Comportamento

As lembranças do seu passado

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Morel Felipe Wilkon

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Você já se deu conta do quanto você mudou desde que você era criança? Lembra de como tudo era mais simples e prazeroso? Você carregava uma bagagem muito menor. Menos responsabilidades, menos posses, menos ambições, menos lembranças na sua cabeça.

Quais são as responsabilidades de uma criança? Aos três anos, é não fazer xixi na cama; aos oito é estudar e cuidar das suas coisas. E quais são essas coisas? Uma criança tem poucas posses. Geralmente algumas roupas e brinquedos, meia dúzia de livros. As ambições de uma criança podem até ser grandes, mirabolantes, mas não a fazem perder o sono, não são uma obsessão, pelo contrário: são sonhos prazerosos. As lembranças de uma criança são tão poucas e próximas do presente, que chega a ser engraçado ouvi-las dizer: – Quando eu era pequeno…

Você não guarda lembranças demais?
Você não guarda lembranças demais?

Você cresceu e cresceram suas responsabilidades, suas posses, suas ambições e suas lembranças. Suas responsabilidades envolvem justamente as posses, as ambições e as lembranças. Você é responsável pelo que tem e pelo que quer ter. E em que se baseia essa responsabilidade? Em suas lembranças. Você guarda lembranças demais. E elas definem, até certo ponto, o andamento da sua vida.

Não acho que devamos esquecer o passado. O passado é a nossa experiência, e devemos tirar proveito disso. Mas a maior parte das lembranças que guardamos não nos serve pra nada; se tínhamos algo a aprender com elas já aprendemos.

Até quando você pretende ficar remoendo o amor não correspondido, a amigo traidor, os desaforos que lhe disseram, o desemprego que você enfrentou, as vezes em que você se deu mal, os foras que levou, os fracassos que experimentou, os parentes que desencarnaram sem resolver as pendengas familiares?

Nada disso contribui em nada. Resolva o que ainda pode ser resolvido e perdoe-se pelo resto. É por causa desse monte de lembranças que mantemos necessidades artificiais, que não correspondem ao que realmente desejamos. Muitas ambições que temos nasceram em momentos marcantes de nossas vidas que hoje não representam mais nada. Os momentos foram, as pessoas ligadas a eles passaram, mas as ambições permaneceram. Por quê? Será que elas não estão ligadas a pessoas e fatos que não fazem mais parte da sua vida? Vale a pena insistir nisso?

E o monte de tralhas que você vai acumulando? Ficando cada vez mais escravo dos seus bens materiais. Não importa o preço deles. Há pobres muito mais escravizados às suas tralhas do que ricos às suas vultosas posses. Quanto mais se compra e se acumula, mais se escraviza, menos livre se é.  Há muito mais valor em se abrir mão de coisas materiais do que em adquiri-las.

Observe as pessoas que você conhece. As coisas materiais que elas guardam não se tornam motivo de trabalho e preocupação? Não há nada de errado nas coisas materiais, pelo contrário. Mas elas só são positivas enquanto nos proporcionam conforto e prazer. Se se tornam objeto de cuidados e dores de cabeça é porque perderam o sentido.

Muitas coisas que guardamos não fazem mais sentido em nossas vidas. Objetos que ocupam espaço em nossas casas e lembranças que ocupam espaço em nossas cabeças. Precisamos arejar a casa e a cabeça, precisamos simplificar a vida. Estaremos mais próximos do ideal quando nos contentarmos com o mínimo necessário. Enquanto precisarmos de coisas externas para nos dar satisfação é porque não encontramos a verdadeira satisfação íntima. A verdade é que a satisfação que buscamos está dentro de nós. Algumas coisas têm o poder de despertar essa satisfação, mas ela já existe, é nossa, e não precisa de nada exterior para existir. 

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9 Comentários

  1. Aconteceu de eu ter vivido um amor muito profundo e não ter respeitado a pessoa, a dádiva que havia surgido. As consequências foram devastadoras e ainda me entristecem, após vinte anos, mesmo tendo um casamento feliz com outra pessoa. Tive que renascer outro, de uma espécie de “cadáver psicológico”, um ambiente de dor insuportável. Felizmente Deus é bom e recomeçar é possível. Se os jovens soubessem que sem responsabilidade a liberdade se perde…

