Reforma íntima

Médiuns e transtornos mentais

mediunidade reprimida

Morel Felipe Wilkon

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Grande parte das pessoas com transtornos mentais são médiuns que desconhecem sua condição de médiuns. São como antenas, recebendo todos os sinais que sintonizarem com seus pensamentos e sentimentos. Todos sintonizamos com pensamentos semelhantes. O que caracteriza o médium é o contato mais íntimo e direto com os desencarnados.

Mediunidade não é dom

Recebo relatos de pessoas que “perderam” entes queridos. Ninguém perde ninguém, porque ninguém é de ninguém. Só podemos perder algo que nos pertence, e pessoa alguma nos pertence. É compreensível a dor pela separação de alguém que amamos. Mas o que constato é que quase todos sofrem pela ausência que sentem. Não sofrem por preocupação, por compaixão por quem partiu. Sofrem porque sentem falta. Me perguntam: – Como vou viver sem ele? Vivendo, ora. Convivendo com a dor por algum tempo, mas ciente de que isso é inevitável para todos nós.

mediunidade e loucura
Médiuns precisam esclarecer-se

Isso pode parecer insensível. Sei que há desencarnes inesperados, que pegam as pessoas de surpresa, às vezes num ótimo período da vida com aquela pessoa que desencarnou. Mas é preciso compreender que tudo o que sentimos é percebido por quem desencarnou. A angústia, o desespero, os chamamentos egoístas perturbam enormemente quem passou para o outro lado. Se nós, que ficamos num plano conhecido, sofremos, imagine quem tem que se readaptar ao plano astral, que também foi pego de surpresa e não estava preparado para “morrer”.

O melhor a fazer é acalmar os nervos e orar. Sem revolta, sem o egoísmo maldisfarçado de não aceitar que alguém se afaste de nós. Se estivermos em paz, desejando paz e vibrando paz, é paz que emitiremos para quem desencarnou.

As pessoas com algum grau significativo de transtorno mental que são médiuns agem normalmente assim, como alguém inconformado com o desencarne de um ente querido. Estão sempre sintonizando com espíritos ou acontecimentos que tomam conta do seu pensamento como ideias fixas. A base dessas ideias fixas é sempre o egoísmo. O recalque, a inveja, o inconformismo com a perda, a pena de si mesmo.

A mediunidade é uma ferramenta para utilizarmos em benefício do próximo. Quem reencarna com a tarefa da mediunidade tem o compromisso de desenvolver-se moralmente. Só com a moral mais elevada é que percebemos o quanto as nossas atitudes fazem diferença e o quanto estávamos errados em pensar que o mundo nos deve alguma coisa. Os médiuns são, com raríssimas exceções, os que mais precisam se reajustar, se rearmonizar com pessoas e situações.

Não basta apenas desenvolver o aspecto prático da mediunidade. O mais urgente é a reforma moral. É inadiável a melhora de si mesmo. Para perceber que é preciso dar de si e para melhorar a sintonia.

– Leia mais sobre a sintonia

A única maneira de um médium nessas condições manter-se equilibrado é a partir da sintonia mais elevada, e isso só é possível com o controle dos pensamentos, das palavras e das ações. 

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14 Comentários

  1. Morel, eu recebi essa mensagem como uma resposta do que mandei para você no Facebook. Bem, eu adoro ler o que coloca, eu adoro seu site. Tenho aprendido muito com você. Acabei de perceber que preciso fazer uma grande reforma íntima, pois não quero perder as pessoas que mais amo e pela minha própria evolução, mas é muito difícil, quanto mais eu quero, mais aparecem coisas que fazem perder o equilíbrio. Peço a Deus todos os dias que me dê força e paciência. Vivo num grupo espiritual, estudo, mas a prática é muito difícil. Muito obrigada por suas palavras.

  2. Riselia, nada substitui o estudo no centro espírita. As dificuldades de convívio, salvo raras exceções, devem ser vencidas com paciência e humildade; isso faz parte do aprendizado.

