Comportamento, Reforma íntima

Como ser feliz sem culpa

loira tocando violão

Morel Felipe Wilkon

Artigo publicado originalmente em 19/07/2012

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Você acha que consegue ser feliz sem culpa? Como fazer isso? O fato é que o sentimento de culpa adia indefinidamente qualquer possibilidade de ser feliz.

O que você tem feito pela sua felicidade? Você acha que merece ser feliz? Que bom se a resposta a essa última pergunta é um “sim” óbvio. Você deve saber que ainda há muita gente que sente culpa por se sentir feliz. Com isso, seus momentos de felicidade nunca são completos.

Eu afirmo que existem momentos de felicidade completa. Não me venha argumentar com a felicidade dos anjos, que é incomparável com a nossa. Não estou falando em anjos (ou espíritos puros, para o espiritismo), estou falando em nós; em mim, em você, em nossos próximos. Eu mesmo, de vez em quando, vivo momentos em que não falta nada para que os chame de felizes. Você também, provavelmente.

menina dançando na poça d'água
Seja feliz sem culpa!

As pessoas têm me perguntado frequentemente se eu pratico tudo o que escrevo. É claro! Se fosse para escrever algo que não sigo, ou que não acredito, escreveria ficção! Se me perguntarem se tudo está sempre ótimo pra mim, se estou sempre sorridente e tranquilo, a resposta será diferente… Somos aprendizes, todos nós. O que nos diferencia uns dos outros é a persistência em praticar o que se sabe ser verdadeiro.

O que é inegável é que há algumas condições propiciadoras da felicidade. Condições que nos predispõe mais facilmente à felicidade. O trabalho, a sensação do dever cumprido, fazer o que se sabe que deve ser feito. Sem o preenchimento desses itens, você pode passar a vida no topo de uma montanha em posição de lótus e dizendo “om” que não vai adiantar nada.

Por outro lado, mesmo que se cumpra com esses requisitos básicos, há alguns impedimentos. O maior deles, sem dúvida alguma, é a culpa. E a culpa merece alguns parágrafos à parte.

O sentimento de culpa adia indefinidamente qualquer possibilidade de ser feliz. Sentir culpa é não aprender com os próprios erros, não tirar lições dos equívocos cometidos. Todos erram, faz parte do processo de aprendizado. Fico muito contente quando encosto a cabeça no travesseiro e constato que não cometi nenhum erro grave durante o dia. É motivo de comemoração íntima. Mas os erros, assim como os acertos, tem a função de nos ensinar. Tudo, na passagem pela matéria, é oportunidade de aprendizado. Quando não conseguimos aprender com os erros surge o sentimento de culpa.

Não adianta nada ficar lamentando pelo erro cometido. Ficar choramingando e se lamuriando só agrava a situação. Errou? Que pena! Vai chorar por isso? Espere pra chorar quando conseguir reparar ou compensar o erro cometido. Chore de alegria, chore de gratidão pela infinita misericórdia de Deus, que sempre lhe oferece novas oportunidades na vida. O que é a reencarnação senão uma nova oportunidade? Não é a culpa que vai resolver seus conflitos internos. Só o que você consegue com a culpa é a paralisação e a perda de energias.

A busca é incessante. Se deixarmos de buscar, se pararmos de nos esforçar, tudo pára, tudo fica estagnado. Você não pode parar, você é espírito imortal perfectível, você é muito mais do que consegue imaginar. Nesse processo de busca é preciso estar sempre aberto para novos conhecimentos, novas possibilidades. Quantas vezes você já constatou que as coisas não são exatamente como você pensava?

Ame! Ame aos outros, mas ame primeiro a você mesmo! Você é digno de todo o amor do mundo! Seja mais tolerante com você, reconheça suas limitações. Nenhum de nós vai virar São Francisco da noite para o dia. Não podemos deixar de tentar a reforma íntima nunca, em nenhum momento, mas a cobrança interna tem que estar de acordo com nossas possibilidades. De que adianta se sentir culpado pelo que você fez ou deixou de fazer? Tudo o que você planta, você colhe. Mas a colheita dos erros não quer dizer castigo. Ninguém está aqui pra sofrer. O sofrimento é a última alternativa de aprendizado. Não é a norma. A norma é aprender com tranquilidade.

Se você eliminar a culpa e se propor a aprender com os erros, verá que o universo conspira a seu favor. Você já ouviu isso em algum lugar, né? Eu já ouvi e li isso muitas e muitas vezes. Custei a acreditar que a verdade fosse tão simples… Tudo bem, tive uma ou duas décadas mais trabalhosas que o necessário, mas tudo bem. Está em tempo de ser feliz.

