Comportamento, Pensamento e disciplina

O medo é o seu pior inimigo

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Artigo publicado originalmente em 19/11/2012

Você sabe que o medo é o seu pior inimigo, não sabe? É aquele que boicota as suas melhores intenções, aquele que atrapalha todos os seus passos, aquele que faz a sua jornada parecer difícil, aquele que faz você mentir pra si mesmo. Aquele que lhe faz passar vergonha, e lhe segura os pés, e lhe puxa para trás quando você teima em avançar. Não estou me referindo aos seus piores defeitos. Esses são o orgulho e o egoísmo, sempre. Falo do seu inimigo, que talvez lhe persiga há muitas reencarnações. O medo! O podre, covarde e horripilante medo!

O medo pode perseguir suas vítimas por muitos séculos. Vida após vida, encarnado ou desencarnado, o medo pode persegui-lo sem piedade. Tem aquela velha história de que o medo tem sua utilidade, que ele nos acompanha desde a pré-história, quando tínhamos que fugir das feras etc.  Conversa pra boi dormir.

Não estou negando a existência e conveniência dos instintos. Mas o medo já não é só instinto, é sentimento de inferioridade, é falta de confiança em si mesmo, é sensação de impotência perante a vida, as pessoas, o mundo, os fatos.

Quem sente medo se vê incapaz de realizar seus sonhos. Não confia em sua capacidade. Se acredita que é capaz, não confia em sua sorte.

vulto na escuridão
O medo é o seu pior inimigo

Quem é vítima do medo não desenvolve seus talentos, pois acha que não nasceu pra isso, que não tem as condições necessárias pra isso. A pessoa que sente medo nunca se expressa com perfeição, nunca tem coragem de se mostrar verdadeiramente como é, mesmo que seja uma ótima pessoa e tenha consciência disso. A pessoa perseguida pelo medo pode ser mais inteligente, mais bondosa, mais talentosa, mais forte, mais saudável e mais capaz que uma outra, mas essa outra está sempre à sua frente, pois não sente medo.

Não há pior inimigo. O medo é um padrão de pensamentos defeituoso. O medo deturpa a realidade. Toda informação que chega à mente de quem tem medo é distorcida pelo medo. Toda nova resolução, tudo o que a pessoa se propõe a fazer pra mudar a sua vida, é freado pelo medo. Nada deslancha. Nada anda. A vida passa, as oportunidades vão sendo desperdiçadas uma a uma, a confiança em si mesmo vai ficando cada vez menor, até que o conformismo tome conta. Então é um festival de mentiras pra si mesmo, mecanismos de defesa para disfarçar a própria incapacidade de lidar com a vida.

Mas o mal causado pelo medo não para por aí. O medo é contagiante, e muitas vezes hereditário. Quem é criado por pessoas medrosas sofre sua influência nefasta, e muito provavelmente vai acreditar que tudo é difícil, que tudo é uma porcaria que nunca dá certo. Quem convive cotidianamente com pessoas assoladas pelo medo tem que ser muito forte e seguro de si pra não se deixar contaminar.

Como se livrar do medo? Fácil! Não pense nele! Achou muito difícil? Sinto muito por desapontá-lo, mas se nem Jesus não evitou o medo de Pedro, que poderei fazer eu, pobre pecador que sou? Um dia, quando estavam pescando, Pedro viu Jesus caminhando sobre as águas e quis fazer o mesmo. Entusiasmado, conseguiu andar um pouco. Mas logo duvidou, teve medo, e começou a afundar…

Mas o medo é pensamento, só isso. E o rumo de seus pensamentos pode e deve ser controlado por você. O medo não é vencido de um dia para o outro. Um inimigo que pode estar no encalço de sua vítima há séculos não pode simplesmente ser mandado embora. É preciso tempo e perseverança. E ação. O método mais eficaz de se combater o medo é justamente fazer aquilo que dá medo. Depois de algumas tentativas nesse sentido, as novas experiências vão substituindo as velhas imagens do medo. Forme novos padrões de pensamento vitoriosos e mantenha-os em sua mente.

E não esqueça nunca que você é manifestação de Deus. Você é uma partícula divina com capacidade infinita. Permita que o seu melhor apareça, se mostre, se desenvolva. Seja mais racional e perceba que medo é burrice. Talvez você não se importe de ser considerado medroso, mas não aceitaria ser considerado burro. Não dê chance ao pensamento de medo. Não dê importância a ele. Você já deve ter provas suficientes de que as coisas que você teme são irreais, são ilusões, são doenças da imaginação. Seja inteligente para perceber e determinado para combater. 

