podemos compreender os Evangelhos ao pé da letra. Neste vídeo, o 11º da série de estudos sobre o Evangelho de João, tratamos destes e de outros temas, numa visão enriquecida pelo conhecimento espírita.

Deus castiga?

Deus castiga?

Artigo publicado originalmente em 17/09/2012

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Você acha que Deus castiga? Cada um de nós é um universo. Cada um vive o seu universo particular de acordo com suas crenças, de acordo com suas possibilidades e limitações. Há pessoas que temem o castigo eterno, que imaginam o inferno como um lugar físico, real, delimitado no espaço. Os espíritas não creem no sofrimento eterno, mas tenho percebido controvérsias a respeito da aplicação da lei divina. Ela pune ou educa?  Notei algumas dúvidas quando escrevi o artigo “Você e a sua consciência” e me deparei com novas incertezas num estudo entre amigos, na sexta-feira última. Nunca é demais lembrar que tudo o que escrevo é minha opinião, passível de erros e personalismos.

Deus castiga? Deus é pai; eu sou pai. Eu não castigo meus filhos, mesmo que meu modo de educá-los possa ser considerado rígido e ocasionalmente confundido com punição. Se eu, aprendiz falível, não puno, você é capaz de achar que Deus pune?

O que conhecemos de Deus são suas Leis, imutáveis e eternas. As Leis de Deus estão impressas em nossa consciência. É a consciência que nos adverte quando transgredimos a Lei. Essa advertência vem geralmente sob a forma de dor. Poderíamos achar que nós mesmos nos punimos através da consciência.

Mas se a consciência é a impressão das Leis de Deus, e Deus se manifesta através de nós, chegaríamos à conclusão de que Deus nos pune através de nossa consciência. Mas isso é apenas um jogo de palavras e conceitos. A questão não é saber se Deus nos pune diretamente ou através de nossa consciência. A questão é saber se Deus pune.

Deus não pune. Estamos aqui para aprender. Eu, você, todo mundo. O que parece punição é apenas a correção dos desvios que trilhamos, faz parte do processo educativo. Como cada um de nós é um universo, a punição existe para quem acredita nela. Quem ainda desconhece ou não considera devidamente a Lei de causa e efeito pode atribuir as manifestações de sua mente culpada a castigo, a punição. Mas o processo da vida é educativo. Você é espírito imortal reencarnando há milênios sob a crença num deus punitivo. É natural que ainda confunda sentimento de culpa com punição. Assim como é compreensível que alguém que apresenta deficiência física grave possa se sentir punido por Deus.

Ninguém gosta de sofrer. E pode ser trabalhoso, embora necessário, entender que o sofrimento é instrumento de recondução do espírito imortal ao caminho correto, ao caminho traçado por Deus, à Lei de Deus. Tudo o que contraria a Lei de Deus, tudo o que contraria o bem do próximo, é apontado por nossa consciência como erro. E como erro, requer correção. E essa correção gera sofrimento. E o sofrimento é tanto mais doloroso quanto menos o compreendemos. Deus não castiga. Deus não premia. Deus cumpre com a Lei. Deus é a Lei.

A crença na punição denota uma mente culpada. É o caso de quem age em desacordo com seus valores mais íntimos, em desacordo com seus ideais. Há quem se permita comportamentos que considera incorretos por não resistir ao benefício imediato das sensações. Depois sente remorso, mas sem modificar a conduta. A consciência dispara o sinal de alerta em forma de dor, que é confundida com punição. Mas esta dor, por si só, não corrige. É preciso modificar condutas.

É preciso verificar onde erramos, é preciso o arrependimento e é preciso reparar o mal praticado. Os romanos já alertavam: “Dura Lex, sed Lex”. A lei é dura, mas é a lei. A Lei é para ser cumprida, sempre. O resto é choradeira.

A cura do paralítico de Betesda – Espiritismo

A cura do paralítico no tanque de Betesda é um bom exemplo, dado por Jesus, dos mecanismos da Lei de causa e efeito. Ao reencontrar o homem curado, Jesus o adverte: “Não peques mais para que não te suceda coisa pior” – sinal de que o homem havia pecado, anteriormente, para que lhe sucedesse o mal que Jesus conheceu nele. 

Este é o tema deste vídeo; o episódio envolvendo a cura do paralítico de Betesda. Este é o 10º vídeo desta série de estudos sobre o Evangelho de João.

O que é virtude?

virtuoso

Virtude quer dizer força

O que é virtude? O que a virtude representa para você? Você acha que a virtude está fora do seu alcance?

