Reforma íntima

Espiritismo e sofrimento

corredor escuro
O caminho não é assim tão árduo…

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Sempre me disponho a esclarecer dúvidas sobre o Espiritismo ou dar orientações que estejam ao meu alcance. Quase sempre são questões importantes, envolvendo sofrimento, que exigem uma resposta rápida. Ocorre, algumas vezes, de surgirem dúvidas ou pedidos de conselho que me parecem banais. Preciso relê-los com calma para perceber que, para a pessoa que vive essas situações, elas parecem sérias e importantes.

Às vezes aparece alguém criticando tudo e todos, despejando revolta e inconformismo. Querem respostas. Mas não querem respostas para ponderar, refletir. Querem discutir, e eu não discuto. Não sou de participar de longas discussões e intermináveis polêmicas.

Essas pessoas querem explicações para as suas vidas, para os seus problemas. Mas não aceitam serem responsabilizadas por seus próprios atos. Não aceitam a reencarnação, acham Deus injusto, acham a vida cruel. Não se dão ao trabalho de estudar, não conseguem se esvaziar dos preconceitos, das ideias pré-concebidas, das opiniões formadas sobre tudo.

Um mergulho no Livro dos Espíritos quase sempre é suficiente para dissipar a maior parte das dúvidas acerca da existência. Mas é preciso estar disposto a aprender, a apreender novos conceitos.

São essas pessoas que, num estágio posterior, quando conseguem acreditar em algo, associam esse algo a alguém. Não conseguem aceitar a ideia isoladamente da pessoa que a gerou ou forneceu. Se aceita uma verdade, acolhe junto com ela a pessoa que lhe repassou essa verdade. São as pessoas que cultuam ídolos, que idolatram gurus, que precisam de mestres infalíveis.

Quando percebem que o ídolo é humano, que o guru é também aprendiz e que o mestre falha, se decepcionam, têm crises, recaem na descrença e no azedume.

Todos precisamos de alguém que nos aponte caminhos, que nos dê pistas a seguir, que divida conosco seus conhecimentos e experiências. Mas cada um deve caminhar por si mesmo. O máximo que alguém pode fazer por nós é mostrar a estrada, talvez afastar duas ou três pedras do caminho pra nos facilitar o começo da caminhada. Mas temos que caminhar com as nossas próprias pernas. Um passo de cada vez.

Em lugar algum vamos encontrar algo de produtivo para a reforma íntima, ou mesmo para a resolução de problemas mais imediatos, em pseudoverdades que nos satisfaçam o ego. Por que tanta dificuldade em aceitar a própria responsabilidade sobre o que se faz da vida? Como o orgulho é capaz de cegar dessa maneira?

Quem contata com o Espiritismo em busca de soluções fáceis nem se dá o tempo necessário para perceber que o caminho não é assim tão árduo. O Espiritismo não impõe grandes sacrifícios, não pede ou proíbe, apenas orienta e indica.

Acho uma pena quando aparece em meu caminho um revoltado. A revolta é ainda anterior ao sofrimento. Só depois de gastar muita energia com a revolta contra tudo e contra todos é que a pessoa revoltada vai amainando o coração e sofre. Então é a culpa, o remorso e, se houver um pouco de humildade, o arrependimento. É nesse estágio de sofrimento que muitos chegam ao Espiritismo. Essa é uma das causas do Espiritismo ter a sua imagem erroneamente associada ao sofrimento.

Há os que chegam ao Espiritismo por amor, por bondade, por necessidade de fazer o bem. Há os que chegam movidos pelo apelo científico, pela infinita área de pesquisa e conhecimento que o Espiritismo oferece. Mas você pode observar, no seu círculo de convívio, que a maior parte, ainda, vem trazida pelo sofrimento.

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21 Comentários

  1. Priscila, a ferramenta que temos ao nosso dispor é a oração. Você não precisa formular frases nem citar nomes. Apenas feche os olhos, relaxe, respire profunda e lentamente algumas vezes, e repita em voz baixa, no começo, e depois apenas em pensamento, a palavra paz. Aprenda a desligar-se, pois a sua preocupação, além de não contribuir em nada, é prejudicial, pois é mais uma vibração de angústia a alimentar a massa psíquica relacionada aos fatos que lhe preocupam. Desvie o pensamento, relaxe e busque a paz.

  2. Ola Morel, boa tarde. Espero que possa me ajudar!!
    Há algum tempo, talvez pelo fato de ter me tornado mãe, sofro muito ao ver notícias sobre crianças que morrem, passam por maus tratos etc.. Em especial um caso vem me entristecendo e me deixando angustiada. O caso do menino desaparecido João Rafael Kovalski. Faz um ano que ele desapareceu e todos na Internet lutam pela busca desse garotinho de apenas 3 aninhos. Ele faz aniversário hoje. Este caso me enche de dor, de angústia e de tristeza. Não sei o que eu faço para aliviar isso. Já li sobre a função do sofrimento, conheço como se dá este processo, porém não tenho paz!! Eu sofro muito pensando na dor da família e da criança!! O que posso fazer para acalmar meu coração e minha alma em relação a isso que vem acontecendo? Se continuar assim não vou poder saber de nada que acontece no mundo, porque quando vejo ou escuto algo eu choro demais!! Me ajude por favor!! Obrigada

  3. Infelizmente as explicações para o sofrimento que a doutrina fornece pois o espiritismo é alimento solido… muitas vezes diante do sofrimento de algumas pessoas eu fico receoso de tentar explicar à luz do espiritismo o que pode estar acontecendo temendo a revolta por parte da pessoa, então fico em silencio mas dentro de mim há uma vontade ardente de dizer o que o espiritismo tem a ensinar… só que também sei que nem todos estão preparados para isso, pois lhes falta educação espiritual, algo de que kardec já falava em “Obras Póstumas”.

