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Espiritismo, Umbanda, Pretos-velhos, Divaldo Franco e Jorge Hessen

vó maria
Preta-velha

Circula na internet a opinião de Jorge Hessen e Divaldo Franco a respeito dos pretos-velhos. Umbanda e Espiritismo são mais próximos do que pode parecer a quem não conhece as duas religiões. Seja por desconhecimento, seja por preconceito, o fato é que os estimados confrades esqueceram-se da responsabilidade que têm como formadores de opinião.

Publico, hoje, um artigo que foi escrito como resposta à opinião de um espírita bastante atuante, Jorge Hessen. Em dois artigos Jorge Hessen manifestou a sua opinião sobre os pretos-velhos, e os autores do artigo que vou publicar agora não concordam, de modo algum, com a opinião do confrade Jorge Hessen. Em que pese o respeito e a admiração de que muitas vezes é merecedor, por sua postura atuante e presente, o Jorge Hessen às vezes comete alguns exageros. E todo exagero foge da verdade. Contatei o Jorge Hessen para que se manifestasse sobre este artigo, mas não obtive resposta. Também o Divaldo é atingido pelo presente artigo. Já me questionaram algumas vezes a respeito da opinião do Divaldo Franco sobre os pretos-velhos, que você pode conferir no vídeo logo abaixo. A importância de Divaldo Pereira Franco como divulgador do Espiritismo, como médium e trabalhador, é incontestável. Quando eu era criança ele já era veterano. Lembro de ainda na infância ter ido a uma conferência sua realizada na Sede Campestre do Sesc, em Porto Alegre. Isso, porém, não me impede de achar que a sua opinião sobre os pretos-velhos, expressa no vídeo abaixo, prima pelo desconhecimento. Todos os dias recebo centenas de e-mails. Muitos querem saber a minha opinião a respeito dos mais diversos temas. Às vezes sou tentado a responder a todos, seja para ajudar quem busca respostas, seja para satisfazer a minha vaidade de querer saber tudo. Mas tenho conseguido resistir e não responder sobre o que desconheço. Peço a Deus que nunca caia na tentação de falar mais do que a minha tímida experiência permite.

 

MIOPIA, FUNDAMENTALISMO E ETNICISMO

ARTIGO DE JORGE CAETANO JÚNIOR E WALTENO BATISTA SANTOS

Indignação. É o que melhor define o sentimento experimentado após a leitura dos artigos intitulados “Manifestações de Fundo Umbandista no Meio Espírita” (art. nº 38/2008) e “Misticismos que Despencam a Credibilidade do Projeto Espírita no Brasil” (art. nº 62/2008), ambos publicados no site JORGEHESSEN.NET – Artigos Espíritas.

O primeiro componente dessa indignação é o sentimento de desrespeito experimentado com o que dizem aqueles que pretendem emitir juízos de valor sobre coisas que desconhecem, ou que, pelo menos, não conhecem em profundidade suficiente para lastrear uma análise crítica. Tal atitude, conhecida popularmente por leviandade, tem sido por muito tempo a fonte de aplauso e reconhecimento público a tantos e quantos aliciadores das consciências ingênuas dos incautos, por via de um discurso tão fluido, quanto vazio.
É sob esse prisma que, em princípio, interpretam-se as considerações desairosas tecidas sobre os espíritos de Pretos Velhos, no segundo artigo sob comento.
Ali, com o apoio de uma citação de Divaldo Franco, a figura do Preto Velho é tratada como um espírito ignorante de um ex-escravo desencarnado que preserva uma atitude atávica, disposto a executar qualquer tipo de tarefa, no afã de servir ao “senhor” branco.

Uma tal visão demonstra, de pronto, um total desconhecimento do que sejam os Pretos Velhos, de sua missão e função nos cânones da Corrente Astral de Umbanda. Na verdade, demonstra uma visão parcial e estereotipada do fenômeno; a visão de quem ouviu falar e tirou conclusões apressadas, com base somente na forma, sem adentrar o conteúdo. De resto, aponta, aí sim, para uma profunda ignorância sobre o que realmente seja a Umbanda.

Vale, então, prestar alguns esclarecimentos, menos por desagravo aos Pretos Velhos – que são bem maiores que isso – que para ilustrar de forma consequente e honesta a cultura religiosa desses senhores que se auto atribuem a tarefa de “retirar a ignorância”.

O homem possui uma dimensão simbólica inquestionável que se encontra na base de seu mecanismo de compreensão da estrutura do mundo e de seu papel dentro dessa estrutura.

O simbolismo permite que se condense em uma simples imagem toda uma carga de conteúdo que, por vezes, precisaria de tratados inteiros para serem devidamente verbalizados. A Espiritualidade Superior, conhecedora dessa perspectiva semiótica, sempre se serviu e ainda faz uso disso para trazer ensinamentos úteis. É por isso que o universo onírico é permeado de imagens aparentemente absurdas, mas que, devidamente interpretadas e contextualizadas, revelam verdades inconscientes. Foi também por isso que Jesus se serviu tanto das parábolas, algumas das quais soam ingênuas e até mesmo absurdas, se tomadas ao pé da letra, mas revelam sua grandiosidade, quando analisadas à luz do simbolismo.

Também é graças a esse universo simbólico que é possível ao homem guardar nas camadas mais profundas do inconsciente imagens virtuais das aquisições da humanidade; aquilo que Carl Jung denominou de inconsciente coletivo, comum a toda a espécie e que iguala e, por assim dizer, irmana todos os homens pelas aquisições culturais ancestrais.

Assim, para ficar na terminologia jungiana, o Preto Velho é um arquétipo do “velho sábio” presente em todas as civilizações, em todas as épocas.

Sucede que a Umbanda – para desagrado das mentes iluminadas dos “doutores do Espiritismo”, não é um culto afro, como se costuma acreditar – o que também não teria problema algum, se africana fosse (ou de qualquer outro lugar) desde que mantidos os preceitos crísticos.

A Umbanda tem sua base doutrinária assentada sobre o tripé humildade/simplicidade/pureza, com representação arquetípica respectivamente nas figuras do Preto Velho, do Caboclo e da Criança. Que também ilustram os três estágios da vida: infância, idade adulta e velhice. Nesse contexto, o arquétipo Preto Velho – símbolo de humildade – transcende o “velho sábio”, na medida em que, além de representar a sabedoria oriunda da vivência, representa a resignação ante as provas e a redenção pela dor, princípios pregados pelo Mestre Jesus, por palavras e pelo exemplo.

