O ódio se tranforma em amor | Espírito Imortal

O ódio se tranforma em amor

O ódio se transforma em amor

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Você já ouviu falar que o amor pode se transformar em ódio? Também já deve ter ouvido aquela definição que diz que o ódio é o amor que ficou doente. Esses dois sentimentos realmente são muito próximos. Mas, diferente do que se costuma pensar, não são opostos; não são o contrário um do outro. E o ódio também se transforma em amor.

Acho que o contrário do amor é a indiferença. Qual é o contrário de luz? Treva, escuridão. E o que é a escuridão? Não é a ausência da luz? Pois a indiferença é a ausência do amor. Ninguém odeia algo ou alguém que não lhe seja importante. O amor e o ódio são duas faces de uma mesma moeda.

Você já teve ódio de alguém? Não se envergonhe; somos todos humanos. Se já teve, aposto que foi de alguém muito próximo, alguém a quem provavelmente amou. O abandono por parte dos pais, a traição do marido ou da esposa, o desrespeito e menosprezo por parte de um filho, são essas atitudes vindas de pessoas normalmente amadas as que promovem ódios renitentes.

Isso também acontece em relação a coisas, não só a pessoas. Se nos roubam, nos privam, nos tiram algo que valorizamos muito, o ódio também é despertado: Nosso dinheiro, nosso cargo no trabalho, até o título do time para o qual torcemos.

O espírito imortal experimenta, em sucessivas reencarnações, as mais variadas nuances de amor e ódio, muitas vezes envolvendo os mesmos seres. A cada nova reencarnação, temos a oportunidade de nos reajustarmos com antigos desafetos, temos a chance de transformar ódios milenares em amor. E um dia isso acontece. Só o amor não acaba nunca.

Há casos (muito mais do que se costuma imaginar) de espíritos que se digladiam milênios afora, se revezando nas posições de vítima e algoz. Até que, ajudados pela proximidade imposta pelas circunstâncias, geralmente sob o mesmo teto, aprendem a se amar, aprendem a valorizar os aspectos positivos um do outro.

Você pode observar que os sentimentos mais pesados que você experimenta são dirigidos a pessoas muito próximas, que você ama ou gostaria de amar. São relações que vivem imersas no ódio há muito tempo, e estão em fase de transformação. Tudo tende para o amor, e ele está em todas as coisas, mesmo que seja em estado vegetativo. O amor pode estar sufocado no meio do rancor, da mágoa, da sede de vingança. Mas mesmo assim o amor existe. Permanece, latente, à espera da ocasião mais propícia para se desenvolver plenamente, superando obstáculos a curando feridas do passado.

Pode parecer estranho, mas talvez o ódio seja necessário para o conhecimento pleno do amor, para a real valorização do amor. Se não sentíssemos a tortura da fome, por certo nos descuidaríamos do cuidado em abastecer nosso corpo com a energia necessária para que realize as atividades que a vida requer. O ódio não passa de uma fome desesperada de amor. Uma tentativa enlouquecida de suprir a fome de amor que todos nós sentimos, querendo ou não.

Uma coisa é certa; é só observar para constatar por si mesmo: Desde que surge um vínculo entre duas pessoas, este vínculo jamais será quebrado. Se o que ficar for a indiferença, não havia vínculo. Ele pode se desenvolver como amor desde o começo, evoluindo aos poucos. Ou pode degenerar em ódio. Este ódio tem o poder (e a função) de manter o vínculo entre estas pessoas. E num processo mais ou menos longo, atravessando às vezes muitas reencarnações, este ódio vai se depurando e se desgastando até que se transforme em amor, o sentimento eterno, a força que move o mundo.

Os artigos escritos por mim expressam a minha opinião. Baseiam-se nos conhecimentos do Espiritismo, no Evangelho de Jesus e em meus próprios conhecimentos e experiências. Não aceite minha opinião sem se questionar. Reflita. Comente. Compartilhe.

14 comentários para O ódio se tranforma em amor

  1. Roberta A. T. Nunes disse:

    Obrigada, Morel. É que eu pensei que eu deveria estar nessa encarnação para resolver isso. Mas fico aliviada da sua resposta, de não criar expectativas. Me liberta um pouco de sentir que pode ser parte culpa minha… obrigada…

  2. Roberta, é importante compreender o quanto pessoas assim são infelizes, dignas de nossa compaixão. É bom que você perceba que esse sentimento de sua irmã não é direcionado exclusivamente para você. Você é o seu alvo preferido apenas por ser o parâmetro mais próximo. Provavelmente ela queria ser como você, mas não tem ideia, ainda, de como fazer isso. É uma longa caminhada da revolta até o sofrimento que leva à necessidade de mudança, regeneração.
    Não se deixe atingir, não crie expectativas, não se culpe. É um período de amadurecimento espiritual para ela, que pode durar toda essa existência. A sua parte é desenvolver a compreensão, a empatia, e tentar amar, não desistir.
    Fique bem.

