Família, Reforma íntima

Espiritismo e os problemas de família

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Morel Felipe Wilkon

Artigo publicado originalmente em 28/08/2012

Ouça este artigo na voz do autor

Qual a família que não tem problemas? Se pudéssemos lembrar de todas as vidas em que estivemos juntos aos atuais familiares, ficaríamos chocados. O Espiritismo diz que nossas ligações geralmente remontam ao passado.

É raro o caso de famílias em que há permanente harmonia. Você sabe tanto quanto eu que o lar é o laboratório do espírito imortal.  É no grupo familiar que você tem as melhores oportunidades de aprendizado e experiência. É no lar que você põe à prova as lições já aprendidas.

Tirando as exceções de praxe, que são as famílias muito boas ou famílias muito más, a grande maioria vive momentos de altos e baixos. Períodos de grande paz e união mesclados com etapas de discórdia e desentendimentos de todo tipo.

Se pudéssemos lembrar de todas as reencarnações em que estivemos juntos aos atuais familiares, ficaríamos chocados. Se lembrássemos de todos os papéis que já representamos, nós e cada um dos nossos familiares e pessoas mais próximas, talvez não tivéssemos mais condições de convívio com alguns deles. Se cada vez que olhamos para um desses que agora são nosso filho, ou pai, ou esposa, mãe, noivo, irmão, se lembrássemos quem eles foram no passado, e o que nos fizeram, e o que nós também já fizemos a eles, em outras existências, talvez a convivência se tornasse insustentável.

Valorize os pontos positivos da família!

Por isso os altos e baixos em nossos relacionamentos amorosos e familiares. Há períodos em que reminiscências de um passado distante vêm à tona. Isso pode ocorrer durante uma noite de sono em que, desdobrados do corpo físico, visitamos outras dimensões de tempo/espaço que hoje desconhecemos. É como se passado e presente se misturassem, como se houvesse realidades paralelas. Nesses desdobramentos é comum revivermos momentos críticos e marcantes do passado. Quando despertamos, temos a vaga lembrança de haver sonhado com alguém de hoje animando um personagem diferente, fazendo coisas diferentes, às vezes trágicas, agindo como se fosse outra pessoa, embora a aparência de alguém do nosso convívio atual.

Mas essas reminiscências também podem surgir quando estamos acordados, a partir de alguma emoção forte que nos recorde, inconscientemente, situações já experimentadas com a mesma pessoa em reencarnações passadas.

Se é praticamente impossível viver num estado de paz permanente em família, que saibamos valorizar os bons momentos! Você provavelmente já experimentou sentir alguma coisa por uma pessoa próxima em sua presença e sentir outra coisa quando longe dela. Às vezes acontece de você não conseguir se sentir bem com alguém. Não age como gostaria, não fala o que poderia falar. Mas basta se afastar para mudar de ideia em relação à pessoa, achar que afinal de contas ela não é assim tão difícil.

Isso é ruim? É claro que seria melhor se tudo fosse sempre bom, sempre perfeito, mas não chegamos a esse estágio ainda. Recém despertamos para a necessidade da reforma íntima. Então precisamos ver o lado bom. E o lado bom é que conseguimos superar os atritos, conseguimos amenizar as diferenças. Quando nos distanciamos, o “problema” parece menor. E realmente se torna menor, pois racionalizamos em vez de nos deixarmos dominar pela emoção.

Ainda temos necessidade do amor idealizado. Precisamos que as pessoas que amamos correspondam a determinadas ilusões que criamos. Nos iludimos pensando que nossos irmãos são obrigados a ser nossos parceiros, que nossos filhos são nossa continuação, que nosso par amoroso seja nossa alma gêmea, acorrentada aos nossos caprichos inseguros.

Valorize esse querer bem que teima em querer bem. Valorize as fases de harmonia, valorize os pontos positivos da família.

