Mídia e sociedade, Temas abordados

Devemos ajudar quem não quer ser ajudado?

mendigo

Morel Felipe Wilkon

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Devemos ajudar quem não quer ser ajudado? Até que ponto devemos respeitar o livre-arbítrio do próximo? Há um ponto a partir do qual devemos agir mesmo contra a vontade do espírito, encarnado ou desencarnado, para o seu bem? Pensei em inserir meia dúzia de posicionamentos de autores consagrados sobre o tema, mas não quero interferir na sua análise.

A vida em sociedade requer mecanismos que regulem as ações que possam interferir na vida do próximo. Por isso há leis que proíbem inúmeras práticas criminosas. Se um criminoso pratica um crime ele deve sofrer a pena, que pode ser a prisão. O juiz e o policial não respeitam o livre-arbítrio do criminoso, pois devem cumprir o que determina a lei. Isso é aceito por todos. Nunca vi um espírita se opor à prisão de um malfeitor. No entanto, ao tratarmos de malfeitores desencarnados, a coisa muda de figura. É muito comum, nos centros espíritas, se referirem a espíritos endurecidos no mal como “irmãozinhos sem luz”. Não estou criticando quem faz isso, de modo algum. Apenas não compreendo, até hoje, por que tamanha diferença de tratamento entre encarnados e desencarnados. Muitos espíritas pedem leis duras para determinados crimes, não se sensibilizam com a situação caótica dos presídios, alegando que “nada é por acaso”, “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”. Mas quando se trata de obsessores renitentes e perversos, são “irmãozinhos sem luz”.

moradores de rua
Morador de rua

Repito que isso não é uma crítica. Apenas quero salientar que, em alguns casos, o livre-arbítrio não é levado em consideração para o bem da sociedade: prende-se o bandido. Noutros casos, o respeito ao livre-arbítrio é levado às últimas consequências, pois o obsessor é respeitado em suas razões e tratado em igualdade de condições em relação ao obsediado. Claro que a sistemática é diferente. Seria absurdo querer doutrinar um criminoso em vez de prendê-lo; e prender o espírito obsessor não é a solução para uma obsessão.

Recentemente o Instituto Royal foi invadido por ativistas que libertaram cães que eram utilizados em testes de medicamentos. No Facebook, vi manifestações favoráveis e outras nem tanto. Algumas manifestações traziam fotos de crianças ou velhos – parece que não eram atuais – alegando que as ações dos ativistas deviam ser dirigidas às crianças e aos velhos em situações críticas. Acho que uma coisa não exclui a outra. Mas quero chamar a atenção para o fato de que os animais não têm livre-arbítrio, não decidem por si mesmos, não perguntaram a eles se queriam ser utilizados para experimentos e não perguntaram a eles se queriam ser soltos.

E quanto aos doentes mentais? Seu livre-arbítrio deve ser respeitado? E os viciados em álcool e drogas? Eles respondem por si mesmos?

Espiritismo, álcool e drogas

As grandes cidades do país têm sido surpreendidas com cada vez mais moradores de rua. No centro de Porto Alegre, onde moro, se tropeça neles nas calçadas, nas praças, em toda parte. É um fenômeno relativamente recente. Havia casos isolados, hoje faz parte da paisagem. Não há como não notar que esse fenômeno se deve, em parte, à reforma psiquiátrica, que fechou mais de 80 mil leitos psiquiátricos no país. A lei 10.216/2001 prevê, entre outras coisas, que a internação compulsória deve ser determinada pelo juiz.

Muitos desses que andam pelas ruas estariam, noutros tempos, apartados da sociedade. Eles não surgiram do nada. Eles sempre existiram, mas estavam escondidos. A sociedade os escondia para preservar a paisagem. Sabemos que a maioria dos antigos internados em manicômios não tinham necessidade de internação. Eram os naturalmente excluídos pelas diferenças: filhos difíceis, homossexuais, alcoólatras, drogados, brigões, desafetos de pessoas influentes e sem escrúpulos. E os obsediados. Muitos deles, como ainda hoje, traziam como principal problema a obsessão.

A obsessão é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na Classificação Internacional de Doenças, a CID 10, item F. 44.3, estados de transe e possessão, com a seguinte observação: “Transtornos caracterizados por uma perda transitória da consciência de sua própria identidade, associada a uma conservação perfeita da consciência do meio ambiente. Devem aqui ser incluídos somente os estados de transe involuntários e não desejados, excluídos aqueles de situações admitidas no contexto cultural ou religioso do sujeito.” Grande parte dos casos de transtornos mentais são causados pela obsessão, e como tais deveriam ser tratados.

