Espiritismo: preconceito e intolerância religiosa

Vamos falar um pouco de intolerância religiosa. Historicamente a Umbanda e o Espiritismo foram perseguidos no Brasil. No Governo Vargas, a partir da década de 30 do século passado, a coisa aliviou um pouco para o Espiritismo, mas para a Umbanda e para as religiões de nação africana continuou. Foi isso que levou muitos centros de Umbanda e casas de religião africana a se auto-intitularem de centros espíritas, o que causa confusão até hoje.

A intolerância contra o Espiritismo é oficial por parte de algumas agremiação religiosas. É comum nós vermos padres e pastores “baixando o sarrafo” no Espiritismo. Padre até não tanto (tem um padre careca, aí, que atira pra tudo que é lado, é uma metralhadora ambulante – ele deve estar revoltado com alguma coisa), mas pastor tem um monte. Quase sempre eles vêm com aquela conversinha mole de que “Deus ama os espíritas mas odeia o Espiritismo”. Eles não têm o menor fundamento para dizer isso. Eles se apoiam na Bíblia, mas não há base bíblica para dizer isso. Eu tratei desse tema no Vídeo é proibido consultar os mortos? A Bíblia condena o Espiritismo? O vídeo é muito longo, tem uma hora. É só para quem realmente quer buscar argumentos dentro da própria Bíblia. Se quiser assisti-lo, clique no link em azul logo acima.

Eles dizem isso, que “Deus ama os espíritas mas odeia o Espiritismo” (o que já é uma grande mentira, de uma estupidez inacreditável), mas o que eles fazem, institucionalmente, é jogar os seus adeptos contra os espíritas. Mesmo dizendo que Deus ama os espíritas, eles ensinam os seus fiéis a odiarem os espíritas.

Tem uma passagem, Levítico 19,31, que diz assim (na tradução da Bíblia de Jerusalém): “Não vos voltareis para os necromantes nem consultareis os adivinhos (…)”

A Bíblia Ave Maria traduz assim: “Não vos dirijais aos espíritas nem adivinhos: não os consulteis (…)”

A Bíblia Novo Mundo traduz assim: “Não vos vireis para médiuns espíritas e não consulteis prognosticadores profissionais de eventos (…)”

E a Nova Versão Internacional traduz assim: “Não recorram aos médiuns, nem busquem os espíritas (…)”

Tem outras passagens em que eles usam o mesmo artifício – se aproveitam da falta de informação das pessoas e traduzem do jeito que querem. A maior parte dos fiéis talvez nem saiba que existem outras versões, outras traduções, que a Bíblia – no caso o Antigo Testamento – foi escrito em hebraico e que precisa ser traduzida. O tradutor que faz uma coisa dessas é um bandido, devia ser responsabilizado criminalmente cada vez que alguém que usa a sua tradução comete um ato de intolerância religiosa contra um espírita. Os fiéis das igrejas que usam essas traduções acreditam que aquilo que está ali foi escrito por Deus – e, se Deus está dizendo isso, eles têm que obedecer.

Tem uma passagem, 1 Sm 28, 3:7-8, que, na tradução Novo Mundo, traduz assim: “Quanto a Saul, tinha removido do país os médiuns espíritas”. – Saul viveu mais ou menos 1.000 anos a.C. A expressão “médiuns espíritas” foi surgir na segunda metade do século XIX, com Allan Kardec. Não existia “médium espírita” no tempo de Saul. Faltava mais de 2.800 anos para surgirem “médiuns espíritas”.

Por que eu estou abordando este tema? Porque muitos espíritas convivem com esse tipo de intolerância e não sabem responder, ficam confusos, ou pensam que a Bíblia e o Espiritismo são coisas que não combinam.

Precisamos nos esclarecer e saber responder à altura. Claro que não vamos bater boca – poucas coisas podem ser mais ridículas que uma discussão religiosa de baixo nível. Sem contar que a maioria só repete o que ouviu – são pessoas que não têm condições de manter um debate racional. E também há os mal intencionados, que querem nos desestabilizar, que querem incomodar. Não temos tempo a perder com eles.

Mas há pessoas sérias, do nosso círculo de convívio, que falam coisas desse tipo contra o Espiritismo e para isso a resposta deve ser dada.

Há uma tendência hoje, no meio espírita, de achar que não devemos responder a nada, que temos que ficar quietos, compreender “o irmãozinho”, porque “cada um tem o seu tempo”, e fazer uma oração por ele.

Cada um tem o seu tempo…

Não tem nada disso. Cada um tem o seu tempo, mas também tem o tempo de parar de dizer bobagem.

