Mídia e sociedade

Protestos contra médicos cubanos – um olhar espírita

vergonha dos outros

Morel Felipe Wilkon

Minha opinião sobre os protestos contra os médicos cubanos no Brasil. Não é a opinião do Espiritismo. É a opinião de um espírita.

Não me ocorre, neste momento, situação mais vergonhosa e terrivelmente ridícula do que a hostilização contra os médicos cubanos por parte de algumas dezenas de criaturas infelizes. Não me lembro de ter visto nada igual na minha vida. Serão médicos, essas criaturas infelizes que vaiaram os médicos cubanos? Serão médicos, esses que fizeram os médicos cubanos passar por um corredor polonês? Serão médicos, esses que gritavam palavras agressivas e chamavam-nos de escravos?

Será que tudo tem que ser pensado de forma maniqueísta? Será que tudo deve ser classificado peremptoriamente como certo ou errado, céu ou inferno? O que é mais importante, a ideologia ou o respeito ao ser humano? O que é mais necessário, a defesa de supostos direitos de classe ou a defesa do direito à dignidade? O que é mais urgente, definir a querela política ou demonstrar civilidade a pessoas que são pessoas como nós?

médico cubano sendo agredido
Atitudes grotescas contra os médicos cubanos

Ao me deparar com cenas imbecis como essas penso no que se passa na cabeça dessas pessoas. O que eles pensam antes de dormir, em que mundo pensam que vivem, o que imaginam estar fazendo neste planeta? Será que já passou por suas cabeças que todos somos espíritos e que estamos passando por uma experiência na matéria, tendo uma chance de sermos úteis e produtivos? Será que essas pessoas percebem que somos iguais, que nossos objetivos espirituais são os mesmos, e que as posições que ocupamos no mundo são apenas oportunidades de construirmos nossas trajetórias evolutivas?

Não sei se este fato gerou repercussão, acho que não. Não acompanho a grande mídia; tomei conhecimento através das redes sociais. Procurei nos grandes sites de notícias hoje e não achei nada…

Talvez não seja importante um ato de desrespeito com pessoas que não têm nada a ver com politicagem e corporativismo. Porque é isso que gera vexames execráveis como esse: Paixão política cega e desenfreada ou corporativismo elitista e hipócrita – ou seria Hipócrates?

Como não acompanho o noticiário, não sou “bem-informado”. Não sei de todos os detalhes pró e contra a vinda de médicos cubanos ao Brasil. Não é sobre isso que estou falando. Estou falando do desrespeito com os seres humanos que vieram para um país com fama de hospitaleiro e se depararam com uma situação degradante. Eu falei degradante? Então eu estou julgando? Antes que me acusem de estar fazendo julgamento, aproveito para lembrar  o ensinamento de Jesus: 

Não julgueis, pois, para não serdes julgados; porque com o juízo que julgardes os outros, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, vos medirão também a vós.” (Mateus, 7:1-2).

Eu me submeto a ser julgado como estou julgando. Se um dia eu cometer uma sandice preconceituosa como essa, quero ser julgado com todo o rigor.

Já que estamos falando em julgar e ser julgado, trago um trecho do capítulo X do Evangelho segundo o Espiritismo que serve para analisarmos a atitude de quem chamou os médicos cubanos de escravos. E também para quem quiser analisar a minha atitude:

A censura de conduta alheia pode ter dois motivos: reprimir o mal, ou desacreditar a pessoa cujos atos criticamos. Este último motivo jamais tem escusa, pois decorre da maledicência e da maldade. O primeiro pode ser louvável, e torna-se mesmo um dever em certos casos, pois dele pode resultar um bem, e porque sem ele o mal jamais será reprimido na sociedade. Aliás, não deve o homem ajudar o progresso dos seus semelhantes? Não se deve, pois, tomar no sentido absoluto este princípio: “Não julgueis para não serdes julgados”, porque a letra mata e o espírito vivifica.

Duvido que esses que vaiaram teriam algum interesse em trabalhar nas cidades designadas para os cubanos. Pois se estão incomodados com a ida dos médicos cubanos a essas cidades, por que não vão eles pra lá? Acredito que os habitantes dessas cidades não querem saber se o médico é brasileiro, cubano ou marciano.

Isso é apenas meu ponto de vista. Sei que deve haver inúmeros argumentos contra e a favor. Já acompanhei política e tinha sempre duas dúzias de argumentos decorados na ponta da língua.

O tema provavelmente vai gerar polêmica por bastante tempo, como as cotas raciais ou o bolsa-família. Cada um pensa como bem entender, cada um raciocina de acordo com os seus valores e referências. Só não vejo como defender atitudes grotescas como a ocorrida no Ceará.

