Comportamento, Reforma íntima

O espírita e o centro espírita

centro espírita

Morel Felipe Wilkon

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Os que sentem-se espíritas por frequentar centro espírita devem se esforçar para interiorizar o que aprendem. “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar as suas más inclinações” Allan Kardec

A religião falha em seu propósito de religar as creaturas ao Creador. Algumas por deficiências teológicas, por primarismos doutrinários; outras por não ser este o seu objetivo, e de religião só tem a aparência. Mas as maiores falhas se devem aos homens, não às religiões. Por melhor que fosse uma religião, seus membros, sendo falíveis, a corromperiam.

nosso lar
Temos que ser menos dependentes

O que observo desde criança é uma dependência das pessoas em relação ao seu líder religioso, um automatismo sem sentido em cumprir com determinados procedimentos ritualísticos, um temor que desconhece o amor.

Isso eu vi em todas as denominações religiosas que conheci. Pessoas que se tornam dependentes de missas, de confissões, de comunhões, de novenas, da palavra do padre ou do pastor, de cultos e cânticos, de falar em línguas, consultar preto velho ou caboclo, de fazer oferendas, de tomar passes.

Não vejo nada de mal nessas manifestações religiosas. Mas não posso admitir que alguém um pouco mais esclarecido se torne dependente dessas exterioridades. E a mudança interna? E a reforma íntima?

Poucos se modificam e se esforçam pra fazer o bem, pra se tornarem pessoas melhores. Algumas denominações religiosas se passam por cristãs mas de cristãs só têm o nome, pois se apegam a exterioridades e ignoram o mandamento de Jesus, que é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Igreja que precisa de diabo é por que não compreende Jesus.

Jesus já dizia que devemos orar em recolhimento, em nosso íntimo, e não como faziam os fariseus, que iam pro meio das praças pra mostrar sua cara de fome de tanto jejum.

É preciso renovar-se, melhorar a si mesmo. Mendigar passes, missas e milagres não é renovação pessoal, é atitude primária e egoísta. É claro que há valor nessas coisas, e que todos necessitamos delas em algum momento. Mas não a vida toda! Temos que dar, não só receber. Temos que oferecer algo de nós mesmos, não só sugar as energias alheias e atribuir poder a hábitos ritualísticos.

De que adianta assistir a missa ou ao culto evangélico e sair de lá com as mesmas ideias e atitudes de sempre? De que adianta assistir palestra e tomar passe sem refletir nos ensinamentos que recebemos, sem modificar em nada a nossa conduta? O Espiritismo tem a pretensão de ser a fé raciocinada, de abrir mão de qualquer ritual ou cerimônia. Mas para ter fé raciocinada é preciso raciocinar, não apenas ouvir passivamente; e muitos ainda veem os procedimentos padronizados como se fossem rituais que resolvessem os problemas pelo simples fato de participar deles.

Tem espírita ou simpatizante do Espiritismo que assiste palestra e toma passe e se sente em dia com as suas obrigações religiosas. Transformam o Espiritismo em religião e inserem nele suas carências cerimoniais e ritualísticas.

O Espiritismo oferece um vasto campo de estudo, uma literatura rica e abrangente, para todos os temperamentos e níveis intelectuais. A pessoa deve melhorar a si mesma, com seu próprio esforço, por sua própria vontade. Se não for assim, não sai da estagnação evolutiva em que a maioria de nós se encontra.

Frequentar centro espírita, igreja, templo ou terreiro pode ser um modo de manter-se protegido por um tempo, até que haja condições de dar passos mais largos. Mas frequentar por frequentar, indefinidamente, pensando tirar daí um benefício é enganar-se a si mesmo. O Espiritismo não precisa de público, não tem necessidade de gente engrossando suas fileiras. Os que sentem-se espíritas por frequentar centro espírita devem se esforçar para interiorizar o que aprendem, devem fortalecer a sua fé através do estudo, devem procurar, cada vez mais, bastarem-se a si mesmos, sem depender de passes e palavras de conforto.

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14 Comentários

  1. Obrigado por umas coisas que estou estudando para o desenvolvimento e doutrina dos meus mentores espirituais, obrigado também por não saber muito ao certo que estejas falando, mesmo assim obrigado pela fé que tenho e acredito na minha família espiritual da umbanda branca…

  2. Muito obrigado por esclarecer todos esses pontos. Realmente, o artigo é ofensivo. Penso que o cientificismo só tem a atrapalhar o Espiritismo, mas não a ciência. Citando Pasteur: “Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima.” A autora do artigo, aliás, parece ser daquele grupo de espíritas que refuta Chico Xavier. Enquanto isso, continuo eu a caminho de terminar a série “A vida no mundo espiritual”, que muito mais me ensina.

