O espiritismo e o orgulho

O espiritismo e o orgulho

Artigo publicado originalmente em 05/09/2012

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Para o espiritismo, o orgulho é o pai de todos os males, é ele que desencadeia todos os outros defeitos. Não é difícil constatar essa verdade. É por orgulho que discutimos, é por orgulho que brigamos, é por orgulho ferido que nos magoamos, é o orgulho que dificulta o perdão.

É interessante notar que o orgulho é um exagero do amor-próprio, e o amor-próprio é necessário; você deve amar a si mesmo. Mas o orgulho exagera esse sentimento, que deixa de ser amor para se transformar numa coisa doentia. Alziro Zarur, fundador da LBV, diferenciava o bom do mau orgulho. É que a linguagem humana não tem palavras suficientes para expressar tudo. O bom orgulho seria o orgulho que se tem dos filhos, o orgulho do lugar onde se nasceu, a satisfação consigo mesmo.

O problema é saber os limites desses sentimentos. Eu tenho orgulho dos meus filhos. Mas não posso achar que eles são melhores que os outros. Eu sou patriótico, mas não posso transformar isso em nacionalismo. Fico muito satisfeito comigo mesmo quando consigo realizar o que me proponho. Mas tenho que tomar cuidado para não me achar mais do que sou na verdade.

Talvez a manifestação mais comum do orgulho no dia-a-dia seja o não saber perder. Isso nos acontece todos os dias. Não queremos perder nada pra ninguém, não aceitamos ser preteridos em nada. Você não é assim? Você não quer perder uma discussão, você não quer que o outro carro ultrapasse o seu, você não quer perder a promoção na empresa, você não quer perder o namorado, você não quer que o seu time perca, você não quer perder nem par ou ímpar.

É claro que devemos ser competitivos. É bom querer ser sempre mais e melhor. Mas para isso não precisamos esmagar quem está por perto. E não podemos competir por competir. Por que dói tanto ficar para trás? Por que é tão amargo o gosto da derrota? Porque na maioria das vezes perdemos pra nós mesmos, e é extremamente difícil reconhecer nossas falhas, nossas fraquezas, nossa incompetência. Por causa do orgulho.

Quer uma demonstração disso? Lembre-se da última vez em que você discutiu com alguém. Lembra que você revidou as críticas? Você já parou pra pensar porque sempre se revida a crítica num bate-boca? Para evitar que ela se repita. Revidamos imediatamente a crítica para não termos que ouvi-la de novo. Porque se prestarmos atenção à crítica, teremos que olhar pra dentro de nós mesmos. E nada fere tão profundamente o orgulho como olhar pra dentro de si mesmo.

Se você olha pra dentro de si mesmo, se você se vasculha interiormente, descobre montes de lixo que o orgulho não aceita como sendo seus. É o orgulho que nos impede de olhar pra dentro de nós mesmos. Pelo orgulho, nos achamos grande coisa, nos achamos muito mais do que somos na verdade.

Não é de um dia pro outro que vamos nos livrar de um defeito que nos acompanha há milênios. O orgulho é uma verdadeira chaga na tragetória do espírito imortal. Mas não podemos mais ser condescendentes com nós mesmos. Não temos, na atual reencarnação, a desculpa da ignorância, do desconhecimento. Então já passou o tempo de dizer, simplesmente, “eu sou assim”. Você é assim? Pois deixe de ser! (Não se aborreça; essa última frase eu disse pra mim mesmo, me olhando no espelho que tenho à minha frente).

Não há fórmula mágica para se livrar de um defeito tão entranhado em nosso espírito. É um exercício diário. Analise mais a si mesmo, faça boas leituras, seja mais tolerante. Aceite perder, de vez em quando. Você é especial, não há dúvida em relação a isso. Mas todos são especiais. Todos somos filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança; portanto, perfectíveis. Reforma íntima é um hábito. É a escolha de uma vida. Eu fiz a minha escolha. E você?

Jesus transformou água em vinho – visão espírita

A transformação de água em vinho é o primeiro chamado “milagre” de Jesus narrado no Evangelho de João. Os materialistas negam a possibilidade de que isso tenha acontecido. Religiosos, digamos, “ortodoxos”, sustentam que o vinho produzido por Jesus não tinha álcool – pois, se tivesse, Jesus estaria sendo conivente o uso do álcool. 

Essas discussões são inócuas e, quase sempre, ridículas. O Evangelho não é um amontoado de fatos supostamente extraordinários. O Evangelho foi escrito e pensado através de símbolos. O que nos importa, realmente, nos Evangelhos, são os simbolismos oferecidos por Jesus para o nosso aprendizado espiritual.

