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A carne é fraca?

A carne é fraca?

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Dizem que a carne é fraca. Mas a sede dos vícios é o espírito, não o corpo. É o espírito que se acostuma a determinadas sensações e acha difícil viver sem elas.

Você costuma tomar suas próprias decisões? Você gosta de decidir você mesmo o que é o melhor para você? Claro que sim, né? Afinal, quem poderá saber mais de você do que você mesmo? Só fiz a pergunta porque há pessoas, e você sabe disso, que esperam que alguém lhes diga o que é certo e o que é errado. São pessoas que só conseguem tomar qualquer decisão se esta decisão for embasada por alguém em quem elas confiam mais do que em si mesmas.

O espiritismo não proíbe nada. Como dizia Paulo apóstolo, “nada nos é proibido, mas nem tudo nos convém”. Realmente, há coisas que não nos convém. E, mais cedo ou mais tarde, aprendemos a evitar essas coisas. Mais cedo, se aprendermos pelo amor; ou seja, pelo ensinamento, pelos conselhos, pela observação. Mais tarde, se aprendermos pela dor, através da experiência própria. Com todo aprendizado é assim. Aprendemos pelo amor ou pela dor.

Conheço espíritas que defendem seus vícios escudando-se na não proibição dos seus vícios pelo espiritismo. Para eles, se o espiritismo não proíbe, então está liberado. Para amenizar seu posicionamento, alegam que “a virtude está no equilíbrio”, que o que é prejudicial é o abuso, não o uso.

Eu acho que todo vício é prejudicial. E o que determina o que seja um vício? Acho que a dependência de qualquer substância é um vício. Aliás, acredito que o uso de qualquer substância potencialmente viciante pode ser caracterizado como vício. Se você não concorda, por favor, expresse a sua opinião. Mas não se aborreça comigo; estou apenas expondo o meu pensamento. É o pensamento de um aprendiz.

Até há pouco tempo era bonito fumar. Fumava-se na televisão, nos filmes, havia propaganda de cigarro em toda parte. Era um vício socialmente aceito. Hoje já é um hábito mal visto, às vezes até constrangedor. Com o álcool logo acontecerá a mesma coisa. A espiritualidade maior vem planejando uma ofensiva contra o uso do álcool, da mesma maneira que aconteceu com o cigarro.

Claro que não são esses os únicos vícios, existem drogas de todos os tipos. Mas as drogas legalmente comercializadas e usadas em massa pela população são o cigarro e o álcool. Sei que o importante para o espírito é a reforma íntima, com a interiorização de valores novos, com a formação de princípios morais sólidos. Eu já comentei nesse artigo o que eu acho sobre beber, fumar e comer carne.

Mas o fato de haver grandes conquistas a fazer não quer dizer que as pequenas conquistas não têm valor. E o abandono dos vícios são pequenas conquistas. Todos nós devemos nos tornar mais compreensivos, benevolentes, altruístas, piedosos, pacientes. Essas são as grandes virtudes que nos esforçamos para conquistar. Mas enquanto não alcançamos essas grandes virtudes, será que não podemos dar pequenos passos conquistando pequenas virtudes?

A literatura espírita está repleta de exemplos dos males que o uso do álcool causa ao espírito. A maneira como o usuário do álcool atrai para si a companhia de espíritos desencarnados que não conseguiram se desfazer do vício. Estes espíritos satisfazem seu vício colando-se ao bebedor encarnado, bebendo juntos com o encarnado, o induzindo a beber sempre mais.

Claro que há muitos que bebem pouco, ocasionalmente, sem recair no processo viciante. Eu, particularmente, acho que é melhor termos sempre o domínio pleno de nossa consciência, em qualquer circunstância. Sem falar que a maneira de erradicarmos as coisas que prejudicam as pessoas na Terra é deixando de consumi-las. Se não existissem consumidores de drogas, não existiria o tráfico e suas consequências.

Dizem que a carne é fraca. Mas a sede dos vícios é o espírito, não o corpo. É o espírito que se acostuma a determinadas sensações e acha difícil viver sem elas. Mas se buscamos o predomínio do espírito sobre o corpo, não seria o caso de vencermos o apego às sensações?

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2 Comentários

  1. Tá aí uma coisa que preciso aprender. Tomar minhas próprias decisões, e é gratificante como a vida nos ensina isso. Em relação ao que é vicioso para mim eu sei, evito e educo, mas o que eu falo é tomar decisões para o que é melhor para mim, isso talvez seja movido por dois fatores, medo e insegurança, o medo de errar e a insegurança de não ser o que eu realmente queria. Acho que passei muito da minha vida e passo querendo saber dos outros e do mundo o que é melhor para mim. No entanto, o mundo só me disse que o melhor é ganhar dinheiro, o melhor é sair sábado para a balada, o melhor é curtir a vida nos prazeres. Passei por essas experiências e aprendi que a felicidade não está aí. Hoje ainda tenho medo e insegurança, mas uma coisa que você Morel escreveu e tem razão, preciso é observar as coisas, observar a experiência de vida. A partir de agora quero tomar mais ainda minhas próprias decisões, afinal de contas é a partir de uma escolha que se faz o futuro, a causa irá ter seus efeitos, se eu “errar” sei que terei inúmeras oportunidades de aprender.

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