Essa abnegada, humilde e anônima sob nomes genéricos de Pai João, Pai Antônio, Vovó Cabinda, Vó Benta, etc, e iluminada legião agrega centenas de milhares de espíritos das mais diferentes origens (inclusive muitos que sequer tiveram encarnação como tal), irmanados pela vontade única de servir na seara do Mestre, de forma anônima e impessoal, praticando a caridade como preconizou Jesus.

Provavelmente alguns kardexiítas defensores da “pulcritude” da doutrina sentir-se-ão desolados, quando descobrirem que muitos dos espíritos que eles rotulam de “venerandos”, ao deixarem as casas kardecistas, dirigem-se serenos às tendas e aos terreiros de Umbanda, para ali envergarem por algumas horas a pulcra e digna vestimenta de Preto Velho. É que, a despeito do que pensam e desejam os puristas, Deus não criou a luz apenas para suas ribaltas pessoais.

Mais um fato:

Que os espíritos não tem cor pode ser um fato, mas tem menos ainda uma profissão.

Relembremos que todos possuem sim suas identidades relacionadas aos seus adiantamentos, às vidas que os tornaram o que são na ascensão evolutiva. Afinal de contas, o Pai Eterno garantiu-lhes as encarnações para o progresso – cada uma com seus desafios e roupagens – e lhes permite que façam uso desta bagagem adquirida, de forma inteligente, responsável e amorosa. Não fosse isso, atavismos também seriam as referências ao Rabi da Galiléia, ao querido doutor Bezerra de Meneses, doutor Michel, doutor Fritz e tantos outros ilustres Doutores que assistem em diversas Casas de trabalho evangélico.

Fica patente que o incômodo destes pseudo-sábios não é o fato dos bons espíritos darem referências de si. O que mexe com os corações enodoados pela empáfia, tampouco é se o trabalho é caritativo, Evangélico e Cristão – mesmo por que eles não se dão o trabalho de investigar com a cientificidade própria que o Kardecismo propõe.

O que lhes tira o sono é a possibilidade de que alguém que se apresente como de origem social inferior possa externar elevados padrões morais.

Aliado a isso, “caritativamente” cabe chamar atenção de alguns irmãos Kardecistas para que repensem seus procedimentos e conceitos, ou apenas releiam com atenção tudo o que Kardec e o Mestre Jesus disseram. Pois, a propósito de manter imaculado o que os espíritos amigos ditaram a Kardec, propalam opiniões personalistas e “interpretações xiíticas” eivadas de ignorância e de vaidade. Longe da cientificidade do empirismo espiritualista, do qual o querido Kardec foi pioneiro. São a ressonância do discurso oco embasado no “ouvi falar” ou no “não vi, não entendo, não conheço, não fui, não pesquisei, mas, de antemão, sou contra”. Todavia, travestem-se de seus sofismas, qual tivessem a autoridade moral de um Chico Xavier, de um Buda ou de um Francisco de Assis.
Dizem-se caridosos, mas num discurso de um certo senhor, que muitos o tem como o “sucessor” do amantíssimo Chico Xavier, sobreveio o termo “choraminguentos”, em referência aos irmãos que, nos seus tormentos, buscam nas diversas Casas Espirituais socorro e alento.

Deixamos então o desafio a encontrarem qualquer termo pejorativo utilizado por Jesus, por Kardec, ou por Chico Xavier em referência a quem quer que lhes buscasse auxílio, por menos esclarecidos que se encontrassem ou por mais mundanas que fossem suas demandas.

Imaginam um mundo espiritual pasteurizado, quando repreendem ou tentam doutrinar os espíritos pela roupagem em que se apresentam, independente de quem seja e do socorro que venha executar. Estes maiorais desconsideram e querem apagar milhões de anos de experiência e vivências, em alguns poucos segundos de retórica hipnótica: “A partir de agora, você é ‘só um espírito’, não sabe nada, nunca teve ofício, nunca viveu em lugar nenhum, suas referências e sua terapêutica só podem ser a que EU referendar. Tens a permissão de ser apenas o que EU autorizo que sejas” – esquecem-se de dizer que o que determinam vem de seus “supremos poderes” outorgados pela vaidade e pelo orgulho.

Em contrapartida, milhões de brasileiros e estrangeiros, independente dos níveis de formação, inclusive os de mentes simples, compreendem de forma intuitiva e natural a missão e a mensagem dos Pretos Velhos. Por isso, enxergar nessas entidades espíritos ignorantes e atávicos só pode decorrer – ressalvada a hipótese de má-fé – de uma profunda miopia intelectual.

O segundo componente desta indignação é a constatação da existência de uma ortodoxia que, além de não estéril, produz frutos impregnados de um veneno letal que já vitimou milhões ao longo da história: a intolerância.

Causa repulsa ainda maior o fato de que essa intolerância traveste-se da falsa magnanimidade dos que simulam o respeito a todas as correntes religiosas. Pois tacham impiedosamente de ignorantes aqueles que não exercitam seu purismo doutrinário e suavizam a agressão, aconselhando a interpretação de “ignorância” por sua acepção mais “agradável”. Curiosamente não conseguem perceber, entre as acepções que eles mesmos sugerem, algumas que se lhes aplicariam com absoluta propriedade, como soberba, presunção e pretensão.

Estas características, filhas gêmeas do orgulho e da vaidade, encontram-se entre os mais encarniçados inimigos das verdades evangélicas que os “puristas” afirmam defender, e estão certamente muito mais identificadas com o joio que o Cristo anteviu em sua seara, do que a simplicidade de formas, que eles tanto condenam, mas que o Mestre pregou e praticou como ninguém mais.

Sempre consideramos que todo discurso muito eloquente na defesa de princípios formais esconde uma absoluta falta de capacidade de reflexão. Se assim não fosse, aqueles que criticam o linguajar simbólico dos Pretos Velhos, por julgarem-no extemporâneo, voltariam primeiramente os olhos sobre o vocabulário típico de alguns consagrados oradores espíritas. Nestes enxergariam muito mais extemporaneidade no rococó dos termos rebuscados e inúteis, muitas vezes para disfarçar, sob o excesso de forma, uma lamentável escassez de conteúdo, ou, na pior das hipóteses, adornando o argumento sofismático daqueles que alardeiam caridade e humildade, mas exsudam orgulho, arrogância e vaidade.

O que alegra é perceber que milhões de almas necessitadas vem recebendo alento e motivação nos terreiros espalhados pelo país, enquanto os doutores do templo, fundamentalistas kardexiitas, se esforçam em elitizar o Espiritismo e academizar o Evangelho. Que continuem com sua profissão de fé: enquanto eles verborragem, a caravana da Umbanda passa.