Alguns anos atrás os crimes bárbaros eram noticiados nas páginas policiais. Tinha jornal que, se alguém espremesse, saía sangue. Acho que ainda há jornais assim. Mas eles estão ultrapassados. Com a internet e as redes sociais, crimes de toda espécie se tornaram corriqueiros, e às vezes já não nos chocam mais. 

Lembro de ter ouvido, na infância, sobre alguns crimes chocantes, terríveis. E me perguntava como alguém era capaz de fazer isso, o que passava na cabeça dessa pessoa enquanto cometia o crime.

Quem comete um crime grave está com a mente doente. Em algum momento da sua trajetória espiritual sua mente associou o objeto desse crime a alguma espécie de prazer, e, mesmo sabendo que está errado, o prazer que sente ou a promessa de um prazer futuro fala mais alto dentro de si.

Cometemos pequenos crimes todos os dias. Sempre que fazemos algo que consideramos errado ou quando deixamos de fazer algo que consideramos certo estamos cometendo pequenos crimes contra nós mesmos. Muitas pessoas ainda não despertaram a consciência, ainda não examinam a própria consciência, por isso não sofrem, pelo menos não conscientemente.

Mas quem já tem bem claro dentro de si o que convém e o que não convém, o que deve ser feito e o que não deve ser feito, não tem como enganar a si mesmo. Cada erro que comete, por menor que seja, é imediatamente percebido e registrado pela consciência. É claro que, por ainda estarmos muito longe da perfeição, é normal que ainda cometamos deslizes. Mas não podemos continuar a fazer aquelas coisas que já nos propusemos várias vezes a não fazer.

É o caso dos vícios, da gula, da preguiça, do desejo desenfreado. Cada vez que você recai num erro que havia se proposto a superar, a cobrança interna é imediata. A sua auto-reprovação é muito mais intensa do que o eventual prazer proporcionado pelo seu erro. Persistir no erro, então, é burrice. Mais que isso, é um atentado contra a sua consciência.

Um dia desses uma pessoa respeitável do meu círculo de convívio disse que ainda não somos virtuosos, que ainda estamos longe de conquistar a virtude. A ocasião não era conveniente para debates, mas discordo dessa idéia. Virtude vem do latim virtus, que quer dizer “força”. Estamos exatamente no estágio da força, de usarmos a nossa força para combatermos o mal em nós e permitirmos que o bem que há em nós venha para fora. Ser virtuoso é usar a própria força moral para combater as más tendências e desenvolver cada vez mais características positivas.

Esse esforço deve ser diário, permanente, sem trégua. A sua existência atual vai passar rápido, a minha também. Vivemos dias muito dinâmicos, o tempo voa. Se você quer voltar para o plano astral um pouco melhor do que quando chegou ao plano físico, deve respeitar o tempo e não deixar para vencer a si mesmo depois. A vitória sobre nós mesmos deve ser diária, permanente. Não se permita errar indefinidamente. Respeite-se.

O espiritismo e o complexo de inferioridade

 

dois cachorros

Você se sente inseguro?

Artigo publicado originalmente em 14/09/2012

Ouça este artigo na voz do autor

É em família que vem à tona os complexos de inferioridade que estão impregnados no espírito. 

Você se sente inseguro? Acha que sua aparência física deixa a desejar? Você se sente culpado sem saber de quê? Essas são as características mais comuns nas pessoas com baixa autoestima. Você certamente conhece alguém assim. Aliás, a maior parte das pessoas, talvez uns oitenta por cento, apresenta algum complexo de inferioridade. Só que muitos conseguem conviver com isso. Compensam seus conflitos com valores que reconhecem em si mesmos.

Você é espírito imortal, e traz consigo toda a sua bagagem milenar. Tudo o que você já viveu, em todas as suas reencarnações e nos intervalos entre as mesmas; tudo está gravado em você. E não há como deletar nada do seu arquivo pessoal. Acontece que seu cérebro físico só registra os fatos da sua existência atual; portanto, não há como saber a causa de todas as suas frustrações e inadequações. A soma de toda a sua experiência milenar fez o que você é hoje: você é o resultado de sua própria construção. Todas as suas vitórias e conquistas estão alicerçadas no seu ser. Da mesma forma, seus fracassos, suas quedas e derrotas são coisas que precisam ser resolvidas, mais cedo ou mais tarde.