Neste vídeo tratamos do simbolismo oculto por trás da transformação de água em vinho.

Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra

os mansos

Os mansos herdarão a Terra

Esta é a terceira bem-aventurança ensinada por Jesus de acordo com o Evangelho de Mateus. 

Esse texto é parte integrante do nosso livro Evangelho sem Mistérios, que você pode ler clicando sobre o título.

“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”. Mateus 5:5

São mansos os que adquiriram consciência de sua pequeneza espiritual. Depois de milênios de ilusão material, depois de inúmeras experiências materiais personalísticas, interpretando as personagens mais diversas sem atender à sua própria intimidade, sem perceber a presença de Deus em si, sem suspeitar da existência do seu Cristo interno, agora reconhecem que são pequenos como seres individuais, mas gigantes pela sua natureza de filhos de Deus. 

Desse reconhecimento, dessa conscientização desenvolve-se, vagarosamente, a submissão ao seu Cristo interno. 

A mansidão é característica indispensável para quem pretende libertar-se do domínio da matéria. É a prevalência da consciência sobre os instintos. 

O manso não perde a sua força, mas aprendeu a controlá-la e dirigi-la. Um cavalo que foi domado não perde o seu vigor, mas controla e direciona o seu vigor para uma direção determinada. 

A mansidão pressupõe o abandono de toda e qualquer violência, da violência física, astral e mental, abre mão de qualquer pensamento negativo. 

Assim como os pobres pelo espírito possuem dinheiro sem serem possuídos pelo dinheiro, os mansos possuirão a Terra sem que a Terra os possua. 

A mansidão pressupõe também a libertação ou abandono das emoções. A palavra grega que é traduzida como perdão nos Evangelhos é áfese. Esta palavra tem como seu primeiro significado “deixar ir”. Pode ser traduzida também como libertar, deixar para trás. 

Aquele que conquistou a mansidão libertou-se das emoções, deixou para trás as emoções. As emoções, mesmo as consideradas positivas, são sinal de atraso espiritual. 

Os sentimentos são eternos e devem ser cada vez mais desenvolvidos, mas as emoções são típicas de nosso estágio de recém-saídos da animalidade. Em nosso estágio evolutivo as emoções ainda podem ser necessárias. Muitas vezes são as emoções que fazem alguém se converter, se conscientizar, mudar de vida. 

Um discurso ou uma palestra emocionada pode convencer mais facilmente e atingir o espírito mais profundamente. Mas para alcançarmos o estado de mansidão temos que abandonar as emoções. 

A mansidão é um passo além, quem conquistou a mansidão já não se emociona, tem um maior domínio sobre si mesmo, é espiritualmente maduro. Sente amor sem sentir paixão, sente uma íntima alegria sem deixar-se levar pala euforia.

Para ler nosso comentário sobre a bem-aventurança anterior, clique sobre o título: Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.

O espiritismo e a empatia

O espiritismo e a empatia: colocar-se no lugar do próximo

Artigo publicado originalmente em 04/09/2012

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O Espiritismo ensina que somos iguais em essência, que todos fomos creados simples e ignorantes. Você consegue se colocar no lugar do outro? Consegue sentir o mundo do outro como se fosse o seu próprio mundo? A palavra que se usa para designar essa capacidade é empatia, que quer dizer “entrar no sentimento”. É uma das mais úteis ferramentas para a reforma íntima.

Se você tem essa capacidade, você é alguém que consegue perceber as coisas de que não gosta em si mesmo. Se você desenvolve a empatia é porque você reconhece com clareza as características desagradáveis de sua personalidade. Concorda com isso? Raciocine comigo: Se você não reconhece o que tem de podre em você, como vai compreender os podres do outro? Se você não nota os seus próprios sentimentos desajustados, como vai entender as loucuras do outro? Se você nunca viu dentro de si mesmo um abismo de possibilidades macabras, como aceitar que alguém seja capaz de insanidades pérfidas?

Por outro lado, se você não consegue compreender o outro, provavelmente você não tenha recebido o entendimento, por parte dos outros, de suas próprias necessidades e sentimentos. Se no decorrer de sua vida você não teve suas necessidades preenchidas, como compreender as necessidades do próximo?

Qual é a sua reação quando toma conhecimento de uma dessas tragédias televisivas? Você consegue se colocar no lugar do algoz ou só tem pena da vítima? Você condena imediatamente o criminoso de um desses crimes bárbaros, de uma dessas tragédias familiares chocantes? Você nunca sequer tentou se colocar no lugar de um desses nardonis da vida? Eu sim. Eu confesso que muitas vezes sinto mais compaixão pelo autor do crime do que pela vítima. Não podemos esquecer a Lei de causa e efeito e suas consequências para o espírito imortal.