Finalmente, o terceiro elemento desta indignação vem de uma passagem do segundo artigo em comento, onde o articulista sugere que, ante a manifestação de um Preto Velho em uma casa espírita, o doutrinador deve se dirigir à entidade – tratando-a como ignorante e necessitada – e dizer-lhe que ele “pode até ser bom”, mas que não pode apresentar-se como Preto Velho, já que ele pode reassumir a forma de outras encarnações.

A sugestão de tal performance está justificada pela necessidade de o espírito abandonar sua condição de escravo, mas essa justificativa maquia a verdadeira intenção: a de o espírito abandonar sua condição de negro que é a que de fato incomoda.

Hipócritas! Se tivessem um mínimo de capacidade de reflexão, aliada a um mínimo de conhecimento histórico, lembrariam que Jesus nasceu no seio de uma nação subjugada e sua condição social ante o Império Romano era pouco diferente da de um escravo. Observa-se que eles não tem qualquer problema quanto a isso, pois os registros históricos dão conta de um Jesus branco, ou, quando muito, moreno.

Na senda do que afirmamos, e para que não pairem dúvidas, vale transcrever parte do segundo artigo onde esses “arautos da divina luz” deixam transparecer em suas próprias palavras o teor do “cristianismo” que disseminam:

“É urgente romper a malha dessa teia do misticismo inoportuno que arranha a imagem do Projeto Espírita no Brasil. O Centro Espírita não é reduto de escravos (senzala) em que espíritos ataviados utilizam os “cavalos” e indicam, aos choraminguentos e eternos pedintes, o caminho das facilidades materiais na volúpia de suas próprias conveniências pessoais.” (grifo deste autor)

Só não conseguimos precisar se o caráter filosófico (se é que existe) de tal visão remonta a Kardec ou a Nietzche.

Curiosa a preocupação demonstrada por eles quanto a arranhões à imagem do projeto espírita no Brasil. A nosso ver essa preocupação pode ser mais bem demonstrada sob as indagações de quanta dor o projeto espírita tem sido capaz de mitigar, quanto alento o projeto espírita tem sido capaz de distribuir, quanta fraternidade o projeto espírita tem sido capaz de inspirar, quanto amor o projeto espírita tem sido capaz de despertar, quanta paz o projeto espírita tem sido capaz de promover, o quanto convergente com o que o Mestre Jesus disse: “Reconhercer-se-ão os verdadeiros Cristãos pelas suas obras”.

De resto e de nossa parte – umbandista que somos, mas acima de tudo buscando seguir o Querido Mestre Jesus – reconhecemos em todos os espíritas sinceros, companheiros de jornada na construção de um mundo mais humano e, por isso, tanto quanto nos esforçamos na construção do trabalho umbandista, torcemos sinceramente pelo sucesso do Verdadeiro Projeto Kardecista no Brasil e no mundo; pelo sucesso de um Espiritismo plural, multiétnico, multicultural, e singularmente Cristão e que assim também sejam os projetos Católico, Protestante, Budista e outros mais.

Quanto à preocupação dos kardexiitas com o fracasso no Brasil de seu projeto purista, eugênico e asséptico, tememos tratar-se, essa sim, de uma preocupação absolutamente extemporânea: o tipo de projeto que eles defendem já fracassou totalmente no fim do século XVIII com a Inquisição e em 1945, na Alemanha.

Que o referencial do Mestre Jesus possa final e verdadeiramente servir de Norte a esses irmãos e que eles possam amadurecer em suas responsabilidades fraternas.

Salve Deus!

Assinam a presente:

Jorge Caetano Júnior
Walteno Batista Santos.

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41 Comentários

  1. estou no kardesismo desde 88 e meu preto velho vem fala dou passe as vezes mediunizado ninguem persebeeu nem quero saber se pode ou nao ele esta sempre do meu lado o imprtante e trabalhar na caridade o ser humano e falho nao vamos criticar nem ficar osiozo

  2. Realmente esse senhor demonstra no texto o antagonismo que possui em si. Fala de compaixão, caridade, compreensão, mas em suas palavras encontramos apenas a raiva, o ódio e a indignação baseada não na realidade dos fatos mas, em sua própria e emotiva observação. Verificamos no texto profundo desconhecimento tanto da Umbanda, quanto do Espiritismo. Adoro os pretos velhos, muitos trazem muito conhecimento e outros ainda não, assim também ocorre com as virtudes morais, muitos possuem, outros não. E isso porque? simples, como todos os espíritos eles também estão enquadrados e engajados na estrada evolutiva, para exemplificar de forma mais simples, ao invés de pretos velhos vamos denomina-los de “Espíritos”, esses viveram encarnados na Terra diversas vezes, vivenciaram no meio da sociedade não apenas como escravos, mas nas existências vivenciaram as diversas classes sociais e possuíam os diversos tipos de níveis de conhecimento e assim possuem bagagem moral e intelectual conquistadas reencarnação após reencarnação. Morreram assim e passaram para o outro lado da vida com a bagagem que conquistaram durante a vida. Entre eles há os altamente intelectualizados, mas não moralmente desenvolvidos, há os que possuem boa bagagem intelectual e boa bagagem moral e há os que possuem grande bagagem intelectual e moral. Escolheram quando chamados a servir, utilizarem a roupagem de uma existência que mais possuíram sintoniza, que gostaram, que se afinaram, e vieram se manifestar com o perispírito que possui a imagem de um senhor negro de avançada idade, que denominamos de Preto Velho ou mais corretamente Negro Velho, Isso tira algum atributo deles? Não e também não agrega a eles nenhuma qualidade, porque moral se conquista com a vitória sobre nossas má tendências e não pela forma que nos apresentamos, encarnados e desencarnados. Mas o que diz a Doutrina Espírita sobre a forma que os Negros Velhos se apresentam absolutamente “NADA”, e sobre a forma das entidades diz o seguinte “Mas a matéria sutil do perispírito não tem a persistência e a rigidez da matéria compacta do corpo. Ela é, se assim podemos dizer, FLEXÍVEL e EXPANSÍVEL. Por isso, A FORMA QUE ELA TOMA, mesmo que decalcada do corpo, NÃO É ABSOLUTA. ELA SE MOLDA A VONTADE DO ESPÍRITO, QUE PODE LHE DAR A APARÊNCIA QUE QUISER, enquanto o invólucro material lhe ofereceria uma resistência invencível. ” – ALLAN KARDEC – O Livro dos Médiuns – Capítulo Ação do Espírito sobre a Matéria. Logo vemos que o espírito é livre para dar ao perispirito a forma que desejar, seja por vontade voluntária ou involuntária, podendo sim assumir a forma que se sinta mais confortável. O que o amigo do texto acima não sabe é que há muitas entidades que se manifestam como “Negro Velho”, mas não foram necessariamente escravos ou negros em sua ultima encarnação. Há muito espíritos com um alto grau evolutivo que tomam essa forma para auxiliarem nos trabalhos de caridade e e também ensinarem os caminhos de Jesus dentro da Umbanda o que é perfeitamente normal, estão dentro dos padrões que necessitam para se manifestarem conforme a doutrina da Umbanda. Sou Espírita, e não aceito que generalizem todos do movimento como quis rotular o autor do texto acima. Assim, como na Umbanda tenho grandes amigos, já questionei eles sobre minhas dúvidas e eles me questionaram sobre as suas e todos vivem cada um a sua Doutrina de forma harmônica e feliz, Logo sem querer fazer julgamento ou mérito de questão creio que o irmão do texto acima está ligeiramente equivocado sobre o que entende em relação a caridade, principalmente se for Umbandista, onde a caridade é uma das principais bandeiras.

