Pensamento e disciplina

Espiritismo e caridade

estender a mão

Morel Felipe Wilkon

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No Espiritismo há o famoso lema “fora da caridade não salvação”.

Chegará o dia em que faremos o bem naturalmente, como algo normal, indiscutível, praticaremos a caridade sem ao menos perceber que o que estivermos fazendo é caridade. A vontade de servir será a razão de nossa vidas, e nos doaremos ao próximo com prazer.

Qualquer pessoa sensata há de perceber que esse dia ainda está um pouquinho longe. O pouco que fazemos, quase sempre, é porque achamos que devemos fazer, seja por ética, por orientação moral cristã ou por dever de consciência. Mas quase sempre pensamos antes de fazer qualquer coisa em benefício do próximo.

fora da caridade não há salvação
O bom samaritano

É um longo aprendizado, mas estamos no caminho, e, por enquanto, é o que importa. Perceberemos, um dia, que sentenças como “é dando que recebemos” não são apenas frases bonitas, não são modos de falar, são o retrato de uma realidade universal, de uma Lei cósmica. Pois dar de si é amar, e o  amor, estranhamente, quanto mais se dá, mais se tem.

Enquanto não alcançamos esse estágio evolutivo, temos que ser mais pragmáticos. Ficamos, por enquanto, com o sentido mais prático do ensinamento de Jesus de que “não saiba o mão esquerda o que fez a mão direita”.

Não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita

Procuremos não divulgar aos quatro ventos as poucas boas ações que fazemos, tentemos interiorizar a prática do bem com a ação discreta de pequenos atos corriqueiros.

Assim como nós, encarnados, os espíritos desencarnados que nos acompanham vivem, ainda, num patamar evolutivo que não suporta desprendimentos heroicos. Assim como nós nos esforçamos para nos tornarmos melhores e para sermos úteis ao nosso próximo, do mesmo modo os espíritos desencarnados, que acompanham nossa vida com algum interesse, estão construindo, pouco a pouco, os alicerces para uma evolução mais segura. Somos todos comprometidos uns com os outros, evoluímos em conjunto, cada um fazendo a sua parte e procurando ajudar o próximo a fazer a sua.

A proteção espiritual que recebemos é diretamente proporcional aos nossos atos. Ou seja, quanto mais praticamos a caridade, quanto mais fazemos o bem, quanto mais somos úteis, mais somos protegidos pela espiritualidade. Todos nós, encarnados e desencarnados, despertos para a realidade espiritual, estamos empenhados em nossa evolução. Sabendo que o caminho seguro para a escalada evolutiva é a caridade, é natural que se forme uma grande rede interessada em dinamizar o serviço em benefício do próximo.

O modo prático, então, de garantirmos uma maior proteção espiritual, tantas vezes reclamada e até exigida, como se tivéssemos direito a exigir qualquer coisa, é sermos úteis ao próximo. Muitos se queixam dos espíritos obsessores, sem aceitarem que são eles mesmos, com seus pensamentos, palavras e ações negativas, que atraem os espíritos obsessores. Outros, já conscientes de que o espírito obsessor só tem acesso a nós através da sintonia, ou seja, por meio da sua identificação com nossas próprias falhas de caráter, querem saber qual é o meio mais eficaz para evitar a influência espiritual negativa, para evitar a obsessão, para manter uma certa imunidade energética.

A obsessão no meio espírita

O melhor é sempre controlar os pensamentos. Havendo controle sobre o padrão de pensamentos, estaremos livres de interferências indesejadas. Como não chegamos, ainda, ao estágio de exercermos domínio permanente sobre os nossos pensamentos, precisamos de ações práticas. A caridade será, um dia, algo natural, espontâneo; a caridade é, hoje, dever moral; mas a caridade serve, mesmo para aqueles que ainda não se conscientizaram do seu princípio ético, um meio de garantir o interesse e a proteção dos espíritos trabalhadores.

Praticando a caridade, mesmo que, a princípio, como uma espécie de autoimposição, estaremos, pouco a pouco, formando amizades espirituais, despertando a simpatia de encarnados e desencarnados, nos imbuindo paulatinamente da natureza divina do “dar de si mesmo”.