Mediunidade e transtornos mentais

No manicômio de Barbacena, em Minas Gerais, mais de 60 mil pessoas morreram, muitos deles devido ao tratamento com choques elétricos. Convido você a assistir a este documentário feito em 1979. Tem pouco mais de 20 minutos.

O fato é que hoje muitos dos moradores de rua são portadores de transtornos mentais. O que é certo: respeitar o seu livre-arbítrio e deixá-los nas ruas, que é onde querem ficar, ou forçá-los a uma internação visando tratamento adequado? Uma pessoa com transtornos mentais responde por si mesma? Ela pode decidir se quer ficar na rua ou se quer ser tratada? E quanto aos viciados? Alguém viciado em álcool ou drogas tem condições de decidir o que fazer?

Não sou conhecedor do tema. O meu amigo Ricardo de Lima, do blog Kardeciano.blogspot.com.br, que eu recomendo, trabalha diretamente com essas pessoas. Apenas fico em dúvida e chamo a sua atenção para a questão do livre-arbítrio. Assim como há a diferença de tratamento em relação a encarnados e a desencarnados, há muitas opiniões divididas sobre os resultados da reforma psiquiátrica por conta desses fatores: Eles podem ou não podem decidir por si mesmos? Repetindo a primeira pergunta deste artigo: Devemos ajudar quem não quer ser ajudado?

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21 Comentários

  1. Ajudar quem não quer ser ajudado? Penso sobre isso todos os dias, tenho um namorado que estamos passando por dificuldades onde ele quer curtir a vida e pensa em até deixar o relacionamento de lado para aproveitar. Li uma publicação que fez sobre este caso de curtir a vida e achei muito interessante, pois se enquadra exatamente no que está acontecendo com ele. Ele frequentava o centro espírita Allan Kardec quando o conheci, se passaram 3 anos, ele agora diz não acreditar mais em Deus, acredito que só este pensamento dele já tenha transformado a sua vida, pois muitas coisas ruins começaram a acontecer, eu me afastei do ciclo de amizade que tinha, acredito por ele ter uma cabeça fraca está sendo influenciado, oro todos os dias com o intuito de afastar a negatividade dele, mas daí penso: será que devo? estou tendo apego mesmo com o sentimento de salvar ele? resgatar ele para o mundo do bem? Fico um pouco confusa. Poderia me auxiliar? Desde já agradeço muito a sua atenção.

  2. A psiquiatria e a psicologia são ciências que evoluem com o passar dos tempos. O conhecimento que forma a psiquiatria tem muito a evoluir ainda. O fato de internar alguém não significa cura.
    Os diagnósticos psiquiátricos variam de psiquiatra para psiquiatra e esses médicos partem do princípio que o paciente tem que ser medicado. As doses, na maioria dos casos, dopam o paciente fazendo com que o mesmo perca a sua personalidade, as suas características de pessoa individual. Geralmente o paciente fica com cara de paisagem, sem vontade própria sendo que muitas vezes o médico reluta em diminuir a doses. A sociedade também vê assim: Se o paciente está calmo e tranquilo está tudo bem, não importando se o paciente deixou de ser gente e se tornou um “mobiliário”. Em suma: por experiência própria eu aprendi que a psiquiatria tem muito a evoluir como ciência e os medicamentos principalmente!

  3. Morel, gostei bastante desse assunto abordado, caso não conheça vai uma indicação para os leitores de palestras de um médico psiquiatra chamado João Lourenço Navajas, ele é espírita, estuda e aborda e trata as doenças ditas psicopatológicas ou psiquiátricas e suas relações com a espiritualidade, é só digitar o nome dele no youtube e encontrará várias palestras, abraço.

