Se o grão de trigo cair na terra e não morrer, ele fica só; mas, se morrer, dá muito fruto

Se o grão de trigo cair na terra e não morrer, ele fica só; mas, se morrer, dá muito fruto. Essa declaração de Jesus reflete os mistérios de Elêusis, praticados na Grécia antiga. Jesus assim se reporta aos gregos que vieram conversar com ele a respeito do ritual de morte de Lázaro. Este é o tema deste vídeo, o 22º vídeo desta série de estudos sobre o Evangelho de João.

A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém

Neste vídeo analisamos dois episódios do início do capítulo 12 do Evangelho de João: a unção de Jesus por Maria, irmã de Lázaro, e a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, montado sobre um jumentinho. Vamos ver que Jesus não é um milagreiro, ao gosto dos que esperam uma salvação externa, vinda de fora. Este é o 21º vídeo desta série de estudos sobre o Evangelho de João.

A ressurreição de Lázaro – uma visão espírita

Lázaro ressuscitou ou ele não estava morto?

A morte física é uma Lei de Deus. Deus é perfeito, então as Suas Leis são perfeitas. Se as Suas Leis são perfeitas, não podem ser derrogadas, nem mesmo por Jesus.

O que, então, ocorreu com Lázaro?

Este é o tema abordado neste vídeo, que abrange todo o capítulo 11 do Evangelho de João. Este é o 20º vídeo desta série de estudos sobre o Evangelho de João.

Reencarnação de prova

reencarnação de prova

Você acha que a vida é uma prova?

Toda reencarnação, para nós, é uma prova. Você sabe que cada reencarnação é oportunidade de reajuste entre espíritos que em algum lugar do passado se desajustaram, se desentenderam.

O mecanismo biológico da reencarnação nos permite refazer o que foi mal feito. Graças ao esquecimento temporário do passado, temos nova chance de agirmos conforme a razão, conforme o que sabemos ser o certo. Aqueles que ainda não compreenderam a realidade da reencarnação alegam que não adianta nascer de novo se não lembramos nada – como nos reajustarmos com alguém se não lembramos o que aconteceu? 

Essas pessoas não conseguiram expandir o seu pensamento para além do aqui e agora. Nossa realidade não é essa. Somos espíritos imortais, e cada existência é apenas um pequeno ponto em nossa trajetória evolutiva. Quando reencarnamos próximos dos espíritos com quem nos desarmonizamos no passado, é com o espírito imortal que estamos nos rearmonizando, não com a personagem que aquele espírito interpretou numa determinada existência.

A cada existência temos uma personalidade diferente, interpretamos uma personagem, de acordo com o meio, a época, os valores que nos são ensinados. Os conhecimentos e experiências que já adquirimos ao longo de inúmeras existências irão direcionar as influências que recebemos atualmente. Um espírito razoavelmente adiantado faz dum limão uma limonada; um espírito ainda rebelde e preguiçoso desperdiça excelentes oportunidades.

A personalidade que animamos a cada existência é o instrumento do espírito para o progresso. Espíritos se encontram em várias existências, nas mais diversas condições, na tentativa de rearmonizar o que foi desarmonizado ou de consolidar laços afetivos. A personalidade passa, o espírito fica.

Vivemos no período de transição planetária. A Terra deixará de ser um mundo de provas e expiações para se tornar um mundo de regeneração. Só permanecerão aqui os que estiverem dispostos a se regenerarem. Isso acelera o processo natural de reajuste. Experimentamos um momento de reajuste obrigatório com nossos desafetos do passado. Velhas encrencas de existências passadas são trazidas à tona para que a harmonia seja feita. Tudo o que não foi perdoado e superado vem à superfície para ser esclarecido e resolvido.

Não podemos encarar isso como “provação”. São provas, sim. Mas essas provas são oportunidades únicas e inadiáveis, nas condições em que as recebemos, de quitar velhas dívidas, de “limparmos o nosso nome” no SPC espiritual. É como se tivéssemos acumulado dívidas durante décadas, ganhando salário mínimo e empurrando as contas com a barriga. Agora, que temos um salário decente, temos que primeiro colocar as contas em dia, para depois aproveitarmos um padrão de vida mais elevado.

Falo em “dívidas” para ser facilmente compreendido, mas não podemos pensar, de modo algum, que nascemos para pagar dívidas. Nascemos para amar, para fazermos coisas importantes, para aprendermos sobre o mundo, sobre o próximo e sobre nós mesmos. Só que para escalarmos degraus mais altos precisamos superar os nossos equívocos do passado. E agora é a hora.

O ódio se tranforma em amor

O ódio se transforma em amor

Artigo publicado originalmente em 27/09/2012

Ouça este artigo na voz do autor

Você já ouviu falar que o amor pode se transformar em ódio? Também já deve ter ouvido aquela definição que diz que o ódio é o amor que ficou doente. Esses dois sentimentos realmente são muito próximos. Mas, diferente do que se costuma pensar, não são opostos; não são o contrário um do outro. E o ódio também se transforma em amor.