Isso funciona sempre? Não. Seria ingenuidade pensar que existe fórmula mágica pra tudo. Mas a diferença entre perdedores e ganhadores costuma ser mínima, muio pequena. Numa corrida de cavalos, o ganhador às vezes chega só com a cabeça na frente do segundo colocado. Numa partida de futebol, uma cobrança de pênalti pode decidir um campeonato. Assim também é na vida familiar. O que diferencia uma família estruturada de uma família combalida são detalhes, pequenos detalhes.

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31 Comentários

  1. Muito bom o artigo! Eu estou procurando explicações para um dilema em minha vida, minha mãe e eu nunca tivemos uma boa relação, na verdade nunca existiu nem cárinho, só agressões, desprezo, descaso desde que me lembro minha mãe nunca me abraçou, nem nunca me elogiou. A uns meses voltei a morar com ela e a convivência tem sido horrível, tenho pesadelos em que ela me bate e me faz passar vergonha na frente das pessoas. Sinto um rancor inexplicável, não suporto nem o cheiro dela. Meus Deus não queria sentir isso mas é mais forte do que eu. Minha irmã e ela são melhores amigas, fico triste em ver que nunca me deu o carinho e atenção que dá a ela. Penso que eu tenha cometido algo muito ruim a minha mãe em outra vida ou ela. Sempre me rejeitou, quando tinha 8 anos lembro dela falando q quando separasse do meu pai ia deixar eu e meu irmão com ele. Eu só tinha 8 anos que mal eu poderia ter feita pra ela me rejeit ar assim. Só penso que foi algo de vidas passadas.

  2. Olá bom dia!! Gostei muito da página, não sou espírita mas gosto muito de ler sobre o espiritismo, me sinto mais leve e é onde encontro mais respostas para minhas dúvidas. Tenho 33 anos e gostaria de uma ajuda, opinião, conselho…Sempre tive uma relação “tranquila” com minha família, mas desde sempre tive uma mágoa muito grande da minha mãe por ela ter me privado de conhecer e saber sobre o meu pai. Minha família é somente a família dela.Nunca tive contato com ninguém do lado do meu pai porque não pude conhecê-lo. Minha tia mais velha, irmã dela e minha avó, sempre a ajudaram a cuidar de mim e sou muito grata a elas por isso…falo sempre que tenho 3 mães. Amo essa minha tia como se fosse minha mãe, mas, de uns anos pra cá, a relação com minha tia mais nova e o meu tio, os outros dois irmãos dela, e as filhas deles (minhas primas) se tornaram insustentáveis. Acho que por eles sempre terem ganhado muito bem nos seus bons cargos públicos, se sentiam no direito de humilhar a mim e minha mãe por sermos mais humildes 9 e por ela ganhar bem menos). As primas, chegavam na minha casa, mexiam nas minhas coisas, se achavam as donas da casa e de tudo, levavam nossas coisas pra casa delas sem ao menos avisar, sempre com um ar de superioridade. Tudo que já fizeram por nós, faziam pra depois jogar na nossa cara e aquilo por muitos anos foi me deixando bastante irritada e triste até que chegou um dia que resolvi cortar relação com esses 2 tios e suas filhas. Desde quando elas (primas) eram crianças e eu já adolescente, eu não me sentia bem perto delas por sempre terem tido esse ar de superioridade, como se eu e minha mãe não fôssemos nada. Nunca me senti bem perto delas e nem convivendo com elas, mas como moramos na casa da minha avó, convivíamos bastante. Faz 4 anos que cortei qualquer tipo de contato com todos eles por ter cansado de me sentir humilhada dentro da minha casa(da minha vó né, mas como nasci lá, considero minha também). E não sei, o amor que tenho pela minha mãe (mesmo com essa mágoa sobre meu pai), por minha tia mais velha e minha avó, nunca foi o mesmo que tive por esses outros dois tios e suas filhas. Na verdade acho que nunca os amei nem tive um bom sentimento por eles. Nunca me senti feliz ou bem com a presença deles, sempre me muito mal perto deles mesmo antes dessas humilhações começarem. Queria saber se isso pode ser sentimento de outras vidas? Porque eu tenho um amor tão grande pelas 3 e por esses outros não tenho e nunca tive? Tenho me privado de participar de qualquer evento de família que esses outros estejam presentes porque me sinto muito mal perto deles. Não quero sentir ódio ou qualquer sentimento assim, mas não consigo querer conviver e nem estar perto. O mais triste é que quase sempre os eventos “familiares” são na casa da minha vó/minha casa, e eu sempre tenho que sair de lá pra não vê-los. Tenho me sentido muito triste por isso…