  4. Meu amigo como é difícil opinar em certos casos, não? Nosso mundo é tão atrasado ainda no amor fraternal, vejo tantas injustiças, tantas coisas sendo feita pelo modo inverso… falta educação, falta amor, falta caridade! Profissionais que trabalham só pelo lado financeiro, políticos nem se fala. Irmãos sendo jogados em penitenciárias sem o mínimo de condições de melhora, jovens que já vêm de uma família totalmente desestruturada, hospitais jogados, pessoas famintas pela rua, o nordeste com a seca, as escolas abandonadas, os alunos não têm mais respeito (minha filha é professora), parece que está tudo um caos no mundo, nem assisto mais televisão, só agressividade, programas sem conteúdo. As famílias desunidas, separações aos montes, os adolescentes “ficam”, os bebês são largados, as drogas correm soltas… muito pessimismo meu, será?
    Não sei. Às vezes me pergunto: o que posso fazer? Vibrações, cesta básica? Tão pouco.
    Na hora de votar dizem pra termos consciência, mas não encontro candidatos interessados no povo. Difícil responder o que fazer, a liberdade está um pouco perniciosa hoje em dia… Acredito que o seu trabalho ajuda aos poucos as pessoas a se conscientizarem, amigo! A educação consegue mudar o ser, o conhecimento da Verdade!!!
    Grande abraço. Muita Paz!

  5. Muito comedidas e acertadas suas colocações, Morel. Creio que eis aí uma grandíssima dificuldade para nós espíritas, estabelecer os limites de atuação em determinados momentos em que nossas atitudes ainda que de boa intenção chocam-se com entendimentos ou condicionamentos de nossos irmãos em sofrimento. Não sei se há alguma relação, mas tal provocação a esse respeito fez-me lembrar de outra polêmica situação envolvendo irmãos de determinado culto religioso que não admitem a transfusão de sangue e quando entes e familiares dos mesmos necessitam de tal procedimento, os médicos geralmente se deparam com certo dilema ético. No caso dos abandonados, seja pelos outros ou por si mesmo; sempre teremos como auxiliar, pois que na maioria das vezes ele não deseja lar, abrigo ou família de imediato e sim como consequência de uma relação de confiança que deve se estabelecer entre ele e seu socorrista. Insistimos ainda muito em julgar a visão do mundo pelos outros por nossa própria visão: uma pessoa que vagueia pelas ruas há algum tempo chega a um ponto em que qualquer rotina fora dos padrões desenvolvidos por ela (ainda que a nós soem precários), para ela torna-se uma ameaça à sua sobrevivência psíquica, algo como a “institucionalização” de prisoneiros condenados a longas penas, que o cinema nos tem trazido exemplos.
    Ainda assim teremos cono auxiliá-los, se, pacientemente, tivermos em mente que Deus não nos coloca aos ombros fardos maiores que possamos carregar, como aliás, os mentores e guias não se cansam de repetir em diversas e reiteradas comunicações. Penso que o limite do livre-arbítrio é onde começa o direito dos outros ou quando acaba a capacidade do ser escolher conscientemente como no caso de usuários de drogas e álcool. Neste ponto frisamos que o poder púbico tem se omito em muito e não nos concita nenhum pouco a atitudes nobres para com nossos semelhantes, infelizmente.
    Todo o caso relembremos os primeiros cristãos que mesmo perseguidos pelo poder instituído, incompreendidos por seus pares e relegados à condição de párias da sociedade souberam cultivar o amor e a caridade conforme nos esclarecem brilhantes obras tais como: Paulo e Estevão, Há dois mil anos e outras.
    Parabéns pela iniciativa do debate, e que cada um de nós reflita no tanto que temos feito ou deixado de fazer pelo nosso próximo. Um grande abraço a todos e que Jesus nos ilumine!

  6. Há alguns meses atrás, minha namorada estava indo me encontrar no centro de Porto Alegre, seu ônibus estava parado em uma sinaleira e ao lado havia um cadeirante que morava na rua e uma mulher que havia comprado comida para ele, foi entregar-lhe a vianda, mas o cadeirante negou o alimento.
    Ela, ao me encontrar, relatou a situação e disse que se fosse com ela, quem sabe, não ajudaria mais ninguém.
    Falei-lhe na hora, que o que vale é a intenção dela de ajudar e não se a pessoa aceitou a ajuda, falei ainda que essa pessoa pode ser um alcoólatra em busca da satisfação de suas necessidades.
    Mas ao ler este artigo, percebi que minha visão sobre o caso foi superficial, pois esse homem pode estar sofrendo de obsessão, e os obsessores o induziram a negar o alimento para vê-lo sofrer de fome ou para apenas aceitar o dinheiro para comprar bebida para satisfazerem seus desejos.
    É claro que podem existir tantas outras coisas pra explicar o fato, mas o que nós temos que ter consciência, é de que ao tentarmos ajudar e alguém negar a ajuda, temos que ter a consciência tranquila de que tentamos ajudar, de que procuramos saciar um pouco do sofrimento dessa pessoa. Servirá ainda isso de prova para nós, pois esse ato nos desestimulará, mas devemos de ter a consciência de que devemos continuar espalhando amor e paz pelo mundo, e que se uma pessoa negou nossa ajuda, não quer dizer que outras irão negar.
    Temos que perseverar no amor ao próximo, meus irmãos!
    Amemo-nos uns aos outros, e assim faremos um mundo melhor!