Acho que o contrário do amor é a indiferença. Qual é o contrário de luz? Treva, escuridão. E o que é a escuridão? Não é a ausência da luz? Pois a indiferença é a ausência do amor. Ninguém odeia algo ou alguém que não lhe seja importante. O amor e o ódio são duas faces de uma mesma moeda.

Você já teve ódio de alguém? Não se envergonhe; somos todos humanos. Se já teve, aposto que foi de alguém muito próximo, alguém a quem provavelmente amou. O abandono por parte dos pais, a traição do marido ou da esposa, o desrespeito e menosprezo por parte de um filho, são essas atitudes vindas de pessoas normalmente amadas as que promovem ódios renitentes.

Isso também acontece em relação a coisas, não só a pessoas. Se nos roubam, nos privam, nos tiram algo que valorizamos muito, o ódio também é despertado: Nosso dinheiro, nosso cargo no trabalho, até o título do time para o qual torcemos.

O espírito imortal experimenta, em sucessivas reencarnações, as mais variadas nuances de amor e ódio, muitas vezes envolvendo os mesmos seres. A cada nova reencarnação, temos a oportunidade de nos reajustarmos com antigos desafetos, temos a chance de transformar ódios milenares em amor. E um dia isso acontece. Só o amor não acaba nunca.

Há casos (muito mais do que se costuma imaginar) de espíritos que se digladiam milênios afora, se revezando nas posições de vítima e algoz. Até que, ajudados pela proximidade imposta pelas circunstâncias, geralmente sob o mesmo teto, aprendem a se amar, aprendem a valorizar os aspectos positivos um do outro.

Você pode observar que os sentimentos mais pesados que você experimenta são dirigidos a pessoas muito próximas, que você ama ou gostaria de amar. São relações que vivem imersas no ódio há muito tempo, e estão em fase de transformação. Tudo tende para o amor, e ele está em todas as coisas, mesmo que seja em estado vegetativo. O amor pode estar sufocado no meio do rancor, da mágoa, da sede de vingança. Mas mesmo assim o amor existe. Permanece, latente, à espera da ocasião mais propícia para se desenvolver plenamente, superando obstáculos a curando feridas do passado.

Pode parecer estranho, mas talvez o ódio seja necessário para o conhecimento pleno do amor, para a real valorização do amor. Se não sentíssemos a tortura da fome, por certo nos descuidaríamos do cuidado em abastecer nosso corpo com a energia necessária para que realize as atividades que a vida requer. O ódio não passa de uma fome desesperada de amor. Uma tentativa enlouquecida de suprir a fome de amor que todos nós sentimos, querendo ou não.

Uma coisa é certa; é só observar para constatar por si mesmo: Desde que surge um vínculo entre duas pessoas, este vínculo jamais será quebrado. Se o que ficar for a indiferença, não havia vínculo. Ele pode se desenvolver como amor desde o começo, evoluindo aos poucos. Ou pode degenerar em ódio. Este ódio tem o poder (e a função) de manter o vínculo entre estas pessoas. E num processo mais ou menos longo, atravessando às vezes muitas reencarnações, este ódio vai se depurando e se desgastando até que se transforme em amor, o sentimento eterno, a força que move o mundo.

Vós sois deuses – Espiritismo

No capítulo 10 do Evangelho de João, estudado neste vídeo, Jesus dá a famosa declaração: – “Eu e o Pai somos um”. Muitos religiosos tradicionais levam isso ao pé da letra e imaginam isso como prova de que Jesus é Deus. Mas, neste mesmo capítulo, Jesus diz “vós sois deuses”.

Nossa natureza é divina, todos somos filhos de Deus, creados à sua imagem e semelhança, e nosso destino é sermos um com Ele.

Este é o 19° vídeo desta série de estudos sobre o Evangelho de João.

Planejamento para reencarnar

criança reencarnação

Planejamento reencarnatório

Você já ouviu falar que existe um planejamento para reencarnarmos? Pois é, existe. Não para todos, mas existe.

Por que não para todos? Porque a maior parte da humanidade ainda não desenvolveu a consciência a ponto de planejar qualquer coisa. Se a maioria das pessoas que você conhece só se preocupa em planejar o almoço de domingo, como acreditar que elas tenham uma participação ativa no seu planejamento reencarnatório?

É verdade que existem espíritos mais adiantados que nós que coordenam grandes grupos de espíritos. Mas seria ingenuidade achar que eles atendem caso a caso, tratando com minúcias cada detalhe de uma reencarnação. Grande parte dos espíritos ainda reencarna compulsoriamente. Sentem-se, consciente ou inconscientemente, atraídos por alguém e reencarnam como seus filhos. 

Assim é que um obsessor reencarna como filho daquele a quem obsediava; um espírito viciado reencarna como filho da pessoas viciada que ele vampirizava; um parente desencarnado que permaneceu acompanhando a sua família terrena acaba reencarnando no mesmo meio.