  3. Beatriz, isso de “ficar quites” é ilusão. É sentimento de vingança, só isso. E é isso que mantém o ódio entre espíritos como vocês, que às vezes atravessam séculos, em várias reencarnações, se odiando e aprontando uns para os outros. Isso só termina com o perdão. Perdoe, quando perdoar estará libertada.

  4. Boa noite. estava pesquisando na internet e achei este site. Andava lendo e vendo vídeos sobre espiritismo e me veio algo a mente. Tenho problemas sérios de relacionamento com minha mãe. Ou melhor, dela comigo, pois eu nunca quis brigar com ela nem cortar laços. Fiz isso há quase dois anos porque ela armou pra cima de mim e achei melhor me proteger. Na minha concepção realista, acredito que seja um problema sério de egoísmo da parte dela. O que posso dizer é que ela sempre foi uma mãe ausente e nunca esteve ao meu lado. Passei a vida inteira sentindo falta de uma mãe. Hoje com 33 anos essa falta já não existe, mas permanece a mágoa. Não bastasse ela ser uma mãe ausente e despreparada, ainda nutre uma desconfiança de mim e é capaz de me machucar com as piores ofensas. Não sei se é ciúme, competição, inveja, religiosidade. Só sei que me acusa de coisas horríveis que nunca fiz, fez a filha dela mais nova me odiar e hoje é mais uma na minha lista. Fui tão agredida e humilhada e depois da armação onde me senti sozinha e acuada não sinto falta delas. Ao contrário, desejo que colham o mal que me fizeram. Hoje vivo bem, em paz, longe delas. O que incomoda é que ela não desiste de inventar coisas minhas, mentiras sebosas ao meu respeito e passar-se por boa mãe. Extremamente manipuladora, o que me irrita demais. Ela me acusa de muitas asneiras e não percebe que o problema está na desconfiança obsessiva que ela tem de mim. Não sinto que ela me ama e hoje não me dóis mais isso. O que me corrói é a mágoa que tenho dela e principalmente da minha irmã mais nova (foi muito cruel comigo. Sinto que se elas virem a pagar ficaremos quites.

  5. Cristinne, entendo que você está se protegendo, se preservando, e nisso você está certa. Procure compreender sua mãe. As pessoas não ficam assim por acaso. A vida lhes apresenta problemas e elas, muitas vezes elas não sabem como lidar com esses problemas. Não feche-se totalmente para ela. Perdoe, não cultive culpa, nem raiva, nem mágoa. Compreenda e perdoe. As pessoas mudam; talvez ainda nesta existência haja oportunidade de vocês se entenderem melhor.

    Deus te abençoe.

  6. Adorei esse texto! Muito esclarecedor, queria pedir uma orientação a você, Morel.
    Eu sempre tive uma relação conturbada com a minha mãe, ela sempre me usou para os benefícios próprios, me fez ter raiva dos meus avós e do meu pai, porque ela tinha problemas de relacionamento com eles… Eu sempre fiz de tudo para que ela fosse uma pessoa feliz, mas ela fica cada dia mais amargurada! Só Deus sabe o que eu passei, foi muito sofrimento, achava que não ia ter fim!
    Resolvi me afastar dela totalmente, e hoje sou uma pessoa muito feliz! tenho paz no coração, sinto o gosto dos alimentos, minha saúde está boa, tenho uma relação harmoniosa com o meu esposo, agradeço tanto a Deus por estar viva!
    Queria que essa situação com a minha mãe fosse resolvida, mas ela não mudará, só me faz mal! já chegou a desejar até uma morte trágica pra mim. Queria saber se essa decisão de não falar mais com ela foi a mais acertada, pois infelizmente eu não tenho mais disposição física, mental e espiritual pra ficar perto dela.

