Mentalismo

Respeite a si mesmo!

respeitar a si mesmo

Morel Felipe Wilkon

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Artigo publicado originalmente em 07/06/12

Você tem hábitos que sabe que não lhe servem mais? Você tem algum vício ou defeito que lhe incomoda muito? Defeitos todos nós temos, alguns mais visíveis, outros um tanto camuflados, a ponto de nós mesmos não os percebermos.

Sem falsa modéstia, já é uma grande coisa termos o propósito firme de nos melhorarmos, vivermos tentando nos reformar. Mas sabemos que isso não basta. Não dizem que de boas intenções o inferno está cheio? Pois é. A intenção é importante como um começo, como um dos primeiros passos, mas ela deve ser seguida de ação, e por mais que isso seja impopular, essa ação é urgente! Não podemos adiar indefinidamente.

máscaras
É preciso respeitar a si mesmo…

Temos que ter o máximo respeito com o funcionamento dos mecanismos da nossa mente.  Nossa mente consciente é a parte racional, que percebe a informação, capta a informação, analisa a informação e julga a informação. Nossa mente subconsciente não é assim tão criteriosa. Na verdade ela apenas cumpre ordens. Tudo o que ela capta ela toma como verdade e armazena. E trata de colocar em prática. Em nosso íntimo somos governados por ela.

O fato é que nossos hábitos estão fatalmente ligados à nossa mente subconsciente. Daí a dificuldade de se abandonar um vício, por exemplo. Você certamente conhece algum fumante que queira parar de fumar e não consegue. Através de sua mente consciente ele sabe que o vício é prejudicial, e acredita em todos os argumentos usados em desfavor do vício. Mas sua crença na dependência, o reconhecimento de sua fraqueza perante o vício, está tão fortemente arraigado em sua mente subconsciente, que ele não se permite buscar suas forças internas para vencer a dependência física e química.

Do mesmo modo acontece em relação aos nossos defeitos, nossas falhas de caráter. Em algum momento você percebe que essas características não combinam com você, com o que você quer e acredita, e então quer livrar-se delas. É fácil? Claro que não. Por isso você não abandona esses defeitos imediatamente. Falha na primeira tentativa, e na segunda, e na terceira… O problema é que isso também pode se tornar um hábito. O hábito de tentar abandonar um mau hábito.

Com o tempo e as tentativas frustradas, sua mente subconsciente passa a acreditar que essas tentativas de abandono do mau hábito são uma espécie de complemento do mau hábito, fazem parte do mau hábito, e você se acostuma a tentar e fracassar. O fracasso se torna aceito. Assim surgem as desculpas do tipo: “eu tento, mas não consigo” ou “eu sou assim mesmo, sempre fui assim” ou “eu tento mudar, mas é difícil”.

Você alguma vez se perguntou por que faz sempre as mesmas coisas erradas, mesmo que já tenha se proposto a parar com isso? Até quando você será capaz de fingir pra você mesmo? Se não dá pra abandonar todos os defeitos da noite para o dia, e é claro que não dá, escolha um ou dois. Escolha um de cada vez. Escolha o pior deles, o que mais o incomoda, e concentre sua atenção e sua força sobre ele.

Cada vez que você falha você fica mais insatisfeito consigo mesmo. E acostuma-se com isso. Finge que isso é normal. Por que você faz isso? Por que esse desrespeito para com você? Se você determinou uma mudança em seus hábitos, em seu comportamento, você deve cumprir! Não perca a credibilidade perante você mesmo. Lembre-se, a todo o momento, que você é a pessoa mais importante do mundo para você. Egoísmo? Pelo contrário! Você é o parâmetro de seu comportamento e de suas atitudes para com os outros. Você deve amar o próximo como a você mesmo, não é?

Você deve amar muito ao próximo. Então deve, antes, amar muito a você. E como é que você vai se amar se nem ao menos se respeita? Respeite-se! Cumpra com o que determina para si mesmo. Você merece respeito.