  3. Hiago, eu já conhecia o trabalho da autora, aliás, muito bem elaborado. A íntegra está aqui: http://www.cpdocespirita.com.br/Trabalhos/Fisica_no_Espiritismo_Erica.pdf
    Reconheço os argumentos dela como legítimos, já pensei exatamente como ela. Enquanto pensei como ela, contudo, deixei o aspecto moral estudado pelo Espiritismo em segundo plano, e nada consegui alterar quanto à “fragilidade científica” do Espiritismo. Eu considero o Espiritismo uma ciência. É um conhecimento amplo e sistemático, embora sem o método científico que os mais racionais gostariam.
    Acho, como a autora, que o Espiritismo ganharia muito com o reconhecimento da comunidade científica. Ganharia em status. Só isso. Ninguém vai aceitar os postulados espíritas só porque meia dúzia de supostos portavozes de uma suposta “comunidade científica” resolveram afirmar que o Espiritismo é, sim, ciência. Não tenho ojeriza a intelectuais, como a autora acusa alguns espíritas. Apenas não vejo grande vantagem prática num Espiritismo oficialmente científico. A contribuição do Espiritismo é moral. Para alcançar o aspecto moral é preciso, sim, desenvolver o intelecto. Mas para isso não é imprescindível – é importante, não imprescindível – que o Espiritismo esteja pautado por postulados científicos irretorquíveis. Sei que muitas pessoas ligadas à ciência se magoam, se melindram por passarem, entre seus pares, por religiosos, crédulos, intelectualmente fracos. Às favas.
    Em relação ao livro “Evolução em dois mundos”, especificamente, há, sim, alguns conceitos de física ultrapassados. Talvez não tenha ocorrido à autora que o objetivo de André Luiz não é, nunca foi, ensinar física, ou química, ou biologia. Ele se utiliza de exemplos desses campos de conhecimento para nos fazer entender os mecanismos que regem o espírito, seus planos de manifestação, as Leis a que está sujeito, e, PRINCIPALMENTE, os meios de compreender a si mesmo e se libertar do sofrimento.
    Louvável a intenção da autora – quero acreditar. Mas nada produz, ao passo que a obra de André Luiz vem modificando pensares, retificando condutas, reconstruindo atitudes, norteando roteiros de milhares e milhares de espíritos. Desses muitos milhares, uns quatro ou nove devem ter notado, como a autora, alguns erros conceituais. Decerto não se preocuparam com a opinião que um membro da “comunidade científica” faria deles.
    Ao longo dos treze livros que compõe a série “A vida no mundo espiritual”, André Luiz nos transmite inúmeras experiências de espíritos encarnados e desencarnados, abordando os mais variados aspectos da vida humana e suas pequenas e grandes tragédias. Ao chegar em “Evolução em dois mundos”, décimo livro da série, os exemplos fornecidos (que sofrem algumas críticas da autora em questão, Érika de Carvalho Bastone), somados ao que acumulamos de dados dos outros livros, nos preparam para compreender de forma muito clara questões como obsessão, vampirismo e a importância que o pensamento representa em nossas vidas.
    Não acho, sinceramente, que as falhas – poucas e insignificantes no contexto – façam qualquer diferença para a compreensão e incorporação do ensinamento proposto por André Luiz. Penso, como a autora, que o Espiritismo deve retomar a ênfase intentada por Allan Kardec em relação ao aspecto científico. Mas não é demais lembrar que enquanto na França o Espiritismo tentou se pautar estritamente pela ciência e hoje é praticamente desconhecido por lá, no Brasil, tendo incorporado elementos religiosos e se conduzido prioritariamente na valorização do aspecto moral, conta com milhões de adeptos. O Brasil é o país com o maior número de espíritas no mundo.
    Será interessante o dia em que o Espiritismo for aceito indistintamente como ciência, a ponto de ser ensinado desde cedo nas escolas. Esse dia está longe. Não porque não há interesse dos cientistas ou porque não há espíritas capazes de promoverem estudos científicos relevantes. Mas porque a humanidade não está pronta. Saber que somos espíritos imortais encarnados não faria diferença alguma na vida de quem não está moralmente pronto para assimilar a importância disso. De todo modo, a opinião da autora é válida e digna de respeito. O que não merece respeito é o artigo tendencioso que você citou. Ele fala em “farsa”, sendo que a autora não se utiliza, em momento algum, desses termos nem faz essas acusações.

