Ajuda-te e o céu te ajudará

Morel Felipe Wilkon

ajuda de deus

Esperando que Deus venha salvá-lo…

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Tudo o que temos é empréstimo, tudo pertence a Deus. Não existem favores, o que existe é merecimento. Ajuda-te e o céu te ajudará.

Somos creaturas divinas, fomos feitos para progredir e destinados à felicidade. Por mais dificultosa que nos pareça a vida, sempre há ajuda à nossa disposição. Quando o auxílio material nos falta, o apoio de amigos espirituais permanece. Não haveria lógica alguma se estivéssemos fadados a padecer sem chance de melhora, sem a oferta de assistência divina.

O espírito protetor

Nem sempre temos tudo o que desejamos. Mesmo que nossos desejos, às vezes, sejam mais necessidades do que desejos propriamente ditos, nem sempre essas necessidades são atendidas. Não nos cabe revolta ou desespero. Tudo o que nos acontece é resultado de situações que provocamos no passado. Se não encontramos as causas aqui, elas estão em outras existências. A privação, as dificuldades que se nos apresentam são provas que devemos superar para alcançarmos um estágio mais elevado. São lições que devemos aprender. A Vida nos oferece boas oportunidades de aprendizado. Se não as aproveitamos, se desperdiçamos as chances de progredirmos pelo Amor da Vida, aprenderemos pela dor. A estrada evolutiva é uma reta. Se nos desviamos, sofremos as consequências e temos que voltar ao caminho.

Pelo amor ou pela dor

Muitos não se conformam com a vida que tem. Acham injusto, descreem de Deus, veem apenas uma fresta da realidade e julgam como se fossem donos da verdade. Alguns desses são os intelectuais vaidosos do seu pouco saber; outros, muitos outros, são apenas revoltados que não se dão ao trabalho de ler, de estudar, de se instruir, de se esclarecer, de procurar saber mais, de buscar as causas do seu próprio sofrimento e do sofrimento alheio.

A verdade vos libertará

Todos temos que fazer a nossa parte. Um grande músico, tocando o seu instrumento com perfeição, emociona quem tem sensibilidade musical. Mas ele não aprendeu isso em uma semana ou em um mês. São anos e anos de esforço, determinação, persistência, dedicação e amor. Um craque do futebol, driblando metade do time adversário e marcando um gol decisivo emociona multidões. Até seus adversários o admiram. Mas ele não aprendeu a dominar a bola através de uma milagre. Desde a infância que ele se dedica incansavelmente à bola.

Superar-se a si mesmo dá trabalho. Na hora de colher os aplausos da plateia ou da torcida tudo é lindo e maravilhoso. Mas foi necessário trabalho duro para chegar a esse ponto.

Todos somos filhos de Deus, creados à sua imagem e semelhança, portanto, somos perfectíveis. Todos precisamos da ajuda de Deus que nos é oferecida através dos espíritos trabalhadores e amigos. Mas não podemos esperar que Deus ou o espírito protetor ou algum santo ou anjo faça por nós o que compete a nós mesmos fazer.

Milhões de pessoas participam de concursos públicos. A esmagadora maioria não estuda. Eles acham que podem passar “na sorte”. Enquanto eles contam com a sorte, alguns milhares estudam incessantemente, arduamente, e passam. Não adianta contar com a sorte sem estudar, não adianta rezar pra santo, fazer promessa, pedir ajuda pro espírito protetor. A parte do estudo compete ao estudante, não ao espírito protetor. A ajuda está sempre ao nosso dispôr, mas temos que fazer a nossa parte. Podemos pedir ao espírito protetor, todos os dias, que nos mantenha em bom ânimo, para que estejamos atentos e nossa memória não falhe por nervosismo. Há canditatos que perdem o ônibus, que esquecem o comprovante de inscrição ou a caneta, que têm falhas na memória, que têm dor de barriga. O auxílio espiritual nos ajuda a ficarmos em paz e tranquilidade e evitarmos essas situações. Mas estudar compete exclusivamente ao candidato.

Há quem atribua tudo a Deus, aos santos, ao anjo da guarda. Passou no concurso porque o espírito protetor o ajudou. Foi promovido porque Jesus interferiu. Recebeu uma herança graças ao seu santo preferido. Tudo o que temos é empréstimo, tudo pertence a Deus. Devemos ser sempre gratos a Deus, em todas as circunstâncias. Mas as coisas não acontecem graças a este ou àquele. Não existem favores, o que existe é merecimento. Ajuda-te e o céu te ajudará.

Continua …

A César o que é de César e a Deus o que é de Deus

 A César o que é de César, a Deus o que é de Deus; à matéria o que é da matéria, ao espírito o que é do espírito. Este é um dos temas do capítulo 20 do Evangelho de Lucas, que estudamos neste vídeo. Outros assuntos tratados neste capítulo são a parábola dos lavradores maus, a ressurreição, e a diferenciação entre o homem Jesus, chamado filho de Davi, e o Cristo. Este é o 25º vídeo de uma série de 30 vídeos em que analisamos e interpretamos o Evangelho de Lucas a partir de um entendimento espírita.

Por que reencarnamos

Morel Felipe Wilkon

Tome posse do seu poder!

Artigo publicado originalmente em 16/07/2012

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Por que será que reencarnamos tantas vezes? Pela dificuldade que temos em obter o controle sobre nós mesmos, sobre nossa mente, sobre nossas ideias.

Você acredita que é bom o suficiente para fazer o que você faz? Você acredita que pode fazer mais do que você está fazendo? Nós sempre podemos fazer mais e melhor do que estamos fazendo. Todos nós. Eu, você, todo mundo.

Por que não fazemos? Por causa das limitações que nos impomos. Desde crianças construímos algumas imagens distorcidas da realidade, em que dizemos a nós mesmos que não somos bons o suficiente. Eu disse desde crianças, né? Mas há quantos milênios estamos alimentando essa crença na limitação de nosso poder? Há quantas reencarnações trazemos conosco o conceito errôneo de que não somos capazes de realizar determinadas coisas?

Pelo ângulo do espírito imortal que somos, não sabemos exatamente o que é o melhor para nós. Não temos conhecimento e experiência suficientes para calcular os prós e contras de cada oportunidade que nos aparece, de cada situação com que nos deparamos. Mas temos em nossa natureza a noção do que é o melhor. Tudo o que fazemos pensamos ser o melhor. Mesmo quando agimos mal, mesmo quando cometemos erros brutais, sempre o fazemos pensando ser o melhor para a ocasião.

É preciso muito tempo e experiência para aprendermos a calcular os resultados de nossas ações, para elaborarmos uma noção mais desenvolvida do que é o melhor. Por que será que temos que reencarnar tantas vezes? Justamente pela dificuldade que temos em obter o controle sobre nós mesmos, sobre nossa mente, sobre nossas ideias. Nosso aprendizado é lento, mas sólido. Depois que apreendemos conceitos morais importantes, não voltamos atrás. A reforma íntima alcançada é patrimônio seu. A elevação moral é um caminho sem volta.

Mas o fato é que sempre queremos o melhor. Sempre queremos ser melhores, sempre queremos fazer melhor do que estamos fazendo. Você não? Espere um pouco. Seja sincero com você mesmo. Não tem ninguém observando, é só você e sua consciência: Você acha que o que você faz é o seu melhor? Em todas as áreas de sua vida: pessoal, familiar, profissional, enfim; você dá o melhor de si?

Se você lembrar que você é imagem e semelhança de Deus, portanto perfectível, é claro que tem muito o que melhorar, em todos os setores da sua vida. Mas é preciso ter cuidado para não confundir essa cobrança interna com sentimento de culpa. Tudo o que você faz é tentativa de acerto. Não deixe de tentar. Não desista nunca. Mas aceite a verdade: você é imagem e semelhança de Deus, e tudo o que você faz de errado, são tentativas frustradas de assumir sua perfeição.

Você tende à perfeição, você será perfeito um dia, a perfeição existe dentro de você. É isso mesmo. Toda a perfeição já está dentro de você, e tudo o que você pensa, fala e faz são tentativas de assumir, de tomar posse dessa perfeição que já é sua, que já lhe pertence.

Pense melhor de você! Queira melhorar, sim. Mas, antes de mais nada, queira melhor a você mesmo! Aceite a ideia de que você pode muito, muito mais. Você tem o poder infinito de Deus dentro de você. Assuma o seu cargo de filho de Deus, tome posse do seu poder. Ele é seu.

Mensagem de Emmanuel – Avareza

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 Mensagem em áudio

Mensagem de Emmanuel no livro Vinha de Luz, psicografado por Chico Xavier: AVAREZA

“E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a vida de cada um não consiste na abundância das coisas que possui.” – (LUCAS, 12:15.)