  7. Marcelo, a apometria é um método de atendimento espiritual que costuma ser muito eficaz. Mas é preciso haver merecimento por parte de quem vai ser o alvo do atendimento. Se não nos ajudamos, é mais difícil sermos ajudados. O mais importante, sempre, é a conscientização – perceber a necessidade da mudança.

  8. Minha mulher e minha filha de 15 anos estão sempre brigando e como faz tempo já isso, eu estou perdendo minha saúde e não vejo solução. Monte de parentes e amigos já tentaram conversar com elas mas não tem jeito. O que pode ser feito no lado espiritual. Apometria?

  9. Milla, não somos obrigados a permanecer junto a quem não gostamos – a não ser que tenhamos responsabilidade direta sobre eles, o que não parece ser o caso. Assim como em uma relação conjugal, é bom esforçar-se para manter-se unido e buscar a harmonia, mas só enquanto as partes aprendam algo com isso.

  10. Bom dia. Tenho uma família muito belicosa. Minha mãe sempre incentivou a competição entre nós. Sou a irmã mais velha e a que minha mãe e irmãs mais perseguem. Sei que estamos no mesmo núcleo por uma razão… Mas aos 38 anos estou sobrecaregada. Distante deles (todos: pai, mãe irmãos – somos 4) eu fico em paz e tenho remorso por não conseguir harmonizarmos. Sempre que nos reunimos saímos desgastados emocionalmente. Muita falta de colaboração e excesso de ego. Bom… não quero mais estar entre eles, pois não tenho a capacidade de me blindar das provocações e acabo sucumbindo às provocações. Depois fico mal, culpada… mas existe um fogo que somente com eles me consome e me desorienta. Rezo muito e peço perdão. Mas isso não tem resolvido minha sensação de estagnação espiritual. Estou errada me afastando? Não é melhor cuidar desse carma à distância? Não temos carinho uns pelos outros. Parece apenas obrigação social. Me ajude.

  11. Flávia, a primeira coisa a compreender, talvez, é que não podemos depender de nada nem de ninguém para sermos felizes. Cada um de nós é uma manifestação de Deus. Muitos (como alguns de seus familiares) ainda não têm condições de compreender isso. Você, que já tem uma sensibilidade bastante desenvolvida, deve saber que temos Deus dentro de nós, e que, portanto, temos condições de ser felizes mesmo em condições aparentemente adversas. Digo “aparentemente” porque a sua experiência familiar certamente está fazendo de você um ser melhor. A Vida é sábia, e nos conduz, sem percebermos, para os melhores caminhos para o nosso aprendizado. Com a experiência da sua existência atual, você está percebendo o valor do amor e do entendimento entre as pessoas.
    Não os culpe; um dia eles perceberão o quanto são infantis. Nós também, de algum modo, já fomos mais ou menos assim. Não guarde mágoas, não tente mudar ninguém. Dê o seu exemplo de equilíbrio e não dependa deles para fazer a sua vida e ser feliz.