  3. Engraçado, entrei aqui e estou muito confusa comigo mesma, sou médium, comecei a estudar em dois ce e não consegui terminar devido a não me sentir bem vinda, sei que é uma falha mental minha, então agora só estudo em casa e esse assunto é importante, porque em determinados momentos acho que tudo isso é loucura. Obrigada, eu nem tinha pensado nesse assunto, mas hoje cheguei a pensar em procurar um psiquiatra! Fique na paz de DEUS!

  4. Obrigado, temos o costume de dizer, assim sem querer ouvi sua mensagem, será que foi sem querer mesmo. Estava com dúvida sobre continuar ou não nos estudos mediúnicos, e aí o que encontro você. Só posso agradecer pelas palavras.

  5. Obrigado, Morel. Eu não vou desistir não, e também não culpo os meus protetores. Sei que não podem interferir no meu livre arbítrio, sei também que às vezes temos recaídas para que seja expurgado o resto de energias maléficas que ainda temos e então voltarmos com mais firmeza. Força e paz pra todos nós.

  6. Poliana, antes de mais nada é preciso estudar, e muito. Sem esclarecimento você não terá condições de saber qual é a sua tarefa. É preciso entender, também, que mediunidade não é dom, é um favor, um empréstimo, uma espécie de adiantamento de capacidades que levaríamos muito tempo para conquistar naturalmente. Esse “adiantamento de capacidades” é um meio de nos redimirmos de erros cometidos no passado trabalhando em benefício do próximo. Mediunidade é chamado para o serviço.
    A esse propósito escrevi este artigo: http://www.espiritoimortal.com.br/mediunidade-nao-e-dom/

  7. Antes de engravidar do meu primeiro filho sempre tive do meu lado espíritos bons e sábios que me aconselhavam coisas boas, às vezes até me davam puxão de orelha, mas depois que engravidei sinto a presença de espíritos inferiores enganadores que fingem ser uma determinada pessoa, ou espíritos que decidiram ficar, ou entidades que acompanham os outros. Sinto os espíritos de alta vibração, mas pra isso tenho que estar muito bem, e quando estou triste sinto que os de baixa vibração se aproximam muito, colocando ideias ruins na minha cabeça, e tenho que estar sempre com pensamentos elevados, me esquivando de ideias ruins que surgem como um sopro no meu ouvido. Depois que nasceu meu segundo filho, sinto que agora é a hora de aperfeiçoar e fazer algo com meu dom, preciso agir. Quero muito entender este dom. É muito complicado e cansativo estar sempre em alerta pra diferenciar as falas de um espírito enganador me aconselhando, é sempre preciso estar analisando a vibração, a fala, e mesmo assim ainda fico em dúvida de acreditar em alguns. Realmente ser médium é um pouco pertubador, quando me aproximo de alguém que está mal automaticamente sinto a sua tristeza e aquela dor parece estar em mim também, algumas tragédias em jornais ou na TV não vejo ou leio pra não ficar mal, fico imaginando como seria se não tivesse este dom. Não reclamo, pois sei que se tenho é porque é necessário à minha evolução, pois preciso entender qual é a tarefa que devo executar. Que os bons e elevados espíritos me auxiliem e que meu guia esteja sempre do meu lado pra me direcionar no melhor caminho pra minha evolução. Ótimo texto, belas palavras. Te admiro muito, Morel Felipe.

