Pensamento e disciplina

O poder da palavra numa ótica espírita

abrindo a boca

Morel Felipe Wilkon

Ouça este artigo na voz do autor

A palavra tem poder. As palavras negativas não merecem ser pronunciadas. Uma ótica espírita sobre a palavra e suas consequências.

A realização acontece em três etapas: Pensamento, palavra e ação. A origem de tudo é o pensamento. Ainda não temos as melhores condições de domínio sobre os pensamentos. Jesus nos apontou a importância do controle sobre os pensamentos ao nos falar sobre o adultério em pensamento. A lei antiga, de Moisés, proibia o adultério (da mulher, é claro; a mulher era propriedade do homem). Jesus inova o mandamento ao dizer que todo aquele que desejasse a mulher do próximo já estava cometendo adultério.

Espiritismo e a importância do pensamento

Ele estava se referindo aos nossos pensamentos íntimos, que revelam o que nós somos de verdade. Podemos passar uma imagem de bonzinhos mas mantermos os pensamentos poluídos. É o caso do adultério em pensamento. Ele não é colocado em prática por falta de oportunidade ou por covardia. Mas, em intenção, em pensamento, ele existe.

boca fechada não entra mosca
Palavras negativas não merecem ser ditas

Devemos procurar, todos os dias de nossas vidas, controlar os nossos pensamentos, não há dúvida. Mas devemos reconhecer as diferenças entre as etapas da realização. Uma coisa é desejar a mulher (pensamento); outra, mais grave, é declarar isso a ela e fazer-lhe propostas (palavra); outra, conclusiva e irreversível, é envolver-se sexualmente com ela (ação). O adultério é apenas um exemplo, para ficarmos no ensino de Jesus. Isso se aplica a qualquer ato. Pode-se pensar em agredir alguém; pode-se agredir verbalmente alguém; e pode-se agredir fisicamente alguém. São estágios crescentes da realização.

Se não conseguimos impedir o acesso do Mal ao nosso coração, devemos tentar não pensar nele. O pensamento é creador, e atrai outros pensamentos de igual teor. O pensamento imaginativo sobre a raiva, por exemplo, atrai pensamentos idênticos de outros espíritos, encarnados e desencarnados, que potencializam a raiva inicial, formando imagens, estórias e emoções cada vez mais reais e vivas.

Se, apesar de estarmos conscientes de que devemos exercer o controle sobre os nossos pensamentos, nos perdermos, algumas vezes, deixando a imaginação correr livre, sem nos darmos conta de que estamos atraindo pensamentos afins, ou, mesmo percebendo que estamos com pensamentos indesejáveis, não conseguirmos controlá-los imediatamente, tentemos, com todas as forças, não manifestá-los com palavras. A palavra é a etapa seguinte ao pensamento, e sua força de expressão é capaz de exercer o poder de uma ordem em relação a espíritos ignorantes que se identifiquem com o seu teor.

O Mal não merece ser mencionado em nosso dia-a-dia. As palavras negativas não merecem ser ditas. Os pensamentos distorcidos e errôneos não devem ser transformados em palavras. A mania de reclamação, o péssimo hábito de falar mal dos outros, os comentários negativos a respeito de tudo, a ironia, o sarcasmo, o deboche, são atitudes manifestadas em palavras que não merecem ser articuladas.

Mania de reclamação

Falar mal dos outros

Espiritismo e o desabafo

Não se deve confundir a externalização dos sentimentos, que se faz eventualmente para alguém de muita confiança e amizade, ou para algum profissional da análise humana, com o desabafo chinelo, a reclamação azeda, a fofoca, a hipocrisia terrível de falar dos outros pelas costas.

Tentemos, sempre, purificar os nossos sentimentos e controlar os pensamentos. A oração, a meditação, a leitura edificante, o estudo metódico das coisas do espírito, são algumas maneiras de controlar o padrão de pensamentos. Quando isso não for suficiente, guardemos nossas mazelas conosco, não sejamos instrumentos do Mal, espalhando aos outros o que não presta. É compreensível que não controlemos sempre o que se passa em nossas cabeças, mas manter a boca fechada não é assim tão difícil…

Conheça meu canal no Youtube!

