Evangelho, Perguntas dos leitores

As orações pelos doentes

oração pelos doentes

Morel Felipe Wilkon

Como funciona a oração pelos doentes? O que prevalece; a necessidade de aprendizado do espírito ou as orações por ele? É o que tentei responder à leitora Lia:

– Morel, obrigada mais uma vez pela oportunidade de participar e aprender neste site rico em conhecimentos. Tenho uma pergunta, se for possível me responder agradeço; gostaria de saber quando uma pessoa está doente – e  como aprendemos na doutrina a doença faz parte do aprendizado muitas vezes necessário ao espírito – então, sendo assim, como funciona a oração? Se por exemplo uma pessoa com muitas dívidas sofre algo que lhe afete a saúde e essa pessoa é querida e faz com que muitos orem, façam correntes, o que ocorre neste caso? Sei que cada caso é individual, mas isso ocorre com frequência, orações para pessoas enfermas. Gostaria de uma explicação, o que prevalece: o pedido de muitos ou sua necessidade de aprendizado na dor?

Lia, venho me preparando há um ano para a produção de uma série de 30 vídeos em que analiso o Evangelho de Lucas a partir dos conhecimentos do Espiritismo. Começarei a divulgar em Março. E uma das coisas que percebo é que quando Jesus diz “teus pecados estão perdoados”,  na verdade, analisando os textos originais gregos, vemos que o que ele está realmente declarando é “teus erros foram resgatados”. A palavra pecado, nos textos gregos, significa “erro”; originalmente se referia ao ato de errar o alvo com o arco e flecha. É, então, uma tentativa de acerto que não obteve êxito. E a palavra grega “aphesis”, que normalmente é traduzida como perdoar ou remir, também pode ser traduzida como desligar, libertar ou RESGATAR, referindo-se ao preço que se pagava para obter-se a libertação da escravidão.

jesus cura
As curas de Jesus

Então Jesus não “perdoava os pecados”; estaria sendo parcial se perdoasse uns e não perdoasse outros. Mas Jesus declara àquelas pessoas que “os seus erros foram resgatados”, ou seja, que elas já cumpriram o seu “carma”, ou, melhor dizendo, já estão quites com a Lei de causa e efeito.

Se já estavam quites, por que permaneciam doentes? Pela inércia. Tendemos a permanecer na mesma situação em que estamos.

Todos nós temos a tendência de acomodação. Isso é confirmado pela Física. Pelo princípio da inércia, todos os corpos comportam-se como preguiçosos e não querem modificar seu estado de movimento: se estão em movimento, querem continuar em movimento; se estão parados, querem continuar parados. Esse comportamento preguiçoso é chamado pelos físicos de inércia. Um exemplo comum do princípio da inércia é o movimento de um automóvel. Quando o automóvel está parado e arranca, quem está no interior do veículo desloca-se para trás. Quando o automóvel está em movimento e freia, quem está no interior do veículo desloca-se para a frente, pela tendência de permanecer com a velocidade que tinha. A inércia se refere à resistência que um corpo oferece à modificação do seu estado de repouso ou de movimento.

Assim como os corpos físicos, nós também seguimos o princípio da inércia. Se nada de novo acontecesse em nossas vidas, permaneceríamos parados, no estado em que nos encontramos. Nada mais de progresso, de evolução ou desenvolvimento. Nada de esforço no melhoramento de si mesmo, no fortalecimento interior, na reforma íntima.

O que Jesus fazia, então, com o seu imenso poder magnetizador, com os fluidos purificados que emanavam de si, era dar condições para que o espírito encarnado doente se conscientizasse da sua realidade, após anos de sofrimento e arrependimento, e saísse da sua inércia. Jesus contribuía com o seu poder e o doente colaborava estando receptivo, pois é preciso receptividade para obter ajuda, para ser curado, para que o poder de Deus se manifeste no espírito. Isso é demonstrado quando Jesus visitou a sua cidade, Nazaré, e não pôde realizar aí nenhuma cura relevante, pois os seus conterrâneos não tinham fé. Sem a receptividade proporcionada pela fé a cura é dificultada.