A cada passagem pela matéria temos nova oportunidade de reajuste, nova chance de colocar em dia compromissos não atendidos, nova chance de cumprir deveres pendentes, nova chance de nos livrarmos de comprometimentos doentios. Sabemos que o lar é o laboratório do espírito imortal. É junto às pessoas mais próximas de nós que resgatamos débitos comprometedores. Também sabemos que muitos lares, talvez a maioria, são ainda muito desajustados, problemáticos, devido ao nosso incipiente grau evolutivo.

Pois é em família que vem à tona os complexos de inferioridade que estão impregnados no espírito. São os membros familiares que servem de instrumento para que ressurja do arquivo milenar toda a carga de conflitos internos. Através de apelidos, de perseguições, de aversão, os familiares descarregam seus próprios problemas e conflitos em algum membro mais frágil.  O complexo de inferioridade se manifesta a partir daí. Surge como ideias que foram recalcadas no inconsciente deste membro familiar ainda na infância. Essas ideias recalcadas encontram sintonia no arquivo milenar do espírito imortal com as ideias nascidas de experiências de outras reencarnações.

Talvez a principal manifestação da baixa autoestima seja a pena de si mesmo. Esse sentimento é um convite para a doença. Conheço pessoas que se sentem absolutamente inferiores, incapazes de qualquer coisa que fuja aos atos mais corriqueiros do dia-a-dia. Essas emoções negativas agem no corpo físico se manifestando através de doenças. Isso é inevitável.

Todos somos, em maior ou menor grau, facilitadores das doenças que adquirimos. Uma mente saudável gera um corpo saudável. Uma mente doentia facilita a entrada e a evolução da doença. A doença, como toda dor, tem uma razão de ser. Você sabe que a dor existe para nos mostrar que algo está errado, que saímos do trilho. Se não existisse a dor física, não sobreviveríamos. Iríamos nos cortar, queimar, esmagar, sem perceber. Pois é a dor que nos mostra que estamos colocando nosso corpo em risco.

Pois a doença serve pra isso, pra mostrar que alguma coisa não vai bem, que é preciso corrigir a rota, que é necessária uma rearmonização. Quase sempre as pessoas com sentimento de inferioridade são exageradamente resignadas, atribuem todas as pequenas e grandes desgraças ao destino, sem reconhecer sua responsabilidade sobre a própria vida. Acabam por descuidarem de si mesmas, tornando-se desleixadas. Tudo isso agrava a sensação de desamor, de inferioridade, desencadeando um perigoso círculo vicioso.

Nunca esqueça, e o espelho à minha frente diz que isso também serve pra mim, nunca esqueça de que somos manifestações divinas. Você é filho de Deus, criado à sua imagem e semelhança, portanto, é perfectível. Aceite o que já existe de bom em você. Se muitas de suas experiências não deram certo, isso não quer dizer que a próxima também não vai dar. Persista, não se entregue! Se não é possível reconstruir toda a nossa experiência nesta vida atual, podemos pelo menos enaltecer nossos valores, que são muitos e são consideráveis.

É sempre bom lembrar que você é capaz de tomar decisões por si mesmo, pois você é único e é quem melhor sabe sobre você mesmo. Não se preocupe tanto em agradar aos outros, seja quem você é de verdade! Sempre é possível mudar o estilo de vida, sempre é possível mudar as próprias crenças, sempre é possível acreditar mais em si mesmo!

Jesus e a mulher samaritana – uma visão espírita

O encontro de Jesus com a mulher samaritana é o tema deste vídeo. Numa abordagem baseada no conhecimento do Espiritismo, analiso e interpreto os ensinamentos eternos contidos por trás do véu das letras do Evangelho. Este é o 8º vídeo desta série de estudos sobre o Evangelho de João – um trabalho inovador que busca resgatar os grandes ensinos de Jesus só percebidos por quem vai além da aparência das palavras.

Sexo astral: sexo com espíritos, sexo dormindo

sexo com espírito

Sexo astral

Um dos artigos que escrevi que mais geram perguntas é Espiritismo e sonhos eróticos. Todos os dias há novos comentários no site, que nem sempre publico por trazerem descrições muito explícitas de sexo. Devo lembrar que qualquer criança pode ter acesso a este site. Por se tratar de um tema-tabu, muitas pessoas preferem enviar suas perguntas por e-mail. Recebo centenas de e-mails por dia. Eu gostaria de responder a todos, mas o tempo não permite. E muitas das perguntas são sempre as mesmas, como é o caso das perguntas relacionadas ao artigo Espiritismo e sonhos eróticos.

Por isso escrevo este artigo: para dirimir as principais dúvidas e esclarecer que não tenho poderes para ajudar ninguém que experimente essa situação. Minha tarefa é esclarecer. A partir daí, quem estiver realmente interessado em solução deve buscar a solução.