Não estou negando o planejamento. Só que a Lei é perfeita, os reajustes necessários sempre encontram as melhores condições para serem efetuados. A tendência do Universo é a harmonia, sempre. Tudo conspira para que o que um dia foi desarmonizado seja rearmonizado. A Lei é de Deus, e funciona independente da intervenção dos espíritos.

O que os espíritos mais adiantados fazem é facilitar o bom andamento da Lei. Através do planejamento envolvendo espíritos que já desenvolveram razoavelmente a consciência, diversos fatores são equacionados para que haja as melhores condições possíveis para a harmonia e o aprendizado de seus tutelados.

É possível que você já tenha atingido um grau de consciência suficiente para participar do seu próximo planejamento reencarnatório. É verdade que ainda temos muito o que fazer nesta atual existência. Mas não podemos esquecer que somos espíritos imortais, e o nosso amanhã depende do nosso hoje. Muitos dos nossos problemas atuais se devem à nossa imprevidência do passado. É comum, mesmo no meio espírita, que não se dê muita atenção à próxima reencarnação porque não lembraremos quem somos.

A cada mergulho na matéria perdemos temporariamente a nossa consciência do passado. Mas temos que considerar que quanto mais nos adiantamos, maior é o nosso grau de consciência, e chegará o dia em que, mesmo encarnados, poderemos acessar parcialmente o nosso passado espiritual. Estamos recém começando. Recém começamos a perceber e desenvolver nossas potencialidades.

Você tem ideia de como está grande a fila pra reencarnar? Se quisermos contar com um bom planejamento temos que prestar atenção a isso desde já. Para virmos num meio adequado, que nos proporcione ótimas condições de desenvolvimento, temos que fazer por merecer. Alguém terá que receber você como filho, você terá que contar com algumas pessoas-chaves com quem se encontrará nos momentos certos para trazer novos ingredientes importantes à sua vida.

Mas para isso é preciso sermos bem relacionados. É preciso termos um razoável quadro de amizades verdadeiras. Tem algumas pessoas tão difíceis e desagradáveis que exigem muito esforço e sacrifício para conviver com elas. Não sejamos como elas. Não nos tornemos uma dor de cabeça para aqueles que um dia poderão ser “convidados” a nos receberem em seu seio familiar.

Espiritismo e adultério

Espiritismo e adultério

Artigo publicado originalmente em 26/09/2012

O Espiritismo, tomando por base a questão 701 do Livro dos Espíritos, afirma que o casamento deve se fundar na afeição dos dois seres que se unem. Mas não podemos ignorar que o adultério é prática comum, tolerada pela sociedade.

Você já parou pra pensar a respeito do poder que há no sexo? O sexo sempre esteve por trás das grandes conquistas e das grandes tragédias da História. Talvez um dos desequilíbrios mais comuns na trajetória do espírito imortal seja justamente o sexo. Se você se alimenta pouco, enfraquece; se come demais, adquire doenças. Se você dorme pouco, não recupera totalmente as energias; se dorme muito, perde o dinamismo. Com o sexo ocorre o mesmo. É preciso equilíbrio.

O desejo sexual represado representa um grande perigo, pois poucas pessoas são elevadas a ponto de canalizar a energia sexual para o processo criativo. O represamento do desejo sexual pode levar ao descontrole e é causa de muitos crimes. Pessoas sexualmente equilibradas convivem melhor em sociedade e são mais felizes.

Nosso senso moral e nossa cultura cristã nos legaram a monogamia como relação ideal mais propensa a incentivar o amor. Mas não podemos ignorar que o adultério é prática comum, tolerada pela sociedade. Você tem ideia das consequências espirituais do adultério? A relação sexual é o momento de maior intimidade e troca de energias que se pode experimentar na Terra. Isso não fica restrito ao plano físico, mas também ao plano astral.

Ao nos unirmos sexualmente com alguém, formamos ligações com as companhias espirituais da outra pessoa. Você sabe que nunca estamos sozinhos, estamos sempre acompanhados de espíritos que se afinizam conosco, com os nossos gostos, com nossas atividades, pensamentos, atitudes, emoções. Numa relação adúltera é inevitável que sejam atraídos por nós espíritos que se afinizam com este tipo de ato clandestino, furtivo, baixo. Em situações assim reatamos antigas ligações espirituais conflituosas ou encetamos novos comprometimentos.

O mesmo ocorre com o sexo pago. Você acha que quem recorre à prostituição pratica o ato sozinho? Na verdade quem costuma comandar a situação são os espíritos desencarnados viciados em sexo. Os lugares ligados à prostituição são habitados por inúmeros espíritos nessas condições, que vivem da energia dos encarnados que os frequentam. São verdadeiras parcerias que se formam entre os dois planos. Os dois lados em busca do prazer desenfreado oferecido pelo sexo.