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12 Comentários

  1. Boa noite!

    Que palavras sábias e edificantes, meu irmão! Conheci o blog recentemente e a cada artigo que leio fico encantada com tão valorosa lição.
    Quero deixar um depoimento para pessoas que talvez encontram-se na mesma situação que a minha. Lendo essa postagem “respeite a si mesmo”, foi para mim como se alguém me chacoalhasse e dissesse: Acorda, minha filha!
    Eu tinha vício horrível! Ser muito egoísta! Eu era tão egoísta, que mesmo casada fui amante de um homem casado, por 3 anos! Não é fácil escrever isso. Falar assim, abertamente. Mas nesses 3 anos, nunca fui feliz. Sempre me senti muito culpada, tentava sair, ficar longe da pessoa, mas eu estava fazendo justamente o que está no texto. Estava sendo um hábito tentar abandonar o mau hábito.
    Mudar, realmente não é fácil. Há um ano eu comecei a frequentar um centro espírita, comecei a ter consciência dos meus erros, defeitos, mesmo assim… demorei para de fato começar a mudar. Tive que mudar meu e-mail pessoal, mudei número de celular, mudei até de endereço para não ser mais encontrada pelo meu amante. Para não ouvir as suas palavras de “amor” e ceder e ficar nesse ciclo vicioso. Quero deixar-cedo-volto e aí recomeço. Não! Chega! Dei um basta! Se você não está feliz, pare e reflita! Sei que temos uma eternidade à nossa espera, mas ficar acumulando dívidas e mais dívidas não é uma solução muito inteligente. Aliás, não é nem solução.
    É preciso pensar, no caso de quem é amante, que: Como você pode ser feliz causando o mal a outras pessoas (mesmo que a família e a esposa não saibam diretamente, de outras formas afeta muito a relação)? Seria ilógico achar que é possível haver felicidade em um relacionamento à base de traição. Eu nunca me imaginei nessa situação, sempre critiquei, acho até que “paguei língua”, hoje sei que tudo na vida é uma grande lição. Devemos ter fé e coragem para fazer o bem. Não sei se soube me expressar direito, acabei escrevendo conforme o meu sentimento. Mas o que quero dizer, que sim! É possível mudar! Sim, é difícil, mas a sensação de uma mente tranquila é um prazer maior que o vício. Tenha certeza. Abraços fraternos a todos.

  2. Boa noite, Morel. Tambem agradeço, como outros irmãos o fizeram aqui, por você partilhar seu conhecimento pela internet. Agrada-me sua sensatez e objetividade com que trata os assuntos que aborda. Isso de mudarmos algo em nós que nos incomoda é, de certo modo, uma pedrinha no sapato. Às vezes, por exemplo, creio que falhamos porque, se formos analisar sinceramente, no fundo no fundo, não queríamos mudar. Aquilo que tentamos mudar porque dissemos que nos incomoda, talvez não nos incomode e só não admitimos isso porque esse “aquilo” possa ser algo que incomode alguém muito caro a nós ou porque é algo socialmente condenado/condenável e não temos coragem de dizer: ei, sociedade… ei, ambiente de trabalho… ei, família que eu amo, a verdade é que eu tenho tal vício ou faço tal coisa porque isso me deixa feliz e/ou satisfeito em algum nível e eu, por mim, não queto mudar. E, na falta do auto-escrutínio(?), de auto-análise sincera, muita gente acaba dando murro em ponta de faca e se machucando, criando para si mesma a impressão de que não é capaz. Na hora de lutar por mudança e de pensar no auto-respeito, sugiro que as pessoas se respondam honestamente até que ponto elas realmente, sozinhas, sem olhar de outrem, se incomodam com o que quer que estejam planejando mudar. Abraços.

  3. Anônima, Jesus nos ensinou a não devolver o mal com o mal. Não precisamos deixar que alguém abuse de nós, mas devolver na mesma moeda nos mantêm no mesma nível de quem nos ofendeu. Se quisermos crescer espiritualmente temos que aprender a não nos deixarmos atingir por tentativas infelizes de causar infelicidade. Quem faz essas coisas quase sempre são pessoas infelizes, que ainda não se conscientizaram.

  4. Marcia, não sou conselheiro sentimental. Todas as nossas dificuldades práticas são manifestações de dificuldades internas, aspectos em que o espírito precisa evoluir. É sempre bom lemrar a recomendação de Jesus de que devemos cuidar primeiro das coisas do espírito, e que as demais coisas nos serão dadas por acréscimo. Quando temos uma vida equilibrada espiritualmente a tendência é que as coisas materiais (e relacionamentos à base de emoção são materiais) também deem certo.

  5. Oi Morel, gostei muito do artigo, achei muito interessante, pois infelizmente eu ainda não consegui superar alguns fatos que aconteceram comigo no ambiente de trabalho. Eu era constantemente vítima de assédio moral, me arrependo muito de não ter reagido, sempre ficava muito quieta e me disseram que eu tinha que aceitar, pois eu estava pagando o mal que fiz em encarnação passada. Sou espírita há 12 anos, queria saber se a Doutrina Espírita prega isso mesmo. Aceitar ofensas e humilhações sem reagir. E como fica o respeito por mim mesma se tenho que pagar pelo mal que fiz em outra existência? Agradeço o retorno, Morel.