Aqui o comentário de Allan Kardec à questão 793 do Livro dos Espíritos:

De duas nações que tenham chegado ao ápice da escala social, somente pode considerar-se a mais civilizada, na legítima acepção do termo, aquela onde exista menos egoísmo, menos cobiça e menos orgulho; onde os hábitos sejam mais intelectuais e morais do que materiais; onde a inteligência se puder desenvolver com maior liberdade; onde haja mais bondade, boa-fé, benevolência e generosidade recíprocas; onde menos enraizados se mostrem os preconceitos de casta e de nascimento, por isso que tais preconceitos são incompatíveis com o verdadeiro amor do próximo; onde as leis nenhum privilégio consagrem e sejam as mesmas, assim para o último, como para o primeiro; onde com menos parcialidade se exerça a justiça; onde o fraco encontre sempre amparo contra o forte; onde a vida do homem, suas crenças e opiniões sejam melhormente respeitadas; onde exista menor número de desgraçados; enfim, onde todo homem de boa vontade esteja certo de lhe não faltar o necessário.

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54 Comentários

  1. Bruno, não publiquei seus cometários por conterem links para outros sites, o que eu evito, e por tratar do tema como se fosse político: não é. Não sou esquerdista e não apoio o Governo. Meu artigo se refere a espíritos encarnados que foram vaiados por outros espíritos encarnados, não é sobre política.

  2. Bruno, tirei o link da revista Veja que você inseriu. Alguns links prejudicam os mecanismos de busca, além de dispersar leitores. Por isso tenho por regra não publicá-los.
    Bruno, seu posicionamento merece o meu respeito, mas não é o fato de alguém enfrentar problemas que justifica outro problema. Nada justifica as vaias recebidas.
    Bruno, já acompanhei política, já fui um comunicador, discussões como a que você propõe já fizeram parte da minha vida. Por conhecer de perto o funcionamento da geração de informação, sei que nada – nada – é isento de opinião ou interesse pessoal. Não tenho a menor pretensão de ser defensor do regime cubano. Mas usar a Veja como fonte não passa a menor credibilidade. A imprensa é viciada e comprometida até as orelhas.
    Sei que há absurdos no regime de Fidel. Sei que os fatos que você trouxe devem ser verdadeiros. Mas é UM LADO DA QUESTÃO. Não tenho paixão política, Bruno. Consigo ver – e vejo – que não são só desgraças que há em Cuba. Nem em outro lugar do mundo qualquer.
    Você fala em escravidão e comércio de gente, e me convida para lutar. Só um cubano para julgar se o que ele vive é escravidão ou não. Eles estão há mais de meio século sob este regime. Não pensam como nós. Não têm a informação que nós temos. Tem outra cultura, outro pensamento. O artigo 4° da nossa Constituição fala sobre a não-intervenção, e eu acho isso muito acertado. Os países, Bruno, são grandes famílias. São grandes grupos de espíritos que evoluem juntos. Não me meto com a família dos outros. Se o regime fosse insuportável para a maioria, ele teria caído há muito tempo. É claro que muitos cubanos odeiam o seu regime. Assim como muitos brasileiros odiavam o regime militar. Mas nem todos pensam assim, e eu estou longe, muito longe de ter a pretensão de saber o que é certo e o que é errado para o regime dos outros países.
    Costumo olhar e concentrar as minhas forças no que está mais perto, Bruno. E, mesmo assim, não tenho feito nada pela “escravidão e comércio de gente” que vejo todos os dias à minha volta, aqui no Brasil. Ou você acha que trabalhar por salário mínimo, sem perspectiva de crescimento profissional é algo muito superior ao que você vê de inferior em Cuba? No centro de Porto Alegre, onde moro, se tropeça em mendigos e moradores de rua. Isso também não me parece muito superior à inferioridade do regime cubano. Não tenho feito nada por eles, Bruno. Então, quando eu achar que devo fazer algo de mais concreto por alguém completamente desconhecido, olharei para as proximidades, olharei à minha volta. Há muito o que fazer aqui. Não preciso vasculhar problemas cubanos.
    O que dissemos são, sim, opiniões pessoais. Tudo o que argumentamos é sob o nosso ponto de vista. Achar que todos os fatos são irretorquíveis é desconhecer a complexidade humana.
    Obrigado pela colaboração.

  3. Morel, com todo o respeito à sua opinião, mas as vaias recebidas pelos cubanos devem ter soado como música perto das ameaças que sofrem pelos ditadores de seu país.
    E você nem pode dizer que essa é minha opinião pessoal, como disse ai em outra resposta mais abaixo.
    É fato, e contra fato não há argumentos.
    Vamos lutar contra essa escravidão e comércio de gente, Morel? Pois como visto, as vaias soam como música…

  4. Betelgeuse, todas as suas ponderações são respeitáveis, embora eu considere todas elas secundárias. Mas achar que os que os vaiavam eram petistas é um pouco forçado. Não sou petista. Não defendo petista. Mas achar que as vaias dos médicos brasileiros foi um movimento político estratégico petista é muito imaginativo para mim.
    Obrigado pela participação; fique com Deus.