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29 Comentários

  1. Boa tarde Morel

    Estou lendo e relendo seus artigos, são muito bons! Parabéns!!
    Eu tenho medo de prova acredita,? Vestibular! já prestei outras vezes e fui para segunda fase ,mas o medo e pensamentos negativos me afastaram do meu objetivo. Vou tentar novamente e fica aquele pensamento, vale a pena tentar de novo? e se não der ,vai doer muito não passar! Acredito que isso tudo é autosabotagem,mas não sei lidar com esses pensamentos de insegurança. Não pensar? como assim?rsrs
    Parabens pelo trabalho, super beijo
    Denise

  2. Ontem em nosso grupo mediúnico debatemos a questão do processo obsessivo que culmina nos processos morais do espirito encarnado, e curiosamente falamos sobre o medo… Kardec diz que o medo é uma deficiência moral, mas algumas colegas acha que não. Eu particularmente concordo com Kardec e com essa palestra… vou partilhar com o grupo. Abraço fraterno…

  3. Gostei muito do texto sobre o medo. Perfeito. O medo atrapalha muito as nossas vidas. Precisamos enfrentá-lo e manter nossa mente firme e positiva. Este é o meu desafio. Obrigada.

  4. O caro articulista tratou o medo como uma aberração emocional definitivamente nefanda. Não vejo dessa forma. Acho que está havendo confusão entre os conceitos medo e covardia. O medo é nosso grande aliado. Ai de nós não fosse sua característica de ponderação! Não há como sobreviver sem as doses oportunas de medo.

  5. Olá, por causa do medo, deixei o melhor da vida passar, hoje com meus 32 anos de idade penso no passado, as oportunidades que deixei de viver. Aos 18 anos procurei ajuda profissional. Fui diagnosticado com excesso de timidez, fobia social. Há 12 anos faço uso de medicamentos psicoterápicos, sim, hoje em dia estou mais equilibrado, não tenho aqueles sintomas que me deixavam mal, porém existe o medo comum que todos têm em seus corações, quero vencê-lo, quero ser como Cristo.

  6. Cida, acho que seria o caso de psicoterapia… Falar em público é um problema para três em cada quatro pessoas. Há vídeos no Youtube, há muito material na internet que se propõe a ajudar neste sentido. Existem até cursos para isso. O medo tem que ser vencido fazendo aquilo que dá medo. Não há outro jeito…

  7. Tenho dois grandes medos. Um, na verdade, é pavor e chega a ser ridículo, porque não posso ver (pasme) lagartas, quase desencarno só de ver de longe. O outro é falar em um grupo de pessoas (que nem é grande) como nos encontros para estudo do Evangelho e Livro dos Espíritos do Centro Espírita que frequento. Às vezes, comentários que me vêm à mente, e sinto que nem são meus, não consigo expor, simplesmente “empaco”. Não sei mais o que fazer…

  8. Sabe, Morel, eu faço Teatro e gosto do que faço, não vejo outra coisa na vida que me dê mais alegria do que fazer teatro. Não pretendo ser famoso, uma celebridade, mas quero ser realizado no teatro como qualquer outro profissional. Mas nós sabemos que uma vida de artista não é fácil em um mundo movido pelo capitalismo, pelo ter, pelo “meu”. Enfim, às vezes penso em ser, digamos, normal (risos). Mas sempre quando penso em fazer outra profissão, minha consciência sempre me diz que é o medo do futuro que tenho. Eu tenho muita dúvida ainda de qual carreira seguir, e sei que essa dúvida é movida pelo medo. Mas se o dinheiro não existisse eu continuaria no teatro. Abraço!

  9. O medo é paralisante, nada no mundo me dá mais medo do que dirigir. Eu me sinto tão estúpida porque eu sei que isso só está dentro da minha cabeça, eu já fiz terapia, leio muito, oro, peço muito a Deus que me ajude a superar isso. Não é impossível, eu sei, mas também não é fácil. Quem dera existisse uma pílula pra combater o medo!

  10. Garutti, concordo inteiramente com o que você quer dizer. Como afirmei no texto, não nego a utilidade do medo instintivo. O problema é quando o medo deixa de ser instinto para se tornar um sentimento. O exemplo da tomada aconteceu com meu filho Santiago, hoje com dezesseis anos, quando ele tinha um ano. Costumo usar esse episódio como exemplo de aprendizado através da experiência própria. Eu o alertei várias vezes de que não deveria mexer na tomada, porque dava choque. Como pai imprudente, não me dei conta de que ele nem sequer imaginava o que seria choque. Quando ele colocou o dedo na tomada, fez cara de choro e disse: “Eu levei choque!” Ele aprendeu. Mas não acho que sua reação em relação à tomada, dali em diante, fosse de medo. O medo provoca reações físicas inconfundíveis, como tremores e aceleração dos batimentos cardíacos. Não é o caso de quem evita algo que sabe ser prejudicial através da experiência. Mas sei que a ausência de medo, em muitas pessoas, as levaria a cometer crimes, por exemplo. Só que este é o medo racional, como o medo de ser preso, por exemplo. Mas sei o que você quer dizer; o assunto é complexo e longo… Um abraço e obrigado pela participação.

  11. Prezado Felipe

    Boa noite.

