Reencarnação

Por que André Luiz ficou no umbral

umbral nosso lar

Morel Felipe Wilkon

Ouça este artigo na voz do autor

Se discute muito por que André Luiz ficou oito anos no umbral. Um dos livros mais conhecidos da literatura espírita é Nosso Lar, que também fez sucesso como filme. Ele dá início à série composta de treze livros “A vida no mundo espiritual”.

Você ainda não leu Nosso Lar? Leia aqui!

andre luiz nosso lar
André Luiz no umbral

Em Nosso Lar é narrada a passagem de André Luiz pelo umbral. Ele ficou oito anos no umbral e foi chamado, por outros espíritos, de suicida.

Depreende-se do livro que ele era considerado suicida inconsciente, pois, mesmo sem o propósito de tirar a própria vida, teve a vida encurtada pela falta de cuidado com a saúde. O livro deixa perceber que ele era dado aos prazeres.

A partir disso, alguns acham que ele bebia muito, ou que fumava e bebia, ou que bebia e comia muito, ou que, além dessas coisas, era chegado ao meretrício. Talvez de tudo um pouco, pois tudo isso era plenamente aceitável para os padrões sociais da época.

Seja como for, ao longo da série é possível perceber que André Luiz era mais do que um simples homem do seu tempo, e se não demonstrou isso quando encarnado, sua vida deve ter sido frustrante.

Fica claro, pra mim, que André Luiz ficou oito anos no umbral principalmente pelo vazio em que transformou a sua passagem pela matéria, desperdiçando as oportunidades recebidas. Nascido num lar de classe média, tendo recebido boa educação e bons estudos, fez da sua vida uma vidinha comum, sem emoções ou sobressaltos, sem nada de realmente construtivo e útil.

A julgar pela sua inteligência e boa vontade demonstrados nas suas narrações, teria muito o que oferecer aos que conviveram com ele.

É isso o que a maioria de nós faz. Quase todos recebemos boas oportunidades. Mesmo as dificuldades enfrentadas são às vezes grandes vantagens, por nos proporcionar ver as coisas por ângulos diferentes, por forjar o nosso caráter e por nos proteger de facilidades que nos enfraqueceriam o aspecto moral.

E o que fazemos das oportunidades recebidas? O que oferecemos de nós mesmos aos outros? Mal cuidamos da família, às vezes nem da família, ou nem de nós mesmos… E temos as velhas desculpas da incompreensão, ou da pobreza, ou da falta de apoio, ou da falta de condições ideais.

Não é pra isso que reencarnamos. Não é pra nos arrastarmos cheios de queixumes e revoltas que recebemos a dádiva preciosa da reencarnação. Não é pra passar contando os dias para que o domingo chegue pra desmaiar em frente à televisão que nós ganhamos a oportunidade de um novo corpo físico.

Temos muito o que fazer, temos muito a oferecer, a contribuir, a dar de nós mesmos. E a aprender, e a ensinar, e a amar e perdoar. E compreender, e crescer e ajudar a crescer. É possível. Tudo isso é possível. E não é tão difícil quanto possa parecer a quem nunca tentou. Nascemos bebês, moles e frágeis, e um dia temos que tentar nos equilibrar sobre as pernas, e dar um passinho à frente do outro. É um grande desafio, que nós só conseguimos porque tentamos.

Não sei o que André Luiz fez ou deixou de fazer com o seu corpo. Eu acho, particularmente, que devemos ter o máximo cuidado com o corpo, que é o nosso veículo de manifestação na matéria. Mas tenho certeza de que se ele tivesse tido uma vida mais plena e construtiva e útil, sua passagem pelo umbral teria sido bem mais curta. 

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40 Comentários

  1. Jacir,não é o fato de o espírito estar na terra (no plano físico) que caracteriza a obsessão. As obsessões mais graves talvez sejam as do umbral para o plano físico, através da sintonia. Grande parte das obsessões são os chamados “encostos”, estes, sim, causadas pela proximidade de espíritos apegados à matéria, quase sempre nossos velhos conhecidos.

  2. Olá Morel. Eu tenho uma dúvida sobre os espíritos que vão para o umbral e os espíritos que ficam aqui na terra como obsessores. Como esses espíritos conseguem escapar do umbral e ficar atormentando entre os encarnados sendo que pelo que entendi o umbral e justamente para purgar as imperfeições e apego da matéria, ódio etc…? Me desculpe, mas não tenho conhecimento profundo e essa dúvida me intriga.