  5. Prezado Morel

    Com relação a vinda médicos cubanos no Brasil, gostaria de fazer algumas colocações:

    – No meu ponto de vista, vaiá-los foi errado pois eles não tem culpa dessa situação .eles vivem em condições precárias em Cuba. Acredito que o fato de os mesmos terem sido chamados de escravos não tem nada a ver com a cor da pele e sim com o regime de escravidão a que eles são submetidos em Cuba.
    – Do ponto de vista legal a situação deles não está clara, pois eles não terão registro no CRM. A quem eles vão responder em caso de haver problemas legais? Como a medicina é uma profissão regulamentada, eles precisam responder ao órgão de classe.
    – Outro ponto a ressaltar: eles não precisam ter o diploma deles validado. Ou seja, não farão prova para reconhecimento de diploma. Como saberemos se eles são ou não médicos de verdade? O governo brasileiro teve acesso ao diploma deles?
    – E com relação ao idioma, eles farão alguma prova de proficiência da língua portuguesa?
    Com relação às pessoas que os vaiaram, podem sim, ter sido gente do PT para depois acusar os opositores à vinda de médicos cubanos de racistas. Há que se ter cuidado com a manipulação, seja por parte da mídia ou por outros grupos interessados.
    – Hoje li numa coluna na Folha que os médicos brasileiros estão sendo demitidos para dar lugar aos cubanos pois as prefeituras economizam com isso já que quem vai pagar é o governo federal.
    Não, definitivamente não é culpa dos médicos cubanos e sim desse governo corrupto e ditatorial que os estão trazendo passando por cima das leis. Não há falta de médico no Brasil e sim falta de estrutura. Meu marido é medico e já trabalhou em várias cidades do interior do RS, SC, MT, GO e em SP capital. As condições das cidades do interior do Brasil é um caos, especialmente em MT e GO. Há quatro anos ele decidiu sair do Brasil e trabalhar como médico na Austrália e posso dizer que foi um processo muito burocrático, caro, complicado e difícil. Meu marido trabalhou com alguns cubanos aqui na Austrália e que antes de vir para cá, trabalharam na África do Sul mais ou menos nas mesmas condições que vão trabalhar no Brasil porém quando vieram para cá a história foi muito diferente. Em momento nenhum eles poderiam trabalhar aqui nas condições brasileiras. Eles praticamente fugiram da Africa do Sul e não são mais bem vindos em Cuba.
    Sinto por esse médicos pois os cubanos são um povo muito alegre e sofrido, muito parecido com os brasileiros, sempre dispostos a fazer festa e que dançam muito, mas muito mesmo. Fui em algumas das festas deles por aqui, nossa, que energia. Anos de embargo econômico praticado pelos imperialistas norte-americanos não quebraram o espírito desse povo.
    Espero que tudo corra bem para eles e que Deus os abençoe.

  6. Morel, independentemente do assunto dos cubanos em que não pretendo me alongar por aceitar que temos pensamentos divergentes, agradeço estes seus dois últimos comentários relacionados a críticas, bastante sábios e ponderados. Obrigado pelo convite à reflexão. Grande abraço.

  7. As injustiças e as maldades existem para serem condenadas e criticadas, porque tolerar o mal é ser intolerante com o Bem, tolerar as injustiças é ser intolerante com a Justiça.
    Este seu pensamento, por exemplo, não se sustenta. As injustiças e as maldades existem pela inferioridade moral dos homens, elas não existem para serem condenadas e criticadas. Nada é condenado e criticado a priori; dizer que as injustiças e as maldades existem para serem condenadas e criticadas é afirmar que elas foram criadas para isso, para receberem críticas e condenações.
    Tolerar o Mal não é ser intolerante com o Bem. Jesus, de novo ele, tolerou o maior de todos os males e não estava sendo, com isso, intolerante com o bem. O mesmo vale para a injustiça.
    Esse pensamento é maniqueísta. Você trata as qualidades positivas e negativas como forças opostas equivalentes. Essas qualidades não são contrárias; uma é a ausência da outra.