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17 Comentários

  1. Muito esclarecedor o texto,a caridade é mesmo o veículo do progresso e do aperfeiçoamento moral de que dispomos para evoluir ,todavia apesar de nos esforçarmos o bem que fazemos é na maioria das vezes algo racionado e não espontâneo, com muitas incertezas se realmente devemos agir daquela maneira.AGIMOS COMO GOSTARÍAMOS DE AGIR MAS REAGIMOS COMO DE FATOS SOMOS predominado ainda pelo mal:ainda somos agressivos,orgulhosos,vaidosos,maledicentes,adulteros,…nossa!Nosso deus! quanto trabalho pela frente. Não raramente penso em fazer a caridade em larga escala a me entregar integralmente a causa de cristo desejo me espelhar em grandes missionários como irmã dulce,chico,madre tereza,bezerra de menezes e outros anônimos entre os homens mais conhecido por deus pelas boas ações que praticaram mas diante de tanta pequenez minha meus esforços resutam em uma pequena molécula de água pois uma gota de agua entre aspa foi o trabalho de madre tereza e dos outros. DÚVIDA seria presunção de minha parte tentar ser como esses espíritos são, digo não exatamente como eles pois o nível moral em que nos encontramos é ainda muito inferior ao desses que citei.Pode parecer muito bobo a analogia de que vou utilizar para me expressar penso que a vida-rencarnação é uma maratona e o seu maior inimigo é voçê mesmo e voçê tem que sempre se auto superar e não aos outros.O objetivo é amar pois essa é a vontade de deus ,a sua energia para avançar na maratona é a pratica da caridade mas a maratona não tem fim ela é eterna como o aperfeiçoamento também é eterno.
    A grande questão objetiva que eu quero chegar é a seguinte quero ser um grande atleta como aqueles e eles já correm muito rápido e a maioria de nós ainda somo pobres amadores corremos devagar,erradamente,equivocadamente com algumas notas de acerto e qualidades notáveis isso não se pode negar mas tropeçamos muito ainda e demoramos para levantar na queda ,mas o desejo e a vontade de ser melhor amanhã do que hoje é muito maior do que nossos defeitos e para lograr exito o caminho é a caridade o amor em pratica nos esforçando para eliminar o peso das más qualidades:o orgulho,o egoísmo,a tola vaidade. cristo é nosso mestre ,indefinível de tanto amor e devemos segui-lo para ter sucesso na maratona.Então diante de tanta pequenez nossa …?ops acho que escrevendo esse pequeno-grande texto encontrei a resposta ela tava bem na minha frente mas eu estava de cabeça baixa.essa dúvida já não existe mais.Obrigado a todos que tiverem a paciência para ler esse desabafo.

  2. Muito obrigado pelas palavras confortadoras de todos, já restabeleci minhas energias novamente e sei que é pelas orações de todos, vou considerar com mais seriedade sobre o conselho do Morel. É que estive pesquisando e não encontrei nenhum centro espírita que me atraia perto de minha casa, há um muito grande e famoso aqui, porém acho que se ocupa demais em consultar espíritos familiares a pedido dos frequentantes e na minha opinião agem mais pela curiosidade do que pela caridade. Não que esteja julgando, mas vou continuar a minha busca, obrigado a todos e muita paz.

  3. Achei muito interessante o texto pontuar sobre a caridade de forma pragmática. Comecei a me interessar pela doutrina espírita há pouco tempo e ainda estou naquela paixão de neófito, nos primeiros passos. Inicialmente o que mais me tocou foi a necessidade de abandonarmos cultos externos e praticarmos a caridade (não há salvação fora da caridade). Sempre achei que minha prática da caridade não era natural, que eu fazia porque sabia de que devia fazer, e isso me pertubava. Pois entendi que para pessoas verdadeiramente caridosas (como nossos irmãos Chico Xavier e Francisco de Assis) essa prática era tão natural neles quanto respirar. Me aquietei, porém, quando li “Nosso Lar”, observando que o bem que fizera André Luiz em sua encarnação, mesmo na maioria das vezes sendo por troca, resultou em bençãos significantes para ele. Mesmo por troca, o verdadeiro bem espalha bênçãos em nossos caminhos (Nosso Lar, pag. 91). Entendi que a prática, em silêncio, um dia, ou em alguma reencarnação, nos levará a fazermos naturalmente.