  3. Roberta A. T. Nunes disse:

    Olá! Eu venho procurando pela internet sobre esse assunto, e gostei muito do que escreveu. Meu problema é que minha irmã me odeia. Ela tenta me subjugar a todo momento, me menospreza, me maltrata. Não só comigo, com todos à sua volta, mas comigo é mais. Notadamente tem ciúme de mim e tenta me subjugar para se sentir melhor. Eu já tentei de tudo… conversar, ser amiga, escrevia para ela e-mails enormes para tentar proximidade quando eu morava fora e ela não me respondia ou respondia somente OK… Hoje estou por um período de volta à casa de meus pais, e vejo o quão forte isso está. Já tentei ser amável, e nada. Não posso discordar de qualquer coisa, mesmo boba do cotidiano que ela explode me xingando de coisas fortes e mentirosas, até minha mãe a recrimina por dizer isso e não adianta… Hoje eu acabo ignorando o que ela diz, para não brigar, mas tem sido muito difícil e cansativo… o que eu devo fazer, me resignar na presença dela, ignorar como já faço? Vejo um futuro em que nos veremos pouco quando casarmos porque parece que realmente o inimigo reencarnou como irmã. Eu queria mudar isso, mas já tentei muito e não consigo. Isso é culpa minha? É falha minha não conseguir despertar amor no seu coração? Ou é só um exercício de paciência que devo passar? (não só eu sofro com isso, mas vejo que sou a principal que ela ataca e sente raiva…) Gostaria de ouvir uma palavra amiga, pois não encontro na net nos sites espíritas nada igual a isso, só que famílias-problema são degraus para o aperfeiçoamento.
    Obrigada.

  4. Rodrigo Pnt disse:

    O ódio é o amor ignorante, descobri que nossos piores defeitos na verdade são nossos pontos mais fortes. Se pudermos reverter a energia má em nós para fazer o bem, transformaremos nossos piores defeitos nas maiores qualidades. Tudo tem um porquê, não há alegria sem se ter conhecido a tristeza, paz sem ter conhecido a guerra, escuridão sem a claridade. Veja que na bíblia Deus fez a luz para dar destaque às trevas, pois sem a luz as trevas jamais seriam percebidas, todas as coisas são importantes já que sem o mal não saberíamos o que é o bem, tudo está em constante mudança e até mesmo o ódio que um dia transformar-se-á em amor.

  5. Morel Felipe Wilkon disse:

    Anne, você diz que sabe que este sentimento só lhe faz mal e não levará a nada. Este sentimento leva à doença, à vingança, à fraqueza, e impede o ressurgimento da força de viver. Esta pessoa não destruiu a sua vida. Ninguém pode destruir a sua vida. Só você tem poder sobre a sua vida, e tudo o que você sente a respeito disso é seu, são sentimentos seus, são interpretações suas. Todos passamos por momentos de maior dificuldade, e nessas horas não é tão fácil raciocinar direito. Mas é possível manter sempre, e cada vez mais, a fé e a confiança em Deus. Se a vida que você tinha foi abalada, inicie uma nova vida. É você quem decide isso. Quanto maior o problema, maior é o potencial de aprendizado que temos. Aproveite essa oportunidade de destruição na sua vida para o renascimento. Comece de novo, mas comece diferente, mais forte e livre.

  6. anne disse:

    Li o texto acima e com lágrimas escrevo o que sinto. Oro e peço a Deus que me ajude a tirar de dentro a mágoa, o rancor, a dor, o ódio que sinto por uma pessoa. Sei que este sentimento só me faz mal, que não me levará a nada. Sou conhecedora da doutrina e sei que somente o perdão me livrará, mas como perdoar se esta pessoa destruiu a minha vida?

