Comportamento, Mídia e sociedade

O egoísmo na sociedade – um olhar espírita

pessoas caminhando

Morel Felipe Wilkon

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Para o espírita, todos os males humanos nascem do orgulho e do egoísmo

Os males da sociedade derivam do egoísmo dos indivíduos. Desde o início da civilização, quando o homem começou a se organizar em grupos maiores, superando os regimes tribais, códigos e normas de conduta tentam organizar a vida em sociedade. A lei de talião, proposta por Moisés, o famoso “olho por olho e dente por dente”, embora possa nos parecer primitivo, foi um grande avanço para a época. Seus primeiros indícios são anteriores a Moisés, estavam expressos no Código de Hamurabi, de 1780 a.C., no reino da Babilônia. Ela impedia que se fizesse justiça com as próprias mãos.

cada um cuida de si
Egoísmo em sociedade

Antigamente vigorava a vingança até as últimas consequências. Se alguém arrancava um olho do inimigo, os parentes deste fariam vingança: se pudessem, matariam quem arrancou o olho, matariam as crianças, estuprariam as mulheres da família, saqueariam a sua aldeia e por fim colocariam fogo em tudo. Essa era a regra. A lei de talião, ao limitar o objeto da vingança ao estritamente lesado, representou uma inovação digna de admiração. Sem falar que ela simboliza a Lei de causa e efeito, à qual Jesus acrescentou a Lei de Amor.

No decorrer dos séculos muitas legislações funcionaram, muitos regimes dirigiram os homens, muitos costumes surgiram e desapareceram sem deixar vestígios.

Hoje vivemos, no Brasil, o que se convencionou chamar de democracia, e novas leis surgem a toda hora tentando melhorar a vida em sociedade. É claro que precisamos de leis, e que algumas leis representam avanços indiscutíveis. Mas não se acaba com o egoísmo por decreto.

A preocupação exacerbada com os próprios interesses faz com que qualquer coisa ou pessoa que contrarie esses interesses se torne um estorvo a ser eliminado.

Orgulho e egoísmo

Pode-se fazer leis para defender minorias, pode-se fazer leis para garantir a ordem, pode-se fazer leis para salvaguardar direitos econômicos. Mas não há lei possível para acabar com o egoísmo pessoal, ou de classe, ou de família.

O egoísta pessoal se acha um ser especial, uma divindade não reconhecida, uma celebridade oculta no meio da plebe. Quer tudo para si, exige privilégios e paparicações. Não lhe passa na cabeça que os outros têm interesses, e desejos, e sentimentos que devem ser respeitados.

O egoísta de classe tem convicção de que o grupo a que pertence é o único correto, o único que tem direitos inegáveis. Seja um grupo religioso, político ou profissional, ele esquece que existem inúmeros outros grupos que compõe a sociedade, com pensamentos e posicionamentos legítimos e respeitáveis. Ele ignora que os grupos são formados por indivíduos como ele, com sentimentos, anseios e ideais como ele.

O egoísta de família preserva uma espécie de mania de casta, pensa que sua família é melhor e mais nobre que as outras, que um sangue especial corre em suas veias. Seus membros familiares merecem tudo. Se há divergência com outras pessoas, certamente os seus familiares têm razão. Não cogita a hipótese de que seus filhos estejam errados, ou que seus pais sejam desonestos, ou que haja famílias mais especiais que a sua.

Todos os males que assolam a humanidade, todas as pequenas e grandes misérias da sociedade se devem ao egoísmo. A criminalidade que gera insegurança, os acidentes de trânsito, a corrupção, as tragédias passionais, os enganos, as maledicências, as desonestidades.

Há leis para cuidar do trânsito, mas não para fazer os motoristas se respeitarem uns aos outros; há leis para coibir a corrupção, mas não se pode legislar sobre o caráter e os princípios morais; há leis prevendo infrações e respectivas punições para todas as áreas da sociedade.

A base da legislação do futuro é o Evangelho. Emmanuel se refere aos Evangelhos como “códigos de Justiça e de Amor que são a base da legislação do futuro”.

É imprescindível zelar pela sociedade. Mas há idealistas agnósticos que acreditam que as leis conseguirão, um dia, transformar a sociedade. Ficam em busca da “lei ideal”. Fazem teses e mais teses falando sobre a banalização do mal, tentando entender a sociedade.

Não há como entender a sociedade sem entender o indivíduo. A sociedade é composta de indivíduos. O composto não pode ser melhor do que a soma total dos seus componentes. Buscam causas na História. A causa da sociedade pode estar na História, mas só reconhecendo a reencarnação para compreender que nós mesmos, em outras existências, escrevemos a História. Nós somos a causa de nós mesmos. 