  8. Wilson, agradeço a sua boa vontade para comigo. Noutro comentário você já expôs esse seu ponto de vista, do qual discordo parcialmente. A crítica que teci neste artigo tem alvo certo; as manifestações grotescas contra médicos cubanos. Você acha que devemos criticar. Eu não acredito que a crítica surta algum efeito, conforme expus neste artigo: http://www.espiritoimortal.com.br/existe-critica-construtiva/
    Tome como exemplo a crítica que publiquei hoje e você verá que ninguém muda de ideia ou posicionamento por ouvir uma crítica. Por isso evito, sempre, a crítica. Fugi à regra imposta por mim mesmo pela aberração que achei esta manifestação. Mas não podemos julgar, não, Wilson. Pra julgar há que se ter moral. Um ato como esse, de gritante inferioridade, sei que eu não seria capaz de praticar. Mas não posso dizer o mesmo em relação a muitos outros fatos.
    Mas este é apenas um motivo. Ao julgar, usamos, através de nossa consciência, o mesmo parâmetro para nós mesmos, e não somos – eu não sou – assim tão adiantados a ponto de nos submetermos a julgamentos tão rígidos.
    Além disso, e o mais importante, somos escravos dos nossos hábitos. O hábito de julgar, criticar, condenar, nos faz pessoas amargas, ranzinzas, descrentes do ser humano, baixa nosso estado vibracional, impede o contato com a espiritualidade superior.
    Não se apegue às críticas de Jesus aos fariseus. Para compreender o Evangelho é preciso, no mínimo, contextualizá-lo. Sei que Jesus era firme e decidido, não tinha nada dessa imagem doce e fraca com que muitas vezes o pintam. Mas Jesus era Jesus. Tinha moral para julgar. Nós não temos. Para nós, fariseus modernos, ele disse “Atire a primeira pedra quem não tiver pecado”.
    Esse ditado que você gosta de usar, “quem cala consente”, é só um ditado popular vazio de conteúdo. Você gosta de citar Jesus; temos isso em comum. Pois Jesus se calou diante das acusações que lhe faziam.
    Wilson, para responder a comentários como o seu, utilizo um tempo que me falta. Hoje, por exemplo, não pude escrever artigo algum. Explico isso para que você entenda por que deixo sem resposta alguns comentários seus. Não há tempo para longas discussões.
    Vejo em você ideias boas, mas muito radicais. O radicalismo é insustentável, não tem bases firmes, não resiste à argumentação. Não convém sairmos atirando pra tudo que é lado, Wilson. No início do século XX os bandidos norte-americanos eram tão famosos quanto os astros de cinema ou jogadores de beisebol. Os jornais faziam sobre eles grandes reportagens. Muitos jovens seguiram o caminho do crime em busca da fama. Há um jornaleco de Porto Alegre que faz o mesmo em relação aos traficantes locais. Transforma-os em heróis. Para o adolescente da favela, sem estrutura familiar, o traficante é muitas vezes o seu modelo. Ao glamourizarem o criminoso, muitos adolescentes cometem crimes bárbaros “para aparecerem”.
    Citei estes exemplos para ilustrar que em muitos casos quanto mais se fala no crime e nos vícios, mais eles criam forças.
    A cabeça é sua e você a utiliza da maneira que achar melhor. Acho que mais cedo ou mais tarde você terá que rever os seus conceitos. Se for mais cedo, melhor.
    Fique com Deus; um abraço.

  9. Morel, as coisas erradas, falsas, violências, corrupções, maldades contra animais, racismo contra os negros, imoralidades, vícios degradantes, tudo isso deve ser criticado e condenado, o seu comentário é super correto e nobre, porque quem cala consente, e não podemos ficar calados diante dessa violência moral, a crítica positiva serve para isso, combater o mal e as injustiças e edificar o Bem e a justiça. Criticar o mal é virtude, ficar calado diante das injustiças e maldades é VÍCIO.
    E Jesus não ficou calado diante da hipocrisia dos fariseus e escribas e também não ficou calado diante dos vendilhões, a sua crítica, Morel, é positiva, construtiva e virtuosa.
    As injustiças e as maldades existem para serem condenadas e criticadas, porque tolerar o mal é ser intolerante com o Bem, tolerar as injustiças é ser intolerante com a Justiça, Morel gostei do seu pensamento criticista e virtuoso. Um abraço

  10. Concordo com você plenamente, Morel. Uma falta de educação e humanização muito grande, muitos médicos que atendem no SUS é quem mereciam estas vaias pela falta de comprometimento profissional.