Eu sei tudo o que já senti, de bom e de mau. Sei que as possibilidades humanas são imensas, do diabólico ao angelical. E sei que há momentos dificílimos na vida das pessoas. Há momentos de crise que são terríveis, e se a força moral não é suficientemente sólida, perde-se o controle sobre si mesmo. Se a fé não é forte o bastante, qualquer um sucumbe ao peso de uma crise instantânea.

Você não concorda? Eu não tenho a menor pretensão de querer que você concorde comigo. Mas procure analisar a si mesmo antes de responder: Você não concorda porque é indiscutivelmente imune ao desespero? Ou você não concorda simplesmente por não conseguir entender o que leva alguém a perder a cabeça desse jeito?

Mas não precisamos ir tão longe. Dentro do seu lar, dentro do seu grupo familiar, você consegue desenvolver a empatia? Você consegue perceber o mundo do outro como se fosse o seu próprio? Talvez você não saiba que a autoestima de cada um depende disso. Cada membro do grupo familiar quer se sentir importante, quer ter seus sentimentos respeitados. Às vezes a empatia é tudo o que uma pessoa precisa dentro de sua família. A ausência de empatia, a falta de compreensão, talvez seja a principal causa do fim de muitos relacionamentos promissores.

É a falta de empatia que faz com que as pessoas julguem e condenem, pois só se baseiam em seus próprios princípios. É a falta de empatia que leva as pessoas a acharem que tudo o que fazem está certo. Pois fizeram com boa intenção, fizeram como consideram correto. Deram o melhor de si mesmas. Mas esse “melhor de si mesmas” é o melhor de acordo com o seu julgamento, de acordo com o seu gosto, de acordo com a sua opinião. Não se deram ao trabalho de tentar olhar pela perspectiva do outro, não se esforçaram para se colocar no lugar do outro.

O que faz alguém ser capaz de saber o que sentimos? A sintonia com nossas dores, com nossas emoções, com nossas necessidades. Minha filha Sofia, quando viu o filme do Bambi pela primeira vez, chorou inconsolável quando se deu conta de que a mãe do Bambi tinha morrido. Isso é empatia. Se ver na pele do outro. Imaginar o sentimento do outro e senti-lo. É isso…

Jesus é o Cordeiro de Deus?

Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo? Muitas pessoas ainda entendem a linguagem bíblica ao pé da letra. Jesus, tratando do modo severo com que devemos extirpar os nossos erros, disse que “se o teu olho for motivo de escândalo, arranca-o”. É evidente que Jesus está usando uma figura de linguagem, uma metáfora. Jesus não está propondo que arranquemos literalmente o nosso olho. Da mesma forma, quando João Batista se referiu a Jesus como o “Cordeiro de Deus”, ele está usando uma metáfora. Jesus não é o Cordeiro de Deus no sentido de ter sido sacrificado por nós. Aliás, Jesus não tirou o pecado do mundo. Pecado quer dizer erro. A humanidade deixou de errar depois de Jesus? Claro que não! Jesus não veio nos salvar, pois somos nós mesmos quem devemos nos salvar. Jesus veio nos ensinar o caminho para a nossa auto-salvação. 

Este é o 3º vídeo da série de estudos sobre o Evangelho de João. Tratamos, neste vídeo, do 1º capítulo, do versículo 19 em diante.

Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados

bem aventurados os que choram

Os que choram serão consolados…

Esta é a segunda bem-aventurança ensinada por Jesus de acordo com o Evangelho de Mateus. 

Esse texto é parte integrante do nosso livro Evangelho sem Mistérios, que você pode ler clicando sobre o título. 

“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados”. Mateus 5:4

Esta segunda bem-aventurança é consequência da primeira (“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos ceus”). Refere-se aos que choram pela conscientização do seu estado de mendicância espiritual. São tristes por reconhecerem, finalmente, o seu estado de indigência espiritual. Mas esta mendicância das coisas do espírito é ação. E é através da ação que progredimos. Tudo começa pelo pensamento. A conscientização se dá pelo pensamento. Mas a ação é imprescindível. 

Os que choram serão consolados, porque, como disse Jesus, “quem procura, acha”. 

E quem busca o consolo na realidade espiritual, depois de haver se conscientizado da sua natureza divina, encontra a cura para os seus males.

O sofrimento, embora não seja imprescindível, é o início da cura espiritual. O sofrimento é o estágio seguinte à revolta estéril. 

