Evangelho, Temas abordados

Se não vos fizerdes como crianças…

Morel Felipe Wilkon

Ser como as crianças
Se não vos fizerdes como crianças…

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“Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.” Mateus 18:3

Toda a nossa evolução como espíritos imortais, todos os nossos conhecimentos e experiências estão dentro de nós. Tudo o que já vivemos, tudo o que já passamos, nesta e em outras reencarnações, está dentro de nós. Faz parte do nosso arquivo espiritual.

Nessa trajetória milenar você já animou inúmeras personagens, já experimentou situações e condições as mais diversas. Mas em todas as suas reencarnações há períodos em que você se faz mais próximo de Deus. Me refiro à infância.

A criança sente mais e pensa menos. É maravilhoso saber, compreender através do intelecto. Dou muito valor ao conhecimento intelectual. Podemos, num esforço de inteligência, tentar compreender Deus. E até podemos alcançar isso, por alguns instantes, mesmo que muito imperfeitamente.

Mas é pretensão demais querer compreender Deus intelectualmente com os escassos conhecimentos que temos. Nos achamos muito adiantados por causa da nossa tecnologia, mas esquecemos que somos espíritos presos a um grãozinho azul num ponto discreto do Espaço. Não temos capacidade de compreender Deus. Mas podemos sentir Deus.

Nunca tentei convencer um ateu da existência de Deus. Se ele não quer ou não consegue compreender através do intelecto, que é a parte mais fácil e acessível, como querer que ele sinta Deus?

As crianças sentem Deus com mais facilidade. Não o concebem pelo intelecto, não formulam conceitos e teorias. Mas sentem que existem, e que fazem parte de algo muito grandioso e bom. As crianças ainda não se deixaram envolver em raciocínios, não se deixaram enredar em pensamentos complexos dos quais é difícil de sair.

Quanto mais nos intelectualizamos, mais é difícil deixar de pensar. E para sentir Deus é preciso não pensar. É preciso apenas sentir, apenas ser e sentir que se é. Porque Deus é, Deus não está. Nós estamos, nós somos transitórios em nosso ego. Quando nós sentimos Deus, nós somos com Ele. Nós estamos enquanto seres transitoriamente encarnados, animando um corpo físico associado a um nome. Mas quando nós sentimos Deus, somos parte dEle, Ele é em nós, então, deixamos de estar para ser.

Para sentir Deus devemos ser iguais às crianças. Deixar de lado a racionalização, a lógica, o intelecto, e apenas ser. Nossa bagagem milenar está dentro de cada um de nós. Inclusive a criança que somos.

A criança que você foi está em você. Você é a criança que você foi um dia. Você se desfez de algumas coisas, acrescentou outras, mas em essência você permanece sendo a mesma criança, aberta à Vida, receptiva e sensível.

Não sei que idade você tem. Mas se você já se afastou um pouco da sua infância, fica mais fácil pra você analisar o que você pensava, o que você falava e o que você fazia quando era criança. Fica mais fácil pra você passar por cima das coisas que você não gostaria de ter feito e fez e das coisas que você gostaria de ter feito e não fez.

Você compreende a criança que você foi como se a criança fosse outra pessoa. E é mais fácil compreender e perdoar outra pessoa do que compreender e perdoar a si mesmo.  Você lembra bem da criança que você foi? Dos seus medos e dos seus fracassos? Dos seus sonhos e das coisas que lhe faziam feliz? Você é uma criança que cresceu. Adquiriu conhecimentos, assumiu responsabilidades, mas continua, em essência, a mesma criança simples e sensível.

Ame a criança que você é. É muito mais fácil encontrar Deus na simplicidade da criança que você é do que na complexidade intelectual do adulto que você se tornou.

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15 Comentários

  1. Elias, não há como desenvolvermos o aspecto moral sem antes desenvolvermos o aspecto intelectual. Para compreendermos a necessidade de aprimoramento moral é preciso entendimento intelectual. As pessoas que já demonstram bondade e que eventualmente não parecem adiantadas intelectualmente são espíritos que já desenvolveram relativamente o intelecto e que na atual reencarnação preferiram dar mais atenção ao lado moral.

  2. Morel, Paz e bem!

    Duas perguntas:

    Por que, como espíritos imortais, devemos nos esforçar para evoluir intelectualmente se o mais importante como também o mais fundamental é o desenvolvimento do lado moral?

    Na obra “diário de um suicida” são relatados vários intelectuais e professores em péssimas condições psicológicas e espirituais, logo, o lado intelectual parece ser independente do lado moral, e talvez, dependendo do indivíduo, um lado até pode atrapalhar o outro.

    Não seria melhor nesta vida se dedicar inteiramente no bem e se quiser estudar, faça isso depois nas colônias espirituais?

    Obrigado, abraços!

  3. Gostei do texto, irmão. Já dizia Jesus: Deixai vir a mim as criancinhas, e não as impeçais; porque o reino dos Céus é para aqueles que se lhes assemelham. Naturalmente o Mestre falava-nos da questão de termos o coração puro como de criança, sem maldade. Desse modo, muito mais fácil será sentir Deus.

