Reforma íntima

Espiritismo e a dor

Espiritismo e a dor
Espiritismo e a dor

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O Espiritismo nos ensina que a dor é um poderoso meio de aprendizado. A dor nos obriga a parar e ver o que está acontecendo. Falo detalhadamente sobre isso no artigo Pelo amor ou pela dor; se quiser, clique sobre o título para ler.

Essa compreensão da dor como meio de reajuste nos faz mais fortes, por percebermos que tudo tem razão de ser, que tudo compete para o nosso crescimento espiritual. Embora ainda não saibamos lidar com a dor com a serenidade ideal, ao menos conseguimos manter firme a confiança de que tudo passa, de que é preciso alterar a rota, retomar o caminho reto e evitar novos desvios.

Alguns grandes nomes do Espiritismo elevaram a dor num altar de glórias, pintaram a dor como grande salvadora da humanidade renitente. Eu sei, e você também sabe, que se não fosse pela dor teríamos aprendido muito pouco. Se não sentíssemos dor não mudaríamos nossos hábitos, não modificaríamos nossas condutas, não regeneraríamos nossos pensamentos e intenções.

Mas acho que essa ênfase que se dá ao instituto da dor é demais, é exagero, é ultrapassada. Herança do pior catolicismo. Pois nem o catolicismo não enfatiza mais a resignação e o conformismo com a dor.

Se é preciso dizer que a dor é muitas vezes necessária, que seja como esclarecimento, não mais em tom de consolo choroso, sorriso triste com a voz embargada e os olhos represando lágrimas. Lembro a você que essa é a minha opinião. A minha opinião não é a verdade, é apenas a minha opinião, que pode até ser verdadeira. Pense por você, pela sua experiência, e tire as suas conclusões.

Qualquer pessoa com um mínimo de poder de observação sabe que a Lei de atração é uma lei tão digna de credibilidade e passível de ser comprovada quanto a Lei de causa e efeito. Atraímos aquilo que ocupa o nosso pensamento como um padrão. Somos o que pensamos. Se vivermos bendizendo a dor, é lógico que atrairemos mais e mais dor. Isso pode até ser positivo para o nosso desenvolvimento, para a nossa reforma íntima. Se estivermos preparados para aprender e tirar proveito de todas as situações de dor, quanto mais dor, mais oportunidades.

Mas pra isso é preciso estar preparado, é preciso não só saber, mas sentir a condição positiva da dor. Isso acontece quando nos comprometemos, através do trabalho, com a espiritualidade. Por nossos pensamentos, palavras e ações, nos tornamos merecedores eventuais dos seus préstimos. Esses favores dos amigos espirituais se apresentam de maneira bem diversa do que esperaríamos.  São aquelas coisas que aparentemente “dão errado” sem que entendamos os motivos. São maneiras que a espiritualidade encontra de “acomodar” as coisas para que nos preparemos para novas provas. Se estamos empenhados em nossa reforma íntima, e ansiamos por chances de melhoramento interno, nada mais natural que conquistarmos novas provas para nosso aprendizado e vitória pessoal.

De qualquer modo, é um erro pensar que a dor é necessária. Podemos trabalhar com amor,com boa vontade, sem precisar do estímulo da dor. E esse negócio de bendizer a dor e agradecer pela dor me parece uma distorção. Que sejamos corajosos quando ela se apresente, que a aceitemos e a superemos com firmeza. Mas sem criar muita intimidade com ela…

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16 Comentários

  1. A dor não tem para mim uma definição única, me existem várias formas de dor: física, emocional, social, temporal. Lembrar-se de um passado feliz e tranquilo, que não teremos mais de volta, também gera uma dor, uma saudade inexplicável. A dor de perder um ente é a de longe a mais perversa, a mais sufocante, e a saudade a acompanha deixando ela pior, a dor da consciência pesada é muitíssimo pior que uma dor de dente, ou de apêndice, ou uma dor de cabeça. Eu já ouvi muito falar isso: as dores da alma são muito piores que as do corpo, pois não têm remédio e analgésico que diminua, já as físicas têm tempo determinado para cessar e temos como driblá-las.
    Enfim, dor é dor e a prática desprendida do bem, da caridade, do altruísmo, é o único meio de prevenir todas, inclusive as físicas!

  2. Eduardo, você sabe o que é dor. Você já experimentou, então defina você mesmo. Conceitos subjetivos devem ser definidos pelo próprio sujeito. A dor não é igual para duas pessoas; como eu iria conceituar algo que só você conhece?

  3. Gostaria que você estivesse certa, Maze. Mas ainda não chegamos a esse ponto. Observo, ainda, uma maioria trazida pela dor. Mas é verdade que os que vêm pela razão ou pelo amor estão crescendo.

  4. O texto ficou muito bom… é assim que aprendemos na Doutrina Espírita, que a dor às vezes é necessária, mas não obrigatória. A caridade paga uma multidão de pecados e se já aprendemos, se já nos perdoamos, não precisamos sofrer. Não é Deus que nos impõe a dor, e sim as nossas ações, consequências de nossas ações, sempre atenuadas pelo nosso pai bondoso.

  5. Eu não gosto muito dessa colocação, Deus nos ama e não quer ver um filho Seu em sofrimento. Questiono ainda essa postura de alguns, principlmente em Casa Espírita, soando quase como uma ameaça: “Se não vem pelo amor virá pela dor”. Falando por mim não iria funcionar e sempre tive muito cuidado quando em alguma conversa fraterna lançar mão dessa frase. A dor, a adversidade às vezes, e quando digo às vezes é porque não é com todos que acontece, faz com que repensemos em como estamos direcionando nossa vida nos dando chance de mudanças necessárias, mas de forma alguma devemos estar em algum lugar por medo. Como você abordou sabiamente isto nos remete a um pretérito não muito feliz, àquela imagem que a mim principalmente me lembra uma infância pautada pelo medo tendo em Deus a visão de um Pai não amoroso, mas punitivo.

  6. Concordo com sua opinião. As possibilidades de evolução são múltiplas, a dor é uma delas… Mas, creio que o amor, a boa vontade, a caridade desinteressada são vias expressas no caminho da evolução. Tá na hora de mudarmos de direção e focar nas melhores possibilidades de ascensão.

    Chega de pieguismo, masoquismo, de fatalismo, pois para aprender não é necessário padecer…

  7. Muito bom.
    E é como uma palestra da Anete Guimarães em que ela explana sobre a pergunta: 10 (ou 5, não me lembro agora) arrobas se tornam mais leves com Jesus? Ou não?
    Muito interessante. Assim podemos proceder no caso de termos alguma dor física – com Jesus esta dor será aliviada. E outra coisa; quando estamos com dor, eu, em minha opinião, creio que não devemos ficar falando sobre ela… sei lá. Creio que espalhando.. a gente acaba deixando outras pessoas também de alguma forma ‘doloridas’. Saudações Morel.
    PS: Perdoe mas eu sou de ler e em geral, comentar… atente que isso não quer dizer que estou certa. Ao contrário, estou aprendendo.

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