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11 Comentários

  1. Edilene, é plenamente compreensível que você sofra por ver o sofrimento da sua irmã. Isso é empatia, a capacidade de se colocar no lugar do próximo – algo que todos nós temos que desenvolver.
    Acredito que o modo como falaram com você foi equivocado. A comunicação é uma arte difícil: envolve o emissor e o receptor, ou seja, quem fala e quem ouve. Há que ter cuidado sobre como se fala algo, mas também há que se ter cuidado sobre como se ouve algo.
    Repito que compreendo a sua dor. Há pessoas que amo muito, e sem dúvida sofreria se elas passassem por situação semelhante à da sua irmã.
    Mas deve ficar claro que isso não é fruto do “amor”. Amor é algo maior que isso. Amor envolve a plena compreensão da Vida, e, se amássemos de verdade, se tivéssemos um amor incondicional e pleno, compreenderíamos que a dor é um estágio educativo para o espírito e que tudo passa.
    Quando disseram que você está sendo egoísta isso não é num sentido pejorativo, negativo. Vou dar um exemplo: Você assistiu ao filme Amor além da vida? Neste filme uma mãe perde os seus dois filhos num acidente e depois perde o seu marido num acidente. E sofre terrivelmente, e se perde no seu sofrimento, chegando ao suicídio. As pessoas se sensibilizam com a dor dela e têm pena. Podemos sentir pena. Mas ela não deixa de ser egoísta por isso. Ao negar a vida, ao fugir do mundo, ao entregar-se completamente à dor, ela está pensando só em si, está fechada no seu ego, está fazendo da sua dor a coisa mais importante do mundo. Quantas pessoas ela podia ter ajudado, depois que ficou sozinha? Ela poderia ter sido muito útil a muitas pessoas se desse um exemplo de superação e amor à vida.
    Podemos achar isso muito difícil, afinal, não somos santos – claro que não somos santos! Somos… EGOÍSTAS.
    Sim, isso é egoísmo. Todos somos egoístas, absolutamente todos. Egoísmo é viver em função do ego. A energia que você gasta sofrendo você pode converter em energia útil, transformando a dor da sua irmã num elemento propulsor do amor que há em você, dando um sentido útil à dor. Você pode dedicar-se a fazer o bem, a diminuir a dor das pessoas que enfrentam situação semelhante à dela. Você pode esclarecer-se espiritualmente para compreender que em tudo há uma razão de ser, e, com isso, dar novas esperanças aos que sofrem.
    Isso é fácil? Não. Eu faria isso? Talvez. Mas ISSO É AMOR. Entregar-se ao sofrimento é egoísmo.
    Espero que tenha entendido. Viver em torno do sofrimento dela, alimentando a dor e fazendo com que ela crie um profundo sentimento de pena de si mesma não ajuda em nada. O que pode ajudá-la é encontrar um sentido no que está acontecendo, é aproveitar a oportunidade de compreender a Vida, as Leis de Deus, o Amor que rege tudo, e esforçar-se para fazer com que ela sinta pelo menos um pouco de alegria e reconforto.
    Fiquem com Deus!

  2. Estranho, fui cobrada de pessoas que estudam o Espiritismo que eu estou sendo egoísta por sofrer pela doença de minha irmã, sofro sim por saber da dor que ela sente na carne, afinal são 7 vértebras quebradas e fazendo ela perder os movimentos das pernas, como não sofrer? Sabendo que nem morfina tira sua dor, isso para mim não é egoísmo, é sim um amor que sinto por ela. Sei que um dia ela vai partir, só que eu por amar sofro por vê-la com dor.

  3. Luis, se o egoísmo resulta da proximidade da matéria, como você bem afirma, a solução que se depreende para deixar de ser egoísta é justamente afastarmo-nos do que for essencialmente material. Eu compreendo assim e muitas pessoas compreendem assim, sem que haja a necessidade de receita para isso. Até porque não há receitas infalíveis, o que serve para um não servirá para o outro. Amor ainda é algo praticamente desconhecido. Emmanuel fala muito bem do Amor que devemos conhecer um dia. Inclusive com receitas. Ele tem moral para isso; eu ainda não tenho.

  4. Fala-se tanto do egoísmo e do orgulho; o primeiro, a maior chaga da humanidade e pai de todos os males nos relacionamentos entre os homens; o segundo, filho daquele.

    No entanto, por que somos tão egoístas? Inoculamos, propositadamente, em nós mesmos, o vírus do egoísmo? Desejamos e decidimos ser egoístas, mesmo conhecendo as terríveis consequências da lei de causa e efeito? Escolhemos ser egoístas? Se existe a liberdade de escolher, qual é a causa de uns escolherem ser egoístas, enquanto outros escolhem ser solidários?

    Não é o egoísmo nada mais do que um sentimento natural a todos, humanos e não humanos, pois é nascido do natural confronto da natureza que Deus nos deu, com a natureza ameaçadora que Deus deu ao mundo?