Fujamos à retenção de qualquer possibilidade sem espírito de serviço.

Avareza não consiste apenas em amealhar o dinheiro nos cofres da mesquinhez.

As próprias águas benfeitoras da Natureza, quando encarceradas sem preocupação de benefício, costumam formar zonas infecciosas. Quem vive à cata de compensações, englobando-as ao redor de si, não passa igualmente de avaro infeliz.

Toda avareza é centralização doentia, preparando metas de sofrimento.

Não basta saber pedir, nem basta a habilidade e a eficiência em conquistar. É preciso adquirir no clima do Cristo, espalhando os benefícios da posse temporária, para que a própria existência não constitua obstáculo à paz e à alegria dos outros.

Inúmeros homens, atacados pelo vírus da avareza, muito ganharam em fortuna, autoridade e inteligência, mas apenas conseguiram, ao termo da experiência, a perversão dos que mais amavam e o ódio dos que lhes eram vizinhos.

Amontoaram vantagens para a própria perda. Arruinaram-se, envenenando, igualmente, os que lhes partilharam as tarefas no mundo.

Recordemos a palavra do Mestre Divino, gravando-a no espírito.

A vida do homem não consiste na abundância daquilo que possui, mas na abundância dos benefícios que esparge e semeia, atendendo aos desígnios do Supremo Senhor.

Dez perguntas sobre sexo na visão espírita

Morel Felipe Wilkon

uma visão espírita do sexo

O leitor Marcio enviou dez perguntas sobre sexo na visão espírita. Como tantos outros, quer saber o posicionamento do Espiritismo em relação a assuntos que envolvam o sexo.

Todos os dias recebo perguntas a respeito. Nem sempre posso responder, então aproveito as questões bem formuladas pelo Marcio para esclarecer dúvidas que atingem muitas pessoas e que nem sempre são abordadas com clareza.

Deixo claro que o Espiritismo não se pronuncia sobre essas questões especificamente. Minhas respostas, evidentemente, refletem a minha opinião. Mas esta opinião é pautada na Doutrina, na literatura espírita e através dos conhecimentos e experiências adquiridos pela observação. Por estar seguro de minha interpretação doutrinária, dispenso longas e incômodas citações de autores consagrados.

As palavras em azul contém links que levam a outros artigos sobre os temas abordados.

1 – Como o Espiritismo analisa a questão da castidade e virgindade pregada pela Igreja Católica como lei divina e virtude moral gloriosa,  símbolo de pureza e santidade que deve ser praticada até o casamento?

- A ideia de manter-se casto surge em primeiro lugar com o apóstolo Paulo. Paulo ensinava que tudo é lícito, mas nem tudo convém. Aconselhava às pessoas que se mantivessem no mesmo estado em que estavam quando entraram em contato com o Cristianismo. Quem fosse casado que permanecesse casado; quem fosse solteiro deveria permanecer solteiro. Paulo achava que, abrindo mão do sexo e do casamento, os homens poderiam dedicar-se de corpo e alma à causa cristã.

Mais tarde, com Santo Agostinho, a ideia de castidade ganha força. Agostinho, pelo que deixa entrever nas suas “Confissões”, era obcecado por sexo. Tinha muito desejo e sofria por isso. Mais tarde, quando a idade o ajudou a libertar-se do desejo, teve a má ideia de acusar o sexo como uma coisa totalmente negativa, como se o sexo, em si, fosse o culpado pelo desejo desenfreado das pessoas. Para Agostinho, sexo só para procriação. Mesmo dentro do casamento, para ele, o sexo era sujo e feio.

Isso são opiniões destes dois homens. Opiniões, apenas isso. Jesus não se manifestou a respeito.

Sexo não é sujo, nem feio, nem errado. Sexo é troca de energias, e energias divinas, pois através delas as pessoas são atraídas umas às outras e nós temos a oportunidade de reencarnar. Sexo deve ser feito com afeto e responsabilidade, pois somos corresponsáveis pelo que despertarmos no outro.

Pelas energias que movimenta e pelas emoções que desperta, a prática sexual requer maturidade. Somos responsáveis pelos nossos pensamentos, palavras e ações, sempre. Com o sexo não é diferente. Se há afeto e responsabilidade, o sexo é troca de energias divinas. Se o que há é só desejo carnal, a prática sexual é manifestação de instintos animais que ainda sobrevivem em nosso íntimo.

 2 – Como a Doutrina analisa a sentença da Igreja Católica que fala que a Justiça Divina poderá corrigir com duros revezes as pessoas que exercerem o sexo desvinculado e fora do casamento, mesmo que essas pessoas justifiquem o ato dizendo que o fizeram com amor e com respeito ao parceiro? Do ponto de vista espírita não haveria algum carma negativo no ato sexual pelo prazer, simplesmente, sem o compromisso de namoro sério?

 - O posicionamento da Igreja a esse respeito reflete a opinião dos teólogos, não a orientação de Jesus. Se Jesus julgasse importante que o sexo só fosse praticado estritamente dentro do casamento, ele teria se pronunciado a respeito. No tempo de Jesus a mulher era um objeto do marido, era um bem como qualquer outro. O adultério era proibido para a mulher, não para o homem. Os costumes mudaram, a mulher tem direitos iguais e, consequentemente, responsabilidades iguais.

Carma é uma palavra do sânscrito que quer dizer ação. A toda ação corresponde uma reação. Ao nos envolvermos sexualmente com alguém, somos responsáveis pelo que este envolvimento possa gerar, fisicamente, emocionalmente, moralmente. Por isso a necessidade de respeito e afeto. O sexo só por prazer, mesmo que praticado com o consentimento dos envolvidos, pode ocasionar sequelas emocionais, como sensação de culpa, arrependimento ou a paixão sem reciprocidade. Responderemos pela eventual dor ou desequilíbrio que causarmos em quaisquer pessoas, isso inclui o sexo.

 3 – Como a doutrina enxerga a liberdade sexual da mulher? Como algo positivo ou como algo degradante nos dias atuais?

 - Homens e mulheres são espíritos, portanto, têm direitos e deveres iguais. Nos espíritos reencarnados como homens predomina a atividade, nos espíritos reencarnados como mulheres predomina a passividade. Mulheres são mais delicadas e sensíveis que os homens, e devem fazer valer a liberdade recentemente conquistada para tornarem os relacionamentos afetivo-sexuais mais delicados e sensíveis, mais humanos e menos animais.

A liberdade feminina tem cerca de cinquenta anos. É, portanto, ainda uma novidade, ainda não alcançou o necessário equilíbrio social. Se a mulher usa a sua liberdade para imitar os homens, para fazer o que os homens fazem há séculos, ela está subutilizando a sua potencialidade e abusando dos direitos conquistados. Os homens se aproveitaram durante séculos e milênios da sua liberdade sexual para satisfazerem seus instintos sem se importarem com as consequências, sem se lembrarem que a sua parceira sexual, seu objeto de desejo, é um ser com sentimentos, anseios e ideais.

A mulher deve usar a sua liberdade para tornar os envolvimentos afetivo-sexuais mais amorosos e elevados, exigindo essa mesma postura dos homens.

4 – Como o Espiritismo vê os casais amasiados? Eles estariam vivendo em desacordo com a Lei Divina ou não? Várias religiões condenam duramente os amasiados. Justifique a sua resposta.

- A palavra “amasiado” deriva do latim “amare”, amar. Se é realmente o amor que prevalece, não há nada a ser reprovado. A Lei Divina não estabeleceu normas para a união de duas pessoas que se querem bem. O casamento civil e religioso é invenção dos homens. Somos espíritos, e para o espírito não faz diferença uma folha de papel ou as palavras sacramentais decoradas por um religioso, por mais respeitável que seja.

As religiões tradicionais têm sua origem num tempo em que imperava o regime patriarcal, em que quem dava as regras do jogo era o homem. O homem, para preservar os seus direitos, criou normas que favorecessem a manutenção destes direitos. Os povos eram mais rudes e ignorantes, necessitavam de regras bem estabelecidas que regessem as suas relações. A mulher era propriedade do homem, e o casamento legal era como um contrato que estabelecia a posse do homem sobre a mulher.

O amor é do espírito, não da matéria. Os espíritos unem-se por afeto, não por práticas legais ou sacramentais.

5 – O beijo na boca é proibido por várias religiões porque representa, na visão deles,  uma intimidade pertencente somente aos casados. Portanto, o casal somente poderia se beijar no altar depois do casamento, o contrário disso seria um ato egoísta e pecaminoso de exploração sexual de ambos os namorados. Como a Doutrina esclarece essa questão?