  4. Morel, paz e luz, companheiro.
    Na complexidade intelectual, caminho que pretensiosamente peguei algumas vezes, buscando compreender Deus, me embrenhei em tenebroso labirinto, do qual tratei de sair logo, convencida da grande tolice em tentar assimilar algo tão grandioso, inalcançável ao raciocínio humano. Tens razão, a criança é dotada de capacidade de sentir, e no que se refere à compreensão de Deus, senti-lo é o caminho sensato e menos enlouquecedor. Quanto à lembrança do meu tempo de criança, muitas lembranças permanecem nítidas, como se tivesse ocorrido ainda ontem. E em meio a estas lembranças, me recordo da simplicidade como o traço mais marcante da personalidade daqueles tempos, onde me alegrava por pouco ou quase nada. Me recordo da vida no campo, de pegar borboletas à beira do riacho, caminhar em meio às plantações que meu pai cultivava para o sustento da família. Revivo a alegria de brincar com brinquedos confeccionados por minha mãe, pois os recursos financeiros não permitiam o luxo de comprá-los. Morávamos em uma casinha de madeira, coberta por palhas de palmeiras, e éramos felizes. Agora, lendo seu artigo, compreendo que era a simplicidade que me permitia ser tão feliz, mesmo vivendo adversidades, mesmo privada de coisas materiais. É verdade, Morel, a criança que fomos um dia vive ainda em nós, mas o raciocínio de hoje não nos permite olhar o mundo com os mesmos olhos daqueles tempos. Contudo o mesmo raciocínio nos mostra que o fato de sentir mais pode nos levar a visualizar horizontes novos e principalmente encontrar Deus em seus feitos que dispensam definições. Resgatar a simplicidade daqueles tempos, creio que não nos seja possível, mas com certeza podemos valorizar mais as pessoas que estão à nossa volta, valorizar momentos simples, onde sorrimos junto aos amigos e familiares Definitivamente o complexo não faz alegres. Obrigado por abordar pontos que mexem com o nosso sentimento e desperta lembranças doces e valorosas. Rezo aos amigos espirituais inspiração em cada despertar, que a providência divina lhe permite, para que possas continuar colaborando junto ao próximo no indispensável ato de pensar, buscando melhor interação com a vida e seus desafios. Jesus nos ampare sempre.

  5. 🙂 Que bom que pude ajudar de alguma forma.
    Já baixei o livro e vou ler em casa.

    Uma ótima semana para todos nós. 😀

  6. Há alguns dias uma criança da minha família passou a tarde com o tio dela, e grande parte da tarde falou em Deus. Ela fez a seguinte pergunta, entre outras: Tio, Deus controla a gente? Aí ele não soube muito bem o que responder e perguntou por que ela estava falando tanto em Deus e ela disse: Ah, porque eu gosto dele! Esse guri tem 5 anos, a família não tem uma religião, a mãe às vezes faz orações com ele antes de dormir. Achei interessante esse fato, pois ele afirmou que gosta de Deus, ficou falando e comentando sobre o assunto, sendo que nem possui ligação com religião, enfim. Creio que apesar da atitude da mãe em fazer preces antes de dormir tenha despertado esse sentimento nele, também é uma bagagem que ele trouxe e agora, lendo esse texto, me dei conta que naquela tarde, ele estava sentindo Deus. Abraço!

  7. Iara, é este mesmo. O tradutor, Hernani Guimarães Andrade, foi o continuador do trabalho de Ian Stevenson no Brasil. Obrigado pela colaboração.

  8. Cida, são esses momentos que nos dão a certeza. Por menores que sejam, esses instantes nos permitem vislumbrar a grandeza da Vida, que nós estamos longe de compreender hoje.

  9. É engraçado, mas eu me lembro muito pouco da minha infância. Pra falar a verdade eu esqueço muito fácil as coisas que me acontecem. Mas eu me lembro muito bem de uma experiência que tive quando pude olhar do alto de uma montanha e ver uma cadeia quase infinita de outras montanhas a sumir de vista… eu não consegui pensar em nada, é indescritível o que senti naquele momento, mas hoje eu tenho certeza, era Deus ali e eu pude senti-Lo. Como eu disse, não dá para descrever, chorei muito, de felicidade, contentamento… não sei, mas não era de tristeza, era por sentir a presença de Deus. Foi maravilhoso e desde então espero sentir de novo.

  10. Obrigado, Patricia. Há um livro científico que trata dessas lembranças de outras vidas por parte de algumas crianças. “Vinte casos sugestivos de Reencarnação”, de Ian Stevenson.

  11. É estranho isso, quando eu era criança eu tinha lembranças de coisas que não aconteceram e sentia uma tristeza profunda em certos momentos. Nunca as consegui entender… Mas se pensássemos mais como as crianças, ou melhor, menos e apenas sentíssemos, acho que o sofrimento seria menor e a fé mais inquestionável…
    Muito bom texto.
    Bom começo de semana, que Deus continue sempre te iluminando pra continuar nos ajudando, Morel!

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