Para que a pessoa obtenha a cura, então, é necessário, como vemos no Evangelho, que tenha “cumprido o seu carma”, “resgatado os seus erros”, que tenha se rearmonizado com a Lei de causa e efeito. A cura definitiva deve ser do espírito, o corpo físico apenas reflete a disposição do espírito.

A oração sincera nunca fica sem resposta. Algum alívio, no mínimo, acontece. Mas o fundamental é que o espírito tenha aprendido com a dor, se arrependido e se modificado internamente. É para isso que existe a dor. A dor é um mecanismo de alerta que nos avisa quando nos desviamos do caminho reto das Leis de Deus. A pessoa arrependida, conscientizada, mesmo que não tenha “cumprido o seu carma”, mesmo que não esteja quitada com a Lei de causa e efeito, pode estar disposta a resgatar os seus erros através da sua mudança interna e externa, da sua reforma íntima e consequente alteração de comportamentos e atitudes. Então as orações encontram receptividade em seu espírito e ela obtém a cura do corpo físico. A cura definitiva do espírito, no entanto, só é alcançada quando a pessoa se submete espontaneamente aos mecanismos da Lei de causa e efeito, consertando ou compensando os males causados com bons pensamentos, boas palavras e boas ações.

Resumindo, temos a conjunção de três fatores: merecimento, pela submissão aos mecanismos da Lei de causa e efeito; receptividade através da fé; e o auxílio espiritual advindo das orações. 

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11 Comentários

  1. Aos que tem dificuldades em perdoar.

    Segue mais uma dica de leitura:

    Livro: O Evangelho Segundo o Espiritismo.

    Capítulo X – Bem-aventurados os que são misericordiosos

    Perdoai, para que Deus vos perdoe: 1 a 4.
    Reconciliação com os
    adversários: 5 e 6. – O sacrifício mais agradável a Deus: 7 e 8. – O
    argueiro e a trave no olho: 9 e 10. – Não julgueis, para não serdes
    julgados. Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado:
    11 a 13. – Instruções dos Espíritos: Perdão das ofensas: 14 e 15. – A
    indulgência: 16 a 18. – É permitido repreender os outros, notar as
    imperfeições de outrem, divulgar o mal de outrem?: 19 a 21.

    Abraços Fraternos !!!

  2. Marcília, compreendo a sua dor, mas já é tempo de crescer, afinal você já não é mais criança. É compreensível que uma criança se magoe com uma situação como a que você viveu. Mas somos adultos e precisamos ver as coisas como adultos. Aliás, inúmeras pessoas experimentam todos os dias situações muito piores que a sua. Seu pai pode ter se enganado, pode ter sido desleixado com você, mas não os abandonou.
    A Bíblia não diz que devemos amar os pais acima de todas as coisas. Devemos amar a Deus acima de todas as coisas. Você não pediu pra nascer? Tem certeza? é muito, mas MUITO provável que você esteja equivocada. Cada reencarnação é uma oportunidade. Quando desencarnamos e nos damos conta disso e da maneira como desperdiçamos a nossa oportunidade, imploramos por um novo corpo, por uma nova família, por uma nova chance de recommeçar e tentar fazer o certo.
    Você não deve perdoar o seu pai só porque é o seu pai. Você deve perdoar a toda e qualquer pessoa para desligar-se da dor. Perdoar quer dizer desligar-se. Enquanto você não perdoa você não se desliga da dor, você fica remoendo a dor, você fica sentindo a dor de quando você era criança. Você não vive mais isso! Você não é mais criança! Quem sofre com o seu não-perdão é você mesma. Você não sabe como você agiria se estivesse no lugar dele.
    Não lembramos de nossas existências anteriores. Mas elas estão gravadas dentro de nós. Essas situações não têm o seu começo aqui.
    Você julga o seu pai duramente. Repito que entendo a sua dor. Mas a nossa consciência julga a nós mesmos da mesma maneira que nós julgamos os outros. Você é dura com o seu pai e não tenta compreendê-lo e perdoá-lo. Assim também a sua consciência será dura com você, não irá compreendê-la e não irá lhe perdoar.
    Estude o Evangelho de Jesus. Não importa a religião que você siga, adquira o hábito de estudar e meditar sobre o evangelho. Jesus, sabendo das nossas fraquezas, nos ensinou o que precisamos fazer para nos libertarmos destas fraquezas que nos escravizam e sermos felizes.
    Siga a sua vida. Perdoe o seu pai, perdoe a sua madrasta e os filhos dela, perdoe a sua mãe, perdoe a você mesma. Peça que todas essas pessoas, uma por uma, lhe peroem. Você não sabe, mas pode tê-los prejudicado muito em outras existências.
    Desligue-se. Liberte-se.

