Mídia e sociedade

O mito da caverna – opinião espírita

mito da caverna

Morel Felipe Wilkon

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O mito da caverna, de Platão, se aplica perfeitamente à hipnose midiática atual. Minha opinião espírita sobre o tema…

Quatro séculos antes de Jesus encarnar na Terra, Platão nos alertava para a distorção com que nós observamos a realidade. O mito da caverna conta que alguns prisioneiros vivem, desde o nascimento, acorrentados numa caverna, passando todo o tempo a olhar para a parede do fundo da caverna, que é iluminada pela luz duma fogueira. Nesta parede aparecem as sombras de estátuas de pessoas, de animais, de plantas e de objetos, mostrando cenas e situações do dia-a-dia. Os prisioneiros dão nomes a essas sombras e ficam analisando e julgando as situações.

alegoria da caverna
O mito da caverna, de Platão

Se um desses prisioneiros se desvencilhasse das correntes para explorar a caverna por dentro e o mundo por fora, conheceria a realidade e perceberia que passou a vida analisando e julgando apenas sombras, imagens projetadas por estátuas. Quando saísse da caverna e entrasse em contato com o mundo real, se encantaria com os seres de verdade, com a natureza real. Ao voltar para a caverna, ansioso pra passar o seu conhecimento adquirido fora da caverna para os outros prisioneiros, seria ridicularizado. Os prisioneiros que não conheciam a realidade não acreditariam no que ele viu e sentiu, pois só eram capazes de acreditar na realidade que enxergavam na parede iluminada da caverna, só acreditavam nas sombras. Iriam chamá-lo de louco, iriam ameaçá-lo de morte se ele não parasse de falar daquelas ideias que pareciam tão absurdas.

Ciência e espiritualidade

A maior parte dos encarnados é como os prisioneiros da caverna. Tem uma visão completamente distorcida da realidade. Como os prisioneiros da caverna, eles só enxergam e só acreditam nas imagens que a grande mídia lhes oferece, aceitam a palavra de revistinhas comprometidas que lhes falam sobre “os últimos avanços da ciência”, sem levar em conta que tecnologia de entretenimento e pesquisas com ratos de laboratório estão longe, muito longe de resumir o que seja Ciência. Aceitam de boca aberta conceitos baratos de pseudointelectuais travestidos de “jornalistas” ou apresentadores de programas de massa. Acatam informações que julgam importantes e que no entanto não afetam em nada suas individualidades, não alteram em nada suas existências, não atingem a sua esquecida consciência. O mundo que a grande mídia vende não representa a realidade. A única maneira de conhecer a realidade é se libertando da influência da caverna midiática de entretenimento barato e cultura de supermercado.

A grande mídia e você

Para uma criança no útero materno a barriga da sua mãe é a realidade. Calor, segurança, conforto. Não imagina que terá que sair. Não acreditaria que existe algo além do útero, algo mais que o interior da barriga da mãe. Quando se aproxima a hora do nascimento, de vir à luz, de sair para o mundo, estranha, fica confusa, não gostaria de interromper aquilo que estava indo tão bem. Tão logo é trazida para fora, começa a perceber a claridade, as cores, outros sons, e logo uma infinidade de coisas e formas desconhecidas e inimagináveis se lhe apresentam aos olhos.

Com a morte, ainda, o fenômeno é semelhante. O medo do desconhecido, a ideia errada de que a única forma de vida é essa, de que tudo se resume à matéria, a desconfiança com um plano desconhecido.

Problemas são oportunidades de crescimento

Tudo isso é tendência à inércia. Tudo isso é medo do desconhecido, é comodismo acomodatício. A Vida é muito mais do que parece ser. Somos seres cósmicos, filhos de Deus todo-poderoso, aprendizes do Cristo. Quanto antes nos libertarmos da ilusão dos nossos sentidos, melhor.