- É bom lembrar que a Doutrina Espírita não é um código de certo X errado, de pode X não pode. A Doutrina Espírita enfatiza, sempre, a consciência livre. Não há proibições, o que há é a proposta de conscientização de nossas responsabilidades.

Alguns povos antigos viam no beijo na boca uma comunhão entre dois seres, pois ao beijar na boca estamos “provando o gosto de alguém”, e absorvendo parte da substância deste alguém. O mesmo sentido de comunhão era visto na refeição em comum. Quando duas ou mais pessoas se reúnem para fazer uma refeição, comendo os mesmos alimentos, elas estão ingerindo uma mesma substância, todas passam a ter, dentro de si, algo em comum. Este, aliás, é o sentido da “santa ceia”, em que Jesus compartilhou o pão e o vinho com os seus discípulos. Ao compartilharem todos do mesmo alimento, todos estão em comunhão, estão comungando de alguma coisa.

Isso acontece com o beijo, até mesmo energeticamente. O beijo também é troca de energias, e ao beijar alguém estamos comunicando a este alguém os nossos sentimentos e emoções mais íntimos. Tudo envolve intenção e responsabilidade.

6 – O pensamento religioso dogmático cristão prega que o único lugar para o ser humano manifestar o seu impulso sexual que agrada a Deus é dentro do matrimônio, fora dele tudo é pecado… tipo: sexo solitário, masturbação a dois, toques em partes íntimas, pornografia, olhares ardentes, visualização de pessoas nuas ou seminuas, fantasias sexuais com alguém não casado, fetiches e intensos desejos de prazeres. Como a Doutrina Espírita esclarece essa questão?

- A questão sexual exige muito cuidado pelo grau de energia que envolve o sexo. Sempre sintonizamos com os espíritos, encarnados ou desencarnados, que mantêm os mesmos desejos, ideias, sentimentos e ideais que nós. Focando-nos no sexo, real ou imaginário, com ou sem o estímulo de imagens, estamos sintonizando com milhares de mentes que alimentam esses mesmos desejos. Nosso desejo inicial, então, é potencializado pela soma dos mesmos desejos externalizados por milhares de mentes sedentas de sexo. Por isso nascem os vícios, as fixações mentais; por isso o aumento incessante da pornografia e do sexo banalizado. A prática sexual, seja ela qual for, requer afeto e responsabilidade. Fantasias que envolvam outras pessoas devem ser evitadas. Fantasias sexuais, mesmo entre casados, formam imagens mentais que são vistas ou sentidas por espíritos que sentem-se atraídos pelo seu conteúdo. Essas imagens são, na verdade, convites para que outros espíritos participem da relação. Não modificamos nossos interesses, gostos e tendências só porque desencarnamos. Quem era viciado quando encarnado permanece viciado depois de desencarnar. Poder-se-ia dizer que o espírito viciado morre mas não desencarna, pois continua ligado aos interesses e desejos materiais. Para satisfazerem os seus desejos, espíritos viciados e sem escrúpulos aproximam-se dos encarnados que sentem e desejam o mesmo que eles. A linguagem primordial do espírito é o pensamento. Pelo pensamento entramos em sintonia com os nossos semelhantes, inevitavelmente. O sexo, ou mesmo a masturbação, só deve ser praticado se houver desejo suficiente que dispense quaisquer artifícios mentais. Se há necessidade de fantasias é porque o desejo não é suficiente para alcançar a satisfação. Logo, não havendo desejo premente, não há porque haver prática sexual. Sexo é energia. Não convém conter essa energia forçadamente nem liberá-la sem critério. A palavra-chave, como em tudo, é equilíbrio.

7 – Como a Doutrina Espírita analisa o discurso de Paulo de Tarso nas suas epístolas referente à questão sexual? Vários filósofos e teólogos acusam Paulo de ser o principal precursor do pensamento neurótico sexual  da Igreja pelos seus escritos em que ele enfatiza uma intensa pureza sexual com jejuns, penitências e martírios.

- Novamente lembramos que a Doutrina não se pronuncia sobre todas as questões especificamente. A Doutrina orienta ao uso da razão, e pelo uso da razão temos condições de analisar que a intenção de Paulo era boa, e suas recomendações não eram assim tão severas.

O desejo sexual exacerbado nos prende à matéria. É impossível conciliar desejo carnal e elevação espiritual. Estamos encarnados, temos corpos físicos sensíveis ao prazer e à dor, e faz parte do uso do livre-arbítrio optar pelo prazer. O prazer é necessário em nosso estágio evolutivo. A busca por prazer nos estimula ao progresso. Mas nesta busca nos movimentamos praticamente apenas nos aspectos materiais da vida, quando nosso grande objetivo é o progresso do espírito. Paulo, então, propunha a superação do desejo para facilitar a elevação moral e espiritual.

Sabemos que forçar a natureza tem as suas consequências. Se represarmos um rio sem lhe dar vazão, a represa pode se romper e causar grandes danos. Por outro lado, a civilização só foi possível porque o homem conseguiu usar a natureza a seu favor, construindo diques, canais e barreiras de modo a aproveitar racionalmente os recursos dos rios, em torno dos quais se formaram as primeiras cidades.

O mesmo cuidado devemos ter com o sexo. Não impedir o seu fluxo normal com barreiras estanques, mas controlar o seu fluxo para tirar dele o melhor proveito para o corpo e o espírito.

8 – Qual o significado da passagem bíblica em que Jesus fala que aquele que olhar para uma mulher cobiçando ela estará em seu coração já adulterando com ela? Seria uma condenação ao desejo sexual ou atração física pelo sexo oposto?

- Não há nada de errado em apreciar a beleza de alguém. Uma das características da evolução é a apreciação do belo. Mas desejar sexualmente alguém, se um ou os dois forem comprometidos, é, sim, adultério em pensamento. A relação só não é concretizada por falta de coragem ou oportunidade.

A monogamia é necessária para disciplinar os desejos, as intenções, as emoções, os sentimentos e os pensamentos. Convém, então, que as pessoas já comprometidas eduquem seus próprios desejos, canalizando-os para o parceiro. Também é aconselhável evitar que o alvo do desejo seja uma pessoa já comprometida. Não nos esqueçamos de que não existe segredo. Vivemos imersos num oceano de pensamentos, em que somos reconhecidos pelas imagens que externalizamos com nossos desejos, emoções e intenções.

Mas este ensinamento de Jesus não se limita a essa questão. Jesus está nos demonstrando, com isso, que o nosso pensamento é a origem de tudo, que tudo nasce com o nosso pensamento, e que, controlando os pensamentos, teremos condições de controlar nossas palavras e ações.

9 – Qual seria o “raio x” do Espiritismo acerca do uso da camisinha? Seria positivo ou seria um estímulo ao sexo descartável?

- Pode ser as duas coisas, dependendo da intenção. É prática responsável por manter o planejamento familiar, para evitar filhos em relacionamentos que não comportam essa responsabilidade em comum ou para proteger-se de doenças.

A decisão sobre ter ou não ter filhos compete a cada um. A consciência de cada um sabe os motivos pelos quais resolve ter filhos ou evitá-los, e, como em todas as decisões, arca com a responsabilidade.

O sexo descartável existiria com ou sem camisinha.

10 – Como o Espiritismo encara o drama da AIDS? As pessoas deveriam se abster do sexo para evitar uma trágica e mortal infecção ou elas só poderiam realizar o ato sexual depois de submeter o parceiro ao teste de HIV, evitando, assim, o sexo de risco, já que hoje qualquer pessoa pode ter a doença?

- O cuidado que todos devemos ter é em relação aos sentimentos do próximo. O ideal, mais do que exigir exames, é examinar os sentimentos antes de envolver-se sexualmente com alguém. Guardadas as devidas proporções, exigir teste de HIV para realizar o ato sexual é o mesmo que pedir teste de gripe ou virose para dar beijo na boca.

O Espiritismo orienta que sigamos a moral do Cristo. Se fizermos isso, naturalmente seremos responsáveis a ponto de cuidarmos da própria saúde e de zelarmos pela saúde do próximo. Enquanto não chegamos todos neste estágio ideal, o uso da camisinha, como mencionado na resposta anterior, cumpre a sua função nesses casos.

O Espiritismo não é dogmático, então não oferece uma lista de “certo” e “errado”. O Espiritismo ensina que as Leis de Deus estão em nossa consciência, e, de acordo com elas, sabemos intimamente o que convém e o que não convém.