  3. Lucélia, é você que tem que se ajudar. Você tem consciência de que a vida continua. Assim, não adianta querer postergar o que deve ser feito, não adianta deixar as nossas decisões para depois – e também não adianta nada lamentar os erros cometidos e o tempo perdido. Se você não percebesse a continuidade da vida, seria mais difícil de entender. Mas você sabe que nós já existíamos antes, existimos agora e continuaremos existindo sempre. Isso com todos, absolutamente todos. Todos começaram “de baixo”, todos cometeram erros como nós. Mesmo os espíritos mais adiantados, mesmos as melhores pessoas de que temos notícia, todas elas cometeram erros terríveis. E um dia elas mudaram. Na vida de todos esses espíritos houve um momento de mudança. Não precisaram morrer para isso. Não precisaram de nenhum fato especial para isso. Apenas decidiram que precisavam mudar, que queriam mudar, que era necessário mudar, e que isso competia exclusivamente a eles. E então mudaram POR SEU PRÓPRIO ESFORÇO! Pois é assim que toda mudança acontece em nossas vidas: através do nosso esforço individual.
    É um erro nos apegarmos ao tempo desperdiçado. E também é um erro ficarmos apegados ao erro! Você pode ficar o resto da vida lamentando os erros que cometeu ou pode decidir-se firmemente a não cometer mais os mesmos erros e recomeçar – fazer o certo de agora em diante. Nunca é tarde. Se fosse tarde, não teríamos bons espíritos, boas pessoas, pois todas elas se decidiram a seguir o caminho de acertos depois de terem trilhado o caminho de erros.
    Busque ajuda espiritual. Frequente um centro espírita, procure ler, se esclarecer, manter a mente ocupada com boas ideias. E faça o que deve ser feito.

  4. Eu tenho a plena convicção de que eu falhei nessa vida. Falhei como filha, falhei como esposa, falhei como mãe. E o tempo todo surgem situações que me cobram essas falhas. Vivo hoje uma situação que não tenho coragem para tomar uma decisão e realizar mudanças. Eu já desisti de viver, e diversas vezes já orei pedindo que minha passagem por essa encarnação seja abreviada. Desde a adolescência eu penso em suicídio. Agora penso com mais frequência. Mas tenho medo porque sei que irei diretamente para o umbral. Me ajuda, por favor!

  5. Poliana, o seu medo não tem razão de ser. O que chamamos de umbral é consequência do nosso estado de espírito. Seja boa, dê o melhor de si e não se preocupe com isso. O seu medo é falta de esclarecimento. Procure estudar mais. O conceito de umbral surge a partir do livro Nosso Lar, de André Luiz. Nosso Lar é o primeiro livro da série A vida no mundo espiritual, composta de treze livros. Estude esta série e reveja seus conceitos.

  6. Tenho muito medo de morrer por conta do umbral e por não saber exatamente o que irei passar. Penso nisso todos os dias. Esses pensamentos têm me atrapalhado muito, pois vivo em pânico.
    O que deveria fazer para tentar me livrar desse medo?

  7. Tiago, o país, como o mudo, é formado por pessoas. Quem decide o que o que pensar, falar e fazer são as pessoas. Não é a crise econômica que vai torná-lo avarento; ou você é ou você não é. Não é a disponibilidade de pornografia que faz alguém procurá-la; são os seus instintos falando mais alto. Sempre haverá provas (em termos bíblicos chamaríamos de “tentações”). Nos fortalecemos justamente ao superarmos as provas. Você é pós-graduado. Certamente sabe uma série de coisas sobre a sua área. Você só sabe essas coisas porque essas coisas existem e estão ao seu alcance, à sua disposição. Você decidiu contatar com esse conhecimento e apreendê-lo. Para isso você submeteu-se a muitas provas na faculdade. É a mesma coisa. Superaremos (tratando dos exemplos citados por você) a avareza e o consumo de pornografia vencendo nossos impulsos. Mas para vencê-los é preciso que haja o objeto desses impulsos. A tendência para a avareza e para o consumo de pornografia estão dentro de nós, não são fatores externos. Para vencermos o que está dentro de nós precisamos superar esse “inimigo” materializado. Aliás, é pra isso que reencarnamos…

  8. Olá, Morel.

    Às vezes acho que é impossível escapar do Umbral. Temos muitas tentações, e às vezes nem nos damos conta. Como não pensar em ser avarento numa situação de crise econômica? Sei que não nasci no Brasil por acaso, amo meu país, mas as notícias de corrupção me causam raiva. Será que a tentação da cerveja, por exemplo, pode me jogar no Umbral? Mas é só ligar a TV e aparecerão propagandas e propagandas. E os milhões de jovens que acessam pornografia. Não estou me queixando, só estou sendo realista. Sou pós-graduado, me preparei pra vida, mas tenho a impressão que as coisas nesse país não andam. Tenho 30 anos e continuo na luta pra conseguir o suficiente. Bom, só queria desabafar e obrigado pelo site.