  3. Querido irmão,

    Deixe-me, pela graça de Cristo, ler este trecho contigo:

    ““É urgente romper a malha dessa teia do misticismo inoportuno que arranha a imagem do Projeto Espírita no Brasil. O Centro Espírita não é reduto de escravos (senzala) em que espíritos ataviados utilizam os “cavalos” e indicam, aos choraminguentos e eternos pedintes, o caminho das facilidades materiais na volúpia de suas próprias conveniências pessoais.” (grifo deste autor)

    Só não conseguimos precisar se o caráter filosófico (se é que existe) de tal visão remonta a Kardec ou a Nietzche.”

    Não há nenhum caráter filósofo nietzscheano (talvez, você quisesse aludir para a GENEALOGIA DA MORAL) no texto do Hessen e ao que me parece também não se pode encontrar em Kardec qualquer respaldo para este tipo de crítica tão pretenciosa. Contudo, estou bastante certo de que poderíamos usar Nietzsche para ler este texto do Hessen e a perspectiva se inverteria em favor da Umbanda e dos amadíssimos pretos-e-pretas-velh@s. Fico demasiadamente triste quando leio estas coisas. Não sou umbandista, menos ainda espírita kardecista, mas tenho por Kardec grande apreço e admiração e pela Umbanda Sagrada um carinho forte que pouco sei eu explicar. Deixemos que o tempo revele os seus meandros. O preciosismo dos termos, geralmente, de natureza verborrágica ou logorréica não é o suficiente para encantar e acolher aqueles corações mais simples e as almas que necessitam mais de simplicidade e amor, caráter de sua identificação, do que os adornos verborrágicos que também têm destinatários certos. Quando a “senzala” grita a Casa Grande desespera. Foi assim, é assim, continuará sendo assim até atingirmos a perfeição moral.

  4. Oportuno por esclarecedor, sobretudo quanto ao posicionamento de Divaldo e Hessen, quanto ao status de preconceito que goza a Umbanda no pensamento de muitos espíritas. Chico Xavier era humilde demais, e mesmo quando emitia sua opinião, era por demais manso e gentil, incapaz de atribuir qualquer ofensa a qualquer causa ou pessoa, mas há um registro num “Pinga Fogo” em que admite uma “desnecessariedade” das funções dos pretos velhos, muito mais como um puxão de orelhas aos consulentes pelas futilidades pedidas (na maioria dos casos), do que às entidades por nos servirem. Entendo que essa tendência que muitos espíritas, e mesmo muitos centros, estão adotando de esquecerem Kardec, (não se estuda mais as obras da codificação, tampouco se fala delas), dando apenas prioridade para as obras de Chico, Divaldo e outros ícones da mediunidade), é algo da idolatria, tão perniciosa quanto a preguiça de raciocinar. Chico Xavier e Divaldo Franco têm uma contribuição ímpar para a afirmação da doutrina espírita na atualidade, e não só no Brasil, apesar do acervo psicográfico de ambos não se submeterem ao método analítico de comparação proposto pelo codificador, o que deixa dúvidas sobre os livros psicografados que estão somente sob a ótica de seus autores espirituais. Mesmo assim, o esforço, abnegação e dedicação desses dois médiuns, que abriram mão de suas próprias vidas (ainda sabendo que muitos outros contribuíram da mesma forma, mas não com a intensidade de ambos), é algo para enaltecer tal esforço. O espiritismo não vingou em sua terra de origem, a França, e só se afirmou porque esses dois médiuns deram a cara a tapa. Ainda que Divaldo se perca em sua extrema vaidade (e quem o conhece ou convive sabe do que falo), e que Chico/Emmanuel tenham “contaminado” a doutrina espírita com muitos elementos católicos (haja vista ter seu mentor pelo menos 3 encarnações como padre; e mesmo Chico nunca ter abandonado sua tendência católica); Divaldo também tem como guia um espírito que teve encarnações como clériga católica), ambos foram exemplos por enxugarem muitas lágrimas e darem esperanças a muitos que perderam seus entes queridos. Chico e Divaldo foram exemplos, mas é preciso não colocá-los acima da doutrina (coisa que Chico mesmo nunca fez). O desafio do médium é manter-se humilde, acima das contradições humanas do apego à materialidade, o que é quase impossível, dado o confronto entre a razão e a emoção, afinal, somos todos espíritos, criados simples e ignorantes.

  5. Janssen, sobre este e outros temas recomendo sempre o trabalho dos meus caros confrades do Grupo Apologética Espírita. Aqui estão alguns trabalhos sobre o tema:
    http://www.apologiaespirita.org/apologia/artigos/025_Allan%20Kardec%20%E2%80%93%20um%20racista%20brutal%20e%20grosseiro%20-%204.pdf
    http://www.apologiaespirita.org/apologia/artigos/025_Kardec_e_os_Espiritos_Superiores_eram_%20racistas.pdf
    http://www.apologiaespirita.org/apologia/artigos/001_Kardec_Racismo_e_Espiritismo_Uma_Reflexao.pdf
    Deixo o link do site para possíveis pesquisas.
    Um abraço.

  6. Morel, boa tarde! Sei que esse não seria o lugar exato para essa pergunta, mas já que o tema ao que me parece gira em torno de certo “preconceito”, gostaria de saber se poderia me indicar alguma leitura, ou me fazer algum esclarecimento acerca da posição de Allan Kardec com a raça negra, que muitos irmãos negros têm levado como racismo e logo se afastado da doutrina, mesmo simpatizando com todos os princípios. Desde já agradeço, abraços fraternos, que a força de nosso senhor Jesus esteja sempre com você.