Artigo AnteriorPróximo Artigo

14 Comentários

  1. Thainara, é importante você perdoar a ele e a você mesma. Perdoar é desligar-se. Desligue-se desse erro e siga a sua vida. Todos os erros que cometemos e a respeito dos quais nos conscientizamos formarão oportunidades de reparação. Se não com a mesma pessoa, com outra. Você vai se defrontar, algum dia, com situações semelhantes, e então será a sua vez de consolidar o seu aprendizado na prática, agindo como sabe que deve agir.
    Fique com Deus.

  2. Gostei muito desse texto… recordou-me uma pessoa com a qual tive um conflituoso relacionamento e que após muitas brigas e ofensas a pessoa disse que tinha profundo desprezo por mim… quis entender por que usou essa palavra comigo, analisei minhas atitudes e realmente vi que não fui legal, ambos não fomos, e terminou tudo de forma desconfortável, em guerra, o que me deixou uma triste sensação de nunca mais poder fazer as pazes, porque me doeu ficar esse clima ruim… li muito, estudei muito, estou trabalhando em minha reforma íntima para que EU não aja mais assim com ninguém, para não despertar o desprezo em outra pessoa e para que possa ter um relacionamento saudável, entretanto fiquei com a desagradável necessidade de pedir desculpas, embora não exista a possibilidade de conversa, então pedi a Deus, sonhei diversas vezes com a pessoa, penso que só eu fiquei com a consciência pesada e por isso sofro, por isso sempre peço que se for para o melhor que me seja dada a oportunidade de pedir desculpas… mas foi muito, muito ruim alguém por quem eu tinha grande carinho e afeição me dispensar desprezo… palavra tão pesada e tão cheia de conteúdo de conotação negativa… existe algo mais que eu possa fazer para reparar esse mal que causei e que me foi causado?

  3. Que texto edificante! Com certeza influenciado por um espírito muito elevado. Espero que continue tendo forças e boa vontade para continuar publicando esses textos que auxiliam bastante as pessoas que os leem. É uma dentre as várias formas de ajudar ao próximo. Fique com Deus.

  4. Ana, estou longe de ser especialista no assunto, mas o autismo, de um modo geral, se caracteriza como auto-obsessão. São espíritos muito inteligentes que fizeram mau uso da inteligência e fogem do sofrimento psíquico causado pelo remorso. Assim como a síndrome de Down, a reencarnação é o melhor remédio de que dispõem. Acho provável que determinadas coisas – como esta música a que você se refere – deve ativar no seu filho lembranças muito tristes de outra existência ou do período posterior ao desencarne. O fato de eles viverem sob as impressões dos dois planos favorece isso.

  5. Morel, hoje estou muito chata 🙂 .
    Sei que talvez a minha questão não se enquadre no seu texto, que li muito atentamente.
    Mas falando no poder do pensamento eu me lembrei do meu filho de dois anos e meio. Sei que ele tem muita sensibilidade e vendo o seu caso (espetro autista) numa visão espírita, ele anda constantemente entre o plano físico e espiritual e isso eu confirmo, pela forma como lido com ele no dia a dia. Costumo cantar louvores ao Senhor, e ele tem uma canção que adora que é do Padre Borga (põe tua mão na mão do meu Senhor). Mas cada vez que canto Avé Maria de forma muito suave, ele desata num pranto inconsolável parecendo até que alguém lhe está a ínfligir sofrimento. É muito confuso para mim, porque cada vez que paro de cantar, ele cala se logo e fica tranquilo. Nunca tinha visto tal coisa. Pela sua experiência, pode me dar alguma luz sobre o assunto?

  6. Georgiana, pensamento é emissão e recepção, assim como o rádio. Existem inúmeras emissoras de rádio, cada qual emitindo sua mensagem. Só capta estas mensagens quem sintonizar o seu aparelho com as estações emissoras. Se estivermos receptivos ao mau pensamento, seremos atingidos por ele. Semelhante atrai semelhante. Se nossos pensamentos estiverem limpos e elevados, estaremos imunes a quaisquer pensamentos baixos. Tudo está no pensamento.

  7. Morel, peço licença para transcrever a história dos 3 filtros de Sócrates, que você deve conhecer, mas que ilustra muito bem o seu excelente artigo. Abraços.