  4. Perder a compostura é mais um argumento contra você…
    Mas não se martirize por isso, Silvia. Essas questões são delicadas, mas tudo se resolve. É preciso dar tempo ao tempo.
    Fique bem.

  5. Olá Morel! Seu texto realmente me “lavou a alma”! Há dois dias acabei me desentendendo com um parente, justamente por não mais aguentar a pressão para ir no culto evangélico que milha filha passou a frequentar e onde vem se sobressaindo a cada dia, muito embora ela tenha até feito a 1a. comunhão na igreja católica. Mesmo repetindo gentilmente que já cuido de minha espiritualidade, por outro caminho que não o de frequentar templos (missas ou cultos), ele bradava na minha frente que “SÓ JESUS SALVA”, como se eu estivesse num “caminho de perdição” e como se Deus e Jesus fossem exclusividade da igreja evangélica. Sabe Morel, eu errei, errei feio… perdi toda minha compostura… mas coloquei um basta na situação… sei que não devia ter deixado a irritação me dominar, mas perdi o controle depois de tentar, pela “enésima” vez, dizer algo que o outro se recusa a ouvir… Desculpe-me pelo desabafo.

  6. Carla, todos organizamos o pensamento da maneira que melhor nos pareça, por isso respeito e compreendo o seu modo de pensar.
    A palavra diabo quer dizer adversário, oponente, é o correspondente grego para a palavra hebraica satanás. Embora alguns interpretem diabo como o acusador, o caluniador, ela traduziu o pensamento hebraico expresando o que é contrário – em se tratando da bíblia, o que é contrário a Deus. Para mim, diabo ou satanás é o personalismo, o ego, o apego à matéria em detrimento do espírito. Quando Jesus, após revelar aos discípulos o sofrimento que o esperava, disse a Pedro “Retira-te de diante de mim, Satanás; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas as que são dos homens”, em Marcos 8:33, estava se referindo à dificuldade que temos em compreender e aceitar as coisas do espírito, nos apegando apenas ao aspecto material.
    Já lucifer, o portadpr da luz, é a centelha divina individualizada, é o primórdio do espírito imortal em seu multimilenar mergulho na matéria, onde terá que desenvolver-se através de múltiplas reencarnações em busca de sua origem, da luz que o gerou e da qual está temporariamente apartado.
    Fique com Deus.

  7. Parabéns, belíssimo texto! Só discordo de você quando diz: “Igreja que precisa de diabo é porque não compreende Jesus”. Meu caro, para nós Lúcifer é real e destrutivo, não apenas a personificação de um mal, talvez. Nada sabemos. O fato é que nós aprendemos sobre ele dessa forma. Não negamos a existência do diabo, mesmo que o Sr. Felipe se desagrade disso. De modo geral o artigo ficou muito bom, admito. Ele me fez refletir um pouco. Tenha uma boa tarde!!!

  8. Sim, Humberto. São as sementes que brotaram sobre as pedras, da parábola do semeador. Não têm raízes, estão na superfície. Um abraço.

  9. Morel, bom dia… Infelizmente muitos espíritas se apegam aos fenômenos espíritas como psicografias, lotando as reuniões públicas à espera dessa ou daquela entidade de sua preferência. Apenas isso. Não tentam incorporar o que aprendem à sua vida cotidiana, fazendo de cada ação ou ato uma extensão da doutrina espírita. Ficam apenas na “platéia” e ignoram o “corpo a corpo”. Abraços.

  10. Josiane, essas pessoas ainda não se deram conta de que qualquer mudança substancial em suas vidas depende exclusivamente delas mesmas. Mas a procura por ajuda é, pelo menos, o reconhecimento de que se deve melhorar…
    Fique com Deus.

  11. Bom dia Morel, esta sua reflexão é algo que penso muito, eu até já falei sobre isso mesmo, que as pessoas parecem viver de trocas, ou seja, vão ao templo, terreiro ou igreja, sei lá… e acham que estão em dia com suas obrigações e o que é pior acham que foram isentos de todo mal que tenham feito ao próximo, isso é a maior hipocrisia do ser humano, ao meu ponto de vista, é claro, mas por incrível que pareça conheço muitas pessoas assim! O texto de ontem é uma bela continuação para quem lê o de hoje, ou seja, temos que nos preocupar com as nossas máscaras!

  12. Caro Morel, que Jesus te ilumine! Desde que descobri este site, venho descortinando a ignorância que me cobre. Seus artigos muito contribuem para o meu aprendizado, um abraço a vocês e à equipe inspiradora.

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