  7. NIVELAR DIVALDO A INQUISIDORES, NAZISTAS etc., É DE UMA INJUSTIÇA E MAU CARATISMO INCOMENSURÁVEL.

  8. Sobre a moderação: Franz Kafka, o maior escritor do século XX, disse sabiamente: – medidas moderadas são melhores que medidas desesperadas. Concordo. Mas se ele mesmo agisse sempre assim, certamente, não seria o maior escritor daquele século. A intenção desprovida de má fé, pode sim lançar ideias aparentemente polêmicas, mas podem ser o produto de um estudo sério e comprometido com o bem comum.

  9. Complementando: o espírito como entidade evoluída não tem sexo, não tem títulos, não tem cor, nem escala qualitativa de posição social, cultural ou ética. O que interessa é a pureza do seu coração. O vestimento adequado não interessa na manifestação. O importante é a palavra que anima a alma e dá força para que todos os ouvintes se energizem para viver.

  10. A umbanda é uma religião brasileira. Em 1903 o padre Antônio Malogri se manifestou na cidade do Rio de Janeiro, naturalmente em espírito, proclamando a boa nova e ao ser interpelado, disse: se queres um nome, vos digo: – CABOCLO das 07 ENCRUZILHADAS. É A UNIÃO DA PALAVRA DO CRISTO COM OS IRMÃOS DITOS CABOCLOS, ÍNDIOS, PAI VELHO. A luz que emana do alto é difundida por intérpretes sagrados em todos os níveis evolutivos da humanidade.

  11. Queremos parabenizá-los pelo belíssimo texto, há muito tempo que esperávamos que alguém publicasse um artigo dessa natureza, muito bem feito, bem direcionado e esclarecedor. Só esperamos que as pessoas em pleno século XXI aprendam por definitivo a respeitar as filosofias e doutrinas alheias, porque Deus é um só para todos e não há nada de errado em qualquer segmento doutrinário que pratique o bem de maneira equilibrada. Mais uma vez, parabéns pelo texto e que ninguém tente de maneira disfarçada esconder o preconceito através de “belas” palavras que até mesmo uma criança poderia perceber o “toque” crítico.
    Paz e Bem!
    Força e Luz.

  12. Não vejo qualquer forma de preconceito no que Divaldo falou, vejo apenas um reconhecimento no espírito de um preto velho ser um ser superior que não necessita mais da vestimenta terrena de preto velho pra se fazer entender em matéria de fé nesta terra. Acho o artigo escrito pelo irmão uma verdadeira violência verbal sem a mínima necessidade. O espiritismo, porque codificado por Kardec, esta aí há cento e cinquenta e poucos anos, a umbanda ou candomblé ou seja lá que nome queiram dar, é espiritualismo puro desde o inícios dos tempos. Então ambos se equivalem e complementam-se com certeza. De tal maneira que espírito evoluído nenhum precisa que os encarnados se engalfinhem por eles numa luta pra saber quem é o melhor. Coitado dos que fazem isso, mostram apenas sua pouca evolução. Bem, todos somos caminheiros em direção da luz, por isso, todos somos perdoados.

  13. Richardson, por que eu deveria saber mais do que alguém da própria casa em que você trabalha? Por que você não pergunta ao próprio preto velho ou ao seu médium?

  14. Bom dia, me chamo Richardson, sou espírita da linha kardecista, trabalho como voluntário em uma casa que envolve várias religiões. Certa vez estava observando o trabalho de um preto velho à distância, havia muitas pessoas assistindo e muitas outras para serem consultadas pelo mesmo. Em diversas vezes o preto velho me chamou para pegar o chapeu dele, pegar a água que ele jogava e chegou até mesmo a me apresentar a uma das pessoas que ele atendia.
    Gostaria de saber qual o significado disso.

  15. Maria Cecilia, agradeço a sua colaboração. Se você souber de alguma manifestação do Divaldo sobre o tema em questão com outro posicionamento, farei questão de publicá-lo.

  16. Bom dia estimados irmãos. Primeiramente quero expor meu respeito pelos irmãos Umbandistas. Percebo que as colocações do Divaldo não foram bem compreendidas quanto ao contexto da exposição. Divaldo NÃO fala de manifestação de “Pretos Velhos” em centros de Umbanda, mas sim Reuniões Mediúnicas Espíritas, nas Casas Espíritas, digamos, Kardecistas. O Espírito que se manifesta com esta roupagem na Umbanda, se sério, o faz apenas para satisfazer aqueles que o recebem pela sua identificação com estas figuras, mas sabe que em sua essência esta forma é subjetiva. Então, se o espírito se apresenta com esta roupagem em uma Reunião Espírita (Kardecistas), é por não possuir elevação para compreender que não há necessidade de se usar tal forma neste local, pois nossa essência espiritual não necessita de definições de formas físicas ou títulos, de forma que esta condição deve ser esclarecida pelo médium espírita (Kardecista) ao espírito que se manifesta.
    Quanto a Bezerra de Menezes, os irmãos tem razão quando dizem que em Espírito não é Dr.; porém esta referência se faz apenas para identificá-lo quanto a sua última encarnação e associarmos a ele as lições que recebemos pelo seu trabalho no bem. Portanto, o uso do Dr. é uma referencia pessoal e não ao título profissional. Quem conhece Bezerra, sabe da sua humildade e que ele desencarnou pobre, pois doou até seu anel de formatura para os necessitados comprarem remédios, e em suas mensagens ele se identifica como “esse humilimo servidor Bezerra”.
    Aqueles que se sentiram ofendidos pela colocação do Divaldo, ouvida fora do contexto ao qual está inserida, peço que reconsiderem e não tomem conclusões apenas por este áudio, mas pesquisem mais a fundo a posição dele sobre a questão.
    Abraços e Paz a todos os irmãos.

  17. Focando no que realmente importa, que é o maravilhoso trabalho de nossos irmãos desencarnados, deixo minha opinião convosco.
    Da mesma forma que um Doutor em Medicina utiliza linguagem simples para ensinar seus alunos; Da mesma forma que Médicos utilizam de linguagem ainda mais simples para falar com seus pacientes; Da mesma forma que um pai, por mais brilhante que seja, ajoelha-se para que o filho olhe em seus olhos enquanto explica as verdades da vida para aquele que começou a caminhada:Aí está a figura anonima do preto velho. A pura devoção a caridade, a ajuda, sem preocupar-se com fama ou agradecimentos. Humilde, fala com simplicidade. Por própria experiencia, posso afirmar que o humilde preto de fala mansa torna-se o doutor em filosofia com linguagem rebuscada, se assim for a melhor forma de comunicação. Ele trabalha para levar ao encarnado o melhor entendimento, e utiliza a linguagem que melhor for apropriada no momento.
    Alguns destes senhores, anônimos em momentos que sentem a necessidade de ser, apresenta-se como espíritos de alta evolução em outros meios, o kardecista por exemplo. Triste é ver alguns senhores encarnados não reconhecerem entre seus próprios orientadores espirituais alguns pretos velhos… o tempo ensina.