  11. Morel , a situação ocorrida aos nossos irmãos cubanos não envergonhou apenas você. Quem tem o mínimo de respeito pelo próximo se sensibilizou com a hostilidade por parte de determinado número de médicos brasileiros. Tenho visto muito desrespeito ao semelhante, nas redes sociais, na mídia, que aliás não deu ênfase à situação vergonhosa que os médicos cubanos tiveram que passar. Na minha opinião (minha opinião), as pessoas estão misturando as coisas, perderam a noção de respeito, de educação, de humanidade até. Confesso que chorei e tive a certeza do quanto endurecido anda o coração humano e quanta indiferença em relação aos ensinamentos de Jesus. O nosso país, com um povo em sua maioria cristão, infelizmente não fez jus a essa realidade, ao se comportar de forma tão hostil e desrespeitosa ante os irmãos cubanos. Claro, não podemos generalizar, pois vi e conversei com muitas pessoas de bom senso, compartilhando da mesma vergonha que tanto eu quanto você sentimos. É preciso compreender que os nossos irmãos vieram para servir, com seu trabalho, sua dedicação, e não têm culpa nenhuma das contendas políticas alastradas em nosso país. Veja, Morel, uma coisa interessante: nos protestos de rua vimos milhões clamando por justiça social, clamando por uma nação melhor e, paradoxalmente, deparamos com situação mentável, de desrespeito e injustiça ante o próximo, que aqui aporto para o bem de muita gente que hoje se encontra abandonada à própria sorte, sem saúde, sem amparo. De minha parte, dou boas-vindas aos companheiros que aqui aportaram, trazendo esperança para muitos brasileiros. Que Jesus os ampare em seus ideais e que toque o coração daqueles que não os respeitaram, como companheiros de profissão e como irmãos.

  12. Morel, adorei sua postura. Está bem claro que você se refere única e exclusivamente ao tratamento dado a seres humanos, como nós, que estão vindo trabalhar. Também concordo que há diversas maneiras de protestar. Isso mexe muito com política e o pessoal confunde e fica revoltado com vários pontos que essas contratações trazem. Mas fato é que o governo abriu esses lugares para médicos brasileiros se inscreverem e os mesmos não o fizeram, então estão reclamando do quê? Ruim ou não, não sabemos ainda. Confio que isso pode ser sim muito bom para quem não tem ou nunca teve no interior qualquer tipo de atendimento médico. Na minha cidade o Hospital é bom, tem sim condições de trabalho e não o fazem por quê? Porque quem tem dinheiro e paga é tratado diferente? Meu pai ficou um dia internado no SUS e quase morreu, não deixavam ligar o oxigênio porque tinha que economizar, acredita? Ficou um dia no SUS porque o médico dele não estava lá para fazer a transferência, quando conseguimos achá-lo fizemos a transferência para o particular e tudo mudou, atendimento, medicação… no mesmo Hospital! O valor do médico é tratado diretamente com o mesmo, é separado do que pagamos para o Hospital pela internação. E o atendimento dele é bem diferente quando pagamos.
    Fui marcar uma consulta pela Unimed para minha filha com um especialista em Tireóide pediátrica, pela Unimed somente em Novembro, pagando a consulta tinha no outro dia. Então pessoal, quem são os mercenários?! E somente Deus mesmo para quem não tem condições de pagar os “médicos” brasileiros. Não posso generalizar, pois conheço alguns que são médicos de verdade. De qualquer forma, sendo ou não pessoas boas, não temos o direito de julgar. Sigo confiando em Deus e que o melhor sempre virá. Fica com Deus.

  13. Juliano, essa certeza é sua. Respeito ela. Muitos brasileiros apoiam o atual governo, muitos se opõem a ele. Muitos cubanos apoiam o seu regime, muitos se opõem a ele. Nunca me passou pela cabeça que os médicos cubanos vieram ao Brasil por serem humanistas e caridosos. Mas isso não faz diferença para quem precisa de médico nos rincões do Brasil.

  14. Josiane e Morel, podem ter toda a certeza, vaias na chegada ao Brasil, por mais desprezíveis que tenham sido, não são nem de longe o pior que os cubanos enfrentam durante sua vida. O que o governo do seu próprio país faz com eles é muito pior. E todos passamos a ser coniventes e co-participantes destas atrocidades, já que o nosso governo está financiando as mesmas com o nosso dinheiro, sob a nossa vista. E os médicos cubanos não estão vindo trabalhar nos rincões do Brasil porque são humanistas e caridosos, e sim pra ficar com 700 reais mensais dos 10.000 pagos pelo nosso governo, que para eles é muito dinheiro, visto que o salário médio de um médico lá não chega a 30 dólares por mês (e não tem vagas para todos, já que muitos estavam trabalhando como taxistas). Eles são as maiores vítimas, e nós passamos a financiar sua opressão.

  15. Sei que escreve seus textos sem dar ordem ou sequências, mas o tema abordado ontem tem tudo a ver com o de hoje, infelizmente a inteligência material não segue a moral, e esses manifestantes que tanto se instruíram e se graduaram, se descuidaram no quesito humano e solidário, demonstrando que ainda terão muito que aprender. É como disse uma vez Pedro a Jesus, estão me perseguindo, me caluniando, e o Mestre calmamente lhe respondeu, eles estão vivos… muita paz.