Rohden diz que essa tristeza de que fala Jesus é uma tristeza toda espiritual, e ela é uma tristeza mais aparente do que real. É a tristeza de quem vive intimamente fora das ilusões da alegria material. 

Essa tristeza e esse choro são ainda a constatação do estado de erro em que estaciona a humanidade, e a percepção de que todos nós já cometemos erros clamorosos. Mas se há a angústia pelo reconhecimento dos erros, há também o conforto do arrependimento e da disposição de consertar ou compensar o mal causado. 

É o choro da angústia pelo reconhecimento de sua necessidade de evoluir em meio a inúmeras influências negativas. 

Quem já se conscientizou sofre ao constatar os pensamentos dominantes na massa de espíritos encarnados e desencarnados. Quem já se deu conta da realidade espiritual chora intimamente ao perceber a influência nefasta que os grandes meios de comunicação exercem sobre a massa, a hipnose coletiva a que está docilmente submetida a humanidade, a maneira como a massa se deixa conduzir como se fosse gado indo para o matadouro, em direção ao consumo desenfreado, à busca pelas aparências, pelas exterioridades, pelas futilidades que o consumismo lhe apresenta como solução imediata para os seus problemas superficiais. 

Os que choram já estão conscientes, e serão consolados a partir de seus próprios atos, pois já conhecem os meios de libertação da escravidão da matéria.

Para ler nosso comentário sobre a primeira bem-aventurança, clique sobre o título: Bem-aventurados os pobres de espírito.

O verbo se fez carne e habitou em nós

A maior parte das traduções do Evangelho dizem que o verbo encarnou ENTRE nós, como se o verbo fosse Jesus. Não é verdade. O logos ou verbo é a partícula divina que habita em todos nós, pois todos somos filhos de Deus, creados à Sua imagem e semelhança, portanto, perfectíveis. A tradução correta é “o verbo habitou EM nós. Isso fica evidente conferindo os originais gregos ou a Vulgata de São jerônimo. 

E quem é o filho unigênito do Pai? Jesus? Novamente não. O filho unigênito é o logos ou verbo, que habita em todos nós. Jesus é o espírito que desenvolveu plenamente o logos, o Cristo interno que temos em nosso íntimo.

Esses assuntos são tratados neste vídeo, o 2º da série de estudos sobre o Evangelho de João.

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus

mendigo de espírito

Pobre de espírito…

Começamos hoje a publicar as bem-aventuranças ensinadas por Jesus de acordo com o Evangelho de Mateus. Os textos são parte integrante do nosso livro Evangelho sem Mistérios, que você pode ler clicando sobre o título.

“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos ceus”. Mateus 5:3

Rohden argumenta que a melhor tradução é pobres pelo espírito, e não pobres de espírito ou pobres no espírito. 

Pobres pelo espírito, ou seja, pobres por sua escolha, pelo seu livre-arbítrio, aqueles que são pobres não por necessidade, mas por darem mais importância às coisas espirituais. 

Um homem pode ser milionário, mas totalmente desligado do dinheiro; e ser ligado às coisas do espírito, pobre pelo espírito. Por outro lado, um homem pode ser um mendigo, morador de rua, e completamente apegado às suas tralhas, transferindo para as suas bugigangas o amor ao dinheiro que ele não tem. 

Um rico pode não sofrer se vier a perder o dinheiro que tem, enquanto um pobre pode sofrer pelo dinheiro que não tem. 

Não podemos pensar que Deus tem preferência pelos pobres. Essa ideia foi implantada ao longo dos séculos como forma de manter a massa sossegada, sem revolta. Mas os que pregaram e pregam ainda que Deus prefere os pobres quase sempre vivem muito bem, com muitos recursos materiais, sem saberem o que é ser pobre. 

O apóstolo Pedro, provavelmente sob inspiração mediúnica, nos lembra que “Deus não faz acepção de pessoas” (Atos 10:34). Deus é imparcial, não toma o partido de ninguém. 

Não há nada de errado em possuir dinheiro. O que é errado não é possuir dinheiro, mas ser possuído pelo dinheiro. 

O Universo é fartura e abundância, e o dinheiro é uma energia neutra. Esta energia será negativa ou positiva conforme a aplicação que dermos a ela.

Pastorino adota a tradução proposta pelo rosacruciano José Oiticica, “mendigos do espírito”. São aqueles que já se conscientizaram e imploram pelas coisas do espírito, mendigam as coisas do espírito, procuram espiritualizar-se o mais que puderem. 

Os pobres de espírito, então, são aqueles que já se conscientizaram e estão, pouco a pouco, se libertando do domínio da matéria e dando a devida importância ao espírito. São os que estão libertos da necessidade de posse material.