Há muitos que não consumam a traição. Não se atrevem a levar o adultério às últimas consequências. Mas o fazem em pensamento. Jesus falou sobre isso, ao dizer que desejar a mulher do próximo em pensamento já é cometer adultério. Nada ativa tão bem a imaginação como o desejo sexual. O poder mental é capaz de atrair espiritualmente a pessoa desejada se for fortemente imaginada. Se houver reciprocidade de intenções, pode haver uma espécie de vida paralela em que os adúlteros em pensamento passam a encontrar-se no astral para saciar seus desejos. De qualquer maneira, sendo ou não sendo correspondido o desejo, outros espíritos sedentos por sensações prazerosas do sexo são atraídos. Qualquer pessoa que tenha seu pensamento dominado pela ideia do sexo atrai para si companhias espirituais das quais se torna muito difícil de se livrar.

Durante o período de sono físico, nada atrai tanto o espírito encarnado quanto o sexo. Muitos são habituados a se relacionar com desencarnados ou com outros encarnados desdobrados pelo sono. Às vezes são pessoas de conduta exemplar, que racionalmente não procurariam essa situação. Mas, parcialmente livres do corpo físico durante o sono, se deixam dominar pelo subconsciente. No subconsciente está armazenada a bagagem de todas as vidas anteriores do espírito imortal; é a soma de tudo o que ele é.

Quem vive essas experiências geralmente não tem vida sexual satisfatória; vive sem esperança amorosa. Geralmente essas pessoas roubam a energia das pessoas próximas; familiares, amigos, colegas. A energia que retiram de seus próximos é gasta em seus encontros no astral.

O sexo é energia sagrada, é criação de Deus que nos concedeu o poder de criar, pois somos Sua imagem e semelhança. O sexo equilibrado é manifestação de amor, e eleva o espírito a Deus. Mas o sexo em desequilíbrio pode ser motivo de queda e destruição. Deus não nos castiga, não há crime ou pecado. Há desgaste espiritual, há desperdício de forças criadoras, há desrespeito com o amor. E tudo isso tem um preço.

Antes de comentar, leia este artigo: Espiritismo e os relacionamentos amorosos

A cura do cego de nascença e a reencarnação

- Quem pecou, este ou os seus pais, para que nascesse cego? – Essa pergunta feita a Jesus pelos seus discípulos demonstra que eles acreditavam na reencarnação. Pois, se o homem não estava pagando pelos pecados dos seus pais – o que seria uma imensa injustiça da parte de Deus – quem havia pecado teria sido ele mesmo. Mas, se ele era cego de nascença, como poderia ter pecado? Evidentemente, numa existência passada. Aliás, o historiador Flávio Josefo, que era contemporâneo de Jesus, atesta que a crença na reencarnação era comum na época, embora de maneira confusa.

Este é o tema do capítulo 9 do Evangelho de João, de que trata este vídeo. Este é o 18º vídeo desta série de estudos sobre o Evangelho de João.

O que você vai levar desta vida?

malas e bagagens

O que você vai levar desta vida?

Nossa passagem pela matéria é curta. O que você vai levar desta vida?

As Leis de Deus estão gravadas em nossa consciência. Precisamos ter isso sempre em mente para eliminarmos definitivamente a ideia arcaica e ultrapassada de um Deus exterior, fora de nós, alheio a nós. O que conhecemos de Deus é a Lei. E a Lei está em nós; portanto, Deus está em nós.

Por desconhecermos essa verdade por tanto tempo, nos acostumamos a agir como eternas crianças, na base de castigo e recompensa. Buscamos recompensa pelas nossas frouxas bondades e fugimos do castigo pelas nossas teimosas maldades.

Em sociedade, procuramos ser corretos para não sermos punidos pela lei. Todos os dias tramitam projetos de lei para tudo. Quanto mais leis são criadas, mais a criatividade burladora dos homens inventa meios de infringir sorrateiramente a lei. De um modo geral, não somos corretos porque sabemos que devemos ser corretos – se cumprimos a lei é apenas por medo da punição.

Somos assim também em nossa relação com Deus e a espiritualidade. Geralmente as poucas coisas boas que fazemos não são feitas naturalmente, como uma decorrência natural do fato de estar vivo, de existir. Há coisas que fazemos naturalmente, como comer, dormir, procurar diversão. Não costumamos fazer o bem com essa mesma naturalidade. Fazemos algumas migalhas de bem para escaparmos do fogo do inferno, ou, no caso dos espíritas, para evitarmos o umbral.

Imagine-se no fim da vida, a uns poucos passos de desencarnar. Já há bastante tempo sem poder comer e beber o que tem vontade; sem poder praticar esportes, ou caminhar ao ar livre, ou correr; sem concentração e visão suficientes para ler; sem tesão há muitos anos; sem nada de prazer material nem de satisfação barata. O humor comum já não faz rir, as notícias já não fazem diferença, as novas descobertas não empolgam, ninguém precisa de você e o que você precisa dos outros é ajuda para a sobrevivência do seu corpo, nada mais que isso.