  18. Boa tarde para todos vós.
    Eu acredito que todas as linhas são necessárias, pois todos estamos em fases diferentes de evolução, é como ir ao médico, se tenho um problema de coração não vou a um oftomologista mas sim ao cardiologista, mas muito provavelmente quem descobriu o problema foi o médico de clínica geral, logo funcionamos como um todo… na construção de uma casa também funciona assim, desde o engenheiro que desenhou o projecto ao simples obreiro que colocou os primeiros tijolos, resta-nos agradecer ao nosso PAI a perfeição da criação dele que nos encaminha para o lugar certo, para aquilo que precisamos e não para o que desejamos (2 coisas bem diferentes)… peco desculpa com a fraca comparação mas é assim que eu vejo as coisas, todas necessárias e uteis. deixo um abraço cheio de amor e muita luz.

  19. Que pena, Walteno!!!
    Para minha surpresa vi a pouco o seu comentário sobre o meu comentário…
    Peço desculpas se não fui entendida, eu estava mostrando este artigo ao meu grupo de estudo, por achá-lo muito bem escrito e oportuno para debates.
    Agradeço Morel pela minha defesa.
    Não sou especialista de nada e nunca vou ser, dei uma opinião do que EU acho, dentro do assunto, e nunca criticando o artigo, e infelizmente você na euforia da defesa não o compreendeu.
    Pena!!!
    Luz!!!
    Ah?!! Não sou Kardecista, sigo a minha fé…
    Paz e obrigada, serei mais cuidadosa…

  20. Morel, adorei seu último comentário. Eu nasci no Espiritismo, mesmo assim cresci aprendendo a respeitar a todas religiões. Li em um livro do Divaldo sobre a necessidade de alguns espíritos se apresentarem de certa forma. Não significa atraso ou evolução, depende da necessidade mesmo, do objetivo. Nenhum espírito evoluído vai se dispor a fazer trabalhos ou sei lá o quê. Mas compreendo a vontade que o nosso irmão tem de mostrar, de dizer que não é bem assim, porque eles sofrem mais preconceito que nós espíritas. Acho que esse preconceito vem do fato de que não temos realmente acesso a muita informação. O que conheço da Umbanda é exatamente isso, que se faz “trabalhos”, que tem muitos rituais, e isso vai realmente contra o acreditamos e praticamos. O Espiritismo exige muita disciplina e temos muito cuidado com a mediunidade. Seria interessante um texto mais explicativo do que ofensivo ou crítico. Não tem necessidade de comparar um com o outro, a necessidade deveria ser de esclarecimento mesmo. Se tiver algum texto nesse sentido, vou ler com muito respeito, pra compreender mesmo, para aprender. Eu sei que é necessária a existência da Umbanda e também não me acho melhor que ninguém que seja de lá. Com certeza, como em todos os lugares, existem espíritos mais e menos evoluídos. Obrigada.

  21. Walteno, se o seu comentário foi dirigido à Ana Paula, não me parece devido. Ela não se posicionou como “especialista”, pelo contrário; iniciou sua explanação com a sentença “eu acredito”. Lugar de especialistas e pretensos especialistas é o Forum Espírita, que tem entre seus membros especialistas de verdade e outros nem tanto.
    Todos nós emitimos juízos incessantemente. Neste momento faz quase 40 graus em Porto Alegre. Se eu disser: “Meu Deus, como está quente” estarei emitindo um juízo de valor, estarei me referindo à sensação de calor usando como parâmetro uma temperatura agradável para o corpo humano, para o meu especialmente.
    Quando alguém se refere à “verdadeira Umbanda”, provavelmente quer se referir à Umbanda sem a mistura ou sincretismo com religiões africanas, que aqui no Sul chamamos de batuque ou nação.
    Conheci dezenas de terreiros na infância e adolescência. Quase todas trabalhavam com batuque, cobravam por seus trabalhos e atendiam a quaisquer pedidos, sem examinar se seria caridoso ou não. É evidente que a Umbanda – será que devo dizer verdadeira Umbanda? – não tem culpa disso. Mas essa é a imagem preponderante. A Umbanda enfrentou e ainda enfrenta muito mais preconceito do que o Espiritismo – que ainda sofre preconceito de milhões de católicos, evangélicos e desconhecedores em geral. A Umbanda historicamente foi praticada por pessoas sem estudo e se ressentiu da falta de uma linha doutrinária. Poucos, muito poucos conhecem alguma coisa de Umbanda. Como praticante, você deve conviver com pessoas que buscam na Umbanda coisas bem diferentes do que ela oferece.
    Acho triste que pessoas de renome dentro de áreas co-afins emitam suas opiniões apressadas. Mas o fato é que, diferentemente do Espiritismo, o conhecimento da Umbanda não está tão acessível e não há consenso sobre o que se deve estudar para conhecê-la. Por conhecer o Norberto Peixoto e o seu templo de Umbanda, li, anos atrás, os livros de Ramatis psicografados por ele. Mas poucos sabem da sua existência e eles não são unanimidade entre os umbandistas que conheço.
    Acredito que seus esforços seriam melhor direcionados se, em vez de criticar quem não sabe como é, explicar como é.

  22. Nossa, que boas palavras tem o irmão walteno, a máscara cai mais cedo ou mais tarde, para aqueles que “sabem tudo”, (espíritas) antes de dar qualquer opinião a respeito de qualquer assunto, temos que estudar, afastando o preconceito, que atrapalha qualquer estudo sério. O coração do irmão Walteno já não consegue ficar calado com tanta falta de conhecimento a respeito da umbanda, das energias, do trabalho que é realizado nas mediúnicas, o cuidado da alimentação etc. Quem será que está realmente levando a sério os conhecimentos que adquire na sua religião, quem realmente as coloca em prática? Antes de criticar qualquer irmão, devemos olhar o que estamos fazendo com os nossos talentos, e colaborar com os nossos irmãos da espiritualidade, trabalhando, nos esforçando da melhor maneira possível. Obrigada ao irmão Walteno por se manifestar e ao Morel por abrir esse espaço.

  23. Não concordo que os espíritas estão acima do bem e do mal. Na minha humilde opinião tudo é válido desde que seja para o bem! Já recebi mensagens (avisos) de amigos, médiuns da Umbanda, considerei todas, pois me foram muito proveitosas e foram utilizadas para o bem! O preconceito está nos olhos de quem vê!

