Evangelho, Família

O próximo mais próximo

O próximo mais próximo está no lar

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É no lar que estão nossos próximos mais próximos, é lá o laboratório terreno do espírito imortal.

Não saiba a sua mão esquerda o que dá a sua mão direita. Você tem esse cuidado, de fazer o bem sem ostentação, cumprir o dever sem reclamar, dar de si sem esperar reconhecimento? Não é das regras mais fáceis de serem cumpridas.

Geralmente quando nos deparamos com essas normas de conduta, imaginamos sua aplicação em contextos específicos, fora das coisas comuns do dia-a-dia, e não nos damos conta de que elas devem ser aplicadas em primeiro lugar e principalmente no lar. É lá que estão nossos próximos mais próximos, é lá o laboratório terreno do espírito imortal.

Cuidar dos nossos sem esperar elogio ou gratidão ou reconhecimento. Então, num momento de fraqueza, você acha que devia ser reconhecido por tudo o que faz, percebe que seu esforço nem sequer é notado, e se vê frente a frente com a tentação de dizer tudo, tudo o que você fez e faz sem ser notado, toda a energia que você dispensa em prol do outro em detrimento de si mesmo.

Não faça isso! Se você cumpre seu dever em silêncio, se faz o que acha que deve ser feito e não exige nada em troca é porque você sabe que deve ser assim, impôs a si mesmo essa obrigação. Vai chegar o dia em que fará isso tão naturalmente que não saberá direito o significado da palavra ingratidão. Mas enquanto você faz isso com esforço, não ponha tudo a perder num momento menos feliz! Não saia enchendo a boca para contar todos os pequenos sacrifícios que você faz, todas as pequenas injustiças a que você se sujeita, calado, sem murmurar, dia após dia, ano após ano.

Se aguenta isso normalmente, não é por causa de um atrito que você vai trair a si mesmo. Mate no peito mais essa, você consegue. Mas tome cuidado para não se achar herói, pobre sofredor injustiçado, ou você perde o mérito perante você mesmo.

Deus não nos dá um fardo que não possamos carregar, você sabe disso. Às vezes parece que o fardo subitamente dobra de peso, mas é passageiro. Na maioria das vezes somos nós que nos tornamos mais fracos e relapsos; precisamos nos fortalecer permanentemente a fim de suportar o tal fardo. Que nos bons momentos nem fardo é, não passa de um pacotinho.

Nosso lar, nossa casa, nossa família, são os instrumentos que nos são disponibilizados para nossos ajustes, nosso aprendizado, nossas experiências mais profundas. Se vencemos a nós mesmos dentro de casa, certamente não há o que temer lá fora. Claro que dói perceber que tanto desvelo anônimo não será percebido, que suas preocupações e cuidados existem só na sua própria realidade, não na dos outros.

Mas tudo tem sua razão de ser, e esse desinteresse, esse servir sem expectativa fortalece o caráter, a disciplina, a confiança em si mesmo. E sabe-se lá o que você não andou aprontando em encarnações passadas pra esses mesmos que hoje lhe dão algum trabalho… Sabemos que é dessa forma que se processam os reajustes imprescindíveis a ambas as partes. Raramente um lar é formado por um monte de espíritos bondosos e altruístas, reunidos para uma missão importante. Ainda estamos um pouco distantes desse patamar.

Quando digo um pouco é um pouco mesmo, acredito que nossa reencarnação atual, nesse período de transição importante por que passamos, é determinante para nosso aprimoramento. Estamos tendo uma oportunidade ímpar de aprendizado, novas experiências e superação de antigas revoltas e inimizades.

Então segure a onda, sufoque o orgulho ferido, que ele não vale nada mesmo, e continue fazendo aquilo que intimamente sabe que deve ser feito, sem se preocupar com recompensas, com reconhecimento ou com ingratidão.

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3 Comentários

  1. Marco, essas questões íntimas são sempre melhor respondidas pela própria consciência. Mas observando de fora, não acho que seja um erro deixar a casa paterna para fazer a própria vida. Pelo contrário, devemos procurar nosso caminho para o desenvolvimanto pessoal. A situação seria diferente se seus pais fossem totalmente dependentes de você e você os tivesse abandonado. Não parece ser esse o caso. Todos somos o próximos uns dos outros. Aqueles com quem convivemos intimamente, geralmente familiares ou parentes, são “mais próximos” por dividirmos com eles histórias em comum, seja nessa ou em outras vidas. Seu próximo é aquele com quem você convive, aquele a quem você pode ser útil.

  2. Tenho uma pergunta: Eu saí de casa, talvez muito novo, com 18 anos, e hoje moro sozinho. Deixei meus pais idosos apesar de que eles moram a 3 horas de carro da minha cidade e por causa do meu trabalho vou de 3 em 3 meses para vê-los, hoje trabalho e estudo. No entanto fico pensando. Será que agi certo? Será que não é melhor eu voltar e cuidar deles? Será que fugi de alguma responsabilidade? E agora, qual é o meu próximo, se eu moro sozinho?

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