O espírita que acha que devemos ficar sempre calados está precisando ler Allan Kardec. Ninguém respondeu mais críticas, ninguém refutou mais opositores, sempre com muita elegância, do que o bom e velho Allan Kardec. Sempre na categoria, sempre com argumentos bem embasados.

Duvida? Então dá uma olhada neste trabalho do Paulo Neto: Refutação das críticas contra o Espiritismo Meu amigo Paulo Neto organizou um trabalho de mais de mil páginas com a refutação às críticas ao Espiritismo feita por Allan Kardec.

Eu estou citando Allan Kardec, que é o codificador da Doutrina. Tenho a maior admiração e respeito por Allan Kardec. Mas meu mestre não é Allan Kardec, meu mestre é Jesus. E como é que Jesus se comportava nessas questões?

Você acha que se Jesus estivesse encarnado hoje e ouvisse esse tipo de crítica baseada em mentiras, ele iria ficar quieto? De jeito nenhum. Jesus nunca ficou quieto para ninguém.

Jesus nunca deixou de responder a perguntas capciosas e às acusações dos seus opositores. Os escribas, fariseus, saduceus que lhe objetavam sempre ouviram respostas à altura e, muitas vezes, duras.

  • Geração má e adúltera; raça de víboras; cegos que guiam cegos; duros de coração; maus, sepulcros caiados, que parecem limpos por fora mas por dentro estão cheios de podridão; mandou tomar cuidado com o fermento dos fariseus; indiretamente os chamou de assassinos, tanto assim que queriam prender Jesus; hipócritas muitas vezes – e expulsou os mercadores do templo.

Os espíritas criaram um Jesus meloso. Dizem que um ser de luz não agiria assim. Mas quem fez a descrição do que é um ser de luz? Quem decidiu quais são as características que devem ser preenchidas para que se seja considerado um ser de luz?

Ah, mas o espírito tal disse! – Nós, eventualmente, criticamos adeptos de outras correntes de pensamento, principalmente alguns evangélicos porque acreditam cegamente no pastor – se o pastor falou, está falado!

Mas o que é mais estranho: acreditar cegamente no pastor ou acreditar cegamente no espírito? Olha, isso é loucura! Acreditar cegamente num espírito, ou nos espíritos em geral, ou em tudo o que dizem algum espíritos, ou em tudo o que diz algum médium, isso é loucura! É fanatismo! É fanatismo! Tem gente que tem chilique se se falar alguma coisa contra o Chico. Contra o Divaldo não tanto ainda porque ele não morreu, mas quando ele morrer também será endeusado.

São pessoas maravilhosas, são exemplos não só de espíritas – porque não são exemplo só para os espíritas, sãos exemplos de liderança, exemplo de cidadãos. Qualquer pessoa razoável reconhece os seus méritos. Ambos têm uma contribuição inestimável ao Espiritismo, não há como calcular. Mas não são perfeitos. E nem eles nem os espíritos que se comunicam através deles dizem isso.

Vamos usar a razão: se nós não respondemos, não nos defendemos, a mentira toma conta. Aliás, é assim em todas as áreas. Se não nos defendemos, o mal toma conta. Em qualquer lugar – desde o nosso lar até o Governo.

A única vez que Jesus não responde é quando é interrogado por Pilatos. Pilatos pergunta a ele: – não ouves quantas acusações te fazem? Jesus não respondeu nada e Pilatos ficou grandemente impressionado. Por que Jesus não respondeu ali? Porque disso dependia o cumprimento da sua missão. E esse foi o amor de Jesus por nós – o sentido do seu mandamento em João, amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Jesus doou-se por nós.

O que é espiritismo?

kardecismo

O que é espiritismo?

Eu poderia responder à pergunta “o que é espiritismo” repetindo os bordões que aprendemos em cursos como o ESDE. Não que as definições “oficiais” não estejam corretas; mas acho que temos que aprender a falar por nós mesmos, sempre. Senão nos tornamos chatos, repetindo ladainhas decoradas para impressionar incautos.

Espiritismo é um modo de vida – essa é a minha definição. Hoje; amanhã pode ser outra.

Espiritismo é um modo de vida, um estilo de vida. O espírita vê o mundo de outra maneira – o espírita que estuda e pratica o Espiritismo, bem entendido.

Por que o espírita vê o mundo de outra maneira? Porque o espírita tem sempre em mente que ele é um espírito. Somos espíritos experimentando uma existência carnal. Mas somos espíritos imortais, vamos viver para sempre, teremos muitas outras existências semelhantes a esta, e outras nem tanto.