  4. Rodrigo, você não imagina como fiquei feliz ao ler sua história. Que bom que não estou sozinha nesse barco. Eu também sempre que posso introduzo os poucos conhecimentos que tenho acerca da doutrina em minhas pregações. Talvez seja essa a nossa missão; começar a plantar uma sementinha nos corações e ir abrindo, mesmo que devagarinho, os pensamentos das pessoas que estão à nossa volta. Fica na paz, irmão.

  5. Boa tarde Felipe, todos os seus textos me fazem refletir, pois a clareza das suas colocações facilitam a absorção para minha alma. Durante alguns anos trabalhei em alguns hospitais, e acompanhei alguns pacientes em fase terminal. No início dessa fase a pessoa se entristece profundamente, chora, aceita algumas palavras de consolo, pede orações, mas com o avanço da doença e do sofrimento, passa a se revoltar e a questionar, logo depois tenta fazer barganha com Deus oferecendo trocas, mas com o estágio da doença evoluindo sem nenhuma melhora, presenciei algumas vezes a súplica da alma por um consolador. Acho que o sofrimento nos faz buscar sim as nossas verdades, pena que nem sempre estamos preparados como você colocou… ah, o nosso orgulho… Fique com Deus.

  6. Rodrigo, acho que Jesus se referia ao nosso íntimo, àquilo a que realmente consideramos importante, acima de tudo. Sabemos que nossas famílias terrenas são transitórias, a verdadeira família é a que se forma através dos laços espirituais, por meio de afinidades profundas. Temos, sim, que ter o ensino de Jesus acima de tudo. Mas isso não quer dizer (pelo contrário) abrir mão da família, deixar de lado as pessoas que nos são caras e pelas quais temos responsabilidade.

  7. Sabe, eu também tenho essa dúvida que ela falou, pois Jesus disse que quem amasse mais a sua família do que a Ele não era digno Dele e os fariseus caíram nesse erro, muitos não reconheceram Ele como Messias por amor à sua religiosidade. Será que não estamos fazendo o mesmo?

  8. Devo apenas agradecê-lo, Rodrigo. É importante contar com alguém com a sua experiência. Obrigado.

  9. É, irmã Mariana, eu também sou evangélico e pastor, não falo para me gabar, mas simplesmente para que você veja quão difícil é minha situação, porém penso que fomos nós mesmos que escolhemos renascer nesse meio e que há um propósito para isso. Na igreja onde convivo eu procuro a conta-gotas passar algumas verdades ainda que mescladas com tradições errôneas. Sabe, precisamos ser como Jesus, falar por parábolas as verdades espirituais. Cada dia fico mais admirado com a doutrina espírita, pois leio verdades que parece já conhecer há muito tempo e que bom que vejo cada dia mais pessoas evangélicas e católicas revelando acreditar na doutrina, certamente é a terceira revelação, pena que nem todos podem ainda compreender, mas que Deus abençoe minha irmã, é bom saber que não estou sozinho. Morel, desculpe se passei na sua frente respondendo à nossa irmã, a paz.

  10. Mariana, é muito salutar esse questionamento. Somente você terá condições de saber se não se assume como espírita por medo ou por respeito ao próximo. Pondere a situação. Às vezes é melhor apenas praticar, sem nomear o que se pratica.

  11. Bom dia Morel, excelente texto, que Deus e os espíritos continuem te inspirando. Lendo esse texto eu penso nos meus dilemas e me lembro de sua frase num texto anterior “se você que é dono do problema não tem uma solução imagine eu” rsrs. Bom, mas enfim, a respeito do sofrimento eu penso que sempre melhor eu sofrer do que fazer o outro sofrer e por isso até hoje ainda não consegui assumir que sou espírita porque isso significaria um escândalo pra minha família que é toda evangélica. Prefiro eu sofrer por não assumir quem realmente eu sou do que eles. Mas às vezes me pergunto: será que não estou com medo do que isso significa? O próprio Jesus não disse que quem quisesse segui-lo deixasse pai e mãe? Eu ainda não tenho respostas, mas continuo orando e buscando a orientação do Pai. Abraços companheiro e que venham os novos textos, que tem me feito refletir e começar o meu dia mais perto de Deus.

  12. Que Deus te abençoe, Silvoni de Biasi. Histórias como a sua podem inspirar e motivar outras pessoas. Saúde e paz em sua caminhada.

  13. Você tem toda razão, Silvoni. Há tempo para amadurecer ideias e condições de aprendizado. Parabéns pela postura e obrigado pelo depoimento. Isso é força.

  14. Bom dia, Morel. Todos nós em algum estágio da vida terrena sofremos muito, Gratificante quando vencemos o sofrimento e crescemos com essas lições. Foi o meu caso, fui drogado, ateu e revoltado com as pessoas e Deus e contraí doenças por levar uma vida desregrada e no sofrimento da doença, não podendo trabalhar, tive tempo de refletir, ler muito e ver que o problema eu tinha criado, mas desse tempo até chegar à casa espírita levou 8 anos. No princípio achei um tempo perdido, mas hoje vejo que não estava preparado.
    Um Abraço e fique em paz.

  15. Não tenho religião, mas o espiritismo dá explicações que o protestantismo, p.ex., não nos dá satisfatoriamente. Eles têm medo da reencarnação e se defendem usando Paulo, que disse que se morre só uma vez. Polêmico!

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