Não existe uma nomenclatura específica para isso: no outro artigo, chamei de sonhos eróticos. Não que se trate de sonhos, mas porque essa é a impressão para quem não conhece a realidade espiritual e não tem ideia do que se trata. Mas o nome mais adequado talvez seja sexo astral. Poderíamos chamar de sexo com espíritos, mas nós também somos espíritos. Somos espíritos encarnados, estamos temporariamente animando um corpo físico, mas somos espíritos. Quando morrermos, deixaremos este corpo, mas permaneceremos sendo exatamente quem somos. Teremos os mesmos gostos, os mesmos costumes, as mesmas opiniões, as mesmas tendências, e, quase sempre, a mesma aparência.

Poderíamos chamar de sexo durante o sono, mas em algumas pessoas o nível de consciência é tão alto, e a sensação física tão evidente, que falar de sono não transmite o que essa experiência significa.

O sexo astral a que nos referimos é a experiência sexual, completa ou não, entre um espírito desencarnado e um espírito encarnado. Também é possível haver relação sexual entre dois encarnados desdobrados, mas não consideraremos essa hipótese por ela ser menos provável e por gerar inevitáveis fantasias. Muitas pessoas “viajam na maionese” e podem tentar encontrar o alvo dos seus desejos durante o sono.

Falamos em espírito encarnado desdobrado. Nós somos espíritos encarnados. Durante o período de sono físico, enquanto o corpo físico repousa, o espírito permanece ativo. O que precisa descansar é o corpo, não o espírito. O corpo é uma máquina usada pelo espírito para se manifestar, mas nós somos espíritos. Quando o corpo repousa, então, por ocasião do sono, ficamos parcialmente libertos e vamos em busca daquilo que mais nos interessa. Isso é quase sempre automático, impensado. Saímos do corpo físico com o corpo astral. O corpo astral, também chamado de perispírito ou corpo espiritual, é semelhante ao corpo físico, mas de um outro tipo de matéria que não conseguimos perceber. Não conseguimos perceber o corpo astral através dos nossos cinco sentidos físicos. Mas, quando estamos no plano astral, que é para onde vamos quando dormimos ou quando morremos, este corpo é tão real quanto o nosso corpo físico. O corpo físico é o nosso corpo para o plano físico. O corpo astral é o nosso corpo para o plano astral. Quando morrermos, ficaremos só com o corpo astral, pois o corpo físico terá estragado e irá apodrecer. Quando dormimos, nos libertamos parcialmente do corpo físico, ficando presos a ele apenas por uma espécie de cordão energético, o chamado “cordão de prata”, e mantemos atividade no plano astral com o nosso corpo astral.

O que fazemos? Há pessoas que não fazem nada. Há pessoas que fazem as mesmas coisas que fazem enquanto estão acordadas – isso é comum em quem tem atividades muito repetitivas. Como fazem a mesma coisa o dia todo, automaticamente, durante o sono continuam fazendo a mesma coisa, repetindo os mesmos gestos.

Há pessoas que trabalham em benefício do próximo. Há espíritos trabalhadores esperando por eles que os guiam até outros espíritos, encarnados ou desencarnados, que estejam precisando de ajuda. A energia dos encarnados é importante para os desencarnados. Alguém que morreu doente ou num acidente, por exemplo, pode permanecer com a impressão da doença ou com as sequelas do acidente, e a energia dos encarnados pode restituir a sua saúde.

Há pessoas que passeiam por qualquer lugar, do presente ou do passado. Mas a maioria vai em busca de prazeres. Procuram, no plano astral, aquilo que não podem procurar no plano físico. No plano físico nós desenvolvemos uma determinada personalidade. Você nasceu em uma determinada família, teve uma certa criação, conviveu com pessoas, viu e ouviu coisas, entrou em contato com cultura, religião, valores, opiniões, e foi se moldando conforme foi crescendo.

Você não é no dia-a-dia como você é de verdade. Mesmo que você seja uma pessoa boa, autêntica, sincera, leal, correta. Isso é o papel que você representa, como numa peça de teatro. É claro que, se você interpreta um papel bom assim, é porque você já desenvolveu, ao longo de inúmeras existências, condições para dar conta deste papel. Um espírito menos experiente que você, ou menos esforçado, menos esclarecido, não teria condições de desenvolver uma personalidade como a sua, mesmo que tivesse sido criado com os melhores cuidados e com muito amor.