O que você carrega como sua bagagem nessa situação? O que é capaz de lhe dar alguma satisfação íntima? O que sobra, afinal de contas? O espírito. Você. Não este você provisório, esta personagem que você interpretou por algumas décadas, identificada com um nome, animando um corpo físico velho e decadente. Mas você de fato, de verdade, você espírito imortal, individualidade divina.

Tudo o que nos dá prazer material, sensório, mesmo que seja legítimo, é apenas provisório, passageiro, fugaz. Nada contra os prazeres, de jeito nenhum. Não há nada de errado com eles. Mas temos que ter consciência de que eles não são reais. Se fossem reais, perdurariam, permaneceriam conosco, mas não: desaparecem completamente, mal fica uma vaga lembrança da sua inutilidade.

Só o que nos preenche de verdade são as coisas do espírito, e nisto está inserido o fazer o bem, o ser útil ao próximo, a contribuição, pequena mas legítima, que podemos deixar a outros espíritos como nós. É isso o que levamos desta existência, é isso o que carregamos em nossa bagagem espiritual. Sermos bons, então, é o sentido de nossas vidas.

Não estou falando isso por ser um dos poucos espíritos encarnados na Terra que são bons naturalmente. Não; estou ainda muito longe disso. Estou tão longe disso como um homem no sopé de uma montanha está longe do seu topo. Mas, esticando o pescoço, consigo vislumbrar o topo da montanha, e o que vejo é isso: só o que pode nos preencher de verdade, de maneira duradoura e sólida, é ser bom, ser bom de verdade, naturalmente. Não por medo de castigo ou à espera de recompensa. Mas como uma decorrência natural do fato de existir.

Pelo amor ou pela dor

 

criança caindo da bicicleta

Aprendemos pelo amor ou pela dor…

Artigo publicado originalmente em 25/09/2012

Ouça este artigo na voz do autor

Você já ouviu falar que aprendemos pelo amor ou pela dor? Acredita que podemos aprender tudo pelo amor? Eu, particularmente, acho que ainda não. A experiência de cada um de nós demonstra que costumamos aprender muito mais pela dor do que pelo amor.

Desde crianças temos a oportunidade de aprender através do amor. São os conselhos e ensinamentos exaustivos do pai e da mãe, os exemplos, as lições que recebemos dos mais velhos. Alguns nós seguimos. Muitos outros nós não seguimos. E aprendemos com nossas próprias experiências. Às vezes repetimos as mesmas experiências de nossos pais, sendo que seria fácil para nós ter aprendido com a experiência deles.

Mas não dá pra negar a capacidade que a dor tem de nos ensinar. É que a dor, pelo menos neste nosso planeta, é mais experiente que o amor. A dor pega você de jeito, como quem não quer nada, e quando você vê está pronto para refletir.

O que o amor levaria meses para explicar, a dor demonstra em alguns minutos. O que o amor levaria várias reencarnações para ensinar, a dor ensina em alguns anos. A dor chama para si, obriga a sentar e ouvir. Com a dor física, você percebe que está abusando do corpo. Com a dor da saudade, você valoriza quem está longe. Com a dor do arrependimento, você reconhece o erro e se propõe a consertá-lo. Com a dor da solidão, você se dá conta de que não é uma ilha, de que não se basta sozinho. Com a dor do coração você nota que não é como gostaria de ser, que é bem mais falível, suscetível e sensível do que costuma pensar.

A dor arranca o seu disfarce. E você se vê como é de verdade. E, não importa como você seja, o fato é que você é único. E só. Sozinho num imenso universo. O único responsável por você mesmo. Autor, ator e crítico do próprio espetáculo. Você é responsável pelo seu corpo, é você que deve cuidar dele. Você é responsável por seus sentimentos, e deve aprender a lidar com situações conflituosas como solidão, saudade ou abandono. Você é responsável por seus pensamentos, palavras e ações, e está sujeito a fazer coisas de que se arrependerá.

E ao perceber que você é o único responsável por sua própria vida, você então permite ao outro que ele seja como ele é. Porque o outro também é o único responsável pela vida dele. O outro não tem o poder de influenciar a sua vida, a não ser que você permita. Do mesmo modo, você só vai influenciar a vida do outro se ele permitir.

E se você quer ser livre precisa saber que só existe liberdade onde houver tolerância. Se você não permite que o outro seja como ele é, se você não aceita que o outro seja diferente de você, você está preso ao outro. Está preso porque há uma questão mal resolvida que exige solução. A liberdade em relação aos demais só é alcançada se houver tolerância.

A dor é um mecanismo que serve para orientar, como uma bússola. Sempre que houver um desvio da rota, a dor alerta. Você pode ignorá-la por um bom tempo. E quanto mais você a ignora, mais forte ela fica, mais potencial de ensinamento ela adquire.

