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Espiritismo e a raiva

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Artigo publicado originalmente em 16/10/2012

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O espiritismo me leva a concluir que não tenho o direito de descarregar a raiva sobre ninguém. A raiva é uma demonstração de fraqueza de caráter.

Você já perdeu o controle de si mesmo por causa da raiva? Poucas coisas são tão deprimentes de se ver como uma atitude impulsiva baseada na raiva. A raiva é uma demonstração de fraqueza de caráter. Uma pessoa que se deixa dominar pela raiva é uma pessoa que fantasia padrões de comportamento. É alguém que gostaria que todos seguissem o padrão de comportamento que considera o ideal. E quando julga que alguma situação contraria o seu ponto de vista, perde o controle de si mesmo.

Você já deve ter ouvido falar várias vezes que a raiva deve ser extravasada, que a raiva é uma reação instintiva, que a raiva se deve a fatores bioquímicos.

pato donald irado
Poucas coisas são tão deprimentes…

Acredito em tudo isso. Mas não posso deixar de levar em consideração a visão mais abrangente que o espiritismo nos oferece. E chego à conclusão de que “extravasar” é um terrível desrespeito para com o próximo, e o ato praticado num momento de animalidade raivosa ativa a Lei de causa e efeito. Com raiva ou sem raiva, com instinto ou sem instinto, com química ou sem química, o que plantamos é o que vamos colher. Sempre. Colhemos nesta reencarnação muitos frutos da raiva externada em outras vidas.

Acredito que a raiva se relacione diretamente com nossas crenças e padrões de pensamentos. Não estou negando que a raiva esteja ligada a fatores bioquímicos. Acredito no que a ciência diz. Mas isso é consequência. A causa primeira são nossas crenças e pensamentos cheios de orgulho e pretensão.

O que desencadeia a raiva é a frustração das expectativas que alimentamos, mesmo que inconscientemente. Esperamos uma coisa e acontece outra. Imediatamente o orgulho mostra sua cara. O orgulho tem sempre a expectativa de que tudo transcorra exatamente como queremos. Talvez o principal motivo da raiva seja não sermos atendidos em nossa vontade. Nosso orgulho faz com que vejamos tudo como se fosse de propósito, como se fosse um ataque pessoal, uma afronta à nossa dignidade. Não levamos em conta que há pessoas preguiçosas, incompetentes e que não nos consideram grande coisa. Se elas são assim, se isso faz parte da característica delas, não devíamos nos ofender como se tudo se tratasse de algo pessoal.

Você se culpa por sentir raiva? Por favor, não faça isso. Se você errou por causa de um acesso de raiva, procure tirar uma lição do que aconteceu. Sempre há uma lição a aprender. Reconheça o seu erro, tome o propósito firme de não repeti-lo. Se você vem tentando isso há algum tempo sem conseguir, mude de comportamento. Se não consegue se controlar de um jeito, tente de outro. Quem sabe se não é hora de reformar atitudes e posturas? O espelho que tenho à minha frente, enquanto escrevo, me diz que sim.

Mas não fique se culpando. O sentimento de culpa é um processo doentio que só iria gerar mais raiva. E raiva de você mesmo. Sentir raiva de si mesmo é irradiar ondas mentais negativas que atraem (sintonizam) outras mentes doentias, formando uma grande rede de sentimentos raivosos. Você não quer isso. Se tem algo de que não precisamos, é de raiva.

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21 Comentários

  1. Gostei muito desse conselho espiritual, pois estava com esse sentimento, meio que egoísta, mas eu reconheço, não posso criar expectativas nas pessoas e achar que elas tem que ser iguais a mim, ter as mesmas atitudes e estar sempre à disposição, assim como eu sempre estou, não posso ser egoísta a esse ponto, pois me decepcionei com pessoas do meu convívio, aí veio o sentimento de raiva e frustração! Ainda não me livrei desse sentimento, mas vou me exercitar, pois sei que além de fazer mal à pessoa, vai fazer pior a mim, pois acredito na lei do retorno e causa e efeito, mas prometo a mim mesma que vou me livrar de tudo que me faz mal! Um grande abraço, meu amigo.