  3. ADOREI A PÁGINA… TENHO MUITAS DÚVIDAS SOBRE O PERDÃO. QUANDO ERA CRIANÇA EU E MEUS IRMÃOS PERDEMOS NOSSA MÃE MUITO CEDO. ENTÃO MEU PAI LOGO ENCONTROU OUTRA COMPANHEIRA, QUE NÃO NOS MALTRATAVA FISICAMENTE MAS ERA MUITO ARROGANTE COM TODOS NÓS. MEU PAI MAL NOS VISITAVA, POIS FICAMOS COM NOSSA AVÓ. CRESCEMOS VENDO ELE DAR TUDO DO BOM E DO MELHOR PARA OS FILHOS DA MULHER ATUAL, QUE ALIÁS, NEM ERAM DELE… ELE JÁ FALECEU, QUANDO ME REFIRO A ELE NÃO CONSIGO CHAMÁ-LO DE PAI… JÁ TENTEI DE VÁRIAS FORMAS ME LIVRAR DESSA MÁGOA, MAS NÃO CONSIGO. E ME PERGUNTO SÓ POR QUE FOI MEU PAI DEVO PERDOAR E ESQUECER O ABANDONO E O DESCASO. EU SEI QUE A BÍBLIA DIZ: AMAR PAI E MÃE SOBRE TODAS AS COISAS… MAS ÉRAMOS CRIANÇAS DEVERÍAMOS SER AMADOS E PROTEGIDOS. AFINAL EU NÃO PEDI PRA NASCER.

  4. Morel,

    Saudações!

    Gostaria de saber nesse contexto de quitação de dividas dentro do princípio da lei de causa e efeito, o significado da frase “o amor cobre uma multidão de pecados”. Vez por outra vejo a interpretação de que a lei de causa e efeito é um tipo de “olho por olho, dente por dente” espiritual. Qual a sua opinião?

  5. Oi Morel boa tarde!
    Suas palavras me emocionaram bastante. Senti algo muito forte me tocar. Palavras não definem ao certo. Mas posso lhe garantir que sinto um certo alívio. Ciente de que estou no caminho certo e de que toda a situação vivenciada em nossa casa é um resgate necessário a todos. Mesmo que às vezes eu perca o equilíbrio, sou humana, erro e caio na fraqueza da falta de paciência. Meu pai hoje tornou-se uma espécie de filho dependente de mim, até comida é na boca. Tudo o que realizo é por amor e dedico sim o que puder para que juntos possamos evoluir e cumprir nossa missão.
    Obrigada!

  6. Georgiana, a sua situação vista de fora é muito, muito diferente do que você consegue ver estando dentro dela. Só percebemos a importância (quase sempre) das experiências que atravessamos quando nos afastamos delas.
    Você está fazendo extamente o que você pode e deve fazer. Está cumprindo o seu papel, está sabendo passar por cima de problemas do passado e se focando no presente.
    A sua parte você está fazendo. A parte dele é ele quem deve fazer, e isso pode estar acontecendo sem que você perceba. O sofrimento é o início da cura espiritual. Quase todos, antes de experimentarem o sofrimento, experimentam a revolta. A revolta é inútil e prejudicial. O sofrimento não é um estágio obrigatório, mas quase todos passam por ele. Através do sofrimento percebe-se claramente os resultados de nossos erros. Tudo o que você está passando para ele, a ajuda espiritual que ele está recebendo, o que ele ouve e assiste certamente está fazendo grande efeito internamente. Dificilmente isso irá se manifestar fisicamente. A cura espiritual não implica, necessariamente, na cura do corpo físico. A cura do espírito é um processo longo, e o resultado dessa transformação se reflete no corpo, muitas vezes, exatamente como doença e sofrimento. O espírito purga as suas impurezas através do corpo físico. Não espere a cura física como condição para reconhecer o progresso espiritual do seu pai. Não estou dizendo que não vá acontecer a cura física, mas a dor que ele experimenta, neste momento, pode ser o melhor que ele pode receber da Vida para o seu próprio benefício em forma de esclarecimento íntimo e sólido. O entendimento dele está sendo fortalecido. Ela vai despertando para a realidade espiritual. Isso para nós pode parecer muito doloroso, pois costumamos avaliar as aparências. A decadência física não guarda nenhuma relação com o estado do espírito. A dor moral que ele sente é sinal de conscientização.
    Pode ser difícil, para você, ainda. Mas mantenha-se firme. O resultado será benéfico para você, pra ele, para outras pessoas envolvidas e para os espíritos desencarnados, às vezes muitos, que nos acompanham e que podem estar ligados a este processo.
    Fique com Deus.