  8. Rodrigo, você abordou um tema importantíssimo. Já pensei em escrever sobre isso, mas como são poucas as pessoas que experimentam isso, ou, pelo menos, que saibam identificar isso, não me animei ainda.
    O começo da nossa reforma íntima é sempre forçado. Se não forçarmos, não nos reformamos, A não ser que esperemos evoluir naturalmente, no decurso dos séculos e milênios.
    Então, forçamos a barra, vigiamos constantemente os pensamentos, sufocamos os sentimentos e emoções que julgamos inconvenientes, passamos por cima de desejos de sensações. Essas coisas que evitamos ainda são nossas, ainda estão em nós. Então, se nós não damos vazão a elas, elas vão pra algum lugar. E esse lugar é o astral. Nos controlamos no plano físico, mas no plano astral não temos o mesmo domínio. Então, quando parcialmente libertos do físico pelo sono – e às vezes até em outros momentos – vivenciamos essas coisas que, quando acordados, sufocamos. Lembro que quando eu parei de fumar, por exemplo, às vezes fumava no astral, quando dormindo, e acordava arrependido. Aos poucos fui percebendo, no próprio “sonho”, que eu já havia parado de fumar e que aquela atitude, então, não era adequada, e comecei a botar o cigarro fora quando lembrava disso. Por último, tinha desejo e oportunidade de fumar – em “sonho” – mas lembrava das minhas resoluções e não fumava.
    Ou seja, é preciso algum tempo – e muito esforço – para que nossos novos propósitos sejam postos em prática também no plano astral. Temos vários níveis de consciência. A nossa consciência mais conhecida é essa exterior, com quem “conversamos”. Mas há níveis de consciência mais profundos aos quais quase não temos acesso. Pois quando nos desdobramos, ao dormir, atingimos outro nível de consciência, um pouco mais profundo e sutil, para o qual as nossas convenções sociais, a moral que estamos acostumados a seguir, as coisas que fazemos ou deixamos de fazer por respeito às normas de convívio em sociedade, nada disso tem valor.
    Não culpe o espírito protetor. Ele sempre respeita o nosso livre-arbítrio. Somos nós mesmos que, libertos do corpo físico pelo sono, buscamos os prazeres e sensações com que nos afinizamos. Eles não podem fazer nada…
    Quando se está iniciando a reforma íntima com seriedade, aqueles espíritos com quem temos algum envolvimento, e que não querem perder a “parceria”, pegam pesado e nos provocam com “tentações” que sabem que exercem poder sobre nós. É preciso persistir.
    Não desanime, pelo contrário. O fato de você perceber o que está acontecendo e de se importar com isso mostra que você está no caminho. O seu novo padrão de pensamentos precisa se aprofundar até alcançar esse outro nível de consciência, e então você começará a agir, quando desdobrado, de acordo com os seus novos princípios adotados.
    Força e paz.

  9. Morel, por que será que quanto mais tento manter meu padrão de pensamentos alto, mais sonhos inadequados eu tenho? Estava tão bem essa semana, vigiando meus pensamentos, lendo um bom livro de André Luiz e amanhecendo hoje sonhei que estava praticando sexo com uma mulher estranha, realmente eu acho que acabei me encontrando assim no plano astral porque foi muito real e eu nem estava pensando em nada disso, estava tão bem e isso acabou me desanimando um pouco, porque sempre peço para os meus protetores me levarem, quando em repouso do corpo, a lugares de aprendizados e a atividades edificantes, mas nunca me lembro de nada. E por que sonhos como esse eu me lembro tão bem, nos seus mínimos detalhes?0 Obrigado e paz.

  10. Josiane, sofre com a mediunidade quem não a estuda, desenvolve e trabalha com ela. Mediunidade é, quase sempre, tarefa a cumprir. Médiuns responsáveis e vigilantes, que trabalham em benefício do próximo, têm vida equilibrada e sã.

  11. Olá Morel, realmente os médiuns sofrem muito mesmo. Tenho uma amiga que é, e ela sintoniza coisas boas e más, não sabe como lidar com isso, há algum tempo atrás ela quase se suicidou. Acredito que a mediunidade deve ser “tratada, cuidada”, para que haja equilíbrio. Abraço.

  12. Obrigada pelos seus esclarecimentos. Agora mesmo estava me perguntando vários “porquês” de minha vida e quando percebi estava aqui… Mediunidade e transtornos mentais… Afirmo isso porque desde sempre tenho sido lembrada de compromissos que ainda não comecei a cumprir… E como meus pais costumam dizer: “Se não vai pelo amor, acaba indo pela dor, mas vai”. Realmente nada é por acaso mesmo. Muito obrigada!

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