O espírita não foge do mundo

O espírita não foge do mundo, pois sabe que os problemas são oportunidades de crescimento, de aprendizado, de progresso moral e intelectual. Então o espírita busca bons ambientes, procura conviver com pessoas mais positivas, mais otimistas, mais voltadas para o bem. Mas isso não se transforma numa fuga.

O que não falta na Terra são pessoas problemáticas. Temos que evitar a influência de pessoas problemáticas, e, na medida do possível, temos que conviver com pessoas mais equilibradas. Mas quem precisa da nossa ajuda são justamente as pessoas mais problemáticas, e faz parte da tarefa espiritual do espírita esclarecer essas pessoas sobre a origem dos seus males e os meios de superá-los.

O espírita não espera pelos outros

O espírita experimentado sabe que cada um é aquilo que faz de si mesmo. Nós somos os construtores da nossa própria realidade. Não podemos, portanto, esperar facilidades e favores de ninguém. Temos que aprender a nos bastar a nós mesmos.

Por outro lado, sabemos que somos seres interdependentes, e que, eventualmente, precisaremos da ajuda de alguém. E, assim como somos ajudados, temos que ajudar o nosso próximo. Há sempre alguém precisando exatamente do tipo de ajuda que nós podemos oferecer.

Estamos aqui para agir. O espírita valoriza muito a oração, que é uma concentração do pensamento que nos eleva e reconforta. Mas o espírita sabe que não basta orar, é preciso agir. A resolução dos nossos problemas depende muito mais da nossa ação do que de orações.

O espírita não tem verdades prontas

Algumas pessoas de conclusões apressadas acusam os espíritas de terem verdades prontas, de terem resposta para tudo. Não é verdade. O espírita estuda mais do que a média, por isso está mais próximo de encontrar soluções para os problemas do espírito. Baseados nos conhecimentos propagados e movimentados no meio espírita, os espíritas procuram, sim, explicações para tudo. Não como uma simplificação. Não para aparecerem, parar serem donos da verdade. Mas para que fique cada vez mais demonstrado que não existe acaso, que tudo tem uma razão de ser, que sorte e azar são apenas eventos para os quais não encontramos, ainda, nenhuma explicação convincente.

É claro que, em busca de respostas, algumas vezes os espíritas viajam na maionese. É um risco de quem aposta na ação. Quem aposta na passividade não perde nunca – mas também não ganha. Essas pessoas mais passivas devem estudar a parábola do filho pródigo: o filho que apostou na ação cometeu uma série de erros mas voltou feliz e foi recebido com alegria pelo pai. O irmão que apostou na passividade não aprendeu nada e ficou se remoendo de inveja.

O espírita aproveita a vida, mas não é apegado aos bens materiais

Será que eu estou forçando a barra? Ou é assim mesmo? Se não é assim, deveria ser assim. O espírita não tem nada a temer do que a vida material tem para oferecer. Este mundo impõe trabalho, oferece algumas dores, mas também nos proporciona muitos prazeres. E não há nada, absolutamente nada de errado com os prazeres. O problema pode surgir se nos apegarmos a eles, isso sim.

O grande problemas dos vícios e do sofrimento causado pelos vícios se deve ao apego que começamos a nutrir por tudo o que nos dá alguma espécie de prazer. Não há nada de errado com o prazer em si, mas temos que evitar o apego.

O espírita não pode ser apegado a nada. Nem a prazeres, nem a coisas, nem a pessoas, nem a situações, nem a emoções. Se você é espírita e permanece apegado a tudo isso, algo está errado. Se, pior ainda, você acha que nada está errado, você deve rever os seus conceitos.

Afinal, se somos espíritos imortais e estamos apenas de passagem pelo plano material, como é que vamos nos apegar a um monte de coisas que são passageiras? Não está na cara que esse apego vai trazer sofrimento mais tarde?

Falei dos espíritas: mas e o espiritismo?

Ora, o espiritismo só tem razão de ser porque há espíritas. Se não houver espíritas, o espiritismo não existe. As Leis divinas postuladas pelo espiritismo continuam existindo, mas o espiritismo, como uma doutrina disposta a organizar o conhecimento das coisas do espírito, perde a sua razão de ser.

Acho contraproducente a discussão sobre pureza doutrinária. Se você pensou que fosse ler alguma coisa sobre as diferenças entre espiritismo as outras religiões, ou alguma coisa como “o que é espiritismo e o que não é espiritismo”, você terá que continuar a sua busca. Particularmente, acredito que só o estudo mais aprofundado pode dirimir essas dúvidas de maneira satisfatória.

Diferentemente do que muitos pensam, o espiritismo não é uma doutrina estática, facilmente delimitada. Seus limites dependem dos limites de que o estuda e pratica. As obras básicas de Allan Kardec, que alguns saudosistas chamam de “Pentateuco kardekiano”, não são uma nova Bíblia, a Bíblia dos espíritas.