  12. Oi, Morel!
    Tanto minha família paterna, quanto materna, tem um histórico recorrente de brigas. Minhas tias e tios, sempre em conflito.
    Desde pequena, quando partes das famílias se reuniam, eu tinha o sonho de uma convivência harmônica, mas isso nunca aconteceu, de fato.
    Aos 14 anos meus pais se separaram. Minha mãe agiu com muita imaturidade, como brigas físicas com a minha atual madrasta, quando eu tinha 17/18 anos. Meu pai e minha madrasta não pisam no mesmo lugar que ela, exceto na descontração de domingo da cidade, onde, segundo relato de pessoas conhecidas, é uma disputa de atenção sem igual.
    Pois bem, meu irmão guarda muita mágoa da minha mãe e a trata mal.
    Detesto fazer aniversário, ou sequer pensar em fazer alguma festa por meus entes não aceitarem dividir o mesmo espaço.
    Além disso, também tive por uma prima uma relação de irmandade muito grande, quando em uma situação fui totalmente ignorada, como se eu não tivesse valor algum em sua vida.
    Desde criança sempre fui bastante compreensiva com todos ao meu redor. Não trato as pessoas mal, pelo contrário, faço de tudo pra agradar, mas nunca parece ser suficiente. Sinto-me muito cansada. Parece que eu atraio constantemente olhares negativos, mas não consigo entender o porquê.
    Caso você tenha alguma orientação espiritual para mim, ficarei muito, muito grata, pois preciso de ajuda…
    Agradeço muito pela sua atenção.

  13. Thais, ainda bem que você disse a idade. 37 anos não foram necessários para desligar-se do seu pai e da sua madrasta? Jesus fala muito em perdão. Os Evangelho foram escritos em grego. A palavra grega traduzida em português como perdão é aphíemi, a mesma palavra que é traduzida como “deixar”, quando Jesus se refere a deixar os familiares para segui-lo. Perdoar é desligar-se. Não exija uma harmonia que não existe, ainda não pode existir. Você suspeita, e com razão, que esta relação venha de outras existências. Você tem ideia de como pode ter sido em outras existências? É muito provável que a relação entre você hoje seja uma maravilha perto do que já foi. Todos nós temos nossos desafetos espalhados por aí. Não é num passe de mágica que vamos todos fazer as pazes e viver felizes para sempre. Imagine, por exemplo, esses casos graves de traições conjugais que terminam em morte, ou de brigas entre família por causa de herança – você acha que isso se resolve numa existência só? Não se apresse. Queira o bem deles, só isso. Em suas orações não peça nada em relação a eles. Apenas agradeça, perdoe e peça perdão. Todos os dias. Com amor, em paz. Recolha-se, fique em silêncio, e quando estiver bem calma e relaxada agradeça, perdoe e peça perdão. Não adianta um monte de palavras. Apenas sinta. Com calma, em paz.
    Cuide da sua vida. Peço que não se ofenda, mas é ridículo sofrer por uma relação que não tem condições, ainda, de ser equilibrada. Não seja ridícula. Acorde, a vida passa rápido. Cuide do seu namorado, seja uma pessoa mais leve e tranquila. A vida tem ótimas coisas para nos oferecer. Precisamos viver bem para podermos dar o melhor de nós.

  14. Morel, boa tarde! Estou vivenciando um problema de família. Meu pai biológico se casou com minha madrasta quando eu tinha 3 anos. Ela era minha referência única de mãe, nossa relação sempre foi um fiasco, movida a brigas, intrigas, mentiras, longos períodos de ausência e reatamentos. Que temos uma dívida uma com a outra, eu tomei conhecimento disso, mas como saldar uma dívida se você depende do outro pra quitar tudo? Nosso último contato foi desastroso, ela está com ódio de mim, eu acho até que existe um obsessor, mas ela não acredita nisso. Eu e meu pai não temos uma relação amigável (apesar de nunca termos brigado), ele sempre ausente, me ignora, e ela nunca fez nada pra ajudar isso, pelo contrário, sempre botou mais lenha nessa fogueira. Hoje não tenho contato nem com ele e nem com ela. Sofro por isso e sei que será necessário mais outra encarnação pra vermos se saldamos essa dívida. Estou me propondo uma reforma íntima, mas confesso que essa distância da família me dói muito. São 37 anos de brigas, ofensas e decidi que não quero isso mais, que não quero reatar com nenhum dos dois, pois chega de sofrer, chega de eu ser humilhada, eu ser esquecida. Eu oro todos os dias por eles e por minhas irmãs e meus irmãos, peço a Deus pra que tire qualquer sentimento ruim que eu ainda sinta, mas quero continuar distante. Quando entro na famosa TPM, me sinto carente ao extremo e acabo sufocando meu namorado (temos apenas 2 meses, e já estou nesse nível) e ele é espírita desde criança, e sabe não criar expectativas em ninguém, e eu ainda não sei. Não me coloco no papel de vítima, mas não sei o que fazer e nem como agir. Help?!

