Reforma íntima

Espiritismo e o desabafo

pessoa que reclama

Morel Felipe Wilkon

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Artigo publicado originalmente em 27/04/2012

Uma das características mais comuns do ser humano é o desabafo. Todos se acham no direito de desabafar.

Você se basta a si mesmo? É independente, pensa com sua própria cabeça? Se você depende de alguém para alguma coisa material, tudo bem, se isso é realmente necessário. São pressupostos de nossa capacidade evolutiva ser solidário, no caso de quem oferta, e ser grato, no caso de quem recebe. Ou você depende de alguém emocionalmente? Isso já não é muito bom, é importante que sejamos autossuficientes emocionalmente.

O “desabafo”

Uma das características mais comuns do ser humano é o desabafo. Todos se acham no direito de desabafar. Se você é livre, não tem nada que desabafar, ser independente já é um desabafo. Que historia é essa de desabafar? Desde quando o ouvido alheio é penico para despejarmos sem pejo nossas imundícies emocionais? Você gosta de ouvir alguém se lamentando? Não argumente com exceções, não aponte casos de pessoas terrivelmente sofridas que no momento não tem forças para praticar sua dignidade. Refiro-me às pessoas comuns, essas com quem convivemos cotidianamente, que curtem falar de problemas, de doenças, de desgraças, e se queixam, e se queixam, e reclamam.

Chico Xavier, quando perguntado certa vez do porquê de usar peruca, já que isso podia ser um indício de vaidade, respondeu que não tinha o direito de ofender o próximo com sua feiura. É realmente constrangedor ouvir alguém contando detalhes sórdidos de suas doenças de estimação. Em vez de viver se queixando, que usem essa energia para criar um novo padrão de pensamentos. Não é segredo pra ninguém que é o pensamento que provoca as doenças (claro que nem sempre numa só vida, é preciso se considerar os efeitos cármicos), e, assim como as provoca, as cura.

Reclamam de tudo. Do sol, do calor, do vento, da chuva, do frio, dos preços, dos políticos, do seu time, do governo, do chefe, dos colegas, do cônjuge, dos pais, dos filhos, de tudo. Nada está bom. Mas como? Quando você era criança as condições climáticas eram as mesmas e as pessoas eram semelhantes às de hoje e você achava tudo bom. Ou você é chato desde criança? Reclamar é vício. Desabafo é vício. Pedir conselho é vício. Como é que você pede para alguém aconselhar você sobre um assunto que é seu, um problema que é seu, que você vive, que você conhece? Como é capaz de envolver outra pessoa em algo que só você pode responder? Você tem à sua disposição todos os recursos para obter as respostas de que precisa.

Você é independente. Pode estar vivendo momentaneamente na dependência de alguém, pode estar iludido acreditando que depende de alguém para isso e para aquilo, mas não! Você é independente. Você é indivíduo, é único. Vivemos em sociedade, precisamos uns dos outros, todos nos complementamos, e isso é maravilhoso. Mas isso não é ser dependente. Você esqueceu de que tem sua própria cabeça, e que só ela sabe exatamente do que você gosta, o que você quer, do que você precisa? Pense pela sua cabeça, não pela cabeça dos outros. Viva sua vida de acordo com a sua consciência e pare de se queixar. Examine a si mesmo e veja se não está se queixando demais. Não se sinta culpado, apenas examine e analise a você mesmo. Não há porque se sentir culpado. O único pecado é a ignorância, e é por ignorância que cometemos tantos erros. Devemos aprender com eles, são ótimas oportunidades de aprendizado. E parar de repeti-los, pois os erros reiterados causam muito sofrimento.

O sofrimento é consequência da ignorância. É por ignorância que nos queixamos, e desabafamos, e reclamamos, e pedimos conselhos, e perguntamos aos outros o que devemos fazer. Que absurdo! Deus habita em cada um de nós, deu a cada um de nós plenas condições de perfectibilidade, e em troca disso vivemos nos queixando! Isso é fraqueza, e ser fraco não é bonito. Sejamos solidários, ajudemos os mais fracos, mas chega de queixume! 

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21 Comentários

  1. Obrigada por essas palavras! era o que eu precisava ouvir para me reerguer e tomar as rédeas de minha vida.
    Porém, o fato de estar sozinha, longe dos meus pais, me fizeram ser uma pessoa que pede muita orientação. E aprendi que sempre era bom ouvir conselhos, especialmente dos mais velhos. Como você vê essa questão que muitas vezes nossos próprios pais orientam sobre os conselhos dos mais velhos? Trouxe isso para minha vida adulta…. mas vejo que me trouxe prejuízos, porque quando as pessoas não me dão orientação, me sinto “abandonada” por elas….. sinto que elas não se importam. E isso é mal.
    Grata!