  16. Marco, o que você acha do regime cubano fica por sua conta, é um direito seu ter opinião e manifestá-la. Negar que a manifestação ocorrida seja agressão é se deixar levar por ideologia. Ou falta de empatia. Já se colocou no lugar deles?

  17. Um absurdo transformarem as vaias aos cubanos mercenários, que trabalharão como médicos por 700 reais ao mês, em racismo ou discriminação. Uma análise fora do contexto. Fosse assim, ninguém poderia se manifestar contrariamente. Vaia não é agressão. Ridículo! Os médicos cubanos, todos, estavam sendo vaiados, fossem amarelos, azuis, pretos, brancos, roxos, etc. E merecem. São agentes disfarçados de um regime maldito. Não vamos desviar o foco e propagar uma fábula, uma mentira, para desviar o foco, porque é isso que os bandidos que criaram essa história querem. E tenho dito.

  18. Concordo com você, Mauro. Não duvido das acusações que fazem, mas não é isso o mais importante. Para os moradores de Oiapoque, como você citou, essas discussões ideológicas não têm sentido. Eles precisam de médicos, e os médicos cubanos foram vítimas de preconceito ideológico – no mínimo.

  19. Na minha opinião, acho que a política e o futebol são as coisas que fazem as pessoas perderem a razão. Alguém perguntou para a população o que eles acham melhor, ficar sem atendimento? Outra coisa, falar de escravidão é muito sério, tem que provar, outra coisa, se isto está ocorrendo, o Ministério Público tem poder para resolver isto, a Justiça é um poder independente. Temos que agir com racionalidade e pensar no bem do próximo e naqueles que lá no Oiapoque não têm um médico para lhe atender.

  20. Josiane, você deve me imaginar melhor do que sou na verdade. Sim, penso assim, mas não foi isso que expus. Não pretendi analisar a situação de Cuba ou de seus habitantes, nem o erro ou acerto do Governo em trazer para o Brasil médicos cubanos e o que porventura haja por trás desta medida. O que me chocou foi apenas o fato de que esses médicos irão atender pessoas que não têm médico e foram hostilizados por questões corporativistas, ou políticas, ou ideológicas, ou tudo junto.
    Não tenho a pretensão de alterar a opinião de ninguém acerca de governos ou modos de governar. De jeito nenhum. Justamente por saber que cada pessoa tem a sua opinião a respeito desses temas, acredito que um ponto em comum poderia unir todos: O repúdio a manifestações desrespeitosas como a que ocorreu no Ceará.

  21. Na minha compreensão o Morel está relatando em outras palavras que se já é difícil viver em país como Cuba, mediante tantas injustiças (fatos), imaginem chegar ao Brasil e ainda sofrer com a hostilização das pessoas? Posso estar equivocada, mas entendi dessa forma!

  22. Sim, Juliano, acredito que a internet lá seja restrita. A opinião sobre este fato é juízo de valor, não está em discussão. Também não duvido da palavra do senhor de idade que você conheceu, mas essa é a visão dele. Outros veem diferente. O regime deles é o regime deles. Ponto.
    O assunto que eu abordo: Alguns cidadão cubanos, médicos, vieram ao Brasil exercer a medicina em locais em que os médicos brasileiros não querem trabalhar e foram hostilizados por alguns destes médicos. Não sei se é simplista, mas é simples.

  23. Eu jamais disse que os protestos resolvem algo. Ao contrário, disse que não sou favorável a eles. O que eu disse é que eles não são um fato isolado, estão dentro de um contexto que engloba maiores atrocidades. Os fatos que citei de Cuba não são minha opinião. A internet lá de fato é restrita. As famílias dos desertores são ameaçadas, e isto eu ouvi da boca de um senhor de idade que fugiu de Cuba para trabalhar e mandar dinheiro para os filhos. Ele me relatou as ameaças e como o governo usa este mecanismo para evitar as fugas. Nada disto é opinião minha, são fatos.

  24. Os protestos contra os médicos não resolvem a situação a que você se refere. E a situação a que você se refere é a sua opinião. Na adolescência li dezenas de livros pró e anti Cuba. As opiniões continuam divididas. Os argumentos são bons dos dois lados. Gastaríamos meses discutindo isso – se eu tivesse posicionamento contra ou a favor – e não chegaríamos a parte alguma. Quando discutimos não estamos pesando prós e contras. Estamos nos esforçando para que prevaleça o nosso ponto de vista. Escrevi sobre isto neste artigo: http://www.espiritoimortal.com.br/voce-so-discute-com-quem-tem-muito-em-comum-com-voce/comment-page-1/
    Gostando ou não de Cuba, gostando ou não do atual governo, eu e você não gostaríamos de ser vaiados e cercados num país estranho.

