Comportamento

Os cuidados com a aparência – uma opinião espírita

casal idoso

Artigo publicado originalmente em 13/12/2012

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Os valores espirituais e morais são infinitamente mais importantes do que a beleza física. Ninguém discute isso. Mas uma coisa não exclui a outra. Devemos dispensar cuidados com a nossa aparência. Ou você acha que o espírita deve cuidar apenas das coisas do espírito?

Será que você dá a devida importância ao seu corpo? Você sabe que é espírito imortal, você sabe que é muito mais do que o seu corpo físico, sabe que já existia antes dele ser gerado e que vai continuar existindo depois que ele perecer.

mulher idosa bonita
Você cuida da sua aparência?

O corpo físico é o instrumento de que o espírito imortal se utiliza para exercer suas atividades. O corpo físico é indispensável em nosso meio material. É através dele que nos manifestamos. É a aparência que teremos durante toda a nossa atual reencarnação.

Conforme vamos progredindo, ao longo de nossa evolução, nossos gostos vão se refinando. Aprendemos a apreciar a beleza. Não há como negar que a beleza vem se desenvolvendo de acordo com nossa evolução. Nossos corpos são mais bonitos e aperfeiçoados do que os corpos de nossos ancestrais.

Ainda colhemos o fruto da influência de séculos de cultura cristã deturpada. O obscurantismo cristão condenou o corpo físico a instrumento do pecado. As antigas pregações cristãs combatiam as solicitações do corpo como se fossem coisas diabólicas.

Nosso corpo requer cuidado. Cuidado com sua saúde, com o bom funcionamento de todos os seus órgãos. Para que o espírito possa se expressar satisfatoriamente é necessário um corpo saudável e bem cuidado. Cuidado com a sua beleza, pois cuidar da própria aparência é prova de respeito pelo próximo.

Sei que você é esclarecido o suficiente para não confundir esse cuidado com narcisismo. É preciso cuidar da aparência, mas não fazer disso uma prioridade ou obsessão. A boa aparência é fundamental para a sua autoestima. Fique dois ou três dias sem trocar de roupa, sem se barbear ou maquiar, conforme o caso, sem tomar banho, sem cuidar da higiene pessoal. Duvido que você não se sinta péssimo nestas condições.

Cuidando de sua aparência, você está fazendo bem a si mesmo e àqueles que o cercam. Qualquer um se sente melhor perto de alguém bem arrumado, bem vestido, sorridente. O desprezo pela aparência não é prova de superação das coisas materiais. Alguém que não dá atenção à própria aparência não é necessariamente alguém mais evoluído, desligado das coisas fúteis.

Pra quem gosta de exemplos, o próprio Chico Xavier usava peruca e cuidava de sua aparência. Ele dizia que não tinha o direito de chocar ou constranger os outros com sua feiura ou má aparência. O corpo físico é uma dádiva da Vida, é um instrumento avançadíssimo de interação no mundo material. Você acha que Jesus andava como um maloqueiro? Conta o evangelho que depois de sua crucificação os soldados fizeram sorteio entre si para ver quem ficaria com suas vestes. Sinal de que não andava vestido de andrajos.

A imagem que temos dos espíritos superiores, dos espíritos mais iluminados que nós, é uma imagem de beleza. Por que não seguiríamos seu exemplo? Cuide do seu corpo, cuide da sua aparência. Você tem que cuidar de sua saúde para viver mais e melhor, para aproveitar ao máximo a sua experiência terrena, para ser grato pela oportunidade que teve de receber um corpo. Você tem que cuidar da sua aparência para que você mesmo se sinta melhor, para que sua imagem ao espelho lhe desperte um sorriso, para que você se sinta mais seguro, mais amoroso com a vida. E para que as outras pessoas sintam-se bem em sua presença.

Os valores espirituais e morais são infinitamente mais importantes do que a beleza física. Ninguém discute isso. Mas uma coisa não exclui a outra. O mundo físico é mundo de aparências. Estamos no mundo físico. Por que desprezaríamos a aparência? 

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11 Comentários

  1. Bom dia, Morel,

    sem dúvida, devemos nos cuidar e assim nos sentirmos seguros e transmitir bem estar aonde chegarmos, cuidemos do corpo e da mente, este último, para sorrirmos e tomarmos decisões certas, diminuindo possíveis erros, estamos sempre em busca de nossa melhoria, das ações e pensamentos. O que me deixa feliz é saber que o espírito nunca regressa, está sempre evoluindo.

    Tenho uma dúvida: o espírito mantém nas suas novas existências, os traços morais, gostos, tendências de suas existências atuais/anteriores?

    Muita paz para você, amigo.

  2. Acho que todos nós passamos por esses extremos, Marco. Em vários aspectos, não só quanto ao consumo. Mas sabemos que não há nada de errado em possuir bens, o mal está em ser possuído por eles. Quando a sua posse ou a ausência da posse nos incomoda muito, é hora de prestar atenção.

  3. Ai Morel, hoje fico rindo das minhas próprias obsessões no passado. Na minha época de fanatismo espiritual, acreditava que se eu comprasse roupa estava sendo fútil. Hoje compro com satisfação e agradecido a Deus por dar como empréstimo essas dádivas. Claro que tudo precisa de equilíbrio, eu não pagaria numa calça que custa uma fortuna somente pela marca quando posso comprar outra parecida (ou a mesma coisa praticamente) mais barata, e também não vou comprar algo que não usaria só por capricho da moda atual. Acho que nisso consta o equilíbrio. Eu tenho uma coisa pra mim, toda as vezes que compro uma roupa, uma camisa por exemplo, doo uma. Ou se compro duas doo uma que menos estiver usando, gosto de fazer isso, me sinto bem.
    O engraçado do fanatismo, é que justo o fanatismo me fez ver o equilíbrio das coisas. Por isso hoje me alegro.

  4. Percebo que quando estamos bem, sentimos mais vontade de cuidar da nossa aparência e consequentemente da nossa saúde. E quando cuidamos disso, nos sentimos tão melhor. É um ciclo vicioso do bem. Se alimentar bem, fazer ginástica, higiene física e mental, tudo isso só nos ajuda a valorizar a máquina maravilhosa e perfeita que Deus nos entregou para cumprir nossa missão terrena.

  5. Marlowa querida, acho que não li. Digo “acho” porque leio muita coisa na internet sem prestar atenção ao título ou autor. Obrigado pela dica, um abraço em ti!

  6. Oi Morel!!

    Gostei do texto e gostaria de colocar 2 livros(um é continuação do outro), talvez você conheça:
    1)A Doença como Caminho(pdf)
    2)A Doença Como Linguagem da Alma (Rudger Dahlke)-(pdf)
    está no contexto do teu texto no sentido dos porquês das doenças e da valorização do autocuidado. Dá para baixar da internet.

    Um abraço!!!

    Marlowa

  7. Uma observação muito oportuna, apesar de o termo (e a analogia a ele) “maloqueiro” ter sido, em minha opinião, instrumento de desconforto para a fluência das palavras e mensagem do texto.
    Tudo é relativo ao estado da alma e ao seu momento vibratório. Certamente este artigo faz alusão às almas relativamente equilibradas, não podendo ser ele instrumento de segregação àquelas que ainda estão em fase de ajuste ou doentes.

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