Comportamento, Evangelho

Pelo fruto se conhece a árvore

pelo fruto se conhece a árvore

Morel Felipe Wilkon

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Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore. Mt 12:33

Pelo fato de eu ser espírita, ouço das pessoas os mais diversos comentários sobre as igrejas evangélicas. Alguns fazem piadas sobre o enriquecimento dos pastores, sem ponderar que meia dúzia de safados não representam milhões de pessoas que se declaram evangélicas no país.

Mas o que eu mais escuto é um certo deboche da sua fé, da sua crença cega no poder de Deus, no “entregar pra Jesus”. Eu penso bem diferente dos evangélicos em geral. Acho que Jesus não nos salva, só nos mostra o caminho. O resto fica por nossa conta. Não vou falar de diferenças de crença, que não vêm ao caso. Também nem vale a pena falar em diferenças. Melhor falar em semelhanças.

parreiral com frutos
Pelo fruto se conhece a árvore

Sou testemunha de que muitas pessoas transformam as suas vidas quando se convertem, quando entram para a igreja. Pessoas que vencem vícios em drogas, álcool, sexo. Pessoas que deixam uma vida desregrada e ilegal e se transformam. Pela fé. Pelo poder do Cristo.

O Cristo está dentro de cada um de nós. O nosso Cristo interno, nossa partícula divina. Jesus  desenvolveu plenamente o seu Cristo,  nos deixou a receita, nos mostrou o caminho.

Quando uma pessoa, depois de fortes emoções ocasionadas pelos mais diversos erros, se rende à ideia do Cristo, mesmo que imperfeita, a transformação ocorre. E ocorre junto uma radical mudança nos costumes, nos ambientes frequentados, no modo de se portar em sociedade.

Sei, por mim mesmo, que pessoas sujeitas ao intelecto não conseguem submeter-se a essa fé. Exigem explicações, formulam hipóteses, constroem raciocínios rebuscados. Não é questão de ser melhor ou pior, são modos diferentes de ser e de pensar.

Mas não posso admitir o menosprezo com que algumas pessoas se dirigem às crenças evangélicas. Elas cumprem um papel relevante e representam um importante passo na evolução do espírito. Quando uma pessoa acha que o conselho de “entregar pra Jesus” é simplório, entendo que ela precisa de mais explicações. Precisa se debruçar sobre os livros e estudar, compreender o que se passa com ela. Mas não há nada de errado com o conselho, pelo contrário.

Quando uma situação foge ao nosso controle devemos, sim, entregá-lo a Deus ou a Jesus. Ter fé é ser fiel a Deus, e a fidelidade pressupõe confiança total…

Não há nada de simplório em entregar os problemas pra Jesus. Jesus não vai agir sobre os nossos problemas, não vai solucioná-los por nós. Mas ao nos reportarmos a Jesus nos conectamos com o seu imenso poder, com o seu imenso amor, e encontramos dentro de nós mesmos, por sintonia, forças até então despercebidas. Se não achamos a solução, achamos um pouco mais de paciência; se não chegamos à decisão difícil, aquietamos nossa mente por algum tempo.

Há espaço pra todos. Enquanto houver pessoas pensando de maneiras diferentes, existirão diferentes abordagens sobre os mesmos temas. Embora alguns desmintam isso, Deus é um só. Mais importante que a explicação do fenômeno é o seu resultado. Mais importante que saber explicar como uma semente pequenina germina e cresce e se desenvolve até virar uma árvore que dá frutos, é reconhecer que o fruto é bom, e concluir que se o fruto é bom, a árvore é boa, pois é pelos frutos que se conhece a árvore. 

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18 Comentários

  1. Bom dia, Morel. Me criei acompanhando meus pais na Igreja Católica, mais tarde frequentei a Umbanda e também conheci O Livro dos Espíritos, o que me determinou a necessidade de estudar a Doutrina Espírita. Hoje, temos em casa espíritas, católicos e evangélicos, e todos respeitamos as opções. Deus é Único e Jesus precisa nascer em cada um, para podermos segui-lo.

  2. Sissi, somos todos ainda muito imperfeitos. Só alguém inseguro de suas convicções se foca na diferença. O caminho é o que você apontou. Com nossos exemplos vamos tornando a situação mais amena, menos áspera. Nós devemos ser o exemplo daquilo em que acreditamos. Fique com Deus.

