Comportamento, Reforma íntima

O espiritismo e o orgulho

pavão

Morel Felipe Wilkon

Artigo publicado originalmente em 05/09/2012

Ouça este artigo na voz do autor

Para o espiritismo, o orgulho é o pai de todos os males, é ele que desencadeia todos os outros defeitos. Não é difícil constatar essa verdade. É por orgulho que discutimos, é por orgulho que brigamos, é por orgulho ferido que nos magoamos, é o orgulho que dificulta o perdão.

O espiritismo e o orgulho

É interessante notar que o orgulho é um exagero do amor-próprio, e o amor-próprio é necessário; você deve amar a si mesmo. Mas o orgulho exagera esse sentimento, que deixa de ser amor para se transformar numa coisa doentia. Alziro Zarur, fundador da LBV, diferenciava o bom do mau orgulho. É que a linguagem humana não tem palavras suficientes para expressar tudo. O bom orgulho seria o orgulho que se tem dos filhos, o orgulho do lugar onde se nasceu, a satisfação consigo mesmo.

O problema é saber os limites desses sentimentos. Eu tenho orgulho dos meus filhos. Mas não posso achar que eles são melhores que os outros. Eu sou patriótico, mas não posso transformar isso em nacionalismo. Fico muito satisfeito comigo mesmo quando consigo realizar o que me proponho. Mas tenho que tomar cuidado para não me achar mais do que sou na verdade.

Talvez a manifestação mais comum do orgulho no dia-a-dia seja o não saber perder. Isso nos acontece todos os dias. Não queremos perder nada pra ninguém, não aceitamos ser preteridos em nada. Você não é assim? Você não quer perder uma discussão, você não quer que o outro carro ultrapasse o seu, você não quer perder a promoção na empresa, você não quer perder o namorado, você não quer que o seu time perca, você não quer perder nem par ou ímpar.

É claro que devemos ser competitivos. É bom querer ser sempre mais e melhor. Mas para isso não precisamos esmagar quem está por perto. E não podemos competir por competir. Por que dói tanto ficar para trás? Por que é tão amargo o gosto da derrota? Porque na maioria das vezes perdemos pra nós mesmos, e é extremamente difícil reconhecer nossas falhas, nossas fraquezas, nossa incompetência. Por causa do orgulho.

Quer uma demonstração disso? Lembre-se da última vez em que você discutiu com alguém. Lembra que você revidou as críticas? Você já parou pra pensar porque sempre se revida a crítica num bate-boca? Para evitar que ela se repita. Revidamos imediatamente a crítica para não termos que ouvi-la de novo. Porque se prestarmos atenção à crítica, teremos que olhar pra dentro de nós mesmos. E nada fere tão profundamente o orgulho como olhar pra dentro de si mesmo.

Se você olha pra dentro de si mesmo, se você se vasculha interiormente, descobre montes de lixo que o orgulho não aceita como sendo seus. É o orgulho que nos impede de olhar pra dentro de nós mesmos. Pelo orgulho, nos achamos grande coisa, nos achamos muito mais do que somos na verdade.

Não é de um dia pro outro que vamos nos livrar de um defeito que nos acompanha há milênios. O orgulho é uma verdadeira chaga na tragetória do espírito imortal. Mas não podemos mais ser condescendentes com nós mesmos. Não temos, na atual reencarnação, a desculpa da ignorância, do desconhecimento. Então já passou o tempo de dizer, simplesmente, “eu sou assim”. Você é assim? Pois deixe de ser! (Não se aborreça; essa última frase eu disse pra mim mesmo, me olhando no espelho que tenho à minha frente).

Não há fórmula mágica para se livrar de um defeito tão entranhado em nosso espírito. É um exercício diário. Analise mais a si mesmo, faça boas leituras, seja mais tolerante. Aceite perder, de vez em quando. Você é especial, não há dúvida em relação a isso. Mas todos são especiais. Todos somos filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança; portanto, perfectíveis. Reforma íntima é um hábito. É a escolha de uma vida. Eu fiz a minha escolha. E você?

Conheça meu canal no Youtube!

Artigo AnteriorPróximo Artigo

20 Comentários

  1. De fato o orgulho nos faz fazer coisas imagináveis. Fui traída pelo meu companheiro e tive uma crise histérica, gritei, chorei, xinguei, agredi fisicamente, me vitimei, enfim fiz um escândalo digno de pena, mas a dor me consumia viva e eu sentia meu corpo desfalecer. Descobri que não tinha nenhuma estrutura para passar e lidar com a situação, ao contrário, não dei oportunidade nem mesmo de ouvir uma justificativa ainda que mentirosa.
    Mandei ir embora, tirar as coisas de casa, aos berros, me mostrei uma mulher desajustada, insegura e sem domínio e nem amor próprio.
    Logo depois, ao cair a ficha me senti envergonhada e fiquei me sentindo culpada por ele ter partido, sendo que eu é que fui traída…
    Pensei: com essas atitudes apenas consegui distanciar ele ainda mais.
    Por favor me ajuda a aceitar essa situação pois ela tá me consumindo.