  24. Ainda vemos “especialistas” no mundo espiritual e em Umbanda que, após proferirem a sentença de “não conhecemos tudo”, imediatamente já emitem seus vaticínios sobre o que ELAS DETERMINAM o que é a “verdadeira umbanda”.
    Puxa, o mínimo de raciocínio, humildade ou metodologia científica que fosse já seria suficiente para perceber que novamente emitem juízo de valor sem vivência.
    Quando alguém decreta saber exatamente o que uma entidade evoluída faz deve realmente ser um espírito escolado nas mais altas esferas crísticas: “se a entidade for realmente evoluída, dará um passe…”
    Antes a mesma pessoa diz que “devemos nos preocupar com o que fazem os terreiros…”
    Assim, quem deve se preocupar?
    Que preocupação é essa?
    Os umbandistas também tem o direito de fiscalizar e apontar o que fazem ou deixam de fazer os kardecistas. Ah, esqueci. O kardecismo e seus seguidores, segundo algumas mentes, estaria acima do bem e do mal.
    Pessoas queridas, sejam científicos do tanto que alardeiam ser.
    Tal qual o Kardecismo foi “apresentado” primeiramente a norte-americanos e franceses, que preferiram o fenômeno ao conhecer em profundidade, a Umbanda foi “oferecida” para trabalhar junto com o Kardecismo, tanto que foi apresentada numa sessão kardecista. Como muitos fazem ainda hoje, os irmãos da época negaram-lhe acolhida, pela forma com que os espíritos se apresentaram, sem antes averiguar o quão Cristã, Humilde, abnegada, Generosa, simples e Redentora poderia ser.
    Quando alguém fala das “trocas”, não sei ao que se refere e desconheço o quanto tem estudo em física quântica, manipulação de energias (aqui falo das positivas, por mais que o princípio seja o mesmo). E aqui nem me estenderei sobre o assunto dos sacrifícios, primeiro porque essa não é uma prática de caridade que a Umbanda prega e principalmente porque invariavelmente quem aponta o absurdo que é um sacrifício, muitas das vezes durante a semana, ou mesmo no dia dos trabalhos nos centros kardecistas, comeram um hambúrguer, um peixe, uma galinhada, uma costelinha, um churrasquinho, que lhes proveu a força para ir ao imaculado trabalho “sem sacrifícios dos irmãos menos evoluídos”.
    Desconhecem, reconhecem que pouco ou nada sabem, mas imediatamente determinam como tem de ser.
    Muitos sequer sabiam/sabem que a Umbanda não é religião de matriz africana e que sua prática busca ser tão cristã quanto o Kardecismo.
    Mas isso pouco importa para aqueles que já sabem de tudo, não é mesmo?
    Até agora aguardo boas críticas “ponto a ponto” sobre o que escrevemos.
    Salve Deus.
    Salve os espíritos de boa-vontade.
    Louvado seja o Mestre Jesus.

  25. MINHA OPINIÃO – Não identifiquei nada de preconceituoso ou orgulhoso no discurso do Divaldo, muito pelo contrário, percebi nele a intenção de descaracterizar o espírito, “tirar” o rótulo de preto, vermelho… trata-se de um espírito evoluído ou não, no espiritismo, na umbanda ou em outras religiões, não conheço a umbanda mas acredito que eles trabalhem com a linha de pretos velhos, caboclos… é uma característica de identificação da umbanda, eu respeito. Mas, novamente, achei brilhante o discurso do Divaldo, dentro do que é lógico.

  26. Que maravilha?!!! De volta, prontos para mais um ano…
    E aí Morel? Já começou bem os artigos, …
    Bem, o que falar daquilo que não sabemos, qual será a verdade?!!! temos que respeitar todas as opiniões.
    Acredito que devemos nos preocupar com a intenção dos terreiros, a sua conduta, quem comanda, se tem estudos…
    Porque disso, a verdadeira umbanda não existe as famosas trocas e entregas, se entidade for realmente evoluída, ela somente te dará o passe e conselhos edificantes e só…
    Aí cabe a cada um o que pensar.
    Por condutas errôneas de alguns, deturparam a idéia da verdadeira umbanda.
    Como trabalhadora sempre nos trabalhos mediúnicos de desobsessão, peço sim a proteção de todos esses espíritos da umbanda… E como ajudam…
    Abraços Morel, bom retorno e agradeço por participar.
    Beijo a todos, luz!!!!
    Pensamos no universo… Seria tão pequeno de nossa parte rotularmos verdades…

  27. Ótimo posicionamento, Morel. Percebi no discurso do Divaldo também preconceito e orgulho. Interessante ver que os líderes de movimentos religiosos conseguem ser muitas vezes bastante egoicos e separatistas. Precisamos de um homem que não tenha preconceitos tanto na religião como na vida civil. Isto é condição para a evolução. É necessário que o humano tenha a consciência da estreiteza da visão individual sobre os fatos. Além disso, fundamental é perceber o que há nas entrelinhas. O paradigma positivista citado é um belo exemplo disso, pois enfatiza a problematização no objeto de estudo, ou seja no indivíduo, ao passo que outras visões incluem os efeitos da sociedade e dos grupos na constituição do sujeito. Parabéns pelo texto.

  28. Outro motivo de tristeza é o de saber que os “formadores de opinião” que são corajosos em acusar, até o momento, não se dispuseram a o diálogo de idéias.
    Imagino que falar sozinho ou a um público que não o questiona seja mais fácil.
    Isso é triste.
    Enfim. Tudo são escolhas.
    Salve Deus.

  29. Fico feliz por saber que, até o momento, a principal crítica ao texto foi de ser “hostil”.
    Todavia, aqui cabe novamente questionar sobre quem realmente é ou o que é contraditório.
    Quem acusa o texto de “hostil”, ao meu ver, estaria mais preocupado com a forma e não com o conteúdo, já que não o rebate em sua essência e, aparentemente, preferiria/aceitaria muito mais um equívoco travestido de magnanimidade e suavizado pelo discurso a ter de encarar um bom argumento dito por um rude.
    Sei que meu atraso espiritual ainda não me permite ser tão manso quanto desejo ser e que a alteração do tom de voz pode dificultar sua aceitação, mas, de qualquer forma, peço a caridade aos que sabem mais do que eu para questionar o que foi dito, coloco-me à disposição para aprofundamento do debate fraterno, de preferência com o Pentateuco Kardecista e as palavras do Querido Mestre Jesus como referência para as críticas ao contraponto do que foi escrito.
    Luz, Paz e Sabedoria.