  7. Boa tarde Morel!
    Li e reli e dúvidas pertinentes ainda persistem…
    Estou vivenciando uma situação complexa e delicada com meu pai há 10 meses, sofreu umas queimaduras em casa mesmo (morava sozinho até então), já foi submetido a vários procedimentos cirúrgicos e simplesmente os ferimentos não saram. Ele vive numa cama, sem esperanças e sem alegrias. Faço de tudo o que posso para vê-lo bem e curado. Tem apenas 60 anos. Levei ele ao centro o qual frequento, está fazendo um tratamento espiritual lá. O que ocorre é que o retorno que ele dá a si mesmo é muito lento… nem sei se ele acredita nessa cura. Me pergunto até aonde posso ir? Até onde intervir para que ele melhore. Com o acidente vieram outros problemas, agravou a artrite, artrose, veio a depressão.
    Por outro lado nos aproximamos, pois morávamos separados, sou filha única e hoje ele é totalmente dependente de mim, logo eu que já fui tão maltratada por ele na época em que ele bebia e perdia o controle. Mas é meu pai, eu o amo e desejo que ele fique bom. Leio o evangelho, ele assiste missas pela TV e rádio, ouve a todos os que o visitam com orações. Mas é sempre tão calado… mergulhado em seu mundo.
    Já falei a ele sobre perdão, causa e efeito e mais assuntos pertinentes ao sofrimento, suas causas e suas consequências. Mas o que devo fazer mais por ele? Quando muitas vezes até eu mesma acho que perdi a fé…???

  8. Quando Jesus dizia: “levanta-te e anda, os teus pecados estão perdoados.” era porque a consequência da infração à lei divina é a dor, ou uma necessária reparação através do amor. Sobre o perdão, devemos nos lembrar que a lei divina está gravada em nossa consciência, que é um juiz inflexível. Quando perdoamos o próximo estamos nos colocando intimamente em condições psíquicas melhores, mais maduras. Deus não precisa me esperar perdoar para que ele me perdoe, tudo isso acontece no tribunal da nossa consciência onde Ele age através da lei. Na verdade o assunto é grandioso para ser visto em pouco espaço. Quem perdoa se liberta. Forte abraço. JN

  9. Tiago, o perdão tratado no Pai Nosso é justamente a consecução da Lei de causa e efeito. Perdoamos (causa) e, em consequência, somos perdoados (efeito). Jesus abordou vérias vezes a Lei de causa e efeito: “Com a medida que medirdes vos medirão a vós”; “não julgueis para não serdes julgados”; “quem fere com a espada pela espada perecerá” etc.
    A coletividade é formada pelos indivíduos. Só respondemos pela nossa participação na coletividade. Este é um planeta de provas, então a dor faz parte do processo evolutivo, mesmo que não tenhamos dado causa direta a ela. Mas isso não quer dizer que respondamos pelo grupo a que pertencemos.

  10. Esse assunto, para mim, é difícil de entender. Isso porque penso que a lei da causalidade não exclui o perdão. Quando no Pai Nosso rezamos para sermos perdoados, também nos comprometemos a perdoar. Então uma coisa está ligada a outra. Além do mais, será que nós sofremos somente os efeitos que causamos? Se a lei da causalidade é uma regra coletiva e não somente individual, então estaremos entrelaçados em nossas lutas e também em nossa libertação.
    Considero, de fato, algo bem antagônico a ideia do perdão (transmitida principalmente pelo catolicismo) com a noção de causalidade do espiritismo.

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