Todas as questões acima giram em torno da responsabilidade. Quem fica com alguém sem compromisso, só pelo prazer momentâneo, pode fazer isso várias vezes sem prejudicar nem a si mesmo nem ao outro. Mas não há como saber o que pode resultar de um encontro íntimo aparentemente sem compromisso. Uma lei de trânsito cabe aqui: “Na dúvida, não ultrapasse”. 

Jesus e Zaqueu – Os vendilhões do templo – visão espírita

O encontro de Jesus com Zaqueu e a expulsão dos vendilhões do templo, tratados numa visão espírita, são os principais temas deste vídeo, ambos componentes do capítulo 19 do Evangelho de Lucas. Este é o 24º vídeo de uma série de 30 vídeos em que interpreto e analiso o Evangelho de Lucas numa abordagem pautada no Espiritismo.

Quando você julga o outro você mede a si mesmo

Morel Felipe Wilkon

Quando você julga o outro você mede a si mesmo

Artigo publicado originalmente em 27/06/2012

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É incrível a facilidade com que julgamos os outros. Como disse Jesus, vemos o cisco no olho do próximo, mas não enxergamos a trave em nosso olho… “Não julgueis, para não serdes julgados”. Você já ouviu isso em algum lugar? É uma advertência clara de que toda má ação que você comete gera prejuízo para você mesmo, porque quando você julga o outro você mede a si mesmo.

Você não é capaz de perceber um defeito que não conhece. Se lhe mostrarem o motor quebrado de uma nave espacial e lhe perguntarem onde está o defeito, você não vai saber dizer. Ou vai? Suponho que não. Enfim, você só nota aquilo que conhece. Os defeitos, os erros, as falhas que você vê nos outros são falhas que você tem, em maior ou menor grau. Como é que você nota quando alguém está sendo malicioso? Porque você conhece malícia. Se não conhecesse, não perceberia.

Como é que você cuida os erros alheios e não cuida os seus próprios?  Como é que você é tão severo com as falhas do outro e sempre arruma uma desculpa pras suas? Como é que você fica tão indignado ao perceber os defeitos do próximo e se sente tão injustiçado quando apontam os seus defeitos? Dois pesos e duas medidas.

Apontamos os defeitos dos outros numa tentativa ridícula de nos destacarmos, pois nos elevamos a nossos próprios olhos e diminuímos o próximo com nossas conclusões tortas e nossos julgamentos fraudulentos. Não se esqueça de que aqueles defeitos e erros que você, espírito imortal, não apresenta neste atual passeio terrestre, provavelmente já teve e cometeu em outras experiências. Sem falar que ninguém está livre de errar ainda pro futuro…

Não vamos virar santos da noite para o dia. Não há fórmula mágica para a reforma íntima. Mas será que não podemos nos tornar desde já um pouquinho mais tolerantes? Não é por bondade que falo. Ao ser severo com alguém, você está sendo severo com você mesmo. Você entende isso?

Quem você acha que nos julga? Deus? Deus nos deu a consciência. A consciência se encarrega de observar, analisar e julgar. Sim, somos nós que nos julgamos. Quando você sente remorso por um erro cometido, quem é que está julgando você? Não é você mesmo? Não é a sua própria consciência que fica martelando na sua cabeça, lembrando a todo instante que você errou e precisa corrigir-se?

Pois é assim que funciona. Nós somos nossos juízes. E nos julgamos com a medida que usamos para julgar os outros. Por isso, quanto mais severo você for com as falhas do próximo, mais severo você será com as suas próprias falhas. A vida em sociedade é um espelho em que você se vê refletido naqueles que o cercam. Por isso eu disse que não estava falando por bondade. Você é bom? Ótimo, pare de julgar por sua bondade. Você não é bom? Então não seja burro, não prejudique a si mesmo sendo tão severo condenador!

Mensagem de Emmanuel – Não se envergonhar

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 Mensagem em áudio

Mensagem de Emmanuel no livro Vinha de Luz, psicografado por Chico Xavier: NÃO SE ENVERGONHAR

“Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem.” – Jesus. (LUCAS, 9:26.)

Muitos aprendizes existem satisfeitos consigo mesmos tão-somente em razão de algumas afirmativas quixotescas. Congregam-se em grandes discussões, atrabiliários e irascíveis, tentando convencer gregos e troianos, relativamente à fé religiosa e, quando interpelados sobre a fúria em que se comprazem, na imposição dos pontos de vista que lhes são próprios, costumam redargüir que é imprescindível não nos envergonharmos do Mestre, nem de seus ensinamentos perante a multidão.

Todavia, por vezes, a preocupação de preservar o Cristianismo não passa de posição meramente verbal.

Tais defensores do Cristo andam esquecidos de que, antes de tudo, é indispensável não esquecer-lhe os princípios sublimes, diante das tarefas de cada dia.

A vida de um homem é a sua própria confissão pública.

A conduta de cada crente é a sua verdadeira profissão de fé.

Muito infantis o trovão da voz e a mímica verbalista, filhos da vaidade individual, junto de ouvintes incompreensivos e complacentes, com pleno esquecimento dos necessários testemunhos com o Mestre, na oficina de trabalho comum e no lar purificador.

Torna-se indispensável não se envergonhar o aprendiz de Jesus, não em perlengas calorosas, das quais cada contendor regressa mais exasperado, mas sim perante as situações, aparentemente insignificantes ou eminentemente expressivas, em que se pede ao crente o exemplo de amor, renúncia e sacrifício pessoal que o Senhor demonstrou em sua trajetória sublime.

Por que Deus permite a dor e a maldade?

Morel Felipe Wilkon

deus e a dor

Por que a dor?

Por que Deus permite a dor e a maldade? Não poderia haver um meio de evolução mais ameno, em que progredíssemos espiritualmente sem experimentarmos tanto sofrimento? O leitor Ricardo Felice formulou o questionamento que publico a seguir. O tema é recorrente, o que me exigiu uma resposta um pouco mais longa do que o habitual. Boa leitura!

Oi Morel!

Acompanho seu trabalho há alguns anos e gostaria muito de lhe perguntar a maior dúvida que tenho nesse mundo, dúvida que durante toda a minha vida tive dificuldade de entender e anda me incomodando muito. Seu dia deve ser extremamente corrido pra ficar lendo e respondendo os vários recados que chegam a você, então ao menos se essa minha dúvida puder ficar como sugestão pro seu próximo tema na página do Espírito Imortal eu já agradeceria muito!

Meu nome é Ricardo, tenho 23 anos, vejo espíritos desde os meus 5 anos e acompanho sempre seu site Espírito Imortal. Acompanho você desde os meus 20 anos. Já aprendi muito com você e reforcei muito do que já sabia também, sempre fiquei feliz porque acho que suas opiniões pessoais sobre assuntos diversos se parecem muito com as minhas, então me sinto menos sozinho nas minhas opiniões e feliz por existirem pessoas nesse mundo como você cuja evolução espiritual me inspira a melhorar sempre quem eu sou.

Parabéns pelo seu incrível trabalho de divulgação e esclarecimento do espiritismo através da internet, tenho certeza que todo seu esforço e trabalho está sendo uma grande contribuição pra esse mundo e sem dúvida nenhuma pra muitas pessoas que lhe acompanham e procuram por esclarecimento. É um grande trabalho que você faz em prol das pessoas que buscam mais esclarecimento nesse mundo.

Enfim, tentando não enrolar e lhe fazer perder muito tempo, minha maior dúvida e tristeza nesse mundo é a dificuldade de entender toda a maldade que é permitida existir nele. Eu até entendo o motivo, mas não consigo deixar de sentir uma decepção profunda com Deus pelo fato dele permitir ela existir. Eu sei que estamos aqui pra passar por diversas superações no intuito de aprimoramento da alma, sei que colhemos o que plantamos em vidas passadas, sei que tudo de ruim que fazemos teremos que reparar depois e que todo mal que recebemos já é uma maneira de repararmos erros antigos e ao mesmo tempo nos fortalecermos e evoluirmos.

Até criei uma teoria que chamo de ciclo do bem e do mal, que é o seguinte:

Pra mim o ”mal” e o ”bem” não são nada mais que sinônimos pra “pouco esclarecido” e “mais esclarecido”. O mal é a definição e derivação do pouco esclarecimento de um indivíduo ou grupo deles, assim como o bem é e deriva de um esclarecimento maior, porque quanto mais a gente evolui mais entende a importância do amor e a necessidade de fazer o bem ao próximo.

Mas o mal é importante pro bem, assim como o bem pro mal, porque tudo de ruim nesse mundo acontece por causa de pessoas mal esclarecidas (más), logo, pessoas mais esclarecidas (boas) ajudam essas más e nesse processo ajudam as más a evoluírem mais até se tornarem boas. As que já eram boas evoluem mais ainda nesse processo e deixam de voltar a esse mundo nas próximas vidas, pois já não precisam mais. Agora serão substituídas pelas antigas pessoas más, que agora são boas e ajudarão outras más, tornando-se mais boas ainda e assim por diante. É um ciclo perfeito!