  2. Sr. Morel
    Boa noite
    Li em um site, a seguinte frase:
    -“Todas as respostas estão dentro de nós, aguardando estrutura para acessá-las”.
    Acredito nisso… porém como ainda somos “crianças”, precisamos ouvir do outro aquilo que muitas vezes já sabemos. Desabafar pode ser útil eventualmente, mas fazer do nosso próximo um ouvinte constante de queixas, não.
    E quando damos nossa opinião sobre a vida de alguém, corremos alguns riscos de sermos responsabilizados caso não dê certo.
    Ótimo artigo, claro, simples, e “não ficou passando a mão em nossas cabeças”, com isso sabemos que somos responsáveis por nós mesmos sempre.
    Obrigada.
    Mariá

  3. Georgiana, pode parecer questão de palavras, mas pedir a opinião de alguém não é o mesmo que pedir conselho. A opinião alheia sobre algo pode nos fazer refletir melhor; o conselho pressupõe tomada de decisão. O que não podemos é transferir ao outro a decisão sobre algo que só compete a nós mesmos.
    O trabalho realizado nos centros espíritas é para sofredores que buscam ajuda. O primeiro passo da ajuda pode ser o consolo, mas o que realmente provoca a mudança é o esclarecimento. A tarefa de consolação exige que se ouça, compreenda, oriente, aconselhe. São pessoas momentaneamente impedidas, por si mesmas, de tomarem decisões sozinhas. Mas tão logo seja possível estas mesmas pessoas devem ser esclarecidas acerca da responsabilidade sobre as suas vidas e tudo o que se relaciona às mesmas. Não podemos, de forma alguma, a título de “bondade”, incentivar o queixume e a reclamação sobre tudo. Temos que orientar as pessoas a perceberem sempre algo de positivo em suas vidas e apegarem-se a isso.
    Quanto à situação que ocorreu com você, é evidente que a dor é inevitável. Somos humanos, e a dor é característica deste planeta. Mas a revolta deve ser eliminada. A revolta não prejudica aos outro, prejudica a você mesma. É você quem sofre as consequências da sua revolta. Em vez de ficar alimentando a ideia de injustiça, inconformada com a situação, incomodando-se por isso, solte-se da situação que se formou. Perdoar quer dizer desligar, soltar, desatar, libertar. Não somos bonzinhos. Mas sabemos que enquanto não perdoamos A DOR PERMANECE CONOSCO! Por mais injusta que seja a situação, é só você que pode livrar-se das consequências dela. E isso só é possível perdoando. Jesus não nos disse para perdoarmos porque somos bonzinhos. Quando chamaram Jesus de bom, ele respondeu que bom só Deus é. Jesus nos disse para perdoarmos porque este é o segredo da libertação da dor.
    Não lembramos de nossas existências anteriores, Não sabemos todos os erros que já comentemos. Mas estejamos certos de que nada que nos acontece é de graça, nada é por acaso, NÃO EXISTEM VÍTIMAS. Não tenha pena de si mesma e não tenha raiva das pessoas que prejudicaram você. Acredite, elas são muito mais infelizes do que você. Se você tivesses agido como elas, prejudicando alguém deliberadamente, você estaria sofrendo mais, porque sua consciência está desperta e você já tem a noção de certo e errado.
    Perdoe. Ore por eles, todos os dias, nos mesmos horários, durante meses. Leis um trecho do Evangelho, ore, diga em voz alta que você os perdoa e peça perdão a eles e a qualquer espírito, encarnado ou desencarnado, que você tenha prejudicado em algum momento na sua trajetória espiritual. Quem está sofrendo? Você. Quem quer parar de sofrer? Você. Então informe a você mesma, através da vontade deliberada, da ação repetida, da insistência, que você quer viver em paz.
    Fique com Deus!

  4. Maria, temos que agir, sempre, de acordo com o que acreditamos ser o certo, independente do que as pessoas acham ou fazem. Não devemos nos queixar não apenas em respeito aos outros, mas principalmente em respeito a nós mesmos. Somos nós que construímos a nós mesmos. Informamos ao nosso subconsciente, todos os dias de nossas vidas, o que queremos ser e como queremos viver. Nosso subconsciente sempre nos dá “mais do mesmo”. Se nos queixamos, receberemos sempre mais motivos para queixas. Temos que nos focarmos aspectos positivos de nossas vidas. Sempre há coisas boas para serem valorizadas. Esse é um aprendizado constante, de todos os dias.
    Quanto aos outros, tenhamos paciência, tolerância, compreensão. Mas podemos deixar claro, dependendo do grau de intimidade que tenhamos com essas pessoas, que não nos alimentamos de tragédias. A maior resposta que podemos dar aos outros, sempre, é o nosso exemplo de conduta.

