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O argueiro e a trave no olho

o argueiro e a trave no olho
A trave no olho

ARTIGO DE AUTORIA DE ANA BLUME

Bem-aventurados os misericordiosos: “O argueiro e a trave no olho”.

É bem conhecida a analogia que fez Jesus, ao nos explicar um dos mais profundos males da humanidade.

Por que vês o argueiro no olho do teu irmão?

Temos conosco, em razão de nosso grau inferior de evolução, a tendência de julgar duramente os outros por seus erros, ao passo que, em relação a nossos próprios erros, somos poços de indulgência.

Onde está nisso a caridade e o perdão?

Por tantas vezes já ouvimos sobre os benefícios infinitos do perdão, da humildade e da misericórdia; ainda assim, a mensagem já decorada pelo cérebro pouco afeta o coração.

Continuamos reproduzindo, apesar de nossas boas intenções, os erros originados no orgulho e na arrogância. E até mesmo nossa formação espírita pode se tornar uma armadilha e fazer com que nos acreditemos mais importantes, mais informados ou até mesmo, de certa forma, superiores àqueles que seguem outras doutrinas ou que não seguem doutrina alguma.

Tal conduta só serve para mostrar a nós mesmos nossa própria insegurança, que tem por origem a sensação de inferioridade natural que sentimos por termos nos afastado do Criador, caindo nas fileiras da maldade.

Assim, uma das melhores formas de reconstruir as pontes que nos ligam a Deus é exatamente a autoaceitação, o reconhecimento de nossas fraquezas, a misericórdia com os outros, a alegria sincera pelo sucesso alheio, a tomada da responsabilidade por nós mesmos. Tudo isso tem apenas um nome: o autoamor.

Quando nos aceitamos e nos amamos, não temos necessidade de procurar o mal em outrem para nos envaidecermos. Sabemos quem somos, compreendemos os limites que nos impõe nosso grau de evolução e, em contato com o outro, buscamos nele o melhor, perdoando-o por suas próprias limitações.

É esta uma das formas mais belas de caridade.

Procuremos, através da reforma íntima e do autoconhecimento, a retirada da trave de nossos olhos, através da aceitação e do amor a nós mesmos; é esta a única forma de amarmos também ao próximo.

Ana Blume é estudante de Sociologia e espírita desde os 7 anos – Idealizadora do blog “O Evangelho Segundo o Espiritismo Simplificado”

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6 Comentários

  1. Estou montando uma palestra para segunda-feira e adorei o texto e vou basear meu estudo nele. Muito obrigada.

  2. Como nos falta humildade para reconhecermos nossas imperfeições, e é exatamente assim, diminuímos o próximo para nos elevarmos. Santa escola divina, que não precisa de rematrícula, e nem de vestibular, onde quer que nos encontremos, somos alunos presentes na vida a nos ensinar. Muito bom o texto, Ana, me senti em uma sala de aula aprendendo a teoria, para agora ir para o estágio da vida, tentar praticar, praticar, praticar, e não desanimar se demorar para aprender. Muita paz a todos.

  3. “…a mensagem já decorada pelo cérebro pouco afeta o coração… autoaceitação… verdadeira caridade…”
    Lindas frases, já ficou gravado em meu coração.
    Parabéns pelo texto, e obrigada.

  4. Gostaria de agradecer a todos (Morel, Rodrigo e Ana. Se ficou alguém sem ser citado me desculpe, pois tenho pouco tempo de leitura do site e só vi artigos dessas três pessoas) que compartilham artigos conosco, fazendo nos regar todo dia com um pouco mais de conhecimento.
    Toda vez que leio um artigo de vocês tenho a certeza que já tenho uma bagagem trilhada no espiritismo, mas que estava adormecido. Tenho aprendido (relembrado) muito e tem me feito muito bem essas leituras.
    Agradecer também aos comentários de todos, pois é interessante conhecer o ponto de vista de cada um, com experiências ímpares, vendo como Deus age de forma extraordinária em nossas vidas.
    Esse artigo da Ana reflete bem a situação em que me encontro, mas que aos poucos vou conseguir “contornar”.
    Força e paz para todos.

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