  6. Olá, Morel! Tem sido de grande aprendizado acompanhar seu site diariamente, pois tem me ajudado e muito em meu aprendizado ao caminho espiritual. Bom, o que eu tenho a dizer é como temos a capacidade de criar vícios, e sair deles é muito difícil. Sou viciada em sites de relacionamentos, passo a maior parte do tempo flertando, marco encontros e nunca dão certo. Acabo me frustrando, pois nunca acaba sendo o esperado, pois tenho interesse em me relacionar sério com alguém. Aproveito as horas no trabalho, em casa, vivendo as sensações virtuais, porque não sou de sair e sei que muitas pessoas preferem os encontros virtuais pelas facilidades. Estou sempre insistindo e sempre me decepcionando, deleto o site e torno ativá-lo. Sou atraente, aparecem muitas opções, eu me interesso pela pessoa mas a pessoa perde seu interesse por mim depois do 1 encontro. Não sei o que ocorre, mas acredito que deve ser a falta de amor próprio…

  7. Li e reli seu comentário, Helenice. Queria acrescentar alguma coisa ao que você relatou, mas o pensamento que você manifestou está completo, não aceita retoques… Sinal de que está amadurecido.
    Pensar primeiro nos outros é uma demonstração de amor, é uma virtude cristã. Só que, como você tão bem colocou, quando nós sofremos não conseguimos fazer outras pessoas felizes, mesmo que seja esta a nossa vontade. Nada mais verdadeiro. Mas sempre é tempo. Não podemos esquecer que esta vida é um aprendizado. As dificuldades que encontramos, principalmente as que encontramos em nós mesmos, são ferramentas para o nosso aprimoramento. Não aprendemos com situações fáceis. É abaixo de mau tempo que solidificamos aprendizados.
    Olhe para frente. O futuro é lindo. A única coisa que ele exige é isso mesmo, que o achemos lindo. Isso é coragem.

  8. Tá aí uma coisa que estou sofrendo e apanhando muito para aprender, me respeitar, me amar, me valorizar, pensar primeiro em mim, mas tá muito difícil de aprender, foram anos sufocando e fazendo errado, mudar de uma hora pra outra é impossível. Mas pelo menos já entendi o que preciso, o que deve ser feito, o que estava fazendo errado. Como podemos fazer os outros felizes se não nos fazemos felizes?
    Não nos tratando bem, nos deixando pra segundo, terceiro plano, nós sofremos e dessa forma não conseguimos fazer, embora queiramos, outras pessoas felizes também. Às vezes até conseguimos por um tempo, mas uma hora nossa alma não consegue mais e desaba. Lendo essas suas palavras, percebi ainda mais que esse foi um dos meus erros. Me negligenciei.
    O tempo não volta atrás, mas posso tentar diferente daqui pra frente. Vou continuar tentando, requer muita coragem, mas não é impossível.

  9. Rosicler, todos nós aprendemos uns com os outros. E todos nós já erramos, tenha certeza. O importante é saber aprender com os erros, tirar proveito dessas experiências turbulentas e sofridas, como você diz. E cuidarmos de nós mesmos é nossa obrigação, não podemos abrir mão disso, mas sem esquecermos o próximo; é através dele que colocamos em prática o que aprendemos. Obrigado pelo comentário, um abraço.

  10. Colegas, antecipadamente quero agradecer a cada um a oportunidade de poder aprender com vocês, oportunidade ímpar….
    Sabe colegas, já errei muito, mas como disse no outro fórum, venho tentando me tornar melhor espírito e moralmente, pois já passei por experiências turbulentas e sofridas, as quais contribuíram para minha evolução, fazendo com que eu me respeitasse cada vez mais; não só meu corpo, mas a mim mesma enquanto espírito em regeneração, procurando proporcionar a mim mesma alimentos saudáveis, leituras edificantes, atitudes e ações virtuosas, mesmo porque, precisamos nos amar para amar nosso próximo, e para isso precisamos do nosso corpo saudável para a permanência do nosso espírito, embora temporariamente. Ou seja, é nosso dever respeitarmos a nós mesmos enquanto matéria e Espíritos, embora se diferem nas especificidades, se complementam, se interagem e se relacionam, e com apoio de amigos como vocês, com certeza será bem mais fácil! Obrigada!!!

    Abraço fraterno, Rosicler

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