Quero apenas que você entenda que eu sei o porquê da necessidade do mal, do sofrimento e de tudo de ruim que acontece. É a melhor maneira que Deus achou pra nós evoluirmos nosso amor e quem somos. Nós aprendemos e evoluímos muito mais com a dor do que com o amor. Só que mesmo sabendo disso não consigo concordar, eu sei que não sou ninguém pra discordar do que Deus julgou como a melhor maneira pra nós evoluirmos, sou um mero humano pouco esclarecido ainda, mas acho que eu tenho o direito de não concordar com esse sistema, de discordar da necessidade de toda essa maldade.

Na minha opinião nós poderíamos aprender só pelo amor. Claro que seria muito mais lento o processo, porque eu entendo a importância da dor, mas o que importa demorar muito mais? Somos eternos, não precisa de tanto sofrimento e maldade assim apenas pra ser mais rápida e eficiente nossa evolução e aprendizado.

Eu fico extremamente decepcionado quando vejo mulheres que foram estupradas, pessoas apanhando até a morte, animais que são judiados e espancados, pessoas torturadas, pessoas que morrem queimadas numa aflição enorme. Uma natureza onde um animal come a carne do outro, mata e causa sofrimento ao outro – existem animais que não matam imediatamente a presa, comem ela lentamente, viva, a presa sente aflição até poder finalmente morrer, especialmente os insetos são assim.

A própria existência da dor física pra mim já é muito decepcionante, me entristece, acho uma coisa horrível. Aqui em MG, meu Estado, descobriram uma mulher morta com um cabo de vassoura enfiado até a metade nas suas partes íntimas, disseram que ela foi muito torturada e estuprada antes de morrer. Quanta maldade com a coitada, ela podia ter sido o pior ser humano do mundo na vida passada dela, mesmo assim não acho que merecia algo tão horrível.

Quantas coisas tristes e macabras, quanta aflição, dor moral e física inimagináveis acontecem com tantas pessoas e animais nesse mundo, e Deus permite acontecer. Mesmo que seja com o objetivo de desenvolver o amor cada vez mais, não consigo deixar de me sentir muito decepcionado com Deus por permitir isso. Pra mim não importa o motivo nem o objetivo dos espíritos superiores por trás de uma mulher ser esfaqueada e estuprada na frente dos filhos, nada pra mim justifica isso ou faz isso valer a pena, na meta de chegar no amor não deveriam permitir essas coisas tão horríveis.

Deus poderia criar um outro sistema de aprendizado e evolução espiritual, mas julgou ser esse o melhor e permite todo esse sofrimento acontecer, por isso não consigo gostar dele e nem ser fiel a ele, a Deus. O próprio Jesus morreu torturado e em extrema dor e aflição, de uma maneira extremamente brutal e horrível. Deus podia ter aliviado pra ele e ajudado ele nesse momento, mesmo que essa tenha sido a escolha de Jesus, não importa, não podia ter deixado ele sofrer daquele jeito no final, assim como tanta crueldade que acontece de tantas maneiras e com tantos seres vivos, não acho que esses meios sejam os corretos pra se chegar na verdadeira evolução e amor durante nossa jornada.

Não consigo gostar de Deus por isso e nem acreditar no sistema que ele criou de evolução, isso acaba me deixando triste e meio sem rumo às vezes, porque eu não queria um sistema que envolvesse tanta crueldade, queria que as coisas fossem apenas com o amor, podia até ter a dor e as superações que são muito importantes, claro, mas não desse jeito tão macabro e cruel, com tantas atrocidades. Demoraria muito mais pra evoluirmos, mas não precisaríamos ver tanta crueldade com tanta gente e animais. Entende como eu penso? Não consigo deixar de me sentir muito triste com a tristeza dos outros e a aflição horrível que muitos seres vivos passam, aí depois da tristeza que sinto vem a raiva e decepção com Deus por ter permitido. Mas ainda tenho esperança de que algum dia, depois que eu desencarnar, eu veja que na verdade não era bem assim, que as coisas e esse sistema na verdade são bem melhores e menos cruéis do que eu enxergo agora. O que você acha? Abraço, Morel.

 - Sempre que me deparo com este tema a primeira imagem que me vem à cabeça é o tamanho insignificante da Terra quando comparada a outros planetas do nosso sistema solar, como Saturno e Júpiter, e, mais ainda, quando comparada ao próprio Sol. E o Sol é uma tímida estrela de 5º grandeza, em meio a centenas de bilhões de outras estrelas que compõe a nossa Via-Láctea. E a Via-Láctea é uma entre centenas de bilhões de galáxias.

A Terra vista de longe é um minúsculo grão de areia. E cada um de nós, dentro da Terra, corresponde a uma partícula de pó. Este vídeo dá uma vaga ideia da nossa pequeneza.

Temos consciência, temos pensamento contínuo, raciocinamos, temos memória, imaginação. Isso nos faz refletir, o que é bom. A capacidade de reflexão é um grande avanço para espíritos atrasados como nós. Mas só somos capazes de refletir a respeito de dados que conhecemos. E as razões do funcionamento das Leis de Deus só podem ser compreendidas infimamente por nosso pequeno intelecto.

O maior responsável pela nossa incompreensão talvez seja a imagem antropomórfica que ainda fazemos de Deus. Mesmo que não tenhamos sido criados com esta imagem, ela nos acompanha há milênios. Nos acostumamos a imaginar o Creador como um super-homem à semelhança do Zeus dos antigos gregos ou um velho barbudo como o Jeová da Bíblia.

O que conhecemos de Deus são as Suas Leis. Como não temos capacidade de compreender Deus, atribuímos a Ele características que consideramos as mais elevadas. Mas, por mais que nos esforcemos, nossa imagem de Deus é apenas a maior ideia que conseguimos formular. Deus não pode ultrapassar a nossa capacidade de entendimento. Assim, cada um O concebe de acordo com a sua compreensão e alcance mental.

Analisando, mesmo que timidamente, a imensidão do Universo, chegamos facilmente à conclusão de que há seres incalculavelmente mais experientes que nós. Eles compreendem Deus de acordo com o seu entendimento, que é imenso se comparado ao nosso raciocínio incipiente.

O primeiro filme que a minha filha Sofia assistiu foi o Bambi. Nunca esquecerei a sua tristeza, o seu choro sentido quando percebeu que a mãe do Bambi havia sido morta pelo caçador e que o Bambi não teria mais mãe. Como explicar para uma criança de três anos que isso faz parte do processo da vida?

Relatei essa experiência da Sofia neste artigo: Espiritismo e a empatia

Mas como pai de cinco filhos (por enquanto) sei perceber as reações que os conhecimentos e experiências agregam a eles. E percebo claramente que a sensibilidade à dor alheia, o conhecimento da dor, a empatia proporcionada pelo contato com a dor é um dos fatores que moldam o caráter da Sofia, fazem dela um ser melhor.

A dor é incompreensível apenas se estivermos focados nela. Quando nos distanciamos da dor compreendemos o seu caráter ilusório. Se eu disser isso a alguém que tenha passado recentemente por um grave acidente, que tenha “perdido” mulher, filhos pequenos, pai e mãe, e que tenha ficado tetraplégico, ele possivelmente irá me amaldiçoar. Mas é verdade.

Conheço a dor. Não enfrentei grandes tragédias, mas conheço a dor moral. Houve momentos de grande dor em que eu trocaria minha dor por praticamente qualquer dor. Não todas; sabemos que há dores terríveis. Mas já invejei moradores de rua, por exemplo. No auge da dor uma situação degradante, como morar na rua, já me pareceu algo ameno e despreocupado. É que a visão que fazemos da dor é influenciada pelo nosso egoísmo…

Hoje, distante da dor, percebo o quanto ela foi importante para a consolidação de meus valores morais. É claro que se eu pudesse retroceder no tempo faria outras escolhas, escolheria caminhos que evitassem a dor. Aprendemos com os erros. Mas não é só isso. A dor não é apenas fruto de más escolhas. Você citou os animais, e sabemos que os animais, não tendo consciência, não têm livre-arbítrio, logo, não são responsáveis por suas escolhas. A dor é um estímulo necessário para o progresso. Tudo na natureza precisa de um estímulo para que haja a transformação. Sem a dor ficaríamos estagnados. Para que haja a chuva é preciso que a água evapore. Para que a semente brote é preciso que ela seja destruída. Para que a Terra se tornasse habitável para os humanos foram necessários bilhões de anos de transformações, de destruição e reconstrução em novos moldes.