  5. Boa tarde Morel!
    saudades de trocarmos explanações sobre nossos pontos de vista. Estive ausente dos comentários mas sempre leio e agora assisto aos vídeos.
    Caro amigo (posso lhe chamar assim?), depois de ler seu artigo fiquei com receios de expor perguntas e até de lhe pedir conselhos. Pois apesar de lhe admirar e concordar com quase tudo o que discorreu, ainda assim eu me encontro na posição de discordar em partes, pois eventualmente para mim o ato de procurar alguém, assim como diversas vezes enviei comentários e fui muito bem assistida em suas respostas, ou ter procurado a outra pessoa mais próxima, esses atos atos não me fazem sentir incapaz de resolver sozinha minhas aflições, esses atos para mim são uma força a mais. A partir do momento que confiamos e nos espelhamos em alguém que tenha algo de melhor que nós a oferecer, por exemplo: O DIÁLOGO FRATERNO dos Centros Espíritas? Deveriam ser extintos então? Pois os dirigentes não devem ficar ouvindo as lamentações, dores e desabafos dos que buscam ajuda e que assim como eu ainda não atingiram um grau evolutivo suficiente??
    Não entendi ao certo o foco do seu artigo, já li e reli. Em alguns momentos entendi que sendo nós responsáveis por nossos atos, devemos ser auto suficientes fortes e capazes de enfrentar as consequências, certo?
    Mas amigo, cada dia é um novo dia em que luto e busco equilibrio e evolução. E parece que quanto mais busco mais sou cobrada. Recentemente passei por um dos piores momentos de minha vida, fui vítima de calúnias, defamações, falso testemunho… Sei que pobres foram os que acreditaram, pois minha índole só eu de fato a conheço. Mas como superar essas fases sem sentir dor?
    Lancei essa pergunta, e ouvi de um amigo espírita que preciso lembrar de Cristo e perdoar. Sim mas como perdoar sem sentir dor ou até mesmo revolta por ter sido injustiçada?
    Abraços!
    Obrigada por tudo!!!

  6. Agradeço a Deus todos os dias e peço a ele que continue te dando a sabedoria para mesmo distante (estou em BH) você possa continuar ajudando pessoas com suas palavras. Desde que comecei a ler o seu site, percebo que tenho muito o que aprender.
    Obrigada e que Deus te ilumine muito.

  7. Sem dúvidas, a doutrina espírita nos mostra o que somos e diz como devemos nos comportar, porque é necessário crescermos…
    Sem dúvidas, e é lógico que cada um percebe, a feiura incomoda, tanto que, até mesmo é nosso instinto procuramos nos melhorar exteriormente, uns mais que outros, conforme a capacidade que cada um tem; aí o nosso irmão Chico Xavier, que reconheço que, mesmo imperfeito, também tinha o cuidado de ficar com melhor aparência; e ninguém precisa se preocupar se era por vaidade. Certa ocasião li que num determinado momento, enquanto ele seguia por uma rua encontrou com embriagado e este lhe pediu esmola, o que o fez dar-lhe uma moeda; por se tratar dele, penso, isso pode ter sido questionado; a justificativa que fizeram no texto que li foi, se me lembro bem, foi que o Chico, consciente, não tinha que se preocupar se bêbado queria apenas uma moeda para beber mais uma dose. Alguém que declarou ter convivido muito tempo com o Chico Xavier, num livro que escreveu, disse que em uma ocasião – quando, me parece, até mesmo por pausa de algumas dificuldades de relacionamento, o Chico teve, acho, que mudar de cidade, o encontrou chorando, momento que disse: as pessoas pensam que eu não sofro.
    Qualquer um que tem conhecimento doutrinário espírita sabe que o médium é apenas alguém com uma grande oportunidade no aprendizado terreno; então, penso, que o normal é mesmo o que acontece, geralmente nos queixamos de tudo… E fazemos isso por que somos imperfeitos. E uma das nossas imperfeições é observamos sempre as imperfeições dos outros, e, nunca a encontramos em nós, daí sempre fazermos citações, e querermos dar o conselho que entendemos adequado. Tudo bem!
    Nós que estudamos Espiritismo, assim como os que se prendem à bíblia também nos perdemos e o irmão expositor deu entendimento disso.
    Quando melhores edificados reclamaremos menos. E vejam que isso também é um desabafo, uma das coisas que a rede nos proporciona; outra é: nos tira pelo menos um tanto da solidão, até por nos proporcionar, de alguma forma, um aconselhamento, fato comum, necessário e, por isso mesmo, próprio da condição de todos.
    Abraços!