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8 Comentários

  1. É incrível observar como o tema proposto por Platão na antiguidade clássica é presente nos dias de hoje. Vivemos na Matrix… Um mundo que por definição não é real pois nossa pátria espiritual encerra as verdades que por vezes esquecemos. Viver fora das influências do mundo é muito difícil, dada nossa condição de seres em evolução. Nosso simples estado transitório de seres encarnados nos coloca em uma posição extremamente desvantajosa. Peço a Deus que possa me orientar dando discernimento paciência e resignação para tomar os melhores procedimentos durante os meus dias na terra, acredito que temos a escolha de adotar posturas menos influenciáveis e mais espiritualizadas, porém não critico quem não os adota, pois reconheço que por vezes é isso consiste em uma batalha silenciosa e solitária, que são sem sombra de dúvida sempre as mais ferrenhas.

    Ao irmão Gaspar, obrigado pela ajuda!

  2. Boa noite a todos, grande reflexão nos trouxe essa abordagem muito bem explanada, Morel. As nossas conquistas de aperfeiçoamento e aprimoramento moral geram uma sensação de leveza de alma, de libertação das nossas cavernas que realmente nos sufocam e não nos permitem enxergar o quão maravilhoso é do lado de fora. Sabe, tenho meus pais já com idade bastante avançada, e sempre viveram num mundo muito limitado dentro de suas cavernas. Infelizmente hoje já com as limitações que a vida lhes colocou, a caverna deles se estreitou ainda mais, pois passam o dia todo dependentes do que a mídia lhes oferece, percebo eles cada dia mais deprimidos e angustiados, mas infelizmente não tiveram e continuam não tendo coragem e nem ousadia para saírem da inércia e conhecer o lado de fora da caverna. Oro muito por eles, e peço a Deus que de alguma forma desperte neles um desejo de sair dessa situação, pois me sinto desconfortável com isso, vejo que a vida passou, e com o tempo, os aprisionou cada vez mais. Felipe, que a companhia de Deus te ilumine cada vez mais.

  3. Concordo com você, Maria da Graça. Só devo lembrar que há enorme diferença entre preconceitos e conceitos solidamente estabelecidos.

  4. Nós fazemos escolhas em nossas vidas. O problema não é o que os outros fazem com o que conhecem ou estão aprendendo hoje, qual a nossa visão em relação a tudo que nos é mostrado. Tem uma frase que eu gosto muito de sempre lembrar; viver no mundo, mas não para o mundo. Escolhas, essa é a questão! Devemos ter cuidado com tudo isso, porque senão vamos ter um tipo de preconceito, vamos nos afastar de tudo e de todos, por não pensarem como nós, o progresso se dá também em dividir experiências com irmãos que pensam diferente. Um abraço a todos!

  5. Obrigado pela colaboração, Josiane. Estamos progredindo, isso é inegável. É só nos compararmos com a situação de séculos – em alguns casos décadas – atrás. Bato nessa tecla porque sei que muitas pessoas precisam apenas de um “empurrão” para escolherem um caminho mais acertado. O óbvio só é óbvio para quem o conhece…

  6. Olá Morel, infelizmente a mídia exerce muita influência na vidas das pessoas. O que a mídia faz parecer correto é totalmente imoral ao meu ponto de vista, mas devido a essa influência, muitas pessoas acham que é o certo e acabam adotando as mesmas atitudes para a sua própria vida. Traições e mau-caratismo parecem “normais” atualmente. Eu particularmente reflito muito sobre isso e acho que pareço ser de outro mundo em meio a tantas “falcatruas” e sabotagens com o próximo. Nós como espíritas aprendemos a fazer o melhor e nos tornarmos cada vez melhores, mas quanto mais adquirimos conhecimento e mais nos superamos, mais nos é cobrado, percebo isso com o passar dos anos. Algumas pessoas, mesmo tendo todas as oportunidades, se recusam a “sair da caverna”, se recusam a progredir moralmente. Existe muito orgulho e falta de compaixão! Oro para que possamos subir a cada dia um degrau da evolução, que possamos compreender melhor a “pobreza de espírito” que assola a sociedade. Abraços!

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