  2. Eu demorei doze anos para perdoar um namorado meu. Na verdade, eu acho que já o estava perdoando aos poucos, mas não me conseguia perdoar a mim mesma e isso fez com que eu guardasse lembranças dolorosas em relação a esse namoro. Sempre tive facilidade em perdoar as pessoas, mas aquele foi mesmo difícil, porque até simpatia para o esquecer eu fiz. Costuma se dizer que do amor ao ódio basta uma pequena linha… Eu não o amava, hoje sei isso, mas apesar da paixão, eu estava disposta a aprender a amá-lo, e invés disso, a mágoa permitiu que eu guardasse rancor dele. Foi um namoro muito curto mas muito conturbado e intenso, ele me deixou por outra, ainda me humilhei pedindo que voltasse e ele ainda escarneceu de mim em frente dos outros. Quando o resolvi esquecer, dei lhe conhecimento e ele riu se da minha cara. Passados dois meses, a outra moça o rejeitou e ele quis voltar para mim, então, eu com raiva acabei por desprezá lo e brincar com ele ( algo que não durou muito, porque não consigo ser hipócrita apesar de magoada). Passados esses anos, eu tinha ideia de que ele ainda achava que eu era ” maluca” e que iria gozar comigo se lhe pedisse perdão. Contudo, através de uma amiga em comum, descobri o seu perfil numa rede social, e enviei lhe uma mensagem explicando que o perdoava e pedindo que ele me perdoasse, que nós éramos jovens, inconsequentes e que nos magoámos sem motivo. Quase que me arrependi de o ter feito, mas passados dois meses, recebi a sua resposta! E qual o meu espanto, ele disse me que sempre viveu após nosso namoro, com um nó na garganta, de não me ter pedido perdão, e confessou ter chorado quando leu a minha mensagem. Ele me disse ” andava a sentir me perdido, mas depois de ler as tuas palavras, algo se iluminou dentro de mim e sentimentos que tinha aqui dentro voltaram a renascer.” Fiquei feliz e percebi que passámos tantos anos com lembranças doridas dentro de nós desnecessariamente e que já podíamos ter conversado há mais tempo. Falámos da nossa vida, ambos casados, com filhos… Mas logo, essa amizade teve de ser cortada novamente, pois ele, começou com conversas de que ainda me amava e não me tinha esquecido, que queria voltar a ver me. E eu, perguntei lhe se ele respeitava a mulher, teria de estar com ela e não se voltar para outras mulheres. E foi isso que me chocou. Ele conversava por chat escondido da mulher e eu coloquei me no lugar dela, pois não gostaria de ter meu marido a trocar mensagens amorosas com outra mulher. Disse lhe que deveria pensar na família e fazer tudo para que se dessem bem! Bloqueei a nossa amizade sem explicação e espero que ele tenha entendido isso, qual o motivo. Mesmo não sendo amigos, hoje já não guardo essa má lembrança e dou graças a Deus por isso!

  3. Olá!
    Comentando sobre experiências antigas vividas, acho válidas as histórias em que você pode resgatar alguns anos ou tentativas de alguém em fazer algo sem nexo, pois contando um fato semelhante do seu passado “economizará” tempo e poderá refazer com sua ajuda ou não um novo planejamento, pois quando você é o sujeito da narração, muitas questões podem ser levantadas e certamente até a própria pessoa aprenderá, já que se não for aceita terá que reformular seu método de explicação, ou se for aceita poderá se questionar ou juntamente, os motivos da situação ter ocorrido de tal forma.
    Comentando sobre bens materiais acumulados, sendo que vivemos numa sociedade em que dependemos de artigos, seja para termos saúde como para confortos, ao longo da vida vamos os acumulando, acho que esse fator é muito causado devido ao aprendizado sobre importância espiritual sobre a material ser ensinada ou buscada muito tarde na nossa jornada na Terra. Nossa cultura fugindo do catolicismo é muito recente, estamos amarrados a seguir conselhos da maioria que tem pouco conhecimento e segue a linha consumista que nos foi imposta pela carência dum povo que nunca teve nada e agora começa a poder ter bens novos.

  4. Jorge, com pressão ou sem pressão, quem dita os valores das nossas vidas somos nós mesmos. Só nos importamos com o que os outros pensam se não estamos bem seguros do que pensamos.

  5. Existe uma cobrança muito forte em ter coisas e acumular títulos acadêmicos e profissionais, quando não se vai atrás disso levamos nomes de acomodado e estacionário… a pressão não deveria incomodar, mas o fato é que incomoda e com o tempo, nós que somos espíritos ainda imperfeitos, começamos a dar ouvidos e os valores dos outros passam a ser a nossa meta e a cobrança externa torna-se nossa, é muito difícil viver em uma sociedade onde os tesouros da alma não são vistos, e o sucesso financeiro é a régua de medir da verdadeira felicidade, eu espero fazer por onde não encarnar mais aqui nesse planeta… me sinto deslocado com essa cultura.

  6. Verdadeiramente precisamos nos desvencilhar de muitas lembranças, mas eu pergunto, Morel, segundo esse artigo então é prejudicial para nós o saudosismo, como ouvir certas músicas antigas que nos trazem à memoria os tempos de criança ou mesmo já adultos que lembramos de situações e pessoas ou de lugares? Assim como algumas músicas de raiz que relatam os tempos passados, ou românticas que relembram bons momentos que tivemos, às vezes com pessoas que já desencarnaram, tudo isso seria prejudicial? Ou ainda guardar objetos e fotos de pessoas saudosas para relembrarmos dessas pessoas? Grato se me esclarecer.

  7. Bom dia Morel, lembro que minha vó guardava tudo ela tinha, uma casa antiga no sítio e estava cheio, “um dia pode precisar”, sempre lembro dela quando vou desocupar gavetas, mas desocupar as gavetas mentais não é fácil.
    Fiquemos em paz.

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