  2. Bom dia, Morel. Tudo bem?
    Eu estou começando minhas experiências fora do corpo e gostaria de saber se você recomenda alguma literatura sobre isso.

    Muito obrigado, muita luz e paz profunda!

  3. Nossa, texto perfeito… Essas palavras são exatamente o que precisava.
    Depois de uma crise…
    Percebi que não quero sofrer mais.
    Vou guardar esse texto e toda vez que fraquejar ele me servirá de apoio.
    Muito obrigada, irmão.
    Paz e luz…

  4. Alessandra, não há fórmula mágica para controlar a raiva. Recomento que clique nos links contidos no texto, leia os artigos relacionados e os seus comentários.

  5. Adorei o texto e é exatamente o que acontece. Estou num relacionamento a dois anos (quase três). Devido a um episódio perdi a confiança na minha parceira mas estamos tentando e desde lá não paro de explodir de raiva por qualquer coisa que eu possa entender como uma ameaça. Já fui em uma psicóloga mas de nada adiantou e faz pouco tempo que me encontrei na doutrina espírita.
    Admito que fico triste comigo mesma por não conseguir controlar, parece que viro outra pessoa e odeio cada ação e palavra dita nessas horas. Mas a força é tão forte, o impulso me leva tão rápido que nem consigo raciocinar. Não sei se alguém vai ler este comentário, mas se sim, por favor, alguém poderia me ajudar? Vou guardar este texto e ler toda vez que me sentir assim ruim e vou me esforçar mais para impedir que isso aconteça… Só quero paz nessa vida 🙁

  6. Giovana, não posso opinar a respeito de uma decisão que compete exclusivamente a você. Esta parte é sua; de mais ninguém. É você quem deve pesar os prós e contras.

  7. Meu marido tem excessos de raiva por qualquer coisa. Uma palavrinha que ele entenda errado, ele tem ataque, começa a gritar e quebrar tudo que vê pela frente. Ele não acredita em nada, tudo pra ele é mentira, as pessoas, tudo. Só pensa em bens materiais, em adquirir coisas. Já pensei em me separar, pois fico pensando, uma pessoa que não aceita nada, tem estes ataques, não convive muito bem na sociedade. Como vou ter filhos com ele? Imagina uma criança conviver no meio dessa loucura. O que o senhor acha?

  8. Andrea, a raiva, assim como qualquer outra característica negativa, é uma doença do espírito. São resquícios de animalidade que deixamos que se desenvolvessem. Só com muita Vontade e perseverança para controlar, pouco a pouco, a raiva e suas consequências. A troca de hábitos, a oração e os passes em centro espírita ajudam nesse processo.

  9. Meu marido sofre de excessos de raiva, ele simplesmente não consegue se controlar, e por consequência destrói a vida de todos que estão em volta.
    Meu filho tem quase 3 anos e sofre do mesmo problema, tem excessos de raiva desde que pequenininho.
    O que a doutrina espírita explica sobre esse problema?

  10. Augusto, não há nada a agradecer. Devemos tentar mudar, sim. Com esforço e determinação conseguimos. Hoje, depois de vários meses, também tive um acesso de raiva. Me controlei logo, ficou o desgosto pela fraqueza.
    Não adianta lamentar. Vamos em busca de um novo recorde. Certamente alcançaremos.
    Fique com Deus!

  11. Li este artigo pouco depois de um acesso de raiva e com o coração bastante entristecido, com as tais ondas de auto-raiva dominando o meu ser.
    Este texto me trouxe uma visão diferente de meu problema: chego à conclusão que o que exteriorizo em meus acessos é o que realmente sinto e sou. Assim sendo, se sou isso, estou muito distante de ser a pessoa idealizada. Ao invés de ficar chorando e lamentando pelos cantos, vou tentar mudar.
    Salvarei este texto nos meus favoritos e toda vez que me sentir tentado ou que perder o controle, irei ler novamente.
    Espero que, um dia, não precise repetir a leitura.
    Muito obrigado pela ajuda, Querido Irmão!

