Comportamento, Reforma íntima

Comportamento no centro espírita

Comportamento no centro espírita: às vezes somos “humildes como São Francisco”

Você já reparou que no centro espírita nosso comportamento é diferente? Às vezes nos comportamos como verdadeiros beatos, às vezes parecemos humildes como São Francisco, mas sempre de maneira inegavelmente mais fraterna que o normal. Isso é bom, não há dúvida. Só que é difícil achar o ponto certo.

Em busca de novas diretrizes para nosso relacionamento com nossos semelhantes (fora questões ligadas diretamente ao corpo, como a saúde, existe algum problema que não envolva o semelhante?), nos mostramos muito diferentes do que somos na verdade. O ambiente nos eleva naturalmente, fazendo com que lá dentro tenhamos momentaneamente outra compreensão dos problemas que nos afligem.

Somos gentis, pacientes, educados. Damas e cavalheiros perfilados em busca de um mesmo objetivo. Claro que há as exceções de praxe, gente que não consegue se controlar um minuto sem falar mal de alguém, fazer uma fofoquinha básica ou se queixar de suas incontáveis doenças e mágoas.

Mal saímos do centro espírita, fora da barreira energética protetora, voltamos a ser o que somos cotidianamente, e não é raro xingarmos alguém, mesmo que em pensamento, antes de dobrar a primeira esquina. Faz tempo que não faço isso, mas já fiz. Vai dizer que você nunca fez?

Ainda bem que pelo menos lá dentro conseguimos nos controlar e sermos mais humanos e menos animais, mais espirituais e menos carnais. Se buscamos tão ansiosamente a reforma íntima, em algum lugar ela deve começar, em algum momento temos que iniciar o treinamento, e se tiver que ser lá dentro, tudo bem. No centro espírita as pessoas estudam, ouvem e sentem coisas mais elevadas, verdades mais puras que a realidade material em que nos afundamos lá fora.

Lá dentro aprendemos a desenvolver o espírito crítico sem necessariamente promover julgamentos, amar sem apego, respeitar pessoas e situações que em outras circunstâncias não toleraríamos. Devemos ter sempre em mente que a reforma íntima não é apenas um apelo doutrinário de conotação religiosa. Mais do que isso, e em primeiro lugar, a reforma íntima é uma proposta científica baseada na lei de ação e reação.

O problema (sempre há um, é o que nos faz progredir) é que podemos nos acostumar com esse comportamento dúbio, essa modalidade de dupla personalidade. Paz e amor no centro espírita, carranca e má-vontade na rua. Somos o que pensamos, e o que pensamos forma nossos hábitos. Quase tudo o que fazemos pertence a algum hábito que adquirimos. Se esse modo de agir no centro espírita permanece por muito tempo só lá dentro, sem que interiorizemos nada, sem que passemos a praticar no dia-a-dia algo próximo do que praticamos lá dentro, corremos o risco de que nosso subconsciente aprenda que lá dentro devemos ser diferentes; o resto que continue igual.

Sabemos que nossa mente subconsciente não questiona, apenas obedece ao que lhe é ordenado. Quem racionaliza e decide é nossa mente consciente, ela é a senhora da vontade. Se você não muda seu modo de ser no cotidiano, se você é apenas um beato de centro espírita, isso se torna um hábito. E sua mente subconsciente, que nada pergunta, apenas cumpre o que lhe dizem para cumprir, entende que esse hábito é um padrão a ser seguido; que, se é assim que vem sendo, é assim que deve funcionar, e a partir do momento em que sua mente subconsciente toma isso como verdade, fica muito difícil tentar mudar a prática, pois esta já se tornou quase que uma crença interiorizada, e você passa a acreditar que é assim mesmo, sempre foi assim, deve ser assim.

Seja cada vez melhor no centro espírita, esforce-se para aprender, para melhorar-se intimamente. Mas esforce-se, mais ainda, para levar para fora dos portões do centro espírita algo do que aprendeu. Para levar consigo, dentro de si, pelo menos um pouco do que sente quando está lá dentro. Tenha coragem de compartilhar o que vive lá dentro, esse você que você é lá dentro. Não enchendo os ouvidos dos outros de sermão, não perdigotando água fluida na cara do próximo, mas mostrando pelo exemplo, pelas atitudes. Tente, tudo que você tenta com afinco você consegue. Batei e abrir-se-vos-á, lembra?

Conheça meu canal no Youtube!

Artigo AnteriorPróximo Artigo

10 Comentários

  1. Como cheguei ao um centro espírita. O meu relacionamento com minha mulher quase sempre foi de desencontros de opiniões e às vezes misturado com orgulho de não querer ceder e geralmente teimosia de achar que cada um tinha sua razão. Um certo dia, depois de uma grave discussão, tive uma dor de cabeça que não passava, então fui a uma médica (clínica) e ela, depois de me ouvir, me encaminhou a um psicólogo, e na 9ª sessão ele fez um comentário de alerta. Disse: Se eu continuasse com essa discussão com minha mulher, que não leva a nada, eu estaria escolhendo, sem perceber, um de três caminhos: Hospital, cadeia ou cemitério. Aconselhou a um grupo de casal ou a um centro espírita kardecista. A um grupo de casal com certeza a minha mulher não iria, e a um centro espírita, de momento achei estranho, porque eu TINHA uma impressão muito estranha. Quem não conhece pensa logo em baixa de caboclo, essa coisa de Umbanda. Aqui e acolá pedindo a Deus paz de espírito e um certo dia estava em frente à minha casa sozinho, pensativo, e passou um colega, e em conversa perguntou se eu estava triste, e eu dando uma de durão disse para ele que estava tudo às mil maravilhas, e ele disse: “Pelo que lhe conheço você é um cara alegre” e igual ao psicólogo recomendou ir ao centro espírita que ele frequentava e hoje me sinto muito bem. Depois de participar de muito TE e revendo meus conceitos e procurando renovar minhas atitudes, deixando de dar importância a fatos que não levam a nada, hoje vejo as coisas bem diferente do que via anteriormente. Fiquei muito curioso sobre o Livre-arbítrio e passei a ler e pesquisar sobre assuntos do espiritismo. Lá no centro a gente vê realmente atitudes estranhas ao que se propunha, como o ser humano é falível e não devemos estar julgando o próximo, devo ver de outra maneira tais atitudes ou não ver.
    Grato pela oportunidade.

