Espírito e consciência

Espírito e consciência
As Leis de Deus estão escritas em nossa consciência. A consciência conhece, intuitivamente, o que é certo e o que é errado; ou melhor, o que está de acordo com as Leis de Deus e o que está contrário às Leis de Deus.
A consciência se desenvolve, se aprimora, se aperfeiçoa com o progresso do espírito. A Conscienciologia, do dissidente espírita Waldo Vieira, substituiu a palavra espírito pela palavra consciência. A consciência, no final das contas, é o saber que se é, é a percepção de que se existe, de que se é um indivíduo, um ser único.
Quanto mais progredimos, mais a consciência sabe distinguir o que convém e o que não convém, mais a consciência percebe e compreende as Leis de Deus. Conforme o espírito imortal evolui, através de inúmeras reencarnações, mais e mais se questiona sobre quem é, de onde veio e para onde vai.
Um espírito pouco evoluído, com um grau de consciência precário, pouco percebe das Leis de Deus. Sua responsabilidade é menor, pois não dispõe de pleno conhecimento das consequências de seus atos, não tem a noção exata do que é ou não é conveniente.
À medida que se aprimora, o espírito desenvolve a consciência de si mesmo, se dá conta de suas responsabilidades em relação à Vida, ao mundo, às pessoas que o cercam, a si mesmo. Sua consciência cria mecanismos que o avisam sempre que incorre em erro, sempre que se desvia do caminho reto. Então experimenta as dores morais, tão mais fortes e intensas quanto mais se teima em não obedecer à voz da consciência.
Um espírito razoavelmente evoluído sofre por coisas que o menos evoluído nem sequer percebe, nem sabe que existem. Com a evolução, o espírito sofre não só pelo mal que eventualmente pratica, mas pelo bem que deixa de fazer.
A Lei de causa e efeito se utiliza da consciência para promover a rearmonização do universo. Cada vez que um pensamento, palavra ou ação perturba a harmonia do universo, uma reação de mesma intensidade é gerada a partir do registro feito pela consciência faltosa visando reparar a ordem quebrada.
Somos cobrados pela consciência sempre que infringimos as Leis de Deus. Quanto mais desenvolvida a consciência, maior a cobrança. Muito diferentes em intensidade e alcance serão as cobranças de uma consciência incipiente de um homem medíocre ou maldoso, e de uma consciência desperta de um homem moralmente sadio.
Conhecer a si mesmo é desenvolver a consciência. Sócrates já nos ensinava o autoconhecimento, quatrocentos anos antes de Cristo. Somos seres complexos; há muito o que conhecer. Mas desde que haja a firme resolução de conhecer com profundidade a si próprio, é um caminho sem volta.
Quanto mais ouvirmos a consciência, mais nos aproximaremos da divindade latente em todos nós. Mais tomaremos decisões acertadas, mais evitaremos problemas desnecessários, menos atenção daremos às superficialidades do cotidiano, menos importância ligaremos às futilidades que ocupam o tempo e gastam as energias de consciências ainda primárias.
O que é a fé?

Ter fé é seguir pelo caminho reto
As pessoas que alcançam sucesso na vida, em qualquer área de atuação, destacam-se por sua coragem. Sem coragem não há como ter sucesso. Para vencer a inércia é preciso coragem, para ir pra frente é preciso coragem, para inovar é preciso coragem.
A pessoa corajosa não é necessariamente uma pessoa desinibida, desenvolta, falante, intrépida, desembaraçada. Coragem não é ausência de medo, é vencer o medo. Coragem é ser coerente com o que se acredita, apesar da dor que essa ação cause ou do prazer que deva ser deixado de lado em nome desses princípios.
Para nos tornarmos pessoas melhores é preciso coragem. CORAGEM PRA SER BOM. Por que todos nós tememos o desconhecido, e o progresso espiritual que almejamos é cheio de coisas desconhecidas. São sentimentos, posicionamentos e atitudes a que não estamos acostumados.
É preciso muita coragem pra nos libertarmos das algemas da ignorância, pra nos conscientizarmos de que nossa reforma íntima não pode ser indefinidamente postergada, que não podemos deixar pra amanhã o que pode ser feito hoje. Conhecemos, ao longo da vida, pessoas com graus evolutivos bem distintos. Algumas estão inegavelmente à nossa frente, já superaram fraquezas que para nós ainda são fardos grandes e desajeitados. Outras estão atrás de nós, não conseguem nem imaginar o que já sabemos, o que já alcançamos através de nosso esforço e tentativas de amor.