Posso estar sendo maldoso, e me perdoem os mais sensíveis, mas não posso deixar de pensar que quem quer fazer da obra de Kardec uma nova Bíblia, no fundo, no fundo, tem preguiça de estudar. É mais fácil ficar com um só autor, é menos estudo, menos conceitos com que trabalhar.

Allan Kardec é a base, a origem, o começo necessário do estudo. Mas estacionar em Allan Kardec é injustificável.

O espiritismo bem compreendido e bem vivido nos torna mais felizes, pois aprendemos a valorizar as experiências e a aproveitar todos os dias de nossas vidas. Cada reencarnação é uma oportunidade única, que não deve ser desperdiçada. Percebendo isso, desenvolvemos a gratidão a Deus, gratidão pela vida, pelas pessoas, pelo planeta, por tudo o que faz parte da nossa experiência.

Você valoriza o que você tem?

 

criança brincando na praia

Valorize as coisas e pessoas da sua vida!

Ouça este artigo na voz do autor

Você já conquistou alguma coisa que desejou muito? Você valoriza o que você tem? E as pessoas da sua vida, você as valoriza?

É uma pena quando só damos o devido valor a coisas e pessoas depois que as perdemos. Isso se aplica a uma casa, um carro, um relógio, um período da vida, um emprego, uma pessoa. Sei de pessoas que se desfizeram de um imóvel e depois se arrependeram, valorizaram-no tardiamente. No trabalho isso também acontece. Alguém abandona o emprego que gosta, motivado por uma proposta aparentemente melhor, e sente falta dos colegas, do lugar…

Mas quando isso se refere a pessoas, a coisa é mais complicada. Porque as coisas materiais, por mais importantes que sejam, não provocam remorso; no máximo arrependimento. Ninguém alimenta um sentimento de culpa muito sério por causa de um mau negócio. Mas e se a perda for humana?

Eu conheço, e você certamente conhece, alguém que deixou o marido, ou esposa, ou namorado, por não estar mais apaixonada, por haver acabado o encanto, por não estarem mais envolvidos o suficiente, e depois se arrependeu amargamente. Percebeu que havia entre eles coisas muito mais fortes e importantes do que mera paixão, mas aí já era tarde…

Ou então um filho que torcemos para que alcance sua independência e siga seu próprio caminho, devolvendo-nos um pouco de liberdade. E quando ele sai de casa, deixa um vazio que não é preenchido por nada, e a gente se dá conta de que sua presença era enriquecedora…

Quem é que não sabe de alguém que não suportava mais a caduquice do pai ou da mãe, já idosa, dando trabalho, e depois da partida para o outro lado tiveram certeza de que poderiam ter feito melhor?

Alguns desses erros não têm conserto, se você os cometeu. Mas certamente há muito a ser valorizado na sua vida! Se já erramos, aprendamos com os erros, é pra isso que eles servem. E tratemos de dar valor às coisas que já conquistamos.

A situação que você vive hoje não foi planejada por você? Por acaso a sua vida de hoje não é resultado do que você fez ontem? Claro que é, e não adianta espernear se ela não está como você gostaria que estivesse. Você colhe o que você plantou, não há como fugir disso. E o que não se explica considerando a existência atual, deve ser buscado em seu passado de espírito imortal

O fato é que existe uma grande possibilidade de você estar usufruindo hoje de algo que muito desejou no passado, seja um emprego, um negócio, um marido, uma esposa, um filho ou filha, uma casa, uma faculdade, a lista é interminável. Valorize o que você conquistou, o que você tem! Está certo que o desejo é necessário para impulsionar o progresso, por isso sempre queremos mais e mais, mas temos que dar valor às nossas conquistas!

Goste do que você tem. Ou você acha a grama do vizinho mais verde que a sua, o marido da colega mais bonito que o seu, o amigo do seu filho mais inteligente do que ele? Tudo isso pode ser verdadeiro, a grama, a mulher e o filho podem não ser os melhores, mas é o que você tem. E, deixando a grama de lado, não se esqueça de que somos responsáveis por nossos afetos.

Você sabe que não dependemos de nada nem de ninguém para nossa felicidade. Então chega de tantos quereres e tantas insatisfações! Goste do que você possui, goste das pessoas que fazem parte da sua vida, valorize as suas conquistas. Lembre-se de que muitas dessas conquistas você quis ardentemente, esforçou-se para isso, e agora são suas. Valorize-as! Depois que perdê-las não adianta lamentar. Não é mesmo?