Além disso, a dor, sozinha, não existe. A dor é percebida e sentida de acordo com o grau de conscientização. É sabido que os primeiros cristãos morriam devorados pelas feras no coliseu. Morriam cantando e dando graças a Deus.

A maldade das pessoas é pura ignorância, é uma deturpação transitória da natureza divina. Se houvesse limite para a maldade haveria limite para o livre-arbítrio, nosso poder de escolha seria limitado, não teríamos a mesma liberdade, e, consequentemente, o progresso seria finito. É o mesmo poder de escolha que opta pelo bem ou pelo mal. Alterando um dos pólos, o outro também seria atingido. O mesmo em relação à dor. O oposto da dor é o prazer. Dor e prazer são reações da nossa sensibilidade. O único modo de limitar a dor seria limitar a sensibilidade, e isso afetaria, igualmente, a nossa capacidade de sentir prazer.

Precisamos nos afastar do foco da dor para percebermos a sua função benéfica. Se tivermos em mente que somos imortais, que a nossa percepção de tempo é provisória, que temos a eternidade pela frente, os momentos de dor que experimentamos em nossa infância espiritual neste planeta desaparecem. Assim como as preocupações de uma criança de cinco anos não são as preocupações de um adulto maduro, também a dor e a maldade das pessoas, que parecem fugir do que esperaríamos de Deus, mostrar-se-ão facilmente compreendidas quando amadurecermos mais.

As Leis de Deus são perfeitas; o fato de nossa compreensão ser ainda insuficiente para apreendê-las não modifica a sua aplicação a tudo e a todos. E uma das Leis de Deus é a Lei de sintonia. Ao nos focarmos na dor, seja ela real ou imaginária, presencial ou à distância, em nós ou nos outros, estamos sintonizando com a dor. Sempre sintonizamos com as mentes que estejam focadas na mesma faixa vibratória que nós. Focando-nos na dor perceberemos cada vez mais dor, atrairemos para nós situações de dor. “A quem tem, mais será dado”, disse Jesus. Ao nos focarmos na dor estamos contribuindo para a sua manutenção no planeta. Cada pensamento que emitimos sintoniza com pensamentos semelhantes, fazendo com que o pensamento inicial seja potencializado pela soma dos pensamentos de mesmo teor.

Hoje é comum, através das redes sociais, o compartilhamento de cenas terríveis de dor e maldade. Isso produz, através da soma dos pensamentos e sentimentos focados nestes temas, uma massa psíquica coletiva capaz de estimular mais e mais dor.

Temos muito a aprender, temos muito que progredir. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, também disse Jesus. Através do conhecimento e da aplicação do conhecimento nos libertaremos da maldade e da dor. E então, mais maduros e desenvolvidos, teremos condições de avaliar melhor o que hoje nos parece incompreensível.

Apenas temos que evitar qualquer revolta contra Deus. Somos imagem e semelhança de Deus. Somos partículas divinas. Revoltar-se contra Deus é revoltar-se contra a nossa própria natureza, mesmo que inconscientemente. O melhor a fazer é manter bons pensamentos e sentimentos na mente, não consumir assuntos que tratem da maldade e da dor, contribuir com o que estiver ao nosso alcance para a extinção da dor, e pedir inspiração a Deus para que possamos cada vez mais compreender as Suas Leis.

Alguns pontos da sua argumentação devem ser corrigidos ou melhor analisados.

Você diz: “(…) todo mal que recebemos já é uma maneira de repararmos erros antigos e ao mesmo tempo nos fortalecermos e evoluirmos”.

- Não é verdade. O mal que recebemos, ou a dor que experimentamos não são capazes, por si mesmos, de reparar os nossos erros. O mal ou a dor que nos atingem são estímulos para que retifiquemos a caminhada evolutiva, para que abandonemos atitudes equivocadas, mas isso passa pela nossa compreensão,  aceitação e consequente mudança de atitude. Há espíritos, encarnados e desencarnados, que sofrem por décadas ou séculos e não movem uma palha para mudarem a situação em que se encontram. É necessário esse esclarecimento porque ainda há, no meio espírita, a  crença errônea de que a dor cura, liberta ou repara. A dor é um mecanismo; a decisão de mudar é nossa.

Você diz entender “o porquê da necessidade do mal, do sofrimento e de tudo de ruim que acontece. É a melhor maneira que Deus achou pra nós evoluirmos nosso amor e quem somos.”

- O mal, o sofrimento e tudo de ruim que acontece só é necessário na medida de nossas imperfeições e teimosia em não seguir as Leis de Deus. E isso não é a melhor maneira que Deus achou para a nossa evolução. Deus não é um legislador humano que quebrou a cabeça buscando solução para administrar o Universo creado por ele mesmo. Deus não legisla, Deus É a própria Lei. Deus é a causa primária de todas as coisas, então a Lei decorre do fato de Deus Ser, assim como nós somos decorrência de Deus. O que há, antes de tudo e por trás de tudo, é Deus. Nós somos decorrência de Deus. Para O compreendermos, então, é preciso que estejamos em harmonia com Ele. Pois, se não O entendemos, é porque estamos desviados da Lei, e, se estamos desviados da Lei, estamos em desarmonia com Deus.

Você diz: “Nós aprendemos e evoluímos muito mais com a dor do que com o amor.”

- Isso só é verdadeiro em nossos estágios iniciais de evolução, em que não temos a consciência desenvolvida. As Leis de Deus estão gravadas em nossa consciência. Assim que despertamos a consciência já sabemos o que fazer e o que deixar de fazer. Assim, o estímulo da dor já não é necessário, e se ainda o experimentamos é por nossa inadequação consciente à Lei. Mas falamos apenas do que conhecemos, e não temos ideia de como seja a vida em outros mundos. É possível que a dor, tal como a conhecemos, seja uma característica do nosso planeta justamente para abrigar espíritos renitentes na ignorância como nós. Acredito que o que você julga um mundo ideal seja realmente o que predomina no Universo, e que estejamos na Terra por nossa própria teimosia. Como Deus é infinitamente misericordioso, sempre nos proporcionando novas oportunidades, temos este planeta-reformatório como uma nova chance para o nosso reajustamento com a Lei.

Você diz: “Pra mim não importa o motivo nem o objetivo dos espíritos superiores por trás de uma mulher ser esfaqueada e estuprada na frente dos filhos”.

- Os espíritos superiores não comandam as nossas vidas, não somos marionetes em sua mãos. Os espíritos superiores procuram organizar e planejar nossa evolução, mas somos sempre responsáveis por nós mesmos, e não cabe a nossos superiores espirituais interferirem em nossas vidas. As lições competem a nós. Um pai não pode fazer o dever de casa pelo seu filho, pode  e deve orientá-lo, mas o dever compete ao filho.

Não há efeito sem causa. Os crimes bárbaros que nos chocam têm, como tudo o mais, a sua origem no passado. A vítima de hoje quase sempre é o algoz de ontem. Se retornarmos indefinidamente no tempo, em busca das origens do mal que acomete estes espíritos hoje, encontraremos sempre a teimosia em não prestar atenção ao que diz a consciência. Quem não ouve a voz da consciência em seus estágios iniciais, atrai a dor automaticamente como um mecanismo de alerta, pois esta é a Lei. Se, então, retrocedendo várias existências, chegarmos ao ponto em que a consciência estava recém despertando e quisermos “cortar o mal pela raiz”, estaremos interferindo na Lei. E a Lei não admite interferências, pois, alterando a sua aplicação sobre um espírito, automaticamente outros espíritos envolvidos seriam atingidos e estaria decretada a Injustiça. Ou a Lei é para todos ou não é para ninguém. Como ela funciona para todos, não há como cortar os seus efeitos.

Você diz: “Deus poderia criar um outro sistema de aprendizado e evolução espiritual, mas julgou ser esse o melhor e permite todo esse sofrimento acontecer, por isso não consigo gostar dele e nem ser fiel a ele, a Deus.”

- Quando você diz que Deus julgou melhor esse sistema, dá novamente a ideia de um deus humano, um legislador arbitrário, quando na verdade somos nós que não temos condições de compreendê-lo. Não se pode mostrar as diferentes nuances de cores numa aquarela a um cego, não se pode mostrar as peculiaridades harmônicas da música barroca a um surdo, eles não estão de posse das faculdades necessárias para apreciarem essas artes. Pois nós não temos, ainda, as faculdades imprescindíveis à correta análise da Lei.