Os pobres pelo espírito, ou mendigos do espírito, que Champlim traduz como humildes de espírito, reconheceram, pela conscientização, a sua pobreza espiritual e tornaram-se receptivos a Deus, receptivos ao seu Cristo interno. 

Essa condição de receptividade provocada pela conscientização, essa ânsia pelas coisas espirituais é o que alicerça todas as demais bem-aventuranças. 
Sem esta condição de pobreza pelo espírito não haveria condições de praticar ou vivenciar as outras bem-aventuranças.

No princípio era o Verbo…

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus”.

Este é o primeiro de uma série de vídeos em que estudaremos o Evangelho de João. Os Evangelhos são mananciais inesgotáveis de sabedoria divina. Se olharmos por trás das letras mortas, encontraremos importantes simbolismos que nos oferecem a chave para muitas das nossas maiores dúvidas filosófico-existenciais. 

Este estudo é elaborado a partir da análise de mais de 10 traduções do Evangelho de João para o português, de comentários de especialistas, além da análise minuciosa dos textos gregos, idioma em que foram escritos os Evangelhos. Em muitos casos, oferecemos traduções que nos parecem mais adequadas ao nosso grau de entendimento atual.

Neste 1º vídeo, estudamos João 1:1-5. Como cristão e espírita, minha visão sobre este Evangelho, embora possa não ser do seu agrado, certamente é inovadora.

Reforma íntima sem sofrimento

estradão

É preciso seguir o caminho reto

Artigo publicado originalmente em 31/08/2012

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É possível realizar sua reforma íntima sem sofrimento? Compreende mais ou menos o que ela exige de você? Sim, porque há algumas exigências que você deve observar. Mas isso também não quer dizer que você terá que mudar tudo, começar tudo de novo. Afinal, estamos falando de reforma, não de construção. Não se trata de começar do zero, mas de aproveitar a base construída por você através de inúmeras reencarnações. Sobre esta base são efetuados alguns ajustes. Saem algumas partes, outras são acrescentadas.

Talvez nada seja tão imprescindível para a reforma íntima quanto o gosto de aprender, a aceitação de que somos aprendizes, que estamos aqui para aprender e que o aprendizado se oferece para nós todos os dias. Basta aceitá-lo, observá-lo e apreendê-lo. É preciso ter coragem para mudar conceitos, para se dar conta de que algumas opiniões que juntamos pelo caminho simplesmente não têm mais serventia, e devem ser abandonadas.

Dessa disposição para aprender surge a descoberta de que o principal foco de aprendizado é você mesmo. Você deve se conhecer. Você deve conhecer a si mesmo mais do que a qualquer coisa. Você é um universo a ser explorado. Suas emoções e sentimentos oferecem um riquíssimo e fascinante campo de pesquisa. Também aqui é preciso ser corajoso. Corajoso para enfrentar os aspectos mais sombrios de si mesmo. Enfrentar por meio de uma fria e detida observação, análise e avaliação. Mas sem julgamento, sem condenação.

Se você conseguir conhecer e compreender melhor a si mesmo, provavelmente mudará uma série de hábitos. Sem muito esforço, sem sofrimento. Pois você irá notar que muitos de seus costumes e pontos de vista atuais não são verdadeiramente seus. Foram adotados por você em algum momento; ou por desconhecimento de algo melhor, ou por imitação de alguém que você admirava, ou como exigência da sociedade. Você automatizou um monte de comportamentos que não têm nada a ver com você, com o que você realmente quer, com o que você realmente acredita.

Você não se tornará um modelo de perfeição se conseguir realizar isso. Vai continuar sendo humano. Com algum esforço, ficará dez por cento melhor do que é hoje. Você acha pouco? Esses dez por cento são suficientes pra fazer a diferença. Num concurso público, a diferença entre um classificado e um desclassificado é muito, muito menor que isso. E essa diferença decide uma carreira e tudo o que ela acarreta.

Você não irá se livrar dos erros que já cometeu e provavelmente cometerá outros erros. Perdoe-se. Você precisa se perdoar pelos erros cometidos. Isso lhe dará mais coragem e humildade para lidar com os erros que ainda estão por vir. Aceite-se, ame-se. Permita-se começar de novo.

A maneira mais eficaz de evitar erros e promover acertos é estar sempre ligado, sempre comprometido consigo mesmo. Sempre alerta, vigiando, controlando e orientando seus pensamentos.  Você lembra que tudo começa pelo pensamento? Sei que não preciso dizer, mas é bom reforçar. Tudo o que existe nasceu de um pensamento. Tudo. Todos os ideais, toda a tecnologia, todo o progresso material, tudo é pensamento colocado em prática.