  7. Obrigado pela contribuição. Augusto. Sempre lembro este exemplo de Nosso Lar.
    Lembro que para internar alguém, hoje, por problemas psiquiátricos, contra a sua vontade, só com ordem judicial.

  8. Tema complicado esse hein Morel!? Lembro de um trecho do livro Nosso Lar, onde uma mulher pedia socorro às portas do campo de cultura. E embora seu estado fosse comovente, Paulo, o vigilante-chefe, não atendeu seus pedidos, justificando sua atitude ante a indignação de André Luiz de que diante da situação em que se encontrava a mulher, o melhor a fazer naquele momento seria deixá-la entregue à própria sorte. Esse trecho a primeira vista pode parecer cruel, mas refletindo melhor, podemos concluir que até para ser ajudado é necessário uma pré-disposição do necessitado, senão qualquer ajuda será infrutífera. Mas no livro, Paulo tinha um poder espiritual superior e enxergava além dos demais. Percebeu a verdadeira situação espiritual daquela mulher, recomendando a provação como remédio eficaz. Portanto, acho legítimo procurar ajudar primeiro aqueles que estão prontos para receber ajuda. Mas e nós? Como sabermos quem está pronto ou não para receber auxílio se não temos as faculdades necessárias para o correto discernimento? Considerando a nossa incapacidade, acho que a melhor solução então seria tentar ajudar sempre. Ajudar quem não quer ser ajudado é melhor do que omitir socorro a quem realmente necessita. Quanto aos loucos e viciados e todos os demais alijados de seu discernimento, acho sim que a sociedade deve impor ajuda, na falta dos responsáveis. Mas a verdadeira ajuda, aquela que busca devolver a dignidade do indivíduo, e não a simples ocultação dos infelizes numa cela ou hospício.

  9. Morel, eu também tenho esta dúvida, no entanto, até que dissipe esta dúvida, fico pensando no que ensina o espiritismo, ajudar por ajudar, embora eu e muitos estejamos longe, bem longe de alcançar uma espiritualidade total como Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, Chico Xavier e outros tantos, realmente é um fato de procurar a verdade, como disse Jesus, mas é um tema que deve ser abordado muitas vezes para que aprendamos cada vez mais, obrigado.

  10. Josiane, há muitos casos como o seu. Isso certamente se deve a envolvimentos iniciados em existências passadas. Você fez a sua parte; perdoe e siga…
    Tenho por princípio só ajudar a quem pede ajuda. Há casos excepcionais, em tudo os há. Não considero meu posicionamento o ideal. Admiro pessoas solícitas, prestativas, de boa vontade. Mas acho que – em regra – as pessoas só estão receptivas à ajuda quando se animam a procurá-la. Por isso abordei os casos de doentes mentais ou viciados; minha regra talvez não possa se aplicar a eles…
    Obrigado pelo seu depoimento.

  11. Devemos ajudar quem não quer ser ajudado? – É complicado, depende da situação, infelizmente temos que pensar muito nos prós e contras. Morel, foge um pouco dos situações que você abordou, mas vou comentar para fins de reflexão: Há exatamente um ano atrás ajudei uma pessoa, arrumei emprego para ela na empresa em que trabalho, dava carona, a pessoa ia comigo e eu ainda deixava o filho dela na creche. Resumindo… arrumei um problemão para eu mesma, ela trabalhou “bem” por 2 semanas, depois não queria nada com nada, faltava, chegava atrasada e começou a ter atitudes estranhas, devido ao respeito e admiração que os colegas tinham por mim, ela mudou, agia como uma pessoa invejosa, tentava me boicotar na empresa. Um dia conversei com ela e ela mesma se bateu e se descabelou, foi ao RH da empresa e mentiu que eu havia batido nela. Para meu espanto fui chamada pelo supervisor do RH, que me expôs os fatos, fiquei chocada e felizmente ele acreditou em mim, porque já conhecia meu caráter. A pessoa também tentou me prejudicar na família, contando a mesma história e que o sonho dela era me ver “por baixo”. Morel, todo o bem que eu fiz para essa pessoa se voltou contra mim, essa história é só um resumo, porque aconteceram outras coisas no decorrer. Até hoje sofro, pois acho que interferi no caminho dela, na época ajudei porque achava que deveria, mas isso só me trouxe problemas, como uma bola de neve! Eu sei que o caso é diferente das situações que você colocou, mas pela questão do livre-arbítrio é difícil de opinar, também me faço essa pergunta, devemos ajudar quem não quer ser ajudado?

