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Espiritismo e proteção animal

O importante mandamento “não matarás”, certamente não os excluiu
O importante mandamento “não matarás”, certamente não os excluiu

ARTIGO DE AUTORIA DE SANDRA LEONI

Na qualidade de Protetora de Animais, Espírita e Vegana, sempre questiono o fato de protetores ambientais enfatizarem o discurso quanto à realidade dos animais em extinção e dos danos (às vezes irreversíveis) causados à Mãe Natureza com a poluição das águas e da atmosfera, enfim destruindo o próprio lar de todos nós chamado Terra. Enquanto isso, porém, vão sendo extintos, nos matadouros, os animais considerados “não importantes para viver”. Assassinados de forma impiedosa e estarrecedora, abatidos e afogados no mar do próprio sangue. Animais puros, inocentes e doces são exterminados sem perdão para que humanos possam usufruir de fontes protéicas, plena e satisfatoriamente substituíveis por outras fontes quiçá mais nutritivas, saborosas e saudáveis.

Bebês de 4 patas são arrancados, aos berros, de suas mães enlouquecidas, para que não falte ao bicho-homem o precioso leite e a carne tenra do pequenino retalhado para consumo de humanos, solenemente indiferentes a este drama. Prática milenar, arbitrária e anti-cristã é esta, a de desconsiderarmos o direito de existência de seres mais fracos sob o descabido pretexto de mascaradas convicções nutricionais. O importante mandamento “não matarás”, certamente não os excluiu, quando decretado pelo Criador dos seres e das coisas.

Particularmente com referência aos seguidores de nossa Amada Doutrina Espírita, meu DEUS, quantos equívocos! Entidades Beneficentes centenárias convocam para um rodízio de churrasco em benefício das criancinhas asiladas sob seu teto. Na tribuna espírita, o palestrante emociona e leva às lágrimas os seus ouvintes com exortações à caridade, ao amor e à compaixão mas, logo após, locupleta-se em seu almoço caseiro com os despojos fumegantes e sangrentos de pedaços de seres que precisaríamos proteger, orientar e sobretudo amar, concorde estivéssemos com as convicções que nos caracterizam: criados à imagem e semelhança de nosso Pai para respeitar todas as vidas, todas!

Há bem poucos anos (cerca de 125), sob o beneplácito da legislação humana, submetíamos homens de pele negra ao martírio da escravidão, às mais abjetas condições de confinamento, tortura, selvageria e exploração do trabalho sob o pretexto de serem inferiores (!?). Bebês, único tesouro de suas mães escravas, eram arrancados violentamente de seus braços entre urros de lamentação e pranto, à vista de seus companheiros manietados, subjugados de horror e medo. Mulheres negras, jovens e bonitas eram violentadas por patrões sem escrúpulos porque consideradas propriedade, enquanto na Casa Grande, o pároco benzia com água benta e sob o símbolo sagrado da Cruz, sua família tranquila e feliz.

Hoje escravizamos animais porque são animais, do mesmo modo que ontem escravizamos negros porque eram negros. Achamos natural e lógico (porque sempre foi assim) a prática de desconsiderarmos a dor de um animal no matadouro, seu extremo pavor ante o cutelo e sua luta improfícua para salvar a própria vida, porque precisamos continuar o vício milenar de enterrar despojos na sepultura do próprio estômago, a despeito de existirem opções alimentares, nutritivas e saudáveis. Principalmente nós, Espíritas Cristãos, já deveríamos ter despertado desta hipnose que nos remete aos primórdios da civilização, no tocante às primevas condições humanas, ou então, não discursássemos tão veementemente em favor da Vida, contra a Eutanásia, o Aborto e a Pena de Morte.

Um minuto de silencio para a necessária e urgente despoluição mental e posterior coerência de atitudes e propósitos é imperioso, porque na dor somos todos iguais; e no medo e no amor, na sede, no frio e na fome também! Mães dos animais sentem o mesmo carinho por seus filhos que nossas mães sentiram por nós, seus bebês. Roubamos o leite, a carne, a lã, as barbatanas, o marfim dos animais mas lá está, para ser vivido, o “Não furtarás!” Esse território inviolável deveria ser sagrado, mais do que florestas, oceanos, lagos, rios e atmosfera – mas não o é. Seremos irracionais sempre que, sob qualquer pretexto, excluamos da vida seres que a ela tem direito como nós. Seremos incoerentes quando enfatizamos a necessidade de sermos fraternos e bons, compactuando com o cutelo que nos propiciou as garfadas de restos que um dia foram um ser pleno de vida que lutou, até o fim, para respirar o mesmo ar, poluído ainda pelas misérias humanas, do Planeta Terra.

 Mais difícil do que despoluir ambientes contaminados é higienizar mentes arraigadas aos hábitos arcaicos e prejudiciais. Desintoxicar estômagos empanturrados do que não deveria estar ali é mais trabalhoso do que apagar incêndios florestais ou descontaminar afluentes de rios. Enquanto o lixo estiver em nós, estará fora de nós também. A natureza é o reflexo do que temos sido ou não e, enquanto não soubermos administrar respeito e proteção à vida de todos, o caos em nós será o caos do planeta.

Sandra Leoni é protetora de animais, espírita e vegana

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15 Comentários

  1. Compartilho da mesma ideia, nunca vi ninguém citando os animais ao mandamento “Não Matarás”. É tão claro para mim e as pessoas não percebem a lógica.