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18 Comentários

  1. Por diversas vezes já pensei e ainda penso em coisas que me deixam extremamente preocupado, eu me importo muito em ser uma pessoa melhor, é o meu desejo! Só que em algumas ocasiões acontecem coisas que me deixam triste e com um peso enorme sobre os ombros. Ultimamente ando lendo muitos artigos deste site e têm me ajudado bastante! Principalmente, agora eu percebo que estou fadado ao fracasso algumas vezes, mas que cabe a mim levantar e retirar o aprendizado desta experiência e que o mais importante de tudo, não sou perfeito e estou aqui para aprender. Muito obrigado Morel e continue com esse lindo trabalho!

  2. Ontem fiz um comentário em um outro artigo, sobre traição, em que eu falava justamente sobre culpa, remorso, por algum motivo, ele “sumiu” depois de publicado. Hoje, ao navegar pelo blog novamente, encontrei este artigo, que por algum motivo ainda não havia lido. Percebi o motivo do tal “sumiço” desse comentário anterior. Acho que isto aqui era justamente o que eu precisava ler. Preciso colocar na minha cabeça, de uma vez por todas, que o erro já aconteceu e que, se há algo de positivo nele, é o aprendizado, que marcou fundo minha alma. Que me fez buscar ser uma pessoa melhor. Que me fez, profundamente, querer compensar o meu erro. Obrigada, Morel, pelas palavras que ajudam, consolam e orientam. Obrigada por disponibilizar esse canal de comunicação onde encontramos pessoas com problemas parecidos com os nossos, e vemos que, realmente, não somos os únicos. Isso é um verdadeiro acalanto para a alma.

  3. Bianca, procure espiritualizar-se, participar de um grupo de estudos no centro espírita, ler, se esclarecer. Só através do esclarecimento temos condições de conhecer melhor a nós mesmos, à nossa verdadeira natureza e com isso encontrarmos o equilíbrio necessário entre o EU e o próximo.

  4. É engraçado isso, acho que na vida passada eu fui alguém muito ruim, porque nesta eu vivo pra agradar os outros, mãe, amigos, amores, patrões, fazer tudo certinho, e qualquer bobeirinha que acho que fiz errado entro em parafuso, numa crise de consciência terrível. Desde criança peço desculpas pra todo mundo por tudo, até por existir, por dar minha opinião a respeito de algo, por tentar fazer algo por mim mesma. Parece que é errado eu pensar em mim, tudo e todos tem que vir antes, e isso me dá muita raiva, me faz sofrer e aí vem o sentimento de culpa… Como eu faço pra aprender a lidar com isso e me permitir viver de verdade, fazer as coisas que eu gosto e me fazem bem, a despeito da opinião alheia? Agradeço por qualquer palavra de consolo ou ajuda. Sei que não sou uma pessoa má, mas infelizmente agir dessa forma me torna alguém rancorosa e sem iniciativa na vida…

  5. Perfeito, entendendo que a doutrina nos ensina assim.
    Digo normalmente para que escute mais o coração e faça o que ele manda, sofremos menos quando escutamos ele. Ele nos mostra o caminho da felicidade, sem culpa sem medo, apenas nós mesmos com nossas imperfeições, sem se preocupar com que o outro pensa. Sinto a felicidade quando escuto mais meu coração. Abraços

  6. Concordo com você quando dizes: “evitar ao máximo conviver com a culpa”. Entretanto,entendo que devemos assumir nossas culpas, no sentido de retificar os erros que delas hajam incorridos. Um abraço, amigo.

  7. É sempre gratificante ler a sua participação, Cesar. Acredito realmente que devamos reconhecer nossos erros e procurar aprender com eles, mas evitar ao máximo conviver com a culpa. Obrigado, Cesar.