  25. Respeito sua opinião, Morel. Ao meu ver, muito mais grave que estas vaias, é manter milhões de pessoas na ignorância, privadas ao acesso livre à informação. Quantos espíritos não se beneficiam da liberdade de informações da internet para acelerar sua evolução? Manter milhões de espíritos confinados, impedindo-os este livre acesso é ao meu ver muito mais grave. E financiar estes ditadores com dinheiro do contribuinte é muito mais deplorável.

  26. Jorge Luís Rodrigues, você está defendendo um “protesto” totalmente sem fundamentos.
    Eu que graças a Deus e a meu esforço, possuo acesso a rede particular de saúde, já sinto certa revolta com a classe médica (quem nunca escutou um “Isso é virose!”), imagine quem depende da rede pública!
    Concordo que falta infraestrutura, mas também faltam médicos e médicos qualificados. Hostilizar os médicos cubanos não trará melhoria alguma a nossa infraestrutura. E falar que eles são desqualificados para trabalhar em nosso País é ser bastante desinformado! Cuba é referência mundial em medicina!
    Por fim, seu conceito de escravidão é bem diferente do meu, e maior parte do salário que os médicos receberão será do governo cubano, para que este invista ainda mais na saúde do país.

  27. Discute-se por qualquer coisa, Juliano. Sob o rótulo que se entender mais adequado: Político, espiritual, ético. Todas as opiniões são respeitáveis, mas não dizem respeito necessariamente à maneira agressiva de protestar. Nenhuma posição política, ideológica, conceitual, nada justifica o corredor polonês e os gritos de “escravos”.

  28. E assim como achas intolerável esta parte do todo, eu e outros achamos intolerável financiar uma ditadura comprovadamente sanguinária com o dinheiro público. Entendo que temos posições discordantes e que é muito difícil separar posições políticas desta discussão. Não acho que seja possível isolar para uma discussão puramente espiritual. Assim como meus pontos de vista certamente serão influenciados pela minha posição política libertária, creio que as suas também são influenciadas pela sua posição. No mais sou grato pelos seus textos e grato por podermos concordar em discordar livremente pela Internet, ao contrário dos coitados cubanos que nem acesso livre à rede possuem na ilha.

  29. Simplista ou não, Juliano, esta parte do todo eu acho intolerável. Você sabe que muitas pessoas pensam diferente de você em relação a governos e medidas de governos. Não discuto isso. Mas todos, governistas ou não, deviam repudiar um ato intolerante e ridículo como o que vimos. Geralmente consideramos inteligente aquilo que está de acordo com o que pensamos. Sinto muito por não pensar como você.

  30. Morel, este é um assunto bem mais amplo e se isolar apenas o caso do protesto, sem analisar o todo ao meu ver não é inteligente. O governo está usando o dinheiro do contribuinte, dinheiro que poderia ser usado para infra-estrutura médica em zonas remotas de modo a atrair médicos brasileiros, para financiar uma ditadura sanguinária, que mata as famílias dos desertores. Este protesto contra os espíritos que vieram certamente é errado, mas como eu disse acho simplista se focar apenas neste fato sem analisar o todo.

  31. Jorge, torno a dizer: Me refiro aos PROTESTOS. Não quero discutir sobre contratação de médicos. A sua definição de escravidão é novidade: “Trabalho escravo em troca de dinheiro”.

  32. Morel, eu nao sou um idealista politico.. nao defendo partido de esquerda nem de direita nem de centro… vc nao entendeu que a minha indignnação é contra o Trabalho escravo a que esses medicos estao sendo expostos, eles nao estao vindo aqui porque querem… estao sendo obrigados…. isso é um crime contra a liberdade.. sera que é tao dificil perceber?? eu sou um espirito sim como vc mas ainda nao desencarnei, ainda tenho que viver no plano fisico nao dá pra ser um eremita e estar alheio ao que acontece… a cidadania é tambem uma forma de caridade, penso eu… que venha medicos cubanos, chineses, ou argentinos, nao importa, mas que eles venham aqui por que querem trabalhar e nao obrigados e sob ameaça da integridade de sua familia….

  33. Jorge, não se dê o direito de querer interpretar o que penso. O seu olhar está caolho pela sua ideologia política.
    É claro que eu olho tudo sob o ângulo espiritual. Somos espíritos. As leis, que você parece conhecer tão bem, são passageiras, são leis dos homens. O espírito é eterno. E todos nós, articulistas, leitores, médicos brasileiros, médicos cubanos, pró-governistas e antigovernistas, somos espíritos.