Mas todos, os que estão à frente e os que se atrasaram, todos chegaremos ao nosso destino, mais cedo ou mais tarde. O nosso destino é a felicidade. E a felicidade nós a encontraremos através do conhecimento e da vivência das Leis de Deus. Uns andam mais rápido, outros se arrastam. Uns pegam o ônibus direto, que segue por uma estrada reta, bem asfaltada, sem paradas. Outros pegam o pinga-pinga, que faz muitos desvios, segue pela estrada esburacada parando a toda hora. Mas o destino é o mesmo.
Hoje há uma relativa conscientização em relação à prevenção de doenças. Todos sabem, por menos que seja, de cuidados básicos que devem ter no cuidado com a saúde. Todos sabem de pequenas coisas que se deve fazer para prevenir doenças. Devemos prevenir, com maior cuidado, os males espirituais. Devemos desenvolver nossas virtudes, nossa fé, nossa fidelidade às Leis de Deus.
Deus está presente em cada partícula da creação, e ter fé em Deus é ser fiel às Leis de Deus. As Leis de Deus são o próprio Deus, que se manifesta através dessas mesmas Leis. Seguir as Leis de Deus é ser fiel a Deus, e ser fiel a Deus é ter fé. Ter fé, em última análise, é ter retidão de caráter, é seguir pelo caminho reto, é fazer o que deve ser feito quando e como deve ser feito.
Fé e coragem andam juntos. Porque ter coragem é ser coerente com aquilo em que se acredita, e ter fé é ser fiel às Leis de Deus. Quem tem fé em Deus é necessariamente corajoso. Assim entendemos porque o cristianismo teve tantos mártires, em seus primórdios. Tantas pessoas que se deixaram matar em nome de suas verdades, que são as verdades que nós ainda buscamos, teimosos que fomos. O cristianismo não precisa de mais mártires. Não precisamos morrer pela nossa verdade. Mas há algo em cada um de nós que precisa morrer. O que precisa morrer em você?
Perdoar para ser perdoado

Perdoar é desligar-se
Se você desencarnasse agora, deixaria para trás alguma ofensa recebida e não perdoada? Você já perdoou as ofensas recebidas? Bom mesmo seria se não houvesse ofensa alguma, se você nunca se sentisse ofendido.
Mas somos, ainda, muito suscetíveis. Nos melindramos por pouca coisa. Poucas coisas produzem tanto mal e causam tantas doenças como a falta de perdão. “Nunca vou te perdoar”; veja só que frase mais feia. É uma afirmação terrível, e só a coloco aqui para que você avalie o quanto essa sentença tem de destrutiva e irresponsável.
Sim, é uma irresponsabilidade não perdoar. Falta de responsabilidade para com você mesmo, para com o próximo e para com o Universo. O Universo é harmonia, e qualquer pensamento, palavra ou ação desarmônica produz um desajuste que terá que ser reparado, mais cedo ou mais tarde.
Tudo no Universo é harmonia. Analise a precisão dos dias e das noites, as órbitas dos planetas, a perfeição do sistema solar, que é um grão de areia na imensidão do cosmos. Tudo é harmônico, perfeito, íntegro. Por isso o Bem sempre prospera. O Mal é desarmonia, e terá que se reajustar, inevitavelmente. O perdão está de acordo as Leis de Deus, está de acordo com a harmonia cósmica. Enquanto você não perdoa, fica ligado ao erro, à ofensa recebida.
Você acha que deve perdoar a quem o ofendeu? Se você observar com frieza, talvez perceba que não há nada a ser perdoado na pessoa que produziu a ofensa. Ela é humana como você, é espírito imortal como você, é sujeita a erros e acertos como você. Se há algo a ser perdoado é a situação que foi gerada, não a pessoa que gerou a situação. Todos somos parceiros de jornada, irmãos de caminhada evolutiva. A situação criada é que foi ruim, e você deve desligar-se dela.
Desligue-se. Perdoe. A palavra perdão não é usada nos textos mais antigos do evangelho. No texto grego do primeiro século há a palavra aphiemi, significando, justamente, desligar. A palavra perdoar vem do Latim perdonare; dar plenamente, doar totalmente. Perdoar é desligar-se, libertar-se, livrar-se. É isso que se deve fazer em relação às situações que nos ofenderam.