É claro que um dia aprenderemos mais com o amor. Aprenderemos mais facilmente, mais docilmente. Mas em nosso estágio evolutivo a dor ainda é de extrema utilidade. Sem ela, levaríamos muito mais tempo para aprender qualquer coisa. Não sentiríamos necessidade alguma de refletir. Não reclame da dor, aprenda com ela.

Vós tendes por pai ao diabo!

- Vós tendes por pai ao diabo! – são palavras de Jesus, no capítulo 8 do Evangelho de João. A visão estreita dos religiosos tradicionais, aliada aos preconceitos que em todos os tempos imperaram na humanidade terrena, fizeram dessa frase de Jesus uma prova da existência do diabo como um ser individual, o eterno rival de Deus, que, na sua visãozinha torta, mais parece um homem mesquinho, vingativo e ciumento. Além disso, por causa dessa frase fora de contexto os judeus foram perseguidos durante séculos. Afinal, se o próprio Jesus está dizendo que eles são filhos do diabo…

Esses são os riscos de uma leitura ao pé da letra, sem estudo, sem contextualização. Este é um dos temas abordados neste vídeo. Outro tema muito importante é a afirmação de Jesus: – Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará! – que verdade é essa? 

Este é o 17º vídeo desta série de estudos sobre o Evangelho de João. Uma visão inédita, interpretada diretamente a partir do original grego.

Espiritismo – Deus castiga?

Deus pune?

Deus castiga?

Você já ouviu dizer que Deus castiga? Você não acha essa abordagem um pouco equivocada? É verdade que no tempo de Jesus, onde predominava a ignorância, era necessário servir-se de imagens fortes para impressionar as mentes rebeldes. Por isso Jesus usou expressões como “pranto e ranger de dentes” ou o “fogo da Geena”, que é geralmente traduzido como “fogo do inferno”.

A Geena ou o Vale dos Gemidos é mencionado já no Antigo Testamento, desde Josué. Era um vale onde foi construído um altar ao deus Moloch, onde eram feitos sacrifícios de crianças. Até reis dos judeus, como Manassés e Acaz, queimaram os seus próprios filhos em adoração a Moloch. O profeta Jeremias protestou contra essa monstruosidade, e o Rei Josias destruiu o local do culto fazendo daquele vale o depósito de lixo de Jerusalém, onde lançavam os cadáveres de animais e de criminosos. O gás, provavelmente metano, produzido pela deterioração do lixo, é que fazia o fogo manter-se aceso permanentemente. Assim surgiu o simbolismo do fogo que nunca se apaga, que foi utilizado para a figuração do inferno.

Quando Allan Kardec codificou o Espiritismo ainda imperavam os conceitos defendidos pela Igreja, e as expressões utilizadas por Kardec refletem isso. Muitos espíritas sustentam, até hoje, que Deus castiga. Quando tentamos argumentar que Deus, Pai amoroso e bom, infinitamente misericordioso, não pune os seus filhos, elas dão o golpe que julgam fatal: – Mas está no Evangelho segundo o Espiritismo!

Sim, é verdade que nesta obra está escrito com todas as letras que “Deus pune”. Para falar de Kardec, então, nos servimos do próprio Kardec. A questão 621 d’O Livro dos Espíritos diz que as Leis de Deus estão gravadas em nossa consciência. Quem pune, então, é a nossa consciência; quem castiga é a nossa própria consciência. A nossa consciência é o nosso juiz particular. Testemunha, promotor e juiz. E não há instância superior a apelar. A consciência não falha. Afinal, a consciência é Deus em nós.

Dissemos que é a consciência que pune ou castiga. Essas palavras, “punir” e “castigar”, como tantas outras, perderam o seu sentido original com o tempo.

Punir vem do latim “punire”, que significa “aplicar pena em alguém”. Aplicar “pena”. Pena, do latim “poena”, que, por sua vez, vem do grego “poine”, que quer dizer “puro”, “limpo”. Castigar vem do latim “castus”, que também quer dizer “puro”, “limpo”.

Quando lemos, então, que Deus pune ou que Deus castiga, devemos entender que a nossa consciência adota automaticamente os meios mais adequados para a nossa purificação. Cometemos erros, contrariamos a harmonia do Universo, poluímos o nosso pequeno mundo, e a consciência adota providências para que limpemos a sujeira que fizemos, para que purifiquemos o que foi poluído por nós. É só isso.

Deus não castiga nem pune. Deus é a Lei. A Lei é inflexível. Sujamos, temos que limpar. Bagunçamos, temos que arrumar. Quebramos, temos que consertar. Não como castigo, mas como oportunidade de aprendizado. A Vida nos oferece lições todos os dias. Se as aproveitamos, vamos passando para níveis mais adiantados. Se não as aproveitamos, temos que repetir lições cada vez mais duras, que tenham poder de fixar o aprendizado.