Nós aprendemos a nos comportar neste mundo, neste plano, nesta sociedade. Reprimimos nossos desejos, nossos sentimentos primitivos, nossas emoções mais negativas, nossos pensamentos mais sombrios. E essa repressão, no caso de um espírito já um pouquinho adiantado, não custa muito esforço. Ele naturalmente sabe o que pode e o que não pode fazer, o que convém e o que não convém desenvolver. Mas a maior parte de nós usa máscaras. Podemos ser honestos, bons maridos ou boas esposas, boas mães, bons pais, cidadãos exemplares, podemos fazer orações, compartilharmos belas mensagens no Facebook, criticarmos os erros dos outros, e, no entanto, cometermos esses mesmos atos que consideramos erros e que criticamos nos outros quando estamos no astral, desdobrados.

Nossa personalidade atual é apenas um nível de consciência que desenvolvemos, mas está longe, muito longe, de ser o nosso verdadeiro “eu”. Somos muito melhores e piores do que isso. Melhores pelo nosso potencial e por toda a bagagem que já temos e que não demonstramos atualmente. Mostramos, na reencarnação atual, apenas uma pequena parte do que já aprendemos e adquirimos em nossa trajetória espiritual.

Mas somos piores no sentido de que aquilo que reprimimos no plano físico ainda não está superado. Podemos ser honestos aqui porque nos propusemos firmemente a isso, mas, no fundo, ainda não superamos essa fraqueza, e, quando desdobrados, revelamos a nossa desonestidade. Podemos ser pacatos no estado de vigília (quando estamos acordados), mas, quando nos desdobramos, saímos atacando todos que nos disseram desaforos ou que contrariaram nossos interesses.

Isso é muito comum com o sexo. Uma pessoa pode ser fiel no casamento e sexualmente bem comportada, mas, no astral, onde não temos as barreiras que nos impomos aqui no plano físico, cai a máscara. Não que isso seja algo pecaminoso ou que deva ser veementemente combatido. Não. Quando tratamos de autoconhecimento, não há espaço para pudores ou puritanismo. Mas isso é fato que muitos conhecem por experiência própria. Já recebi mais de dois mil relatos neste sentido. Uns muito vagos, de pessoas que não sabem explicar o que lhes aconteceu, mas outros claríssimos, com detalhes vívidos como se se tratasse de experiências físicas. Se considerarmos que este é um tema delicado, que gera medo e vergonha, podemos fazer ideia de que muitas outras pessoas passam por isso e não se manifestam a respeito.

O sexo astral pode ocorrer com ou sem consentimento por parte do encarnado. Quase sempre isso ocorre imediatamente depois de dormir ou imediatamente antes de acordar. Nesses dois períodos estamos num estado de consciência ligeiramente alterado, num estado intermediário entre a vigília e o sono; entre o físico e o astral. Muitas pessoas sentem a aproximação do espírito, ou veem o espírito claramente, sentem o seu toque, o seu cheiro, tudo, como se fosse físico, e tentam acordar. Percebem que estão dormindo, num estado que não sabem explicar, querem acordar, tentam se soltar do espírito e não conseguem. Este estado de não conseguir acordar, de não conseguir voltar para o corpo físico, chama-se “paralisia do sono”, ou “catalepsia do sono”, e é bastante comum.

O espírito pode ser conhecido ou desconhecido. Pode ser conhecido de existências anteriores, ou conhecido apenas do plano astral. É importante considerar que essas experiências podem acontecer por muitos anos até que a pessoa perceba o que está se passando.

Nos casos em que o encarnado consente, forma-se uma verdadeira parceria: o espírito desencarnado (ou espíritos; pode ser mais de um) já fica à espera do encarnado quando ele se deita para dormir. Assim que ele pega no sono, o próprio espírito o ajuda a desdobrar-se. No caso de o encarnado manter a consciência, ele vê o espírito no seu quarto, ou já na sua cama.

Se o encarnado não consente, a experiência pode ser bem desagradável. Principalmente se o seu grau de consciência for avançado. Cada pessoa tem um determinado grau de consciência quando se desdobra. A maioria é zero, não lembra de absolutamente nada. Outros têm lembranças vagas; outros sabem que estão dormindo e pensam que estão sonhando. Outros, por fim, têm plena consciência, ficam tão lúcidos quanto você está, neste momento, lendo este artigo.

Por que isso acontece? Porque somos espíritos ainda muito atrasados, e a maior parte de nós permanece presa a desejos carnais. Uma pessoa que é viciada em sexo não vai se livrar do seu vício em sexo só porque morreu. Vai continuar procurando sexo de todas as formas. Além disso, o sexo envolve muita energia. E os espíritos desencarnados ainda muito apegados às sensações da matéria, aos prazeres do corpo físico, sentem falta da energia dos encarnados. Aproveitam-se, então, do sexo, para vampirizar as energias dos encarnados.