  9. Quando li nosso lar também fiquei pensando nisso, eu já tinha ouvido falar no umbral, pra mim só ia pra lá quem era ruim mesmo, quem matava, roubava, estuprava, se suicidava etc. Se uma pessoa tão boa quanto André Luiz foi pra lá, posso concluir que 90% das pessoas que conheço vão passar por lá e vão ficar mais tempo que ele ainda…

  10. Anônimo, André Luiz não era um espírito “inferior”, mas um espírito comum, como qualquer um de nós. André Luiz não se sobrerssaía nem pela prática do bem nem pela prática do mal; levou uma vida de acordo os princípios da sua época.
    André Luiz não se tornou um espírito elevado. Trazemos conosco todas as aquisições morais e intelectuais conquistadas. O espírito que animou André Luiz já era bastante adiantado intelectualmente e tinha as características necessárias para a tarefa que lhe foi incumbida, de propagar conhecimentos práticos das Leis de Deus e do astral obtidos através da observação. Seu espírito investigador permitiu a ele tornar-se uma espécie de repórter do astral. Conhecimentos ele já tinha; não os tinha desenvolvido de modo útil para a coletividade quando encarnado.
    Não houve salto nenhum. Todos temos condições de nos desenvolvermos muito mais do que costumamos nos desenvolver. André Luiz, depois de perceber que havia desperdiçado excelentes oportunidades em sua última existência, conscientizou-se e agiu. Só isso. Isso está ao nosso alcance, todos os dias.

  11. Uma curiosidade: Pelo que se lê sobre André Luiz ele foi em sua ultima existência um espírito inferior. Quando no astral em apenas 8 anos passou a se tornar um espirito considerado elevado ecom grandes conhecimentos. Se no astral era assim, no mundo da matéria tmbém o era. Evolução não dá saltos. Apesar disso não fez muitas coisa boas em sua ultima vida.
    Como fica?

  12. A renúncia e o egoísmo, já li quase toda a obra “Nosso lar” e em cada livro vejo que não só no mundo de 100, 200 anos atrás mas até hoje o ser humano não valoriza o que tem e não dá nada em troca, é sempre aquela velha dramatização do “eu”, as pessoas pensam que a vida é um castigo mas esquecem o valor de cada dia!!! Creio que estamos mudando e essa mudança vem aos poucos… estamos caminhando para a luz devagar pois o progresso humano é bem lento.

  13. André, conheço outro Andrés que ganharam seus nomes em homenagem a este espírito.
    Só existe um meio de melhorarmo a nós mesmos e nos tornarmos úteis ao próximo: o esclarecimento. Sem o esclarecimento não vamos a lugar algum. Neste site, na aba livros, há os livros de Allan Kardec e de André Luiz em PDF. Duvido que alguém os leia a todos e permaneça a mesma pessoa. É estudo para dois anos, mas tudo deve ter um começo. Pode parecer cansativo, para quem não está acostumado a estudar, mas não conquistamos nada sem esforço. Nada. O tempo passa depressa numa reencarnação, talvez você já tenha se dado conta disso. Comece a estudar. Participe de um grupo de estudos num centro espírita, lei Allan Kardec e André Luiz. Você irá compreender muitos pontos obscuros da sua vida, e vai ver o mundo e as pessoas com outros olhos.