  12. Elza, agradeço pelo seu depoimento. Eu poderia acrescentar qualquer coisa, tentar oferecer uma consolação qualquer, mas não tenho envergadura moral pra tanto. Às vezes o silêncio é mais sincero do que um punhado de palavras bonitas e bem colocadas. Um abraço em você, que Deus nos ilumine.

  13. Tenho uma mistura de raiva e dor profunda com relação ao tratamento que recebo de minha mãe. Já fiz terapia durante 1 ano e meio, várias questões foram superadas após a minha separação, mas eu acreditava ter superado as questões com relação à minha mãe. Não consigo suportar a diferença que ela faz entre mim e meu irmão, das palavras duras que fala sempre sem pensar o quanto isso machuca; sempre foi muito autoritária, extremamente dominadora e adora humilhar sempre que tem oportunidade com palavras que machucam muito. Faz 6 para 7 anos que estudo a espiritualidade, leio bastante, sei dos ensinamentos que Jesus nos deixou, mas, eu infelizmente ainda não consigo superar essa dor no meu peito e dentro do meu ser, parece mais forte que eu, não consigo ignorar suas atitudes e carrego dentro de mim muita culpa, me sinto sempre muito obrigada a fazer ou agir de forma contrária a que penso. Desculpe-me, tenho eu tanto como meu irmão um histórico de vida complicado com a educação aplicada pelos nossos pais, que nos causaram muitos traumas e eu pessoalmente sinto que é tão difícil superá-los. Fico sempre acreditando que ela poderá mudar, mas qual a minha surpresa NÃO. Já tem 81 anos e não vejo mudanças. Eu já me transformei em muito e sei que devo melhorar a cada dia, mas neste quesito ainda tenho muitas dificuldades para passar por cima de tudo.
    Um grande abraço e perdoe o meu desabafo.

  14. Silvana, se analisarmos bem, nenhuma raiva teria motivo se não fôssemos tão fracos moralmente. Todos nós sentimos raiva. Uns mais, outros menos. E sentimos raiva por não ter nossas expectativas atendidas. Esperamos uma coisa e acontece outra; isso nos dá raiva. Quanto a escolher o que nos faz bem, isso devemos fazer sempre. Sempre devemos procurar o melhor para nós mesmos; só assim teremos condições de oferecer algo de bom para o próximo. Querer o melhor para si não é egoísmo. É uma necessidade de todos. Só há egoísmo se fazemos o melhor pra nós prejudicando alguém; se fazemos o melhor pra nós esquecendo o outro. Obrigado, Silvana.

  15. Concordo com o que você falou, mas o pior é quando as pessoas ficam com raiva e ódio da gente por qualquer motivo e aí temos que fazer escolhas do que realmente nos faz bem.

  16. Eu ainda não livrei-me, mas, não tenho as reações de antes,fico lúcida em vez de perder o bom senso. Rogo a Deus que eu continue sempre mas forte diante desse sentimento e das adversidades. Obrigada amigo por suas orientações, aprendemos muito. Boa noite.

  17. A raiva é uma característica difícil de se livrar. Já progredi bastante, mas ainda não me livrei totalmente disso. Obrigado por participar, amiga Fátima.

  18. Sim, já perdi.Só que veio à minha mente pensamentos como se alguém falasse para mim que: a raiva prejudica quem a sente e eu tenho uma certa inteligência a ponto de reagir de maneira melhor. O melhor é que eu nunca mais, de lá até agora, e há pouco tempo, tive a prova, não perdi meu controle emocional e vi o quanto a pessoa perdeu seu raciocínio lógico e eu no momento certo falava e ela chegava a concordar comigo. Em outra ocasião resolvi conversarmos sobre alguns tópicos e ela grunhiu de raiva, chorou a ponto de bater o telefone na minha cara porque ela se viu sem argumentos. Há quinze dias atrás. Continuo calma e isso dá-me foras para que eu nunca mais perca meu equilíbrio: ou por frustrações, injustiças, raiva etc…Abraços Morel, só nos deixa mais fortalecidos essas reflexões.

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