  34. e tbem entendo que seu site nao é sobre questoes sociais e sim sobre espiritismo e autoajuda… mas o que a midia esta fazendo ao demonizar os protestos é injusto porque os motivos sao bem mais profundos do que uma simples dor de cotovelo e racismo.. nao é tao simples assim…

  35. Bom respeito sua opiniao mas se vc estivesse mesmo pensando no ser humano ficaria indignado com esses medicos que nao estao vindo trabalhar aqui mas sim realizar um trabalho escravo a troco de dinheiro… eu nao chamo de trabalho o fato de alguem vir para outro pais sem poder trazer a familia, e ser proibido de ter contato com outras pessoas e ficar confinado em bases militares, lá no meu mundo real isso se chama escravidao, mas cada um tem um ponto de vista mesmo… e cada um vive no mundo que quer, eu gosto demais dos seus textos, aprendo muito com vc e com seus pontos de vista, mas nesse particular nao posso deixar de ficar indignado com a sua parcialidade em querer olhar tudo por um angulo exclusivamente espiritual, as leis estao aí, e cabe a nos denunciar quando elas nao sao cumpridas….

  36. Morel, concordo com todas as suas colocações. Tudo politicagem, as pessoas estão desrespeitando o próximo em nome de uma política totalmente corrompida, do meu ponto de vista, é claro!

  37. Eu sei morel nao estou discutindo politica… so acho injusto criticar os protestos sem saber o que esta por tras…a questao nao é politica meu amigo a questao tem a ver com direitos humanos…

  38. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Esqueça a política, Jorge. Pense no ser humano. Você não gostaria de ser vaiado agressivamente num país estrangeiro para onde vocÊ foi trabalhar. Existem formas humanas de protesto.

  39. 10 mil reais por médico… 40 mil por mes… 400 milhoes de reais por ano esse é o dinheiro que nosso governo vai pagar para a ditadura cubana em troca desse trabalho escravo… desse total pouco menos de 10% sera repassado aos profissionais… é o Brasil financiando a ditadura do regime comunista de cuba de forma escancarada…. enquanto a grande midia apenas noticia a revolta com razao dos medicos Brasileiros que estao sendo colocados contra a população… e taxados de racistas e xenofobos…

  40. Jorge, deixe de lado por um momento a sua ideologia política. Não estamos discutindo política. Estamos tratando de seres humanos como nós. Assista ao vídeo e verá que não era o Governo que estava lá, eram pessoas que não têm nada a ver com discurso político.

  41. Deus ajuda a população sempre, Jorge. Além de Deus, a população precisa de médicos que os atendam. Mas repito que o que estou abordando é o desrespeito de alguns médicos (!?) brasileiros para com os médicos cubanos.

  42. O Sem falar que esses médicos nao passarao por qualquer teste de capacitação para exercer e tratar de doenças que sao tipicas do Brasil… Deus ajude a população… e espero que o Ministerio Público e a Justiça façam alguma coisa para que A constituição seja respeitada e as leis cumpridas e o trabalho escravo nao seja apoiado pela maioria que como eu vi aqui está totalmente desinformada sobre o assunto…

  43. OS protestos nao foram contra os médicos em si… e sim como a forma com que essa contratação foi feita, desrespeitando todas as leis e tratados internacionais em nome de uma Ideologia idiota… esses médicos estão proibidos de terem contato com outros estrangeiros, nao podem sair das bases militares onde ficarão alojados, e estao obrigados por cuba a falar bem do regime dos irmaos castro, nos lugares para onde vao em resumo: São médicos que estao vindo em regime de trabalho escravo tudo com a conivencia do governo Brasileiro, os protestos estão mais do que corretos, porque nao faltam medicos no Brasil, o que falta é infraestrutura, leitos e condições descentes para eles trabalharem e ao inves de resolver isso o governo tras medicos de fora, tudo para querer culpar os profissionais Brasileiros pela sua incompetencia…

  44. Carla, pelo que eu li ontem, na chegada dos cubanos no aeroporto houve manifestações dos dosi lados. Esse fato a que me refiro foi no Ceará.

  45. Nossa… estou sabendo disso agora. Na TV foi noticiado justamente o contrário: Segundo os jornalistas os estrangeiros foram muito bem recebidos pela população, com frases carinhosas nos cartazes , aplausos, etc…

  46. Ana Maria, nem é preciso dizer que muita gente não concordou com a atitude. Ainda bem que quem pratica atos assim é uma minoria. Fique com Deus.

  47. Confesso que vi o vídeo agora. Já estava triste em saber o que aconteceu e agora em ver as imagens aumentou mais a tristeza. Moro em Fortaleza e posso dizer que muita gente não compartilhou com a atitude, pelos comentários de algumas pessoas. É bem triste ver que pessoas que se dizem cristãs retribuem desta forma o amor ao próximo.

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