As pessoas que foram causadoras das ofensas que recebemos são falíveis como nós. Também estão neste planeta de aprendizado. Entre bilhões de mundos habitados, dividem conosco este cisco espacial chamado planeta Terra. Não é à toa que cruzaram nosso caminho. Somos instrumentos de aprendizado uns dos outros. E só não aprendemos se não quisermos, só não aproveitamos as oportunidades de aprendizado se ficarmos presos a picuinhas infames.
Você não pode esquecer que você também já ofendeu, você também já provocou situações ofensivas. Perdoe para ser perdoado. Do mesmo modo como você perdoar, assim também você será perdoado. Sua consciência é seu juiz. Perdoe. Perdoe a si mesmo, desligue-se dos erros cometidos. Os erros são tentativas de acerto que não obtiveram o sucesso desejado. Se você não perdoar a si mesmo, como irá perdoar ao próximo?
Se você sente dificuldade de perdoar a si mesmo, talvez queira ler este artigo: PERDOAR A SI MESMO
O espírito e o perispírito

O espírito e o perispírito
Quando eu era criança, a maior tecnologia para a armazenagem de dados era a fita K7. Havia as de 45, 60 e 90 minutos, estas últimas, caríssimas. O CD foi uma grande inovação e um avanço na capacidade de armazenagem. Hoje há o pendrive, e isso é só o começo. Numa fita de 90 minutos cabia em torno de 25 músicas. Num pendrive pode-se gravar milhares de músicas…
No entanto, toda a tecnologia é primária e insignificante se comparada ao espírito imortal e seus veículos de manifestação. O perispírito grava tudo, absolutamente tudo o que pensamos, falamos e fazemos. Fica tudo registrado. Você já viu as caixas registradoras no supermercado? Tem duas fitas. Uma é a nota que é entregue para o cliente; a outra fica dentro da registradora, com a soma de todos os produtos que passaram por ali.
Assim são nossos pensamentos, palavras e ações. São como duas fitas. Uma para fora e outra para dentro. Os pensamentos, palavras e ações permanecem fora de nós nos efeitos que causam; mas também persistem dentro de nós mesmos nos arquivos de nossa consciência.
O que externamos fica no universo, é acrescentado ao universo. Tudo o que pensamos, falamos ou fazemos repercute no mundo, afeta a vida de alguém, exerce influência direta ou indireta em situações, pessoas e coisas.
O que externamos também é matematicamente contabilizado em nosso íntimo. É o que forma o que somos. É o que nos diferencia de todos os demais. Somos a soma de tudo o que produzimos em pensamento, palavra e ação. Por isso não há uma pessoa igual a outra, todos são diferentes, todos são únicos e complexos.
Deus nos creou simples e ignorantes. Compete a nós o desenvolvimento da sua creação. Fomos creados por Deus, mas somos nós que nos desenvolvemos com nossos esforços positivos ou negativos.
Nosso perispírito é formatado de acordo com o que produzimos. Assim como uma mãe ou pai percebe claramente quando seu filho ou filha está triste, alegre, com medo ou mentindo, da mesma forma os espíritos mais evoluídos que nós notam com total clareza o que se passa em nosso íntimo, sabem quem somos de verdade, “leem” através de nosso perispírito. Não adianta tentar esconder nada, é inútil.
Enquanto estamos encarnados temos o invólucro físico para nos protegermos, para disfarçar nossas emoções ou nossas verdadeiras intenções. Se soubermos nos mascarar bem, podemos enganar até pessoas experientes e sábias. Mas esse disfarce não dura pra sempre. Se você já passou dos 25, 30 anos, é provável que já tenha percebido que uma reencarnação é um instante. Às vezes parece que demora; mas quando chegar o momento de voltar para o plano astral, ficaremos com a impressão de um instante que se foi.
Cabe a cada um de nós aproveitar o máximo possível esse instante. De maneira produtiva, útil. E conscientes de que não enganaremos sempre. Sem o corpo físico não conseguiremos mais enganar a nós mesmos. Pois quando ludibriamos alguém, é a nós mesmos que estamos enganando. Quando mentimos para alguém, é para nós mesmos que estamos mentindo. Uma fita sai e outra fica, lembra? Pois é. Tudo o que pensamos, pensamos de nós. Tudo o que falamos, falamos para nós mesmos. Tudo o que fazemos, é para nós próprios que estamos fazendo.