  14. Olá Morel! Tenho 25 anos e sou novo na Doutrina. Apesar disso eu sempre tive algumas experiências com o mundo sobrenatural. Desde os 12 anos que vejo e ouço espíritos, porém eu procuro não dar importância porque sinto medo deles, se bem que de todas as vezes que eu vi todos fugiram com medo de serem vistos por mim, porém mesmo assim eu os via. O Fato é que eu fiquei impressionado com essa história do André Luiz que você contou aqui. De certa forma eu me identifiquei muito com a história dele. Eu também até hoje não fiz nada de construtivo nessa vida, não consigo conquistar as coisas, nem pessoas, nem bens, definitivamente nada, e às vezes eu penso que eu reencarnei à toa. Já pensei muitas vezes eu suicídio, mas sempre busco uma força lá dentro de mim e assim eu sempre consigo desistir. Mas não sei até que ponto eu irei aguentar, porque é uma vontade que passa mas volta no dia seguinte… Simplesmente pelo fato de que eu não consigo evoluir, não consigo conquistar nada, me sinto preso… E agora que li esse texto e me identifiquei com esse André, eu fiquei me perguntando aqui: Será que eu sou assim por causa do meu nome ser o mesmo desse espírito tão famoso na doutrina espírita? O engraçado é que minha mãe me deu esse nome justamente por causa do espiritismo, no qual ela sempre ouvia se falar no espírito do André Luiz.

    Eu gostaria que você me ajudasse, esclarecesse por favor essas dúvidas, e me aconselhasse da melhor maneira em como eu poderia mudar minha vida, não quero desistir de viver simplesmente por não ter dado certo nessa vida.

    Gosto muito dos seus textos, é de muita riqueza pro estudo da doutrina.

    Abraço Fraterno!

  15. Compreendo as suas palavras, Morel.
    Existem situações pelas quais temos de passar, para que possamos enriquecer interiormente e cada um de nós, tem lições específicas a serem apreendidas para o nosso desenvolvimento espiritual. Abraço!

  16. Não podemos enquadrar tudo em certo e errado, Ana. É bom que você sinta essa empatia em relação aos “menos favorecidos”. Mas todas as situações nos oferecem oportunidades de aprendizado. Eu passei por grandes dificuldades materiais na infância e sei que foi o melhor que podia ter-me acontecido. Foi a maneira de forjar o meu caráter para esta reencarnação.
    Devemos ser solidários, sim. Mas não podemos nos iludir pensando que a distribuição dos nossos bens resolveria problemas alheios. Podemos aliviar as suas dores, mas a superação da dor compete ao íntimo de cada um; faz parte do processo evolutivo.

  17. Fiquei ímpressionada com o testemunho de Raquel. Quanta coragem para passar por essa fase com o seu pai. É um exemplo da coragem e muita fé! Faz me refletir sobre os dias em que me dá vontade de reclamar sobre as provações no meu dia a dia. Não tem comparação. Vou me lembrar desse exemplo. Eu tenho o hábito de agradecer diariamente a Deus as bênçãos que recebo. A minha família, os meus filhos, a saúde, os amigos e até as minha finanças. Ás vezes, acho que tenho bens materiais a mais. Cresci no campo rodeada de animais e natureza e confesso, que trocaria grande parte do que possuo materialmente para ter uma casinha no campo e criar os meus filhos dessa forma (hoje vivo na cidade). Já disse ao meu marido, quando for velhinha, eu quero terminar os meus dias nesta existência, no campo, pois sinto tanta falta. Gosto muito de ajudar e dar ás pessoas mais necessitadas, os bens que já não me fazem falta ou que tenho a mais. Ainda há dias me revoltei quando fui deitar o lixo fora e abri o contentor e vi lá dentro roupas que já não queriam, isso me agoniou, pois uma vez, fui deitar o lixo lá fora de madrugada e encontrei uma mulher vasculhando roupas para os seus filhotes. Dei lhe uma palavra amiga pois ninguém merece passar por essa humilhação. Isso revolta me.Sonho fazer voluntariado, mas sei que neste momento tenho de cuidar dos meus filhos ainda pequenos. Meu marido sempre trabalhou muito, mesmo quando o conheci e foi crescendo profissional e materialmente, até ao ponto de me acusar de não ser ambiciosa. Quando meus filhos nasceram, ele refugiou se ainda mais no trabalho e foi elevando o seu status profissional. Hoje pode se dizer que vivemos numa classe acima da média, comparado com a situação no nosso pais, numa tarde, podemos gastar acima do ordenado mínimo nacional sem que nos afete financeiramente, e ás vezes sinto me culpada por isso. Também tivemos uma fase negra, em que meu marido começou a querer ter cada vez mais e eu ia aumentando o meu desejo por evoluir espiritualmente e acabou por se criar um ” abismo” entre nós, ao ponto de eu anunciar lhe que me queria separar, pois não chagávamos a acordo e eu não queria os meus filhos a viver num ambiente puramente materialista. Ele, apercebeu se de não queria ” perder a família” e acabou por mudar de ponto de vista. Ele continua trabalhando muito, mas hoje dá mais valor e passa mais tempo comigo e com os filhos (” o dinheiro não é tudo na vida”. Refere ele). Morel,por outro lado, ás vezes, sinto me culpada de ter tanto a nível material e fico achando que não mereço tanto comparado com outras pessoas mais desfavorecidas, isto vindo de mim, que sempre gostei de viver na simplicidade. É errado este sentimento?

