Comportamento

Não envergonhe os outros!

Não envergonhe os outros!

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Você já se sentiu envergonhado? Você já constrangeu alguém? Devemos evitar ao máximo envergonhar as pessoas. Não envergonhe os outros! Poucas coisas causam tantos ressentimentos quanto ferir os sentimentos de alguém, envergonhar alguém. Se for em público, então, o estrago é maior ainda.

Está certo que você pode fazer isso algumas vezes sem se dar conta, não é de propósito. Mas será que não podemos meditar um instante para analisar se o conteúdo do que dizemos não pode machucar alguém? Muitos de nós, a maioria, ainda é muito suscetível a mágoas e rancores. Não devia ser assim, e estamos evoluindo, mesmo que vagarosamente, para um dia não nos melindrarmos tanto com a vaidade ferida.

Mas ninguém quer ser constrangido em público, nem você, que se julga num nível um pouquinho mais elevado. Ah, não se julga? Então desculpe. Mas às vezes nos achamos assim. Até que somos colocados à prova, e percebemos que ainda falta muito… Mas já houve progressos, é o que importa.

O fato é que ninguém gosta de receber ordens autoritárias, ninguém gosta de ser repreendido duramente, ninguém gosta que comentem sobre seus defeitos, ninguém gosta de ser criticado. Não se trata de saber quem está certo e quem está errado. Fazer alguém se sentir envergonhado, além de ser um dos modos mais fáceis e rápidos de conquistar um inimigo, nunca resolve nada; na verdade só complica ainda mais.

Você percebe o que acontece quando uma criança é continuamente criticada? Você se dá conta de que a crítica a fere profundamente? E você que é chefe, que tem subordinados: Já criticou algum deles em público?

Não temos o direito de humilhar alguém perante si mesmo, muito menos perante os outros. Ninguém quer ser tratado como burro, mesmo que às vezes se pareça com um; ninguém quer ser taxado de tímido, mesmo que se esconda atrás das paredes, ninguém quer ver suas falhas e fraquezas expostas ao vento.

Algumas vezes é difícil se colocar no lugar de alguém, mas não nesse caso. Basta lembrar-se de uma situação vergonhosa de que se foi vítima, um episódio de humilhação qualquer. Todos já passaram por isso. Uma repreensão desajeitada pode causar uma desilusão irreversível, pode estragar uma boa imagem. Você não se revolta quando vê alguma manifestação de preconceito, em que a vítima é tratada com desprezo? Claro que sim!

Só que são os casos pontuais que provocam revolta. No dia-a-dia você  mergulha na correria e esquece que é civilizado, esquece que é espírito imortal em busca de experiência e aprendizado, e que o respeito irrestrito ao próximo é uma das lições que devemos aprender, é uma das provas que devemos gabaritar.

Procure valorizar o que os outros têm de bom. Em vez de envergonhar a pessoa falando de seus defeitos e erros, estimule-a ressaltando suas qualidades. Se a repreensão for inevitável, e às vezes é, repreenda depois; primeiro elogie.

As flores precisam da luz do sol para desabrochar. As pessoas precisam do elogio para florescer. Todas elas, mesmo aquelas que parecem frias ou duronas.

Sejamos mais cuidadosos e evitemos envergonhar as pessoas. Todos nós temos uma gota de autoritarismo circulando junto com o sangue, mas depende de nós permitir ou não que esse defeito milenar venha à tona ou que seja definitivamente transformado.

Todos têm direito à dignidade, e somos nós, que estamos sempre buscando o aperfeiçoamento moral, que devemos fazer valer esse direito. Não é mesmo?

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3 Comentários

  1. É, eu pelo menos, me sinto mais impelida a melhorar quando sou elogiada. E é por isso que sempre busco elogiar as pessoas à minha volta. Pois se gosto delas, tenho mais que obrigação em incentivar seus acertos. O problema é que tem gente que não se motiva nem com elogios, nem com críticas, e aí como incentivar? Sei que sou espírito em evolução, e portanto, cheia de falhas e defeitos, mas adoro elogiar os outros sempre que eu sinto vontade. Deixo as críticas mais duras e mais amargas pra mim mesma, então vivo me autocriticando, autodepreciando, tem horas em que me esqueço de todas as minhas lutas e vitórias, tem horas em que não consigo achar nada de bom em mim, vivo me focando nas minhas fraquezas e imperfeições e por isso acho que não mereço ser feliz. Talvez o caminho seja me amar mais, porém é tão difícil! Me sinto tão desmotivada… Como sempre tuas palavras são muito sensatas. E isso é um elogio sincero! 🙂

  2. Helenice, eu agradeço por você dividir essa experiência. Pra tentar responder qualquer coisa, tive que reler o artigo que escrevi, até pra ver se não me expressei mal em algum ponto. Mas continuo achando que tudo o que escrevi está correto. Realmente não devemos envergonhar os outros. E devemos ter o máximo cuidado com as críticas. Nesse momento nem estou me referindo à questão moral, a sentimento cristão, não é nada disso. Criticar é um erro. Mesmo que você esteja coberta de razão, e a pessoa criticada mereça toda a crítica do mundo, criticar é um erro. Sabe por quê? Por que ninguém quer ser criticado, ninguém gosta de ser criticado, ninguém ACEITA ser criticado. Temos que tentar não perder a cabeça. Só temos a perder com isso. Perdemos a razão, mesmo que ela nos pertença. A única maneira de fazermos alguém mudar um comportamento (isso vale para filhos, cônjuge, empregados, colegas…) é através do elogio. Se você tem filhos sabe que eles são movidos a elogio, repetem os atos que recebem elogios. E sempre teimam em fazer aquilo que criticamos, que brigamos para que eles não façam. Temos que elogiar as qualidades, sempre que pudermos, com elogios sinceros e verdadeiros. Se um comportamento de alguém nos incomoda, temos que esperar a oportunidade de esse alguém ter um comportamento diferente, numa situação em que poderia ter o comportamento incômodo, e elogiar, elogiar com entusiasmo (sem fingimento), e se possível recompensá-lo naquilo que ele mais gosta. Você gosta de cachorro, não gosta? Sabe ensinar cachorro? Recompensar quando faz xixi no lugar certo? Com as pessoas é da mesma forma.
    Se eu sei isso tudo, então eu não erro? Erro, por perder a cabeça. Aí voltamos ao começo: Temos que tentar não perder a cabeça… Fique com Deus.

  3. O pior é que às vezes fica difícil, quando vemos, já falamos, já gritamos, já envergonhamos, mas como fazer se quando fazemos isso foi porque o comportamento do outro estava tão errado a ponto de colocar até a vida de outros em risco e quando vemos o fato perdemos a cabeça devido a tamanha negligência? E a pessoa, diferente do que vemos em novelas e filmes, não admitem o erro, ainda se acham certas e nós que “julgamos” passamos por intolerantes, “chatos”, inclusive até por outras que assistiram o abuso que determinada pessoa causou. E aí, além dessa pessoa não querer mais falar conosco, ainda passa por “vítima” e nós que apenas chamamos a atenção para evitar um mal maior ficamos como vilã da história. Eu passo por isso e sinceramente, não sei como agir nessa hora, fico incrédula com a atitude de certas pessoas. Temos sempre que nos calar? Temos que ver o mal e fingirmos que nada vimos para ser bem aceitos por todos? Sinceramente, tem horas que fico muito confusa, Morel.
    Desculpe foi só mais um desabafo. Obrigada pela atenção!!

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