Espiritismo e a abolição da escravatura

Espiritismo e a abolição da escravatura
Talvez você não dê importância à data comemorada hoje. No entanto, 125 anos atrás, quase um milhão de espíritos encarnados no Brasil deixaram de ser propriedade de outros espíritos encarnados no Brasil. 125 anos atrás era legalmente abolida a escravidão no Brasil, a maior aberração de que se tem notícia neste planeta. Nada se compara à escravidão. Um ser humano ser propriedade de outro ser humano. Nenhum crime, por mais bárbaro que seja, é tão vergonhoso à condição humana quanto a escravização do seu semelhante.
Oficialmente, havia pouco mais de 700 mil escravos na data da abolição. Em poucos anos, mais da metade deles havia morrido. Acostumados ao trabalho nas fazendas, em sua maioria, foram se aventurar nas cidades, sem ter recursos ou paradeiro. Muitos caíram no alcoolismo, na criminalidade, na mendicância. Tiveram início as primeiras favelas. Milhares de idosos e crianças ficaram abruptamente sem proteção, sem cuidado, sem nada. As sequelas dessa época duram até hoje.
O Brasil foi construído a braço negro. Somos um país de bases negras. Somos um país onde durante séculos o trabalho era considerado ofensivo aos brancos dominantes.
O 13 de Maio já foi feriado nacional. Até 1930 era a data da fraternidade dos brasileiros. Sua comemoração foi proibida por Getúlio Vargas, em sua tentativa de integração nacional. Getúlio também proibiu os descendentes de imigrantes europeus de falarem suas línguas de origem, caso dos alemães do Sul. Getúlio pretendia uma nação brasileira autêntica, unificada. Foi nessa época que firmou-se o Brasil do futebol e do carnaval.
Espiritualmente, reencarnaram no Brasil muitos milhões de espíritos com a prova rude da escravidão. Muito ódio foi gerado, muitas perseguições continuam até hoje em forma de obsessões.
Mas não podemos deixar de reconhecer o quanto de amor nasceu da dor do cativeiro. Famílias de escravos que desenvolveram o amor entre seus membros superando o sofrimento; o carinho e a amizade que havia muitas vezes entre senhores e escravos. Crianças cresciam brincando juntas, e muitas dessas amizades venceram as diferenças de condição social. Muitos amores proibidos, muitos filhos gerados clandestinamente. Muitos exemplos de amor e perdão na figura dos pretos velhos, em sua maior parte espíritos bastante evoluídos incumbidos de zelar pelos seus irmãos de amargura e de incutir o amor fraternal no coração dos senhores.
Nada justifica homens submeterem homens. Mas nosso planeta não se caracteriza pelo ideal, mas pelas provas a que somos todos submetidos em nossa escalada evolutiva. A História é uma coleção de injustiças e atrocidades. A História foi escrita e protagonizada por nós, espíritos imortais ligados a Terra. Fomos nós os responsáveis por tudo o que já se fez neste planeta, através de múltiplas reencarnações. Muitos de nós fomos escravos e senhores.
Nos encaminhamos para um Brasil mais justo num mundo mais justo. Me atrevo a duvidar de que exista país mais amoroso do que o nosso. Duvido que em outro lugar do mundo haja a miscigenação, o convívio harmonioso, o respeito que há entre tão diversas etnias como aqui. Em Porto Alegre, onde moro, árabes e judeus são vizinhos de loja. Sei que há discriminação. Mas os que se apressam a falar mal do país talvez não saibam que preconceitos e discriminações são falhas de caráter do espírito, não dos brasileiros em particular. Não são características de uma sociedade ou povo. São traços negativos de que devemos nos livrar.
Sei que muitos asseguram que ainda há escravidão, só que disfarçada. Que o negro ainda é marginalizado pela sociedade. Há muita verdade nisso. Mas lembro a esses que os antepassados dos negros de hoje não considerariam as condições atuais dessa forma. E que estamos brancos, ou negros, ou índios, mas somos espíritos. Há uma condição de igualdade mais ampla e perene do que as diferenças impostas pela transitoriedade da matéria.