Muitos atraem esses espíritos com o seu pensamento permanentemente voltado para o sexo. Em tempos de internet, a pornografia está na cabeça de grande parte da população e se tornou um vício vil e ridículo, que atrai companhias espirituais com o mesmo teor vibratório. Aí embaixo está o meu vídeo “Pornografia numa visão espírita”.

O que fazer para se livrar disso? Para muitas pessoas essas experiências são um verdadeiro tormento. É comum que essas pessoas percam o interesse pelo sexo convencional, deixando, até, de ter relações com os seus cônjuges. Ficam esgotadas sexualmente e energeticamente, sempre cansadas, desanimadas, sem vontade pra nada.

Não há solução mágica, não há truque, não há facilidades para resolver isso. Todos os dias pessoas me pedem ajuda para acabar com isso em suas vidas. Todos os dias eu tenho que dizer que não posso resolver esse problema. Também não tenho como saber quem é o espírito que as persegue sexualmente, se ele é conhecido ou não, ou o que causa isso. Não pergunte; não sei.

É preciso entender que você não tem controle direto sobre o seu nível de consciência no astral. Você se controla aqui, se quiser se controlar. Lá você é como você é de verdade, mesmo que não pareça você como você pensa que você é. Você pode ter essa personalidade certinha hoje, mas nem sempre foi assim. O sexo sempre foi um dos maiores desejos do ser humano. Em algum momento do seu passado você desenvolveu exageradamente o seu lado sexual, e isso pode não estar totalmente resolvido em você.

Orar e pedir ajuda ao espírito protetor sempre é bom. Mas é preciso lembrar que fazemos isso quando ainda estamos acordados. Assim que pegamos no sono, já não temos essa mesma personalidade; cai a máscara, e fazemos o que realmente gostaríamos de fazer se não tivesse ninguém olhando, nem nós mesmos. O espírito protetor não vai nos segurar à força para nos impedir de fazermos o que queremos fazer.

Pela minha experiência e pela observação, vejo duas soluções, as duas bastante trabalhosas. A primeira só vale para aqueles que sentem realmente os sintomas que citei, ou seja, aqueles que se mantém conscientes, que se mantém lúcidos, que sabem o que está acontecendo. Se este é o seu caso, informe-se sobre projeção astral (ou projeção consciente, ou viagem astral; é a mesma coisa). Estudando a projeção astral e desenvolvendo a capacidade de dominar a si mesmo durante a projeção, o problema pode ser solucionado. Dá trabalho; é preciso querer de verdade. Procure vídeos no Youtube do Saulo Calderon e do Wagner Borges. São os melhores especialistas no assunto. Não perca tempo com outros.

A outra solução, válida para todos (aliás, para todo mundo), é a pessoa dedicar-se resolutamente, com muita vontade e decisão, a fazer o bem ao próximo. Seja num centro espírita, numa igreja, numa ONG, ou em qualquer lugar. Mas que se dedique a uma ou mais tarefas específicas, metódicas, que passem a fazer parte do seu dia-a-dia. Nós demoramos algum tempo (semanas ou meses) para que os hábitos que incorporamos aqui no plano físico passem a nos acompanhar no astral. Quando parei de fumar, por exemplo, continuei fumando, por algum tempo, no astral. Até que um dia parei de fumar lá também.

Ao abraçarmos uma atividade útil em benefício do próximo, principalmente de pessoas que não conhecemos, que não fazem parte do nossos grupo familiar, nós nos envolvemos com espíritos trabalhadores que também se dedicam a isso. Formamos novas parcerias espirituais, e, com o tempo, levamos esses hábitos também para o astral.

Essa capacidade de desdobrar-se conscientemente, associada, muitas vezes, à capacidade de ver espíritos, é sintoma de mediunidade. Para saber lidar com a mediunidade é preciso conhecê-la. Para isso há bons livros e há os cursos nos centros espíritas. A mediunidade pode ser uma valiosa ferramenta de trabalho em benefício do próximo.

A solução definitiva para todos os nossos males é a prática do Evangelho de Jesus. Se praticarmos o Evangelho com todas as nossas forças, não teremos esse tipo de problemas. O estudo é necessário. Precisamos de esclarecimento, precisamos saber o que se passa conosco. E para sabermos o que acontece com nós mesmos temos que saber mais sobre a nossa verdadeira natureza espiritual. Sem esclarecimento não vamos para a frente.