  18. Nunca dei atenção a essas discussões, Rodrigo. Se tomamos partido acabamos nos convencendo, e como você disse, isso não acrescenta nada…

  19. Morel, me esclarece uma dúvida se puder, sei que nada tem de acrescentar sobre o assunto, é só por curiosidade minha, alguns espíritas dizem que o André quando encarnado foi Carlos Chagas, outros dizem que foi Faustino Esposel, você que tem conhecimento mais profundo do espiritismo sabe me dizer qual foi?

  20. Relatos assim servem de lição pra muita gente, Raquel. Agradeço muito as tuas colaborações sempre lúcidas e construtivas. Aprendo contigo. Obrigado!

  21. Morel, quando meu pai adoeceu gravemente eu morria de medo dele passar um tempo pelo umbral. Eu sabia que ele estava morrendo mas eu orava todos os dias pra que Deus permitisse um pouco mais de tempo aqui na Terra. Ele sobreviveu quase que por milagre a uma internação de 2 meses no CTI. Mas quando voltou pra casa, voltou traqueostomizado, paralisado, se alimentando por sonda. O som da sua voz não saía e ele não podia se mexer sequer pra mudar de posicão na cama. Sentá-lo numa cadeira era um suplício, pois suas pernas não se dobravam e o câncer dele é considerado um dos mais dolorosos. Meu pai sofreu muito, por longos 9 meses. Nesses 9 meses ele sentiu de tudo. Seu orgulho indo por água abaixo, seus preconceitos, inclusive com o espiritismo, que ele sempre criticou. Um senhor vinha toda semana lhe fazer orações e aplicar passes e meu pai sempre perguntava o que fazia um homem vir orar pra alguém que ele não conhecia? Meu pai percebeu muitas coisas, quem eram seus verdadeiros amigos, perdoou todos que lhe fizeram mal (tudo de coração), pediu perdão a todos que magoou. Chorou muito (meu pai nunca chorava) quando percebeu o tempo que perdeu com atitudes muitas vezes egoístas. Meu pai era muito ansioso, eu diria que ele devia até ter um grau de hiperatividade. Dormia pouco, fazia muitas coisas ao mesmo tempo. De repente, estava paralisado, preso em um corpo que o impedia de fazer qualquer coisa. Tudo que ele passou, foi em plena lucidez. Poucas vezes ele a perdeu. Nunca vi um ser humano sofrer tanto daquele jeito, mas compreendi que meu pedido estava sendo realizado. Ele precisava daquele sofrimento pra entender muitas coisas antes de desencarnar. Meu pai desencarnou outro homem. Mais humilde, mais grato, sem rancor de ninguém, sem culpa, sem medo. E eu acredito piamente que Deus permitiu que o tempo que ele passaria no Umbral fosse passado conosco que topamos enfrentar toda luta do seu lado. Era impressionante como todos os dias ele tinha uma nova lição. Uma nova oportunidade de repensar tudo o que fez. Parecia um “intensivão” de tudo que ele pôde aprender na vida e não quis. Tenho fé que ele foi em paz e seu espírito foi bem recebido. E aonde ele estiver já deve estar trabalhando e colaborando com a espiritualidade porque uma coisa que ele não sabia fazer era ficar parado. Além do mais, seu sofrimento foi uma lição para cada um de nós. Foi por ele que resolvi voltar a estudar algo na área médica. Foi graças a ele que percebi que sou muito mais forte do que imaginava.

  22. Como é fácil se acomodar nas pequenas facilidades, na mediocridade da rotina, nas relações superficiais e de aparência! Como é comum viver reclamando e murmurando pelos cantos sobre chances que não tivemos, sobre a vida que não temos, sobre a realidade que não é a nossa. E quanto tempo perdemos, quanto de vida deixamos passar, quanto de nós deixamos de desenvolver… Poxa! É pra botar a mão na consciência e depois por essa mesma mão NA MASSA. rsrsrs

    (Falo por mim e sobre mim, como você diz: falo olhando para o espelho).