  8. Realmente meu irmão, se queixa resolvesse estaria muito rica… mas percebo que cada vez que nos queixamos é como se estivéssemos impregnados dos fluídos negativos da queixa e não nos larga… Aprendi que quem sabe o que é bom pra mim sou eu,mesmo errando posso acertar depois..
    Mas uma pergunta! Se converso com alguém em relato do que houve, só quero dividir um pouco o que carrego, mas não desejo soluções essa eu sei, será que faço bem em repartir? Será que a outra pessoa pode considerar isso um abuso? Só sempre já percebi que as pessoas não gostam de ouvir nada de tragédia alheia, mas adoram jogar as suas na nossa costa… como fazer nesse último caso? Obrigada.

  9. Morel, eu concordo plenamente com o post acima, mas tenho um ponto de discordância, às vezes pedimos um conselho a alguém porque geralmente quem está de fora, enxerga melhor a situação, você não acha?

  10. Morel, mais uma vez obrigado pela atenção. Tenho a lhe dizer que pelos estudos e palestras que tenho assistido, estou conseguindo distinguir o homem profano do homem sábio, pois aquele que procura melhorar sempre, este sim se constitui no homem sábio, e percebo que você conseguiu o caminho certo e está passando o que aprendeu de sabedoria para todos.

  11. Ademilton, que isso foi criado por você mesmo não há dúvida. O caminho usual e “oficial” para buscar o autoconhecimento e a partir disso separar o joio do trigo em si mesmo é a psicoterapia. Há psicoterapeutas que trabalham com abordagem reencarnacionista. Outro caminho é substituir as velhas crenças, opiniões estereotipadas, comportamentos e atitudes por pensamentos novos, positivos, construtivos, capazes de reformular a construção da realidade. Somos o que pensamos. Neste sentido sugiro os livros O Poder do Subconsciente, de Joseph Murphy; e O Poder Infinito da sua Mente, de Lauro Trevisan. Não são livros espíritas e não oferecem explicações. São métodos de reformulação do padrão de pensamentos a partir do controle dos pensamentos e de afirmações positivas.

  12. Bom dia amigo, tenho lido muito sobre sua experiência por você ter frequentado outras crenças, pelo estudo sistemático do espiritismo e por gostar de aprender como também o faço, isso em parte me anima, mas ainda sou uma pessoa muito fechada desde a infância e adolescência, comunico bem, mas uso muita máscara com vergonha ou medo de expor na sociedade. Será muita raiva enraizada que virou mágoa interiorizada? E como desvencilhar deste interior fechado talvez criado por mim mesmo?

  13. Esse texto me serviu que nem uma luva.
    No livro de Chico Xavier “Reportagens do além túmulo” tem o trecho “A Queixosa”, que exemplifica as consequências do comportamento citado.
    E é bem verdade que acaba afastando as pessoas de nós.
    Mas nunca é tarde para nos corrigirmos e melhorarmos, não é verdade?

  14. É exatamente como você disse, Terezinha. Acabamos dando aos outros o direito de quererem decidir por nós. Isso não é bom para nós, que deixamos de exercer nosso direito de decidir por nós mesmos, e pode não ser bom para eles, que talvez não estejam preparados para essa responsabilidade. Tirando os casos de dependência financeira ou movida por motivos sérios de saúde, quem deve decidir por nós somos nós mesmos. Até porque ninguém CONHECE o que se passa conosco como nós mesmos. Um abraço, Terezinha.

  15. Nossa !!!!Felipe essa foi mesmo muito boa… Leva a refletir sobre nós…quando comecei a ler vi que muita coisa serviu pra mim…e como…tenho mania de perguntar o que devo fazer…principalmente pra filhos….e estou percebendo que acabo dando direito a eles de quererem decidir por mim..isso é péssimo mesmo…Talvez seja uma insegurança minha…mas tenho que vencer isso …Como você colocou…DEUS HABITA EM NÓS E NOS FACULTATOU esse DOM…Cabe mesmo a nós, tomarmos posse dele…Obrigada , meu amigo…por me permitir essa reflexão e como ter confiança nas minhas decisões de vida…abraço.

  16. Ainda bem que sempre surgem novas questões. É sinal de que nos perguntamos, de que queremos saber. Obrigado por participar, Leda.

  17. Obrigado, amigo. Em pouco espaço e poucas palavras você respondeu todas as minhas questões…as que tenho no momento, porque certamente outras virão.

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