  15. Família é realmente um assunto muito interessante. Vejo tantas pessoas dizerem tantas coisas a respeito de família, mas poucas conseguem esclarecer realmente quanto à doutrina espírita. Quando olho minha família eu sinto que nós, avós, tios, primos, pais e irmãos, parecemos uma bando de pessoas (espíritos) que fomos reunidos numa mesma família para convivermos, nós convivemos uns com os outros, temos uma convivência relativamente pacífica, mas nada de muito apego, aquela coisa de aconchego mesmo, de um fazer tudo pelo outro, daria até para sair umas boas brigas, mas vamos tolerando algo aqui, algo ali e vamos contornando sem conflitos. Sinto falta às vezes de ter o apego que vejo em outras famílias, mas penso também que existem tantas famílias que se odeiam, que disseminam a discórdia entre seus membros e vejo que estamos até no lucro. A maior frustração é com a relação da minha filha com o pai dela, é tão difícil, mas tão difícil que se estivéssemos todos juntos, se não fosse a separação, teria acontecido algo trágico. Ele tem tratado ela com tanta indiferença, com tão pouco caso, que é de cortar o coração, tenho feito o que posso para não aumentar esse dilema entre os dois, eles são muito parecidos, gostam muito um do outro, mas existe ali uma dívida muito difícil entre os dois! Tudo ele transporta para o rapaz, nosso outro filho, aposta todas as suas fichas de amor no filho, a filha é médium, tratou muitos anos de uma epilepsia, agora trata de um transtorno bipolar muito sério, trabalha e estuda. Não é nada fácil manter o mínimo de harmonia entre os dois. Ele encontra-se neste momento muito distante de um conhecimento espiritual mais esclarecedor, acredita em Deus daquela forma religiosa que aprendeu no catolicismo dos pais dele, com visão totalmente tapada, longe da realidade.
    Tenho encontrado bons esclarecimentos nas suas palavras. Obrigada e parabéns pelo trabalho que desenvolve.

  16. José, temos aqui duas questões principais:
    – O executor de uma ordem que obedece às leis dos homens mas que é contrária às Leis de Deus; e
    – A expiação ou não, de um mal produzido, através da expiação.
    O carrasco, considerando que esteja revestido desta função voluntariamente, como um agente público contemporâneo, está cumprindo uma ordem legal. Mas esta lei é lei dos homens, e, digam o que disserem, contraria a Lei de Deus que proíbe tirarmos a vida de um semelhante. As Leis de Deus estão escritas em nossa consciência, o que nos é lembrado na questão 621 de O Livro dos Espíritos. A consciência é, ao mesmo tempo, o código, o juiz e o executor das Leis de Deus. O desencadeamento dos resultados produzidos pela desobediência a essa Lei parte, então, da própria consciência, ou seja, é a consciência que aciona os mecanismos que irão “cobrar o preço” pela desobediência à Lei.
    A consciência é tanto mais rápida em seu funcionamento analítico e executor quanto mais desenvolvida, ou seja, quanto mais nos conscientizamos, mais rápida é a colheita do que plantamos. Uma pessoa bastante conscientizada colhe os resultados dos seus erros mais rapidamente do que uma pessoa que não ouve a voz da consciência.
    Uma pessoa conscientizada não executaria um condenado. Outra, pouco conscientizada, executaria a ordem e logo sentiria os efeitos do descumprimento à Lei Maior através do remorso. O executor da lei ainda não conscientizado acredita que está apenas cumprindo com o dever, provavelmente fazendo um favor à humanidade. Isso não quer dizer que ele, futuramente, nesta ou em outra existência, não venha a colher os resultados do seu ato. Quando vemos, por exemplo, pessoas razoavelmente boas que experimentam grandes dores, estamos nos deparando, muitas vezes, com espíritos suficientemente conscientizados que não conseguem conviver com erros cometidos no passado remoto e expiam seus atos equivocados reencarnando em situações difíceis.
    A segunda questão é mais simples. O sofrimento, por si só, não expia nossos erros. Ele pode sofrer durante milênios; se não arrependeu-se, se não firmou intimamente o propósito de reparar os erros cometidos, o sofrimento é inútil. A função do sofrimento-dor é nos levar à conscientização, é nos fazer perceber que os erros que cometemos cobram seu preço, e, se isso ocorre, é porque estão em desacordo com as Leis de Deus e devem ser evitados. Não é, portanto, a exacerbação da pena que irá atenuar a culpabilidade do condenado, mas a possível transformação interna que o condenado experimente a partir do sofrimento.

