Reforma íntima

O egoísmo espiritual

Caderno e caneta
O caderninho da Justiça Divina…

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Existe uma categoria especial de egoísmo. É o egoísmo espiritual. Todos nós sofremos desse tipo de egoísmo. É quando fazemos alguma coisa de bom e esperamos, mesmo que lá num cantinho da consciência, que sejamos reconhecidos depois do desencarne.

Sabemos que somos responsáveis pelos nossas atos, sabemos que existe a Lei de causa e efeito, segundo a qual nós colhemos aquilo que plantamos. Somos ensinados a fazer o bem sem ver a quem, a fazer o bem sem esperar nada em troca. Mas na prática não é bem assim. Talvez com você seja; não precisa se ofender.

Vai dizer que você nunca repassou na memória as boas ações praticadas? Vai dizer que você não espera alguma recompensazinha quando voltar pro lado de lá? Queremos, de alguma forma, quitar nossas dívidas e fazer algum saldo positivo. Queremos nos livrar do umbral. Queremos ser bons, mas não apenas isso: Também queremos ser reconhecidos como bons.

Até nos assuntos da espiritualidade somos egoístas. Podemos fazer o bem sem esperar nada em troca aqui, nesta vida. Podemos praticar a caridade sem esperar reconhecimento ou recompensa aqui na matéria. Mas esperamos que tudo o que estamos fazendo de bom seja anotado no caderninho da Justiça Divina.

É claro que às vezes praticamos boas ações espontaneamente, naturalmente. Não estou dizendo que tudo o que fazemos de bom é friamente calculado. Mas são raras as vezes em que fazemos o bem só por fazer, como se fosse pra nós mesmos.

Também temos a inquietação por tentar ajudar o maior número de pessoas possível. Como se a quantidade fosse mais importante que a qualidade. É melhor fazer um bem importante e decisivo para uma pessoa do que praticar uma ação isolada e sem maiores desdobramentos para um monte de gente.

Imagine se você conseguir ser verdadeiramente útil para uma pessoa por ano. Dependendo da sua expectativa de vida e da sua persistência, você poderá ser útil de verdade para dezenas de pessoas ao longo desta sua reencarnação. Quer algo mais grandioso que isso?

Um dia iremos fazer o bem sem esperar nada em troca. Nem aqui nem do lado de lá. Fazer o bem ser esperar nada, nem reconhecimento, nem recompensa de espécie alguma, nem bem-estar íntimo, nem a sensação do dever cumprido, nada. Apenas fazer o bem porque é o que se faz. Como uma coisa natural e normal.

O bem que fazemos hoje é treino. Nossas tentativas de reforma íntima, nossos esforços de aprendizado e desenvolvimento moral, tudo isso é preparo, são tímidas tentativas de nos colocarmos em sintonia com Deus.

Deus se manifesta através de cada um de nós. Para que esta manifestação seja perene, para que vivamos em permanente sintonia com Deus, vamos ter que abrir mão do nosso individualismo, da nossa personalidade adquirida. Isso vai levar algum tempo…

Em nossas tentativas, temos um ou outro momento em que esquecemos de nós mesmos e permitimos a manifestação de Deus. Sintonizamos com Ele ao deixarmos de lado nossos próprios interesses, nossas preocupações mesquinhas e nossas expectativas sobre o resultado dos nossos atos. E ao sintonizamos com Ele, excepcionalmente não esperamos nada em troca do bem que fazemos. Apenas fazemos o que deve ser feito.

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11 Comentários

  1. Um passo de cada vez. Algum dia, algum dia, despertaremos o Cristo em nós, irmãos! Por ora, vamos reconhecer nossas imperfeições e tentarmos corrigir e depurar o que pudermos. O planeta está em transição, nós fomos confiados a ajudar a Terra com o nosso suor, com o máximo que pudermos. Jesus, nos ampare sempre na luta. Assim seja.

  2. Muito bem colocado como sempre, Morel. Estamos longe de praticarmos o que Jesus ensinou e você com esses textos esclarecedores sempre alertando.
    Fique em paz

  3. Priscila, é ótimo termos consciência do ideal. Mas dificilmente alcançaremos isso nesta reencarnação…

  4. Sabe que eu penso assim: “Meu Deus, me ajuda a fazer o bem sem querer uma recompensa”! Por mais que eu não cobre, meu inconsciente (ou consciente mesmo) sempre tem aquele desejo. Vou continuar tentando me educar para isso.

  5. Oi Morel, Boa tarde…

    Acredito que devamos esquecer um pouco do Umbral. Talvez, como você disse, esperamos alguma coisa em troca mas na verdade a idéia é fazer o bem de cabeça livre. Quando não tivermos mais uma relação controladora com a religião nos impondo culpa e obrigações seremos mais felizes. Sim, temos uma obrigação, mas de sermos nós mesmos. Estamos ainda na infância evolutiva. Amar a Deus é simples, o problema é que sempre complicamos. Falta só acreditar mais um pouco em nossa pessoa e amar ao próximo sem medo… Que Deus lhe ampare e ilumine…

  6. Josiane, esses sentimentos são naturais para nós, hoje, em nosso estágio evolutivo. E é ótimo que existam pessoas como você que sentem-se satisfeitas em ajudar o próximo. Mas o ideal é não esperarmos nada em troca. Esse é o amor de que Jesus nos falou, essa é a consciência crística. Obrigado pela participação.

  7. Concordo com você, porém existe também a satisfação em fazer o bem ao próximo, um prazer imenso em poder “ajudar” alguém com alguma dificuldade. É claro que esperamos ser reconhecidos, pois a vida é feita de trocas, de uma maneira ou outra, ninguém que doa amor espera receber ódio. Acredito ser natural esses sentimentos!

  8. Rodrigo, realmente essa questão do conhecimento é interpretada por muitos como orgulho. Eu não acho. Temos que reconhecer que, por mais que saibamos, sempre é pouco. Como dizia Sócrates, “Só sei que nada sei”. Mas não podemos ignorar que há níveis de conhecimento muito diferentes, e sabemos, sim, mais do que muitos dos que nos cercam. É preciso termos cuidado para não nos perdermos em vaidades baratas, mas reconhecendo que sabemos mais e, consequentemente, nossa responsabilidade é maior. Obrigado, Rodrigo.

  9. É dificil mesmo fazer isso. Nós sempre possuímos o desejo de ser reconhecidos nem que seja um pouquinho, mas eu também acho que o orgulho espiritual nos assalta naquele sentimento que por vezes temos lá no cantinho do nosso ser de que temos um conhecimento um pouco maior do que as outras pessoas ao redor de nós. Sabe, às vezes até toleramos as outras pessoas pensando assim: Ela não têm a evolução o suficiente para entender, por isso eu tenho que entender ela. Isso não seria um tipo de orgulho espiritual? Eu sei que ainda vai demorar um pouco para fazermos o bem ao nosso próximo simplesmente por fazer e depois não ficar pensando alto de si mesmo, mas vamos nos esforçar mais para sermos assim, né? A paz.

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