Tenha bons pensamentos, reeduque sua mente, ensine sua mente a pensar. Adquira o hábito de orar. Com ou sem palavras. É a maneira que temos de nos conectarmos com o que há de mais elevado. Não é preciso dizer, também, que só oração não basta; é preciso trabalho, muito trabalho. Fazer de cada dia um dia produtivo; de cada hora uma hora útil. Se for útil a mais alguém além de você, melhor ainda.

Um cuidado que devemos ter é não querer que todos mudem conosco, que todos sigam nosso exemplo. Você sabe, cada um tem o seu tempo. Por isso é necessário ser tolerante. E gostar de si mesmo. Acho que nada é mais urgente do que amar a si mesmo. Aceitar que erramos, que nossa trajetória contém erros e acertos. Valorize sua história. Respeite sua história evolutiva. Mesmo seus maiores erros pareceram a melhor alternativa, quando você os cometeu.

Como perder o medo

O que causa o medo é a inação!

Artigo publicado originalmente em 30/08/2012

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Há uns poucos assuntos que não consigo tratar pessoalmente. Alguns temas exigem uma abordagem difícil de ser praticada. Há temores patológicos que exigem abordagem profissional. Mas a maior parte dos medos têm em si mesmos a sua cura Você sabe como perder o medo?

Posso afirmar que sorte e azar não existem; mas como vou dizer para uma pessoa que suas justificativas para o fracasso são desculpas esfarrapadas?

Posso demonstrar, com bons argumentos, que nada acontece por acaso; mas de que modo vou dizer pra alguém que sua situação infeliz se deve exclusivamente à sua incompetência?

Posso convencer alguém de que todo efeito tem uma causa; mas com que cara diria a ela que a sua preguiça jamais a levará a lugar algum, que sua inércia não fará nada por ela, que o medo do desconhecido a impedirá de todo e qualquer progresso, que a falta de ação comprometeu gravemente a sua vida?

Essa é uma das vantagens da palavra escrita. Eu, particularmente, já aprendi através da leitura coisas de grande importância, mas muito delicadas para aceitar se fossem ditas pela boca de alguém. A verdade dói. Sou favorável ao esclarecimento. Acho que na maior parte das vezes é preferível o esclarecimento em vez da consolação. O consolo, em muitos casos, oferece apenas um alívio imediato, mas não resolve o problema. Pode até agravá-lo, pois a pessoa se acha no direito de ser coitada.

Mas para haver o esclarecimento é preciso que a pessoa queira esclarecer-se. Ela precisa tomar a iniciativa de querer se esclarecer para mudar. Querer forçar a barra, dizer verdades, só causa mágoa e mais incompreensão.

Quantas pessoas você conhece que passam a vida justificando a sua falta de sorte? Quantas pessoas você conhece que botam a culpa nos pais, no governo, no chefe, nos políticos, em Deus, na mulher, no marido, nos irmãos, em todo mundo menos nela mesma?

Talvez você mesmo faça isso. Se for o seu caso, você precisa se dar uma nova chance! Todos passam por situações difíceis, ocasiões em que caímos, em que somos abatidos. Mas é preciso curar as feridas! É preciso seguir em frente! Seu amor lhe abandonou; você perdeu tudo o que tinha; você cometeu muitos erros graves: não importa. Realmente não importa.

Você pode começar de novo, todo mundo pode recomeçar quantas vezes forem necessárias. Para que existe o mecanismo da reencarnação? Não é para um recomeço? Não espere a próxima reencarnação, aproveite que você já está aqui e mãos à obra!

Só existe um modo de alguém estar contente consigo mesmo: através da ação. É preciso agir! Em algum momento da vida podemos perder a confiança em nós mesmos. Sem confiança, deixamos de agir. Só que quanto menos se age, mais medo da ação se desenvolve. E o único modo de perder o medo de agir é agindo.

O medo precisa ser superado. É só começar a fazer o que precisa ser feito que o medo desaparece. O que causa o medo é a inação. Quanto mais você demora para agir, mais medo você sente. A hesitação em agir gera ansiedade. E isso, com o tempo, adoece. Você é espírito imortal vivendo mais uma experiência terrena. Você tem coragem de desperdiçar essa oportunidade?

Mensagem de Emmanuel – Purifiquemo-nos

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 Mensagem em áudio

Mensagem de Emmanuel no livro Vinha de Luz, psicografado por Chico Xavier: PURIFIQUEMO-NOS

“De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor, e preparado para toda a boa obra.” – Paulo. (II Timóteo 2:21.)