  17. Caro Morel,
    Tenho uma dúvida, aliás, todas as imagináveis e imagináveis dúvidas que um ser humano possa ter.
    Caberia, até mesmo, a parêmia atribuída ao Filósofo Sócrates: “só sei que nada sei”.
    Mas, a dúvida ora suscitada, após a leitura desse ótimo texto é:
    Que acontece ao agente público a quem denominamos de carrasco, ou executor, em nome do Estado, ao executar o ser criminoso ou supostamente criminoso? O carrasco contrairá grave débito também? A indagação se dá, pois, supostamente, apenas cumpriu ordens na condição de preposto do Estado-juiz.
    Quem tem mais culpa e se torna maior devedor nesse caso?
    Outra coisa: quando uma pessoa comete um crime bárbaro e vai a Júri Popular, se condenado a muitos anos de prisão, padecendo intenso sofrimento, nada lhe serve como atenuante às suas dívidas contraídas em vidas passadas?
    Essas são questões que me intrigam deveras, e para as quais não encontrei a necessária compreensão!

  18. Pela primeira vez li textos deste site… estou encantada e acho que nada é por acaso mesmo , uma vez que hoje somente li coisas que vieram de encontro a situações que estou passando neste momento. Obrigada, Morel.

  19. Aurora, o acaso não existe: colhemos o que plantamos.
    A sua vida espiritual é agora, pois você é um espírito. Analise como você se sente e terá a resposta sobre a sua vida espiritual.
    Perdoe. Perdoar é desligar-se. Você não vai morrer de amores pela sua mãe, mas deve tentar compreendê-la. Todos somos falhos. Ela provavelmente fez o melhor que podia nas circunstâncias que a vida lhe apresentou. Enquanto você não perdoa, a mágoa permanece em você.