    Na Grécia antiga, Sócrates (469 – 399 A. C.) era um mestre reconhecido por sua sabedoria. Certo dia, o grande filósofo se encontrou com um conhecido, que lhe disse:
    – Sócrates, sabe o que acabo de ouvir sobre um de seus alunos?
    – Um momento, respondeu Sócrates. Antes de me dizer, gostaria que você passasse por um pequeno teste. Chama-se Teste dos três filtros.
    – Três filtros?
    – Sim. – continuou Sócrates. – Antes de me contar o que quer que seja sobre meu aluno, é bom pensar um pouco e filtrar o que vai me dizer.
    O primeiro filtro é o da Verdade. Você está completamente seguro de que o que vai me dizer é verdade?
    – Bem, não… Acabo de saber neste mesmo instante…
    – Então, você quer me contar sem saber se é verdade?
    – Vamos ao segundo filtro, que é o da Bondade. Quer me contar algo de bom sobre meu aluno?
    – Não, pelo contrário…
    – Então, interrompeu Sócrates, quer me contar algo de ruim sobre ele que não sabe se é verdade? Bem, você pode ainda passar no teste, pois ainda resta o terceiro filtro, o da Utilidade. O que quer me contar vai ser útil para mim?
    – Acho que não muito…
    – Portanto, concluiu Sócrates, se o que você quer me contar pode não ser verdade, pode não ser bom e pode não ser útil, para que contar?

  8. Morel, e quanto ao ofendido, este por sua vez pode ser atingido por uma má palavra do ofensor de maneira prática?
    Há casos em que uma pessoa traída joga pragas terríveis no outro. Nem mesmo só casos de traição, mas no geral quando se deseja um mal a alguém de que forma esse alguém pode ser acometido desse mal?
    Por exemplo, a inveja é um sentimento maligno e que quase todas as religiões concordam que ela existe e que a pessoa sofre pela inveja do outro. Como nos livrar na prática daquele que nos deseja mal ou nos inveja???

  9. Georgiana, o arrependimento pressupõe a firme resolução de consertar ou compensar o erro cometido. Claro que se deve levar em consideração as circunstâncias em que isso acontece. Somos todos falíveis, e alguns fatores podem desencadear crises de raiva e trazer à tona nossa animalidade. Isso não nos desculpa, mas ameniza nossa consciência. Quem nos julga somos nós mesmos, através da nossa consciência. Por isso somos impelidos à melhora íntima depois de cada arrependimento. Se não podemos apagar o que foi dito, podemos pedir perdão pelo ocorrido e redobrar esforços para semearmos coisas boas com a palavra, que tanto pode ser instrumento de construção como de destruição. Só o arrependimento, sem ações, não resolve grande coisa.

  10. Boa tarde Morel! É tudo o que você escreveu e muito mais, realmente devemos pensar muito sobre as nossas atitudes, todo ser humano merece respeito, no dia em que cada um de nós colocarmos em prática tudo que Jesus nos ensinou estaremos bem melhores do que realmente aparentamos ser. Tanto em pensamento como nas atitudes.

  11. Bom dia Morel, belo artigo!
    Caro amigo, ciente de que possuímos o livre arbítrio e que somos responsáveis pelos nossas ações, gostaria de saber sua opinião quanto à palavra proferida nos momentos de ira consciente, a conhecida “praga”, seja esta de um desafeto ou, pior ainda, quando for de um parente… Ou seja, se depois surgir o arrependimento pelas palavras ditas, sejam pragas ou não, há como nos livrarmos da lei do retorno?
    Se o bem que faço anula o mal que pratiquei, então como mensurar que o arrependimento por si é o bastante para nos livrar da culpa? ou do mal que comentemos ao outro ao magoá-lo com nossas palavras de ira?

    Abraços!

  12. Não aceitaria jamais ser traída. Onde há traição, não há amor. Quanto às relações de amizade, não permito que uma pessoa me decepcione duas vezes.

  13. Olá Morel, concordo que não temos controle sobre os pensamentos, eu mesma jamais seria hipócrita em afirmar isso. Já quanto ao adultério, sou bem mais rígida, se você pensa em trair já é um forte indício que você não está feliz na sua relação. Sinceramente não acredito em relacionamentos com histórico de traições, não entendo como alguém pode fazer para ao próximo aquilo que jamais gostaria que fosse feito para si! Como ser feliz e seguir a vida adiante, numa relação baseada em falta de confiança e desvio de caráter? Não se trata de não perdoar, você pode perdoar e seguir a sua vida, agora fingir que isso nunca aconteceu é impossível, vejo isso analisando os relatos aqui expostos, ninguém consegue tocar a vida normalmente com uma ferida aberta e ainda dando margem para que ela aumente ainda mais! Cada um sabe de si, mas o fatos falam por si sós!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.