  2. Morel, muito obrigado por me lembrar dos mecanismos da consciência e da subconsciência (claro que com muita análise). Te agradeço, porque faço do teu site uns dos despertadores diários para poder investigar e observar o que anda acontecendo ao meu redor. Então muito obrigado meu irmão pelos seus artigos.

  3. Rosaria, você pergunta se é assim mesmo o espiritismo. Não, não é o espiritismo que é assim; são as pessoas que são assim. O centro espírita, como quaçquer outra instituição, é formado por pessoas, e as pessoas são falíveis. Conheço muitos centros espíritas. Alguns como esse que você menciona, outros muito melhores. Perfeito, nenhum. Se as pessoas não são perfeitas, como poderia haver uma instituição perfeita, já que as instituições são formadas por pessoas?
    Embora as pessoas precisem umas das outras, a evolução é individual. Certamente dentro desse centro que você frequenta há pessoas mais evoluídas e pessoas menos evoluídas. Mas independentemente dos lugares que frequentamos e das pessoas que nos cercam, temos que fazer a nossa parte. A única pessoa no mundo sobre quem você tem poder é você mesma. Aja sobre você. Seja como você gostaria que os outros fossem. Obrigado pela participação, Rosaria. Fique com Deus.

  4. Frequento uma casa Espírita há 3 ou 4 anos, os relacionamentos e tratamentos lá dentro é como se todas fôssemos amigos-irmãos, mas fora do Centro é sempre diferente, muitas vezes envio e-mail, sem respostas. Até parece que nem nos conhecemos, não querem se envolver fora do Centro, tenho me questionado, então tudo que ali aprendemos, aplicamos e compartilhamos, é só uma prática momentânea, saímos dali, cada um por si, quando chega a próxima quarta, tudo acontece da mesma forma. É assim mesmo o Espiritismo?

  5. Amigo César, sou eu quem devo agradecer os comentários dos leitores. Especialmente participações que enriquecem o conteúdo e geram tema para debate. O assunto deste artigo, especificamente, é complexo, passível de diferentes interpretações. Qualquer ponto de vista que se lhe acrescente faz com que o analisemos melhor. E o que falta muitas vezes a todos nós é justamente a análise, tanto do aprendizado teórico da literatura, como você citou com muita lucidez, quanto a análise de nós mesmos, a autoanálise; de nossos pensamentos, de nossas palavras e de nossas ações.
    Você tem toda a razão quando afirma que a reforma íntima deve passar pela responsabilidade para ser sólida, a fim de não permitir a dúvida. Por isso a importância de dar um passo de cada vez, sem precipitação, sem entusiasmo juvenil. Um abraço.

  6. Exteriorizar maus hábitos, eis o primeiro mandamento da má conduta; interiorizar bons hábitos, eis a primeira difuldade da boa conduta. Por que não conciliar o aprendizado teórico das inumeráveis páginas da clássica literatura atinente a reforma moral com o dia a dia das ruas? Seria aí, o primeiro grande passo. Agora, alinhar a imensurabilidade do evangelho do Mestre, consideravelmente divulgado com mestria na grande maioria dos centros espíritas, aos lances que transcorrem no nosso cotidiano, é infundir, literalmente, a chamada reforma íntima, tão bem apregoada pela boa intenção de muitos, mas que, ainda é relização de poucos. Não quero com isso, fazer apologia a desesperança ou conduzir o sonho à utopia, desejo apenas salientar aos meus amigos que se afinam com as assertivas deste ilustre cronista, que, a necessidade de reforma íntima sendo urgente, há que ser mergulhada na imensidão da responsabilidade com solidez para não se precipitar depois em dúvidas infundadas, próprias de atitudes tomadas à luz da emoção. Obrigado, caro amigo Felipe, pela oportunidade que nos dá para nossos comentários. Um abraço, César.

  7. Luciene, obrigado pela sua participação. Você e eu estamos de acordo. Observamos que grande parte das pessoas que frequentam o centro espírita adotam um comportamento lá dentro e mantém outro comportamento fora de lá. Não podemos mudar os outros, a não ser que eles queiram mudar. Mas podemos e devemos mudar a nós mesmos, começando por pequenas coisas. Controlando nossos pensamentos, mantendo-os elevados e não permitindo que “outros”, sejam encarnados ou desencarnados, controlem nossos pensamentos por nós. Porque é assim; se nós não os controlamos, alguém os controla por nós. Um abraço e bom fim de semana.

  8. Muito legal, meu amigo!
    Tudo o que aprendemos lá dentro acaba sempre esbarrando em nossa reforma íntima. As pessoas escutam lá dentro e assim que saem de lá voltam a fazer exatamente o que faziam, a ter até os mesmos padrões de pensamentos. Lá dentro melhoram o padrão vibracional, saem e deixam que caiam. Esquecem de praticar o que aprenderam lá dentro também.
    Meu amigo um abraço e fique com Deus!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.