  8. Prezado amigo, Felipe, prezados amigos leitores, minhas cordiais saudações. É sempre, como já tenho dito, uma imensa satisfação para mim, poder aproveitar o escasso tempo para acrescentar a esta renomada coluna, meus humildes comentários.
    Amigos! Ah! Meus bons amigos; culpa, que curta palavra é esta, que veicula consigo, atrozes sofrimentos? Que fantasias se expõem no semblante dos logros, mas que sangram nas vísceras dos remoços, a causa oculta, da vergonha culposa, cuja viga da consciência, não encontra qualquer pilastra de sustentação às infundadas verdades? Quantos séculos atravessaremos, forjando os parágrafos da inocência no livro de nossas histórias, cuja capa, sucumbiria de arrepios, os caros leitores, caso transcendessem a intenção das palavras. Não desejo aqui, albergar intenções outras, neste comentário, que não sejam apenas insuflar ânimo, para que repensemos nos nossos atos; calculemos melhor nossas ações, para que estas, não venham a trazer, à nossa, já tão morosa evolução, prejuízos de vulto. Na vida, somos mestres em transferir culpas a outrem; somos doutores em defesa de nossa inocência; por que não assumirmos nossa posição no largo leito de nossas falhas? Por que ludibriarmo-nos com a mentira, em abstração a verdade, que seria, a base sólida de nosso melhoramento?
    Muitas vezes, insurgimo-nos diante da violência dos insultos que nos são proferidos, e já lubrificamos as engrenagens dos possíveis revides, esquecendo-nos, que somos por reiteradas vezes, herdeiros de nossas próprias ações.
    Assumamos, caros companheiros, assumamos nossas culpas, e veremos quanto de tranquilidade, de paz íntima, fortificarão nossos dias; nos espelhemos Naquele que, sem nada dever, foi conduzido à cruz, e no auge de seu sofrimento, solicitou perdão para aqueles que O feriam. Um abraço a todos, obrigado pela oportunidade, Morel.

  9. Terezinha, sou eu quem agradeço a sua boa vontade e a sua contribuição. É um privilégio pra mim contar com pessoas como você, que ultrapassam o âmbito puramente formal de uma “relação à distância”, para fazer parte dos meus afetos pessoais. Além disso, também aprendo com você, através de seus comentários que normalmente acrescentam novos pontos de vista, novas maneiras de perceber os temas de que trato. Muito obrigado, minha amiga!

  10. Boa tarde Felipe, primeiro quero te agradecer por me permitir fazer parte de seus amigos..isso pra mim é enriquecedor.. Passamos agora para o comentário..amei isso tudo ..é muito bom poder fazer dos erros um aprendizado e saber que nosso Pai está sempre nos dando as chances de poder recomeçar.. Claro que isso não significa omissão conosco ou com nossos atos, mas é sempre maravilhoso saber que somos contemplados por Deus com uma nova possibilidade..de recomeçar..basta estar nessa disposição sempre…o cair faz parte de nossa própria condição de seres em aprendizado, mas não importa o quanto caímos, mas sim não permanecer lá …saber a cada queda se levantar..com uma nova disposição de aprender e recomeçar a nossa lição..que é saber viver..conhecendo nossos erros ..mas tendo a força e capacidade para não nos culpar..mas sim fazer de cada queda..um trampolim..para saltar. Grande abraço, meu amigo e pelo dia de ontem…deixo aqui os meus sinceros agradecimentos de poder tê-lo como um amigo muito querido !!!

  11. Maria Cristina, em primeiro lugar parabéns pela data de ontem. Fazer aniversário é completar um ciclo e iniciar um novo ciclo. Pois que este novo ciclo que se inicia em sua vida marque o começo de uma profunda mudança de atitude em relação à percepção que você faz das pessoas.
    Noto que você se esforça para fazer o seu melhor. Ótimo. Também é fácil observar que você gostaria muito de ser reconhecida por isso. Há algo de errado nisso? Não exatamente. Todos gostamos de ser amados, respeitados, reconhecidos, elogiados. Mas não podemos criar expectativas em relação às pessoas. Não podemos esperar nada em troca de nossos atos de amor, de nossos atos de benefício ao próximo. O amor é incondicional. Se nós amamos esperando algum retorno, já não é amor. Todo mundo tem problemas familiares, isso é inerente à atual condição humana. Alguns têm problemas maiores, outros menores. Alguns têm problemas mais visíveis, outros mais discretos.
    A cada reencarnação as pessoas que têm débitos umas com às outras têm nova oportunidade de promover o ajuste nessas relações, convivendo proximamente. Na maioria das vezes, dentro da própria família. Ao reencarnarmos, esquecemos de nosso passado justamente para que tenhamos essa chance de passar por cima de sentimentos negativos e promover a harmonia com essas pessoas.
    Não é fácil; claro que não. Mas é plenamente possível. Só que para facilitar esse processo, não podemos esperar nada em troca do que oferecemos. Temos que fazer a nossa parte sem desejar reconhecimento por isso. O único reconhecimento realmente importante, na verdade, é o da nossa própria consciência.
    Fora isso, é preciso entender que as pessoas são muito diferentes umas das outras. O interesse que você demonstra pelas pessoas, como por ocasião de aniversários, pode ser algo que não pareça importante para os outros. Eles estão errados? Não. Você está errada? Também não. Somos diferentes e precisamos, devemos aceitar isso.
    Fique com Deus, Maria Cristina, e obrigado pela participação.