Ser fiel a Deus não é defendê-lo com unhas e dentes. E se eu defendo a Lei neste momento é por estar convencido de que este é o caminho, não por compreender perfeitamente. Não defendo a Lei como um religioso que defende Deus. Defendo a fidelidade a Deus por ser exatamente este o meio que nos leva à Sua compreensão. A fé ensinada por Jesus no Evangelho, que no texto original grego se chama pistis, que muitas vezes é traduzida como crença, é na verdade a fidelidade a Deus. Mas esta fidelidade não é à imagem de um velho barbudo, não é a fidelidade a um livro, não é a fidelidade a princípios que não compreendemos bem. Fidelidade a Deus é fidelidade à Lei. É harmonia com a creação divina, é sintonia com a Lei. Precisamos estar em sintonia com a Lei para compreendê-la. Deus é a Lei. Sintonizar com a Lei é estar de pleno acordo com ela, é o caminho que Jesus nos ensinou.

Você diz: “O próprio Jesus morreu torturado e em extrema dor e aflição, de uma maneira extremamente brutal e horrível, Deus podia ter aliviado pra ele e ajudado ele nesse momento, mesmo que essa tenha sido a escolha de Jesus, não importa, não podia ter deixado ele sofrer daquele jeito no final”.

- Talvez a imagem que você faça de Jesus seja influenciada pelos conceitos que o cristianismo tradicional estabeleceu. Nos passam uma ideia de Jesus sofredor, permanentemente pregado na cruz. Chamam Jesus de “cordeiro de Deus”, como se ele tivesse sido sacrificado para aplacar a ira do velho barbudo. Não é nada disso. Jesus é incalculavelmente superior a nós. Sabemos de faquires que dominam a dor. É claro que Jesus sentiu dor física, mas, se um faquir domina a dor, é evidente que o sofrimento de Jesus nada teve de anormal. Jesus morreu. Pessoas morrem todos os dias. Hoje morreu o Eduardo Campos, anteontem morreu o Robin Williams. Jesus não é um heroi porque morreu. A dor física que ele sentiu não acrescenta nada a ele. Jesus veio nos ensinar o caminho reto das Leis de Deus, a dor física que experimentou foi apenas um mal necessário. Jesus não queria nenhum alívio para ele. Jesus compreende Deus, e sabe que a evolução exige esforço. Foi Jesus que nos trouxe a imagem de Deus como um pai amoroso e bom.

Teria muito mais a dizer, o tema é instigante e as dúvidas a seu respeito são recorrentes. Agradeço ao Ricardo pela clareza com que expôs seu pensamento.

O jovem rico – Uma visão espírita

O jovem rico é um dos temas abordados neste vídeo, a partir de uma visão espírita sobre o Evangelho de Lucas. Outros episódios são o perigo das riquezas, a parábola da viúva e do juiz iníquo, a parábola do fariseu e do publicano, Jesus e as crianças, e a cura do cego Bartimeu, todos eles do capítulo 18 do Evangelho de Lucas. A temática predominante neste capítulo, como deixo claro no vídeo, é o ensino de Jesus sobre a sintonia que devemos manter com Deus através das Suas Leis. Este é o 23º vídeo de uma série de 30 vídeos em que analiso e interpreto o Evangelho de Lucas.

Chega de se fazer de coitado!

Morel Felipe Wilkon

Chega de coitadismo!

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Ouça este artigo na voz do autor

Artigo publicado originalmente em 12/07/2012

Chega de ter pena de si mesmo, chega de se fazer de coitado, chega de enganar a si próprio! Você quer o melhor. Você merece o melhor.

Você gosta do sucesso? Você aprecia a riqueza? Claro que sim, né? Mas responda pra você mesmo: Você acha que sucesso e riqueza são coisas boas? Se você ficou em dúvida, deve rever seus conceitos…

A cultura cristã deturpada pode fazer pensar que o sucesso está vinculado a orgulho, prepotência, pecado. A riqueza, também: ganância, materialismo, pecado. Desde quando aproveitar o que Deus nos oferece é pecado? O sucesso, em qualquer área, profissional, artística, esportiva, social, é sempre bom. O sucesso é o normal da Vida. Se você segue o curso normal da Vida, que é a Vontade de Deus, você tem sucesso. Você sabe o que é a Vontade de Deus. É pensar só o bem; é falar só o bem; é fazer só o bem. Simples, né?

Então por que achamos que há algo de errado em desejar sucesso e riqueza? Por causa de nossa incompetência. Não aprendemos a usar o poder da mente, não aprendemos a direcionar nosso pensamento criador para as coisas certas. Então é mais fácil botar defeito no sucesso e na riqueza dos outros.

Vivemos mergulhados na cultura do coitadismo. Parece que ser pobre é virtude, ser doente é uma benção, ser burro e incompetente é sinal de humildade! Humildade não tem nada a ver com condição financeira ou escolaridade. Humildade é permanecer no seu devido lugar, nem acima, nem abaixo. Humildade é conseguir ver as coisas sem fantasias, é estar focado na própria consciência.

Esta certamente não é a primeira reencarnação em que ouvimos isso: Nós somos o que pensamos. Esse segredo, que de secreto não tem nada, nos foi dito há quase dois milênios. Sabemos que é verdade. Eu sei, você sabe. Você é uma usina de energia! E o seu pensamento é a formatação dessa energia. Você nunca parou pra pensar sobre “o que” é o pensamento? Pensamento é energia. Energia é matéria. Matéria são coisas. Então, os pensamentos são coisas. O que você faz com essas coisas que se chamam pensamentos?

O pensamento é criador, acredite. Ou melhor, não acredite. Experimente. Mude seu padrão de pensamentos. Substitua a postura de vítima por uma postura de vitória e alegria. Chega de render culto às desgraças! A vida não é o monte de desgraças que a televisão empurra pra cima de você. Não se importe com as crenças dos outros. Respeite-as, só isso. Você não tem nada a ver com elas.

Você acha que reencarnamos uma vez atrás da outra só pra pagar por erros do passado, expiar, sofrer, resgatar? Ou você entendeu errado ou lhe ensinaram errado. Ou as duas coisas. Tudo o que plantamos temos que colher. O hoje é o resultado do ontem. Mas o que você faz do hoje é você quem escolhe. A maneira como você colhe hoje o que você plantou ontem é você quem decide. Não é pra “pagar pecados” que reencarnamos. Uma das coisas que temos que aprimorar a cada reencarnação é exatamente o domínio da mente. E o domínio da mente se dá pelo controle dos pensamentos.

Chega de ter pena de si mesmo, chega de se entupir de desculpas esfarrapadas, chega de enganar a si próprio! Você quer o melhor. Você merece o melhor. Concorda? Claro que sim, você é filho de Deus! Você é imagem e semelhança do Criador, portanto, perfectível. Queira sempre o melhor para si e para os outros. Purifique seus pensamentos, em relação a si e em relação aos outros. Cuidado com o que você fala, a palavra tem poder realizador. E faça. Realize. Ponha em prática o que você sabe que precisa fazer. Está bem?

Mensagem de Emmanuel – Para o alvo

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 Mensagem em áudio

Mensagem de Emmanuel no livro Vinha de Luz, psicografado por Chico Xavier: PARA O ALVO

“Prossigo para o alvo.” – Paulo. (FILIPENSES, 3:14.)

Quando Paulo escreveu aos filipenses, já possuía vasta experiência de apostolado.

Doutor da Lei em Jerusalém, abandonara as vaidades de raça e de família, rendendo-se ao Mestre em santificadora humildade.

Após dominar pela força física, pela cultura intelectual e pela inteligência nobre, voltou-se para o tear obscuro, conquistando o próprio sustento com o suor diário. Ingressando nos espinhosos testemunhos para servir ao próximo, por amor a Jesus, recebeu a ironia e o desamparo de familiares, a desconfiança e o insulto de velhos amigos, os açoites da maldade e as pedradas da incompreensão.

O convertido de Damasco, no entanto, jamais desanimou, prosseguindo, invariavelmente, para o alvo, que, ainda e sempre, é a união divina do discípulo com o Mestre.

Quantos aprendizes estarão, atualmente, dispostos ao grande exemplo?

Espalham-se, em vão, os convites ao sublime banquete, debalde envia Jesus mensageiros aos estudantes novos, revelando a excelência da vida superior. A maioria deles, contudo, abrange operários fugitivos, plenamente distraídos da realização… Perdem de vista a obra por fazer, desinteressam-se das lições necessárias e esquecem as finalidades da permanência na Terra. Comumente, nos primeiros obstáculos mais fortes da marcha, nas corrigendas iniciais do serviço, põem-se em lágrimas de desespero, acabrunhados e tristes. Declaram-se, incompreensivelmente, desalentados, vencidos, sem esperança…

A explicação é simples, todavia. Perderam o rumo para o Cristo, seduzidos por espetáculos fugazes, nas numerosas estações da jornada espiritual, e, por esquecerem o alvo sublime, chega de modo inevitável o instante em que, cessados os motivos da transitória fascinação, se sentem angustiados, como viajores sedentos nos áridos desertos da vida humana.