  30. Patrícia e Ivanete, respondo a vocês não como tentativa de fazer prevalecer a minha opinião, mas apenas para justificar a publicação de um artigo que não é meu e faz uma crítica a dois espíritas, sendo que eu sou espírita.

    Divaldo Franco diz que “se tivessem lido em O Livro dos Médiuns, O Laboratório do Mundo Espiritual, saberiam que se a entidade mantém determinadas características do mundo físico, é porque se trata de um ser atrasado.”

    No entanto, Joanna de Angelis se apresenta com a aparência de uma freira que viveu no século XVIII. Achar que um espírito se apresenta como preto-velho porque mantém determinadas características do mundo físico e que, portanto, é um ser atrasado, levaria a crer que Joanna de Angelis, que se apresenta com as características que teve ao viver no século XVIII também seria um espírito atrasado, a manutenção da sua aparência seria um sintoma de atraso. Eu acho que não, nem em relação a Joanna de Angelis, nem em relação aos pretos-velhos.

    Poderia-se alegar que Joanna de Angelis se apresenta com a aparência de uma freira para fazer-se identificar. Mas ninguém encarnado hoje pode identificar uma freira que viveu no século XVIII.

    O espíritos que trabalham na Umbanda não se apresentam, por exemplo, como pretos-velhos, por manterem essas características do mundo físico, mas porque na Umbanda, trabalhando com Leis da Natureza, algumas forças que regem a Natureza têm consagradas a si falanges de espíritos designadas a determinados tipos de trabalho. A simplicidade e humildade do preto-velho permite desvendar psiquicamente os consulentes, que se sentem à vontade em sua presença.

    Cada arquétipo da Umbanda representa uma ordem de trabalho e dentro de cada ordem de trabalho existe uma falange de espíritos trabalhando. Por isso há muitos espíritos que trabalham com o mesmo nome, ao mesmo tempo, em locais diferentes, e nenhum deles precisa, necessariamente, ter animado o corpo físico de um negro ou velho. São espíritos que já se desligaram ou estão em vias de se desligar do egocentrismo humano e que adotam este arquétipo que para eles é como um uniforme, uma vestimenta de trabalho.

    A Umbanda é religião brasileira que merece todo o nosso respeito. Como brasileira que é, tem características que falam direto a grandes grupos que formam este povo. Embora a Umbanda se sirva da obra de Allan Kardec em seu aspecto doutrinário, não podemos analisá-la com conceitos puramente kardecistas, que são conceitos construídos sob a influência do positivismo de Augusto Comte na primeira metade do século XIX.

    Sou espírita, não sou umbandista. Sigo e recomendo as obras de Allan Kardec. Mas isso não me dá o direito de opinar sobre o que desconheço, e os autores em questão desconhecem a Umbanda, ou não teriam se manifestado como se manifestaram. Chico Xavier, quando questionado sobre a Umbanda e suas características, sempre soube louvar o fator fundamental da Umbanda, que é a evangelização.

    Por ser uma religião nova, que apenas há pouco tempo vem se livrando do preconceito – a Umbanda foi perseguida pela polícia durante décadas, por isso passou a denominar seus terreiros de “centro espírita de Umbanda” -, a Umbanda ainda se ressente de muita mistura, muito sincretismo, em alguns centros, com religiões africanas. A Umbanda não tem culpa dessa confusão. Assim como nós, espíritas, não temos culpa de sermos chamados de macumbeiros, feiticeiros, ocultistas, que largam despacho no cemitério e fazem pacto com o diabo. É isso que muitos irmãos de outras religiões dizem de nós, nem sempre por maldade, mas por puro desconhecimento.

    A Umbanda foi criada em 1908 com o objetivo maior de evangelizar. É religião cristã, como o Espiritismo.

    O arquétipo do preto-velho, como qualquer outro arquétipo, como citado no texto que publiquei, não podem ser analisados ou julgados pelo ponto de vista da doutrina espírita. A Doutrina é intelectual, requer o uso da razão, do raciocínio. A Umbanda trabalha com as energias da Natureza. Um espírito que se apresenta como preto velho, portanto, não é necessariamente um espírito ignorante e indigno de ser mentor de alguém apenas por se apresentar com esta aparência.

    Há espíritos atrasados que se apresentam como pretos-velhos, assim como há espíritos atrasados que se apresentam sob qualquer aparência ou nome. Mas isso não tem nada a ver com o arquétipo do preto-velho na Umbanda.

  31. Faço coro com a Ivete…
    Não interpretei nada no vídeo como preconceito com a umbanda.
    Já a resposta, achei bem hostil.

  32. Sou espírita, acho que tudo está de acordo e aprendi com Divaldo e também com Ramatis tudo o que foi explanado. Não vejo divergências no que foi apresentado, nem falta de humildade dos nossos instrutores. É uma questão de interpretação e análise dos ensinamentos.

  33. Maria da Graça, não acredito que haja preconceito por parte de muitas pessoas. A maioria apenas receia aquilo que desconhece. É que algumas opiniões chamam a atenção, por isso a manifestação dos autores do texto é válida e bem-vinda. Mas você está certa, é preciso abrir as mentes.

  34. Agradeço ao Srs Jorge e Walteno pela exposição da sua posição.

    Confesso que até ler o livro Tambores de Angola de Robson Pinheiro eu tinha preconceito contra a Umbanda, mas certamente em decorrência da minha ignorância e nada mais.
    Tenho lido bastante sobre várias “correntes” ou “linhas de pensamento” espíritas ou espiritualistas, conforme queira alguém classificar, e cada vez mais creio que está abrindo muito meus horizontes. O debate é sempre salutar desde que desprovido de soberba, fanatismo e vaidade, dentre outras características do radicalismo.
    Pelo exposto Morel, creio que faltou aos renomados Divaldo e Hessen a humildade, quer seja em reconhecer que se enganaram ou mesmo em argumentar quanto à contribuição do Walteno e do Jorge.
    Isso apenas demonstra ainda mais o quanto imperfeitos somos e, via de regra, primamos por nos ater aos 10% que nos diferenciam, esquecendo dos 90% que nos aproximam.
    Morel, Walteno e Jorge, obrigado pelos seus ensinamentos.
    Abraço fraterno!

    Marcelo

  35. Lindo, maravilhoso texto da indignação dos nossos irmãos. Esclarecedor, e mostra o preconceito que os nossos irmãos da Umbanda sofrem, penso da mesma forma, sou admiradora da Umbanda, pelo seu trabalho realizado, é uma pena que no meio espírita existem tantos preconceitos para com a Umbanda, e digo, os preconceitos não param por aí. É chegado os tempos para abrir a mente e acabar de vez com a hipocrisia que os séculos não conseguiram apagar. Salve Deus de todos! Obrigada.

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