Em cada dia de luta, é indispensável atentar para a utilização do vaso de nossas possibilidades individuais.

Na Terra, onde a maioria das almas encarnadas dorme ainda o sono da indiferença, é mais que necessária a vigilância do trabalhador de Jesus, nesse particular.

Quem não guarde os ouvidos pode ser utilizado pela injustiça. Quem não vigie sobre a língua pode facilmente converter-se em vaso da calúnia, pela leviandade ou pela preocupação de sensacionalismo. Quem não ilumine os olhos pode tornar-se vaso de falsos julgamentos. Quem não se orientar pelo espírito cristão, será naturalmente conduzido a muitos disparates e perturbações, ainda mesmo quando a boa-fé lhe incuta propósitos louváveis.

Os homens e mulheres, de todas as condições, estão sendo usados pelas forças da vida, diariamente. Por enquanto, a maioria constitui material utilizado pela malícia e pela viciação. Vasos frágeis e imperfeitos, fundem-se e refundem-se todos os dias, em meio de experiências inquietantes e rudes.

Raríssimos são aqueles que, de interior purificado, podem servir ao Senhor, habilitados para as boas obras. Muitos ambicionam essa posição elevada, mas não cuidam de si mesmos. Reclamam a situação dos grandes missionários, exigem a luz divina, clamem por revelações avançadas, contudo, em coisa alguma se esforçam por se libertarem das paixões baixas.

Observa, pois, amigo, a que princípios serves na lida diária. Lembra-te de que o vaso de tuas possibilidades é sagrado. Que forças da vida se utilizam dele? Não olvides, acima de tudo, que precisamos da legítima purificação, a fim de que sejamos vasos para honra e idôneos para uso do Senhor.

Mensagem de Emmanuel – Sofrerá perseguições

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 Mensagem em áudio

Mensagem de Emmanuel no livro Vinha de Luz, psicografado por Chico Xavier: SOFRERÁ PERSEGUIÇÕES

“E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições.” – Paulo. (II Timóteo, 3:12.)

Incontestavelmente, os códigos de boas maneiras do mundo são sempre respeitáveis, mas é preciso convir que, acima deles, prevalecem os códigos de Jesus, cujos princípios foram por Ele gravados com a própria exemplificação.

O mundo, porém, raramente tolera o código de boas maneiras do Mestre Divino.

Se te sentes ferido e procuras a justiça terrestre, considerar-te-ão homem sensato; contudo, se preferes o silêncio do Grande Injustiçado da Cruz, ser-te-ão lançadas ironias à face.

Se reclamas a remuneração de teus serviços, há leis humanas que te amparam, considerando-te prudente; mas se algo de útil produzes sem exigir recompensa, recordando o Divino Benfeitor, interpretar-te-ão por louco.

Se te defendes contra os maus, fazendo valer as tuas razões, serás categorizado por homem digno; entretanto, se aplicares a humildade e o perdão do Senhor, serás francamente acusado de covarde e desprezível.

Se praticares a exploração individual, disfarçadamente, mobilizando o próximo a serviço de teus interesses passageiros, ser-te-ão atribuídos admiráveis dotes de inteligência e habilidade; todavia, se te dispões ao serviço geral para benefício de todos, por amor a Jesus, considerar-te-ão idiota e servil.

Enquanto ouvires os ditames das leis sociais, dando para receber, fazendo algo por buscar alheia admiração, elogiando para ser elogiado, receberás infinito louvor das criaturas, mas no momento em que, por fidelidade ao Evangelho, fores compelido a tomar atitudes com o Mestre, muita vez com pesados sofrimentos para o teu coração, serás classificado à conta de insensato.

Atende, pois, ao teu ministério onde estiveres, sem qualquer dúvida nesse particular, certo de que, por muito tempo ainda, o discípulo fiel de Jesus, na Terra, sofrerá perseguições.

Os seus planos devem ser postos em prática

Morel Felipe Wilkon

Os seus planos devem ser postos em prática

Artigo publicado originalmente em 29/08/2012

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Se você espera ter condições ideais para fazer alguma coisa importante, esqueça. Esqueça as condições que você esperava, mas não esqueça os seus planos. Os seus planos devem ser postos em prática.

Você pretende fazer algo importante no futuro? Está só esperando ter as condições ideais para colocar em prática seus projetos? Ótimo! Você sabe que provavelmente nunca terá as tão esperadas condições ideais?

Esse não é um mundo de condições ideais. Não sou daqueles que se referem à Terra como um “Vale de lágrimas”, pelo contrário. Acho que podemos ser felizes aqui. Mas de uma felicidade relativa, pois estamos longe de alcançarmos condições ideais para qualquer coisa que não seja o aprendizado. Só para aprender é que a Terra é ideal. Para aprendermos o que precisamos aprender em nosso atual estágio evolutivo.