  4. Boa noite Morel. Quero deixar uma saudação especial a Rodrigo Pnt pelo seu desabafo e por mostrar que mesmo sendo um ótimo escritor, pela forma inovadora como escreve ( muito inspirada), também mostra que tem um lado humano, fraquezas como todos nós. Isso mesmo, que muitas nós é dito e dizemos a nós mesmos, ” somos seres imperfeitos a caminho da evolução” . Em parte, sinto empatia pela sua história, pois venho de uma família com sérios problemas de adição e precisamente de um grupo familiar onde predomina a mediunidade de forma ostensiva. Meus primos queridos que já desencarnaram devido a adição de drogas, em particular recordo uma prima ( que também teve uma passagem pelas drogas) que se enforcou, porque sentia um vazio enorme dentro de si, num momento pulava contente e no outro seguinte chorava compulsivamente, foi internada várias vezes em hospitais de saúde mental, sempre incompreendida pela família… Mas hoje, eu sei que também ela era de uma sensibilidade extrema. Mas como o Morel lhe referiu, quem tem sensibilidade mediunica sofre mais, porque é precisamente como uma esponja, absorve tudo. Não conheço você pessoalmente, mas como escreve, aquilo que você escreve e pela forma como escreve, eu sinto muita simpatia pela sua pessoa, pois sempre que tenho contato com alguém tento sempre ver o lado melhor da pessoa, gosto de olhar na sua alma. Meus filhos, por exemplo, foram a grande provação na minha relação com o meu marido, até eu me admiro como ainda estamos os dois juntos. Ele teve sempre tendência para abusar da bebida, pois aí mascarava o seu desgosto, mas não se pode definir como alcoólatra na acepção da palavra. Há pouco tempo, ele andava exagerar, saia de casa, ia ter com os amigos e esquecia o tempo passar e eu precisando de ajuda com os filhos, enfim… E cada vez que chegava era só discussão… Em vez de o criticar, eu quis saber o que se passava com ele, e perguntei lhe em tom de afirmação ” o teu vazio que sentes deve ser muito grande para andares a beber desse jeito?!” Ao que ele me afirmou que sentia um vazio muito grande, e é aí que começa a conscientização… Desejo lhe muita paz e que consiga vencer a sua batalha pessoal! Eu própria era contra o tabaco e não suportava o cheiro do cigarro, dizia que o tabaco era para mentes fracas, e aos dezoito anos comecei a fumar por besteira, fumei até descobrir que estava gravida aos vinte sete anos, aí o amor maternal foi mais forte, mas depois de nascerem e após ter amamentado, o stress falou mais alto e tive recaída e voltei a fumar ( nunca fui grande fumante, fumava cerca de 7, 8 cigarros por dia, mas fumava na mesma) , coloquei aparelho dentário e decidi parar de fumar de vez. É questão de mudar um hábito para outro ( talvez yoga). Já me alonguei demais… Vou orar pedindo força para você! Abraços!

  5. Morel, boa tarde e licença para usar seu espaço.
    Rodrigo Pnt, boa tarde. Não sou a melhor pessoa do mundo para aconselhar, mas assim mesmo vão algumas palavras.
    Que Deus lhe dê toda força necessária para vencer suas provações. No fundo, no fundo, nós já sabemos que Ele não nos dá um fardo maior que possamos suportar.
    Você tem um conhecimento fantástico, basta aplicá-lo. Sabemos que não é fácil, aliás é muito difícil. Mas lembre-se que a fé também é expressada em ações e não só através de conhecimentos. Como diz Emmanuel: “Disciplina, disciplina, disciplina.”
    Aqui, estarei em oração por você.
    Esteja com Deus.

  6. Rodrigo, você já está vencendo, pois o começo de qualquer cura é a conscientização. Você reconhece os seus problemas e fraquezas. E não é de um dia pro outro que conseguimos superar fraquezas que nos acompanham há muito tempo. Não podemos desistir. Todas as nossas falhas de caráter demoram muito tempo até serem superadas. Isso requer esforço e persistência. Mas em todos os aspectos da vida temos que tentar e tentar muitas vezes, até que consigamos superar de verdade.
    A sua consciência já venceu este vício. Mas somos formados pelos nossos hábitos, e temos que substituir os nossos hábitos atuais por outros melhores. Toda a força, toda a carga energética que canalizamos para um vício deve ser redirecionada para uma nova ocupação, que nos exija tempo, atenção e que ofereça algum resultado visível. É por isso que existem fanáticos religiosos, pessoas puritanas, pessoas viciadas em esporte e outros. São espíritos que saíram de um pólo para o outro. E até que conquistem o equilíbrio, ainda tendem para o exagero. Mas é melhor um exagero que ofereça algo de bom.
    Já disse pra você, uma vez, que acho que você deve dedicar-se ao estudo e trabalho num centro espírita. Você sabe que eu vejo aspectos positivos em todas as religiões e que não é a religião que define a pessoa. Mas você é médium, e não é uma pessoa comum. Você absorve muitas influências, e, por mais que você estude sobre o espiritismo, só irá aprender a lidar com a sua mediunidade quando se dedicar a desenvolvê-la num centro espírita sério, numa casa onde se privilegie o estudo e o Evangelho.
    O médium que não domina a si mesmo é com uma esponja, absorvendo tudo o que está à sua volta. Todos nós temos tendências negativas, em nosso subconsciente, de que ainda não conseguimos nos livrar. Essas tendências, se não estivermos bem protegidos espiritualmente, atraem os espíritos que se afinizam com elas, e os nossos desejos, que seriam facilmente controlados por nós mesmos, passam a ser potencializados porque são multiplicados por grande número de espíritos desejando a mesma coisa.
    Considere a possibilidade de procurar um centro espírita e estudar com o propósito de, mais tarde, trabalhar. Sei das dificuldades que esta decisão acarreta em relação à família. Mas somos seres individuais, e temos que prestar contas, mesmo, é à nossa consciência.
    Você tem em mim um irmão espiritual. Conte comigo. Parabéns pela coragem de se expôr.
    Estou orando por você.