A preguiça mental

Morel Felipe Wilkon

A preguiça mental

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Artigo publicado originalmente em 15/06/2012

Você sabe identificar a preguiça mental? a preguiça de pensar, a preguiça de escolher por si mesmo, a preguiça de elaborar raciocínios mais complexos.

Você pensa por si mesmo? Você tem disposição para diferenciar o certo do errado? Preguiça eu sei que você não tem, por isso nem vou perguntar.

Não tem, né? Tudo bem, eu sei que ninguém é perfeito (ainda). Mas eu não me refiro à preguiça física, me refiro à preguiça mental. Um dos grandes males que afligem a população e que não é divulgado ou comentado nos veículos de comunicação tradicionais. Por que não falam sobre isso? Porque lhes convém, é isso que eles querem.

Você usa a internet, que ótimo. Ela nos proporciona todas as informações de que precisamos, basta saber procurar. Mas a maioria da população ainda segue o caminho recomendado pelos meios de comunicação tradicionais, principalmente pela televisão. E o que a televisão quer é o rebanho dócil, permanentemente conduzido para o abatedouro do consumo sem reclamar. É isso o que ela quer, só isso. O nosso consumismo. Enrolam você com programas ridículos recheados de publicidade para que você consuma, consuma, consuma…

Mas não é sobre consumismo que quero falar, é sobre a preguiça de pensar, a preguiça de escolher por si mesmo, a preguiça de elaborar raciocínios mais complexos. Não sou melhor que ninguém por ser espírita. Nunca conheci um ateu burro. Nem mau-caráter. Mas não se pode negar que o espiritismo, para ser bem compreendido, exige estudo, exige raciocínio. É verdade que muitas pessoas são espíritas por simples simpatia, outras por gostarem do caráter consolador dos romances espíritas, não há nada de errado nisso.

Mas em qualquer área, para que haja um maior aprofundamento no assunto, é preciso esforço mental. É assim em todos os ramos da ciência. Mas você espera que a televisão aborde qualquer tema mais complexo? Vai esperar eternamente. Por isso devemos valorizar o acesso à informação que temos através da internet, as trocas de experiências que se verificam nas redes sociais, e nos empenharmos cada vez mais em fazermos a diferença.

Não podemos esperar pelo governo, pela grande mídia, pelos grandes líderes. Você é mais importante que qualquer liderzinho de rebanho. Você não decorou meia dúzia de textos para despejá-los a vida inteira nos penicos auriculares das dóceis ovelhinhas. Você não é sábio de um livro só, você não conquista as pessoas com bajulação e promessas. Você é você mesmo, se esforçando para ser melhor a cada dia (estou certo, né?).

Não importa se você tem crença ou não, no que você acredita ou deixa de acreditar. Não permita que alguém empurre suas próprias verdades pra cima de você. Não aceite ideias alheias sem discutir com você mesmo. Pois o raciocínio é isso, uma discussão interna. Você tem inteligência; use-a (Já dizia o velho e bom Allan Kardec que o espiritismo é a fé raciocinada…).

Não faça parte da massa. A massa é burra. Preconceito? Discriminação? Preconceito e discriminação é o que fazem com a massa, não o que dizem dela. A massa é composta por pessoas. E nós não podemos obrigar um a um a abrir os olhos, a se informar, a pensar por si mesmo. Isso é uma prerrogativa pessoal, individual. E é um longo processo.

Pense por si mesmo, não aceite pacotes de ideias prontas. Saiba diferenciar o certo e o errado, não apenas como questões morais, mas como dados formadores de opinião. Uma mesma fonte pode lhe oferecer verdades importantes junto com opiniões próprias desacertadas (este site é um exemplo; não aceite o que você lê sem se questionar).

Vivemos um período privilegiado, temos acesso a toda informação possível. Temos a possibilidade de conhecer pessoas especiais, com ideias e posicionamentos de vanguarda. Quem sonharia isso pouco tempo atrás? Mas isso não é pra preguiçosos mentais…

Fé não é crença, fé é fidelidade

Fé é fidelidade, lealdade, obediência, sintonia, harmonia com Deus. Quem tem fé tem crença. Mas quem crê não tem, necessariamente, fé. Neste vídeo estudamos o capítulo 17 do Evangelho de Lucas, onde há vários ensinos que corroboram essa visão da fé. Este é o 22º vídeo de uma série de 30 vídeos em que analiso e interpreto o Evangelho de Lucas.

Aprenda a dizer não

Morel Felipe Wilkon

menina arrancando os cabelos

Você precisa aprender a dizer não

Artigo publicado originalmente em 14/05/2012

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Aprenda a dizer não, você precisa saber dizer não quando essa é sua vontade. Tenha vontade própria. Tenha amor-próprio.

Você faz prevalecer sua vontade em suas decisões, ou costuma deixar que os outros se imponham sobre você? Você costuma dizer sim quando quer dizer não? Mas por que você faz isso? Cada vez que você diz sim quando na verdade gostaria de dizer não, você está se desvalorizando, está dando mais importância aos outros do que a você mesmo.

Você não acha que isso é uma virtude cristã, acha? Pois não ache, porque não é, nunca foi. Deixar que os outros decidam por você é apenas desrespeito consigo próprio, não é exercício de humildade e mansuetude. Você precisa estabelecer limites claros e respeitá-los sempre. Você tem vontade própria, não tem? Então como admitir que qualquer pessoa, por mais importante que seja para você, tome uma decisão em seu lugar, faça escolhas por você, determine o que é e o que não é, o que pode e o que não pode?

A sua vontade é tão importante quanto a vontade de qualquer pessoa; seus desejos, seus gostos, seus sentimentos têm o mesmo valor que os de quem quer que seja. Ninguém tem o direito de passar por cima de você. Talvez você nem perceba quantas vezes abre mão de sua vontade deixando-se levar por artimanhas. Quando vai ver, já perdeu a prática de resolver as coisas sozinho.

Não culpe ninguém, provavelmente você não foi forçado a nada, apenas deixou que sua vontade se debilitasse. Aprenda a dizer não, só isso. Se deixar, passam por cima de você. Exagero? Então olhe à sua volta e veja quantas pessoas fracas de caráter perambulam como zumbis, fingindo que vivem, cumprindo o carnê terreno, sem iniciativa pra nada.

Aprenda a dizer não. Se você não quer uma coisa, diga não, se você não concorda com algo diga não, se você não quer participar, falar, comprar, apenas diga não. E pronto. Não brigue, não se perca em mil justificativas, volte a ser você mesmo, trace limites, respeite-os e faça com que sejam respeitados. Dizer não não é ofensa, é apenas uma resposta negativa. Dignidade não é orgulho, você não se torna um orgulhoso egocêntrico porque não concorda com o que querem de você. Assim como você não se torna um humilde abnegado só porque faz a vontade dos outros.

Às vezes confundimos conceitos. É comum confundir humildade com humilhação. Também é comum confundir vaidade com amor-próprio. Amor-próprio não é defeito. Amor-próprio é amar a si mesmo, é respeitar a si mesmo, é admirar a própria existência. Não devemos amar o próximo como a nós mesmos? A medida do amor que devemos dar aos outros é o amor que temos por nós mesmos. Você deve se amar e ser amável por suas atitudes, deve se respeitar e se fazer respeitar por sua postura, deve se admirar e ser admirado por seu caráter.

Você é espírito imortal, feito à imagem e semelhança de Deus, portanto, perfectível. Não deixe que passe um só dia sem tentar melhorar-se, crescer, aprender. É seu dever, é nosso dever. Mas faça valer a sua vontade. Você é responsável por suas decisões. Vai responder por elas, tenha sido você ou outro a escolhê-las.

Não aceite mais que decidam seus gostos, suas opiniões, suas crenças, suas atividades, suas atitudes. Se deixar, controlam até seu pensamento. E para controlar seus pensamentos, além daqueles que o cercam, que você conhece, há uma multidão de desencarnados de que você nem suspeita. Comece pelo começo, fortaleça sua vontade dominando seus pensamentos. Não deixe que eles tomem o curso habitual. Você manda. Você tem o domínio. Determine bons pensamentos, diga não àqueles que não servem pra você, que lhe fazem mal, que lhe abalam a vontade. E comece a dizer não quando tem vontade de dizer não. Não se violente mais. Certo?