  3. Ana Paula, acho que todos nós somos “encarnados desajustados”. Reencarnamos justamente para nos reajustarmos, nos rearmonizarmos. Um abraço…

  4. Olá Morel, também já comentei que sou evangélica-espírita, e há muitos anos convivo e trabalho junto da igreja. De coração me entristeço muito quando um espírita critica um evangélico, e vice-versa. Bem sabemos que o único caminho que nos conduzirá à salvação será o de Jesus, pois é o caminho da retidão, do amor, da fé. Infelizmente uma palavra, por menor que seja, tem o poder de causar grandes guerras, grandes debates, grandes inimizades, grandes diferenças. Mas como você desenvolveu maravilhosamente esse texto com muita luz e sabedoria, espero que ele venha gerar bons frutos nos nossos sentimentos, como o fruto do Amor, da paciência e da misericórdia pelos nossos irmãos em Cristo Jesus. Um abraço.

  5. Sem levantar polêmica. Ouvi uma frase de um palestrante, “a religião evangélica é necessária para educar os espíritos encarnados desajustados”, ou seja… um processo de evolução espiritual?
    Sabemos que muitos da igreja evangélica se tornam com o tempo espíritas.
    Será que tem fundamento?
    Um forte abraços a todos, boa noite.

  6. Parabéns.
    Qualquer religião que leve a pessoa mais próximo de Deus e a fé, eu respeito e muito.
    Mas acho que uma religião deve respeitar a outra.
    Como a maioria das religiões no Brasil.
    Digo “a Maioria”.
    Minha base é católica e sigo a doutrina espírita.
    Parabéns, Morel Felipe Wilkon.

  7. Muito rica e inteligente sua mensagem sobre o tema proposto. Gosto de ler textos de pessoas inteligentes mas simples na sua maneira de colocar as palavras para tornarem-se compreendidas. Agradeço a Deus por mais essa oportunidade, conhecer esse site e ter a oportunidade de ler artigos falando na Doutrina Espírita dessa forma.

  8. Bom dia.
    Parabéns por escrever de forma tão inteligente e clara mais um belo texto.
    Nunca frequentei igreja evangélica por discordar de algumas de suas práticas, mas sempre reconheci e admirei o poder de recrutamento e acolhimento que as igrejas evangélicas têm sobre a sociedade e o bem que isso faz. O próprio Papa Francisco, na sua passagem pelo Brasil em entrevista concedida ao Fantástico, ao ser questionado sobre qual seria o principal motivo de ser crescente o número de evangélicos, falou que isso se dá em especial ao fato das igrejas estarem mais presentes na sociedade e também serem mais acessíveis e acolhedoras. Enfim, acho que o importante mesmo é encontrar Jesus e seguir o caminho do bem independente de ser por religião A, B ou C.

  9. Josiane, quem faz a polêmica são as pessoas. Se todos estivessem bem seguros dos conceitos que defendem, não haveria motivo para polêmica. Obrigado pelo depoimento.

  10. Olá Morel, na minha humilde opinião também acredito que “Jesus não nos salva, só nos mostra o caminho” e talvez por isso sejamos TAMBÉM alvo de críticas. Sinceramente acho esses temas um tanto polêmicos, uma vez que partem para “debates” agressivos e ofensivos, que certamente não nos levam a lugar algum! Mas como você bem falou, se conhece a árvore boa pelos seus frutos e por isso não devemos generalizar as pessoas. Na minha família meu pai é umbandista há mais de 10 anos e minha mãe é católica, eu acho que nasci espírita, por me identificar totalmente com a Doutrina, entre nós não há discussões acaloradas e usamos nossas “diferenças religiosas” para aprender e evoluir!

  11. Bacana, hem! Gostei muito do texto, Morel, e acho como Kardec disse que há muita guerra de palavras entre nós. Penso que o sentimento tem mais a ensinar do que as palavras e denominações que damos pra tudo. Eu também antes da conversão vivia uma vida desregrada, ainda luto contra isso, pricipalmente contra a depressão que me arrasou durante um tempo, mas encontrei na fé em Jesus e no evangelho um forte alento para minha vida e o espiritismo é o que nos faz entender tudo isso. Legal, muita paz por aí.

  12. Bom dia, Morel. Como já disse aqui outras vezes, sou evangélica-espírita e conheço muitas pessoas que mudaram a sua vida através da “conversão” ao Cristo. Meu pai é um exemplo disso, antes de ‘aceitar Jesus’ era um drogado, que batia na esposa e filhos, a minha mãe que era da igreja orou e perseverou 10 anos por ele e através dessa fé ele foi transformado, óbvio que ainda lhe falta muito mais para a evolução do espírito dele (meu pai é iletrado) mas tenho certeza que a igreja evangélica contribuiu muitíssimo para sua evolução. Que Deus nos ilumine.

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