Para os raciocínios mais apressados, isso pode parecer apenas questão de palavras. Mas o nosso pensamento é construído com palavras. Conforme os conceitos que atribuímos às palavras, então, formulamos pensamentos mais ou menos ajustados à verdade que conseguimos apreender. Construímos a nossa realidade a partir do pensamento. É o pensamento que determina a nossa realidade. Percebemos, então, a importância de pensar adequadamente, utilizando-nos dos conceitos corretos.

Quando lemos, então, que Deus pune, temos que ter em mente que Deus está dentro de nós, e que é a partícula de Deus presente em cada um de nós que nos julga. E precisamos ter bem claro que não existe castigo ou punição da maneira como costumamos entender essas palavras hoje. Não é “olho por olho e dente por dente”, são mecanismos de harmonização que conspiram a nosso favor, proporcionando-nos as oportunidades mais adequadas ao nosso processo evolutivo. O que vemos como “castigo”, no sentido vulgar da palavra, é, na verdade, purificação espiritual, limpeza da mente através de novos aprendizados. 

Somos obrigados a crer em Jesus? – Espiritismo

Será que somos obrigados a crer em Jesus? Será que Jesus nos julga?

Formamos, ao longo do tempo, uma série de conceitos absolutamente deturpados a respeito do ensinamento de Jesus, que é válido para todos os tempos e para todos os lugares. Esse problema se deve às teologias e às traduções tendenciosas, principalmente.

Mas a maior parte do ensino de Jesus exige um conhecimento um pouco mais avançado para a sua compreensão. O Espiritismo colabora, e, muito, para esse entendimento. Este é o 16º vídeo desta série de estudos sobre o Evangelho de João. Me acompanhe nesta jornada!

Relacionamentos cármicos – Espiritismo

carma casamento

O carma e os relacionamentos

A leitora Paloma fez uma pergunta recorrente em relação à Lei de ação e reação, dentro do que vulgarmente chamamos de “relacionamentos cármicos”. 

Olá.Tenho uma dúvida sobre espiritismo. Muito se fala sobre ação e reação. Ok, mas penso que se sempre for assim, será uma cadeia sem fim. Quando será estancada a cadeia de ação e reação? Outra coisa: haveria realmente necessidade de colocar o algoz na situação que ele gerou em outra vida? não caberia um perdão sincero da vítima? Tenho dificuldade em entender isto, pois geraria uma cadeia sem fim… tenho dúvida se a prova não é justamente reagir e se afastar de quem nos faz o mal… ao contrário do que já ouvi que, se for uma prova, pedimos por ela e devemos suportar… Obrigada. Agradeço, se puder esclarecer.

- Paloma, a Lei de ação e reação não é invenção do Espiritismo, é um princípio conhecido em todas as grandes religiões, principalmente no Oriente. A palavra carma, às vezes usada com um sentido negativo, vem do sânscrito e quer dizer ação. Toda ação gera uma reação. Com o Espiritismo esta Lei ficou mais conhecida porque o Espiritismo  trata da reencarnação, o que torna mais visível e compreensível o conceito de semeadura e colheita. Ação e reação é uma lei universal, demonstrada pela física. 

Imagine que você tem uma bola de borracha que caiba na sua mão. Se você atirá-la contra o chão, ela irá subir e descer algumas vezes, não vai? Mas a sua subida vai ser cada vez menor. Pelo princípio da inércia ou 1º lei de Newton, desde o momento em que você deu movimento à bola, ela permaneceria permanentemente em movimento. A bola só vai diminuindo a sua velocidade por causa do atrito e da força contrária. Ela sofre a ação de uma força contrária ao encostar no chão e entra em atrito com o ar ao subir e descer. A ação e reação é Lei, e como tal, funciona sempre.

Você fala em cadeia sem fim. O movimento da bola entraria numa cadeia sem fim, se não fosse a força contrária exercida pelo chão e o atrito com o ar, que faz com que o impulso diminua. Do mesmo modo, a cadeia de ação e reação entre espíritos perde impulso graças às “forças contrárias” e aos “atritos”. É através das contrariedades e dos atritos que nos polimos. Somos como diamantes que precisam ser burilados e polidos em contato uns com os outros, através de longos milênios, até que a nossa natureza divina, que temos em nosso interior, venha à tona.

Perceba que, ao longo da História, as relações entre as pessoas vêm melhorando, e muito. Como você fez o seu comentário num artigo sobre traição, vou utilizar-me deste assunto como exemplo. Hoje falamos sobre “traição”. Algumas décadas atrás ainda era normal que o homem frequentasse bordeis, muitas vezes com o conhecimento e mesmo o consentimento da esposa, pois eram “coisas de homens”. Hoje isso já não é admissível. O homem podia matar a mulher que o traísse e ser inocentado, pois teria matado “em legítima defesa da honra”.