    A própria doutrina afirma que é um sentimento natural, pois resulta da proximidade da matéria em que fomos por Deus colocados!

    Se não fosse um sentimento natural, qual seria a causa de nos termos tornado tão egoístas e, assim, levar sofrimentos para os demais e para nós mesmos? Desejamos sofrer? Desejamos, com nosso insignificante poder, desafiar a lei Daquele que é Todo Poder?

    E de que adianta aconselhar alguém a não ser egoísta? Todos, religiões e religiosos, milhares de conselhos, mensagens etc dizem: não seja egoísta (ou, não seja perverso, mentiroso, orgulhoso, desonesto,etc etc; mas todos dizem somente “o que fazer ou o que ser”; neste caso o que fazer: não ser egoísta (isto vale para todas as imperfeições dos homens) contudo ninguém, nem religiões nem doutrinas, nem filosofias dizem o “como fazer”, como fazer para não ser egoísta. Todos os defeitos morais, todas as doenças da alma se resumem numa só: na falta de amor e, sem dúvida, o remédio para todas essas doenças se resumem num só: em ter amor no coração. Mas, como fazer isso? Quem, qual religião, doutrina ou filosofia sabe ensinar o “como fazer” para ter amor no coração? Pois, sem dúvida, absolutamente ninguém ensina e ninguém aprende a amar, nem a ter amor, nem com ensinamentos escritos ou falados, nem com conselhos, nem com exemplos de quem quer que sejam.

  5. Acho que todos somos egoístas ainda em pequeno ou grande grau….somente o verdadeiro “Amor”, quanddo alcançarmos ou melhor entendermos o que é o Amor como Jesus, Chico Xavier, Madre Tereza e tantos outros ai seremos felizes!!! <3

  6. Lari, não tenho conhecimento suficiente para analisar a astrologia. Acredito que tudo esté interligado, então há muitas maneiras de chegarmos às mesmas conclusões. Conheço espíritas sérios que estudam astrologia.
    Obrigado pela participação.

  7. Adorei seu texto !! Assim como os outros,rsrs,

    Eu queria lhe perguntar uma coisa se possível, o senhor acredita em ASTROLOGIA? Estou perguntando pois simpatizo muito com a doutrina espírita, muito esclarecedora, porém, também acredito na astrologia (que, de fato, é uma ciência) e pesquisei se há relação entre os dois, já que há tantas semelhanças!
    Ambos falam sobre a lei de causa e efeito
    (Veja que quando falo em Astrologia, não falo sobre horóscopo de revista, e sim do mapa astral que cada indíviduo tem de acordo com a data, hora e local de nascimento, ou seja, há individualidade) e há a constatação de seus ensinamentos, a maioria das pessoas que leem a interpretação de seus mapas astrais fica de boca aberta por falar tanto sobre si mesma, sua vida, tudo etc..

    Enfim, encontrei isto:
    ————————————————–
    “O campo magnético e as conjunções dos planetas influenciam no complexo celular do homem físico, em sua formação orgânica e em seu nascimento na Terra.”

    A resposta de Emmanuel retrata sem pormenores, uma influência material no organismo, e não o livre arbítrio ou mesmo na personalidade humana, como apregoam os astrólogos. Mesmo essa influência no organismo é mínima e quase desprezível como bem colocamos acima. Sendo ele um Espírito, partidário da reencarnação, e profundo conhecedor das leis de causa e efeito, de forma alguma atrelaria o futuro psíquico do indivíduo na Terra, única e exclusivamente ao momento do seu nascimento. Como um Espírito possuidor de grandes conhecimentos, não poderia omitir-se ao fato de que mesmo sendo mínima esse tipo de influência existe, como bem nos colocou o Espírito Arago, em “A Gênese”, afirmando categoricamente, ao mesmo tempo ressaltando que a suposta influência dos corpos celestes e dos corpos de uma maneira geral não possuem o poder de modificar o nosso livre-arbítrio.
    ———————–
    (Emannuel)

    Mas acredito que não entenderam o conceito de ASTROLOGIA, as pessoas costumam culpar os astros por serem x ou y, mas a verdade é que os astros NÃO DETERMINAM COMO VOCÊ VAI SER, a verdade é que por você ser X E Y OS ASTROS REFLETEM O QUE VOCÊ É

    O que está em cima, é como o que está embaixo

    No caso, eu acho que a astrologia se relaciona com o espiritismo pelo fato de que o espírito é como se fosse ”atraído” para as vibrações dos planetas, conjunções, posicionamentos de acordo com seu ”karma”, assim, ele nasceria no momento em que o céu estivesse x, refletindo apenas que ele é x, e não o determinando, ele apenas é como um espelho…

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