    Li seu artigo e como sempre muito bem escrito e bem fundamentado. Porém, nesse caso, gostaria de fazer uma ponderação, se assim posso dizer, ao que foi explanado.
    Não objetivo criar polêmica. Não quero aqui colocar em dúvida tudo o que escreveu, porém gostaria de tomar partido do medo.
    Quando comenta que o medo tem seus benefícios e posteriormente rechaça essa possibilidade é exatamente nesse ponto que suscito ponderação e questiono.
    O que seria de uma criança que se não tivesse passado pela experiência de ter tomado um choque elétrico em alguma tomada se ela não tivesse o medo de colocar seu dedo lá novamente?
    Esse é um exemplo bem simples. O medo a protege de um mal maior. Assim como temos medo de colocar a mão sobre o fogo, pois sabemos que se fizermos isso, a experiência não será nada agradável. Porém concordo com você no restante do texto onde, acredito eu, utilizou-se de recursos da linguagem para poder demonstrar quando o medo pode ser danoso ao ser humano.
    Acredito também que ele é extremamente danoso, como expressado em seu texto, porém, se o medo for um medo natural, acredito que possamos dizer dessa maneira, ele é saudável, pois protege.
    No entanto, se o medo romper a barreira da naturalidade ele causa mais prejuízo a todos nós, levando-nos a uma síndrome do pânico, como por exemplo.
    Concluindo então, concordo com você nas suas colocações, porém, permita-me a não deixá-lo abandonar ou desprezar a função protetora que ele, o medo, exerce sobre nós.
    Um abraço

  12. Obrigado pela contribuição, Mariana. Muito enriquecedora. Gostei do modo como você expôs a questão:”Não existe luta, existe esclarecimento, só podemos lidar com aquilo que conhecemos bem, e quando o conhecemos bem, ele perde força dentro de nós e assim vamos nos libertando aos poucos.” Está perfeito!

  13. É incrível como ele consegue controlar nossas vidas, mas com certeza reconhecê-lo já é o primeiro passo para lidar com ele, penso que o medo não é algo para ser evitado ou esquecido (fingir que não existe), é justamente ter esse reconhecimento de que ele está presente e que deve ser observado e questionado, diferente de “alimentado”. Esse medo que nos acompanha há séculos, muitas vezes nos engana, ele é realmente “o podre, covarde e horripilante medo!”, muitas vezes pensamos tê-lo reconhecido, tê-lo “domado”, mas ele é mais esperto do que imaginamos, e aparece fantasiado de uma forma diferente, ou chegando pelo outro lado de fininho e quando vemos já caímos em sua armadilha novamente. Por isso é que é tão importante nos tornarmos observadores de nós mesmos, só assim desmascaramos ele. Não existe luta, existe esclarecimento, só podemos lidar com aquilo que conhecemos bem, e quando o conhecemos bem, ele perde força dentro de nós e assim vamos nos libertando aos poucos.

  14. Elza, é assim comigo também. Quanto mais se sabe, quanto mais se analisa a si mesmo, mais se apanha. Por que passamos a perceber coisas em nós que antes não percebíamos. Chega um ponto em que não temos mais nada e ninguém a quem culpar. Só restamos nós mesmos. E aí temos que assumir e tentar corrigir todos os nossos erros e falhas, que se tornam tão visíveis. É muito bom saber que você me acompanha sempre, Elza. Um abraço em você.

  15. Mesmo quando não comento, saiba que nunca deixo de ler as suas postagens… Tenho aprendido muito com você e por conta disso, “apanhado” bastante também!
    Obrigada pelas ocasionais “surras”, meu amigo e irmão, elas colaboram muito com o meu crescimento rumo às estrelas.
    Abraço.

  16. Claudio, entendo o que você quer dizer e concordo em parte com seu ponto de vista. Mas essa vida atirada, como você diz, é fácil. Ser irresponsável, desocupado, usar drogas, abusar do sexo, tudo isso é fácil. Sinceramente, nada disso me parece digno de medo. O verdadeiro desafio é vencer a si mesmo, transpor nossas próprias inseguranças. Isso é que dá medo. Obrigado, Claudio!

  17. O medo pode ser encarado como uma falha, mas é necessário para que as pessoas não sejam tão atiradas, conheço gente que por ser muito “atirada” topando tudo, teve uma adolescência desregrada, experimentou de tudo um pouco e hoje, são adultos sem realização na vida, sem formação profissional, sem emprego fixo, sem grandes perspectivas na vida.

  18. Renata, esses momentos de força e garra são os momentos em que você mais precisa de força. Nos momentos mais críticos, em que realmente precisamos nos superar, vencemos o medo. E nessas horas nada parece tão assustador. Nossa força interior é infinita, e isso não é maneira de dizer, é a mais pura verdade. Depende unicamente de nós, de nosso próprio esforço, utilizar essa força que vem de Deus. Um abraço em você também!

  19. Amigo e irmão Morel Felipe, gostei muito, muito mesmo, me ajudou e orientou em relação ao medo que sinto desde criança; um medo intercalado com momentos de força, garra e força para lutar. De agora em diante reconheço que esse medo deturpa a minha visão de realidade. Vou enfrentar. Grande abraço fraterno!

  20. Simone, eu agradeço pela sugestão e acho o tema muito interessante. Teria muito prazer em atender a sua sugestão se eu tivesse conhecimentos mais aprofundados sobre o assunto e se o assunto não fosse tão específico. Não posso me permitir a falar sobre temas que desconheço ou que conheço apenas superficialmente. De qualquer forma, obrigado.

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