Reforma íntima

Espiritismo e autoconhecimento

conhece-te a ti mesmo

Morel Felipe Wilkon

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O Espiritismo propõe insistentemente a reforma íntima. Mas para reformar-se é necessário autoconhecimento. Será que você é como parece ser? Você acha que sua imagem exterior corresponde à sua individualidade? Cada um de nós é uma individualidade, mas muitos de nós nunca tivemos acesso a essa individualidade.

A sua imagem exterior, a máscara que você mostra aos outros e muitas vezes a si mesmo, é apenas uma personagem interpretada por você. Você é espírito imortal, experiente mas ainda inconsciente do seu Eu. Alguns de nós estão apenas despertando para o Deus que habita em nós, para o nosso Cristo interno. Outros nem sonham com isso.

Essa personalidade que você apresenta, e que normalmente pensa ser você mesmo, é uma máscara passageira. Pode ter muito de você nessa personalidade, mas não é você. Se você nascesse em outro meio, com outros pais, outros costumes, outra cultura, outras condições, teria muito pouco do que você hoje atribui a características espirituais suas.

O espírito progride lentamente. A cada reencarnação adiciona uns poucos traços às suas características individuais. Para reconhecermos um pouco de nós mesmos é preciso muita sinceridade íntima, é preciso analisar profundamente a si mesmo. Porque a maior parte do que acreditamos serem nossos valores e crenças são apenas aspectos transitórios, que abandonaremos antes de assumirmos um novo papel na matéria, antes de reencarnarmos da próxima vez.

Recebo muitos relatos de pessoas que ficam confusas com suas atitudes durante os sonhos, mesmo que estes sonhos sejam lúcidos. Quando parcialmente libertos da matéria pelo sono físico, temos acesso a um pouco mais de nós mesmos, assumimos outros níveis de consciência a que não temos acesso no estado de vigília. Situação análoga ocorre em manifestações anímicas, quando o médium pensa que há espíritos se manifestando através dele quando na verdade ele está dando vazão a personalidades animadas por ele mesmo em outras vidas.

meditando na montanha
Será que você é como parece ser?

Poucas pessoas conhecem a si mesmas. Poucas são capazes de fazer uma análise fria e isenta a respeito do que se passa no seu íntimo. A maioria não liga pra isso. E dos que dão importância, só uma pequena parte escapa de iludir a si mesma com intenções e aparências. Você é capaz de perceber as próprias falhas de caráter? Você sabe o que são realmente princípios morais sólidos e o que são apenas fruto de crenças passageiras, convencionalismos e respeito às regras sociais?

Sabe quando você diz uma coisa e pensa outra? Sabe quando você responde uma coisa a uma pessoa e internamente, dentro da sua cabeça, você fala outra coisa? Você faz assim com você mesmo, também. Você se engana a si mesmo. Às vezes pensa que é bonzinho porque ora de vez em quando, porque contribui com alguma entidade assistencial, porque recolheu um gato abandonado ou ajudou uma velhinha a atravessar a rua, mas no fundo você é muito, muito diferente.

É por isso que a reforma íntima, proposta pelo Espiritismo, é íntima. Tem que atingir o íntimo, tem que ser resultado de Vontade, não de mera intenção. Mais da metade das pessoas que eu conheço boicotam a si mesmas. Pensam de uma maneira e agem de outra. Gostariam de fazer ou deixar de fazer determinadas coisas mas se submetem ao mais cômodo. Não conciliam vontade e ação. Ou não fazem coisas boas por medo ou preguiça ou não fazem coisas más por temor ou conscientização.

Precisamos conciliar, harmonizar vontade e ação. Temos que desenvolver vontades boas, temos que desenvolver boa vontade. E agir de acordo. Assim começaremos, pouco a pouco, a sermos nós mesmos.

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13 Comentários

  1. Morel,
    Eu tenho uma dúvida e espero que possa me ajudar.
    De dois anos para cá, não consigo chorar. E chorar faz bem à saúde, alivia e depois sempre nos sentimos melhor. Não sei em que momento isso começou, o que sei é que quando estou triste e precisando chorar mesmo, eu não consigo e sinto uma profunda agonia por não conseguir fazê-lo.
    Já ouviu algo a respeito, ou sabe o que devo fazer para que eu volte ao normal?

  2. Isso tem tudo a ver comigo durante os sonhos!
    Nos sonhos mais “sensatos” que tenho, sou mais dinâmico, muito mais “agressivo”, inteligente…
    Será que a matéria chega a barrar muito do que sou realmente?
    Será que se meu eu espiritual pudesse ver meu eu físico de frente, ele não o acharia muito primitivo?
    Parecem duas entidades, não é?

  3. Muito obrigada Morel pelos esclarecimentos. Vejo que estou començando a engatinhar nesse processo de autoconhecimento. E que bom que contamos com instrumentos iluminados – como você – no meio do caminho.

