Comportamento

O que os outros pensam

Sofia Silveira Wilkon
Sofia Silveira Wilkon

Você se preocupa com o que os outros pensam sobre você? Você se incomoda com a opinião dos outros a seu respeito?

Minha filha Sofia tem quatro anos. Hoje pela manhã, quando estava levando ela até a escolinha, chovia em Porto Alegre. Deixei que ela segurasse seu guarda-chuvinha, sozinha, sem dar a mão. Pra ela isso foi um acontecimento, uma coisa importante. Se sentiu grande. Caminhando sozinha, e ainda por cima, de guarda-chuva! Quem convive com crianças sabe que elas valorizam coisas que pra nós não têm sentido.

Havia folhas pelo chão, estava molhado. Ela escorregou e caiu sentada. Levantou-se imediatamente. Qual foi a sua primeira reação? Não foi choro, não foi queixa, não foi procurar o meu socorro. Foi olhar pra trás pra ver se alguém tinha visto que ela caiu.

Não se machucou, mas ficou triste pela sua falha. Ela tem quatro anos. Quantos anos você tem?

Você tem reações semelhantes a essa? Você se preocupa com o que os outros pensam sobre você? Você se incomoda com a opinião dos outros a seu respeito?

É um absurdo dar tanta importância ao que os outros pensam de nós. Quantas pessoas você conhece que vivem se justificando, dando exlpicações que ninguém pediu? Quantas pessoas você conhece que sentem-se observadas, vigiadas, como se todos estivessem olhando pra elas?

Não dê importância ao que pensam de você. Essa parte compete a você mesmo. É pra isso que Deus nos deu por herança a consciência. Não se deixe influenciar pela opinião dos outros sem se questionar. Quanta coisa lhe disseram desde quando você era criança e você acreditou? Quanto do seu comportamento atual foi gerado por coisas que disseram sobre você?

Pense por você mesmo. Não se deixe dominar pela PREGUIÇA MENTAL!

Você é muito mais do disseram que você era. Você é espírito imortal de passagem pela matéria, promovendo reajustes com o seu passado milenar e estruturando um futuro brilhante, cheio de aquisições morais importantes.

A preocupação com a opinião dos outros nos freia a caminhada. Encurta os nossos horizontes. Impede que façamos qualquer coisa que fuja ao normal, ao medíocre, ao corriqueiro. Mas nós nascemos pra fazer coisas grandes, não pra repetirmos procedimentos padronizados indefinidamente com medo de que alguém critique ou deboche.

Quando falo em coisas grandes não quero dizer que cada um de nós tem que ser Presidente da República, jogador de futebol ou ator de Hollywood. Criar um filho é uma grande coisa. Ser professor é uma grande coisa. Ser padeiro é uma grande coisa. Ser empresário é uma grande coisa. Tudo o que se faça com amor e dedicação é uma grande coisa. Tudo o que gera benefício a alguém, tudo o que faz bem ao próximo, direta ou indiretamente, é uma grande coisa. É a soma dessas pequenas grandes coisas que nos trouxe da barbárie até a civilização pós-moderna em que vivemos.

Tem pessoas que chegam a falar sozinhas como um modo de justificar seus atos aos que estão por perto. Murmuram, sorriem, gesticulam, abanam a cabeça como se estivessem criticando a si mesmas. É essa preocupação com a opinião alheia que causa a timidez ou a necessidade de se sentir aceito, a vontade de se esconder ou a necessidade de ser popular. São comportamentos extremos nascidos da insegurança íntima.

Trazemos alguns comportamentos há muitos séculos. A reencarnação é a oportunidade que temos de praticar o que já percebemos de falho em nós mesmos e que já nos propusemos a mudar. No intervalo entre as reencarnações fica mais fácil para nós vermos o que precisa ser modificado, o que precisa ser aperfeiçoado. E nos comprometemos com isso…

Ah! Falei pra Sofia que eu também já caí muitas vezes e lhe dei os parabéns por ter levantado rapidamente.

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13 Comentários

  1. Que lindo! Sua descrição sobre o comportamento da pequena Sofia, é de extrema sensibilidade para exemplificar um tema tão interessante e importante como “a opinião dos outros a nosso respeito”.

  2. Querida amiga e colega Rosele, agradeço pela tua reflexão tão rica e ponderada. Fiquei muito contente, obrigado.

  3. Querido Morel! Quanta sensibilidade nas tuas percepções e modos de se relacionar com as sutilezas do humano no mundo das coisas e, principalmente, na interação do humano com o humano presente nas mais variadas experiências vivencidas pelo humano. Ao tecer tais reflexões a partir desse episódio com tua pequena filha alegro-me de saber que pessoas como tu utilizam as redes sociais para pensar/sentir/expressar a vida de maneira amplificada. Comunicação, relação, interação, é a partir daí que nos confrontamos e aprendemos a ser, passo a passo, um pouco melhores como espíritos imortais. Encontrar e empreender boas medidas, ‘a dose certa’, em nossas ações, acredito ser um dos elementos desafiadores que constituem o rol das nossas permanentes aprendizagens. Sempre precisamos mais e mais… Observar-se a partir da relação com o outro é fundamental e estruturante, contudo, ao mirar tão somente, ou excessivamente, o ponto de vista da percepção alheia – sem diálogo com nossas singularidades, nossas necessidades, nossas inquietações, nossos saberes, nossas intuições – entramos numa relação desarmoniosa conosco mesmos e, consequentemente, com o nosso mundo de relações. O desafio, sempre impregnado de riscos, está posto dia a dia, e isso é extremamente rico e belo quando compreendido que a cada momento, em cada encontro, em cada oportunidade, em cada idade de nossas existências, sempre e sempre temos uma nova oportunidade para aprender a conhecer a nós mesmos, a sermos melhores com o outro, mais verdadeiros, mais harmônicos.
    Quero te parabenizar pela atuação com tua filha. Proporcionaste um momento em que ela pode vivenciar um pouco das responsabilidades, dos desafios, das delícias que estão presentes nas minúcias do viver a vida cotidiana. Uma vida que, tanto para tua filhinha quanto para todos nós, pode vir a constuir-se, diariamente, de vastos e enriquecedores acontecimentos, desde que tenhamos disponibilidade e responsabilidade para querer concebê-la e vivenciá-la de tal maneira. Um abraço!

  4. Nossa, a matéria de hoje está ótima. É realidade que todo ser humano tem essas ideias de se preocupar com o que os outros estão pensando. Eu mesma sou uma, deixo muitas vezes de ser feliz por medo de críticas. A verdade é que se estamos de consciência tranquila os outros são outros e pronto…

  5. Que linda! Tenho uma irmã que na idade dela também era assim. Se caía, rapidamente se levantava e continuava. Hoje ela vai fazer 13 anos e é meu orgulho…

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