Você é um universo

Você é um universo

Artigo publicado originalmente em 13/09/2012

Ouça este artigo na voz do autor

Você é um universo. A sua realidade é só sua, de mais ninguém. Quando você anda por uma rua movimentada, no meio de um monte de gente, você não se confunde com a multidão. Intimamente você sabe que você é você e os outros são os outros. No entanto, cada uma dessas pessoas por quem você passa, cada mulher ou homem com quem você cruza pela rua, é também um universo.

Se você observar cada rosto, sério ou sorridente; cada semblante, distraído ou preocupado; você pode fazer um esforço de imaginação, um exercício de empatia e se colocar no lugar dessa pessoa. Ela também tem todo um mundo dentro de si. Um mundo de desejos e descontentamentos, um mundo complexo como o seu.

Ninguém sabe nada de você. Os outros não conhecem suas motivações, seus sentimentos, sua esperança, seus sonhos e ideais, seus anseios e aspirações, sua fé e sua infinita força interior. O seu mundo interior, o seu universo individual, só é compreendido por você mesmo. Só você sabe o que quer e só você pode conquistar o que quer. Ninguém tem acesso ao seu poder de pensamento a não ser você mesmo, e isso faz de você um ser invulnerável.

Ninguém pode atingi-lo se você não permitir. Não há raiva, rancor, mágoa ou inveja que atinja você se você não der abertura para isso, pois o seu universo é seu e de ninguém mais. Você é espírito imortal encarnado, vivenciando mais uma experiência na carne, sujeito às limitações que a matéria impõe e sujeito às necessidades e desejos que a carne solicita.

Mas você não é escravo das circunstâncias. Você tem plena liberdade, dentro de seu universo individual, para escolher o que convém e o que não convém para a concretização da reforma íntima que você se propôs a realizar.

Se cada um de nós é um universo e se somos tão fechados e invioláveis, o que nos une? Que força irresistível é essa que nos liga uns aos outros? Deus! Deus nos une, Deus nos faz perceber intimamente que o outro é uma outra versão de nós mesmos. O outro é você num contexto diferente. Você vive mergulhado em Deus. Deus se manifesta através de você.

Por isso todo mal é ilusão. O mal é transitório como a ignorância, pois se confunde com ela. O mal é a não manifestação de Deus. A bondade e a grandeza de Deus está toda dentro de você. Para vivê-la plenamente e manifestá-la, basta você aceitar e acreditar. Tudo o que você acredita de verdade acaba por se manifestar.

Esse conhecimento é tão antigo quanto a civilização, talvez mais. E esteve presente em todos os grandes povos da História. Jesus fala abertamente sobre o poder irresistível do pensamento e da oração. Por que custamos tanto a acreditar nisso? Por que para aprender a dominar o pensamento é preciso persistência, vontade férrea.

Não podemos esquecer que estamos na matéria, e algumas situações necessitam tempo para se manifestarem. E uma reencarnação é pouco para fazermos, testarmos e estudarmos tudo o que gostaríamos.

Deus vê o que você faz, ouve o que você diz, sabe o que você pensa, entende o que você sente. Peça e receba. Busque e ache. Bata e a porta se abrirá para você.

Jesus e a cura à distância

As curas à distância, bastante conhecidas no meio espírita, dentre as quais se destacam as chamadas “cirurgias pelo espaço”, são um fenômeno de todos os tempos. Jesus, no Evangelho de João, promove a cura do filho do funcionário real, sem contato com o doente. Este é o tema deste vídeo, o 9° vídeo desta série de estudos sobre o Evangelho de João.

Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus

Mahatma Gandhi espírita

Mahatma Gandhi

Esta é a sétima bem-aventurança ensinada por Jesus de acordo com o Evangelho de Mateus. 

Esse texto é parte integrante do nosso livro Evangelho sem Mistérios, que você pode ler clicando sobre o título.

“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”. Mateus 5:9

Rohden nos lembra que ninguém pode ser pacificador de outros se não for pacificador de si mesmo.

A paz individual produz a paz social. Sociólogos e especialistas das mais diversas áreas oferecem teorias e mais teorias visando a melhora da sociedade. 

Por mais bem-intencionados que sejam, e por mais verdadeiras que sejam as bases dos seus estudos, a sociedade não pode ser mudada em bloco. A sociedade é formada pelos indivíduos, é a soma dos indivíduos, e só a melhora dos indivíduos pode melhorar a sociedade.