  12. O livre-arbítrio, segundo o Espiritismo, tem os seus limites, como, por exemplo, as reencarnações compulsórias. O espírito não tem mais escolha, é obrigado a reencarnar. Um fato que considerei interessante lembrar, refletindo sobre isso…

  13. É muito gratificante tê-lo neste espaço, Ricardo. Sua colaboração é inestimável. Obrigado; sigamos em frente!

  14. O vosso artigo traz instigantes questões que tem sido alvo de reflexões diárias que tenho feito, em forma de questões muito práticas.
    Nos últimos seis meses tenho trabalhado com pessoas em situação de rua em tratamento de dependência química, fazendo uso do método de redução de danos, que é utilizado pela prefeitura de São Paulo que é antagônico ao método de internações compulsórias e involuntárias, utilizadas pelo governo do Estado de São Paulo…
    Tenho frequentado fóruns de redução de danos propiciados pela UNIFESP (Universidade Federal em SP) para que entre choques racionais e práticos para uma opinião profunda sobre o assunto.
    Mas o fato é que é impossível soluções coletivas, pois são pessoas distintas como aquisição desta e de outras vidas, com interpretações de raízes antropológicas, social e psicológicas por uma leitura da ciência terrena, se o olhar for espírita ainda se dilata pela ótica da reencarnação…
    A política pública por maior que seja o esforço para formulá-las são sempre construídas para que contemplar um coletivo, e é dentro desta contradição que vivemos.
    Devido a intenso estudo acadêmico ao qual me inseri para compreender e atuar qualitativamente para mudar positivamente esta realidade secular que estamos inseridos onde o lucro é mais importante que a vida humana.
    Ainda não superamos a leitura medieval e ultrapassada que pobreza é problema de caráter, esquecidos de que o sistema capitalista para que ele subsista com altos lucros é necessário que haja a manutenção da pobreza, para manter os salários baixos e sobretudo a força de trabalho de reserva, ou seja, não é lucrativo ter todos trabalhando, porque como ficaria a lei da oferta e da procura, será que se todos trabalhassem os salários continuariam baixos ou eles seriam fortes em sua negociação, vemos em anúncios de trabalho, “salário a combinar”, mas quem realmente combina e negocia sua força de trabalho, e o preço desta? O Valor nos é imposto?
    Sendo assim a miséria é lucrativa para alguns, as primeiras damas na assistência social é a garantia da reeleição do marido.
    É necessário considerar muitos aspectos que em único artigo ou comentário seria pouco, mas é importantíssimo pensarmos nesta questão e sobretudo como temos praticado a caridade, como devemos utilizar essa prática para uma contribuição real forte e consistente, de forma que ação do espírita realmente seja coerente, consistente e eficiente na tarefa de regeneração do planeta, superando a barganha da cura ou bem estar para uma efetiva ação social no planeta…
    Me sinto honrado pela lembrança de nossa pessoa, pois tento ser um passarinho que carrega a água no bico para apagar o incêndio de uma floresta, incêndio metafórico de nossas ações e reações no mundo…
    Infelizmente essa minha busca pessoal de respostas para minhas indagações, e esse compromisso comigo de ser melhor amanhã do que hoje, afastou-me da leitura de blogs de amigos o qual faz parte, mas que faz meu cérebro ferver para escrever e dividir esse intenso laboratório de relações humanas travadas com as pessoas em situação de rua nos últimos seis meses, grato pele incentivo e apoio sempre…
    Prossiga refletindo e fazendo-nos pensar, que é a melhor forma de nos reinventar como pessoas, produtivas e atuantes no mundo, nossa casa transitória e amada que é a Terra.
    Paz e bem!

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