Comportamento

O apego às coisas materiais

 

baú cheio de jóias
Você costuma guardar coisas que não usa mais?

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Você costuma guardar coisas que não usa mais? Uma roupa que você não vai mais usar, mas tem pena de pôr fora? Você tem coisas que não teriam valor pra ninguém, só pra você?

O apego às coisas materiais é um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento do espírito imortal. Pois é isso que somos, espíritos imortais. Nós estamos vivendo sob um nome, e nos confundimos com ele; nos confundimos e nos identificamos com nosso corpo, mas não somos nosso corpo.

Somos espíritos, e tudo o que buscamos está dentro de nós mesmos. Quer dizer que devemos abrir mão de tudo o que for material? Claro que não! Se não precisássemos da matéria, se a matéria fosse prejudicial à nossa existência na Terra, qual seria a razão de reencarnarmos na matéria?

Pelo contrário, é nosso dever buscar conforto e bem-estar para nós mesmos e para os nossos. Não há nada de mau no dinheiro, não há nada de mau nos bens materiais. O mal está no apego que nutrimos por eles. Da mesma forma que nos identificamos com nosso corpo, como se fôssemos ele, assim também nos identificamos com as coisas materiais, das mais luxuosas até às mais inúteis quinquilharias. Pensamos que tendo coisas, possuindo objetos, sejam eles quais forem, seremos mais felizes!

Como é possível que sejamos tão iludidos? É tão fácil perceber que quanto mais temos, mais queremos; que o desejo não tem limites por si mesmo, nós devemos impor limites! Logo que adquirimos algo a sensação é boa, é gratificante, mas essa sensação nunca dura muito tempo. E então queremos mais, sempre mais coisas.

Isso acontece com comida, com sapatos, com bolsas, com carros, com drogas, com música, com sexo, com qualquer coisa que envolva desejo. Não é à toa que a maior ênfase do budismo seja justamente a eliminação do desejo. Quem não deseja, não sofre; pois nunca sente-se contrariado por uma vontade não atendida.

Mas não é o desejo que é ruim. O desejo nos impulsiona para frente, para o progresso. O problema é o apego que criamos e desenvolvemos por todas essas coisas. Quanta coisa inútil você tem na sua casa? Roupas que nunca mais vai usar, fotos e cartas de pessoas que não fazem mais parte de sua vida, e que talvez não tenham deixado lembranças muito boas… Pra quê guardar isso? Bugigangas que não servem pra nada, um monte de quinquilharias de que não nos livramos porque as associamos a alguém, a algum momento, a algum lugar.

As lembranças de que precisamos estão dentro de nós, não nessas coisas. É isso que o Mestre quis nos mostrar quando disse para desfazermo-nos de todos os nossos bens e segui-lo. Podemos e devemos possuir, mas não sermos possuídos. E é isso que acontece quando nos apegamos às coisas. Somos possuídos por elas. Temos que nos desapegar de tudo que não nos serve mais. Tudo que já cumpriu sua missão, que já exerceu o seu papel, que já deu o que tinha que dar.

Tudo é energia, e essas coisas que guardamos acumulam energia que fica estagnada, sem movimento. Tudo precisa se renovar, a natureza se renova, as gerações se sucedem, o universo inteiro se renova constantemente. O carinho que você tem por essas coisas é seu, não é das coisas.

Por que é importante se desfazer? Porque é uma maneira de também nos renovarmos, abrindo mão de coisas que de uma forma ou de outra nos prendem ao passado.  Não esqueça que os bons momentos, as melhores coisas que já lhe aconteceram vão ficar guardadas dentro de você, por muito tempo ainda…

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7 Comentários

  1. Eu confesso que já sabia de tudo isto. Eu leio muito a respeito de guardar tralhas, minha sogra sofre de obsessão e compulsão por guardar coisas velhas, meu marido está seguindo o mesmo caminho. Agora, depois de conhecer melhor sua mãe e seu modo de viver, vejo o quanto são parecidos. Que bom ler mais sobre.

  2. OLÁ MOREL, CONCORDO PLENAMENTE. TAMBÉM ADORO FAZER ESSE TIPO DE FAXINA EM MINHAS COISAS E AO MESMO TEMPO TAMBÉM PODER PASSAR ADIANTE ALGUMAS PEÇAS QUE PODEM SER ÚTEIS AO PRÓXIMO. ME SINTO MAIS LEVE QUANDO FAÇO ISSO. TAMBÉM DESCOBRI SEU SITE NO GOOGLE, QUANDO PRECISAVA DE UMA RESPOSTA SOBRE ANIMAIS. ESTOU GOSTANDO MUITO DE SUAS PUBLICAÇÕES, PARABÉNS. TE DESEJO MUITO SUCESSO E MUITA FELICIDADE. VOCÊ ESTÁ ME AJUDANDO MUITO COM SUAS MATÉRIAS. ABRAÇOS FRATERNOS.

  3. Olá Morel. Descobri seu texto no Google, fazendo uma pesquisa sobre o significado do ato de guardar coisas velhas. É muito esclarecedor, está me ajudando muito. Acredita que, não mais em um armário de 4 portas, minha coisas agora ocupam apenas “2 portas” do armário, sem ocupar também o maleiro desse armário? Respirei fundo, contive meu emocional e “dei uma geral” nas minhas coisas em 2 semanas. Foi um alívio e tanto fazer essa “limpeza”; tinha muita energia estagnada e muitas lembranças passadas materializadas em diversos objetos… Agora me sinto bem melhor e sinto, também, que minha vida está fluindo de outra forma, refletindo positivamente até na minha relação com as pessoas ao meu redor. Ufa! 🙂

  4. César, você novamente tocou num ponto importante ao mencionar a dificuldade que seria se não fôssemos abençoados com o momentâneo esquecimento das vidas passadas. É realmente triste observar o que você tão bem retrata como “museus ambulantes”. Brilhante comentário, um abraço.

  5. É, meu prezado escritor, seu artigo me faz lembrar algumas pessoas que contemporizam os círculos da minha atual vivência no plano físico, e mais parecem verdadeiros museus ambulantes, por carregarem consigo, um rico arquivo de apetrechos que de nada servem e, o que é pior, mergulham-se nos tenebrosos mares dessas águas mortas do passado, de onde extraem vivas angústias e torturantes lembranças. O que seria dessas pessoas se se lembrassem de suas vidas pretéritas? Tentariam reavivar séculos de tragédias guardadas nos recônditos da mente espiritual, ou, se auto descupariam por suas negligências diante das responsabilidades do presente? O fato, prezado amigo, é que devemos nos ocupar das oportunidades que cada dia nos revela e agradecer a Deus, a cada minuto, onde possamos fazer a diferença. Agradeço mais uma vez a oportunidade, um abraço, César.

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