  20. Meu maior problema é com minha mãe, é uma situação muito estranha e eu nunca vi nada parecido, tenho certeza que é espiritual. Fui uma filha desejada e planejada, mas depois de uns 3 ou 4 anos anos ela passou a me desprezar, deixando bem claro que eu não era a filha que ela queria, tratava todos melhor que a mim. Havia uma série de brigas por bobagens, ela me batia muito e quando eu tentava conversar sobre alguma amenidade ela era grossa e começava a querer brigar. Ao longo da minha infância fui me distanciando dela e aos 11 paramos de conversar e algumas vezes voltávamos, mas as brigas voltavam também, então aos 14 paramos totalmente de nos falar. As poucas vezes que nos falávamos era porque alguma coisa a incomodava e ela queria brigar e as brigas foram ficando cada vez mais sérias e até polícia entrou no meio. E nessas horas filho não tem credibilidade com ninguém, né? a mãe sempre está certa pra todo mundo, embora meu pai me apoiasse o tempo todo. Hoje tenho 21 anos e ainda não nos falamos, e eu não tenho nenhum sentimento por ela. Antes eu tinha ódio, tinha medo… hoje sinto desprezo e alguma mágoa por ser filha de uma pessoa assim, porque dói desprezar nossas origens, imagino que tudo isso tenha algum motivo ou alguma justificativa, mas é difícil aceitar que mereço uma coisa dessas. Ela é uma pessoa que sempre foi contra qualquer coisa boa que meu pai ou qualquer pessoa fizesse por mim, dizendo que eu não merecia nada, que deveria passar fome e etc. Também sinto que ela me culpa por tudo, sendo que ela também cometeu vários erros sem justificativa, principalmente durante a minha infância, e foi isso que alimentou meu sentimento negativo em relação a ela. Sei que é errado, mas muitas vezes agredi pra me defender e embora a maioria das coisas que disse pra ferir ela foi em forma de vingança, e sempre senti que na posição de filha nunca poderia fazer pra ela o mal que ela fez pra mim e fiquei remoendo isso por muitos anos, finalmente agora, estou deixando isso pra trás e tentando entender porque passei por tudo isso. Mas me sinto errada também, como se um dia vai me ser cobrado tudo que eu deixei de fazer ou não fiz corretamente pra reverter essa loucura de ter vivido muito tempo com uma inimiga em baixo do mesmo teto. Minha vida só não foi um completo inferno porque acredito que “Deus dá o frio conforme o cobertor” e por isso tive um pai incrível que me apoia em todas dificuldades. Será que eu a prejudiquei muito em uma outra vida e por isso ela me desprezou como filha? Quais podem ser as consequências disso pra minha vida espiritual? O que eu posso fazer?

  21. Morei, estou encantado com sua página, a qual tem me ajudado em minha caminhada aqui ma experiência terrena. Desde a adolescência comecei a perceber uma certa mediunidade diferenciada da experimentada pela maioria das pessoas e sempre tive dificuldade em falar sobre este assunto com outras pessoas. Bom, parabéns pela página, aqui consigo encontrar reflexões sobre a visão espírita nos mais diversificados campos de nossa experiência social. Abraços 🙂

  22. Olá Morel, boa noite.
    Pois é meu Amigo, tantos percalços na vida.
    Lembra-se do que havia lhe contado tempos atrás?
    Então, agora meu marido está com câncer grau IV (maligno) no cérebro.
    Tantas lições. E tudo muito rápido.
    Mas, vamos superar esta etapa. Eu estou consciente.
    Ele, resignado. Mudou muito seu jeito de ser.
    Há males que vem para bem.
    Enfim.

  23. Bela matéria, a difícil convivência familiar nos prova o quanto temos de ser tolerantes, humildes e termos discernimento. O quanto temos de evitar de ser compulsivos, porque estamos aqui para nossas provas e expiações, para seguir com o compromisso de assumimos de quitarmos nossos débitos. Prova de que estamos verdadeiramente aprendendo o verdadeiro sentido do perdão.❤

  24. Hoje sonhei que era bobagem você viver uma outra encarnação e não lembrar. Acordei e li esse seu comentário. A vida está constantemente me ensinando. Peço sempre a Deus que abra meus ouvidos e olhos para aprender. Obrigado, beijos.

  25. Obrigado, Márcia; é sempre bom contar com a sua colaboração, demonstrando perfeito entendimento do assunto abordado. Esteja com Deus!

  26. Com toda certeza Morel são os detalhes o diferencial entre famílias que superam as arestas e as que partem para o conflito armado. Na verdade todas as famílias se assemelham na questão do desafio da convivência, pois nascem no mesmo ambiente velhos companheiros de jornada, personagens de uma mesma história que nem sempre se amaram, ao contrário, na maior parte das vezes são devedores uns dos outros. Graças à bondade Divina, os laços familiares são para o estreitamento dos sentimentos, exercício para a vivência da lei de amor, grande desafio à criatura humana. Uma coisa é certa, é nessa instituição sagrada que haveremos de alcançar a dádiva do amor incondicional ensinado pelo mestre Jesus…Belo texto companheiro…Acrescentando sempre…

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