  12. Ontem foi meu aniversário…algumas pessoas ligaram e muitas nem deixaram um recadinho na atual tecnologia (e-mail, face, etc.)…sempre fui e faço questão de marcar em minha agenda todos os aniversários das pessoas que mantenho contato…mas ninguém faz isso! E as pessoas estão cada vez mais distantes umas das outras….só mandam recados pelo e-mail, etc. E eu ainda sou da geração de ligar ouvir a voz da pessoa e conversar…muitas das vezes ouvimos a voz e sentimos que a pessoa está triste e muitas das vezes precisando de uma palavra amiga, não é mesmo? Então faço uma pergunta…sempre procurei plantar uma amizade…atenção às pessoas…mas não recebo nada dessas sementes….veja só minha mãe me odeia e nem quer mais falar comigo…por eu ser uma filha que me preocupo com ela…pois tem diabetes etc…e quando a vejo comer demais …chamo sua atenção e aí o bicho pega…..tanto é que ela disse que se for para o inferno me leva junto!!!!Como pode uma mãe desejar isso para um filho!! Sei que somos muito diferentes e temos um grande problema espiritual…..mas por mais que eu faça as coisas para ela nada faz ela gostar de mim….já me disse coisas muito ruins….tenho muitos inimigos….porque falo o que sinto e penso das coisas que me incomodam e me fazem mal…..e aí entra o inimigo…as pessoas querem fazer mas não querem receber o que fazem de mal às outras….tenho 3 cunhadas e uma sogra….que fazem e sempre me ignoraram e me desprezaram…porque único filho e irmão…e até hoje não consegui entender o que elas querem dele….pois nas festas e etc. nunca sentam perto dele para conversar…não ligam….e por aí vai…..O QUE É SE RESPEITAR….O QUE É SE AMAR…….acredito que sempre procurei e tentei conviver o melhor com as pessoas …mas ….mas …. é isso as palavras AMAR….RESPEITO…..tem significados bem diferentes para muitas pessoas…o que vejo é muitas das pessoas suas vias é de uma mão só….aí fica difícil…..mas vou tentando fazer a minha reforma íntima. abraços

  13. Belo texto, Márcia. Isso que você escreveu: “conscientes de nossa condição de aprendizes e com as nossas próprias escolhas, nossas próprias atitudes” é a verdadeira humildade. Muita gente confunde a condição de humildade com humilhação. Humildade não é rebaixar-se; apenas se colocar no seu devido lugar. E essa frase sua descreve bem essa condição. Obrigado, Márcia!

  14. Acredito que os erros são a cartilha da vida, o alfabeto do aprendizado. É bem verdade que os tropeços e enganos que não são programados, apenas vividos, deixam marcas e muitas vezes ferem, porém é sabido que na história da vida não existe apagador, nem errorex, as escolhas feitas e vividas estão lá, registradas. Acontece que não há como voltar atrás, o que fica é a experiência, e claro tocar o barco apesar dos erros, apesar das tantas frustrações. A vida é um constante aprendizado e atitudes relembradas não mudam o que já se foi. Diante dessa realidade, a atitude correta é ter como aprendizado para se errar menos. Aliás, esse é o ponto positivo herdado da trajetória vivida. Avancemos, conscientes de nossa condição de aprendizes e com as nossas próprias escolhas, nossas próprias atitudes. O tempo não volta, e se voltasse faríamos da mesma forma, pois, a maturidade é resultado da experiência, bem ou mal sucedida. Tudo de bom Felipe! Tenha uma abençoada noite.

  15. É exatamente isso, Maria Aparecida. Temos que aprender com os erros e persistir sempre em busca do equilíbrio. Obrigado pela participação.

  16. Nem sempre é fácil, mas se formos viver o tempo todo de angústia e tristeza pelos erros cometidos jamais teremos a oportunidade de ter uma vida com alegria.
    Cabe então com que façamos e tenhamos um equilíbrio entre esses sentimentos. Difícil?! Sim…mas não impossível.

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