  2. Nossa muito bom estou aprendendo não entendo muito pois vim dá igreja evangélica q não aceita a espiritualidade tenho muitos problemas em perdoar não consigo mas quero livrar deste sentimento amém

  3. Morel, quero agradecer pelo seu site. Sempre leio seus textos, são ótimos. Mas este eu tinha que comentar. Tenho passado por muitas provas difíceis em que fica claro que o objetivo é reduzir meu imenso orgulho. Não é fácil lidar com o desprezo dos outros, o não reconhecimento pelo seu esforço, o abandono. Mas, estou tomando consciência de que preciso trabalhar o orgulho e seu texto caiu como uma luva, claro. Muito obrigada pelas palavras, Deus te abençoe.

  4. NÃO DEVEMOS CANSAR DE MUDAR, POIS CADA VEZ MAIS SOMOS ALVOS DE NOSSAS PRÓPRIAS INTEMPERANÇAS. SEJAMOS SÁBIOS E LUTEMOS CONTRA O NOSSO MAIOR INIMIGO:”NÓS MESMOS”

  5. Morel, quando uma pessoa familiar nos ofende, menospreza ou ignora, você acha melhor nos impormos, denunciando a falta de educação, ou simplesmente ignorar?

    Para mim as duas são difíceis. No 1º caso, acabo misturando com o orgulho e a raiva se manifesta.

    No 2º eu guardo para mim, mas ainda fico me remoendo por dentro.

    Tento pagar com o bem, ser simpático todo tempo, mas infelizmente não funciona.

    Um amigo espírita me aconselhou a não deixá-la me ofender. Suas palavras foram sábias, mas ainda sou jovem e não sei como me impor dessa maneira.

    Um grande abraço.

  6. Morel.

    Está sendo muito construtivo ter encontrado seu blog. Fico até “bobo” ver uma sabedoria tão trabalhada e evoluída como a sua, é um ótimo exemplo de pessoa, parabéns.

    Há pouco tempo venho assistindo o canal da LBV, também é bastante construtivo. As orações e mensagens de Alziro Zarur, me fazem refletir bem, és um grande homem, José de Paiva Neto, igualmente.

    A LBV, me referindo ao pouco que conheço, parece uma instituição multi-religiosa que se baseia em diversos segmentos religiosos e culturais e produzem grande progresso à humanidade.

    Obrigado irmão amigo.

    Abraços !!!

  7. Ricardo, tenho um colega que evita utilizar a palavra orgulho. Mas a palavra orgulho não é um palavrão; as palavras têm a conotação que dermos a elas. Então não há mal algum em utilizar as expressões que você citou. O Alziro Zarur, grande estudioso do Espiritismo e fundador da Legião da Boa Vontade, chama a isso “o bom orgulho”.

  8. Morel.

    Utilizan-se muito os dizeres.

    Exemplo:
    Tenho orgulho de ter nascido aqui.
    Estou orgulhoso por você ser assim.
    Sou orgulhoso por minha profissão.
    E etc..

    A palavra orgulho é normalmente dita por muitos quando se sentem satisfeitos ou felizes por tal feito ou acontecimento. É um assunto que eu venho monitorando depois que comecei os estudos espíritas.

    Pensando na lei da atração, ao monitorarmos os pensamentos, não poderíamos substituir a o dito “Estou orgulhoso por…” para “Estou feliz por…”?

  9. Morel, busquei, hoje, um texto que falasse da importância de saber perder e esse de sua autoria me caiu como uma luva e vai me servir como base para um programa de rádio que faço aos domingos em minha cidade. Um abraço.
    Inês.

  10. Morel, estou passando por esta fase de tentar eliminar o orgulho. Tão difícil, machuca a gente dentro do peito. Mas vou conseguir. A frase “Pois deixe de ser” serviu bem para mim. No início do ano pedi a Deus para que minhas conquistas para 2013 fossem espirituais, que eu melhorasse como pessoa. E isto está acontecendo. A cada dia aparece uma situação nova em que eu tenho que refletir, ter paciência e entender que aquilo é um presente de Deus para mim. E que toda situação ruim que passamos é um bem muito maior que não compreendemos por conta do nosso orgulho. Obrigada pelo texto, me fez refletir bastante.

  11. Letícia, agora, quando leio seu comentário, acabo de voltar de uma reunião de estudos em que falamos exatamente disso…

  12. Muito bom o texto. Hoje mesmo estava indagando qual seria o limite entre o amor prórprio e o orgulho!
    Um abraço

  13. Combater essa chaga é extremamente difícil, pois a aceitação de nós mesmos implica realmente fazermos uma análise minuciosa de nossas atitudes e tentarmos nos colocar no lugar do outro.

  14. Obrigado, Lucas. Você captou a mensagem principal do artigo. Por mais entranhadas que sejam algumas características nossas, todos podemos mudá-las com o poder da vontade.

  15. Texto perfeito, lindo. Sem palavras pra descrever. Principalmente a parte: ”Então já passou o tempo de dizer, simplesmente, “eu sou assim”. Você é assim? Pois deixe de ser! ”. Ainda que seja difícil aceitar nossos defeitos, temos o conhecimento espírita e o dever de perceber nossos defeitos e tentar mudar… Muito obrigado Felipe :D.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.