Comportamento

O que você vai levar desta vida?

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Nossa passagem pela matéria é curta. O que você vai levar desta vida?

As Leis de Deus estão gravadas em nossa consciência. Precisamos ter isso sempre em mente para eliminarmos definitivamente a ideia arcaica e ultrapassada de um Deus exterior, fora de nós, alheio a nós. O que conhecemos de Deus é a Lei. E a Lei está em nós; portanto, Deus está em nós.

Por desconhecermos essa verdade por tanto tempo, nos acostumamos a agir como eternas crianças, na base de castigo e recompensa. Buscamos recompensa pelas nossas frouxas bondades e fugimos do castigo pelas nossas teimosas maldades.

Em sociedade, procuramos ser corretos para não sermos punidos pela lei. Todos os dias tramitam projetos de lei para tudo. Quanto mais leis são criadas, mais a criatividade burladora dos homens inventa meios de infringir sorrateiramente a lei. De um modo geral, não somos corretos porque sabemos que devemos ser corretos – se cumprimos a lei é apenas por medo da punição.

Somos assim também em nossa relação com Deus e a espiritualidade. Geralmente as poucas coisas boas que fazemos não são feitas naturalmente, como uma decorrência natural do fato de estar vivo, de existir. Há coisas que fazemos naturalmente, como comer, dormir, procurar diversão. Não costumamos fazer o bem com essa mesma naturalidade. Fazemos algumas migalhas de bem para escaparmos do fogo do inferno, ou, no caso dos espíritas, para evitarmos o umbral.

Imagine-se no fim da vida, a uns poucos passos de desencarnar. Já há bastante tempo sem poder comer e beber o que tem vontade; sem poder praticar esportes, ou caminhar ao ar livre, ou correr; sem concentração e visão suficientes para ler; sem tesão há muitos anos; sem nada de prazer material nem de satisfação barata. O humor comum já não faz rir, as notícias já não fazem diferença, as novas descobertas não empolgam, ninguém precisa de você e o que você precisa dos outros é ajuda para a sobrevivência do seu corpo, nada mais que isso.

malas e bagagens
O que você vai levar desta vida?

O que você carrega como sua bagagem nessa situação? O que é capaz de lhe dar alguma satisfação íntima? O que sobra, afinal de contas? O espírito. Você. Não este você provisório, esta personagem que você interpretou por algumas décadas, identificada com um nome, animando um corpo físico velho e decadente. Mas você de fato, de verdade, você espírito imortal, individualidade divina.

Tudo o que nos dá prazer material, sensório, mesmo que seja legítimo, é apenas provisório, passageiro, fugaz. Nada contra os prazeres, de jeito nenhum. Não há nada de errado com eles. Mas temos que ter consciência de que eles não são reais. Se fossem reais, perdurariam, permaneceriam conosco, mas não: desaparecem completamente, mal fica uma vaga lembrança da sua inutilidade.

Só o que nos preenche de verdade são as coisas do espírito, e nisto está inserido o fazer o bem, o ser útil ao próximo, a contribuição, pequena mas legítima, que podemos deixar a outros espíritos como nós. É isso o que levamos desta existência, é isso o que carregamos em nossa bagagem espiritual. Sermos bons, então, é o sentido de nossas vidas.

Não estou falando isso por ser um dos poucos espíritos encarnados na Terra que são bons naturalmente. Não; estou ainda muito longe disso. Estou tão longe disso como um homem no sopé de uma montanha está longe do seu topo. Mas, esticando o pescoço, consigo vislumbrar o topo da montanha, e o que vejo é isso: só o que pode nos preencher de verdade, de maneira duradoura e sólida, é ser bom, ser bom de verdade, naturalmente. Não por medo de castigo ou à espera de recompensa. Mas como uma decorrência natural do fato de existir.

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