Portanto, se você espera ter condições ideais para fazer alguma coisa importante, esqueça. Esqueça as condições que você esperava, mas não esqueça os seus planos. Os seus planos devem ser postos em prática. Você realmente quer fazer alguma coisa além do que já vem fazendo? Pois então faça! Não espere; só o que vai acontecer se você esperar mais, é que o tempo vai passando, passando…

Uma das coisas mais deprimentes que observo desde criança é quando as pessoas se arrependem de coisas que não fizeram. Profissões que não seguiram por falta de coragem; formação que não obtiveram por preguiça de estudar; casamento que não realizaram por falta de confiança em si mesmas e nos outros; filhos que não tiveram para não atrapalhar a carreira. Muito mais: o livro que não foi escrito por falta de tempo e organização; a viagem que foi trocada por um banheiro novo; o trabalho voluntário que não se realizou por falta de saúde e disposição suficientes; a mediunidade que não se desenvolveu por não encontrar “o lugar ideal”.

Quase sempre essas coisas não encontram condições ideais. Nem de tempo, nem de dinheiro, nem de saúde ou disposição ou conhecimento, ou seja lá o que for. Ou se faz as coisas ou não se faz. Observe as pessoas que você conhece que vivem adiando suas realizações mais importantes. Você já percebeu que a vida delas vai passando e nada delas colocarem em prática seus planos?

E você? Quando vai começar a fazer o que sabe que deve ser feito? Quando vai realizar aquele seu projeto acalentado há tanto tempo? Por favor, não cometa o erro de esperar que tudo esteja perfeito para então dar vida à sua ideia. O único fator realmente imprescindível é a vontade.

Isso se aplica a todas as áreas de sua vida. Não espere ser “bom” para fazer bondade. Não espere ter sentimentos puros e nobres para desenvolver sua espiritualidade. Não espere acumular leitura e conhecimento para participar de um grupo espírita. Não espere se aposentar para escrever um livro. Não espere uma iluminação súbita para então começar sua reforma íntima.

Você não tem as condições ideais? Mas você tem as condições de que precisa: Vontade e capacidade de superação. O resto vem naturalmente. Os problemas vão sendo resolvidos à medida que surgem. Sempre existirão problemas. Não tente eliminá-los; aprenda a resolvê-los.

Precisamos aprender a dar o máximo de nós com o que temos à disposição, sem esperar e esperar. Uma reencarnação é pouco para fazer tudo o que gostaríamos. Mas se tivermos coragem e boa vontade, dá pra fazer alguma coisa…

Mensagem de Emmanuel – Na propaganda eficaz

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 Mensagem em áudio

Mensagem de Emmanuel no livro Vinha de Luz, psicografado por Chico Xavier: NA PROPAGANDA EFICAZ

“É necessário que ele cresça e que eu diminua.” – João Batista. (João, 3:30.)

Há sempre um desejo forte de propaganda construtiva no coração dos crentes sinceros.

Confortados pelo pão espiritual de Jesus, esforçam-se os discípulos novos por estendê-lo aos outros. Mas nem sempre acertam na tarefa. Muitas vezes, movidos de impulsos fortes, tornam-se exigentes ou precipitados, reclamando colheitas prematuras.

O Evangelho, porém, está repleto de ensinamentos nesse sentido.

A assertiva de João Batista, nesta passagem, é significativa. Traça um programa a todos os que pretendam funcionar em serviço de precursores do Mestre, nos corações humanos.

Não vale impor os princípios da fé.

A exigência, ainda que indireta, apenas revela seus autores. As polêmicas destacam os polemistas… As discussões intempestivas acentuam a colaboração pessoal dos discutidores. Puras pregações de palavras fazem belos oradores, com fraseologia preciosa e deslumbrantes ornatos da forma.

Claro que a orientação, o esclarecimento e o ensino são tarefas indispensáveis na extensão do Cristianismo, entretanto, é de importância fundamental para os discípulos que o Espírito de Jesus cresça em suas vidas. Revelar o Senhor na própria experiência diária é a propaganda mais elevada e eficiente dos aprendizes fiéis.

Se realmente desejas estender as claridades de tua fé, lembra-te de que o Mestre precisa crescer em teus atos, palavras e pensamentos, no convívio com todos os que te cercam o coração. Somente nessa diretriz é possível atender ao Divino Administrador e servir aos semelhantes, curando-se a hipertrofia congenial do “eu”.