  7. Muito bom o texto, mas vou contar uma coisa que ninguém sabe aqui, eu gosto muito de escrever e às vezes até julgo os outros sem reparar na trave do meu próprio olho, porém tenho um problema sério, pensei que já o tivesse vencido mas não consigo vencer, sou alcoólatra embora já fiquei até cinco anos sem beber. É muito difícil vencer de verdade esse problema, às vezes acho que o que as pessoas da família falam pra mim é verdade, que eu sou é um tremendo sem-vergonha, isso sim, minha esposa sofre muito porque já fazia uns dois anos que eu não bebia e bebi de novo, às vezes penso que não tem solução pra mim, mesmo sabendo de tudo o que acontece com um suicida e isso pela ótica espírita, já me peguei muitas vezes querendo morrer, sabe, a vida me é enfadonha, sinto que jamais vou vencer esse carma, desculpe, tinha que desabafar.

  8. Bom dia!!!
    É bem como a oração do querido irmão Francisco de Assis…
    ” Oh! Mestre, fazei me instrumento de vossa paz …”
    Que a caridade seja feita pela vontade, pelo amor…
    Bom domingo a todos,
    Luz!!!

  9. Bom dia Morel. Ainda ontem estava refletindo neste artigo. Ontem fui ao supermercado, e veio ter comigo um menino com cerca de nove anos, pedindo ajuda porque sofre de asma, nisto aproximou se uma senhora que entendi ser sua avó, explicando me a situação do menino, sofre de asma e tinha um subsídio para os medicamentos, que entretanto terminou, e a senhora desesperada veio para a rua pedir ajuda monetária. Falei com a senhora, perguntando se tinha buscado ajuda junto do governo local, ao que ela me respondeu que sim, mas que os processos demoram, e isso eu sei que é uma realidade morosa por aqui. Refleti se não estaria a ser vítima de um engodo, mas o meu coração como sempre falou mais alto, e ajudei os como pude. Depois pus me a pensar, que meu feitio é assim… Não consigo dizer que não, pois a minha preocupação pelo bem estar do semelhante ultrapassa a minha desconfiança. Então eu digo sempre ” você está a pedir me ajuda. Eu ajudo mas espero que reflita na sua consciência, que se estiver a me enganar, a responsabilidade é sua. Pois as boas ações ficam sempre para quem as pratica.” Já passei por dificuldades financeiras, já tive quem me emprestasse dinheiro e mesmo nesses momentos, eu acabo por ajudar. Rezei por aquele menino e pela sua família, para que Deus os ajudasse a ultrapassar aquela fase. Pois afinal, penso que aquele menino poderia ser meu filho, e aquela mulher poderia ser eu, no meu desespero, deixando o meu orgulho de lado para ir para a rua submeter me áquela condição. Deus nos guarde de tal situação acontecer. Bem haja!

  10. Sr. Morel
    Boa noite.
    O Espiritismo nos ensina que fora da caridade não há salvação. Acredito não só na caridade material, mas acima de tudo na caridade espiritual, pois através dela exercemos a tolerância com erros e falhas do próximo; sendo assim, uma palavra em um momento difícil, que estejamos enfrentando, é caridade, bem como um abraço, um olhar carinhoso, um gesto fraterno… Caridade é abrangente. Mas se for para o bem, toda e qualquer forma de caridade é bem-vinda.
    Obrigada.

  11. Bom dia Morel, gostei muito do seu texto, particularmente procuro sempre fazer o bem, sem olhar a quem, mas eu acho difícil saber se realmente eu fiz o bem, olhando para o lado do livre-arbítrio e até mesmo as reações das pessoas ao receberem o bem, que na maioria das vezes, não são boas. No entanto eu faço assim mesmo porque isso faz com que eu me sinta uma pessoa melhor. Talvez, a melhor caridade é aquela que podemos mesmo praticar anonimamente, é uma coisa entre você e Deus. Abraços!

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