Comportamento

As pessoas e os seus defeitos

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Algumas pessoas dão nomes carinhosos aos seus defeitos. Ganância, para elas, é ambição. Mau humor é seriedade. Orgulho é apenas amor-próprio.

Você vigia a si mesmo? Você fiscaliza seus comportamentos e atitudes? Ainda bem que sim (você respondeu que sim, não respondeu?), porque não podemos confiar no nosso piloto automático. Temos que estar sempre atentos a nós mesmos.

Quando você se fiscaliza você cobra a si mesmo. Você não deixa passar em branco atitudes suas que você sabe que são erros, atitudes que devem ser corrigidas. Mas, por favor, não confunda cobrança interna com culpa. Uma coisa é você perceber seus erros e procurar corrigi-los e não os repetir. Outra coisa é sentir culpa. Culpa não resolve nada, é atraso de vida.

As pessoas e os seus “defeitinhos”

Não somos melhores que os outros. Mas é evidente que o interesse por assuntos como esse só é despertado em quem está em busca do aperfeiçoamento moral e social, em quem conhece sua condição de espírito imortal, em quem está construindo a reforma íntima. Mas você certamente conhece pessoas, provavelmente muitas, que não reconhecem seus erros, que não tem consciência de seus defeitos, que nem imaginam que apresentam falhas de caráter gritantes, escancaradas.

Quando alguém se recusa a corrigir seu erro, quando se nega a consertar o estrago que causou, por orgulho, por não dar o braço a torcer, sua responsabilidade em relação ao erro cometido é grande. Saber que errou e não voltar atrás é um atentado contra si mesmo, é um atentado contra a própria integridade moral.

Mas é muito mais chocante ver alguém que simplesmente não percebe que errou, não reconhece, não se dá conta de que está errado. São pessoas especializadas em justificar todos os seus atos. Dão nomes carinhosos aos seus defeitos. Ganância, para elas, é ambição. Mau humor é seriedade. Orgulho é apenas amor-próprio. Não importa o que tenham feito, nunca se acham errados. Sempre tem justificativas, explicações.

De nada adianta se exasperar com alguém assim. A maioria ainda está nesse estágio, de não reconhecer seus erros. Não é cara de pau, como pode parecer. Elas realmente não percebem. O mais complicado, ao nos depararmos com alguém assim, é que essas pessoas, como todo mundo, têm qualidades, e às vezes qualidades importantes e visíveis, como a solicitude, a prestatividade, a generosidade, a hospitalidade. São qualidades facilmente reconhecidas pelos que os cercam.

A evidência dessas qualidades os mantém iludidos quanto ao próprio caráter.  Enxergam em si essas qualidades, e seus defeitos são sufocados debaixo do orgulho. Isso torna difícil uma abordagem mais direta, uma tentativa de esclarecimento. É perda de tempo querer esclarecer alguém assim sobre seus próprios erros. Não se extirpam tumores morais milenares em apenas uma reencarnação.

Não podemos julgar, nem queremos isso. Temos que valorizar o que essas pessoas têm de bom, de positivo, e passar por cima dos seus defeitos, na medida do possível. Mas é inegável que essas pessoas terão que enfrentar duras crises para despertarem da ilusão que vivem sobre si mesmas.

Quando o espiritismo valoriza a dor como elemento regenerador, às vezes é mal interpretado. Mas é pelo mecanismo da dor que se aprende a reconhecer os próprios erros como causadores do sofrimento. Examine cuidadosamente a si mesmo e veja se já não esteve em erro, alguma vez, sem que tivesse consciência disso. Por acaso não foi a dor que o fez despertar do erro?

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7 Comentários

  1. Fábio, obrigado por chamar a atenção para esse detalhe. Estou reestruturando o site e já ia me esquecendo disso. Participe sempre, sua opinião é importante.

  2. Parabéns pelos artigos. Seria interessante assiná-los para podermos creditar a autoria quando compartilharmos.

    Obrigado.

  3. Terezinha, no final do seu comentário você menciona o que é mais importante: perseverar sempre. Devemos recomeçar quantas vezes forem necessárias, com essa vontade férrea que você diz. Acredito que esta nossa vida atual tem como principal objetivo justamente isso. Acho que em vidas anteriores não tínhamos despertado para essa necessidade de nos reformar.Bom domingo, Terezinha, obrigado.

  4. Olá Felipe…ótimo questionamento esse seu artigo. Lógico que temos inúmeros defeitos…gentileza sua colocar defeitinhos…assim fossem mesmo… Eu pelo menos tenho inúmeros deles…muitos eu mesma consigo perceber…outros, ainda bem que tenho pessoas amigas que me apontam…Sempre procuro ir me vigiando e muitas vezes consigo até me corrigir…mas outros são tão inerentes a minha personalidade que passa a ser quase um hábito… Mal percebo,quando alguém me aponta é que vou me tocar…que realmente devo me corrigir mesmo ..e com urgência. Isso chega a ser uma coisa tão necessária que como você diz se formos mesmo ver, poderá nos causar mesmo um sentimento de culpa, pois muitas vezes também somos cobrados constantemente por pessoas que muitas vezes também não conseguem enxegar os delas …então vivem cobrando os nossos…Chego mesmo tem hora de ter esse sentimento de culpa…parece que sou culpada por repetir certos defeitos…mas luto por não cometê-los, muitas vezes quando noto já os cometi…então aí surge a cobrança das pessoas ou as minhas próprias… Bem corrigir-se é algo urgente e necessário de nossos defeitos…mas nem sempre conseguimos como gostaríamos…Em fim preciso muitas vezes ter paciência comigo mesma… e sempre estar disposta a recomeçar quantas vezes forem necessárias…e isso exige uma vontade ferréa e perseverante…. Grande abraço, meu amigo…Agradeço por seus artigos tão bons e necessários para podermos estar sempre nos questionando e nos examinando. Coisa tão necessária pra nosso maior conhecimento próprio e assim chequar realmente nossa reforma íntima .

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