  4. Bom dia Morel, seus texto já são meditação diária pra mim. Esse de hoje me fez refletir o quanto é difícil tirar as máscaras, ser eu mesma. Muitas vezes me pego dizendo uma coisa e pensando outra, ouvindo a voz da razão mas sofrendo ainda por estar apegada a pessoas, a fatos e situações que sabemos ser passageiros mas o coração ainda nos enreda de certa forma nos fazendo sofrer. Estou finalizando o livro “Renúncia” Chico/Emmanuel, fiquei pensando o quanto eu ainda preciso evoluir e aprender o poder do perdão e da renúncia. Que Jesus nos auxilie nessa tarefa tão árdua. Que a paz do Senhor esteja conosco.

  5. Josiane, se encararmos nossas falhas de caráter como doenças do espírito, como vícios adquiridos ao longo de nossa evolução dos quais precisamos nos livrar, perceberemos que devemos pensar e agir como quem se abstém de um vício físico, como o cigarro ou o álcool. Vencermos a nós mesmos um dia após o outro, todos os dias.

  6. Sei bem o que é isso, enfrento essa luta diária de reforma íntima, preciso ser mais paciente e mais tolerante e isso às vezes faz com que eu me torne uma bomba relógio, reconheço essas falhas e tenho plena consciência que preciso mudar.

  7. Diana, há casos em que o espírito faltoso – todos o somos – reencarna num meio repressor ou superprotetor como medida de impedimento às suas características negativas. A sensação de insegurança impede ou dificulta ao espírito encarnado externar tudo o que passa em seu íntimo. Pode ser um modo de autoproteção, um meio de assegurar-se de que não vai reincidir em erros cometidos em muitas outras vidas. Um espírito com tendências dominadoras ou manipuladoras, por exemplo, por mais que se esclareça, tem dificuldade em controlar suas tendências e acaba incorrendo em erros cada vez maiores, por interferir no livre-arbítrio de outros espíritos. Assim, a inserção, pela reencarnação, desse espírito num meio cultural e educativo que dificulte a emerção dessas tendências, é para ele um valioso mecanismo de segurança. Ele desenvolve outros aspectos do seu ser, mais íntimos, e adquire condições de modificar-se profundamente ao experienciar “o outro lado”, o lado passivo.

  8. Oi Morel, adorei o texto, aliás, gosto muito das coisas que escreve, leio todos os dias porque me trazem paz e acrescentam conhecimento. O texto de hoje mexeu comigo de uma forma especial. Já tenho consciência do valor da reforma íntima e autoconhecimento, entretanto, sinto uma necessidade de agradar as pessoas (ou medo de desagradar) e isso dificulta um pouco o processo de ser eu mesma. Depois que li o texto fiquei me perguntado se as falhas de caráter que tenho alcance de perceber hoje são minhas ou são consequências do meio em que nasci. Nunca tinha pensado sobre isso. Sempre achei que a insegurança, por exemplo, fosse atributo do meu espírito reforçada por uma educação superprotetora. E agora, confesso que já não sei mais o que faz parte do meu EU real e o que é máscara. Conhecer a si mesmo é, para mim, o trabalho mais complexo desta vida.

  9. Liziani, Ghandi, ao final de sua vida, perguntado se havia perdoado aos que o haviam difamado e caluniado, respondeu que não, que não havia o que perdoar porque nunca havia se sentido ofendido. Nós não estamos no patamar evolutivo de Ghandi. Ainda nos magoamos, por nossas próprias carências e fraquezas. Não temos compreensão suficiente para nos imunizarmos das ofensas. Mas a disposição de querer perdoar é um grande passo. As nossas relações mais fortes têm sua origem no passado remoto, não são relações superficiais que tenham começado nesta reencarnação. É preciso tempo, sim. É preciso Vontade e prática. Perdoar é desligar-se. Você conhece ho’oponopono? É uma técnica havaiana que costuma produzir ótimos resultados. Pesquise na internet.
    Fique com Deus.

  10. Olá, Morel! Acabei de conhecer e ler alguns de seus textos e gostei muito. Principalmente este do Espiritismo e Autoconhecimento. Gostei muitíssimo também daquele do Perdão, estava precisando ler a respeito. Às vezes acho que já resolvi determinada situação, perdoei, mas ela volta a me entristecer. Digo que perdoei, mas não esqueci. Então, pelo que já li, isso não é o verdadeiro perdão. Será ele um exercício diário? Digo de situações passadas e sérias que mudaram o rumo da minha vida e não corriqueiras. Por favor, fale-me a respeito, ou indique livros, textos, algo que possa aliviar a minha alma, pois às vezes fico muito deprimida estacionada lá no passado em um casamento que não deu certo.

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