  23. Cada um permanece, pelo menos no começo, no mesmo estado mental e de crença que tinha quando encarnado. Quem achava que iria pro céu ou pro inferno, ou que iria ficar num estado de adormecimento esperando o juízo, e se depara com a continuidade da vida, deve estranhar muito essa realidade, e as tentativas de comunicação devem assustá-la.

  24. Sabe, na igreja eu noto muitas pessoas desencarnadas que não conseguem partir, ficam ali em contemplação diária como se alguém as viesse buscar. Será que pra essas faltou o conhecimento da realidade espiritual? Elas não permitem comunicação, eu já tentei me comunicar, mas essas não respondem e até fojem quando me concentro para tentar a comunicação.

  25. Olá Morel, eu já escutei isso no centro espírita, mas infelizmente é verdade, porque a maioria de nós não consegue melhorar a si mesmo, quem dera aproveitar a reencarnação para fazer o bem ao semelhante. As pessoas reclamam muito e o que é pior, a maioria só consegue criticar. Eu tenho vivido experiências onde me sinto claramente testada, pois tenho que elevar meu “lado espiritual” e deixar de lado as pequenas coisas, tenho me esforçado muito, apesar de ainda ter muitas fraquezas, trata-se de uma batalha constante. Obrigada pela reflexão!

  26. É que o umbral é muito mais um estado de espírito do que um lugar delimitado. Sabemos que semelhante atrai semelhante. Pois os espíritos que cometeram erros semelhantes se reúnem, se agrupam, e juntos esgotam, aos poucos, os resíduos mentais que não têm utilidade para a vida superior. Mas não; não podemos generalizar e afirmar que todos os espíritos vão para o umbral. Quando disse que “nós” vamos, é porque imagino que, por conta do nosso esclarecimento, não ficaremos no plano físico, e para termos acesso às colônias espirituais, teremos, certamente, que “purgar” algumas impurezas antes.

  27. Adoro seus textos sempre muito bem explicativos e de fácil compreensão… sei também que não adianta apenas ler, mas compreender e exercitar. É dificil mas não impossível. Vou surrupiar partes deles e compartilhar. Posso? Obrigada.

  28. Rodrigo, tecnicamente o umbral é o meio de nos despojarmos da impurezas da matéria. Sendo assim, todos nós daremos uma passadinha por lá…

  29. Mas será que se André Luiz tivesse tido uma vida mais construtiva ele teria mesmo assim passado pelo umbral? Tenha um bom dia e muita paz.

  30. Bom dia a todos.
    Morel, qualquer coisa que eu escrever será redundante, de minha parte. Acho que a frase abaixo, colocada por você, é perfeita:
    “Mesmo as dificuldades enfrentadas são às vezes grandes vantagens, por nos proporcionar ver as coisas por ângulos diferentes, por forjar o nosso caráter e por nos proteger de facilidades que nos enfraqueceriam o aspecto moral.”
    Paz a todos!!!

  31. Olá! É a primeira vez que comento, mas acompanho há algum tempo o seu site. Gostaria de saber se o seu e-mail de contato é esse mesmo que está ao lado e se você responde os e-mails.
    Obrigada!

  32. Falta vontade de mudar, deixar o homem velho para internalizar o homem novo, gostamos de como estamos, mudar dá trabalho, requer renúncia de nossa parte e não estamos com boa vontade para isso. Pode ser medo também, não conseguimos ver ou aceitar que se queremos realmente algo melhor, sair do umbral, temos trabalho pela frente; reforma íntima é um bom começo, me vejo em tudo que eu escrevi, mais uma vez pensando no texto que você escreveu, Felipe. Ultimamente tenho feito muitas reflexões. Muito obrigada!

  33. É que quanto mais sabemos, mais nos damos conta de que sabemos pouco. As dificuldades, que todos têm, são oportunidades de aprendizado. Se as superarmos com coragem e prestarmos atenção ao que elas nos têm a ensinar, não precisaremos repeti-las.

  34. Sempre muito esclarecedor seu site, tenho ainda muito e muito o que aprender, mas parece que quanto mais eu preciso mais é difícil. Sei que preciso de muita paciência porque as dificuldades às vezes desanimam. Obrigado.

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