  7. Morel Felipe Wilkon disse:

    Miguela, olhe para cima neste momento. Olhe para cima, pense em Deus, peça perdão a Deus pelos seus pensamentos de derrota. Mude isso imediatamente. Você não tem esse direito. Ninguém tem!
    Não importa o que aconteça. A Vida é uma dádiva de Deus e devemos aproveitá-la para aprender e para ensinar. Aprenda com os problemas que você vive. Ensine aos seus filhos a amar. Você os ama, suporta a situação que está vivendo, principalmente, por causa deles. Então seja exemplo.
    Não sei o que a sua mãe fez ou faz. Não importa. Você, como conhecedora do Espiritismo, sabe que essas diferenças familiares têm origem em outras reencarnações. Talvez você tenha feito coisas muito piores a ela. Mas isso também não importa.
    O que importa, neste momento, é você mudar o seu padrão de pensamentos. Pense em Deus, tenha esperanças, você sabe que tudo na vida passa, isso também vai passar. Seja prática: Se o seu convívio com a sua mãe é assim tão difícil, estude a possibilidade de se mudar, de começar noutro lugar, mesmo que seja em condições desfavoráveis. Não sei da sua situação, mas vale mais a pena morar mais longe, em condições mais precárias, pagando aluguel, do que viver sentindo ódio.
    O ódio adoece. Você precisa perdoar a sua mãe, não importa o que ela tenha feito. Só o perdão liberta. Para que as coisas melhorem pra você, para que as coisas voltem a dar certo na sua vida, é preciso que você perdoe a sua mãe. Mas sei que na proximidade dela isso não é tão fácil. Faça de tudo pra sair de perto dela. E perdoe. Ore muito. Nós encontramos forças dentro de nós quando oramos. Não esqueça que estamos nesta vida para aprender, e tudo passa rapidamente. Tenha esperança.
    Não espere gratidão, não espere compreensão, não espere nada da sua mãe. Apenas perdoe, tente se afastar dela e recomece a sua vida. Ore mais, procure um centro espírita para tomar passes e recobrar as energias.

  8. Miguela disse:

    Amava minha mãe e muito, desde criancinha ela sempre me tratou mal. Sempre relevei, tinha pena, mas ela fez coisas do arco da velha, só uma inimiga feroz faria a coisas que ela fez, ela conseguiu matar esse amor que eu tinha por ela. Hoje tenho mais de 40 anos. Agora o que me desespera é esse ódio que é recíproco que aumenta mais e mais, sinto que sou capaz de removê-la da face da Terra. Me ajudem, sou conhecedora da doutrina espírita, mas cada dia que passa esse ódio aumenta, estou muito revoltada, às vezes tenho vontade de me matar, mas significa abandonar meus filhos que tanto amo. Já pensei até em levá-los comigo, mas eles não merecem isso. Mas cada dia que passa estou mais aprisionada pela minha mãe, eu não consigo me libertar do jugo dela, anos atrás compramos uma casa juntas, hoje ela já me mandou embora por diversas vezes mas não tenho para onde ir. Tudo o que tinha apliquei aqui, é muita ingratidão, não suporto mais.

  9. Morel Felipe Wilkon disse:

    Muita paz pra você também, Márcia. Obrigado pela participação.

  10. Márcia disse:

    Confesso que nunca tinha pensado nessa cumplicidade entre sentimentos tão distintos. Ambos são intesos e claro todos em algum momento os sentiram. Ódios avassaladores, consequência de uma traição, por uma calúnia ou por uma atitude que nos feriu profundamente. Amor, um sentimento sem palavras a altura de sua definição, a extensão do mesmo se perde em analogias, o vemos executando feitos maravilhosos…Fiquei pensando na distância que os separa. Os argumentos me escapam amigo Morel, pois refletir sobre sentimentos tão marcantes na condição humana, componentes definitivos na história de cada um, nos remete a profundas reflexões… valioso texto Morel e muito me troxe de reflexão…muita paz a você…

  11. Morel Felipe Wilkon disse:

    É assim mesmo, Miracy. Os maiores prejudicados por nossa raiva somos nós mesmos. Obrigado pelo depoimento.

  12. Miracy Leite dos Santos disse:

    Gostei muito dessa pagina Espírito Imortal, os temas em discussão estão otimos, volto depois pra comentar mais, adorei…!

  13. Miracy Leite dos Santos disse:

    Já faz uns seis anos, que senti raiva, ódio de uma pessoa, que sempre havia desentendimento entre nós, e a pessoa era indiferente com as minhas ofensas, até que essa pessoa me disse: esse ódio, essa raiva que você está sentindo de mim, não está me dizendo nada, não está me afetando em nada, pelo contrário está fazendo mal a você mesma, nessa hora fiquei com mais ódio ainda, mais daí passei a refletir e tomar mais cuidado, e comecei a me controlar, pois percebi que a única prejudicada era eu mesma.

  14. Fátima Soares disse:

    Fiquei indiferente com uma certa pessoa, por estar recebendo indiferença, em um certo período de minha vida. Lembrei-me, tive sim, em uma outra ocasião, Senti ódio de pessoas, que cheguei a ficar doente. Fiz tratamento e resolvi aceitar os pontos de vista dessas pessoas que não aceitavam-me. Ao descobrir fiquei indignada. Aproximei-me, através dos meios de comunicação, celular, mas eles não nos dão retorno. Só há comunicação quando eu busco. Elas moram em outro estado. Posso dizer que fiquei doente e não vale a pena. Conclui que: não vale a pena, é um sentimento forte e ruim.

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