Embora todos os esforços em benefício da coletividade sejam louváveis, as únicas conquistas sólidas são as que se dão em nosso íntimo, individualmente. Pode-se alterar legislações e costumes, mas seu efeito será apenas paliativo se os indivíduos não se conscientizarem.

Há uma frase que está na moda: “Quando você muda, o mundo muda”. E é verdade. Quando mudamos, passamos a ver o mundo de outro modo, e a maneira como o vemos determina a influência que passamos a exercer sobre o meio e sobre os seres.

O ambiente psíquico da coletividade é a soma dos ambientes psíquicos individuais. Sempre que melhoramos a nós mesmos estamos melhorando a coletividade. 

Pacificando a nós mesmos é que pacificamos os outros. A paz é tão transmissível quanto um vírus. 

Para ler nosso comentário sobre a bem-aventurança anterior, clique sobre o título: Bem-aventurados os limpos de coração.

Aceitar a vida

 

Mãos se tocando

É preciso aceitar mais…

Artigo publicado originalmente em 12/09/2012

Ouça este artigo na voz do autor

Tudo o que você sente é só você que sente. Parece óbvio, né? Mas nem sempre nos damos conta disso. Quando você tem uma reação qualquer, a emoção é vivenciada por você. Numa situação em que você fica aborrecido ou decepcionado com alguém, é você quem está sofrendo. É você quem fica se corroendo de raiva, ou mágoa, ou tristeza. É preciso aceitar a vida.

A reação que você tem não se dirige à pessoa que lhe prejudicou, ou à situação que lhe atrapalhou. A sua reação se dirige a você mesmo; você é responsável pelas suas reações, pelas suas emoções, pelos seus sentimentos.

Alguém lhe diz um desaforo. Você reage com raiva. Quem lhe deu a raiva? De onde vem a raiva? Quem é o responsável por controlar, desenvolver ou eliminar a raiva? Alguém pode obrigá-lo a sentir raiva?

Tudo o que você sente é responsabilidade sua. Só quem pode exercer controle sobre o que você sente é você mesmo. Claro que temos reações instintivas, e muitas. Não somos espíritos superiores, ainda temos muito de animalesco dentro de nós, e esta reencarnação não será suficiente pra eliminar tudo. Mas se não sabemos evitar a reação instintiva, podemos controlá-la assim que ela seja desencadeada. Esse é um processo consciente, racional. É fácil? Não, mas pode ser treinado, faz parte da reforma íntima. Depende de estarmos conscientes de nós mesmos.

A maioria das nossas ações e reações é automatizada. É bom que seja assim, pois economizamos tempo. Neste momento você está lendo estas palavras. Mas não está lendo letra por letra, como aprendeu na escola. Você está lendo palavras e pequenos grupos de palavras, que seu cérebro decodifica instantaneamente.

O problema é quando automatizamos ações que não são corriqueiras como ler, lavar a louça, dirigir, caminhar. Precisamos ser conscientes da maneira como reagimos às mais diversas situações. Temos que ser observadores de nós mesmos. Senão, como nos conheceremos? E sem nos conhecermos, como controlar nossos instintos?

Precisamos urgentemente resistir menos e aceitar mais. Você percebe como resiste a quase tudo? Quando você resiste às opiniões divergentes da sua, aos pontos de vista diferentes dos seus, você cria uma barreira. E as opiniões, a sua e a do outro, ficam se debatendo contra essa barreira. Quanto mais resistimos, mais a vida se torna um embate, mais nos digladiamos.

Precisamos disso? Claro que não! Temos que ter flexibilidade para aceitar opiniões diferentes das nossas. E temos que ter coragem para adotar algumas dessas opiniões quando percebermos que elas são mais completas, mais acertadas, mais harmoniosas que as nossas. Para isso é preciso ser consciente, é preciso ter as emoções sob controle.

Para quê nos prendermos a uma opinião ultrapassada? Para quê insistirmos em uma opinião avançada demais, supostamente futurista? Vivemos o presente, e o presente é o que deve ser. Não pode ser mudado. Independe de opiniões, independe de gostos, de vontades, de aceitação ou não. O futuro é que pode ser mudado. Quer que as coisas sejam diferentes? Comece a modificá-las; mas aceite o hoje. Aceite os problemas de hoje, as diferenças de hoje, os pontos de vista que os outros têm hoje.

Não se desgaste à toa. Enquanto você fica se contorcendo de raiva, o alvo da sua raiva às vezes nem toma conhecimento dela. É você que sente os efeitos destrutivos dela. Assim com a mágoa, com o inconformismo, com a não aceitação. Economize energia para usá-la construtivamente.