  2. Atualmente, nossa sociedade dispõe de alternativas nutricionais e suplementos vitamínicos que substituem os nutrientes da carne.
    Sou vegetariana por questões ideológicas. Amo muito os animais para participar dessa indústria, valendo destacar que, há poucas décadas, as pessoas não consumiam tanta carne… Encontraram uma forma de lucrarem, então dizem que precisamos desse alimento. Mas será que realmente precisamos?
    Eu respeito aqueles que não são vegetarianos, porque compreendo que é uma cultura muito arraigada. Mas como o progresso é uma lei, devemos procurar nos informar e sermos mais críticos.
    Como espírita, sei dos malefícios dessa alimentação, os quais incluem a absorção de energias de sofrimento do animal e dos desencarnados vampirizadores. Além disso, como espírita cristã, sabemos que os animais foram criados como nós. Todos somos iguais. Assim como nosso Espírito evoluiu, o ser invisível que os anima também evoluirá a ser humano. Portanto, Deus os ama como a todas as suas criaturas. E nosso dever, como irmãos mais velhos, é ajudá-los, respeitá-los, amá-los. Eles também são o nosso próximo.
    Como engenheira ambiental, digo que os solos estão perdendo seus nutrientes, devido ao pisoteio do gado, além da considerável emissão de metano.
    Acrescento que, no mundo de regeneração, essa alimentação não será mais possível, pois não conceberemos a ideia de matar um ser vivo.
    Então, é questão de tempo, de amadurecimento espiritual, de amor a todos (humanos, animais, natureza…).
    Não é necessário radicalismo. Tentem reduzir as quantidades de carne ao longo da semana, se permitam experimentar outros sabores e se informem.
    A Espiritualidade amiga sempre nos ajudará quando desejamos fazer o Bem 🙂
    Um abraço a todos!

  3. Consigo ficar sem a carne de qualquer animal, mas ainda não consigo ficar sem o leite. Não gosto muito do leite de soja. Penso que um dos obstáculos é a dificuldade de encontrar alimentos alternativos em rotisserie, por exemplo. Quem almoça/janta/lancha fora de casa, como eu, tem dificuldades enormes. Quem mora em cidades menores, as dificuldades são maiores ainda… A indústria alimentícia tem oferecido vários produtos à base de soja, por exemplo. Já comprei requeijão cremoso, hamburguer etc, tudo à base de soja. Espero um dia chegar lá, como vários aqui já chegaram.

  4. Penso do mesmo jeito que você. Mas porque, na verdade não é o coelho e sim a ovelha o símbolo da Páscoa. O cordeito de Deus e o vinho que simbolizava o sangue de Cristo. Porque o Senhor Deus permitia o sacrifício dos animais para ser glorificado. Melhor ainda! Você sacrigicaria seu filho para o bem da sua causa? Eu não! Acredito que se fazemos de tudo para proteger os animalzinhos, como pode Deus que só amor, sacrificar seu filho único. O que quero dizer é, sou defensora dos animais. E Deus. O que é?

  5. A autora do texto se deixou guiar mais pela emoção e o entusiasmo da causa do que a razão. Sem discutir argumentos e ideias, apenas fazendo esse comentário.

  6. Lindo texto, me emocionei, sou espírita e vegetariana e concordo com tudo, ainda chego lá sendo vegana.
    Acho que temos que colocar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilamente sabendo que não maltratamos nossos irmãozinhos.
    Tem um livro que eu li e gostei muito que também fala sobre ser vegetariano, se chama “Era uma vez um espírita”, recomendo.
    Um abraço fraternal 🙂

  7. Texto forte e até agressivo, concordo com o irmão Jorge Luís, e é clara a questão 723.
    Mudar conceitos, costumes, crenças, faz parte de nossa evolução.

  8. Que distância teremos que percorrer para partirmos do saber até o fazer? A do conhecimento, da conscientização? Acho que a distância é muito além, pois envolve amadurecimento de nobres sentimentos, como o da compaixão que é irmão da piedade, que são filhos do Amor. Ana, obrigada pela reflexão, pois com ela nos colocamos a caminho. Muita paz a todos.

  9. Mas porque se alimentar do sofrimento alheio, quando temos tantas outras fontes que suprem nossas necessidades físicas? Tanta coisa pra se ingerir… Não consigo entender a necessidade de alguns em matar um ser para suprir suas necessidades. Triste demais.

  10. Sim sim… os espíritos não proibiram a ingestão da carne nem condenaram quem ingere ou não ingere, só deixaram claro que vegetarianismo não significa necessariamente evolução espiritual, é pura ideologia.

  11. Eu acho louvável abster-se de carne, sei que eu ainda não consegui totalmente porque tive crise de abstinência, mais diminuí noventa por cento a ingestão e quanto ao que o Espírito deixou escrito, carne alimenta a carne, penso que não constitui um mandamento, já que o espiritismo não proíbe nada, porém analisa todas as coisas, só acho que não deve se excluir as pessoas por comerem carne, mas vamos nos reformar, pois na espiritualidade não há carne.

  12. Consultando os Espíritos superiores sobre o tema em pauta, Kardec pergunta na questão 723:
    “A alimentação animal é, com relação ao homem, contrária à lei da Natureza?
    – Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a sua organização.”
    Vegetarianismo é uma ideologia louvável… mas não interfere na evolução espiritual, exceto se houver crueldade com os animais na hora do abate… o que deve ser sim evitado é a Gula despropositada e o desperdício de alimentos, quando existem irmãos necessitados do pão diário…
    “O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem”. (mateus 15:11)

  13. Emocionei-me com o texto escrito com primor! Também amo muito os animais e, sensível que sou, sofro muito com o que vejo! Ah! mas tenho boas notícias! As crianças que estão renascendo e trazendo enorme bagagem espiritual e com elas o respeito aos animais e a toda forma de vida! Que bom e reconfortante; confiemos na providência divina e aguardemos por transformações morais e éticas para este novo mundo regenerado!

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