A cada reencarnação vamos nos aperfeiçoando um pouco, até que já não haja nada a ser reparado. A cadeia de ação e reação “estanca” quando houver a compreensão, o perdão, o amor. Amor é harmonia.

- Haveria realmente necessidade de colocar o algoz na situação que ele gerou em outra vida? não caberia um perdão sincero da vítima?

Quem você acha que coloca o algoz na situação que ele gerou? Deus? As Leis de Deus estão gravadas em nossa consciência. Neste sentido, podemos dizer que é Deus que faz isso. Mas deve ficar claro que é a própria consciência culpada que se autocondiciona a experimentar o mal que causou. O mal gerado fica impresso na consciência culpada. A experimentação na própria pele do mal causado a outrem é a exteriorização natural da impressão do mal que ele praticou.

Entenda que o mal que nós praticamos é um veneno que nós mesmos ingerimos. Assim como o corpo físico se protege de um veneno ingerido provocando vômito ou diarreia, para expelir, para exteriorizar o veneno, assim também o espírito exterioriza o mal que está nele a fim de purificar-se. Um religioso tradicional, ao observar o sofrimento de uma pessoa nessas condições, se desconfiar que há uma causa para que este sofrimento exista, vai concluir que se trata de castigo de Deus. O próprio Livro dos Espíritos se utiliza da expressão “castigo de Deus”, retratando os conceitos vigentes na época em foi escrito. Mas se analisarmos a origem da palavra “castigo”, fica mais fácil de compreender como age a Lei. Castigo vem do latim castus, que quer dizer “puro”. Castigar, do latim castificare, é purificar, tornar puro. Castigar, então, é purificar.

Deus age através das Suas Leis, perfeitas e imutáveis. As Leis de Deus estão gravadas em nossa consciência. Tudo o que sentimos, pensamos, falamos e fazemos fica gravado em nosso subconsciente. Como disse Jesus, “até os fios de cabelo de vossa cabeça estão contados” (Mateus 10:30). Podemos nos esconder da lei, da justiça, dos homens, mas não podemos nos esconder da nossa própria consciência. As Leis de Deus, que estão gravadas em nossa consciência, nos conduzem, mais cedo ou mais tarde, à reparação do mal que causamos. A vida nos oferece a oportunidade de reparação dos nossos erros através da reencarnação ao nos proporcionar o convívio com as nossas vítimas do passado. Vivendo em si mesmo a experiência do mal que praticou no passado, ao mesmo tempo
em que purga o mal que está dentro de si, o espírito encontra condições de consolidar o aprendizado relacionado com este mal, podendo transformar o que era mal num bem.

- Não caberia um perdão sincero da vítima? 

Isso é outra questão. Vítima e algoz são seres independentes, cada um tem a sua própria experiência. A vítima deve perdoar, sem dúvida alguma. Mas o seu perdão não apaga o mal que foi praticado. Só o que apaga o mal é a sua reparação. Se a vítima for um espírito mais esclarecido, aceitará de boa vontade a sua prova, que lhe proporcionará boas condições de progresso e aprendizado. Se a vítima não for muito esclarecida espiritualmente, o que é o mais comum, aproveitará essa prova para burilar-se a si mesma ao mesmo tempo em que tem a chance de fazer o bem ao seu antigo algoz, acabando, assim, com o que você chamou de “cadeia de ação e reação”.

- Tenho dúvidas se a prova não é justamente reagir e se afastar de quem nos faz o mal… ao contrário do que já ouvi que se for uma prova, pedimos por ela e devemos suportar…

Não podemos afirmar que escolhemos nossas provas. Pelo menos não conscientemente. Não temos condições para isso. Só espíritos mais adiantados, mais conscientizados, têm condições de escolher suas provas. Nós, no máximo, passamos por um planejamento elaborado por espíritos superiores a nós. É verdade que escolhemos nossas provas se considerarmos que fazemos essa escolha todos os dias através das nossas atitudes. Todos os dias estamos plantando o nosso futuro, desta e de outras reencarnações.

É possível, sim, afastarmo-nos de quem nos fez mal. Mas isso depende de nossas ligações psíquicas, que em muitos casos podem se reportar a vários séculos e milênios, não sendo, então, tão fácil nos desvencilharmos.

Temos que suportar as nossas provas, sim. As provas que a Vida nos apresenta são oportunidades para o nosso progresso. Se percebermos, no entanto, que não estamos fazendo proveito, e que há outras possibilidades claras de termos uma vida mais produtiva e útil, para nós e para o próximo, compete a nós mesmos decidirmos se insistimos ou não com esta prova. É importante frisar que nem todas as nossas provas foram programadas. Nos envolvemos com espíritos encarnados e desencarnados com quem simpatizamos em períodos específicos da vida e acabamos criando vínculos afetivos. Não temos como saber se os laços que nos prendem a esses espíritos são de agora ou se já vêm de mais tempo. Por isso temos que desenvolver a capacidade de discernir; para analisarmos friamente os prós e contras de nossas possíveis decisões.